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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 100 - Entrevista
 
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Agnelo de Barros Neto e Sérgio Ávila
 

Inovar tem sido, ao longo dos últimos dez anos, o lema da Ávila-Agnelo. Tanto que neste ano, quando comemora sua primeira década, a empresa está otimista com as novas perspectivas que a área de eventos - já responsável por 30% de seu faturamento - descortina em termos de negócios. Um deles é o LATINCOAT, que será realizado de 8 a 10 de agosto, no Transamérica Expo, em São Paulo.

Nesta entrevista, os diretores Agnelo de Barros Neto e Sérgio Ávila falam das novidades e do posicionamento do evento, que abordará três segmentos simultaneamente - tintas, tintas industriais e adesivos e selantes -, maximizando os investimentos dos expositores.

 
Cynthia Luz e Marcos Mila
 

Paint & Pintura: Como foi idealizado o LATINCOAT?

Agnelo de Barros Neto: Nós observamos uma demanda para a realização de um congresso que trouxesse mais informações e palestras técnicas para o mercado de tintas. Foi aí que surgiu o 1o Ciclo de Palestras, em 2002, que foi basicamente um evento de palestras, mas já contando com pequenos estandes de várias empresas. O sucesso foi tão grande que acabou culminando na solicitação, por parte do mercado, para que ampliássemos mais a área de exposição.

Paint & Pintura: A existência do congresso realizado pela Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas) não prejudica o LATINCOAT? Existe espaço para os dois eventos?

Sérgio Ávila: Não. Não prejudica. Na nossa opinião existe, sim, espaço porque o Brasil é um mercado bastante incipiente em termos de consumo de tintas. Não há, ao nosso ver, motivo para compararmos o potencial de crescimento do mercado brasileiro com o americano ou europeu. A China, que é um país com um perfil mais próximo do nosso, no sentido de ser uma economia em crescimento constante, abriga um grande evento anual, o China Coat, que vem assinalando incremento consecutivo. O Brasil tem muito a crescer, muito para se desenvolver, e por isso acreditamos que exista espaço para se fazer um evento a cada ano, logicamente, com diferenciais.

Nosso conceito é de um evento mais voltado para a área de congresso e menos para a de exposição, que, na verdade, é uma conseqüência. As empresas investem em patrocínio, na vinda de profissionais para ministrar palestras e a feira é um complemento desse processo. No conjunto, o LATINCOAT permite que haja uma sinergia entre o público que assiste às palestras e o público que visita os estandes das empresas.

Não queremos fazer uma feira com status de show. A Abrafati, hoje, é o segundo ou terceiro maior evento do mundo no setor e é um megaevento, com estandes grandes, bonitos e interativos. Nossa intenção é fazer um evento com perfil mais focado em congresso, com estandes menores; tanto que hoje temos uma limitação de espaço de cem metros quadrados na área de exposição.

Paint & Pintura: A opção de focar mais a parte de congresso deixa claro que a Ávila-Agnelo Eventos prioriza inovações e tecnologia. Entretanto, as evoluções no mercado de tintas não são tão pontuais ou freqüentes. Mesmo assim, existem novidades suficientes que justifiquem a periodicidade do LATINCOAT?

Barros Neto: Talvez não haja, mas certamente as empresas têm demonstrado necessidade de expor suas novidades com mais freqüência. Observamos, por exemplo, que nos anos em que não há o congresso da Abrafati, várias empresas realizam seus próprios seminários. Chegamos a notar mais de dez empresas fazendo congressos técnicos próprios nesses anos de intervalo para apresentar seus produtos. O LATINCOAT dará tal oportunidade, pois o congresso da Abrafati não tem hoje como atender a toda essa demanda de trabalhos que as empresas possam apresentar.

Vale destacar que o Brasil tem um consumo per capita muito incipiente em relação a outros países. Nos Estados Unidos o consumo per capita é de 15 litros; na Europa, 17 litros; e no Japão, 20 litros. No Brasil consumimos entre 4 e 5 litros, o que mostra o espaço que ainda temos para crescer. Toda atividade ou movimento que se faça para fomentar e desenvolver esse mercado é válido.

Paint & Pintura: Neste ano, o LATINCOAT será, na verdade, um evento três em um, já que está tematicamente dividido em três setores: tintas, tintas industriais e adesivos e selantes. Qual é a expectativa em relação ao Adhesives Latin America, que acontece pela primeira vez e é um setor relativamente novo para a Ávila-Agnelo?

Ávila: O evento Adhesives Latin America é uma surpresa muito grata, até porque hoje, dentro do nosso mix de produtos, foi o segmento que mais cresceu. A revista Adesivos & Selantes, lançada no segundo semestre de 2003, cresceu 30% em dois anos, um índice bastante significativo, mesmo levando-se em conta não existirem concorrentes em termos de informação e de eventos. Para abrigar os eventos, dividimos o pavilhão, que terá uma área específica para tintas e outra para adesivos.

Existe a tendência de o Adhesives criar vida própria, porque a idéia é fazer um evento que congregue toda a cadeia produtiva do setor: fornecedor, fabricante e aplicador. Esperamos que, no curto prazo, esse evento ganhe maturidade para vôo solo. Essa nossa percepção está alicerçada em opiniões de profissionais do setor, que já manifestaram o desejo de fomentar um evento próprio, com a participação de empresas bastante significativas, com Henkel, Sika, Artecola, Alba e outras. O LATINCOAT prossegue com seus diferenciais, agregando as tintas industriais, um segmento que não conta com informativos ou eventos próprios.

Paint & Pintura: Como está sendo o trabalho de seleção dos temas a serem apresentados nos congressos?

Barros Neto: O fato de termos criado três eventos paralelos, que é um dos diferenciais do LATINCOAT, permite uma relação custo/benefício melhor para as empresas porque aquelas que participavam única e exclusivamente de um evento do mercado de tintas, terão a oportunidade de atender clientes tanto da cadeia de tintas como na de adesivos, pois os fornecedores são basicamente os mesmos, tendo produtos e aplicações para os dois segmentos. Por isso, dividimos os temas mais relevantes para cada segmento. Estamos na fase final de nomeação de alguns especialistas conceituados dentro de cada setor para fazer parte do conselho tecnológico.

A diferença em relação ao LATINCOAT anterior é que estamos dando uma abertura maior para que o congresso tenha conotação técnica e comercial. A parte técnica é muito importante, sem dúvida, mas também é preciso que as empresas tenham espaço para apresentar seus produtos e serviços. Afinal, o investimento das empresas que estão patrocinando o evento é grande e achamos importante que elas tenham a oportunidades de divulgar suas novidades ao mercado.

Paint & Pintura: Apesar de terem públicos diferentes, pelo fato de acontecerem no mesmo ano, a Feitintas conflita com o LATINCOAT?

Ávila: Não deveria, porque são propostas totalmente diferentes. A Feitintas é um evento voltado para produto acabado, em que o público visitante é basicamente o revendedor de tintas, as oficinas de repintura automotiva e os pintores. Já o público do LATINCOAT é formado por profissionais envolvidos com desenvolvimento, formulação e produção.

Paint & Pintura: Como está o apoio das entidades ao LATINCOAT?

Barros Neto: Temos o apoio institucional de todas as entidades ligadas ao setor, desde os fabricantes de tintas (Abrafati e Sitivesp) e os distribuidores de produtos químicos (Associquim) até a área de adesivos e etiquetas (Abiea).

Paint & Pintura: Faltam menos de quatro meses para o LATINCOAT. Como está a comercialização do evento?

Ávila: Temos mais de 70% do evento comercializado. O restante deverá ser fechado em breve. Estamos fazendo um trabalho voltado diretamente para os clientes e, além disso, estamos assinalando uma participação expressiva de outros países. Na China, por exemplo, firmamos uma parceria com um representante que está trazendo nove fornecedores asiáticos. Algumas empresas americanas também vão participar. Esse é o resultado de um intenso trabalho de divulgação que fizemos no exterior, inclusive com o apoio de instituições ligadas ao setor, caso da FSCT (Federation of Societies for Coatings Technology), organizadora da ICE (International Coating Expo), nos Estados Unidos, e do jornal Coatings Technologies, onde publicamos vários anúncios sobre o evento.

Paint & Pintura: Existe uma meta de expositores ou congressistas internacionais?

Barros Neto: Não estipulamos metas, mas, em função do retorno até aqui, acreditamos que virão muitos palestrantes de fora. Com relação aos expositores, temos uma capacidade para 120 empresas. Desse total, devemos ter entre 10% e 15% de companhias vindas do exterior.

Paint & Pintura: Depois de duas edições realizadas no ITM Expo, o evento passou para o Transamérica Expo. Quais as vantagens do novo local?

Ávila: Na edição anterior do LATINCOAT realizamos uma pesquisa com os expositores, por meio da qual detectamos algumas reivindicações com relação à estrutura do local. Como resposta, decidimos mudar para o Transamérica, que, hoje, é sem dúvida um espaço mais bem estruturado. Podemos citar, por exemplo, entre as vantagens do novo endereço, o número reduzido de colunas, que facilita a montagem dos estandes, e um estacionamento mais amplo, que atende a demanda de público. Outra vantagem competitiva importante é que conseguimos manter os mesmos custos para os expositores.

Paint & Pintura: Qual a expectativa de público para o evento?

Barros Neto: Nossa preocupação não é com quantidade, mas com qualidade. No LATINCOAT 2004, tivemos um público bastante qualificado e queremos repetir isso. Nossa estimativa é que o evento conte com 5 ou 6 mil visitantes.

Paint & Pintura: A área de eventos da Ávila-Agnelo vem crescendo bastante. Há novidades nesse setor?

Ávila: Observamos que a área de eventos cresce bastante, principalmente em feiras e congressos. Na área de premiações, em abril realizamos pela primeira vez o Prêmio Melhores Marcas, voltado ao segmento de papelaria, e a intenção é crescer também nesse segmento de mercado. Temos outros projetos que, no momento oportuno, apresentaremos para o mercado. Há, inclusive, projetos na área de tintas. Acreditamos que, embora teoricamente saturado, haja alguns nichos nesse mercado que podem ser explorados. Estamos pensando, também, em novidades para segmentos nos quais já atuamos, como o gráfico, de química e petroquímica e adesivos.

Paint & Pintura: Hoje, quanto a área de eventos representa do faturamento da empresa?

Barros Neto: Atualmente representa em torno de 30% do nosso negócio.

 
 
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