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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 100 - Espessantes Associativos
 
Mercado sem respingos
 
Visando promover menos respingamento e escorrimento da tinta, ao mesmo tempo em que ajudam na cobertura, sem manchas, os espessantes associativos caminham para ser os substitutos dos espessantes de origem natural, como os celulósicos.
 
Cynthia Luz
 

O uso de carboximetilcelulose nas formulações de tintas de boa qualidade não é mais uma realidade no mercado. A cada dia que passa, os espessantes associativos estão se fazendo presentes no mercado, trazendo entre outras vantagens melhores propriedades reológicas, maior vida útil às tintas e se tornando opções até para o uso de nanotecnologia nas tintas. Com isso, vêm ganhando mercado constantemente e podem eliminar a presença de celulósicos nas formulações com certa rapidez, sendo necessário para isso que apresentem apenas custos mais competitivos.

“O mercado de tintas no ano passado continuou sua trajetória de substituição de celulósicos por sistemas acrílicos ou associativos. A expectativa para a década é a eliminação total desses celulósicos, ainda bastante presentes em massas e texturas, e uma migração para sistemas híbridos associativos/uretânicos e uretânicos puros, mas a questão ainda é preço”, reitera Luiz Carlos Pestana, da Clariant.

Já Flávio de Souza Marchi, gerente de contas Coatings da Rohm and Haas, avalia que o mercado vem, nos últimos anos, buscando sistemas de espessantes associativos ou modificadores reológicos, iônicos ou não-iônicos, mais versáteis, com alto desempenho e eficiência, “ou seja, produtos que possam ser usados em toda a faixa de PVCs, com baixo consumo e que atuem como único espessante”.

Para ele, 2005 foi um ano bastante interessante para a Rohm & Haas em relação a esses aditivos, que tiveram foco na linha de alto desempenho e aumentaram o volume de vendas: “Atingimos dois grandes objetivos. O primeiro ligado ao aumento do volume de vendas de toda a linha de espessantes, desde os convencionais, como o Primal HT-300, passando pelos modificadores reológicos iônicos da Linha Primal AP, até os modificadores uretânicos não-iônicos da linha Acrysol. O segundo foi a melhora em nosso mix de produtos, com foco na linha de alto desempenho, como os espessantes uretânicos.”

Walmir Lopes, do departamento comercial da Manchester Especialidades Químicas, destaca que “as formulações caminharam rapidamente para os espessantes associativos, deixando, várias vezes, em desuso por completo os espessantes celulósicos, como o CMC em tintas imobiliárias”.

Já Renato Stoicov, coordenador de negócios Tego Coating & Ink Additives da Degussa, comenta as medidas de incentivo à construção civil, que devem trazer benefícios à linha de aditivos: “O aumento no poder aquisitivo ajuda no consumo de produtos de maior tecnologia e por conseqüência de maior valor agregado. Um exemplo claro são os espessantes associativos, que normalmente são mais caros que os espessantes convencionais. Poder comprar uma tinta que não apresente manchas, não escorra mesmo quando aplicada sob condições climáticas adversas ou mesmo quando queremos pintar o teto da nossa casa e não os nossos olhos tem um preço. Acreditamos que o Brasil está se tornando cada vez mais apto a pagar esse preço. O programa da Abrafati (Associação Brasileira de Fabricantes de Tintas) para regulamentar um mínimo de qualidade para as tintas foi um primeiro passo; agora temos de continuar trilhando esse caminho e oferecer, cada vez mais, bons produtos ao consumidor”, diz, acrescentando que os esmaltes à base d’água, tintas industriais e automotivas solúveis em água devem ser os próximos caminhos a serem trilhados.

Emerson Delegá, coordenador técnico e comercial Coatings e Photocuring da Lambra, afirma, por sua vez, que as medidas governamentais só devem começar a fazer efeito daqui a algum tempo: “A expectativa é que o mercado de tintas, e conseqüentemente o de espessantes associativos, deve sofrer impacto positivo, mas isso só deve ser sentido no final de 2007, pois o nosso segmento é de acabamento, ou seja, seremos um dos últimos a sentirem o efeito dessas medidas do governo.”

Marchi acredita que a redução da carga tributária de alguns itens para a construção civil, incluindo as tintas, deve aumentar o consumo no médio prazo, aliada à redução de juros e aumento do salário mínimo: “A redução de 5% do Imposto sobre Produtos Industrializados das tintas deve também aumentar, parcialmente, a competitividade dos fabricantes de tintas que não praticam evasão fiscal, pois os fabricantes que se utilizam dessa prática ilegal perdem parte da vantagem desonesta sobre os demais, cujas obrigações tributárias estão em dia”, ressalva.

Pestana alinhava dizendo que “é muito difícil trabalhar expectativas no Brasil, mas que crê que atingimos um certo amadurecimento, que nos levará a um crescimento constante, mas sem grandes avanços”.

Tendências

Uma das grandes tendências, em nível mundial, para esse mercado são os espessantes uretânicos, que vêm sendo trabalhados em nível mundial. “O top em termos de espessantes são os uretânicos, mas no Brasil pesa contra esse produto o fator preço, que é mais alto do que os dos espessantes acrílicos convencionais. Entretanto, conferem um excelente acabamento no filme aplicado, sendo muito utilizados no momento em tintas premium”, relata Lopes.

Pestana acrescenta que, apesar de o Brasil, em alguns campos, estar com defasagem tecnológica, isso não ocorre no segmento de tintas, porque, “nesse mercado, somos os mais avançados no uso de associativos como substitutos de celulósicos e estamos avançando rapidamente no campo dos uretânicos. A necessidade de custos competitivos para se manter nesse mercado desenvolve a versatilidade dos formuladores de tintas brasileiros” porque os mercados crescentes da América Latina e Ásia seguem nessa direção.

Delegá lembra que o mercado “vem procurando, cada vez mais, espessantes associativos que, em um só produto, reúnam conjuntos de características e interatividade/associatividade completas, tais como demanda baixa, nivelamento, escorrimento e respingo interessantes e que não impactem muito em lavabilidade”.

Na análise de Marchi, o mercado brasileiro está iniciando um das mudanaças mais importantes dos últimos ano, com as tintas econômicas perdendo espaço, devido às más experiências que os usuários finais têm passado com esse tipo de produto. “Com isso, o mix de tintas disponível no mercado está melhorando, ou seja, vende-se mais tintas de alta qualidade hoje do que comparado há poucos anos. E os fabricantes de tintas estão buscando matérias-primas de mais alta performance, com destaque para os espessantes associativos, que são responsáveis por algumas das mais importantes propriedades das tintas, como nivelamento, transferência, resistência a respingos, qualidade de acabamento e até mesmo cobertura.”

Investimentos

Para desenvolver esses produtos de alta performance e baixo custo, as empresas estão investindo, tanto local quanto globalmente, em pesquisa e alguns resultados já estão disponíveis. A Manchester, que comercializa cerca de 300 toneladas mensais de produtos para as grandes empresas de tintas no Brasil e algumas internacionais, é um bom exemplo disso, já que está investindo na finalização da nova unidade em Itatiba (SP) e deve anunciar em breve outros investimentos. “Os espessantes associativos representam 50% desse total para o ano de 2006 e em nosso planejamento estratégico esperamos um crescimento de 60% para essas especialidades, com novos investimentos em produtos e em unidades”, conta Lopes, acrescentando que a empresa lançou, em setembro do ano passado, o Ureol 7000, um espessante acrílico uretânico que, em conjunto com outro espessante da linha Manreol, que promove tixotropia e viscosidade, confere à tinta melhor aplicação, transferência e fechamento de filme, proporcionando bom acabamento na tinta aplicada.

A Degussa, por sua vez, lançou há um ano e meio na Alemanha uma linha de espessantes poliuretânicos associativos: “Além de fornecer corpo para a tinta, essa nova família de espessantes, oferecida por meio da linha de produtos Tego, age em diferentes taxas de cisalhamento e evita a formação de manchas nas tintas. Ela é formada pelos Tego Viscoplus 3000 e 3010, com comportamento newtoniano, indicados para tintas aplicadas sobre baixo cisalhamento; Tego Viscoplus 3030, com comportamento pseudoplástico para tintas aplicadas sobre médio cisalhamento; e Tego Viscoplus 3060, com comportamento fortemente pseudoplástico, para aplicações sobre alto cisalhamento, como as tintas spray”, conta Stoicov.

Já a Clariant, por intermédio de seu centro de desenvolvimento no Brasil, acompanha as tendências e demandas sem precisar de imediato de novos investimentos: “Os espessantes da Clariant também buscam otimizar as formulações. Para tanto, já não os consideramos como espessantes e sim como modificadores reológicos, porque, além de espessar, melhoram a transferência das tintas, aumentam o brilho, promovem maior nivelamento e trazem para a pintura maior poder de cobertura”, afiança Pestana.

Delegá, que aponta como grandes novidades para o segmento os monômeros funcionais para a polimerização e a tecnologia de nanopartículas, considera que esses desenvolvimentos estão sendo tratados em nível mundial, mas que assim que estiverem prontos não devem demorar para chegar ao Brasil. Em relação à Lambra, ele reporta que a empresa vem trabalhando fortemente em novos desenvolvimentos tanto no Brasil quanto na Itália, bem como avisa que estudos de investimentos em área produtiva aqui no Brasil estão sendo realizados. “Estamos concluindo estudos para novos produtos na linha dos espessantes associativos e uma boa notícia é que logo estarão disponíveis outras alternativas além dos produtos atuais em espessantes poliuretânicos. A Lambra possui a linha Viscolam, composta por espessantes acrílicos e que contempla produtos com características diferenciadas de mercado - de medium low shear, medium high shear e low shear, ou seja, que podem ser usados sem a necessidade da introdução de mais um espessante na formulação e que oferecem características reológicas muito boas. Temos ainda na linha Viscolam, espessante para massa corrida e texturas com performance interessante em termos de demanda versus resistência à água”, completa.

Para atender as exigências do mercado, a Rohm and Haas está focada no desenvolvimento e promoção de produtos em um novo patamar de tecnologia. “Alta tecnologia está associada a preços altos, porém a Rohm and Haas está preocupada também em trazer novos valores ao mercado, com produtos de qualidade e desempenho superiores, sem esquecer do balanço custo/performance”, afiança Marchi, adiantando que os espessantes uretânicos associativos não-iônicos, como Acrysol SCT-275 e Acrysol RM-2020 NPR, e os espessantes acrílicos associativos iônicos, como Primal AP-10 e Primal AP-50, são algumas das opções da empresa para atender as principais demandas do mercado. A Rohm and Haas possui desde os Ase (emulsão alcalissolúvel) aos Hase (emulsão alcalissolúvel modificada hidrofobicamente) e os Heur (resina uretânica de óxido de etileno modificada hidrofobicamente). Dentro da linha Hase está a linha Primal AP, que combina eficiência - baixo consumo e baixo custo de espessamento – com excelente performance, principalmente em nivelamento, e baixa queda de viscosidade após a adição de colorantes. Além disso, a empresa conta com uma linha especificamente desenvolvida para substituição dos celulósicos - Primal DR -, como Primal DR-1 e DR-73, que, quando combinados, conseguem substituir espessantes celulósicos sem perda de desempenho.

“Ainda temos os produtos Primal TT-935, RM-5, RM-6 e RM-7, que, quando identificada a combinação ideal, promovem características peculiares às tintas, como excelentes propriedades de aplicação. Para massas acrílicas e PVA, a empresa possui o Primnal HT-300, com alta eficiência e boas características de consistência e aplicação, além dos modificadores reológicos uretânicos Heurs, com excelentes propriedades de aplicação e alta resistência a água e intempéries, por se tratar de produtos hidrofóbicos. Com eles o formulador pode reduzir a quantidade de binder ou emulsão, sem comprometer os resultados de lavabilidade, garantindo um custo de formulação estável e com acabamento e resistência superiores. Os principais produtos dessa linha são Acrusol SCT-275 e Acrysol RM-2020 NPR.”

 
 
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