O
uso de carboximetilcelulose nas formulações
de tintas de boa qualidade não é mais uma
realidade no mercado. A cada dia que passa, os espessantes
associativos estão se fazendo presentes no mercado,
trazendo entre outras vantagens melhores propriedades
reológicas, maior vida útil às tintas
e se tornando opções até para o uso
de nanotecnologia nas tintas. Com isso, vêm ganhando
mercado constantemente e podem eliminar a presença
de celulósicos nas formulações com
certa rapidez, sendo necessário para isso que apresentem
apenas custos mais competitivos.
“O
mercado de tintas no ano passado continuou sua trajetória
de substituição de celulósicos por
sistemas acrílicos ou associativos. A expectativa
para a década é a eliminação
total desses celulósicos, ainda bastante presentes
em massas e texturas, e uma migração para
sistemas híbridos associativos/uretânicos
e uretânicos puros, mas a questão ainda é
preço”, reitera Luiz Carlos Pestana, da Clariant.
Já
Flávio de Souza Marchi, gerente de contas Coatings
da Rohm and Haas, avalia que o mercado vem, nos últimos
anos, buscando sistemas de espessantes associativos ou
modificadores reológicos, iônicos ou não-iônicos,
mais versáteis, com alto desempenho e eficiência,
“ou seja, produtos que possam ser usados em toda
a faixa de PVCs, com baixo consumo e que atuem como único
espessante”.
Para
ele, 2005 foi um ano bastante interessante para a Rohm
& Haas em relação a esses aditivos,
que tiveram foco na linha de alto desempenho e aumentaram
o volume de vendas: “Atingimos dois grandes objetivos.
O primeiro ligado ao aumento do volume de vendas de toda
a linha de espessantes, desde os convencionais, como o
Primal HT-300, passando pelos modificadores reológicos
iônicos da Linha Primal AP, até os modificadores
uretânicos não-iônicos da linha Acrysol.
O segundo foi a melhora em nosso mix de produtos, com
foco na linha de alto desempenho, como os espessantes
uretânicos.”
Walmir
Lopes, do departamento comercial da Manchester Especialidades
Químicas, destaca que “as formulações
caminharam rapidamente para os espessantes associativos,
deixando, várias vezes, em desuso por completo
os espessantes celulósicos, como o CMC em tintas
imobiliárias”.
Já
Renato Stoicov, coordenador de negócios Tego Coating
& Ink Additives da Degussa, comenta as medidas de
incentivo à construção civil, que
devem trazer benefícios à linha de aditivos:
“O aumento no poder aquisitivo ajuda no consumo
de produtos de maior tecnologia e por conseqüência
de maior valor agregado. Um exemplo claro são os
espessantes associativos, que normalmente são mais
caros que os espessantes convencionais. Poder comprar
uma tinta que não apresente manchas, não
escorra mesmo quando aplicada sob condições
climáticas adversas ou mesmo quando queremos pintar
o teto da nossa casa e não os nossos olhos tem
um preço. Acreditamos que o Brasil está
se tornando cada vez mais apto a pagar esse preço.
O programa da Abrafati (Associação Brasileira
de Fabricantes de Tintas) para regulamentar um mínimo
de qualidade para as tintas foi um primeiro passo; agora
temos de continuar trilhando esse caminho e oferecer,
cada vez mais, bons produtos ao consumidor”, diz,
acrescentando que os esmaltes à base d’água,
tintas industriais e automotivas solúveis em água
devem ser os próximos caminhos a serem trilhados.
Emerson
Delegá, coordenador técnico e comercial
Coatings e Photocuring da Lambra, afirma, por sua vez,
que as medidas governamentais só devem começar
a fazer efeito daqui a algum tempo: “A expectativa
é que o mercado de tintas, e conseqüentemente
o de espessantes associativos, deve sofrer impacto positivo,
mas isso só deve ser sentido no final de 2007,
pois o nosso segmento é de acabamento, ou seja,
seremos um dos últimos a sentirem o efeito dessas
medidas do governo.”
Marchi
acredita que a redução da carga tributária
de alguns itens para a construção civil,
incluindo as tintas, deve aumentar o consumo no médio
prazo, aliada à redução de juros
e aumento do salário mínimo: “A redução
de 5% do Imposto sobre Produtos Industrializados das tintas
deve também aumentar, parcialmente, a competitividade
dos fabricantes de tintas que não praticam evasão
fiscal, pois os fabricantes que se utilizam dessa prática
ilegal perdem parte da vantagem desonesta sobre os demais,
cujas obrigações tributárias estão
em dia”, ressalva.
Pestana
alinhava dizendo que “é muito difícil
trabalhar expectativas no Brasil, mas que crê que
atingimos um certo amadurecimento, que nos levará
a um crescimento constante, mas sem grandes avanços”.
Tendências
Uma
das grandes tendências, em nível mundial,
para esse mercado são os espessantes uretânicos,
que vêm sendo trabalhados em nível mundial.
“O top em termos de espessantes são os uretânicos,
mas no Brasil pesa contra esse produto o fator preço,
que é mais alto do que os dos espessantes acrílicos
convencionais. Entretanto, conferem um excelente acabamento
no filme aplicado, sendo muito utilizados no momento em
tintas premium”, relata Lopes.
Pestana
acrescenta que, apesar de o Brasil, em alguns campos,
estar com defasagem tecnológica, isso não
ocorre no segmento de tintas, porque, “nesse mercado,
somos os mais avançados no uso de associativos
como substitutos de celulósicos e estamos avançando
rapidamente no campo dos uretânicos. A necessidade
de custos competitivos para se manter nesse mercado desenvolve
a versatilidade dos formuladores de tintas brasileiros”
porque os mercados crescentes da América Latina
e Ásia seguem nessa direção.
Delegá
lembra que o mercado “vem procurando, cada vez mais,
espessantes associativos que, em um só produto,
reúnam conjuntos de características e interatividade/associatividade
completas, tais como demanda baixa, nivelamento, escorrimento
e respingo interessantes e que não impactem muito
em lavabilidade”.
Na
análise de Marchi, o mercado brasileiro está
iniciando um das mudanaças mais importantes dos
últimos ano, com as tintas econômicas perdendo
espaço, devido às más experiências
que os usuários finais têm passado com esse
tipo de produto. “Com isso, o mix de tintas disponível
no mercado está melhorando, ou seja, vende-se mais
tintas de alta qualidade hoje do que comparado há
poucos anos. E os fabricantes de tintas estão buscando
matérias-primas de mais alta performance, com destaque
para os espessantes associativos, que são responsáveis
por algumas das mais importantes propriedades das tintas,
como nivelamento, transferência, resistência
a respingos, qualidade de acabamento e até mesmo
cobertura.”
Investimentos
Para
desenvolver esses produtos de alta performance e baixo
custo, as empresas estão investindo, tanto local
quanto globalmente, em pesquisa e alguns resultados já
estão disponíveis. A Manchester, que comercializa
cerca de 300 toneladas mensais de produtos para as grandes
empresas de tintas no Brasil e algumas internacionais,
é um bom exemplo disso, já que está
investindo na finalização da nova unidade
em Itatiba (SP) e deve anunciar em breve outros investimentos.
“Os espessantes associativos representam 50% desse
total para o ano de 2006 e em nosso planejamento estratégico
esperamos um crescimento de 60% para essas especialidades,
com novos investimentos em produtos e em unidades”,
conta Lopes, acrescentando que a empresa lançou,
em setembro do ano passado, o Ureol 7000, um espessante
acrílico uretânico que, em conjunto com outro
espessante da linha Manreol, que promove tixotropia e
viscosidade, confere à tinta melhor aplicação,
transferência e fechamento de filme, proporcionando
bom acabamento na tinta aplicada.
A
Degussa, por sua vez, lançou há um ano e
meio na Alemanha uma linha de espessantes poliuretânicos
associativos: “Além de fornecer corpo para
a tinta, essa nova família de espessantes, oferecida
por meio da linha de produtos Tego, age em diferentes
taxas de cisalhamento e evita a formação
de manchas nas tintas. Ela é formada pelos Tego
Viscoplus 3000 e 3010, com comportamento newtoniano, indicados
para tintas aplicadas sobre baixo cisalhamento; Tego Viscoplus
3030, com comportamento pseudoplástico para tintas
aplicadas sobre médio cisalhamento; e Tego Viscoplus
3060, com comportamento fortemente pseudoplástico,
para aplicações sobre alto cisalhamento,
como as tintas spray”, conta Stoicov.
Já
a Clariant, por intermédio de seu centro de desenvolvimento
no Brasil, acompanha as tendências e demandas sem
precisar de imediato de novos investimentos: “Os
espessantes da Clariant também buscam otimizar
as formulações. Para tanto, já não
os consideramos como espessantes e sim como modificadores
reológicos, porque, além de espessar, melhoram
a transferência das tintas, aumentam o brilho, promovem
maior nivelamento e trazem para a pintura maior poder
de cobertura”, afiança Pestana.
Delegá,
que aponta como grandes novidades para o segmento os monômeros
funcionais para a polimerização e a tecnologia
de nanopartículas, considera que esses desenvolvimentos
estão sendo tratados em nível mundial, mas
que assim que estiverem prontos não devem demorar
para chegar ao Brasil. Em relação à
Lambra, ele reporta que a empresa vem trabalhando fortemente
em novos desenvolvimentos tanto no Brasil quanto na Itália,
bem como avisa que estudos de investimentos em área
produtiva aqui no Brasil estão sendo realizados.
“Estamos concluindo estudos para novos produtos
na linha dos espessantes associativos e uma boa notícia
é que logo estarão disponíveis outras
alternativas além dos produtos atuais em espessantes
poliuretânicos. A Lambra possui a linha Viscolam,
composta por espessantes acrílicos e que contempla
produtos com características diferenciadas de mercado
- de medium low shear, medium high shear e low shear,
ou seja, que podem ser usados sem a necessidade da introdução
de mais um espessante na formulação e que
oferecem características reológicas muito
boas. Temos ainda na linha Viscolam, espessante para massa
corrida e texturas com performance interessante em termos
de demanda versus resistência à água”,
completa.
Para
atender as exigências do mercado, a Rohm and Haas
está focada no desenvolvimento e promoção
de produtos em um novo patamar de tecnologia. “Alta
tecnologia está associada a preços altos,
porém a Rohm and Haas está preocupada também
em trazer novos valores ao mercado, com produtos de qualidade
e desempenho superiores, sem esquecer do balanço
custo/performance”, afiança Marchi, adiantando
que os espessantes uretânicos associativos não-iônicos,
como Acrysol SCT-275 e Acrysol RM-2020 NPR, e os espessantes
acrílicos associativos iônicos, como Primal
AP-10 e Primal AP-50, são algumas das opções
da empresa para atender as principais demandas do mercado.
A Rohm and Haas possui desde os Ase (emulsão alcalissolúvel)
aos Hase (emulsão alcalissolúvel modificada
hidrofobicamente) e os Heur (resina uretânica de
óxido de etileno modificada hidrofobicamente).
Dentro da linha Hase está a linha Primal AP, que
combina eficiência - baixo consumo e baixo custo
de espessamento – com excelente performance, principalmente
em nivelamento, e baixa queda de viscosidade após
a adição de colorantes. Além disso,
a empresa conta com uma linha especificamente desenvolvida
para substituição dos celulósicos
- Primal DR -, como Primal DR-1 e DR-73, que, quando combinados,
conseguem substituir espessantes celulósicos sem
perda de desempenho.
“Ainda
temos os produtos Primal TT-935, RM-5, RM-6 e RM-7, que,
quando identificada a combinação ideal,
promovem características peculiares às tintas,
como excelentes propriedades de aplicação.
Para massas acrílicas e PVA, a empresa possui o
Primnal HT-300, com alta eficiência e boas características
de consistência e aplicação, além
dos modificadores reológicos uretânicos Heurs,
com excelentes propriedades de aplicação
e alta resistência a água e intempéries,
por se tratar de produtos hidrofóbicos. Com eles
o formulador pode reduzir a quantidade de binder ou emulsão,
sem comprometer os resultados de lavabilidade, garantindo
um custo de formulação estável e
com acabamento e resistência superiores. Os principais
produtos dessa linha são Acrusol SCT-275 e Acrysol
RM-2020 NPR.” |