O
mês de novembro
Confirmando a previsão
traçada pelos informantes no último
Relatório Tendências, as vendas medidas
em dólares no mês de novembro registraram
decréscimo de 4,1% na comparação
com outubro. O resultado era esperado uma vez que
o mês anterior apresentou acréscimo
substancial em relação a setembro,
com aumento de 21,8%. As vendas medidas em reais,
registraram em novembro decréscimo de 5,5%
na comparação com outubro.
Os últimos
3 meses têm apresentado desempenho bastante
positivo em razão do estado geral da economia
que mostra índices de crescimento razoáveis
na indústria paulista e brasileira, ambas
excedendo a 5,5% no acumulado do ano utilizando insumos
e matérias primas comercializadas internamente
pelas empresas distribuidoras. Por outro lado, as
vendas do comércio em nível Brasil
registram crescimento acumulado próximo a
10%, refletindo o bom desempenho do mercado interno,
favorecido por condições favoráveis
de renda e crédito.
Com
o crescimento de novembro, o ano acumula vendas em
dólares 13,7% superiores
a igual período de 2006.

Nota-se
que de forma crescente, as vendas foram se distanciando
das realizadas em iguais períodos de 2006,
após superar
período de decréscimo no primeiro trimestre
do ano, chegando aos 13,7% até novembro.
A
comparação de novembro do ano em curso,
com iguais meses de anos anteriores, mostra também
vantagens representativas, conforme se observa no
gráfico seguinte.

A
evolução
gráfica dos índices das vendas em dólares,
calculados com base fixa = 100 em 1989, demonstra
a evolução do comportamento do setor,
reflexo das condições gerais da economia.
A partir de um ano bastante ruim de 2003, quando
o PIB registrou crescimento pífio, os anos
seguintes experimentaram crescimento contínuo
nos meses de novembro, culminando com o maior índice
alcançado em 2007.
Também
a comparação
percentual das vendas dos meses de 2007, decorridos
até novembro, com iguais períodos de
2006, demonstra o bom comportamento das vendas atuais.

Nota-se
que nos últimos 3 meses as vendas
de insumos químicos e petroquímicos
se intensificaram com variações representativas
de 20,3% em setembro, 33,5% em outubro e 36,8% em
novembro. Todas as variações se referem à comparação
do mês de 2007, com igual mês de 2006.
Condições
operacionais
Poucas modificações
foram sentidas nas condições de operação
das empresas. O panorama estável da inflação
não tem provocado grandes alterações
nos preços dos insumos, exceção
feita a alguns itens mais procurados que apresentam
certa escassez no mercado. A média apurada
aponta crescimento de 1,8% nos preços dos
itens comercializados no mês em análise.
Os
estoques foram mantidos em níveis compatíveis
com o custo financeiro e com a forte demanda existente,
sendo operados em níveis variando entre normal
e baixo, equivalendo a 30 dias de vendas. O custo
financeiro médio adicionado nas vendas a prazo
alcançou 2,1% ao mês.
As
vendas alcançadas
em 2007 não fugiram muito da expectativa traçada
no início do ano, pois 45% das empresas declararam
ter igualado as vendas planejadas, enquanto parcelas
iguais a 27,3% dos informantes, declararam ter obtido
aumento ou redução nas vendas relativamente
ao planejado.
A
expectativa média para o fechamento
do ano aponta para crescimento entre 13% e 15% nas
vendas em dólares e de 5% a 6% nas vendas
medidas em reais, dependendo evidentemente do comportamento
de dezembro.
Os
principais fatores citados que influenciaram as vendas
no decorrer de 2007 foram a diversificação
de “mix” de comercialização
e a expansão da carteira de clientes, dentro
do contexto de aumento do nível de atividade
econômica.
As
importações de
insumos e matérias primas do setor de distribuição
aumentaram 9,5% no ano, favorecidas pela baixa taxa
de câmbio.
Nada
menos que 65% dos informantes constataram aumento
nas facilidades e no volume de crédito ofertado
ao mercado, enquanto 54% delas declararam ter sentido
melhoria nas taxas negociadas no mercado bancário.
Perspectivas
futuras
A previsão das vendas é de
queda de 13,6% em dezembro, em razão do pequeno
número
de dias trabalhados e em função de
queda na demanda de insumos geralmente ocorrida no
mês. De uma forma geral, as indústrias
já produziram o necessário para o abastecimento
do mercado interno, restando tão somente o
atendimento de encomendas de última hora,
para as quais já possuem a maior parte dos
insumos ou estoque de mercadorias para pronto atendimento.
A
economia continua a apresentar indicadores positivos
no comércio, na indústria e no setor
de serviços, graças ao grande desempenho
do mercado interno, favorecido pelo aumento do rendimento
médio real, pela queda nas taxas de desemprego
e fundamentalmente pelas condições
atuais da oferta de crédito, que no ano em
curso deverá alcançar 34% do PIB, facilitando
as operações dos agentes econômicos.
O
grande problema a ser resolvido, no entanto, diz respeito
aos gastos públicos, que têm
apresentado crescimento superior à evolução
positiva do nível de atividade. Este acréscimo
tem sido financiado pelo aumento da arrecadação
tributária, provocando ampla discussão
sobre a prorrogação da CPMF – Contribuição
Provisória sobre a Movimentação
Financeira, em pauta no Senado Federal.
Na
verdade fica ainda pendente o assunto da reforma
tributária,
exaustivamente cobrada e que permanece no esquecimento
pelas autoridades governamentais, uma vez que de
forma imediatista, os problemas são resolvidos
com aumento da arrecadação, sem se
abrir mão de nenhum dos impostos existentes.
Relatório
elaborado pelo Depto. de Economia do Sincoquim |