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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 105 - Cargas minerais
 
Incremento pela própria natureza
 
Ainda à espera de uma política mais efetiva por parte do governo, o setor de cargas minerais se aperfeiçoou no aspecto profissional e tecnológico, conseguindo apresentar ganho de mercado e crescimento por seus próprios méritos.
 
Maristela Rizzo
 

Analisando os últimos anos do mercado de cargas minerais, direcionado para o segmento de tintas imobiliárias, o que podemos perceber é que, ao mesmo tempo que o setor veio se profissionalizando e crescendo em termos de tecnologia e mercado, pouco teve a lucrar com as ações – quando houve – do governo.

As margens de aumento de consumo foram obtidas mais por ações internas das empresas do que por programas de incentivo.

Pelo contrário, fatores como queda acentuada do dólar, juros altos, aumento da tributação, além de outras variáveis econômicas, fizeram com que o mercado passasse a última década intercalando altos e baixos, beirando a estagnação.

Para exemplificar essa situação, podemos entrar no túnel do tempo e desembocar em 2002, quando em matéria publicada pela revista Paint & Pintura os produtores já reportavam, no primeiro trimestre, retração de consumo e estoques altos, embora ainda estivessem otimistas para o restante do ano.

Retornando a 2006, o que percebemos é que a única situação alterada nestes últimos anos é o fato de o otimismo das empresas estar baseado na confiança do desempenho de seus produtos, serviços e política de atuação do que nos projetos acenados pelo governo.

É ponto pacífico no mercado de cargas minerais que somente a execução de políticas claras e ações mais firmes, que levem a uma real redução das taxas de juros e das altas cargas de impostos, poderá efetivamente auxiliar no tão esperado aumento de consumo.

“A redução da taxa de juros não se mostra efetiva na prática e ainda temos um patamar muito alto para que o mercado reaja de forma imediata. Estamos vivendo um momento de estagnação econômica, baixo crescimento, onde a sobrevivência passa pela inovação e oferta de produtos e serviços superiores”, reflete José Carlos Bartholi, diretor comercial da Minérios Ouro Branco.

Mesmo os pacotes de incentivo à construção civil são vistos com reserva pelo mercado. Enquanto uns apostam em crescimento acentuado no consumo de tintas, outros voltam a afirmar que essa é uma atitude isolada que pouco ajudará em um aumento realmente representativo para o setor. “Esses incentivos são apenas paliativos. No nível que o mercado de construção civil se encontra, isso inviabiliza o aquecimento do segmento, que esteve por longos anos estagnado. Apenas a redução de impostos para todos os segmentos provocaria grande aquecimento no mercado industrial brasileiro”, declara Elaine Luciano, gerente de vendas da J.Reminas.

Outro ponto levantado pelo setor é o de que o mercado ainda não é receptivo em relação ao consumo, ou seja, ainda há uma concepção errônea quando se fala em custo/benefício do produto elaborado. “O mercado ainda consome pelo preço e não pelo custo benefício proporcionado pela qualidade. As empresas ainda priorizam aparência e não a durabilidade e lavabilidade do produto”, aponta Calil Nassim Khalil, diretor comercial da Company Minérios.

Em vista desses fatores do mercado, a Paint & Pintura convidou os principais players desse mercado para analisarem o setor e mostrarem as inovações em termos de tecnologia e serviços que essas empresas colocam à disposição do mercado de tintas. Confira!

Adexim-Comexim
A empresa observa que o ano de 2005 propiciou grande aumento de demanda principalmente de cargas especiais, especialidade da Adexim-Comexim, como extensores de dióxido de titânio ou cargas muito finas e de baixa absorção, que possibilitaram às empresas consumidoras economia sensível em componentes mais caros.

“Nesta década tivemos um período de muito crescimento, embora tenha decaído em 2006, em virtude da supervalorização do real, que tirou o Brasil da competitividade no mercado de exportação”, comenta Carlos Russo, diretor técnico da Adexim-Comexim, complementando que, possivelmente, o mercado de construção civil venha a apresentar maior demanda, embora esse não seja um setor que apresente consumo de produtos de alto valor agregado como as especialidades fornecidas pela empresa. “Possivelmente algumas cargas em desenvolvimento, com ênfase especial, possam vir a participar desse mercado, mas ainda são projetos. Para o nosso mercado somente um reequilíbrio pode incentivar as exportações, o que traria efeitos mais interessantes para nós”, almeja.

A Adexim-Comexim tem importado constantemente produtos de alta eficiência, como os extensores para dióxido de titânio, produtos totalmente isentos de sílicas, materiais de tamanho de partícula abaixo de 3 micra, além de outros com baixa absorção e altíssima pureza. “Com os custos de dióxido de titânio, entendo que essas cargas especiais terão cada dia maior consumo, mas presentes sempre em produtos de alta qualidade e alto valor agregado. É comum uma carga especial custar mais de três ou quatro vezes o preço de uma carga comum, mas suas propriedades justificam o custo”, analisa.

Segundo Russo, os produtos de maior desenvolvimento no mundo, atualmente, são aqueles baseados em nanotecnologia, que possuem características que justificam seu alto custo. “Procuramos nos aprofundar nessa matéria, pois estamos sempre em busca de novas opções. Além de produtos de nanotecnologia, continuamos com nossas pesquisas em outras cargas, como os extenders. É muito importante a pureza desses materiais que, embora sejam econômicos, às vezes degradam rapidamente os equipamentos de produção”, explica.

Arinos
De acordo com Anilton Flávio Ribeiro, gerente de mercado de tintas da empresa, o mercado vem apresentando crescimento consistente nos últimos anos, face aos lançamentos de diversas marcas de tintas, onde as principais inovações se referem ao tipo de produto previamente disperso para uso.

A empresa oferece ao mercado automotivo, industrial e imobiliário os produtos sulfato de bário Blanc Fixe e litopônio, que são cargas com características de pigmentação. “Este último tem poder algicida, proporciona cobertura úmida e melhora a elasticidade do filme”, informa Ribeiro, que detecta como novos nichos de mercado o segmento de autopartes e vê tendência de expansão, principalmente, na linha de tinta em pó.

Company Minérios
Calil Nassim Khalil, diretor comercial da Company Minérios, destaca o “caulim, que já traz em sua formulação o dióxido de titânio. Com isso esse mineral é constante na formulação de qualquer tipo de tinta, porém pouco utilizado atualmente devido ao esquecimento deste detalhe técnico. Em um momento bem oportuno de evolução técnica, nosso produto hoje aparece com diferencial de 4% em formulação do caulim”, anuncia ele, garantindo que o uso do caulim diminui o uso do dióxido de titânio na formulação da tinta.

Imerys
Com a recente obtenção das certificações ISO 9001, ISO 14001 e OSHAS 18000 na unidade produtora de Mogi das Cruzes (SP), além de investimentos nas unidades produtoras de caulim e carbonato de cálcio precipitado, a Imerys do Brasil consolida sua posição no mercado por meio da excelência em produtos, processos e administração de negócios.

Essa base, criada ao longo dos últimos anos, permite que a empresa detenha no Brasil as competências necessárias para a realização de desenvolvimentos de novos produtos e aplicações, assim como a atualização contínua de sua linha de produtos, em sincronismo com as mais recentes tecnologias de cargas e pigmentos do mercado mundial.

O Brasmite 400 é um exemplo desses preceitos. Trabalhando na constituição morfológica dos cristais e na curva de distribuição de partículas, a Imerys elaborou um produto desenhado para as necessidades do mercado brasileiro, que possui grande complexidade de produtos e complementos, otimizado para atender tintas dos mais diversos PVCs, aumentando sensivelmente a lavabilidade e opacidade do revestimento.

O formato esférico, inédito nos produtos utilizados pela indústria brasileira, se mostrou mais eficiente na coesão dos revestimentos, melhorando a distribuição e empacotamento das demais cargas, auxiliando na menor absorção dos polímeros, aumentando significativamente a lavabilidade e melhorando a porosidade do revestimento diminuindo manchas.

O lançamento dos produtos Brasmite 75 (slurry de GCC de alto sólidos) e Brasmite 400, além de disponibilizar no mercado nacional uma série de extenders e caulins de alta opacidade, realça o interesse da empresa em estabelecer parcerias por intermédio de produtos desenhados especialmente para cada cliente e aplicação. Além disso, oferece para a indústria nacional a realização de intercâmbios técnicos e a participação dos centros de pesquisas avançadas da Imerys (situados na Europa e Estados Unidos) e atualizações freqüentes de novas tecnologias e tendências no mercado externo.

“No mercado de papel, estamos muito perto da nanotecnologia. Não é ainda aquele tamanho de partícula menor que 0,1 micrômetro, mas já temos produtos que são vendidos a 0,4 micrômetro, fruto de engenharia de desenvolvimento específica para determinados clientes. Na área de tintas, nos posicionamos para ter e oferecer ao mercado aquilo que ele necessita ou precisa desenvolver. Recentemente, inauguramos novo laboratório na unidade de Brás Cubas, localizada em Mogi das Cruzes, justamente para atender o mercado de tintas”, assegura Mário Seixas, gerente de negócios da Imerys.

J.Reminas
Na opinião de Elaine Luciano, gerente de vendas da empresa, o mercado brasileiro, de um modo geral, se portou na média dentro das expectativas da fabricante, sem grandes surpresas. “A cada década são traçadas metas e objetivos a serem realizados e que foram alcançados em sua plenitude. Para esses dez anos, especialmente, já realizamos grandes e bons negócios”, afiança.

A linha de produtos da J.Reminas é 70% voltada para a indústria de tinta. O caulim é um bom exemplo de aprimoramento, pois proporciona significativa diminuição na utilização de dióxido de titânio e CMC nas formulações. “Nosso quartzo e nossa barita micronizada são itens que vêm ganhando fatia significativa no mercado de tintas. Temos obtido grandes elogios sobre a alvura e a densidade dessas duas cargas minerais, que têm oferecido qualidade ao produto de nossos clientes”, garante a gerente.

Elaine observa, ainda, que o segmento de minérios, assim como outros, tende a uma tecnologia de ponta, como é o caso da nanotecnologia. Essa técnica surgiu na Europa e se alastrou pelos continentes. Felizmente, após o seu início, essa nova tecnologia levou apenas 120 dias para chegar ao Brasil. “Embora no Brasil essa técnica já esteja sendo utilizada ela só se intensificará a partir do segundo semestre de 2008”, apregoa ela, completando que as tendências apontam para minérios cada vez mais finos, brancos e leves. Somando a nanotecnologia às cargas minerais, o mercado ganha inúmeras vantagens a cada aplicação. “A J.Reminas incentiva, no médio prazo, a nanotecnologia, que é a tendência dessa década. Tanto que já teremos tudo pronto para o lançamento de três produtos ainda para primeiro semestre de 2007”, anuncia.

Lagos
Em relação ao carbonato de cálcio precipitado para o segmento de tintas imobiliárias, Marcelo Reis, diretor comercial da empresa, observa que no ano passado houve manutenção do consumo em relação a 2004. “O grande desafio é permitir que o produto substitua parte do dióxido de titânio nas formulações, sem perda do poder de cobertura. É nesse sentido que a Lagos está focando seus desenvolvimentos”, divulga.

Em relação a esta década, Reis comenta que foi percebido aumento de consumo em razão de mudanças nas formulações das tintas, buscando a redução de custos sem perder a qualidade do produto final. “Nós, da Lagos, entendemos que tem havido esforço dos governos em equacionar o déficit habitacional, criando condições de financiamentos e reduzindo alguns impostos de materiais de construção para incentivar a compra, construção e reforma da casa própria, porém acreditamos que ainda temos muitas oportunidades a serem avaliadas e postas em prática para resolver este déficit.”

A Lagos entrou no mercado em maio de 2004 com uma fábrica moderna, automatizada e com possibilidades de melhorar o conceito, o uso e a aplicação do carbonato de cálcio precipitado. Atualmente, a empresa conta com dois produtos destinados à aplicação em tintas: o Carbolag 15 e o Carbolag 15 Plus, que atuam como extensores do titânio e de algumas formulações, substituindo esta matéria-prima. Conta também com uma equipe muito experiente na produção de CCP para indústria de tintas, e pretende, ainda este ano, lançar um produto que, além de melhorar o poder de cobertura, melhorará também a performance do produto, aumentando a produtividade da tinta.

“Temos que entender que nem sempre o que é lançado no exterior, em relação a carbonato de cálcio precipitado condiz com a realidade brasileira. Aqui temos condições de mercado e outras variáveis que não são iguais às de países com melhores índices desenvolvimentistas e, portanto, posso afirmar que nós temos o que há de mais moderno em termos de carbonato de cálcio precipitado para a indústria de tintas”, enfatiza.

De acordo com o profissional, a tendência do carbonato de cálcio precipitado é de que ele possa substituir cada vez mais o dióxido de titânio nas formulações de tintas e, nesse sentido, a Lagos tem investido em pesquisa e desenvolvimento para oferecer ao mercado esta possibilidade. “Juntamente com nossos investidores, acreditamos no crescimento do mercado. Este ano investimos na duplicação de nossa fábrica localizada em Arcos (MG) e, em setembro, partimos para mais uma etapa de ampliação, a fim de manter sua liderança conquistada recentemente neste mercado”, explana Reis, enfatizando ainda que a Lagos tem orgulho de ser uma empresa 100% nacional e ter sido considerada, por um dos maiores conhecedores de unidades de carbonato de cálcio precipitado do mundo, como a melhor e mais moderna unidades que ele já tinha visitado.

Lamil
Sérgio Lage, diretor executivo, da Lamil verifica que o mercado no ano de 2005 foi positivo, embora o crescimento tenha sido um pouco menor do que o projetado. “Além do cenário macroeconômico, com juros altos, real valorizado etc., cenário este que não mudou nos últimos meses, não podemos nos esquecer que no segundo semestre do ano passado estávamos no auge da “crise do mensalão”, o que trouxe um clima muito  desfavorável para o ambiente de negócios”, analisa.
Mas, de um modo geral, Lage observa que a década tem sido extremamente positiva, com resultados acima do previsto. As exceções foram 2003, primeiro ano do governo Lula, e 2005.

“A busca  de nichos específicos dentro do mercado de tintas e em outros segmentos tem contribuído significativamente para o crescimento do nosso negócio”, explana ele, comentando que existem alguns segmentos da economia, também usuários de produtos minerais, que têm apresentado crescimentos mais expressivos que a indústria de tintas ao longo deste ano. “Como todos sabem, a curva de sazonalidade do mercado de tintas tem uma tendência de forte crescimento ao longo do segundo semestre. Já estamos sentindo esse aquecimento a partir do mês de julho. No curto prazo é a tendência normal do mercado”, aponta.

No médio e longo prazos, Lage aposta que todas as medidas citadas acima devem trazer reflexos extremamente favoráveis para a construção civil e, conseqüentemente, para a indústria de tintas imobiliárias. Essas medidas têm tempo de maturação mais longo e, como as tintas entram na fase de acabamento das obras, os reflexos passarão a ser sentidos com maior intensidade no médio prazo.

A Lamil possui ampla linha de produtos destinados ao mercado de tintas, que são utilizados em tintas imobiliárias à base d’água e solventes, tintas para piso e demarcação viária, tintas para madeira e tintas industriais. “O formato lamelar das partículas do algamatolito, fornecido pela Lamil, conferem à tinta uma melhor estabilidade, auxílio à tixotropia, redução de respingos e escorrimentos, proporcionando um melhor acabamento. Sua fácil umectação e dispersão possibilitam a otimização do processo, reduzindo custos”, acentua Lage.

Ele confessa ainda que os produtores de minerais dos países desenvolvidos estão alguns passos à frente do Brasil, em termos de processamento mineral. A grande maioria dos equipamentos de micronização utilizados aqui são cópias de equipamentos europeus de gerações anteriores. A tecnologia está disponível, porém ainda é necessário equacionar o alto custo de investimento com a realidade econômica do País, onde existe uma demanda ainda relativamente baixa de produtos mais evoluídos que, conseqüentemente, têm um custo de produção mais elevado.

O mercado está em busca de inovações tecnológicas e de novos produtos que otimizem os processos produtivos e propiciem significativas reduções de custo das formulações. “A Lamil sempre direciona seus esforços no desenvolvimento de produtos que estejam adequados às necessidades do mercado de tintas e que otimizem a relação custo/benefício para o cliente. Recentemente adquirimos novo equipamento de processamento mineral, que já está em fase de start up. Em breve lançaremos um novo produto também para o mercado de tintas”, apregoa ele, anunciando ainda que a empresa tem um plano de expansão da capacidade produtiva e de atualização do seu processo produtivo com a substituição de alguns equipamentos por outros com tecnologia mais atual. “Esse plano está inserido dentro do planejamento estratégico da empresa para os próximos anos e já está sendo colocado em prática”, finaliza.

Mineração São Judas
“O mercado de tintas está com crescimento próximo ao crescimento do PIB nacional, uma evolução ínfima perante o setor de reformas e construções, que tem grande potencial de crescimento, embora não haja incentivo governamental”, lamenta Fábio Pires Leal, diretor técnico da empresa.

Segundo ele, os pacotes de incentivo à construção civil foram editados agora, antes das eleições e deverão repercutir no final de 2007 para o mercado de tintas, que deverá apresentar um crescimento acentuado. “Isso, se perdurarem e aumentarem as facilidades financeiras para as reformas e construções, puxando, portanto, o consumo de aditivos minerais em geral”, salienta.

Atualmente, a Mineração São Judas desenvolve como aditivos às tintas, slurries de carbonatos lamelares e talcos com alta alvura, que conferem às tintas imobiliárias alta cobertura a úmido e a seco, bem como alta lavabilidade, contribuindo, portanto, com melhorias nas propriedades das tintas imobiliárias. Estes slurries são aditivados às calcitas e dolomitas, que são utilizadas normalmente nas malhas 325 meshes com a finalidade de conferir propriedades de alvura, cobertura a úmido e a seco e lavabilidade. “No mundo, as cargas ou aditivos minerais tendem a ser micronizadas com diâmetros médios variando de 1 micra a 3 micra, que conferem a esses aditivos minerais, propriedades e características interessantes ao seu uso nos diversos ramos como tintas, plásticos, papel, entre outros”, relaciona Leal.

Nesse sentido, a empresa procura desenvolver sempre aditivos minerais com maiores alvuras e micronizados, com menores diâmetros médios, obedecendo a essa tendência. “Qualquer firma que beneficia minérios industriais tem que estar sempre desenvolvendo trabalhos com novos minérios, com a moagem e micronização de minérios industriais, bem como adaptar o seu uso nos diversos ramos industriais, inclusive com a cobertura das partículas”, conclui.

Minérios Ouro Branco
José Carlos Bartholi, diretor comercial, comenta que houve melhora significativa no que se refere a produtos e serviços aos consumidores de aditivos minerais. Já em termos econômicos, o mercado teve uma década regular, com alguns poucos bons anos contra mais anos ruins, crises econômicas, ou mesmo estagnação como a que o setor vivencia atualmente. “Aqui, na Ouro Branco, a década foi muito boa, mas em face dos desenvolvimentos efetuados, que nos garantiram ganho de mercado. Resultado de uma política agressiva de venda, lastreada a uma assistência técnica de primeira linha. Nosso crescimento individual é resultado de um esforço unilateral e não do mercado”, orgulha-se.

Em médio e longo prazo, Bartholi comenta que as expectativas são as mesmas que as atuais, ou seja, crescimento sustentado e em um patamar necessário. Algo como o crescimento do PIB, num valor mínimo de 6%, para absorver a mão-de-obra, só ocorrerá com mudanças tributárias, trabalhistas, judiciárias e previdenciárias. “Fora isso vamos sempre discutir o sexo dos anjos, ficar falando em crescimento que nunca vem e que nunca virá com o modelo atual. O que temos hoje no Brasil é um crescimento inercial em face ao crescimento mundial, puxado pela China na área de commodities, onde o Brasil se sobressai. Só crescemos mais que o Haiti na América Latina. Então a esperança só será melhor quando começarmos a mudar a estrutura vigente. Enquanto isso, vamos patinando e ficando para trás no cenário mundial”, lamenta.

O mercado de tintas tem procurado otimizar o uso de especialidades, com produtos que exerçam mais de uma função na formulação e as cargas minerais seguem essa tendência. Esse tem sido o diferencial que tem colocado a Ouro Branco na vanguarda do mercado. A empresa tem aprimorado seus produtos para atender a essa demanda crescente no mercado de tintas. As funções básicas de cobertura e brancura hoje estão associadas a lavabilidade, dispersão e amarelamento, que até tempos atrás tinham importância menor. “Nossa linha tem avançado nessas solicitações, com produtos mais estáveis e de melhor performance”.

Para Bartholi, a tendência está centrada na capacidade de o mineral exercer múltiplas funções e reduzir ao máximo a utilização de dióxido de titânio nas tintas, para ganho de competitividade. Seguindo essa premissa, a Ouro Branco lançará uma linha de extender em 2007 para atender essa demanda.

Mocal
Vilson Carlos Gomes Coelho, gerente-geral da empresa, observa que o mercado se portou regularmente, com crescimento em torno de 10% ao ano, mas aguarda incremento maior para o fechamento da década. “Esperamos fechar o ano de 2006, com expressivo crescimento. Não conseguimos identificar se essa expectativa é em função dessa política ou em virtude do crescimento de renda nas faixas C e D, que consomem os produtos de segunda e terceira linhas, nos quais são utilizadas mais cargas minerais.”

Seguindo o raciocínio da otimização, Coelho conclui que os materiais fornecidos pela Mocal exerçam dupla função, proporcionando ótima qualidade às tintas e garantindo alta rentabilidade ao fabricante. Nesse aspecto, ele cita a linha de micronizados da empresa, com partículas em torno de 2,5 micra, também muito utilizadas em plásticos e tubos de PVC. “Estamos nos preparando para oferecer ao mercado os carbonatos micronizados, proporcionando ao consumidor maior segurança em relação às quantidades, razão pela qual estamos investindo na otimização das jazidas, atendendo às crescentes exigências ambientais”, informa Coelho, anunciando que, para o ano de 2007, a Mocal planeja um acréscimo de 20% em sua capacidade produtiva, com instalação de novos equipamentos, intensificando a capacidade de produção de partículas micronizadas.

 
 
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