O
ano passado não foi dos melhores para o setor de
tintas, que apresentou crescimento abaixo do esperado.
Já para 2006, até por causa do desempenho
registrado em 2005, são aguardados melhores resultados,
embalando na mesma perspectiva todas as matérias-primas,
incluindo as ceras. Além disso, existe amplo horizonte
a ser conquistado, já que hoje as formulações
feitas com ceras ainda são minoria, não
alcançando sequer 10% do mercado. Mas para que
esse crescimento seja alcançado é necessário
que os custos sejam pesados em relação aos
benefícios e que outras alternativas tecnológicas
sejam postas em prática.
Vale
lembrar que essas formulações trazem muitas
vantagens, como a promoção de ancoragem
da tinta em substratos como metal e plástico, além
de servirem como agente hidrofugante, antislip e melhorando
a resistência à lavagem. Os principais mercados
são vernizes e tintas para madeira, tintas em pó,
vernizes sanitários, tintas industriais e de manutenção
e tintas gráficas.
Para
Ricardo Dittmer, diretor da Megh, “o mercado de
ceras para tintas encontra-se mais evoluído no
Brasil que nos demais países latino-americanos,
incluindo o México, que se encontra mais próximo
de um mercado bastante desenvolvido, os Estados Unidos.
Tanto o mercado de tintas imobiliárias quanto o
mercado de tintas industrias, apesar de estarem sujeitos
a chuvas e trovoadas no decorrer do período, têm
crescido nas últimas décadas a uma taxa
de 3% e 1,5% ao ano, respectivamente. Na América
Latina, os fabricantes ainda se encontram, pelo menos
no referente à aplicação de ceras,
em estágio anterior ao mercado brasileiro e em
alguns casos preferem aguardar que suas subsidiárias
aqui façam o desenvolvimento para depois procurar
adaptá-lo ao seu mercado.”
Para
ele, as empresas brasileiras foram, na sua maioria, incorporadas
por gigantes multinacionais, que no início procuraram
averiguar a situação vigente para posteriormente
implantar a sua tecnologia. “A implantação
dessa tecnologia passou, no entanto, por um problema de
falta de matérias-primas adequadas disponíveis
no mercado nacional. A Megh sempre participou desse processo,
procurando desenvolver e adaptar ceras e emulsões
de ceras com qualidade equivalente a produtos fabricados
em mercados de alta tecnologia, como o americano e o europeu,
para estarem disponíveis aos fabricantes de tintas
do mercado brasileiro. Esse processo não ocorreu
de uma hora para outra e em alguns casos ainda não
está desenvolvido a contento. Existe certa resistência
a mudanças por parte do setor, que segue a máxima
‘por que mexer no time que está ganhando?’”
Já
para Sérgio Medeiros, analista de marketing da
Grupar Química, as ceras são fundamentais
nas formulações das tintas porque conferem
propriedades importantes, como brilho, slip, resistência
à abrasão e anti-blocking. “É
um mercado interessante e que, por parte da Grupar
Química, sempre possui alguma novidade
para apresentar. Este ano lançamos uma série
de novos produtos para a área. Como todas as especialidades
químicas envolvidas no processo produtivo, esse
setor é extremamente sensível a mudanças
no mercado, e 2006, até o presente momento, não
apresentou nenhuma significativa melhora em relação
a 2005.”
Na
opinião de Munir Aboissa, diretor da Aboissa Óleos
Vegetais, o mercado de tintas passou por grandes turbulências
em 2005, mas tem expectativas de resultados muito melhores
em 2006. Além disso, Aboissa aponta: “A rapidez
e a intensidade com que as tecnologias e os sistemas de
produção industrial vêm se transformando
trouxeram novos desafios para a política industrial
que tem virtualmente monopolizado o desenvolvimento econômico
contemporâneo, possibilitando novas estratégias
de mercado, tanto no curto quanto no médio prazo.
Essas transformações trazem implicações
sobre a perspectiva de mercado, principalmente na delimitação
de novos espaços das concorrências mais internacionalizadas
e na aceleração do ritmo de inovação
tecnológica e de diferenciação de
produtos. Isso define, conseqüentemente, novos critérios
para a competitividade industrial, que podem impactar
no mercado no médio prazo.”
Dario
de Moraes Longhi, do suporte técnico e desenvolvimento
da Solven, recorda que “no segmento de tintas, o
avanço foi ditado pela exigência do consumidor,
o que obrigou os fabricantes a atualizarem seus processos
e matérias-primas. No que diz respeito às
ceras, houve modificações nas formulações,
partindo-se das parafinas puras e incorporando outras
ceras sintéticas, para que se pudesse acompanhar
a evolução do segmento. A participação
das ceras no mercado de tintas ainda é pequena,
não ultrapassando a casa dos 4% em sua formulação.
O fator custo ainda é o maior limitador dessa evolução,
em decorrência das matérias-primas disponíveis
no setor. No passado, a parafina era a única alternativa;
hoje os blends de acrílicos, polietilenos e polimetilenos
com a parafina estão cada vez mais comuns, o que
acarretou certa evolução em sua qualidade
e performance”.
Regina
Schwab Rufo, gerente comercial da Braschemical, cita que
há diferentes categorias de ceras fornecidas no
mercado brasileiro. “As ceras à base de polietileno
são as mais utilizadas em tintas, porém
composições de polietileno ou polipropileno
com politetrafluoroetileno (PTFE) podem ser indicadas
quando são necessárias características
como maior slip, antiblocking, fosqueamento e resistência
a riscos e à abrasão. Ela ainda completa:
“O mercado brasileiro está, em boa parte,
ligado às exportações do produto
final, como móveis, linha branca e eletrodomésticos.
Por isso, com a queda da taxa de câmbio e a conseqüente
desaceleração das exportações,
infelizmente as perspectivas no curto e até médio
prazo não são otimistas.”
Para
Dittmer, entretanto, as ceras têm muito a crescer:
“A possibilidade de aplicação de ceras
em formulações de produtos que compõem
o nosso dia-dia é muito grande. No mercado de tintas
de impressão, os sistemas de cura UV estão
ganhando cada dia mais espaço pela excelente qualidade
de acabamento e eliminação do VOC. Existem
desenvolvimentos recentes de ceras chamadas funcionais,
que operam de forma similar à resina de cura, possibilitando
a formação de um ‘compound’
de ação única entre cera e resina.
No campo das tintas para superfície metálica
existem ceras funcionais que podem ser desenvolvidas para
facilitar a ancoragem entre a tinta e o substrato. Nas
tintas imobiliárias ditas de segunda e terceira
linhas, onde o teor de carga é muito elevado, o
uso de ceras com alta resistência à abrasão
pode melhorar, significativamente, a performance dos produtos
finais. Ainda existe espaço para o desenvolvimento
de produtos com melhor qualidade, em substituição
aos já existentes, bem como desenvolver produtos
que existem lá fora, porém não se
encontram disponíveis no mercado local. A perspectiva
de crescimento é interessante, principalmente para
aqueles fabricantes de tintas que investirem em novas
tecnologias. O processo de substituição
de formulações base solvente por sistema
base água ‘enviromental friendly’ é
irreversível e somente aqueles que enxergarem esse
aspecto estarão aptos a sobreviver num futuro próximo.”
Produtos
A
Aboissa está presente nos mercados de revestimento,
packaging, de tintas para madeira, industriais e repintura
automotiva, com ceras de carnaúba, além
de óleo de babaçu refinado, óleo
de soja, de mamona, de tunge, de linhaça, e de
oiticica, e ácidos graxos destilados de coco e
soja.
A
Braschemical trabalha com a tradicional linha Lanço
de ceras micronizadas da Noveon (antiga Lubrizol)
e fornece ao mercado ceras micronizadas de PP, PE,
PE/PTFE, e 100% PTFE, em pó, emulsões e
dispersões base solvente.
As
ceras da Noveon possuem PTFE virgem, não trabalhando
com PTFE reciclada (ceras cinza). As ceras micronizadas
Lanco são fabricadas na Alemanha e Estados Unidos
e após a aquisição da Noveon pela
Lubrizol o grupo passou a chamar-se Noveon, no que se
refere a aditivos para coatings. No Brasil e na
América do Sul, a Braschemical é representante
exclusiva da Noveon para ceras micronizadas, com estoque
local no Rio de Janeiro, atende todo o mercado nacional.
Para os demais países da América do Sul,
a Noveon trabalha com a empresa Mathiesen, representante
e distribuidor presente no Chile, Argentina e outros.
“Como
as ceras micronizadas Noveon são especialidades
dentro da categoria de ceras, há sempre aplicações
que requerem característica de maior resistência
da tinta ou verniz, principalmente relacionadas às
propriedades de risco e abrasão. É constante
o desenvolvimento de novos nichos de mercados que buscam
soluções de resistência no produto
final, conseqüente do aumento da qualidade. As ceras
micronizadas agem como modificadores de superfície
nas tintas e vernizes, portanto são utilizadas
nas fórmulas que requerem maior durezas e resistência.
A Noveon lançou uma cera que é fosqueante,
mas não dá tixotropia e sedimentação,
como ocorre com as sílicas, principalmente em sistemas
solventes e cura UV. Acredito que o mercado de tintas
ultravioleta tem um bom potencial de crescimento”,
diz Regina.
A
Clariant trabalha com a linha Licowax e a linha de
ceras micronizadas Ceridust para os mercados de tintas
gráficas, tintas e vernizes, plásticos e
especialidades, como home care, personal care, stationary
e outros. Em médio prazo, a Clariant disponibilizará
para o mercado de tintas as ceras metalocênicas,
que já estão sendo produzidas em sua nova
fábrica na Alemanha. Inicialmente, porém,
os produtos dessa fábrica estão destinados
aos mercados de plásticos e hot melt.
“Num
mercado tão competitivo como é o de tintas,
a Clariant se preocupa em oferecer não só
os produtos tradicionais, para slip, resistência
a riscos ou fosqueamento, mas também produtos inovadores,
como, por exemplo, as ceras reativas para sistema UV, ceras
de PE e PP ou composições dessas, para
madeira, de modo a conferir toque sedoso ao acabamento,
microtextura; e ceras que permitam a substituição
parcial da benzoína, reduzindo assim o efeito amarelado
que essa produz ou então ceras que facilitam a
dispersão de pigmentos e melhoram a fluidez durante
o processo de extrusão, proporcionando assim
um aumento da produtividade e redução
no consumo de energia, para tintas em pó”,
elenca Ferracioli.
A
Grupar possui em sua linha emulsões, dispersões
e microdispersões de cera. São ceras de
carnaúba, parafina, PE, PP, HDPE, HDPE/Silicone,
amidas e EVA. “Demos início em uma cera
de PE dispersa em monômero para aplicação
em sistemas UV (Ultralube D-1645). Os testes têm
mostrado a alta eficiência desse produto em propriedades
como resistência à abrasão e slip.
Também é indicado para casos onde o formulador
deseja reduzir o brilho da formulação; esse
ajuste se dá variando a concentração
do produto na formulação”, adianta
Medeiros.
Outra
opção para o formulador é o Ultralube
W-956, composto de ceras indicado para situações
onde se deseja criar barreira à umidade.Todos os
componentes desse produto estão de acordo com a
regulamentação FDA 176.170 e BfR (antigo
BGVV) XIV. Na área de ceras para madeira há
a linha de dispersões Wachsbeize, que tem por princípio
realçar os veios da madeira, conferindo um aspecto
diferenciado e ao mesmo tempo natural.
“Fugindo
um pouco das ceras, mas mantendo o foco em sistemas
UV, lançamos no mês passado o agente de alastramento
Silco FLW332. Indica-se aplicar entre 0,1% e 0,6% na formulação.
Caso a empresa procure por alguma alternativa
às ceras em sua formulação, sugerimos
o Silcoglide V30N, que é uma dispersão de
silicone livre de solventes; a quantidade de uso também
é baixa, vai de 0,1% a 1,0% na formulação”,
completa Medeiros.
A
Ipiranga Química é distribuidora da Sasolwax,
especialista na fabricação de ceras naturais
e de ceras de parafina sintética, suprindo as necessidades
de diferentes mercados em vários tipos de aplicações
industriais, como tintas de impressão, tintas industriais,
adesivos, borracha e polímeros.
As
ceras comercializadas no Brasil são produzidas
pelo processo Fischer-Tropsch, em que as matérias-primas
básicas são carvão, ar e vapor, nos
quais as ceras Sasolwax são sintetizadas, utilizando
alta tecnologia e resultando em um produto de alta estabilidade,
alto grau de pureza e de qualidade constante. A produção
é feita em Sasolburg, na África do Sul.
Sasolwax
são ceras polimetilênicas de cadeias saturadas,
sem ramificações, constituindo em uma estrutura
linear. Para o segmento de tintas de impressão,
destacam-se as ceras Sasolwax micronizadas, como Sasolwax
Spray 30 e Sasolwax Spray 105; para tintas litográficas,
Heat Set e Sheet Fed; tintas líquidas base água,
Sasolwax Spray 30 e Sasolwax Aqua 30; tintas líquidas
base solvente, Sasolwax Spray 105; tintas rotativas para
jornal, Sasolwax H1N4; tintas serigráficas, Sasolwax
Spray 40 e Sasolwax Spray 405. Além dessas, há
as ceras Sasolwax não-micronizadas: utilizadas
em formulações de produtos intermediários
(pastas pigmentárias, compounders, emulsões
e dispersões), como a Sasolwax H1, auxiliar de
moagem para tintas heat set; e Sasolwax C105, blends de
ceras, auxiliar de moagem para tintas offset e rotogravura.
Já para o segmento de tintas industriais, destaca-se
a Sasolwax A28, powder coatings.
“A
combinação de alto ponto de fusão,
baixa viscosidade e excelente dureza, até mesmo
em temperaturas elevadas, resulta em uma cera de alto
desempenho para várias aplicações.
Micronização e fracionamento são
modificações que tornam as ceras Sasolwax
com características físico-químicas
distintas”, avalia Antonio Carlos Slongo, gestor
de marketing da Unidade de Negócios Tintas e Adesivos
da Ipiranga.
A
Megh atua com linha completa de ceras e emulsões
de ceras para diferentes tipos de mercados. Dentre as
ceras manipuladas pela empresa podemos citar cera de carnaúba,
cera de parafina macrocristalina, cera de parafina microcristalina,
ceras de polietileno oxidadas e não oxidadas de
baixa, média e alta densidades, ceras de polipropileno
e polietileno Grafts (agentes de acoplamento), ceras ésteres
e ceras ácidas (uma gama bastante ampla de ceras
tipo taylor made), ceras acrílico-etilênicas,
dentre outras.
A
Solven trabalha com solventes, ceras, emulsões
de ceras e parafinas, atuando nos mercados de tintas,
chapas de madeira, rebolos abrasivos, concreto, ondulados
e borracha. |