Desde
o seu desenvolvimento, as tintas em pó apresentam
crescimento expressivo, até pela modernização
dos processos de aplicação e conquista de
novos mercados. Com isso, enquanto as tintas tradicionais
têm perspectiva de crescimento igual ao apresentado
pelo Produto Interno Bruto (PIB), ou seja abaixo de 5%,
as formulações em pó têm apresentado
incremento duas vezes maior, em anos não muito
favoráveis, podendo chegar a 15% em anos mais positivos.
Isso se deve a uma série de fatores, como a demanda
por formulações com baixo índice
de VOC, além da conquista de novos mercados.
Com
aplicação em diversos segmentos, com destaque
para o moveleiro, o de máquinas agrícolas
e de eletrodomésticos da chamada linha branca,
as formulações em pó têm conquistado
mercado ao longo dos anos. Um exemplo disso a é
utilização em autopartes, perfis de alumínio
e outros cujo substrato seja metálico.
“A
produção e o consumo de tinta em pó
vêm crescendo ano a ano no mundo inteiro, desde
que esse tipo de tinta foi introduzido. Esse crescimento
é observado também no Brasil, tendo em vista
os investimentos na modernização dos processos
produtivos, as ampliações de fábricas
e o aumento da capacidade de produção, bem
como a vinda de outras empresas desse tipo para o Brasil.
Isso mostra o crescimento do mercado nacional nesse setor”,
avalia Haroldo Paganini Rodrigues, coordenador de negócios
Brasil BU Coatings & Colorants da Degussa.
Ele
considera, entretanto, que esse crescimento traz alguns
problemas: “Esse aumento da capacidade instalada,
as ampliações das unidades e a introdução
de novas fábricas no País fazem com que
a competição entre as empresas fique ainda
mais acirrada, levando os preços da tinta em pó
ainda mais para baixo nos sistemas tradicionais, reduzindo
a níveis críticos as margens e o valor agregado
dos produtos. Apesar da competição acirrada
por volumes nas linhas tradicionais, as fabricantes de
tinta em pó terão que criar novas aplicações
e novos nichos de mercado, o que só será
possível com o desenvolvimento de produtos, formulações
e tecnologias. Assim, as empresas de tinta em pó
nacionais continuarão com os grandes volumes e
com as tecnologias tradicionais, que são importantes
para cobrir os custos fixos, melhores negociações
de matérias-primas etc. Porém, terão
que encontrar novos nichos com volumes menores, com margens
e valor agregado maiores dos produtos, não se tornando
totalmente dependentes das contas de grandes volumes”,
afirma Rodrigues.
“O
segmento de tinta em pó, nos últimos anos,
vem demonstrando grande crescimento devido à soma
de vários fatores. Entre os principais deles estão
a melhoria na tecnologia de aplicação, permitindo
espessuras de camada mais finas, e produtos ainda mais
ecológicos, com pigmentos orgânicos, evitando-se
o uso de pigmentos à base de metais pesados”,
pondera Gerson de Almeida, coordenador regional de assistência
técnica da Clariant.
Já
Gutenberg Souza Oliveira, gerente de marketing da Brenntag
Química, avalia que “esse segmento deve se
tornar uma fatia maior do mercado total de tintas
e vernizes, com a ampliação do uso de revestimentos
em pó, algo inexorável devido à pressão por
revestimentos ambientalmente corretos. O mercado está
em crescimento, por causa da crescente pressão
por menor emissão de poluentes voláteis.
Por outro lado, os preços médios estão
em decréscimo, o que é bom para o consumidor
neste instante, mas ruim para a manutenção
de opção de fornecimento no mercado”.
Para
Hamilton Oliveira, responsável técnico da
Aromat, “durante os últimos anos observou-se
um crescimento constante no setor e a expectativa para
os próximos anos é de um incremento ainda
maior. A tendência de redução na
emissão de VOCs é um fator que deve
contribuir para isso”. Mesmo assim, Oliveira ressalva
que o crescimento desse mercado permanece abaixo da expectativa:
“Acreditamos que os fabricantes ainda possuem capacidade
produtiva superior à demanda do segmento.”
No
caso das matérias-primas, Carlos Russo, diretor
técnico da Adexim Comexim, por sua vez, avalia:
“Creio que hoje o Brasil tem uma grande capacidade
instalada e uma demanda que cresce rapidamente.
No mercado de commodities, temos hoje grandes produções,
que são comercializadas a preços mais econômicos.
Temos os produtos de altíssima tecnologia dirigidos
ao mercado nacional e também os que têm foco
nas exportações. Para os fornecedores de
matérias-primas, tem sido um mercado em constante
evolução. Tivemos um clima morno nos primeiros
meses de 2006, mas o segmento está se recuperando
e solicitando produtos muito sofisticados e em maior volume,
com boas previsões até o fim do ano.”
“Acredito
que a indústria de tintas em pó tenha um
grande desenvolvimento com as novas aplicações
que estão sendo desenvolvidas, como as tintas em
pó de cura UV e também as tintas em pó
de cura à baixa temperatura para madeira e MDF,
que têm tido investimentos interessantes”,
calcula Russo, lembrando que hoje o preço dessa
tinta tem custo-benefício muito interessante e
é preciso lembrar que é uma formulação
100% sólida, ou seja, que não apresenta
evaporação de solventes, o que a faz ser
um produto ecológico, além de ter a menor
perda no processo de aplicação.
Rodrigues,
de seu lado, reitera: “A situação
econômica do País faz com que o consumidor
final das tintas em pó não se preocupe com
propriedades como resistência a intempéries,
durabilidade, tecnologia ambientalmente correta etc.,
focando-se somente em preço, o que faz com que
os fabricantes nacionais de tintas em pó também
fiquem focados em grandes volumes e preços baixos.
Mas isso não quer dizer que as tintas em pó
produzidas no Brasil sejam tintas de baixa qualidade.
Podemos encontrar tintas de alta qualidade no mercado
brasileiro, porém são tintas com tecnologias
tradicionais, sem apresentar muita inovação.”
Para
ele, outro problema é que a demanda de tinta em
pó no País começa a ficar menor que
a capacidade instalada, fazendo com que as empresas entrem
mais uma vez em uma competição de preço.
“Por isso, observamos que os preços das tintas
em pó no Brasil vêm sofrendo uma drástica
redução nos últimos anos. Essa competição
acirrada entre as empresas produtoras de tinta em pó
faz com que sejam deixados de lado novos desenvolvimentos
e a busca por novas tecnologias em favor dos sistemas
tradicionais de formulação com preços
mais baixos. Isso pode ser observado no volume de tintas
produzido no Brasil, do qual em torno de 90% são
dedicados somente a um tipo de tecnologia, o sistema híbrido.
Não se observa um aumento de produção
de outros sistemas, como hidroxialquilamida, poliuretano,
epóxi etc., que são sistemas tradicionais.”
Rodrigues
ainda acrescenta que “as tintas em pó possuem
vários atrativos em comparação às
tintas líquidas, como não poluente e ter
95% de aproveitamento durante a aplicação,
entre outros. Porém, ainda há uma limitação
para a sua utilização devido ao aquecimento
em altas temperaturas após a aplicação.
Assim, substratos sensíveis ao calor, como plástico
e madeira, ainda não são explorados por
essa tecnologia. Hoje, as principais aplicações
para esse tipo de tintas são os substratos metálicos,
nos quais se destacam as linhas de eletrodomésticos
- a chamada linha branca - que consomem altos volumes,
a linha automobilística de autopartes, a linha
de implementos agrícolas, a linha anticorrosiva
para tubos e uma vasta gama de aplicações
decorativas”.
Como
lembra ainda o coordenador de negócios da Degussa,
as formulações de tintas em pó têm
como base as resinas, crosslinkers, sílicas, aditivos
e pigmentos. “As resinas, juntamente com o crosslink,
darão as propriedades finais da tinta. Assim, é
de extrema necessidade que se escolha a resina adequada
para cada aplicação. Os crosslinkers, além
de propiciarem as ligações cruzadas, podem,
em alguns sistemas, propiciar o fosqueamento da tinta
em pó. As sílicas permitem que as partículas
da tinta não se aglomerem durante a estocagem e
facilitem a aplicação da tinta. A Degussa
ainda possui uma sílica que, além de ser
agente fluidificante, propicia a polarização
das partículas da tinta para o sistema triboelétrico.
Os aditivos são agentes utilizados para proporcionar
um melhor alastramento do filme da tinta. Aditivos como
ceras ainda auxiliam no processamento da tinta em pó
dentro da extrusora, além de propiciarem fosqueamento
e proteção contra risco. Os pigmentos permitem
o embelezamento da tinta, além de servirem de barreira
contra raios solares e cobertura do substrato.”
Já
entre as propriedades desejáveis das matérias-primas
para tintas em pó, Almeida lembra que para os pigmentos
orgânicos se destaca a isenção de
metais pesados tóxicos, assim como uma gama muito
ampla de tonalidades abrangendo todo o tipo de necessidade
técnica, como as tintas de alto desempenho ou também
as tintas mais econômicas.
Produtos
A
Adexim-Comexim conta com agentes de fluxo e nivelamento
de vários tipos de qualidade e funções, desde
os mais econômicos até os tipos mais elaborados
como FDA e com características especiais, como
de aplicações de múltiplas camadas.
“Temos ainda um tipo especial que funciona como
um corretivo para salvar lotes de tintas não reativas,
que muitas vezes estariam perdidos”, avisa Russo.
A empresa ainda oferece tipos especiais de aditivos que
possibilitam a um verniz ter a melhor transparência,
também em vários níveis de qualidade;
modificadores de brilho e agentes fosqueantes, em tipos
especiais de alta compatibilidade; catalisadores; agentes
de eliminação de gases; aditivos para melhora
da resistência mecânica; ceras sintéticas;
agentes de cura; resinas acrílicas para sistema
de tinta pó cura UV, uma linha especial de multifunções;
cargas em geral; extensores para dióxido de titânio;
e sulfato de bário natural micronizado.
“Em
nossa linha de produtos, principalmente de fabricação
da americana Estron Chemical, há investimentos
constantes, que têm sido transferidos para nós
constantemente. Atualmente, estamos oferecendo resinas
acrílicas multifuncionais para cura UV. A combinação
dessas resinas de uma mesma família possibilita
alcançar qualquer característica necessária,
desde uma formulação básica até
uma de alta especificação”, assegura
Russo.
A
Aromat, acompanhando a tendência mundial de
crescimento na produção de tintas em
pó, deve lançar em breve outros produtos
visando esse mercado. Atualmente, conta com as linhas
de agentes reológicos Thixcin e Thixatrol, que
são empregados em formulações de
tintas em pó com o objetivo de controlar a reologia
na aplicação, melhorando o nivelamento e fluidez,
auxiliando a formação de filme e a eliminação
de defeitos, como crateras. Também oferece as ceras
especiais Slip-ayd, apresentadas em composições
diversas, como polietileno e PTFE, entre outras,
indicadas para conferir propriedades como deslizamento
(slip) e aumentar resistência da tinta aplicada a
riscos, e pigmentos orgânicos e inorgânicos
de alta dispersabilidade.
A
Brenntag tem a representação exclusiva no
mercado brasileiro da linha de Epóxi & Versáticos,
com as resinas epóxi sólidas Epon e agentes
de cura em pó Epikure. “A Hexion prima
pelo grande número de novos produtos para as
mais diversas aplicações do mundo de termofixos.
A linha de agentes de cura para sistemas em pó
Epikure é um grande diferencial da empresa,
da qual comercializamos no Brasil o Epikure 143P, um agente
de cura em pó com alta reatividade (cura
na faixa de 180ºC) e que confere um aspecto
matizado na pintura. Temos um laboratório de aplicação
técnica (TLA) voltado ao mercado de tintas
e vernizes e contamos com o intrínseco apoio
da Hexion para novos desenvolvimentos no mercado nacional”,
acentua Oliveira.
”A
Cabot produz negros-de-fumo, sílicas pirogênicas
Cab-O-Sil e óxido de alumínio SpectrAl,
que podem ser utilizados na formulação de
tintas em pó. Os pigmentos negros, como o próprio
nome já diz, conferem pigmentação
às tintas, podendo aumentar seu poder de tingimento,
conferir subtom azulado ou marrom, aumentar o brilho e
dar resistência a raios ultravioleta. A sílica
pirogênica Cab-O-Sil atua como agente de fluidez,
quebrando as forças estruturais existentes entre
as partículas do pó, evitando também
a formação de grumos no produto final e
melhorando sua aplicação. Na grande maioria
do casos o Cab-O-Sil é incorporado na fase inicial,
junto com os veículos (resina etc.); contudo, em
alguns caso, o mesmo pode ser adicionado na fase final.
O óxido de alumínio SpectrAl oferece maior
resistência à abrasão, melhor adesão
e brilho em alguns compostos, além de agir como
agente fosqueante e de fluidez para sistemas em pó”,
explica Léa Sgai, gerente de marketing América
Latina da empresa.
A
Clariant oferece, além dos pigmentos orgânicos
de nossa linha, certos aditivos que são ceras e
estabilizantes a luz, assim como estabilizantes antioxidantes.
Nossas ceras (linhas Licowax e Ceridust) auxiliam na performance
da tinta e promovem alguns efeitos diferenciados na aplicação,
como por exemplo a microtextura. Os antioxidantes (linhas
Hostanox e Sandostab) e estabilizadores de luz (linha
Hostavin e Sanduvor) promovem melhoria no desempenho da
tinta quando submetida a condições de altas
temperaturas e exposição a raios ultravioletas.
A nova linha de pigmentos pré-dispersos em ceras
de polietileno é chamada Driz Pearls.
A
Degussa por meio de um vasto portfólio de produtos
para este segmento, oferece os seguintes produtos: B 31,
B 55, B 68 - endurecedores e fosqueantes para sistemas
epóxi e híbrido, cujo destaque é
o recém-lançado EP-B 69, que é utilizado
como crosslink em sistemas híbridos, além
de oferecer melhor fosqueamento a baixas temperaturas,
em comparação aos produtos tradicionais
para essa aplicação; B 1065, B 1400, B 1530,
BF 1540, EP-BF 1320 - isocianatos bloqueados com e sem
agentes bloqueadores, para reticulação de
sistemas poliuretano/poliéster; EP RC 8020 e EP
BF 9030 - catalisadores e crosslinkers para cura de sistemas
PU à baixa temperatura; HA 320 - hidroxialquilamida
para reticulação de sistemas poliéster
carboxilado; EP R 4030 - matéria-prima para produção
de sistemas poliuretano fosco “one-shot”;
Acematt TS 100, Acematt OK 412, Aerosil R 972 e Aerosil
200 - agentes fluidificantes e antiaglutinantes para tintas
em pó; Aeroxide Alu C - Agente fluidificante e
de polarização para sistema triboelétrico;
negro-de-fumo - Printex, Special Black & FW - pigmento
preto para tom pleno e tingimento de tintas em pó;
Vestowax SH 112, FM 1012, A 616 SG, X 4118 - ceras sintéticas
de polietileno e Fischer-Tropsch para fosqueamento superficial,
melhora do processo durante a etapa de extrusão
e resistência a risco; e TEP - sal de fosfônio
- aditivação de resina poliéster
e acelerador de reticulação na formulação
de tintas em pó à base de resina poliéster
e híbridos.
“Dando
continuidade à tendência mundial em produtos
de melhor performance, a Degussa está investindo
cada vez mais no desenvolvimento de produtos. Com intuito
de oferecer produtos cada vez mais inofensivos ao homem,
a Degussa amplia suas já conhecidas linhas B 1530,
B 1400 e B 1065, que reticulam-se às resinas de
poliéster hidroxilado, formando grupos poliuretano
com alta resistência à luz e ao intemperismo,
produzindo a sua versão ambientalmente correta,
que são os produtos BF 1540 e EP BF 1320, que não
possuem agentes bloqueantes em sua composição,
sendo autobloqueados e que promovem as mesmas propriedades
de reticulação sem emissão de agentes
bloqueantes para a atmosfera. Uma outra mostra dessa nossa
preocupação é demonstrada com o produto
HA 320, que é uma hidroxialquilamida e que pode
ser utilizada em substituição ao TGIC.
Mantendo
o foco no desenvolvimento de especialidades voltadas às
necessidades de mercado, a Degussa vem promovendo o EP
R 4030, que se trata de uma matéria-prima para
produção de tintas poliuretânicas
foscas, sem a necessidade de mistura prévia de
dois componentes para obter este efeito (one shot em vez
de dry blend) e obtendo-se ótima reprodutibilidade
de fosqueamento. Com foco ainda em fosqueamento, a Degussa
recém-anunciou o produto EP B 69, o qual proporciona
um maior fosqueamento em sistemas híbridos com
temperaturas mais baixas quando comparado com os produtos
tradicionais utilizados para essa aplicação.
Como
solução para aplicação de
tintas em pó em baixas temperaturas a Degussa desenvolveu
os produtos EP RC 8020 e EP BF 9030, que são catalisadores
e crosslinkers, respectivamente, para cura de sistemas
PU em baixas temperaturas e a linha UV 100, UV 300 e UV
500 para sistemas de tinta em pó com cura por radiação.
Ao
segmento de tintas em pó a Grupar Química
oferece os agentes de cura (TGIC e Primid), agente desgaseificante
(benzoína), agente fosqueante (Acetomer 68) e acelerador
de cura (Acetomer 31). “Neste ano, lançamos
o Acetomer 940, um agente fosqueante para sistemas epóxi/poliéster
e TGIC/poliéster”, adianta Sérgio
Medeiros, analista de marketing da empresa. A Ipiranga
Química oferece agentes de fluxo - sílicas
pirogênicas HDK da Wacker Silicones, e aditivos
com absorvedores UV, estabilizantes de luz e antioxidantes
da Chitec Technology, pigmentos inorgânicos e orgânicos
de alto desempenho da DCC (Dominion Colour Corporation).
“Estamos estruturados para atender às necessidades
do mercado quanto à aplicação técnica
e ao estoque local. Nosso laboratório de aplicações
técnicas, localizado no centro de distribuição
em Guarulhos, pode auxiliar os clientes quanto à
utilização e aplicação dos
nossos produtos nos desenvolvimentos das formulações”,
acentua Antonio Carlos Slongo, gestor de marketing UN
Tintas e Adesivos da Ipiranga Química. |