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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 103 - Matérias-primas especiais
 
Forte para o metal
 
Embaladas pela tendência de redução de VOC e pelo incremento da aplicação em diferentes segmentos, além das já tradicionais, as tintas em pó apresentam crescimento e levam o mercado de matérias-primas a apresentar novas opções.
 
Cynthia Luz
 

Desde o seu desenvolvimento, as tintas em pó apresentam crescimento expressivo, até pela modernização dos processos de aplicação e conquista de novos mercados. Com isso, enquanto as tintas tradicionais têm perspectiva de crescimento igual ao apresentado pelo Produto Interno Bruto (PIB), ou seja abaixo de 5%, as formulações em pó têm apresentado incremento duas vezes maior, em anos não muito favoráveis, podendo chegar a 15% em anos mais positivos. Isso se deve a uma série de fatores, como a demanda por formulações com baixo índice de VOC, além da conquista de novos mercados.

Com aplicação em diversos segmentos, com destaque para o moveleiro, o de máquinas agrícolas e de eletrodomésticos da chamada linha branca, as formulações em pó têm conquistado mercado ao longo dos anos. Um exemplo disso a é utilização em autopartes, perfis de alumínio e outros cujo substrato seja metálico.

“A produção e o consumo de tinta em pó vêm crescendo ano a ano no mundo inteiro, desde que esse tipo de tinta foi introduzido. Esse crescimento é observado também no Brasil, tendo em vista os investimentos na modernização dos processos produtivos, as ampliações de fábricas e o aumento da capacidade de produção, bem como a vinda de outras empresas desse tipo para o Brasil. Isso mostra o crescimento do mercado nacional nesse setor”, avalia Haroldo Paganini Rodrigues, coordenador de negócios Brasil BU Coatings & Colorants da Degussa.

Ele considera, entretanto, que esse crescimento traz alguns problemas: “Esse aumento da capacidade instalada, as ampliações das unidades e a introdução de novas fábricas no País fazem com que a competição entre as empresas fique ainda mais acirrada, levando os preços da tinta em pó ainda mais para baixo nos sistemas tradicionais, reduzindo a níveis críticos as margens e o valor agregado dos produtos. Apesar da competição acirrada por volumes nas linhas tradicionais, as fabricantes de tinta em pó terão que criar novas aplicações e novos nichos de mercado, o que só será possível com o desenvolvimento de produtos, formulações e tecnologias. Assim, as empresas de tinta em pó nacionais continuarão com os grandes volumes e com as tecnologias tradicionais, que são importantes para cobrir os custos fixos, melhores negociações de matérias-primas etc. Porém, terão que encontrar novos nichos com volumes menores, com margens e valor agregado maiores dos produtos, não se tornando totalmente dependentes das contas de grandes volumes”, afirma Rodrigues.

“O segmento de tinta em pó, nos últimos anos, vem demonstrando grande crescimento devido à soma de vários fatores. Entre os principais deles estão a melhoria na tecnologia de aplicação, permitindo espessuras de camada mais finas, e produtos ainda mais ecológicos, com pigmentos orgânicos, evitando-se  o uso de pigmentos à base de metais pesados”, pondera Gerson de Almeida, coordenador regional de assistência técnica da Clariant.

Já Gutenberg Souza Oliveira, gerente de marketing da Brenntag Química, avalia que “esse segmento deve se tornar uma fatia maior do mercado total de tintas e vernizes, com a ampliação do uso de revestimentos em pó, algo inexorável devido à pressão por revestimentos ambientalmente corretos. O mercado está em crescimento, por causa da crescente pressão por menor emissão de poluentes voláteis. Por outro lado, os preços médios estão em decréscimo, o que é bom para o consumidor neste instante, mas ruim para a manutenção de opção de fornecimento no mercado”.

Para Hamilton Oliveira, responsável técnico da Aromat, “durante os últimos anos observou-se um crescimento constante no setor e a expectativa para os próximos anos é de um incremento ainda maior. A tendência de redução na emissão de VOCs é um fator que deve contribuir para isso”. Mesmo assim, Oliveira ressalva que o crescimento desse mercado permanece abaixo da expectativa: “Acreditamos que os fabricantes ainda possuem capacidade produtiva superior à demanda do segmento.”

No caso das matérias-primas, Carlos Russo, diretor técnico da Adexim Comexim, por sua vez, avalia: “Creio que hoje o Brasil tem uma grande capacidade instalada e uma demanda que cresce rapidamente. No mercado de commodities, temos hoje grandes produções, que são comercializadas a preços mais econômicos. Temos os produtos de altíssima tecnologia dirigidos ao mercado nacional e também os que têm foco nas exportações. Para os fornecedores de matérias-primas, tem sido um mercado em constante evolução. Tivemos um clima morno nos primeiros meses de 2006, mas o segmento está se recuperando e solicitando produtos muito sofisticados e em maior volume, com boas previsões até o fim do ano.”

“Acredito que a indústria de tintas em pó tenha um grande desenvolvimento com as novas aplicações que estão sendo desenvolvidas, como as tintas em pó de cura UV e também as tintas em pó de cura à baixa temperatura para madeira e MDF, que têm tido investimentos interessantes”, calcula Russo, lembrando que hoje o preço dessa tinta tem custo-benefício muito interessante e é preciso lembrar que é uma formulação 100% sólida, ou seja, que não apresenta evaporação de solventes, o que a faz ser um produto ecológico, além de ter a menor perda no processo de aplicação.

Rodrigues, de seu lado, reitera: “A situação econômica do País faz com que o consumidor final das tintas em pó não se preocupe com propriedades como resistência a intempéries, durabilidade, tecnologia ambientalmente correta etc., focando-se somente em preço, o que faz com que os fabricantes nacionais de tintas em pó também fiquem focados em grandes volumes e preços baixos. Mas isso não quer dizer que as tintas em pó produzidas no Brasil sejam tintas de baixa qualidade. Podemos encontrar tintas de alta qualidade no mercado brasileiro, porém são tintas com tecnologias tradicionais, sem apresentar muita inovação.”

Para ele, outro problema é que a demanda de tinta em pó no País começa a ficar menor que a capacidade instalada, fazendo com que as empresas entrem mais uma vez em uma competição de preço. “Por isso, observamos que os preços das tintas em pó no Brasil vêm sofrendo uma drástica redução nos últimos anos. Essa competição acirrada entre as empresas produtoras de tinta em pó faz com que sejam deixados de lado novos desenvolvimentos e a busca por novas tecnologias em favor dos sistemas tradicionais de formulação com preços mais baixos. Isso pode ser observado no volume de tintas produzido no Brasil, do qual em torno de 90% são dedicados somente a um tipo de tecnologia, o sistema híbrido. Não se observa um aumento de produção de outros sistemas, como hidroxialquilamida, poliuretano, epóxi etc., que são sistemas tradicionais.”

Rodrigues ainda acrescenta que “as tintas em pó possuem vários atrativos em comparação às tintas líquidas, como não poluente e ter 95% de aproveitamento durante a aplicação, entre outros. Porém, ainda há uma limitação para a sua utilização devido ao aquecimento em altas temperaturas após a aplicação. Assim, substratos sensíveis ao calor, como plástico e madeira, ainda não são explorados por essa tecnologia. Hoje, as principais aplicações para esse tipo de tintas são os substratos metálicos, nos quais se destacam as linhas de eletrodomésticos - a chamada linha branca - que consomem altos volumes, a linha automobilística de autopartes, a linha de implementos agrícolas, a linha anticorrosiva para tubos e uma vasta gama de aplicações decorativas”.

Como lembra ainda o coordenador de negócios da Degussa, as formulações de tintas em pó têm como base as resinas, crosslinkers, sílicas, aditivos e pigmentos. “As resinas, juntamente com o crosslink, darão as propriedades finais da tinta. Assim, é de extrema necessidade que se escolha a resina adequada para cada aplicação. Os crosslinkers, além de propiciarem as ligações cruzadas, podem, em alguns sistemas, propiciar o fosqueamento da tinta em pó. As sílicas permitem que as partículas da tinta não se aglomerem durante a estocagem e facilitem a aplicação da tinta. A Degussa ainda possui uma sílica que, além de ser agente fluidificante, propicia a polarização das partículas da tinta para o sistema triboelétrico. Os aditivos são agentes utilizados para proporcionar um melhor alastramento do filme da tinta. Aditivos como ceras ainda auxiliam no processamento da tinta em pó dentro da extrusora, além de propiciarem fosqueamento e proteção contra risco. Os pigmentos permitem o embelezamento da tinta, além de servirem de barreira contra raios solares e cobertura do substrato.”

Já entre as propriedades desejáveis das matérias-primas para tintas em pó, Almeida lembra que para os pigmentos orgânicos se destaca a isenção de metais pesados tóxicos, assim como uma gama muito ampla de tonalidades abrangendo todo o tipo de necessidade técnica, como as tintas de alto desempenho ou também as tintas mais econômicas.

Produtos

A Adexim-Comexim conta com agentes de fluxo e nivelamento de vários tipos de qualidade e funções, desde os mais econômicos até os tipos mais elaborados como FDA e com características especiais, como de aplicações de múltiplas camadas. “Temos ainda um tipo especial que funciona como um corretivo para salvar lotes de tintas não reativas, que muitas vezes estariam perdidos”, avisa Russo. A empresa ainda oferece tipos especiais de aditivos que possibilitam a um verniz ter a melhor transparência, também em vários níveis de qualidade; modificadores de brilho e agentes fosqueantes, em tipos especiais de alta compatibilidade; catalisadores; agentes de eliminação de gases; aditivos para melhora da resistência mecânica; ceras sintéticas; agentes de cura; resinas acrílicas para sistema de tinta pó cura UV, uma linha especial de multifunções; cargas em geral; extensores para dióxido de titânio; e sulfato de bário natural micronizado.

“Em nossa linha de produtos, principalmente de fabricação da americana Estron Chemical, há investimentos constantes, que têm sido transferidos para nós constantemente. Atualmente, estamos oferecendo resinas acrílicas multifuncionais para cura UV. A combinação dessas resinas de uma mesma família possibilita alcançar qualquer característica necessária, desde uma formulação básica até uma de alta especificação”, assegura Russo.

A Aromat, acompanhando a tendência mundial de crescimento na produção de tintas em pó, deve lançar em breve outros produtos visando esse mercado. Atualmente, conta com as linhas de agentes reológicos Thixcin e Thixatrol, que são empregados em formulações de tintas em pó com o objetivo de controlar a reologia na aplicação, melhorando o nivelamento e fluidez, auxiliando a formação de filme e a eliminação de defeitos, como crateras. Também oferece as ceras especiais Slip-ayd, apresentadas em composições diversas, como polietileno e PTFE, entre outras,  indicadas para conferir propriedades como deslizamento (slip) e aumentar resistência da tinta aplicada a riscos, e pigmentos orgânicos e inorgânicos de alta dispersabilidade.

A Brenntag tem a representação exclusiva no mercado brasileiro da linha de Epóxi & Versáticos, com as resinas epóxi sólidas Epon e agentes de cura em pó Epikure. “A Hexion prima pelo grande número de novos produtos para as mais diversas aplicações do mundo de termofixos. A linha de agentes de cura para sistemas em pó Epikure é um grande diferencial da empresa, da qual comercializamos no Brasil o Epikure 143P, um agente de cura em pó com alta reatividade (cura na faixa de 180ºC) e que confere um aspecto matizado na pintura. Temos um laboratório de aplicação técnica (TLA) voltado ao mercado de tintas e vernizes e contamos com o intrínseco apoio da Hexion para novos desenvolvimentos no mercado nacional”, acentua Oliveira.

”A Cabot produz negros-de-fumo, sílicas pirogênicas Cab-O-Sil e óxido de alumínio SpectrAl, que podem ser utilizados na formulação de tintas em pó. Os pigmentos negros, como o próprio nome já diz, conferem pigmentação às tintas, podendo aumentar seu poder de tingimento, conferir subtom azulado ou marrom, aumentar o brilho e dar resistência a raios ultravioleta. A sílica pirogênica Cab-O-Sil atua como agente de fluidez, quebrando as forças estruturais existentes entre as partículas do pó, evitando também a formação de grumos no produto final e melhorando sua aplicação. Na grande maioria do casos o Cab-O-Sil é incorporado na fase inicial, junto com os veículos (resina etc.); contudo, em alguns caso, o mesmo pode ser adicionado na fase final. O óxido de alumínio SpectrAl oferece maior resistência à abrasão, melhor adesão e brilho em alguns compostos, além de agir como agente fosqueante e de fluidez para sistemas em pó”, explica Léa Sgai, gerente de marketing América Latina da empresa.

A Clariant oferece, além dos pigmentos orgânicos de nossa linha, certos aditivos que são ceras e estabilizantes a luz, assim como estabilizantes antioxidantes. Nossas ceras (linhas Licowax e Ceridust) auxiliam na performance da tinta e promovem alguns efeitos diferenciados na aplicação, como por exemplo a microtextura. Os antioxidantes (linhas Hostanox e Sandostab) e estabilizadores de luz (linha Hostavin e Sanduvor) promovem melhoria no desempenho da tinta quando submetida a condições de altas temperaturas e exposição a raios ultravioletas. A nova linha de pigmentos pré-dispersos em ceras de polietileno é chamada Driz Pearls.

A Degussa por meio de um vasto portfólio de produtos para este segmento, oferece os seguintes produtos: B 31, B 55, B 68 - endurecedores e fosqueantes para sistemas epóxi e híbrido, cujo destaque é o recém-lançado EP-B 69, que é utilizado como crosslink em sistemas híbridos, além de oferecer melhor fosqueamento a baixas temperaturas, em comparação aos produtos tradicionais para essa aplicação; B 1065, B 1400, B 1530, BF 1540, EP-BF 1320 - isocianatos bloqueados com e sem agentes bloqueadores, para reticulação de sistemas poliuretano/poliéster; EP RC 8020 e EP BF 9030 - catalisadores e crosslinkers para cura de sistemas PU à baixa temperatura; HA 320 - hidroxialquilamida para reticulação de sistemas poliéster carboxilado; EP R 4030 - matéria-prima para produção de sistemas poliuretano fosco “one-shot”; Acematt TS 100, Acematt OK 412, Aerosil R 972 e Aerosil 200 - agentes fluidificantes e antiaglutinantes para tintas em pó; Aeroxide Alu C - Agente fluidificante e de polarização para sistema triboelétrico; negro-de-fumo - Printex, Special Black & FW - pigmento preto para tom pleno e tingimento de tintas em pó; Vestowax SH 112, FM 1012, A 616 SG, X 4118 - ceras sintéticas de polietileno e Fischer-Tropsch para fosqueamento superficial, melhora do processo durante a etapa de extrusão e resistência a risco; e TEP - sal de fosfônio - aditivação de resina poliéster e acelerador de reticulação na formulação de tintas em pó à base de resina poliéster e híbridos.

“Dando continuidade à tendência mundial em produtos de melhor performance, a Degussa está investindo cada vez mais no desenvolvimento de produtos. Com intuito de oferecer produtos cada vez mais inofensivos ao homem, a Degussa amplia suas já conhecidas linhas B 1530, B 1400 e B 1065, que reticulam-se às resinas de poliéster hidroxilado, formando grupos poliuretano com alta resistência à luz e ao intemperismo, produzindo a sua versão ambientalmente correta, que são os produtos BF 1540 e EP BF 1320, que não possuem agentes bloqueantes em sua composição, sendo autobloqueados e que promovem as mesmas propriedades de reticulação sem emissão de agentes bloqueantes para a atmosfera. Uma outra mostra dessa nossa preocupação é demonstrada com o produto HA 320, que é uma hidroxialquilamida e que pode ser utilizada em substituição ao TGIC.

Mantendo o foco no desenvolvimento de especialidades voltadas às necessidades de mercado, a Degussa vem promovendo o EP R 4030, que se trata de uma matéria-prima para produção de tintas poliuretânicas foscas, sem a necessidade de mistura prévia de dois componentes para obter este efeito (one shot em vez de dry blend) e obtendo-se ótima reprodutibilidade de fosqueamento. Com foco ainda em fosqueamento, a Degussa recém-anunciou o produto EP B 69, o qual proporciona um maior fosqueamento em sistemas híbridos com temperaturas mais baixas quando comparado com os produtos tradicionais utilizados para essa aplicação.

Como solução para aplicação de tintas em pó em baixas temperaturas a Degussa desenvolveu os produtos EP RC 8020 e EP BF 9030, que são catalisadores e crosslinkers, respectivamente, para cura de sistemas PU em baixas temperaturas e a linha UV 100, UV 300 e UV 500 para sistemas de tinta em pó com cura por radiação.

Ao segmento de tintas em pó a Grupar Química oferece os agentes de cura (TGIC e Primid), agente desgaseificante (benzoína), agente fosqueante (Acetomer 68) e acelerador de cura (Acetomer 31). “Neste ano, lançamos o Acetomer 940, um agente fosqueante para sistemas epóxi/poliéster e TGIC/poliéster”, adianta Sérgio Medeiros, analista de marketing da empresa. A Ipiranga Química oferece agentes de fluxo - sílicas pirogênicas HDK da Wacker Silicones, e aditivos com absorvedores UV, estabilizantes de luz e antioxidantes da Chitec Technology, pigmentos inorgânicos e orgânicos de alto desempenho da DCC (Dominion Colour Corporation). “Estamos estruturados para atender às necessidades do mercado quanto à aplicação técnica e ao estoque local. Nosso laboratório de aplicações técnicas, localizado no centro de distribuição em Guarulhos, pode auxiliar os clientes quanto à utilização e aplicação dos nossos produtos nos desenvolvimentos das formulações”, acentua Antonio Carlos Slongo, gestor de marketing UN Tintas e Adesivos da Ipiranga Química.

 
 
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