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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 105 - Pigmentos Anticorrosivos
 
Mercado sem oxidação
 
Servindo a um mercado que começa a se aquecer, devido às obras de ampliação da rede ferroviária, com destaque para os metrôs, crescimento dos negócios petroquímicos, ampliação dos investimentos em geração de energia, com ênfase ao setor elétrico, além de reaquecimento da construção civil, embalados no pacote governamental, o pigmento anticorrosivo vem apresentando boa demanda, mas precisa se adequar às exigências ambientais e de mercado.
 
Fábio Sabbag
 

Independentemente de ser aplicado no estado líquido, pastoso ou em pó, todo revestimento é responsável por uma função predeterminada. E há produtos para cada tipo de necessidade. Ao assimilar informações e tentar conhecer o que o mercado oferece, o consumidor pode estar certo de que o investimento se justifica e garante vantagens.

Saindo da teoria e migrando à prática, claro que desenvolver tintas não é um conceito simples. Chegar na cor correta, alcançar a viscosidade ideal e combater proliferação de fungos e bactérias ou impedir a oxidação do substrato metálico, entre outros obstáculos, exige escolha de matérias-primas confiáveis. Sustenta-se no cenário competitivo atual quem consegue manter elevado padrão de qualidade. Por isso, os envolvidos na cadeia produtiva do setor tinteiro criam pigmentos especiais, como é o caso dos anticorrosivos.

Responsáveis pela proteção de estruturas metálicas que precisam ter grande vida útil, como as utilizadas na construção civil, nas estações ferroviárias e de metrô, nas torres de distribuição de energia, em empresas petroquímicas, entre outras, esses pigmentos podem ser metálicos ou não-metálicos. Mas, em qualquer das apresentações, são a substância mais importante na formulação dessas tintas, respondendo por grande peso, muitas vezes literalmente, no produto final.

Entretanto, alguns problemas assombram esse mercado. Entre eles está a normatização antiga em relação aos produtos a serem empregados em aplicações específicas, como os fornecidos à Petrobrás, um dos maiores consumidores dessa tinta no Brasil. Outro entrave é o referente ao uso de metais pesados, abolidos por causa das propriedades cancerígenas.

Cada vez mais são necessários produtos que, além de atenderem regras e legislações ambientais, impossibilitem a infiltração de reagentes destrutivos, fenômenos climáticos e principalmente a corrosão. Ao cumprir exatamente três importantes obrigações – decoração, segurança e proteção –, a tinta consegue transmitir um grau de confiabilidade extremo ao usuário. Do mesmo modo que protege objetos e materiais da ação do tempo e da corrosão, a tinta conserva durante longos anos patrimônios culturais e históricos, entre outros.

É por isso que tecnologia e desenvolvimento ficam constantemente em pauta nesse segmento. Mesmo quando a pintura é visível – como na fachada de um prédio –, não é comum ouvir que determinada construção é bela devido ao revestimento aplicado; o consumidor se habituou a elogiar o novo e na maioria das vezes se esquece do confiável, ou seja, aquele revestimento que durará anos e anos até ser restaurado. A situação se torna ainda mais complicada quando a pintura é interna, como a das latas de bebidas. É quase impossível o consumidor atentar para o fato de que, internamente, junto ao liquido que ingere, há um revestimento que possibilita sua armazenagem e tempo de validade.

“Conseguimos dividir os pigmentos anticorrosivos em metálicos e não-metálicos. No caso dos metálicos, são chamados de pigmentos que atuam contra corrosão por sacrifício, ou seja, no lugar daquele metal que a tinta está protegendo, quem vai para a reação com o oxigênio é o metal do pigmento. No lugar do ferro, por exemplo, o pigmento reage e permite a preservação do substrato por mais tempo. Os não-metálicos, geralmente, são sais metálicos ou até óxidos metálicos que impedem que o oxigênio consiga reagir com o metal, porque serão preferencialmente mais reativos que o substrato. Por serem apenas esses dois grupos de produtos que desempenham a função anticorrosiva, são poucos os fabricantes em nível mundial. No caso dos materiais não-metálicos, nos referimos principalmente aos fosfatos, que têm a característica de proteger a oxidação”, ensina Gerson de Almeida, coordenador regional de aplicação em tintas e vernizes da Clariant.

Para Harry Heise, diretor da Foscher, de uma maneira geral, as tintas industrias – incluindo também tintas em pó – e automotivas são as que utilizam o maior volume de anticorrosivos. “Os pigmentos anticorrosivos são utilizados amplamente pelo mercado. Não se trata de uso pontual, mas ainda há espaço para aumento de demanda. Entendemos que o mercado passará por uma fase de reformulação, buscando produtos de maior performance, o que significa, para nós, que temos os produtos mais revolucionários nesse segmento”, acrescenta o diretor.

Hamilton Oliveira, responsável técnico da Aromat Produtos Químicos, acredita que não existe uma grande tendência de crescimento para essa linha de produtos. “Os maiores consumidores do produto são os fabricantes de tintas automotivas e manutenção industrial”, postula.

Há quem defenda outra visão. “Sempre haverá uma tendência de crescimento, pois as estruturas, equipamentos e tanques, como tudo que necessite de preservação anticorrosiva, se acumulam e necessitam regularmente de manutenção. Com o estímulo transferido pelo governo federal no que concerne a reativar a produção dos estaleiros, para a produção de navios e embarcações, bem como plataformas marítimas para exploração de petróleo, será grande a contribuição para o aumento deste mercado”, avalia Mohamed Nabil Mouallen, diretor técnico da Chemipol.

O pigmento anticorrosivo é de fundamental importância, mas, como já dizia o ditado, uma andorinha só não faz verão. “Convém ressaltar que o grau de proteção contra a corrosão de um recobrimento não depende apenas da escolha correta do pigmento, mas também do sistema de resina selecionado”, observa Roque Guimarães Antunes, diretor da Transcor. A tecnologia, quando se trata de produtos muito mais responsáveis do que uma coloração, não é simples. “Não estamos tratando de produtos coloridos e sim reativos. Atualmente, temos a seguinte situação seguindo as normas mundiais de sua utilização. A nossa representada SNCZ, especialista na matéria, investe alto nesses produtos, principalmente na linha de ecológicos para a substituição dos cromatos de zinco e tetra-oxi-cromato de zinco”, diz Carlos Russo, diretor técnico da Adexim-Comexim.

Sinergia entre matéria-prima e pigmento
Na tinta, um outro ponto fundamental é a sinergia que precisa ocorrer no processo. Assim como água e óleo não se misturam, há matérias-primas e pigmentos que competem entre si. Os preços e suas intermináveis oscilações também interferem. “O principal problema em relação às matérias-primas está relacionado com a alta de preços dos metais utilizados na fabricação desses produtos. Devido ao aumento de preço do zinco (metal) que vem acontecendo no mercado mundial, esses produtos sofreram aumentos expressivos nos últimos meses”, conta Oliveira.

Formulações com metais pesados, por necessidade de preservação ambiental, foram, praticamente, banidas do mercado. “Por outro lado, o zinco metálico é um material altamente inflamável, que reage violentamente com o oxigênio, causando fogo. Por causa disso, recomendamos o uso do pigmento de zinco metálico da Eckart Werke em forma de pasta, que reduz esse risco. Para se ter idéia, a redução de quatro vezes o volume de estoque traria muita economia no valor do seguro. Outra vantagem é a redução da densidade da tinta. Uma tradicional tem densidade em torno de 1g/m3, ou seja, próxima à da água, com pequenas variações. Uma tinta rica em zinco tem densidade muito próxima à do próprio zinco, isto é, 7g/m3. Significa que um galão de 3,6 litros pode pesar mais de 25 quilos. Quando se reduz a concentração do zinco, se reduz o peso, facilitando o transporte e aplicação e aumentando a rentabilidade do formulador da tinta”, explica Almeida.

Mohamed acredita que não há problemas com as matérias-primas para esses pigmentos. “Observamos que, apenas nos últimos anos, houve incremento de custo dos metais, pois é conhecida a forte demanda do setor de aços. Talvez outra qualificação de problemas seja referente à toxicidade dos produtos e processos”, avalia o diretor da Chemipol.

Voltando ao preço, Heise pondera: “Todo produto fabricado à base de metais está sendo afetado pela alta demanda desses materiais na Ásia, especialmente da China, tendo como conseqüência a elevação dos preços das matérias-primas. Neste quesito, a Heubach também se destaca, oferecendo uma alternativa econômica para os fosfatos de zinco à base de cálcio e alumínio, que no caso, o Heucophos CAPP, possui performance excelente.” Vale lembrar que, com fábricas na Europa, América do Norte e Ásia, a Heubach é um dos líderes mundiais na fabricação de preparações pigmentárias, pigmentos orgânicos, inorgânicos e anticorrosivos e acaba de anunciar parceria com a Forscher, que passa a ser seu novo agente e distribuidor para o mercado brasileiro.

Já Luciana Silveira Mantovani, da assistência técnica da Braschemical, observa que a única restrição é que, dependendo do tamanho da partícula, o pigmento se torna abrasivo. A restrição para essa linha de anticorrosivos, segundo Russo, está basicamente na parte ecológica. “O uso de cromatos tem suas restrições, ecológicas principalmente, embora sejam eficientes. Outra matéria-prima em questão é o zinco metálico utilizado na fabricação de vários fosfatos. Este produto recebe aumento brutal de preços mundialmente”, afirma o diretor técnico da Adexim-Comexim.

Antunes partilha da mesma tendência. “Em relação às matérias-primas, nos últimos anos os preços dos metais mundialmente têm sofrido aumentos seguidos e significativos, ocasionando uma elevação enorme nos custos marginais dos pigmentos anticorrosivos e, conseqüentemente, no preço final do produto”, explica.

Poucas empresas? Por quê?
É simples explicar o porquê de haverem poucas empresas que oferecem pigmentos anticorrosivos no Brasil: corrosão não é um fenômeno tão simples como o próprio significado da palavra. Ele age vorazmente se não for detectado; é um obstáculo freqüente em diversos setores da indústria. Literalmente é uma ‘doença’ que deixa marcas e desenvolve ferramentas para vencer novos antídotos. “O fator principal para que poucas empresas ofereçam tais produtos no Brasil é, no nosso entendimento, que esse tipo de produto requer competência técnica muito específica para poder orientar os clientes de forma adequada, permitindo selecionar o melhor produto em performance e custo. Como estamos lidando com pigmentos que exigem grandes volumes de produção para que sejam economicamente viáveis, implicando grandes unidades produtivas e de elevado investimento, e associado ao fato de o mercado mundial ter atualmente grande capacidade produtiva, nenhuma empresa arriscará grandes somas de dinheiro para produzir tais produtos em um mercado com demanda relativamente baixa. Não há economia de escala”, argumenta o diretor da Forscher.

Além de demandar produtos bastante específicos, o mercado não requisita grandes volumes. “Esses fatores, associados ao fato de poucas empresas no mundo produzirem esse tipo de revestimento, levam a crer que estes sejam os principais motivos de poucas empresas oferecerem esta gama de pigmentos”, aposta Oliveira.

Proporcionalidade é evidente no segmento. “Na verdade, não se trata de haver poucas empresas que forneçam pigmentos anticorrosivos; eu diria que o número de empresas é proporcional ao potencial de consumo. Há, na verdade, entre as empresas que comumente comercializam pigmentos, poucas que se dedicam a oferecer os anticorrosivos”, informa Mohamed.

Ação diferenciada, mercado reduzido. “Os pigmentos anticorrosivos têm poucos fabricantes porque são produtos que exercem função bastante diferenciada na tinta, evitando que o oxigênio consiga reagir com o metal sobre o qual foi aplicada a tinta. Do ponto de vista técnico e químico são materiais bastante particulares; são poucos elementos que conseguem dar essa função à tinta”, salienta Almeida.

Opções e propriedades
A Braschemical oferece a linha de óxido de ferro micáceo – Miox, da representada Kartner, da Áustria –, com vários graus de micronização para tinta e proteção anticorrosiva. “O pigmento possui excelentes propriedades anticorrosivas por barreira, sua estrutura lamelar forma barreira por sobreposição, bloqueando a passagem de qualquer tipo de intempérie e protegendo por longo período o substrato, mesmo exposto a atmosferas marinha e industriais de elevada agressividade. Muito utilizado em pinturas de pontes, plataformas, portos, indústria em geral, ele se tornou uma opção mais econômica, além de aumentar o tempo de manutenção. Estamos difundindo no mercado a aplicação do óxido de ferro micáceo para efeito de acabamentos, com partículas maiores. O pigmento apresenta cor grafite metalizado e pode ser utilizado em tintas decorativas. A composição com pigmentos orgânicos resulta em efeitos interessantes. Outra propriedade é a ótima resistência térmica, o que permite a utilização em tintas de alta temperatura”, divulga Luciana.

Já a Clariant representa a Eckart Werke – fabricante mundial de pigmentos metálicos que oferece o pigmento alumínio e o pigmento metálico de zinco. Os pigmentos alumínio da Eckart não são pigmentos de sacrifício. Seu mecanismo de ação anticorrosiva se dá pelo processo de barreira, ou seja, como é composto por lâminas muito finas do metal, acomodando-se na tinta ficam paralelos à superfície vedando esse filme de tinta, não deixando o oxigênio chegar ao substrato. Outro produto da Eckart, fabricado para ser usado como anticorrosivo, é um pigmento metálico de zinco que atua por sacrifício. O formato desse pigmento é diferente, ele é oferecido como floco. Os demais fabricantes mundiais contam com zinco metálico na forma de esferas muito pequenas, da ordem de 50 mícrons ou 30 mícrons, que permitem a troca desse material com o ferro na reação com o oxigênio. Os flocos, por sua vez, além de ter essa característica de proteger por sacrifício, formam uma barreira protetora. Isso significa que uma tinta que contenha o zinco metálico na forma tradicional de esferas deve ter no mínimo cerca de 80% do pigmento como peso na formulação. Já os flocos da Eckart permitem que, com 20% de participação do pigmento na tinta, aconteça o efeito anticorrosivo superior ao conferido pelos 80% da formulação tradicional. Há uma racionalização dos teores necessários para conseguir o efeito anticorrosivo muito grande. Considerando-se a relação custo-benefício, os flocos trazem um plus devido a sua dupla função”, explica Almeida.

Na Transcor, os pigmentos anticorrosivos são classificados em três tipos: ativos; barreira e sacrifício. “Fornecemos ao mercado o cromato de zinco (PY 36); tetroxicromato (PY 36); fosfato de zinco (PW 32); fosfato de zinco micronizado (PW 32) e distribuímos os óxidos de ferro amarelo, vermelho, marrom e preto. O amarelo Transcor Z95 é indicado para tintas anticorrosivas ativas; o Amarelo Transcor Z92 para wash e shop primers; os fosfatos de zinco ZFO e ZFOM são alternativas para substituição de cromatos de zinco; e os óxidos de ferro Y 554, RX 56, MX 17 e 84 e BX 50 são usados na proteção por barreira”, cita Antunes.

A Aromat dispõe dos produtos AZ-16 (cromato de zinco), CBZ-18 (tetróxi-cromato de zinco) e Nalzim 2 (fosfato de zinco). “São indicados para aplicação em tintas automotivas e manutenção industrial, com o objetivo de prover resistência à corrosão em substratos metálicos. A linha Nalzim também é oferecida como alternativa para os cromatos de zinco em formulações com pigmentos atóxicos”, menciona Oliveira.

Por meio da parceria com a Heubach, a Forscher oferece ampla linha de produtos. “Oferecemos aos nossos clientes anticorrosivos tradicionais, como os fosfatos de zinco micronizados, os de segunda geração, como os ortofosfatos modificados, os de terceira geração, como os pigmentos de alta performance de polifosfatos. Há também os anticorrosivos de nova geração, de amplo espectro de ação, que são compostos orgânicos modificados com ortofosfatos de alumínio, zinco e molibdênio e um inibidor orgânico para tintas protetivas, Heucorin. O grande diferencial que oferecemos aos nossos clientes é a experiência adquirida ao longo de muitos anos de trabalho. Hoje, possuímos vasto banco de dados de formulações para todos os tipos de aplicações e que podem ser usados como ponto de partida para as formulações específicas de cada empresa, gerando economia”, avisa Heise.

Representando aproximadamente de 20% a 25% de faturamento, a linha de pigmentos anticorrosivos da Adexim-Comexim vai desde os cromatos comuns até as especialidades. “Caminhamos por toda a linha de fosfatos e polifosfatos ecológicos. A SNCZ está no topo da linha de fabricantes de anticorrosivos e suas especialidades”, conclui Russo.

 
 
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