Analisando
os últimos anos do mercado de cargas minerais,
direcionado para o segmento de tintas imobiliárias,
o que podemos perceber é que, ao mesmo tempo que
o setor veio se profissionalizando e crescendo em termos
de tecnologia e mercado, pouco teve a lucrar com as ações
– quando houve – do governo.
As
margens de aumento de consumo foram obtidas mais por ações
internas das empresas do que por programas de incentivo.
Pelo
contrário, fatores como queda acentuada do dólar,
juros altos, aumento da tributação, além
de outras variáveis econômicas, fizeram com
que o mercado passasse a última década intercalando
altos e baixos, beirando a estagnação.
Para
exemplificar essa situação, podemos entrar
no túnel do tempo e desembocar em 2002, quando
em matéria publicada pela revista Paint & Pintura
os produtores já reportavam, no primeiro trimestre,
retração de consumo e estoques altos, embora
ainda estivessem otimistas para o restante do ano.
Retornando
a 2006, o que percebemos é que a única situação
alterada nestes últimos anos é o fato de
o otimismo das empresas estar baseado na confiança
do desempenho de seus produtos, serviços e política
de atuação do que nos projetos acenados
pelo governo.
É
ponto pacífico no mercado de cargas minerais que
somente a execução de políticas claras
e ações mais firmes, que levem a uma real
redução das taxas de juros e das altas cargas
de impostos, poderá efetivamente auxiliar no tão
esperado aumento de consumo.
“A
redução da taxa de juros não se mostra
efetiva na prática e ainda temos um patamar muito
alto para que o mercado reaja de forma imediata. Estamos
vivendo um momento de estagnação econômica,
baixo crescimento, onde a sobrevivência passa pela
inovação e oferta de produtos e serviços
superiores”, reflete José Carlos Bartholi,
diretor comercial da Minérios Ouro Branco.
Mesmo
os pacotes de incentivo à construção
civil são vistos com reserva pelo mercado. Enquanto
uns apostam em crescimento acentuado no consumo de tintas,
outros voltam a afirmar que essa é uma atitude
isolada que pouco ajudará em um aumento realmente
representativo para o setor. “Esses incentivos são
apenas paliativos. No nível que o mercado de construção
civil se encontra, isso inviabiliza o aquecimento do segmento,
que esteve por longos anos estagnado. Apenas a redução
de impostos para todos os segmentos provocaria grande
aquecimento no mercado industrial brasileiro”, declara
Elaine Luciano, gerente de vendas da J.Reminas.
Outro
ponto levantado pelo setor é o de que o mercado
ainda não é receptivo em relação
ao consumo, ou seja, ainda há uma concepção
errônea quando se fala em custo/benefício
do produto elaborado. “O mercado ainda consome pelo
preço e não pelo custo benefício
proporcionado pela qualidade. As empresas ainda priorizam
aparência e não a durabilidade e lavabilidade
do produto”, aponta Calil Nassim Khalil, diretor
comercial da Company Minérios.
Em
vista desses fatores do mercado, a Paint & Pintura
convidou os principais players desse mercado para analisarem
o setor e mostrarem as inovações em termos
de tecnologia e serviços que essas empresas colocam
à disposição do mercado de tintas.
Confira!
Adexim-Comexim
A empresa observa que o ano de 2005 propiciou grande aumento
de demanda principalmente de cargas especiais, especialidade
da Adexim-Comexim, como extensores de dióxido de
titânio ou cargas muito finas e de baixa absorção,
que possibilitaram às empresas consumidoras economia
sensível em componentes mais caros.
“Nesta
década tivemos um período de muito crescimento,
embora tenha decaído em 2006, em virtude da supervalorização
do real, que tirou o Brasil da competitividade no mercado
de exportação”, comenta Carlos Russo,
diretor técnico da Adexim-Comexim, complementando
que, possivelmente, o mercado de construção
civil venha a apresentar maior demanda, embora esse não
seja um setor que apresente consumo de produtos de alto
valor agregado como as especialidades fornecidas pela
empresa. “Possivelmente algumas cargas em desenvolvimento,
com ênfase especial, possam vir a participar desse
mercado, mas ainda são projetos. Para o nosso mercado
somente um reequilíbrio pode incentivar as exportações,
o que traria efeitos mais interessantes para nós”,
almeja.
A
Adexim-Comexim tem importado constantemente produtos de
alta eficiência, como os extensores para dióxido
de titânio, produtos totalmente isentos de sílicas,
materiais de tamanho de partícula abaixo de 3 micra,
além de outros com baixa absorção
e altíssima pureza. “Com os custos de dióxido
de titânio, entendo que essas cargas especiais terão
cada dia maior consumo, mas presentes sempre em produtos
de alta qualidade e alto valor agregado. É comum
uma carga especial custar mais de três ou quatro
vezes o preço de uma carga comum, mas suas propriedades
justificam o custo”, analisa.
Segundo
Russo, os produtos de maior desenvolvimento no mundo,
atualmente, são aqueles baseados em nanotecnologia,
que possuem características que justificam seu
alto custo. “Procuramos nos aprofundar nessa matéria,
pois estamos sempre em busca de novas opções.
Além de produtos de nanotecnologia, continuamos
com nossas pesquisas em outras cargas, como os extenders.
É muito importante a pureza desses materiais que,
embora sejam econômicos, às vezes degradam
rapidamente os equipamentos de produção”,
explica.
Arinos
De acordo com Anilton Flávio Ribeiro, gerente de
mercado de tintas da empresa, o mercado vem apresentando
crescimento consistente nos últimos anos, face
aos lançamentos de diversas marcas de tintas, onde
as principais inovações se referem ao tipo
de produto previamente disperso para uso.
A
empresa oferece ao mercado automotivo, industrial e imobiliário
os produtos sulfato de bário Blanc Fixe e litopônio,
que são cargas com características de pigmentação.
“Este último tem poder algicida, proporciona
cobertura úmida e melhora a elasticidade do filme”,
informa Ribeiro, que detecta como novos nichos de mercado
o segmento de autopartes e vê tendência de
expansão, principalmente, na linha de tinta em
pó.
Company
Minérios
Calil Nassim Khalil, diretor comercial da Company Minérios,
destaca o “caulim, que já traz em sua formulação
o dióxido de titânio. Com isso esse mineral
é constante na formulação de qualquer
tipo de tinta, porém pouco utilizado atualmente
devido ao esquecimento deste detalhe técnico. Em
um momento bem oportuno de evolução técnica,
nosso produto hoje aparece com diferencial de 4% em formulação
do caulim”, anuncia ele, garantindo que o uso do
caulim diminui o uso do dióxido de titânio
na formulação da tinta.
Imerys
Com a recente obtenção das certificações
ISO 9001, ISO 14001 e OSHAS 18000 na unidade produtora
de Mogi das Cruzes (SP), além de investimentos
nas unidades produtoras de caulim e carbonato de cálcio
precipitado, a Imerys do Brasil consolida sua posição
no mercado por meio da excelência em produtos, processos
e administração de negócios.
Essa
base, criada ao longo dos últimos anos, permite
que a empresa detenha no Brasil as competências
necessárias para a realização de
desenvolvimentos de novos produtos e aplicações,
assim como a atualização contínua
de sua linha de produtos, em sincronismo com as mais recentes
tecnologias de cargas e pigmentos do mercado mundial.
O
Brasmite 400 é um exemplo desses preceitos. Trabalhando
na constituição morfológica dos cristais
e na curva de distribuição de partículas,
a Imerys elaborou um produto desenhado para as necessidades
do mercado brasileiro, que possui grande complexidade
de produtos e complementos, otimizado para atender tintas
dos mais diversos PVCs, aumentando sensivelmente a lavabilidade
e opacidade do revestimento.
O
formato esférico, inédito nos produtos utilizados
pela indústria brasileira, se mostrou mais eficiente
na coesão dos revestimentos, melhorando a distribuição
e empacotamento das demais cargas, auxiliando na menor
absorção dos polímeros, aumentando
significativamente a lavabilidade e melhorando a porosidade
do revestimento diminuindo manchas.
O
lançamento dos produtos Brasmite 75 (slurry de
GCC de alto sólidos) e Brasmite 400, além
de disponibilizar no mercado nacional uma série
de extenders e caulins de alta opacidade, realça
o interesse da empresa em estabelecer parcerias por intermédio
de produtos desenhados especialmente para cada cliente
e aplicação. Além disso, oferece
para a indústria nacional a realização
de intercâmbios técnicos e a participação
dos centros de pesquisas avançadas da Imerys (situados
na Europa e Estados Unidos) e atualizações
freqüentes de novas tecnologias e tendências
no mercado externo.
“No
mercado de papel, estamos muito perto da nanotecnologia.
Não é ainda aquele tamanho de partícula
menor que 0,1 micrômetro, mas já temos produtos
que são vendidos a 0,4 micrômetro, fruto
de engenharia de desenvolvimento específica para
determinados clientes. Na área de tintas, nos posicionamos
para ter e oferecer ao mercado aquilo que ele necessita
ou precisa desenvolver. Recentemente, inauguramos novo
laboratório na unidade de Brás Cubas, localizada
em Mogi das Cruzes, justamente para atender o mercado
de tintas”, assegura Mário Seixas, gerente
de negócios da Imerys.
J.Reminas
Na opinião de Elaine Luciano, gerente de vendas
da empresa, o mercado brasileiro, de um modo geral, se
portou na média dentro das expectativas da fabricante,
sem grandes surpresas. “A cada década são
traçadas metas e objetivos a serem realizados
e que foram alcançados em sua plenitude. Para esses
dez anos, especialmente, já realizamos grandes
e bons negócios”, afiança.
A
linha de produtos da J.Reminas é 70% voltada para
a indústria de tinta. O caulim é um bom
exemplo de aprimoramento, pois proporciona significativa
diminuição na utilização de
dióxido de titânio e CMC nas formulações.
“Nosso quartzo e nossa barita micronizada são
itens que vêm ganhando fatia significativa no mercado
de tintas. Temos obtido grandes elogios sobre a alvura
e a densidade dessas duas cargas minerais, que têm
oferecido qualidade ao produto de nossos clientes”,
garante a gerente.
Elaine
observa, ainda, que o segmento de minérios, assim
como outros, tende a uma tecnologia de ponta, como é
o caso da nanotecnologia. Essa técnica surgiu na
Europa e se alastrou pelos continentes. Felizmente, após
o seu início, essa nova tecnologia levou apenas
120 dias para chegar ao Brasil. “Embora no Brasil
essa técnica já esteja sendo utilizada ela
só se intensificará a partir do segundo
semestre de 2008”, apregoa ela, completando que
as tendências apontam para minérios cada
vez mais finos, brancos e leves. Somando a nanotecnologia
às cargas minerais, o mercado ganha inúmeras
vantagens a cada aplicação. “A J.Reminas
incentiva, no médio prazo, a nanotecnologia, que
é a tendência dessa década. Tanto
que já teremos tudo pronto para o lançamento
de três produtos ainda para primeiro semestre de
2007”, anuncia.
Lagos
Em relação ao carbonato de cálcio
precipitado para o segmento de tintas imobiliárias,
Marcelo Reis, diretor comercial da empresa, observa que
no ano passado houve manutenção do
consumo em relação a 2004. “O grande
desafio é permitir que o produto substitua parte
do dióxido de titânio nas formulações,
sem perda do poder de cobertura. É nesse sentido
que a Lagos está focando seus desenvolvimentos”,
divulga.
Em
relação a esta década, Reis comenta
que foi percebido aumento de consumo em razão
de mudanças nas formulações das tintas,
buscando a redução de custos sem perder
a qualidade do produto final. “Nós, da Lagos,
entendemos que tem havido esforço dos governos
em equacionar o déficit habitacional, criando condições
de financiamentos e reduzindo alguns impostos de
materiais de construção para incentivar
a compra, construção e reforma da casa própria,
porém acreditamos que ainda temos muitas oportunidades a
serem avaliadas e postas em prática para resolver
este déficit.”
A
Lagos entrou no mercado em maio de 2004 com uma fábrica
moderna, automatizada e com possibilidades de melhorar
o conceito, o uso e a aplicação do carbonato
de cálcio precipitado. Atualmente, a empresa conta
com dois produtos destinados à aplicação
em tintas: o Carbolag 15 e o Carbolag 15 Plus, que atuam
como extensores do titânio e de algumas formulações,
substituindo esta matéria-prima. Conta também
com uma equipe muito experiente na produção
de CCP para indústria de tintas, e pretende, ainda
este ano, lançar um produto que, além de
melhorar o poder de cobertura, melhorará também
a performance do produto, aumentando a produtividade da
tinta.
“Temos
que entender que nem sempre o que é lançado
no exterior, em relação a carbonato de cálcio
precipitado condiz com a realidade brasileira. Aqui temos
condições de mercado e outras variáveis
que não são iguais às de países
com melhores índices desenvolvimentistas e, portanto,
posso afirmar que nós temos o que há de
mais moderno em termos de carbonato de cálcio precipitado
para a indústria de tintas”, enfatiza.
De
acordo com o profissional, a tendência do carbonato
de cálcio precipitado é de que ele possa
substituir cada vez mais o dióxido de titânio
nas formulações de tintas e, nesse sentido,
a Lagos tem investido em pesquisa e desenvolvimento para
oferecer ao mercado esta possibilidade. “Juntamente
com nossos investidores, acreditamos no crescimento do
mercado. Este ano investimos na duplicação
de nossa fábrica localizada em Arcos (MG) e, em
setembro, partimos para mais uma etapa de ampliação, a
fim de manter sua liderança conquistada recentemente
neste mercado”, explana Reis, enfatizando ainda
que a Lagos tem orgulho de ser uma empresa 100% nacional
e ter sido considerada, por um dos maiores conhecedores
de unidades de carbonato de cálcio precipitado
do mundo, como a melhor e mais moderna unidades que ele
já tinha visitado.
Lamil
Sérgio Lage, diretor executivo, da Lamil verifica
que o mercado no ano de 2005 foi positivo, embora o crescimento
tenha sido um pouco menor do que o projetado. “Além
do cenário macroeconômico, com juros altos,
real valorizado etc., cenário este que não
mudou nos últimos meses, não podemos nos
esquecer que no segundo semestre do ano passado estávamos
no auge da “crise do mensalão”, o que
trouxe um clima muito desfavorável para o
ambiente de negócios”, analisa.
Mas, de um modo geral, Lage observa que a década
tem sido extremamente positiva, com resultados acima do
previsto. As exceções foram 2003, primeiro
ano do governo Lula, e 2005.
“A
busca de nichos específicos dentro do mercado
de tintas e em outros segmentos tem contribuído
significativamente para o crescimento do nosso negócio”,
explana ele, comentando que existem alguns segmentos da
economia, também usuários de produtos minerais,
que têm apresentado crescimentos mais expressivos
que a indústria de tintas ao longo deste ano. “Como
todos sabem, a curva de sazonalidade do mercado de tintas
tem uma tendência de forte crescimento ao longo
do segundo semestre. Já estamos sentindo esse aquecimento
a partir do mês de julho. No curto prazo é
a tendência normal do mercado”, aponta.
No
médio e longo prazos, Lage aposta que todas as
medidas citadas acima devem trazer reflexos extremamente
favoráveis para a construção civil
e, conseqüentemente, para a indústria de tintas
imobiliárias. Essas medidas têm tempo de
maturação mais longo e, como as tintas entram
na fase de acabamento das obras, os reflexos passarão
a ser sentidos com maior intensidade no médio prazo.
A
Lamil possui ampla linha de produtos destinados ao mercado
de tintas, que são utilizados em tintas imobiliárias
à base d’água e solventes, tintas
para piso e demarcação viária, tintas
para madeira e tintas industriais. “O formato lamelar
das partículas do algamatolito, fornecido pela
Lamil, conferem à tinta uma melhor estabilidade,
auxílio à tixotropia, redução
de respingos e escorrimentos, proporcionando um melhor
acabamento. Sua fácil umectação e
dispersão possibilitam a otimização
do processo, reduzindo custos”, acentua Lage.
Ele
confessa ainda que os produtores de minerais dos países
desenvolvidos estão alguns passos à frente
do Brasil, em termos de processamento mineral. A grande
maioria dos equipamentos de micronização
utilizados aqui são cópias de equipamentos
europeus de gerações anteriores. A tecnologia
está disponível, porém ainda é
necessário equacionar o alto custo de investimento
com a realidade econômica do País, onde existe
uma demanda ainda relativamente baixa de produtos mais
evoluídos que, conseqüentemente, têm
um custo de produção mais elevado.
O
mercado está em busca de inovações
tecnológicas e de novos produtos que otimizem
os processos produtivos e propiciem significativas reduções
de custo das formulações. “A Lamil
sempre direciona seus esforços no desenvolvimento
de produtos que estejam adequados às necessidades
do mercado de tintas e que otimizem a relação
custo/benefício para o cliente. Recentemente adquirimos
novo equipamento de processamento mineral, que já
está em fase de start up. Em breve lançaremos
um novo produto também para o mercado de tintas”,
apregoa ele, anunciando ainda que a empresa tem um plano
de expansão da capacidade produtiva e de atualização
do seu processo produtivo com a substituição
de alguns equipamentos por outros com tecnologia mais
atual. “Esse plano está inserido dentro do
planejamento estratégico da empresa para os próximos
anos e já está sendo colocado em prática”,
finaliza.
Mineração
São Judas
“O mercado de tintas está com crescimento
próximo ao crescimento do PIB nacional, uma evolução
ínfima perante o setor de reformas e construções,
que tem grande potencial de crescimento, embora não
haja incentivo governamental”, lamenta Fábio
Pires Leal, diretor técnico da empresa.
Segundo
ele, os pacotes de incentivo à construção
civil foram editados agora, antes das eleições
e deverão repercutir no final de 2007 para o mercado
de tintas, que deverá apresentar um crescimento
acentuado. “Isso, se perdurarem e aumentarem as
facilidades financeiras para as reformas e construções,
puxando, portanto, o consumo de aditivos minerais em geral”,
salienta.
Atualmente,
a Mineração São Judas desenvolve
como aditivos às tintas, slurries de carbonatos
lamelares e talcos com alta alvura, que conferem às
tintas imobiliárias alta cobertura a úmido
e a seco, bem como alta lavabilidade, contribuindo, portanto,
com melhorias nas propriedades das tintas imobiliárias.
Estes slurries são aditivados às calcitas
e dolomitas, que são utilizadas normalmente nas
malhas 325 meshes com a finalidade de conferir propriedades
de alvura, cobertura a úmido e a seco e lavabilidade.
“No mundo, as cargas ou aditivos minerais tendem
a ser micronizadas com diâmetros médios variando
de 1 micra a 3 micra, que conferem a esses aditivos minerais,
propriedades e características interessantes ao
seu uso nos diversos ramos como tintas, plásticos,
papel, entre outros”, relaciona Leal.
Nesse
sentido, a empresa procura desenvolver sempre aditivos
minerais com maiores alvuras e micronizados, com menores
diâmetros médios, obedecendo a essa tendência.
“Qualquer firma que beneficia minérios industriais
tem que estar sempre desenvolvendo trabalhos com novos
minérios, com a moagem e micronização
de minérios industriais, bem como adaptar o seu
uso nos diversos ramos industriais, inclusive com a cobertura
das partículas”, conclui.
Minérios
Ouro Branco
José Carlos Bartholi, diretor comercial, comenta
que houve melhora significativa no que se refere a produtos
e serviços aos consumidores de aditivos minerais.
Já em termos econômicos, o mercado teve uma
década regular, com alguns poucos bons anos contra
mais anos ruins, crises econômicas, ou mesmo estagnação
como a que o setor vivencia atualmente. “Aqui, na
Ouro Branco, a década foi muito boa, mas em face
dos desenvolvimentos efetuados, que nos garantiram ganho
de mercado. Resultado de uma política agressiva
de venda, lastreada a uma assistência técnica
de primeira linha. Nosso crescimento individual é
resultado de um esforço unilateral e não
do mercado”, orgulha-se.
Em
médio e longo prazo, Bartholi comenta que as expectativas
são as mesmas que as atuais, ou seja, crescimento
sustentado e em um patamar necessário. Algo como
o crescimento do PIB, num valor mínimo de 6%, para
absorver a mão-de-obra, só ocorrerá
com mudanças tributárias, trabalhistas,
judiciárias e previdenciárias. “Fora
isso vamos sempre discutir o sexo dos anjos, ficar falando
em crescimento que nunca vem e que nunca virá com
o modelo atual. O que temos hoje no Brasil é um
crescimento inercial em face ao crescimento mundial, puxado
pela China na área de commodities, onde o Brasil
se sobressai. Só crescemos mais que o Haiti na
América Latina. Então a esperança
só será melhor quando começarmos
a mudar a estrutura vigente. Enquanto isso, vamos patinando
e ficando para trás no cenário mundial”,
lamenta.
O
mercado de tintas tem procurado otimizar o uso de especialidades,
com produtos que exerçam mais de uma função
na formulação e as cargas minerais seguem
essa tendência. Esse tem sido o diferencial que
tem colocado a Ouro Branco na vanguarda do mercado. A
empresa tem aprimorado seus produtos para atender a essa
demanda crescente no mercado de tintas. As funções
básicas de cobertura e brancura hoje estão
associadas a lavabilidade, dispersão e amarelamento,
que até tempos atrás tinham importância
menor. “Nossa linha tem avançado nessas solicitações,
com produtos mais estáveis e de melhor performance”.
Para
Bartholi, a tendência está centrada na capacidade
de o mineral exercer múltiplas funções
e reduzir ao máximo a utilização
de dióxido de titânio nas tintas, para ganho
de competitividade. Seguindo essa premissa, a Ouro Branco
lançará uma linha de extender em 2007 para
atender essa demanda.
Mocal
Vilson Carlos Gomes Coelho, gerente-geral da empresa,
observa que o mercado se portou regularmente, com crescimento
em torno de 10% ao ano, mas aguarda incremento maior para
o fechamento da década. “Esperamos fechar
o ano de 2006, com expressivo crescimento. Não
conseguimos identificar se essa expectativa é em
função dessa política ou em virtude
do crescimento de renda nas faixas C e D, que consomem
os produtos de segunda e terceira linhas, nos quais são
utilizadas mais cargas minerais.”
Seguindo
o raciocínio da otimização, Coelho
conclui que os materiais fornecidos pela Mocal exerçam
dupla função, proporcionando ótima
qualidade às tintas e garantindo alta rentabilidade
ao fabricante. Nesse aspecto, ele cita a linha de micronizados
da empresa, com partículas em torno de 2,5 micra,
também muito utilizadas em plásticos e tubos
de PVC. “Estamos nos preparando para oferecer ao
mercado os carbonatos micronizados, proporcionando ao
consumidor maior segurança em relação
às quantidades, razão pela qual estamos
investindo na otimização das jazidas, atendendo
às crescentes exigências ambientais”,
informa Coelho, anunciando que, para o ano de 2007, a
Mocal planeja um acréscimo de 20% em sua capacidade
produtiva, com instalação de novos
equipamentos, intensificando a capacidade de produção
de partículas micronizadas. |