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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 101 - Ceras
 
Resistência a riscos
 
Seguindo o desenvolvimento do mercado de tintas, o segmento de ceras não apresentou bons resultados em 2005 e ainda espera a decolagem anunciada para 2006. Mesmo assim, o Brasil se destaca na América Latina e se aproxima qualitativamente dos mercados mais desenvolvidos.
 
Cynthia Luz
 

O ano passado não foi dos melhores para o setor de tintas, que apresentou crescimento abaixo do esperado. Já para 2006, até por causa do desempenho registrado em 2005, são aguardados melhores resultados, embalando na mesma perspectiva todas as matérias-primas, incluindo as ceras. Além disso, existe amplo horizonte a ser conquistado, já que hoje as formulações feitas com ceras ainda são minoria, não alcançando sequer 10% do mercado. Mas para que esse crescimento seja alcançado é necessário que os custos sejam pesados em relação aos benefícios e que outras alternativas tecnológicas sejam postas em prática.

Vale lembrar que essas formulações trazem muitas vantagens, como a promoção de ancoragem da tinta em substratos como metal e plástico, além de servirem como agente hidrofugante, antislip e melhorando a resistência à lavagem. Os principais mercados são vernizes e tintas para madeira, tintas em pó, vernizes sanitários, tintas industriais e de manutenção e tintas gráficas.

Para Ricardo Dittmer, diretor da Megh, “o mercado de ceras para tintas encontra-se mais evoluído no Brasil que nos demais países latino-americanos, incluindo o México, que se encontra mais próximo de um mercado bastante desenvolvido, os Estados Unidos. Tanto o mercado de tintas imobiliárias quanto o mercado de tintas industrias, apesar de estarem sujeitos a chuvas e trovoadas no decorrer do período, têm crescido nas últimas décadas a uma taxa de 3% e 1,5% ao ano, respectivamente. Na América Latina, os fabricantes ainda se encontram, pelo menos no referente à aplicação de ceras, em estágio anterior ao mercado brasileiro e em alguns casos preferem aguardar que suas subsidiárias aqui façam o desenvolvimento para depois procurar adaptá-lo ao seu mercado.”

Para ele, as empresas brasileiras foram, na sua maioria, incorporadas por gigantes multinacionais, que no início procuraram averiguar a situação vigente para posteriormente implantar a sua tecnologia. “A implantação dessa tecnologia passou, no entanto, por um problema de falta de matérias-primas adequadas disponíveis no mercado nacional. A Megh sempre participou desse processo, procurando desenvolver e adaptar ceras e emulsões de ceras com qualidade equivalente a produtos fabricados em mercados de alta tecnologia, como o americano e o europeu, para estarem disponíveis aos fabricantes de tintas do mercado brasileiro. Esse processo não ocorreu de uma hora para outra e em alguns casos ainda não está desenvolvido a contento. Existe certa resistência a mudanças por parte do setor, que segue a máxima ‘por que mexer no time que está ganhando?’”

Já para Sérgio Medeiros, analista de marketing da Grupar Química, as ceras são fundamentais nas formulações das tintas porque conferem propriedades importantes, como brilho, slip, resistência à abrasão e anti-blocking. “É um mercado interessante e que, por parte da Grupar Química, sempre possui alguma novidade para apresentar. Este ano lançamos uma série de novos produtos para a área. Como todas as especialidades químicas envolvidas no processo produtivo, esse setor é extremamente sensível a mudanças no mercado, e 2006, até o presente momento, não apresentou nenhuma significativa melhora em relação a 2005.”

Na opinião de Munir Aboissa, diretor da Aboissa Óleos Vegetais, o mercado de tintas passou por grandes turbulências em 2005, mas tem expectativas de resultados muito melhores em 2006. Além disso, Aboissa aponta: “A rapidez e a intensidade com que as tecnologias e os sistemas de produção industrial vêm se transformando trouxeram novos desafios para a política industrial que tem virtualmente monopolizado o desenvolvimento econômico contemporâneo, possibilitando novas estratégias de mercado, tanto no curto quanto no médio prazo. Essas transformações trazem implicações sobre a perspectiva de mercado, principalmente na delimitação de novos espaços das concorrências mais internacionalizadas e na aceleração do ritmo de inovação tecnológica e de diferenciação de produtos. Isso define, conseqüentemente, novos critérios para a competitividade industrial, que podem impactar no mercado no médio prazo.”

Dario de Moraes Longhi, do suporte técnico e desenvolvimento da Solven, recorda que “no segmento de tintas, o avanço foi ditado pela exigência do consumidor, o que obrigou os fabricantes a atualizarem seus processos e matérias-primas. No que diz respeito às ceras, houve modificações nas formulações, partindo-se das parafinas puras e incorporando outras ceras sintéticas, para que se pudesse acompanhar a evolução do segmento. A participação das ceras no mercado de tintas ainda é pequena, não ultrapassando a casa dos 4% em sua formulação. O fator custo ainda é o maior limitador dessa evolução, em decorrência das matérias-primas disponíveis no setor. No passado, a parafina era a única alternativa; hoje os blends de acrílicos, polietilenos e polimetilenos com a parafina estão cada vez mais comuns, o que acarretou certa evolução em sua qualidade e performance”.

Regina Schwab Rufo, gerente comercial da Braschemical, cita que há diferentes categorias de ceras fornecidas no mercado brasileiro. “As ceras à base de polietileno são as mais utilizadas em tintas, porém composições de polietileno ou polipropileno com politetrafluoroetileno (PTFE) podem ser indicadas quando são necessárias características como maior slip, antiblocking, fosqueamento e resistência a riscos e à abrasão. Ela ainda completa: “O mercado brasileiro está, em boa parte, ligado às exportações do produto final, como móveis, linha branca e eletrodomésticos. Por isso, com a queda da taxa de câmbio e a conseqüente desaceleração das exportações, infelizmente as perspectivas no curto e até médio prazo não são otimistas.”

Para Dittmer, entretanto, as ceras têm muito a crescer: “A possibilidade de aplicação de ceras em formulações de produtos que compõem o nosso dia-dia é muito grande. No mercado de tintas de impressão, os sistemas de cura UV estão ganhando cada dia mais espaço pela excelente qualidade de acabamento e eliminação do VOC. Existem desenvolvimentos recentes de ceras chamadas funcionais, que operam de forma similar à resina de cura, possibilitando a formação de um ‘compound’ de ação única entre cera e resina. No campo das tintas para superfície metálica existem ceras funcionais que podem ser desenvolvidas para facilitar a ancoragem entre a tinta e o substrato. Nas tintas imobiliárias ditas de segunda e terceira linhas, onde o teor de carga é muito elevado, o uso de ceras com alta resistência à abrasão pode melhorar, significativamente, a performance dos produtos finais. Ainda existe espaço para o desenvolvimento de produtos com melhor qualidade, em substituição aos já existentes, bem como desenvolver produtos que existem lá fora, porém não se encontram disponíveis no mercado local. A perspectiva de crescimento é interessante, principalmente para aqueles fabricantes de tintas que investirem em novas tecnologias. O processo de substituição de formulações base solvente por sistema base água ‘enviromental friendly’ é irreversível e somente aqueles que enxergarem esse aspecto estarão aptos a sobreviver num futuro próximo.”

Produtos

A Aboissa está presente nos mercados de revestimento, packaging, de tintas para madeira, industriais e repintura automotiva, com ceras de carnaúba, além de óleo de babaçu refinado, óleo de soja, de mamona, de tunge, de linhaça, e de oiticica, e ácidos graxos destilados de coco e soja.

A Braschemical trabalha com a tradicional linha Lanço de ceras micronizadas da Noveon (antiga Lubrizol) e fornece ao mercado ceras micronizadas de PP, PE, PE/PTFE, e 100% PTFE, em pó, emulsões e dispersões base solvente.

As ceras da Noveon possuem PTFE virgem, não trabalhando com PTFE reciclada (ceras cinza). As ceras micronizadas Lanco são fabricadas na Alemanha e Estados Unidos e após a aquisição da Noveon pela Lubrizol o grupo passou a chamar-se Noveon, no que se refere a aditivos para coatings. No Brasil e na América do Sul, a Braschemical é representante exclusiva da Noveon para ceras micronizadas, com estoque local no Rio de Janeiro, atende todo o mercado nacional. Para os demais países da América do Sul, a Noveon trabalha com a empresa Mathiesen, representante e distribuidor presente no Chile, Argentina e outros.

“Como as ceras micronizadas Noveon são especialidades dentro da categoria de ceras, há sempre aplicações que requerem característica de maior resistência da tinta ou verniz, principalmente relacionadas às propriedades de risco e abrasão. É constante o desenvolvimento de novos nichos de mercados que buscam soluções de resistência no produto final, conseqüente do aumento da qualidade. As ceras micronizadas agem como modificadores de superfície nas tintas e vernizes, portanto são utilizadas nas fórmulas que requerem maior durezas e resistência. A Noveon lançou uma cera que é fosqueante, mas não dá tixotropia e sedimentação, como ocorre com as sílicas, principalmente em sistemas solventes e cura UV. Acredito que o mercado de tintas ultravioleta tem um bom potencial de crescimento”, diz Regina.

A Clariant trabalha com a linha Licowax e a linha de ceras micronizadas Ceridust para os mercados de tintas gráficas, tintas e vernizes, plásticos e especialidades, como home care, personal care, stationary e outros. Em médio prazo, a Clariant disponibilizará para o mercado de tintas as ceras metalocênicas, que já estão sendo produzidas em sua nova fábrica na Alemanha. Inicialmente, porém, os produtos dessa fábrica estão destinados aos mercados de plásticos e hot melt.

“Num mercado tão competitivo como é o de tintas, a Clariant se preocupa em oferecer não só os produtos tradicionais, para slip, resistência a riscos ou fosqueamento, mas também produtos inovadores, como, por exemplo, as ceras reativas para sistema UV, ceras de PE e PP ou composições dessas, para madeira, de modo a conferir toque sedoso ao acabamento, microtextura; e ceras que permitam a substituição parcial da benzoína, reduzindo assim o efeito amarelado que essa produz ou então ceras que facilitam a dispersão de pigmentos e melhoram a fluidez durante o processo de extrusão, proporcionando assim um aumento da produtividade  e redução no consumo de energia, para tintas em pó”, elenca Ferracioli.

A Grupar possui em sua linha emulsões, dispersões e microdispersões de cera. São ceras de carnaúba, parafina, PE, PP, HDPE, HDPE/Silicone, amidas e EVA. “Demos início em uma cera de PE dispersa em monômero para aplicação em sistemas UV (Ultralube D-1645). Os testes têm mostrado a alta eficiência desse produto em propriedades como resistência à abrasão e slip. Também é indicado para casos onde o formulador deseja reduzir o brilho da formulação; esse ajuste se dá variando a concentração do produto na formulação”, adianta Medeiros.

Outra opção para o formulador é o Ultralube W-956, composto de ceras indicado para situações onde se deseja criar barreira à umidade.Todos os componentes desse produto estão de acordo com a regulamentação FDA 176.170 e BfR (antigo BGVV) XIV. Na área de ceras para madeira há a linha de dispersões Wachsbeize, que tem por princípio realçar os veios da madeira, conferindo um aspecto diferenciado e ao mesmo tempo natural.

“Fugindo um pouco das ceras, mas mantendo o foco em sistemas UV, lançamos no mês passado o agente de alastramento Silco FLW332. Indica-se aplicar entre 0,1% e 0,6% na formulação. Caso a empresa procure por alguma alternativa às ceras em sua formulação, sugerimos o Silcoglide V30N, que é uma dispersão de silicone livre de solventes; a quantidade de uso também é baixa, vai de 0,1% a 1,0% na formulação”, completa Medeiros.

A Ipiranga Química é distribuidora da Sasolwax, especialista na fabricação de ceras naturais e de ceras de parafina sintética, suprindo as necessidades de diferentes mercados em vários tipos de aplicações industriais, como tintas de impressão, tintas industriais, adesivos, borracha e polímeros.

As ceras comercializadas no Brasil são produzidas pelo processo Fischer-Tropsch, em que as matérias-primas básicas são carvão, ar e vapor, nos quais as ceras Sasolwax são sintetizadas, utilizando alta tecnologia e resultando em um produto de alta estabilidade, alto grau de pureza e de qualidade constante. A produção é feita em Sasolburg, na África do Sul.

Sasolwax são ceras polimetilênicas de cadeias saturadas, sem ramificações, constituindo em uma estrutura linear. Para o segmento de tintas de impressão, destacam-se as ceras Sasolwax micronizadas, como Sasolwax Spray 30 e Sasolwax Spray 105; para tintas litográficas, Heat Set e Sheet Fed; tintas líquidas base água, Sasolwax Spray 30 e Sasolwax Aqua 30; tintas líquidas base solvente, Sasolwax Spray 105; tintas rotativas para jornal, Sasolwax H1N4; tintas serigráficas, Sasolwax Spray 40 e Sasolwax Spray 405. Além dessas, há as ceras Sasolwax não-micronizadas: utilizadas em formulações de produtos intermediários (pastas pigmentárias, compounders, emulsões e dispersões), como a Sasolwax H1, auxiliar de moagem para tintas heat set; e Sasolwax C105, blends de ceras, auxiliar de moagem para tintas offset e rotogravura. Já para o segmento de tintas industriais, destaca-se a Sasolwax A28, powder coatings.

“A combinação de alto ponto de fusão, baixa viscosidade e excelente dureza, até mesmo em temperaturas elevadas, resulta em uma cera de alto desempenho para várias aplicações. Micronização e fracionamento são modificações que tornam as ceras Sasolwax com características físico-químicas distintas”, avalia Antonio Carlos Slongo, gestor de marketing da Unidade de Negócios Tintas e Adesivos da Ipiranga.

A Megh atua com linha completa de ceras e emulsões de ceras para diferentes tipos de mercados. Dentre as ceras manipuladas pela empresa podemos citar cera de carnaúba, cera de parafina macrocristalina, cera de parafina microcristalina, ceras de polietileno oxidadas e não oxidadas de baixa, média e alta densidades, ceras de polipropileno e polietileno Grafts (agentes de acoplamento), ceras ésteres e ceras ácidas (uma gama bastante ampla de ceras tipo taylor made), ceras acrílico-etilênicas, dentre outras.

A Solven trabalha com solventes, ceras, emulsões de ceras e parafinas, atuando nos mercados de tintas, chapas de madeira, rebolos abrasivos, concreto, ondulados e borracha.

 
 
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