Há
30 anos, César Faimenghi e Vicente Lozargo Filho
criaram a Cerviflan, na época uma empresa que comprava
e revendia retalhos de folhas de flandres, no bairro da
Mooca, em São Paulo. De olho no mercado, a dupla
aproveitou uma oportunidade e comprou a antiga tipografia
da Anderson Clayton, passando a prestar serviços.
“Depois disso, apareceu a oportunidade de comprar
a Metalúrgica Páscoa, no início da
década de 80, que levou à produção
de embalagens, levando ao crescimento da empresa”,
conta Jefferson Lozargo, filho do sócio-presidente
Vicente e atual diretor comercial da empresa. A história
de Jefferson, como ele mesmo conta, se confunde com a
da Cerviflan, já que ele também tem 30 anos
e é poucos meses mais velho que a empresa, que
comemora seu aniversário em junho. O mesmo acontece
com seu irmão, Jean Daniel Lozargo, diretor industrial,
um pouco mais novo, com 28 anos. “Para sorte de
meu pai, nós dois nos complementamos na empresa.
Naturalmente, eu segui a área comercial e ele optou
pela industrial. Nada foi imposto, gostamos do que fazemos”,
revela Jefferson.
Com
a inserção no mercado de produção
de embalagens, a Cerviflan deixou o bairro da Mooca e
se instalou em um galpão em Guarulhos, na Grande
São Paulo. E, de início, direcionou sua
produção para o mercado alimentício:
“Naquela época, fazíamos lata para
margarina, banha, óleo, além de baldes para
enviar para o garimpo em Serra Pelada”, recorda
Jefferson, acrescentando que, com o tempo, os emepresários
optaram por atender um mercado específico. “No
começo, se o cliente solicitasse latas para fazer
pedras, nós fazíamos. Nossa produção
era a gosto do freguês. Mas, em torno de 1985, os
sócios optaram por atender o mercado químico,
que carecia de uma empresa focada só nele.”
A
opção se mostrou acertada e a empresa cresceu
e apareceu. Já em 1990, a Cerviflan mudou-se para
a sede própria, onde se encontra até hoje,
na rua Indubel, próximo ao aerorporto internacional
de Cumbica. A fábrica, com 20 mil m2 de área
construída, está em constante mudança,
com equipamentos modernos chegando constantemente. “A
partir da mudança, foram iniciados os grandes investimentos
da empresa, em modernização da fábrica,
de maneira a oferecer a a melhor tecnologia, com vistas
ao crescimento da empresa no mercado”, conta Jefferson.
Hoje,
a empresa não fornece apenas dois tipos de embalagem
para o mercado: a 1/32 e a 5 litros retangular. “Mas,
até agosto, mais tardar começo de setembro,
já teremos produto para oferecer. Teremos desde
a menor lata - 1/32 - até o balde de 22 litros,
além das opções em aerossol”,
adianta Jefferson. A linha de aerossóis, que entrou
em produção em novembro do ano passado,
também tem várias opções.
Atualmente, já são oferecidos os diâmetros
65mm, 57mm e 52mm. “Também nessa linha, teremos
rapidamente todas as opções tanto em diâmetro
quanto em altura”, avisa o diretor comercial, lembrando
que uma aposta da empresa é o segmento de cosméticos,
que usa bastante as embalagens spray.
Em
busca da modernidade
Sem
nunca ter buscado saber qual sua participação
no mercado, Jefferson avalia que o market share da empresa
seja de algo em torno de 15% a 20%. “Temos capacidade
atual de processar 1,8 mil toneladas mensais de alumínio,
mas estamos produzindo em torno de 1,5 mil toneladas.
Ou seja, temos condições de aumentar a produção
em pouco tempo, sem forçar.”
Uma
outra vantagem da Cerviflan é o compromisso com
a qualidade e a flexibilidade da indústria: “Constantemente
investimos em novos equipamentos, de maneira a otimizar
a produção, seja em capacidade seja em diversidade
de produtos. Procuramos estar atentos às novas
tendências em embalagens, em nível mundial,
para poder oferecer o que há de mais moderno aos
clientes. Estamos sempre procurando investir, mesmo que
não haja uma necessidade imediata. Se há
uma novidade, procuramos adquiri-la. Apesar de nossa fábrica
ser moderna, procuramos sempre mantê-la update.
Não conseguimos ficar parados. Um exemplo disso
é o investimento que estamos fazendo agora também
no parque litográfico.”
Essa
preocupação com a modernidade do negócio
se reflete também nos planos de crescimento constante
da empresa. De acordo com o executivo de vendas, o incremento
de produção não precisará
passar necessariamente por ampliação do
parque fabril, já que hoje a tendência são
máquinas que ocupam menos espaço na horizontal
e mais na vertical. “Conseguiremos crescer para
cima”, diz. Isso tudo para fazer frente a um possível
aquecimento do mercado. “Se, de repente, o Brasil
resolve crescer tudo que ficou represado no ano passado,
é necessário estar preparado para atender
os diversos mercados que precisarão dos nossos
produtos, como o químico, de tintas e cosmético”,
avalia.
Com
sua produção voltada principalmente para
o mercado químico, que responde atualmente por
93% da produção, contra apenas 7% da área
cosmética, a empresa atende clientes como Sherwin-Williams,
DuPont, Akzo Nobel, PPG, BASF-Suvinil, Duramar, Maxvinil,
Colorgin, entre outros. “Daqui a dois anos, esperamos
que a linha de aerossol alcance volume de vendas significativo.
Meu sonho seria ter um balanceamento de 50% entre tradicionais
e aerossóis, baseado no crescimento dessa nova
linha”, confessa Jefferson, explicando que essa
perspectiva se baseia no fato de a empresa estar prospectando
novos clientes, especialmente no segmento de cosméticos,
que cresce a cada dia.
A
modernidade da empresa, no entanto, não implica
rotatividade de colaboradores. A Cerviflan conta com empregados
com 29 anos de empresa. Grande parte dos mais de 280 colaboradores
acompanhou a mudança da empresa da Mooca para Guarulhos.
Isso mostra que o investimento não ocorre apenas
em maquinário, mas em pessoal, fazendo com que
a empresa conte com equipe compromissada com o seu negócio. |