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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 101 - Tintas de Demarcação Viária
 
Guie a faixa
 
Mesmo longe do ideal, a sinalização das estradas brasileiras evolui diariamente. Alguns obstáculos, como a baixa qualidade e concorrência desleal, ainda trazem danos ao segmento, mas a expectativa de crescimento é evidente.
 
Fábio Sabbag
 

Nada pior do que guiar sem orientação de faixas, placas ou sinalizações nas rodovias. Em noites sem iluminação da Lua, sob neblina ou fortes tempestades, a demarcação viária se torna o principal referencial do motorista. Em sua décima edição, a Pesquisa Rodoviário CNT 2005, realizada pela Confederação Nacional do Transporte, avaliou 100% da malha rodoviária federal pavimentada e também os principias trechos sob gestão estadual e sob administração terceirizada.

Após mais de um mês de estudo, 15 equipes de pesquisadores da CNT avaliaram 81.944 quilômetros de rodovias em todo País, analisando o estado de conservação - levando em conta a qualidade do pavimento, a sinalização e a geometria das vias. O estudo verificou ainda a infra-estrutura de apoio ao transporte rodoviário, observando a existência de praças de pedágio, controladores de velocidade e balanças, entre outros fatores.

A pesquisa 2005, em relação ao estado geral das rodovias, constatou que 72% dos 81.944 quilômetros avaliados - o equivalente a 59.029 quilômetros - apresentaram algum grau de imperfeição, sendo que 31,8% foram considerados deficientes (26.063); 22%, ruins (18.057 quilômetros); e 18,2%, péssimos (14.909 quilômetros). Apenas 28% da malha rodoviária pesquisada em 2005 foi considerada satisfatória: 17%, ou 13.922 quilômetros, obtiveram a classificação boa, e 11%, ou 8.993 quilômetros, ótima. Ao todo foram pesquisados 8.376 quilômetros de rodovias na Região Norte; 23.976 quilômetros na Nordeste; 11.740 quilômetros na Centro-Oeste; 22.997 quilômetros na Região Sudeste e 14.495 quilômetros na Sul.

Existe um dado que se fosse de conhecimento geral traria mais preocupação ainda com as rodovias brasileiras: “O mercado das rodovias do Brasil é o segundo maior do mundo e só perde para os Estados Unidos. A malha viária pavimentada brasileira, considerados os sistemas federal e estadual, tem atualmente mais de 150 mil quilômetros, entretanto, está, em sua maioria, em precárias condições. Somente de usuários das estradas são mais de 1,3 bilhão de pessoas anualmente, representando mais de 95% do transporte de passageiros total do País e cerca de 63% do volume de carga transportada. Esses percentuais indicam, indubitavelmente, que a economia nacional ‘gira’ pelas rodovias”, conta Julio César Ary, diretor administrativo da Ecotintas e membro do CB 16 (Comitê Brasileiro de Transportes e Tráfego) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Tinta é sinônimo de segurança nas estradas

Um dos órgãos responsáveis quando o assunto é sinalização viária, o Departamento de Estrada de Rodagem do Paraná sabe que sinalizar corretamente as rodovias é poupar vidas cotidianamente. Muito utilizada na Europa e nos Estados Unidos, a sinalização Tipo II começa a ganhar força na região paranaense. “O DER/PR, até o final do primeiro semestre deste ano, aplicará materiais para sinalização viária Tipo II no trecho urbano da PR-415 - Curitiba/Piraquara, numa extensão de 4 quilômetros em pista dupla. A durabilidade e a ecologia seriam os conceitos divisores de águas quanto aos tipos de materiais de sinalização viária. Nos últimos 15 anos, na Europa, os materiais para demarcação viária tiveram importante avanço no quesito segurança. Ministros dos Transportes da Alemanha, França e Dinamarca, com o apoio de outros países europeus, focaram esforços e investimentos no desenvolvimento e aplicação de produtos para demarcação viária voltados para condições de chuva e neblina, principalmente no período noturno. No Brasil, a tecnologia de sinalização Tipo II já é uma realidade, tanto em vias urbanas como em rodovias. O objetivo final é sempre salvaguardar vidas, otimizando tempo e recursos, considerando uma relação custo-benefício”, informa o setor de Segurança Rodoviária do DER/PR.

Uma sinalização adequada, segundo Áurea Rangel, diretora executiva da Hot Line, tem de conter uma série de características. “Tem que apresentar contraste durante o dia; em caso de chuva, ser antiderrapante e refletir a luz dos faróis mesmo em condições adversas de chuva e neblina. A sinalização horizontal conversa com o condutor durante toda a viagem. Já a sinalização vertical é mandatória. A tinta para demarcação viária é totalmente diferente de tintas para construção ou outros tipos de pintura. Ela é uma tinta que precisa resistir ao sol, à chuva, frenagens constantes, areia, desbotamento, além de segurar as esferas de vidro e promover segurança. Seu papel é muito diferente daquela tinta que ficará na parede interna de um apartamento, por exemplo, livre de ações de ultravioleta. As tintas de demarcação viária têm que resistir às variações químicas e mecânicas”, avalia Áurea.

Saber o que e onde será aplicado, levando-se em consideração todas as características do projeto, é de vital importância para o sucesso do produto. “A malha rodoviária brasileira tem enorme diversidade de situações, nas quais as variantes de estado do pavimento, clima, volume de tráfego, tipo de tráfego, incidente, trechos sinuosos e regiões serranas devem ser consideradas na análise que levará à escolha do material mais adequado para implantação de uma sinalização horizontal em cada situação considerada. Não há uma resposta única. A equação custo-benefício de um mesmo material poderá ser diferente conforme a situação e as variantes consideradas”, argumenta Francisco Machado da Costa, diretor comercial da Indutil.

Já na opinião de Clayton Queiroz, gerente nacional de vendas da Renner Herrmann, a sinalização adequada é aquela que atende as exigências da legislação agregada a um produto de qualidade, aplicado conforme orientações técnicas para se obter uma longevidade da sinalização”, realça.

O sul do País é um exemplo claro da diversidade de clima. “Considerando que a Região Sul possui vários microclimas, torna-se necessária uma sinalização padronizada, que permita boa visibilidade nas situações mais extremas de clima. Para que isso seja viável, é preciso observar alguns fatores, como qualidade da tinta nos aspectos de cobertura, lavabilidade, resistência a intempéries, utilização adequada das esferas de vidro, para que se tenha uma perfeita refletância, principalmente à noite”, avalia Carlos Zilles, gerente administrativo da Coriarte Tintas.

O barato sai caro

Assim como há diversos pontos a serem analisados para dar andamento a um projeto seguro e eficiente, procurar por preço baixo não é uma alternativa sadia. “Dentro da experiência do órgão e da disponibilidade e do tipo de seus equipamentos nos serviços de sinalização horizontal, o departamento sempre procura adquirir produtos de boa qualidade e de preferência com bons preços, porém nunca deixando de adquiri-los dentro das Normas da ABNT, que comprovem a sua eficácia no tocante à melhor qualidade na segurança para nossas estradas e usuários. Entendemos que a nossa malha viária é hoje o maior patrimônio adquirido ao longo dos 60 anos de existência do DER/PR”, esclarece o Setor de Segurança Rodoviário do DER/PR.

Ary baseia-se em números para defender a política do baixo custo e qualidade zero: “O governo gasta cerca de US$ 2 mil por quilômetro na conservação rotineira das estradas. Quando essa conservação não é feita, o custo para se fazer a restauração sobe para aproximadamente US$ 80 mil por quilômetro, ou seja, 40 vezes mais. Urge a necessidade de conscientização de toda a comunidade integrante do sistema rodoviário nacional da importância não somente da implantação de novas estradas, mas principalmente da preservação da estrutura viária existente, investindo cada vez mais nas condições de sobrevida da nossa malha. Mais de 10 mil pessoas perdem a vida anualmente e quase 100 mil ficam feridas a cada ano. Estatísticas recentes revelam que a maior causa de morte de crianças e adolescentes de 1 a 14 anos é ocasionada por acidentes e atropelamentos. É algo em torno de 3 mil crianças mortas por ano. E, para cada criança morta, quatro ficam com seqüelas irreversíveis”, enumera o diretor administrativo da Ecotintas e membro do CB16.

Sinalização nova e pista velha não combinam. Como numa equipe esportiva, o espírito de cooperação tem que se fazer presente. “Não é só o problema de sinalização, mas também da própria pavimentação que está deteriorada. O último projeto, o Tapa Buraco, no período das chuvas, foi um desastre. Quem reside em São Paulo sente na pele. Não é tampando buraco que vamos resolver os problemas das rodovias do Brasil. O que resolve é manter uma política efetiva de controle de qualidade, de melhoria dos materiais, de novas especificações, além do controle e pesagem dos caminhões e dos veículos para que se alcance efetivamente uma qualidade e durabilidade melhor dos materiais”, avisa Áurea.

Investir é a maneira de aumentar a segurança nesse segmento. Com produtos tecnologicamente avançados, o caminho, por mais longo que pareça, se torna simples e convidativo. “A falta de investimentos faz com que os órgãos rodoviários usem, na maioria das vezes, a tecnologia mais barata, pois nem sempre o volume e o tipo do tráfego e as condições do pavimento são analisados corretamente para a escolha do sistema a ser utilizado”, opina Costa, acrescentando que, além da falta de investimentos e de projetos de pavimentação desenvolvidos para durar, outro obstáculo são os famosos tapa-buracos.

Desafios

No Brasil, quando o Ministério Público ou a Polícia Federal acertam exatamente o xis da questão, encontrando uma solução no mínimo aceitável para casos que mexem com a sociedade, vem o Poder Judiciário e degringola tudo. Para tinta de demarcação viária, isso também é válido. “O maior problema é que, direta ou indiretamente, o principal cliente para esse tipo de produto é o governo, seja na esfera municipal, estadual ou federal. A situação de atraso e demora nos pagamentos é, infelizmente, ainda freqüente em nosso país”, alfineta Ary.

Até pelo seu tamanho e importância na economia brasileira, a malha viária precisa de constantes evoluções. “As vias precisam ser sinalizadas, mas nem sempre há recursos nos orçamentos que contemplam serviços e a operação racional da via. Quando o serviço de sinalização não é contratado diretamente junto às empresas do setor, mas sim pelas empresas de construção e restauração do pavimento, os preços dos serviços ficam prejudicados pelo duplo BID e bitributação, fatores que acabam pesando na qualidade do serviço contratado. O setor tende a crescer, embora lentamente, devido aos recursos insuficientes. Especialistas da área entendem que o País já devia ter expandido sua malha viária pavimentada em 50%”, destaca o diretor comercial da Indutil.

Para Zilles, os principais obstáculos, que comprometem a capacidade de novos investimentos são as altas tributações, gama de encargos, concorrência desleal e grande oscilação de preços das matérias-primas, por se tratar de derivados de petróleo. Concorrência desleal, principalmente no pregão eletrônico, é outro empecilho no segmento. “Nessa área são oferecidos produtos de baixa qualidade por empresas que, na realidade, nem existem, só atuam de fachada. O trabalho e a nossa missão se tornam muito mais desgastantes e árduos, pois temos que falar diretamente com o governo sobre essas armadilhas. O governo está caindo constantemente na armadilha do pregão eletrônico. Há empresas preocupadas em vencer o pregão e não com o que entregarão depois. Eu posso mostrar licitações em que aparecem um monte de empresas que não são fabricantes desses produtos ou que usam empresas para representar essas fábricas porque elas estão com uma série de problemas fiscais e não poderiam participar dos pregões. Aliás, há empresas que não contemplam, nesse mercado, nem as leis trabalhistas; os funcionários são contratados de forma ilegal. Fica difícil falar em tecnologia com empresas que nem conseguem manter as leis trabalhistas em vigência. Alguns órgãos públicos estão preocupados em obter desconto no material e não é bem assim que funcionam as coisas. Ninguém consegue andar de Mercedes e gastar com manutenção de Fusca”, observa a diretora executiva da Hot Line.

Além das próprias empresas confiáveis, que atuam nesse segmento buscando a melhor performance do produto, existem também inúmeros órgãos responsáveis. “O DER-PR sempre trabalhou de maneira responsável quando o assunto é segurança nas nossas rodovias. O departamento vem investindo de maneira significativa em materiais para sinalização horizontal (tintas e esferas de vidro), mesmo porque a sinalização horizontal é feita, na grande maioria, por administração direta, pois o departamento possui cinco máquinas de pintura no Estado, distribuídas nas Superintendências Regionais de Curitiba, Ponta Grossa, Maringá, Londrina e Cascavel. No ano passado, foram adquiridos 17 mil baldes de tinta para serviços de demarcação viária em aproximadamente 2.500 quilômetros de rodovias com investimento de aproximadamente R$ 3 milhões. Em 2006, o departamento já licitou 11 mil baldes de tinta com o objetivo de dar continuidade à Programação de Serviços de Sinalização Horizontal por Administração Direta. Foram executados mais de 1,5 mil quilômetros de serviços de sinalização horizontal por meio de contratos existentes nos trechos emergenciais do plano do governo”, contabiliza o setor de Segurança Rodoviária do DER/PR.

Tendências tecnológicas

A responsabilidade ambiental cada vez mais é foco das indústrias de tintas. Os produtos base solvente para demarcação viária ainda lideram o ranking em relação à aplicação e à demanda. Por outro lado, é cada vez mais forte a entrada da tecnologia base água nas rodovias e ruas brasileiras. “O produto à base de água seguramente tomará corpo não só nesse mercado, mas em todo o segmento de tintas. Porém, a migração de tecnologias demanda custos superiores, tornando-a bastante lenta”, avisa Queiroz.

Uma grande vantagem dos produtos à base de solvente é o preço. “Atualmente, as tintas à base de solvente ainda estão na preferência da maioria dos clientes, principalmente pelo preço. Sendo assim, a tendência para tintas base solvente persistirá por mais alguns anos, por questões de preço e cultura. Agora, a tendência para médio e longo prazos com certeza irá para as tintas base água. As vantagens dos produtos ambientalmente corretos incluem menor agressividade, preservação da saúde dos colaboradores da indústria e a saúde dos aplicadores de tintas e pintores. Outra qualidade é que o produto, no perímetro urbano, deixa menos cheiro”, destaca Zilles.

A diferença de custo, segundo Áurea, depende de análises. “A diferença de custo depende muito da especificação e do resultado que o cliente quer alcançar na sinalização. Posso produzir tinta base solvente que custe o dobro de uma à base d´água e vice-versa. Se o cliente espera cinco anos de garantia na pintura para sinalização, independentemente da tecnologia inserida, ele com certeza pagará mais caro do que aquela que dura um ano. Pensando numa durabilidade de 18 meses chega-se a um custo relativamente igual entre base água e solvente. Melhorar a performance do produto, obviamente, implica aumento de custo, pois envolve outras matérias-primas e tecnologias”, avalia Áurea.

Desenvolvidas na Alemanha na década de 60, as tintas acrílicas estirenadas em solução de toluol, xilol e acetona para demarcação de pavimentos chegaram ao Brasil na década de 70. “Esses materiais apresentam uma boa resistência à abrasão e tempo de secagem em torno de 20 minutos para liberação ao tráfego. Sua resistência às intempéries é considerada regular, pois com o tempo a cor branca apresenta tendência ao amarelecimento, provocando a diminuição de contraste entre a sinalização e o pavimento. As tintas acrílicas puras em solução aquosa para demarcação viária tiveram o início do seu desenvolvimento em 1988, nos Estados Unidos, visando atender algumas necessidades ambientais, tais como redução de componentes orgânicos voláteis (VOC) e de resíduos perigosos e agressivos. Hoje em dia, 18 anos depois, a quase totalidade dos estados americanos possui legislação voltada à aplicação desse tipo de tecnologia que, além de inovadora, por ser emulsionada em água, não tem conseqüentemente as ações nocivas dos solventes aromáticos e metais pesados contidos nos pigmentos. É a tinta considerada ecologicamente correta. Seu uso no Brasil teve início a partir de 1996 e o seu consumo vem crescendo ano a ano, acompanhando a tendência mundial. Num futuro próximo, pode vir a ser a tinta mais utilizada em demarcação viária. É bem verdade que existe certa resistência tanto de contratantes quanto de aplicadores em relação à aplicabilidade da tinta base água, que exige que o substrato esteja limpo e apresenta problemas de aderência quando utilizada sob umidade relativa do ar elevada. Por outro lado, esse tipo de material possui grande durabilidade e excelente resistência à abrasão e ao intemperismo e tempo de secagem mais rápido (em torno de 10 minutos), além de apresentar teor de sólidos mais elevado. Levando-se em consideração sua performance, esse material apresenta custo-benefício superior quando comparado à tinta acrílica estirenada”, salienta Ary.

Independentemente de melhor performance e relação custo-benefício comprovada, a vantagem dos solventes no Brasil é acentuada. Por outro lado, quem está na frente, conseqüentemente, começa a se acomodar. “As tintas em solventes atualmente são as preferidas, porém o sistema à base de água vem ganhando espaço por ser menos agressivo ao ambiente e não oferecer riscos aos trabalhadores. Nós introduzimos essa tecnologia no País em 1990, mas somente agora está sendo mais bem apreciada, pois reúne vantagens na produtividade e qualidade final da sinalização implantada quando comparada com outras tintas solúveis em solventes orgânicos. O custo do frete é outro diferencial, pois o transporte de solvente requer pessoal treinado com quites de segurança exigidos pela Ordem das Nações Unidas (ONU)”, ostenta Costa.

Especificamente no DER/PR, o produto que vigora é base solvente. “Até o presente momento, os produtos utilizados pelo DER-PR nos serviços de sinalização viária são basicamente à base de solventes, sendo que já estamos prevendo futuras aquisições de materiais à base de água, o que melhorará a durabilidade e a performance na sinalização horizontal, além de ser produtos 100% ecológicos”, avisa o Setor de Segurança Rodoviária do DER-PR.

Produtos e serviços

Agora é hora de conhecer um pouco mais da linha de produtos ou serviços que as empresas participantes dessa reportagem possuem. A Coriarte, por exemplo, fabrica somente produtos nas cores branca, amarela e preta. “Os produtos estão à disposição em baldes de 18 litros, galão de 3,6 litros e em embalagem de 900ml. Quanto ao serviço, praticamente toda a produção de tintas para demarcação viária é direcionada para construtoras e empreiteiras. Em relação ao avanço tecnológico, a Coriarte produz de acordo com as Normas Brasileiras de Regulamentação da ABNT. Além disso, as tintas passam por rigoroso controle de qualidade para que atendam todas as exigências dos clientes”, atesta Zilles.

Inovar é buscar a visibilidade da linha que separa as faixas de demarcação das vias de trânsito. Toda essa viabilidade é medida pela capacidade de refletir a luz do dia ou do farol dentro de uma intensidade que o olho humano seja capaz de enxergar a uma certa distância. À noite, a visibilidade é garantida por microesferas de vidro, que são misturadas com a massa de pintura. Essas esferas são parecidas com lentes; recebem e concentram a luz do farol, refletindo-a de volta aos olhos do condutor. “Indispensável principalmente nos deslocamentos noturnos, a sinalização horizontal é a única forma de transmissão de uma mensagem cuja percepção e entendimento não obriga o condutor a desviar a atenção do leito da via. Necessária tanto para os motoristas quanto para pedestres, a sinalização refletiva indica com precisão a direção que segue a estrada, bem como os limites das faixas com relação ao tráfego oposto e ao acostamento, além de alertar às zonas de proibição de ultrapassagem e demais informações. A Ecotintas é uma das poucas indústrias brasileiras que, além dos materiais convencionais, detêm a tecnologia da tinta à base de água, que apresenta a melhor relação custo-benefício em se falando de tintas para demarcação viária”, relata Ary.

A Hot Line atua no segmento com produtos base solvente e água e produtos da linha ecológica, que não ostentam solventes orgânicos nem inorgânicos. “Temos a linha Acquaroad, com a tinta acrílica pura à base de água que conta com a parceria da Sherwin-Williams. Já a Megalan, que é a linha monocomponente à base de resina metilmetacrilato, conta com parceria da Degussa. Esse produto é perfeito para concreto, com duração de 24 meses, e é uma tinta de alta resistência a intempéries, com características de durabilidade muito boa e adesão sobre pavimentos rígidos. Na família Megaline, o foco é a segurança. Totalmente ecológica, é ideal para demarcação de rodovias e vias urbanas, principalmente em áreas de grande exigência. Nessa linha, temos pinturas drenantes, que garantem que não seja formada lâminas de água sobre a sinalização no momento da chuva, garantindo que a faixa permaneça visível ao motorista”, explica Áurea.

Desde 1972, a Indutil contribui com a evolução da sinalização no segmento rodoviário brasileiro por meio da introdução das principais tecnologias hoje utilizadas em escala no Brasil. “Nos países onde a otimização da via, por meio da conservação do pavimento e da sinalização, é levada a sério, os dirigentes rodoviários já entenderam que oferecer boas condições para locomoção de pessoas e cargas é a melhor alternativa para a obtenção de segurança aos usuários, além de rapidez e economia na manutenção dos veículos de transporte de cargas que proporciona. Com isso, diminui-se também o índice de acidentes, tornando o país mais competitivo internacionalmente, pois se evitam perdas de materiais e minimiza-se o custo dos acidentes, dos fretes e da manutenção dos veículos”, observa Costa.

Especialização é fator preponderante para o sucesso, pois quem adquire esses produtos cerca-se cada vez mais de cuidados e regras. “Temos processos transparentes via licitações públicas na modalidade de pregões eletrônicos, sendo que nos nossos editais é sempre exigido o material dentro das Especificações da ABNT e Normas Técnicas desse departamento. Além do que, o DER/PR exige sempre, no tocante à habilitação da empresas, documentos comprobatórios de que a mesma seja do ramo”, informa o Setor de Segurança Rodoviária do DER/PR.

Visualizando o futuro

Fundamental não só ao Brasil, mas para todo o mundo, a malha rodoviária merece ser tratada com atenção. Sinalização adequada e pavimento sem buraco são o mínimo que se pode exigir dos órgãos responsáveis. “Sendo o Brasil um ‘país rodoviário’, só me resta torcer para que nossos governantes reconheçam a importância da sinalização viária, não poupando esforços no investimento em educação e tecnologia, visando o conforto e segurança dos usuários de nossas estradas, acarretando, conseqüentemente, a necessidade do uso de tintas para demarcação com qualidade e durabilidade”, salienta Ary.

A diretora executiva da Hot Line defende o direito do usuário de exigir o que há de melhor nas ruas e estradas. “Analisando as estradas de São Paulo, não têm nada a ver com as estradas do restante do País. A manutenção das rodovias privatizadas de São Paulo é efetiva e constante. O usuário cobra porque ela paga o pedágio. O que ele também deveria fazer é cobrar em nível federal. As concessionárias nesse momento estão procurando produtos e sistemas que melhorem a sinalização principalmente nos momentos críticos. Nosso mercado está pautado em cima de recursos; a hora que os liberarem, o mercado começa a andar. As prefeituras estão investindo bastante; os DERs de São Paulo e Paraná, por exemplo, estão comprando serviços e materiais. Tudo indica que no segundo semestre a licitação, que foi estipulada na faixa de R$ 400 milhões, tanto para sinalização horizontal como vertical, comece a surtir efeito. Por outro lado, como dependemos de política, é bom aguardar.” Futuro lembra tecnologia e tecnologia agrega valor ao produto e fortalece o segmento. “A tecnologia de dois componentes, como o metil-metacrilato, é nova no País, e estamos participando de sua introdução no mercado brasileiro. Produtos desse tipo são muito bons, porém caros, e dependem de matérias-primas importadas e equipamentos especiais. São materiais duráveis e muito utilizados em países mais frios. Muito embora ecologicamente corretos, verificou-se que quando o material é aplicado em países de clima tropical, onde a temperatura do pavimento geralmente é alta, tende a emitir vapores, os quais podem provocar irritações às mucosas dos trabalhadores. Portanto, nesse caso, recomenda-se com rigor o uso de todos os EPIs indicados pelas leis brasileiras”, diz o diretor comercial da Indutil.

Na opinião de Zilles, o futuro do setor depende muito dos governantes federais, estaduais e municipais: “Depende do valor que continuarão proporcionando para assegurar a segurança no trânsito, além dos recursos que disponibilizarão para investir em rodovias, tanto em reformas como em asfaltamento de obras novas, além de asfaltamento de vias urbanas que também necessitam de sinalização.”

Promissor é a definição do DER/PR. “O DER/PR, dentro de sua experiência e tradição, visualiza um futuro promissor no tocante à sinalização viária da nossa malha rodoviária estadual, pois estamos sempre buscando produtos alternativos ofertados pelo mercado, desde que comprovem qualidade, rendimento, durabilidade e preços dentro da realidade do Brasil. Tanto é verdade tal afirmação que ainda nesse primeiro semestre aplicaremos materiais para sinalização viária Tipo II no trecho urbano da PR-154. Tudo isso com o intuito de testar a eficácia de tais materiais, buscando maior durabilidade das faixas nessa área urbana. O trecho em questão possui alto índice de neblina, principalmente nos meses de inverno”, mostra o Setor de Segurança Rodoviária do DER/PR.

 
 
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