Nada
pior do que guiar sem orientação de faixas,
placas ou sinalizações nas rodovias. Em
noites sem iluminação da Lua, sob neblina
ou fortes tempestades, a demarcação viária
se torna o principal referencial do motorista. Em sua
décima edição, a Pesquisa Rodoviário
CNT 2005, realizada pela Confederação Nacional
do Transporte, avaliou 100% da malha rodoviária
federal pavimentada e também os principias trechos
sob gestão estadual e sob administração
terceirizada.
Após
mais de um mês de estudo, 15 equipes de pesquisadores
da CNT avaliaram 81.944 quilômetros de rodovias
em todo País, analisando o estado de conservação
- levando em conta a qualidade do pavimento, a sinalização
e a geometria das vias. O estudo verificou ainda a infra-estrutura
de apoio ao transporte rodoviário, observando a
existência de praças de pedágio, controladores
de velocidade e balanças, entre outros fatores.
A
pesquisa 2005, em relação ao estado geral
das rodovias, constatou que 72% dos 81.944 quilômetros
avaliados - o equivalente a 59.029 quilômetros -
apresentaram algum grau de imperfeição,
sendo que 31,8% foram considerados deficientes (26.063);
22%, ruins (18.057 quilômetros); e 18,2%, péssimos
(14.909 quilômetros). Apenas 28% da malha rodoviária
pesquisada em 2005 foi considerada satisfatória:
17%, ou 13.922 quilômetros, obtiveram a classificação
boa, e 11%, ou 8.993 quilômetros, ótima.
Ao todo foram pesquisados 8.376 quilômetros de rodovias
na Região Norte; 23.976 quilômetros na Nordeste;
11.740 quilômetros na Centro-Oeste; 22.997 quilômetros
na Região Sudeste e 14.495 quilômetros na
Sul.
Existe
um dado que se fosse de conhecimento geral traria mais
preocupação ainda com as rodovias brasileiras:
“O mercado das rodovias do Brasil é o segundo
maior do mundo e só perde para os Estados Unidos.
A malha viária pavimentada brasileira, considerados
os sistemas federal e estadual, tem atualmente mais de
150 mil quilômetros, entretanto, está, em
sua maioria, em precárias condições.
Somente de usuários das estradas são mais
de 1,3 bilhão de pessoas anualmente, representando
mais de 95% do transporte de passageiros total do País
e cerca de 63% do volume de carga transportada. Esses
percentuais indicam, indubitavelmente, que a economia
nacional ‘gira’ pelas rodovias”, conta
Julio César Ary, diretor administrativo da Ecotintas
e membro do CB 16 (Comitê Brasileiro de Transportes
e Tráfego) da Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT).
Tinta
é sinônimo de segurança nas estradas
Um
dos órgãos responsáveis quando o
assunto é sinalização viária,
o Departamento de Estrada de Rodagem do Paraná
sabe que sinalizar corretamente as rodovias é poupar
vidas cotidianamente. Muito utilizada na Europa e nos
Estados Unidos, a sinalização Tipo II começa
a ganhar força na região paranaense. “O
DER/PR, até o final do primeiro semestre deste
ano, aplicará materiais para sinalização
viária Tipo II no trecho urbano da PR-415 - Curitiba/Piraquara,
numa extensão de 4 quilômetros em pista dupla.
A durabilidade e a ecologia seriam os conceitos divisores
de águas quanto aos tipos de materiais de sinalização
viária. Nos últimos 15 anos, na Europa,
os materiais para demarcação viária
tiveram importante avanço no quesito segurança.
Ministros dos Transportes da Alemanha, França e
Dinamarca, com o apoio de outros países europeus,
focaram esforços e investimentos no desenvolvimento
e aplicação de produtos para demarcação
viária voltados para condições de
chuva e neblina, principalmente no período noturno.
No Brasil, a tecnologia de sinalização Tipo
II já é uma realidade, tanto em vias urbanas
como em rodovias. O objetivo final é sempre salvaguardar
vidas, otimizando tempo e recursos, considerando uma relação
custo-benefício”, informa o setor de Segurança
Rodoviária do DER/PR.
Uma
sinalização adequada, segundo Áurea
Rangel, diretora executiva da Hot Line, tem de conter
uma série de características. “Tem
que apresentar contraste durante o dia; em caso de chuva,
ser antiderrapante e refletir a luz dos faróis
mesmo em condições adversas de chuva e neblina.
A sinalização horizontal conversa com o
condutor durante toda a viagem. Já a sinalização
vertical é mandatória. A tinta para demarcação
viária é totalmente diferente de tintas
para construção ou outros tipos de pintura.
Ela é uma tinta que precisa resistir ao sol, à
chuva, frenagens constantes, areia, desbotamento, além
de segurar as esferas de vidro e promover segurança.
Seu papel é muito diferente daquela tinta que ficará
na parede interna de um apartamento, por exemplo, livre
de ações de ultravioleta. As tintas de demarcação
viária têm que resistir às variações
químicas e mecânicas”, avalia Áurea.
Saber
o que e onde será aplicado, levando-se em consideração
todas as características do projeto, é de
vital importância para o sucesso do produto. “A
malha rodoviária brasileira tem enorme diversidade
de situações, nas quais as variantes de
estado do pavimento, clima, volume de tráfego,
tipo de tráfego, incidente, trechos sinuosos e
regiões serranas devem ser consideradas na análise
que levará à escolha do material mais adequado
para implantação de uma sinalização
horizontal em cada situação considerada.
Não há uma resposta única. A equação
custo-benefício de um mesmo material poderá
ser diferente conforme a situação e as variantes
consideradas”, argumenta Francisco Machado da Costa,
diretor comercial da Indutil.
Já
na opinião de Clayton Queiroz, gerente nacional
de vendas da Renner Herrmann, a sinalização
adequada é aquela que atende as exigências
da legislação agregada a um produto de qualidade,
aplicado conforme orientações técnicas
para se obter uma longevidade da sinalização”,
realça.
O
sul do País é um exemplo claro da diversidade
de clima. “Considerando que a Região Sul
possui vários microclimas, torna-se necessária
uma sinalização padronizada, que permita
boa visibilidade nas situações mais extremas
de clima. Para que isso seja viável, é preciso
observar alguns fatores, como qualidade da tinta nos aspectos
de cobertura, lavabilidade, resistência a intempéries,
utilização adequada das esferas de vidro,
para que se tenha uma perfeita refletância, principalmente
à noite”, avalia Carlos Zilles, gerente administrativo
da Coriarte Tintas.
O
barato sai caro
Assim
como há diversos pontos a serem analisados para
dar andamento a um projeto seguro e eficiente, procurar
por preço baixo não é uma alternativa
sadia. “Dentro da experiência do órgão
e da disponibilidade e do tipo de seus equipamentos nos
serviços de sinalização horizontal,
o departamento sempre procura adquirir produtos de boa
qualidade e de preferência com bons preços,
porém nunca deixando de adquiri-los dentro das
Normas da ABNT, que comprovem a sua eficácia no
tocante à melhor qualidade na segurança
para nossas estradas e usuários. Entendemos que
a nossa malha viária é hoje o maior patrimônio
adquirido ao longo dos 60 anos de existência do
DER/PR”, esclarece o Setor de Segurança Rodoviário
do DER/PR.
Ary
baseia-se em números para defender a política
do baixo custo e qualidade zero: “O governo gasta
cerca de US$ 2 mil por quilômetro na conservação
rotineira das estradas. Quando essa conservação
não é feita, o custo para se fazer a restauração
sobe para aproximadamente US$ 80 mil por quilômetro,
ou seja, 40 vezes mais. Urge a necessidade de conscientização
de toda a comunidade integrante do sistema rodoviário
nacional da importância não somente da implantação
de novas estradas, mas principalmente da preservação
da estrutura viária existente, investindo cada
vez mais nas condições de sobrevida da nossa
malha. Mais de 10 mil pessoas perdem a vida anualmente
e quase 100 mil ficam feridas a cada ano. Estatísticas
recentes revelam que a maior causa de morte de crianças
e adolescentes de 1 a 14 anos é ocasionada por
acidentes e atropelamentos. É algo em torno de
3 mil crianças mortas por ano. E, para cada criança
morta, quatro ficam com seqüelas irreversíveis”,
enumera o diretor administrativo da Ecotintas e membro
do CB16.
Sinalização
nova e pista velha não combinam. Como numa equipe
esportiva, o espírito de cooperação
tem que se fazer presente. “Não é
só o problema de sinalização, mas
também da própria pavimentação
que está deteriorada. O último projeto,
o Tapa Buraco, no período das chuvas, foi um desastre.
Quem reside em São Paulo sente na pele. Não
é tampando buraco que vamos resolver os problemas
das rodovias do Brasil. O que resolve é manter
uma política efetiva de controle de qualidade,
de melhoria dos materiais, de novas especificações,
além do controle e pesagem dos caminhões
e dos veículos para que se alcance efetivamente
uma qualidade e durabilidade melhor dos materiais”,
avisa Áurea.
Investir
é a maneira de aumentar a segurança nesse
segmento. Com produtos tecnologicamente avançados,
o caminho, por mais longo que pareça, se torna
simples e convidativo. “A falta de investimentos
faz com que os órgãos rodoviários
usem, na maioria das vezes, a tecnologia mais barata,
pois nem sempre o volume e o tipo do tráfego e
as condições do pavimento são analisados
corretamente para a escolha do sistema a ser utilizado”,
opina Costa, acrescentando que, além da falta de
investimentos e de projetos de pavimentação
desenvolvidos para durar, outro obstáculo são
os famosos tapa-buracos.
Desafios
No
Brasil, quando o Ministério Público ou a
Polícia Federal acertam exatamente o xis da questão,
encontrando uma solução no mínimo
aceitável para casos que mexem com a sociedade,
vem o Poder Judiciário e degringola tudo. Para
tinta de demarcação viária, isso
também é válido. “O maior problema
é que, direta ou indiretamente, o principal cliente
para esse tipo de produto é o governo, seja na
esfera municipal, estadual ou federal. A situação
de atraso e demora nos pagamentos é, infelizmente,
ainda freqüente em nosso país”, alfineta
Ary.
Até
pelo seu tamanho e importância na economia brasileira,
a malha viária precisa de constantes evoluções.
“As vias precisam ser sinalizadas, mas nem sempre
há recursos nos orçamentos que contemplam
serviços e a operação racional da
via. Quando o serviço de sinalização
não é contratado diretamente junto às
empresas do setor, mas sim pelas empresas de construção
e restauração do pavimento, os preços
dos serviços ficam prejudicados pelo duplo BID
e bitributação, fatores que acabam pesando
na qualidade do serviço contratado. O setor tende
a crescer, embora lentamente, devido aos recursos insuficientes.
Especialistas da área entendem que o País
já devia ter expandido sua malha viária
pavimentada em 50%”, destaca o diretor comercial
da Indutil.
Para
Zilles, os principais obstáculos, que comprometem
a capacidade de novos investimentos são as altas
tributações, gama de encargos, concorrência
desleal e grande oscilação de preços
das matérias-primas, por se tratar de derivados
de petróleo. Concorrência desleal, principalmente
no pregão eletrônico, é outro empecilho
no segmento. “Nessa área são oferecidos
produtos de baixa qualidade por empresas que, na realidade,
nem existem, só atuam de fachada. O trabalho e
a nossa missão se tornam muito mais desgastantes
e árduos, pois temos que falar diretamente com
o governo sobre essas armadilhas. O governo está
caindo constantemente na armadilha do pregão eletrônico.
Há empresas preocupadas em vencer o pregão
e não com o que entregarão depois. Eu posso
mostrar licitações em que aparecem um monte
de empresas que não são fabricantes desses
produtos ou que usam empresas para representar essas fábricas
porque elas estão com uma série de problemas
fiscais e não poderiam participar dos pregões.
Aliás, há empresas que não contemplam,
nesse mercado, nem as leis trabalhistas; os funcionários
são contratados de forma ilegal. Fica difícil
falar em tecnologia com empresas que nem conseguem manter
as leis trabalhistas em vigência. Alguns órgãos
públicos estão preocupados em obter desconto
no material e não é bem assim que funcionam
as coisas. Ninguém consegue andar de Mercedes e
gastar com manutenção de Fusca”, observa
a diretora executiva da Hot Line.
Além
das próprias empresas confiáveis, que atuam
nesse segmento buscando a melhor performance do produto,
existem também inúmeros órgãos
responsáveis. “O DER-PR sempre trabalhou
de maneira responsável quando o assunto é
segurança nas nossas rodovias. O departamento vem
investindo de maneira significativa em materiais para
sinalização horizontal (tintas e esferas
de vidro), mesmo porque a sinalização horizontal
é feita, na grande maioria, por administração
direta, pois o departamento possui cinco máquinas
de pintura no Estado, distribuídas nas Superintendências
Regionais de Curitiba, Ponta Grossa, Maringá, Londrina
e Cascavel. No ano passado, foram adquiridos 17 mil baldes
de tinta para serviços de demarcação
viária em aproximadamente 2.500 quilômetros
de rodovias com investimento de aproximadamente R$ 3 milhões.
Em 2006, o departamento já licitou 11 mil baldes
de tinta com o objetivo de dar continuidade à Programação
de Serviços de Sinalização Horizontal
por Administração Direta. Foram executados
mais de 1,5 mil quilômetros de serviços de
sinalização horizontal por meio de contratos
existentes nos trechos emergenciais do plano do governo”,
contabiliza o setor de Segurança Rodoviária
do DER/PR.
Tendências
tecnológicas
A
responsabilidade ambiental cada vez mais é foco
das indústrias de tintas. Os produtos base solvente
para demarcação viária ainda lideram
o ranking em relação à aplicação
e à demanda. Por outro lado, é cada vez
mais forte a entrada da tecnologia base água nas
rodovias e ruas brasileiras. “O produto à
base de água seguramente tomará corpo não
só nesse mercado, mas em todo o segmento de tintas.
Porém, a migração de tecnologias
demanda custos superiores, tornando-a bastante lenta”,
avisa Queiroz.
Uma
grande vantagem dos produtos à base de solvente
é o preço. “Atualmente, as tintas
à base de solvente ainda estão na preferência
da maioria dos clientes, principalmente pelo preço.
Sendo assim, a tendência para tintas base solvente
persistirá por mais alguns anos, por questões
de preço e cultura. Agora, a tendência para
médio e longo prazos com certeza irá para
as tintas base água. As vantagens dos produtos
ambientalmente corretos incluem menor agressividade, preservação
da saúde dos colaboradores da indústria
e a saúde dos aplicadores de tintas e pintores.
Outra qualidade é que o produto, no perímetro
urbano, deixa menos cheiro”, destaca Zilles.
A
diferença de custo, segundo Áurea, depende
de análises. “A diferença de custo
depende muito da especificação e do resultado
que o cliente quer alcançar na sinalização.
Posso produzir tinta base solvente que custe o dobro de
uma à base d´água e vice-versa. Se
o cliente espera cinco anos de garantia na pintura para
sinalização, independentemente da tecnologia
inserida, ele com certeza pagará mais caro do que
aquela que dura um ano. Pensando numa durabilidade de
18 meses chega-se a um custo relativamente igual entre
base água e solvente. Melhorar a performance do
produto, obviamente, implica aumento de custo, pois envolve
outras matérias-primas e tecnologias”, avalia
Áurea.
Desenvolvidas
na Alemanha na década de 60, as tintas acrílicas
estirenadas em solução de toluol, xilol
e acetona para demarcação de pavimentos
chegaram ao Brasil na década de 70. “Esses
materiais apresentam uma boa resistência à
abrasão e tempo de secagem em torno de 20 minutos
para liberação ao tráfego. Sua resistência
às intempéries é considerada regular,
pois com o tempo a cor branca apresenta tendência
ao amarelecimento, provocando a diminuição
de contraste entre a sinalização e o pavimento.
As tintas acrílicas puras em solução
aquosa para demarcação viária tiveram
o início do seu desenvolvimento em 1988, nos Estados
Unidos, visando atender algumas necessidades ambientais,
tais como redução de componentes orgânicos
voláteis (VOC) e de resíduos perigosos e
agressivos. Hoje em dia, 18 anos depois, a quase totalidade
dos estados americanos possui legislação
voltada à aplicação desse tipo de
tecnologia que, além de inovadora, por ser emulsionada
em água, não tem conseqüentemente as
ações nocivas dos solventes aromáticos
e metais pesados contidos nos pigmentos. É a tinta
considerada ecologicamente correta. Seu uso no Brasil
teve início a partir de 1996 e o seu consumo vem
crescendo ano a ano, acompanhando a tendência mundial.
Num futuro próximo, pode vir a ser a tinta mais
utilizada em demarcação viária. É
bem verdade que existe certa resistência tanto de
contratantes quanto de aplicadores em relação
à aplicabilidade da tinta base água, que
exige que o substrato esteja limpo e apresenta problemas
de aderência quando utilizada sob umidade relativa
do ar elevada. Por outro lado, esse tipo de material possui
grande durabilidade e excelente resistência à
abrasão e ao intemperismo e tempo de secagem mais
rápido (em torno de 10 minutos), além de
apresentar teor de sólidos mais elevado. Levando-se
em consideração sua performance, esse material
apresenta custo-benefício superior quando comparado
à tinta acrílica estirenada”, salienta
Ary.
Independentemente
de melhor performance e relação custo-benefício
comprovada, a vantagem dos solventes no Brasil é
acentuada. Por outro lado, quem está na frente,
conseqüentemente, começa a se acomodar. “As
tintas em solventes atualmente são as preferidas,
porém o sistema à base de água vem
ganhando espaço por ser menos agressivo ao ambiente
e não oferecer riscos aos trabalhadores. Nós
introduzimos essa tecnologia no País em 1990, mas
somente agora está sendo mais bem apreciada, pois
reúne vantagens na produtividade e qualidade final
da sinalização implantada quando comparada
com outras tintas solúveis em solventes orgânicos.
O custo do frete é outro diferencial, pois o transporte
de solvente requer pessoal treinado com quites de segurança
exigidos pela Ordem das Nações Unidas (ONU)”,
ostenta Costa.
Especificamente
no DER/PR, o produto que vigora é base solvente.
“Até o presente momento, os produtos utilizados
pelo DER-PR nos serviços de sinalização
viária são basicamente à base de
solventes, sendo que já estamos prevendo futuras
aquisições de materiais à base de
água, o que melhorará a durabilidade e a
performance na sinalização horizontal, além
de ser produtos 100% ecológicos”, avisa o
Setor de Segurança Rodoviária do DER-PR.
Produtos
e serviços
Agora
é hora de conhecer um pouco mais da linha de produtos
ou serviços que as empresas participantes dessa
reportagem possuem. A Coriarte, por exemplo, fabrica somente
produtos nas cores branca, amarela e preta. “Os
produtos estão à disposição
em baldes de 18 litros, galão de 3,6 litros e em
embalagem de 900ml. Quanto ao serviço, praticamente
toda a produção de tintas para demarcação
viária é direcionada para construtoras e
empreiteiras. Em relação ao avanço
tecnológico, a Coriarte produz de acordo com as
Normas Brasileiras de Regulamentação da
ABNT. Além disso, as tintas passam por rigoroso
controle de qualidade para que atendam todas as exigências
dos clientes”, atesta Zilles.
Inovar
é buscar a visibilidade da linha que separa as
faixas de demarcação das vias de trânsito.
Toda essa viabilidade é medida pela capacidade
de refletir a luz do dia ou do farol dentro de uma intensidade
que o olho humano seja capaz de enxergar a uma certa distância.
À noite, a visibilidade é garantida por
microesferas de vidro, que são misturadas com a
massa de pintura. Essas esferas são parecidas com
lentes; recebem e concentram a luz do farol, refletindo-a
de volta aos olhos do condutor. “Indispensável
principalmente nos deslocamentos noturnos, a sinalização
horizontal é a única forma de transmissão
de uma mensagem cuja percepção e entendimento
não obriga o condutor a desviar a atenção
do leito da via. Necessária tanto para os motoristas
quanto para pedestres, a sinalização refletiva
indica com precisão a direção que
segue a estrada, bem como os limites das faixas com relação
ao tráfego oposto e ao acostamento, além
de alertar às zonas de proibição
de ultrapassagem e demais informações. A
Ecotintas é uma das poucas indústrias brasileiras
que, além dos materiais convencionais, detêm
a tecnologia da tinta à base de água, que
apresenta a melhor relação custo-benefício
em se falando de tintas para demarcação
viária”, relata Ary.
A
Hot Line atua no segmento com produtos base solvente e
água e produtos da linha ecológica, que
não ostentam solventes orgânicos nem inorgânicos.
“Temos a linha Acquaroad, com a tinta acrílica
pura à base de água que conta com a parceria
da Sherwin-Williams. Já a Megalan, que é
a linha monocomponente à base de resina metilmetacrilato,
conta com parceria da Degussa. Esse produto é perfeito
para concreto, com duração de 24 meses,
e é uma tinta de alta resistência a intempéries,
com características de durabilidade muito boa e
adesão sobre pavimentos rígidos. Na família
Megaline, o foco é a segurança. Totalmente
ecológica, é ideal para demarcação
de rodovias e vias urbanas, principalmente em áreas
de grande exigência. Nessa linha, temos pinturas
drenantes, que garantem que não seja formada lâminas
de água sobre a sinalização no momento
da chuva, garantindo que a faixa permaneça visível
ao motorista”, explica Áurea.
Desde
1972, a Indutil contribui com a evolução
da sinalização no segmento rodoviário
brasileiro por meio da introdução das principais
tecnologias hoje utilizadas em escala no Brasil. “Nos
países onde a otimização da via,
por meio da conservação do pavimento e da
sinalização, é levada a sério,
os dirigentes rodoviários já entenderam
que oferecer boas condições para locomoção
de pessoas e cargas é a melhor alternativa para
a obtenção de segurança aos usuários,
além de rapidez e economia na manutenção
dos veículos de transporte de cargas que proporciona.
Com isso, diminui-se também o índice de
acidentes, tornando o país mais competitivo internacionalmente,
pois se evitam perdas de materiais e minimiza-se o custo
dos acidentes, dos fretes e da manutenção
dos veículos”, observa Costa.
Especialização
é fator preponderante para o sucesso, pois quem
adquire esses produtos cerca-se cada vez mais de cuidados
e regras. “Temos processos transparentes via licitações
públicas na modalidade de pregões eletrônicos,
sendo que nos nossos editais é sempre exigido o
material dentro das Especificações da ABNT
e Normas Técnicas desse departamento. Além
do que, o DER/PR exige sempre, no tocante à habilitação
da empresas, documentos comprobatórios de que a
mesma seja do ramo”, informa o Setor de Segurança
Rodoviária do DER/PR.
Visualizando
o futuro
Fundamental
não só ao Brasil, mas para todo o mundo,
a malha rodoviária merece ser tratada com atenção.
Sinalização adequada e pavimento sem buraco
são o mínimo que se pode exigir dos órgãos
responsáveis. “Sendo o Brasil um ‘país
rodoviário’, só me resta torcer para
que nossos governantes reconheçam a importância
da sinalização viária, não
poupando esforços no investimento em educação
e tecnologia, visando o conforto e segurança dos
usuários de nossas estradas, acarretando, conseqüentemente,
a necessidade do uso de tintas para demarcação
com qualidade e durabilidade”, salienta Ary.
A
diretora executiva da Hot Line defende o direito do usuário
de exigir o que há de melhor nas ruas e estradas.
“Analisando as estradas de São Paulo, não
têm nada a ver com as estradas do restante do País.
A manutenção das rodovias privatizadas de
São Paulo é efetiva e constante. O usuário
cobra porque ela paga o pedágio. O que ele também
deveria fazer é cobrar em nível federal.
As concessionárias nesse momento estão procurando
produtos e sistemas que melhorem a sinalização
principalmente nos momentos críticos. Nosso mercado
está pautado em cima de recursos; a hora que os
liberarem, o mercado começa a andar. As prefeituras
estão investindo bastante; os DERs de São
Paulo e Paraná, por exemplo, estão comprando
serviços e materiais. Tudo indica que no segundo
semestre a licitação, que foi estipulada
na faixa de R$ 400 milhões, tanto para sinalização
horizontal como vertical, comece a surtir efeito. Por
outro lado, como dependemos de política, é
bom aguardar.” Futuro lembra tecnologia e tecnologia
agrega valor ao produto e fortalece o segmento. “A
tecnologia de dois componentes, como o metil-metacrilato,
é nova no País, e estamos participando de
sua introdução no mercado brasileiro. Produtos
desse tipo são muito bons, porém caros,
e dependem de matérias-primas importadas e equipamentos
especiais. São materiais duráveis e muito
utilizados em países mais frios. Muito embora ecologicamente
corretos, verificou-se que quando o material é
aplicado em países de clima tropical, onde a temperatura
do pavimento geralmente é alta, tende a emitir
vapores, os quais podem provocar irritações
às mucosas dos trabalhadores. Portanto, nesse caso,
recomenda-se com rigor o uso de todos os EPIs indicados
pelas leis brasileiras”, diz o diretor comercial
da Indutil.
Na
opinião de Zilles, o futuro do setor depende muito
dos governantes federais, estaduais e municipais: “Depende
do valor que continuarão proporcionando para assegurar
a segurança no trânsito, além dos
recursos que disponibilizarão para investir em
rodovias, tanto em reformas como em asfaltamento de obras
novas, além de asfaltamento de vias urbanas que
também necessitam de sinalização.”
Promissor é a definição do DER/PR.
“O DER/PR, dentro de sua experiência e tradição,
visualiza um futuro promissor no tocante à sinalização
viária da nossa malha rodoviária estadual,
pois estamos sempre buscando produtos alternativos ofertados
pelo mercado, desde que comprovem qualidade, rendimento,
durabilidade e preços dentro da realidade do Brasil.
Tanto é verdade tal afirmação que
ainda nesse primeiro semestre aplicaremos materiais para
sinalização viária Tipo II no trecho
urbano da PR-154. Tudo isso com o intuito de testar a
eficácia de tais materiais, buscando maior durabilidade
das faixas nessa área urbana. O trecho em questão
possui alto índice de neblina, principalmente nos
meses de inverno”, mostra o Setor de Segurança
Rodoviária do DER/PR. |