Paint
& Pintura: Como foi idealizado o LATINCOAT?
Agnelo
de Barros Neto: Nós
observamos uma demanda para a realização
de um congresso que trouxesse mais informações
e palestras técnicas para o mercado de tintas.
Foi aí que surgiu o 1o Ciclo de Palestras, em 2002,
que foi basicamente um evento de palestras, mas já
contando com pequenos estandes de várias empresas.
O sucesso foi tão grande que acabou culminando
na solicitação, por parte do mercado, para
que ampliássemos mais a área de exposição.
Paint
& Pintura: A existência do congresso realizado
pela Abrafati (Associação Brasileira dos
Fabricantes de Tintas) não prejudica o LATINCOAT?
Existe espaço para os dois eventos?
Sérgio
Ávila: Não.
Não prejudica. Na nossa opinião existe,
sim, espaço porque o Brasil é um mercado
bastante incipiente em termos de consumo de tintas. Não
há, ao nosso ver, motivo para compararmos o potencial
de crescimento do mercado brasileiro com o americano ou
europeu. A China, que é um país com um perfil
mais próximo do nosso, no sentido de ser uma economia
em crescimento constante, abriga um grande evento anual,
o China Coat, que vem assinalando incremento consecutivo.
O Brasil tem muito a crescer, muito para se desenvolver,
e por isso acreditamos que exista espaço para se
fazer um evento a cada ano, logicamente, com diferenciais.
Nosso
conceito é de um evento mais voltado para a área
de congresso e menos para a de exposição,
que, na verdade, é uma conseqüência.
As empresas investem em patrocínio, na vinda de
profissionais para ministrar palestras e a feira é
um complemento desse processo. No conjunto, o LATINCOAT
permite que haja uma sinergia entre o público que
assiste às palestras e o público que visita
os estandes das empresas.
Não
queremos fazer uma feira com status de show. A Abrafati,
hoje, é o segundo ou terceiro maior evento do mundo
no setor e é um megaevento, com estandes grandes,
bonitos e interativos. Nossa intenção é
fazer um evento com perfil mais focado em congresso, com
estandes menores; tanto que hoje temos uma limitação
de espaço de cem metros quadrados na área
de exposição.
Paint
& Pintura: A opção de focar mais a parte
de congresso deixa claro que a Ávila-Agnelo Eventos
prioriza inovações e tecnologia. Entretanto,
as evoluções no mercado de tintas não
são tão pontuais ou freqüentes. Mesmo
assim, existem novidades suficientes que justifiquem a
periodicidade do LATINCOAT?
Barros
Neto: Talvez não
haja, mas certamente as empresas têm demonstrado
necessidade de expor suas novidades com mais freqüência.
Observamos, por exemplo, que nos anos em que não
há o congresso da Abrafati, várias empresas
realizam seus próprios seminários. Chegamos
a notar mais de dez empresas fazendo congressos técnicos
próprios nesses anos de intervalo para apresentar
seus produtos. O LATINCOAT dará tal oportunidade,
pois o congresso da Abrafati não tem hoje como
atender a toda essa demanda de trabalhos que as empresas
possam apresentar.
Vale
destacar que o Brasil tem um consumo per capita muito
incipiente em relação a outros países.
Nos Estados Unidos o consumo per capita é de 15
litros; na Europa, 17 litros; e no Japão, 20 litros.
No Brasil consumimos entre 4 e 5 litros, o que mostra
o espaço que ainda temos para crescer. Toda atividade
ou movimento que se faça para fomentar e desenvolver
esse mercado é válido.
Paint
& Pintura: Neste ano, o LATINCOAT será, na
verdade, um evento três em um, já que está
tematicamente dividido em três setores: tintas,
tintas industriais e adesivos e selantes. Qual é
a expectativa em relação ao Adhesives Latin
America, que acontece pela primeira vez e é um
setor relativamente novo para a Ávila-Agnelo?
Ávila:
O evento Adhesives Latin
America é uma surpresa muito grata, até
porque hoje, dentro do nosso mix de produtos, foi o segmento
que mais cresceu. A revista Adesivos & Selantes, lançada
no segundo semestre de 2003, cresceu 30% em dois anos,
um índice bastante significativo, mesmo levando-se
em conta não existirem concorrentes em termos de
informação e de eventos. Para abrigar os
eventos, dividimos o pavilhão, que terá
uma área específica para tintas e outra
para adesivos.
Existe
a tendência de o Adhesives criar vida própria,
porque a idéia é fazer um evento que congregue
toda a cadeia produtiva do setor: fornecedor, fabricante
e aplicador. Esperamos que, no curto prazo, esse evento
ganhe maturidade para vôo solo. Essa nossa percepção
está alicerçada em opiniões de profissionais
do setor, que já manifestaram o desejo de fomentar
um evento próprio, com a participação
de empresas bastante significativas, com Henkel, Sika,
Artecola, Alba e outras. O LATINCOAT prossegue com seus
diferenciais, agregando as tintas industriais, um segmento
que não conta com informativos ou eventos próprios.
Paint
& Pintura: Como está sendo o trabalho de seleção
dos temas a serem apresentados nos congressos?
Barros
Neto: O fato de termos
criado três eventos paralelos, que é um dos
diferenciais do LATINCOAT, permite uma relação
custo/benefício melhor para as empresas porque
aquelas que participavam única e exclusivamente
de um evento do mercado de tintas, terão a oportunidade
de atender clientes tanto da cadeia de tintas como na
de adesivos, pois os fornecedores são basicamente
os mesmos, tendo produtos e aplicações para
os dois segmentos. Por isso, dividimos os temas mais relevantes
para cada segmento. Estamos na fase final de nomeação
de alguns especialistas conceituados dentro de cada setor
para fazer parte do conselho tecnológico.
A
diferença em relação ao LATINCOAT
anterior é que estamos dando uma abertura maior
para que o congresso tenha conotação técnica
e comercial. A parte técnica é muito importante,
sem dúvida, mas também é preciso
que as empresas tenham espaço para apresentar seus
produtos e serviços. Afinal, o investimento das
empresas que estão patrocinando o evento é
grande e achamos importante que elas tenham a oportunidades
de divulgar suas novidades ao mercado.
Paint
& Pintura: Apesar de terem públicos diferentes,
pelo fato de acontecerem no mesmo ano, a Feitintas conflita
com o LATINCOAT?
Ávila:
Não deveria, porque
são propostas totalmente diferentes. A Feitintas
é um evento voltado para produto acabado, em que
o público visitante é basicamente o revendedor
de tintas, as oficinas de repintura automotiva e os pintores.
Já o público do LATINCOAT é formado
por profissionais envolvidos com desenvolvimento, formulação
e produção.
Paint & Pintura: Como está o apoio das entidades
ao LATINCOAT?
Barros
Neto: Temos o apoio institucional
de todas as entidades ligadas ao setor, desde os fabricantes
de tintas (Abrafati e Sitivesp) e os distribuidores de
produtos químicos (Associquim) até a área
de adesivos e etiquetas (Abiea).
Paint
& Pintura: Faltam menos de quatro meses para o LATINCOAT.
Como está a comercialização do evento?
Ávila:
Temos mais de 70% do evento
comercializado. O restante deverá ser fechado em
breve. Estamos fazendo um trabalho voltado diretamente
para os clientes e, além disso, estamos assinalando
uma participação expressiva de outros países.
Na China, por exemplo, firmamos uma parceria com um representante
que está trazendo nove fornecedores asiáticos.
Algumas empresas americanas também vão participar.
Esse é o resultado de um intenso trabalho de divulgação
que fizemos no exterior, inclusive com o apoio de instituições
ligadas ao setor, caso da FSCT (Federation of Societies
for Coatings Technology), organizadora da ICE (International
Coating Expo), nos Estados Unidos, e do jornal Coatings
Technologies, onde publicamos vários anúncios
sobre o evento.
Paint
& Pintura: Existe uma meta de expositores ou congressistas
internacionais?
Barros
Neto: Não estipulamos
metas, mas, em função do retorno até
aqui, acreditamos que virão muitos palestrantes
de fora. Com relação aos expositores, temos
uma capacidade para 120 empresas. Desse total, devemos
ter entre 10% e 15% de companhias vindas do exterior.
Paint
& Pintura: Depois de duas edições realizadas
no ITM Expo, o evento passou para o Transamérica
Expo. Quais as vantagens do novo local?
Ávila:
Na edição
anterior do LATINCOAT realizamos uma pesquisa com os expositores,
por meio da qual detectamos algumas reivindicações
com relação à estrutura do local.
Como resposta, decidimos mudar para o Transamérica,
que, hoje, é sem dúvida um espaço
mais bem estruturado. Podemos citar, por exemplo, entre
as vantagens do novo endereço, o número
reduzido de colunas, que facilita a montagem dos estandes,
e um estacionamento mais amplo, que atende a demanda de
público. Outra vantagem competitiva importante
é que conseguimos manter os mesmos custos para
os expositores.
Paint
& Pintura: Qual a expectativa de público para
o evento?
Barros
Neto: Nossa preocupação
não é com quantidade, mas com qualidade.
No LATINCOAT 2004, tivemos um público bastante
qualificado e queremos repetir isso. Nossa estimativa
é que o evento conte com 5 ou 6 mil visitantes.
Paint
& Pintura: A área de eventos da Ávila-Agnelo
vem crescendo bastante. Há novidades nesse setor?
Ávila:
Observamos que a área
de eventos cresce bastante, principalmente em feiras e
congressos. Na área de premiações,
em abril realizamos pela primeira vez o Prêmio Melhores
Marcas, voltado ao segmento de papelaria, e a intenção
é crescer também nesse segmento de mercado.
Temos outros projetos que, no momento oportuno, apresentaremos
para o mercado. Há, inclusive, projetos na área
de tintas. Acreditamos que, embora teoricamente saturado,
haja alguns nichos nesse mercado que podem ser explorados.
Estamos pensando, também, em novidades para segmentos
nos quais já atuamos, como o gráfico, de
química e petroquímica e adesivos.
Paint
& Pintura: Hoje, quanto a área de eventos representa
do faturamento da empresa?
Barros
Neto: Atualmente representa
em torno de 30% do nosso negócio. |