O
mercado de concentrados universais apresenta grande potencial
de crescimento no Brasil nos próximos anos, já
que a procura aumenta constantemente devido ao pleno desenvolvimento
da cor que eles proporcionam, assim como compatibilidade
às formulações e à estabilidade
do sistema. Os concentrados universais têm como
principal objetivo atender necessidades do mercado, inclusive
ampliando a cartela de cores. Além disso, apresentam
inúmeras vantagens ao serem utilizados na composição
das tintas, como padronização do produto,
dispensa de dispersão e/ou moagem, evitando a emissão
de material particulado na fábrica, redução
de gastos no tratamento de efluentes, entre outros. “Todos
esses fatores devem ser considerados quando analisamos
o preço, onde o fator custo-benefício é
o mais importante”, analisa Roque Guimarães
Antunes, diretor da Transcor.
Cada
vez mais os fabricantes tentam atender as reais necessidades
do mercado, diversificando os tipos de pigmento, a fim
de possuir na linha concentrados com pigmentos orgânicos,
inorgânicos, de baixa, média e alta performance
e com diferentes tonalidades. “Em termos de compatibilidade,
quando falamos de concentrados, temos vários tipos,
apenas variam as resinas onde os pigmentos são
dispersos. Dessa forma, quanto melhor for a compatibilidade
desses concentrados com os vários sistemas existentes,
tanto base solvente, como base água, mais fácil
é a comercialização”, esclarece
Jonas José Chalita, gerente nacional de vendas
de pigmentos e especialidades da Dynatech.
Mercado
Na
opinião de Paulo Henrique Moda, gerente de contas
EFKA da Ciba, nos últimos cinco anos aumentou a
procura por agentes dispersantes para a produção
de concentrados pigmentários, principalmente os
multicompatíveis aos diversos tipos de resina.
“Em 2005, além da contínua procura
por dispersantes poliméricos, houve interesse na
substituição dos dispersantes convencionais
para os sistemas aquosos por produtos isentos de nonilfenoletoxilados.
Também houve a entrada de novos fornecedores, aumentando
a concorrência”, relata.
Guilherme
Melhado Miranda, gerente de marketing da Asta Química,
também admite que o mercado de concentrados vem
crescendo, porém acha que é um pouco cedo
para definir se essa tendência irá se consolidar
no Brasil. “Normalmente, o que o mercado tem buscado
é o desenvolvimento de produtos ‘taylor made’
universais, ou seja, desenvolvidos caso a caso. Uma tendência
que vem se acentuando é a dos concentrados multicompatíveis
base solvente, principalmente nas pequenas e médias
indústrias de tinta. Existe uma idealização
de que a indústria de tintas seja na verdade uma
montadora de tintas, que busca a especialização
do desenvolvimento das tintas sem se preocupar, por exemplo,
com o desenvolvimento de concentrados de pigmentos que
demandam muito dinheiro e tempo.”
Mohamed
Mouallem, diretor técnico da Chemipol, também
aposta no crescimento: “O mercado de concentrados
universais na América Latina e Brasil ainda apresenta
grande potencial de crescimento, mas a exploração
total desse negócio ainda está longe de
ser atingida. Ao contrário da Europa e dos Estados
Unidos, os produtores de tintas industriais e coatings
brasileiros ainda não estão totalmente convencidos
das vantagens técnicas e comerciais, ou seja, do
custo-benefício que esses concentrados proporcionam.
Há, em alguns casos, certa resistência quanto
ao fato de efetuarem cálculos verdadeiros, onde
encontrarão boas vantagens operacionais e econômicas
com o uso das preparações universais.”
Por
outro lado, os fabricantes de tintas estão percebendo
cada vez mais a necessidade de trabalhar com essa tecnologia,
até por questões de logística, formação
de estoques, agilidade no processamento do produto final,
entre outros. “O ponto principal ainda é
produzir internamente esses concentrados ou adquiri-los
externamente. A BASF, como produtora de pigmentos, se
posiciona também como fornecedora de preparações
pigmentárias que se enquadram no conceito de concentrados
universais”, destaca Adriano Pinheiro, gerente de
marketing e vendas da unidade de químicos de performance
para pigmentos da BASF.
Inovações
Em
pleno crescimento, o segmento apresenta grandes inovações,
como por exemplo o desenvolvimento de concentrados universais
com alto poder tintorial. “A busca por concentrados
com teor o mais elevado possível de pigmentos ajuda
a otimizar o processo produtivo e potencializa o poder
de tingimento do concentrado de cor nas bases correspondentes.
Por isso, os aditivos têm cada vez mais uma função
importantíssima”, considera Pinheiro, da
BASF.
Ele
lembra ainda inovações em relação
à tecnologia envolvida no desenvolvimento e aplicação
dos concentrados universais: “Podemos citar entre
as novidades a utilização de dosagens volumétricas
de maior precisão, incluindo os produtos para utilização
em sistemas in plant - produção, além
dos tradicionais mixing systems - in can. Também
é percebida demanda crescente na utilização
de pigmentos lead free, para concentrados universais (base
solvente). E nos concentrados base d’água,
já se iniciou na Europa a procura por alternativas
livres de VOC. No Brasil, ainda estamos em estágio
embrionário, mas já existem estudos nesse
campo.”
Para
Gerson de Almeida, coordenador regional de assistência
técnica de pigmentos da Clariant, “as maiores
inovações desses produtos estão alocadas
em suas composições pigmentárias,
devido às recentes limitações de
pigmentos contendo metais pesados”.
A
Ciba considera seus últimos desenvolvimentos uma
evolução para o mercado de concentrados
universais. “Os dispersantes poliméricos
produzidos por polimerização controlada
(não mais a randômica), proporcionam melhor
desempenho dos agentes dispersantes quando avaliadas as
propriedades de compatibilidade com diversos sistemas
de resinas e baixas viscosidades aos concentrados de pigmentos,
além de reduzirem consideravelmente o tempo de
dispersão com aumento de brilho e intensidade da
cor”, explica Moda.
Já
Mohamed desabafa que nos últimos cinco anos teve
de se desafiar para superar as formulações
européias apropriando-as aos custos brasileiros.
“Os concentrados comercializados pelas indústrias
tradicionais via importação tornam o preço
e a assistência técnica, em alguns casos,
bastante inviáveis. As principais barreiras para
superar esses produtos consagrados foram obter uma performance
elevada e universal, sem sobrecarregar em custos de aditivos,
e isso consumiu quase três anos de pesquisas e ensaios.”
Já Antonio Polônio, gerente de desenvolvimento
técnico da empresa, garante: “A Chemipol
utiliza uma formulação bastante aplicável
ao mercado nacional, na qual resinas e solventes formam
uma receita balanceada e bastante interessante para a
maioria dos sistemas utilizados.”
A
Química Roveri, no mercado de concentrados há
oito anos, considera que o Brasil está passando
por um momento conjuntural dos mais interessantes para
o desenvolvimento dessa opção em diversos
segmentos e também avalia uma de suas linhas como
uma das mais importantes para o setor. “Acredito
que nossa linha recém-elaborada de concentrados
RFPC (resin free) é uma das inovações
nessa área de concentrados”, revela Wilson
Roveri Júnior, diretor.
Previsão
de crescimento
A
expectativa dos fabricantes é bastante otimista.
Para eles, o mercado de concentrados universais promete
alcançar crescimento contínuo e satisfatório,
não só em 2006, mas nos próximos
anos, com destaque para algumas formulações
de tinta, onde devem apresentar incremento ainda maior.
“Prevemos que as formulações de tintas
industriais (sistemas universais solventes) e de tintas
decorativas (mixing systems) apresentarão resultados
melhores, com crescimento contínuo nos próximos
cinco ou dez anos. Os concentrados universais, dentro
do ciclo de vida de um produto/tecnologia, estão
atualmente na curva ascendente”, destaca Pinheiro.
Para
Moda, 2006 será um ano promissor e favorável
aos agentes dispersantes, “embora não tenha
sido o que ocorreu em 2005, ano em que enfrentamos muitas
dificuldades políticas e econômicas, que
afetaram negativamente os resultados, apesar de a EFKA
ter apresentando um crescimento de 15%. Acreditamos que
em 2006 essa linha deverá crescer, principalmente
devido à necessidade de produção
de concentrados com altas cargas pigmentárias e
a grande tendência de trabalhar com os produtos
isentos de nonilfenoletoxilado”.
Mohamed,
por sua vez, aposta nas formulações para
tintas industriais e coatings. “Essas formulações
estão em ritmo muito bom de consumo e crescimento.
Nossa expectativa para médio e longo prazos é
que o segmento de concentrados universais, tanto base
solvente como base aquosa, apresente crescimento significativo,
acompanhando tendência mundial que há décadas
a Europa e os Estados Unidos tentam enfatizar na América
Latina e, principalmente, no Brasil, o mais importante
mercado de tintas da região. A esperança
é que essa expectativa se torne real, qualificando
assim produtos e fornecedores para esse fim.”
De
acordo com a previsão de Chalita, o crescimento
deve ser maior nos concentrados para formulação
de tintas mais nobres, “onde, além das resinas,
que nesse caso têm custo elevado, temos ainda pigmentos
mais nobres e caros, aditivos especiais e processo produtivo
demorado, afetando diretamente a produtividade do cliente.
Também prevemos que, em médio e longo prazos,
os concentrados universais terão espaço
maior de participação nos vários
segmentos industriais, pois os fabricantes tendem a aumentar
sua produtividade, produzindo maior volume e com menor
preço, para poderem obter algum resultado positivo.
Assim, deixam de fora de sua fabricação
as especialidades, passando a responsabilidade para os
fabricantes dessas pastas e diminuindo o número
de matérias-primas a serem administradas.”
Já
Miranda acredita que em médio prazo deve haver
certa acomodação tecnológica, ou
seja, uma definição de como e onde esses
concentrados apresentarão maior eficácia
e custo-benefício, seja relacionado a produto ou
ao mercado. “No longo prazo, não creio que
existirá total substituição dos concentrados
convencionais pelos universais. O que certamente acontecerá
é que cada um encontrará um nicho específico.
Logicamente, se pensarmos na questão ambiental,
já existe uma tendência, inclusive nos Estados
Unidos e na Europa, para a substituição
das tintas base solvente por tintas base água especiais;
e até mesmo pelas tintas 100% sólidas (poliuréia,
cura UV) ou tintas base PVDF (FPU).” |