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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 101 - Concentrados Universais
 
Conquistando espaço
 
O mercado de concentrados universais vem conquistando o segmento de tintas no Brasil e a expectativa é de que apresente crescimento sustentável para os próximos anos, devido às inúmeras vantagens que trazem, inclusive alto desempenho de tingimento.
 
Lucélia Monfardini
 

O mercado de concentrados universais apresenta grande potencial de crescimento no Brasil nos próximos anos, já que a procura aumenta constantemente devido ao pleno desenvolvimento da cor que eles proporcionam, assim como compatibilidade às formulações e à estabilidade do sistema. Os concentrados universais têm como principal objetivo atender necessidades do mercado, inclusive ampliando a cartela de cores. Além disso, apresentam inúmeras vantagens ao serem utilizados na composição das tintas, como padronização do produto, dispensa de dispersão e/ou moagem, evitando a emissão de material particulado na fábrica, redução de gastos no tratamento de efluentes, entre outros. “Todos esses fatores devem ser considerados quando analisamos o preço, onde o fator custo-benefício é o mais importante”, analisa Roque Guimarães Antunes, diretor da Transcor.

Cada vez mais os fabricantes tentam atender as reais necessidades do mercado, diversificando os tipos de pigmento, a fim de possuir na linha concentrados com pigmentos orgânicos, inorgânicos, de baixa, média e alta performance e com diferentes tonalidades. “Em termos de compatibilidade, quando falamos de concentrados, temos vários tipos, apenas variam as resinas onde os pigmentos são dispersos. Dessa forma, quanto melhor for a compatibilidade desses concentrados com os vários sistemas existentes, tanto base solvente, como base água, mais fácil é a comercialização”, esclarece Jonas José Chalita, gerente nacional de vendas de pigmentos e especialidades da Dynatech.

Mercado

Na opinião de Paulo Henrique Moda, gerente de contas EFKA da Ciba, nos últimos cinco anos aumentou a procura por agentes dispersantes para a produção de concentrados pigmentários, principalmente os multicompatíveis aos diversos tipos de resina. “Em 2005, além da contínua procura por dispersantes poliméricos, houve interesse na substituição dos dispersantes convencionais para os sistemas aquosos por produtos isentos de nonilfenoletoxilados. Também houve a entrada de novos fornecedores, aumentando a concorrência”, relata.

Guilherme Melhado Miranda, gerente de marketing da Asta Química, também admite que o mercado de concentrados vem crescendo, porém acha que é um pouco cedo para definir se essa tendência irá se consolidar no Brasil. “Normalmente, o que o mercado tem buscado é o desenvolvimento de produtos ‘taylor made’ universais, ou seja, desenvolvidos caso a caso. Uma tendência que vem se acentuando é a dos concentrados multicompatíveis base solvente, principalmente nas pequenas e médias indústrias de tinta. Existe uma idealização de que a indústria de tintas seja na verdade uma montadora de tintas, que busca a especialização do desenvolvimento das tintas sem se preocupar, por exemplo, com o desenvolvimento de concentrados de pigmentos que demandam muito dinheiro e tempo.”

Mohamed Mouallem, diretor técnico da Chemipol, também aposta no crescimento: “O mercado de concentrados universais na América Latina e Brasil ainda apresenta grande potencial de crescimento, mas a exploração total desse negócio ainda está longe de ser atingida. Ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, os produtores de tintas industriais e coatings brasileiros ainda não estão totalmente convencidos das vantagens técnicas e comerciais, ou seja, do custo-benefício que esses concentrados proporcionam. Há, em alguns casos, certa resistência quanto ao fato de efetuarem cálculos verdadeiros, onde encontrarão boas vantagens operacionais e econômicas com o uso das preparações universais.”

Por outro lado, os fabricantes de tintas estão percebendo cada vez mais a necessidade de trabalhar com essa tecnologia, até por questões de logística, formação de estoques, agilidade no processamento do produto final, entre outros. “O ponto principal ainda é produzir internamente esses concentrados ou adquiri-los externamente. A BASF, como produtora de pigmentos, se posiciona também como fornecedora de preparações pigmentárias que se enquadram no conceito de concentrados universais”, destaca Adriano Pinheiro, gerente de marketing e vendas da unidade de químicos de performance para pigmentos da BASF.

Inovações

Em pleno crescimento, o segmento apresenta grandes inovações, como por exemplo o desenvolvimento de concentrados universais com alto poder tintorial. “A busca por concentrados com teor o mais elevado possível de pigmentos ajuda a otimizar o processo produtivo e potencializa o poder de tingimento do concentrado de cor nas bases correspondentes. Por isso, os aditivos têm cada vez mais uma função importantíssima”, considera Pinheiro, da BASF.

Ele lembra ainda inovações em relação à tecnologia envolvida no desenvolvimento e aplicação dos concentrados universais: “Podemos citar entre as novidades a utilização de dosagens volumétricas de maior precisão, incluindo os produtos para utilização em sistemas in plant - produção, além dos tradicionais mixing systems - in can. Também é percebida demanda crescente na utilização de pigmentos lead free, para concentrados universais (base solvente). E nos concentrados base d’água, já se iniciou na Europa a procura por alternativas livres de VOC. No Brasil, ainda estamos em estágio embrionário, mas já existem estudos nesse campo.”

Para Gerson de Almeida, coordenador regional de assistência técnica de pigmentos da Clariant, “as maiores inovações desses produtos estão alocadas em suas composições pigmentárias, devido às recentes limitações de pigmentos contendo metais pesados”.

A Ciba considera seus últimos desenvolvimentos uma evolução para o mercado de concentrados universais. “Os dispersantes poliméricos produzidos por polimerização controlada (não mais a randômica), proporcionam melhor desempenho dos agentes dispersantes quando avaliadas as propriedades de compatibilidade com diversos sistemas de resinas e baixas viscosidades aos concentrados de pigmentos, além de reduzirem consideravelmente o tempo de dispersão com aumento de brilho e intensidade da cor”, explica Moda.

Já Mohamed desabafa que nos últimos cinco anos teve de se desafiar para superar as formulações européias apropriando-as aos custos brasileiros. “Os concentrados comercializados pelas indústrias tradicionais via importação tornam o preço e a assistência técnica, em alguns casos, bastante inviáveis. As principais barreiras para superar esses produtos consagrados foram obter uma performance elevada e universal, sem sobrecarregar em custos de aditivos, e isso consumiu quase três anos de pesquisas e ensaios.” Já Antonio Polônio, gerente de desenvolvimento técnico da empresa, garante: “A Chemipol utiliza uma formulação bastante aplicável ao mercado nacional, na qual resinas e solventes formam uma receita balanceada e bastante interessante para a maioria dos sistemas utilizados.”

A Química Roveri, no mercado de concentrados há oito anos, considera que o Brasil está passando por um momento conjuntural dos mais interessantes para o desenvolvimento dessa opção em diversos segmentos e também avalia uma de suas linhas como uma das mais importantes para o setor. “Acredito que nossa linha recém-elaborada de concentrados RFPC (resin free) é uma das inovações nessa área de concentrados”, revela Wilson Roveri Júnior, diretor.

Previsão de crescimento

A expectativa dos fabricantes é bastante otimista. Para eles, o mercado de concentrados universais promete alcançar crescimento contínuo e satisfatório, não só em 2006, mas nos próximos anos, com destaque para algumas formulações de tinta, onde devem apresentar incremento ainda maior. “Prevemos que as formulações de tintas industriais (sistemas universais solventes) e de tintas decorativas (mixing systems) apresentarão resultados melhores, com crescimento contínuo nos próximos cinco ou dez anos. Os concentrados universais, dentro do ciclo de vida de um produto/tecnologia, estão atualmente na curva ascendente”, destaca Pinheiro.

Para Moda, 2006 será um ano promissor e favorável aos agentes dispersantes, “embora não tenha sido o que ocorreu em 2005, ano em que enfrentamos muitas dificuldades políticas e econômicas, que afetaram negativamente os resultados, apesar de a EFKA ter apresentando um crescimento de 15%. Acreditamos que em 2006 essa linha deverá crescer, principalmente devido à necessidade de produção de concentrados com altas cargas pigmentárias e a grande tendência de trabalhar com os produtos isentos de nonilfenoletoxilado”.

Mohamed, por sua vez, aposta nas formulações para tintas industriais e coatings. “Essas formulações estão em ritmo muito bom de consumo e crescimento. Nossa expectativa para médio e longo prazos é que o segmento de concentrados universais, tanto base solvente como base aquosa, apresente crescimento significativo, acompanhando tendência mundial que há décadas a Europa e os Estados Unidos tentam enfatizar na América Latina e, principalmente, no Brasil, o mais importante mercado de tintas da região. A esperança é que essa expectativa se torne real, qualificando assim produtos e fornecedores para esse fim.”

De acordo com a previsão de Chalita, o crescimento deve ser maior nos concentrados para formulação de tintas mais nobres, “onde, além das resinas, que nesse caso têm custo elevado, temos ainda pigmentos mais nobres e caros, aditivos especiais e processo produtivo demorado, afetando diretamente a produtividade do cliente. Também prevemos que, em médio e longo prazos, os concentrados universais terão espaço maior de participação nos vários segmentos industriais, pois os fabricantes tendem a aumentar sua produtividade, produzindo maior volume e com menor preço, para poderem obter algum resultado positivo. Assim, deixam de fora de sua fabricação as especialidades, passando a responsabilidade para os fabricantes dessas pastas e diminuindo o número de matérias-primas a serem administradas.”

Já Miranda acredita que em médio prazo deve haver certa acomodação tecnológica, ou seja, uma definição de como e onde esses concentrados apresentarão maior eficácia e custo-benefício, seja relacionado a produto ou ao mercado. “No longo prazo, não creio que existirá total substituição dos concentrados convencionais pelos universais. O que certamente acontecerá é que cada um encontrará um nicho específico. Logicamente, se pensarmos na questão ambiental, já existe uma tendência, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, para a substituição das tintas base solvente por tintas base água especiais; e até mesmo pelas tintas 100% sólidas (poliuréia, cura UV) ou tintas base PVDF (FPU).”

 
 
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