Independentemente
de ser aplicado no estado líquido, pastoso ou em
pó, todo revestimento é responsável
por uma função predeterminada. E há
produtos para cada tipo de necessidade. Ao assimilar informações
e tentar conhecer o que o mercado oferece, o consumidor
pode estar certo de que o investimento se justifica e
garante vantagens.
Saindo
da teoria e migrando à prática, claro que
desenvolver tintas não é um conceito simples.
Chegar na cor correta, alcançar a viscosidade ideal
e combater proliferação de fungos e bactérias
ou impedir a oxidação do substrato metálico,
entre outros obstáculos, exige escolha de matérias-primas
confiáveis. Sustenta-se no cenário competitivo
atual quem consegue manter elevado padrão de qualidade.
Por isso, os envolvidos na cadeia produtiva do setor tinteiro
criam pigmentos especiais, como é o caso dos anticorrosivos.
Responsáveis
pela proteção de estruturas metálicas
que precisam ter grande vida útil, como as utilizadas
na construção civil, nas estações
ferroviárias e de metrô, nas torres de distribuição
de energia, em empresas petroquímicas, entre outras,
esses pigmentos podem ser metálicos ou não-metálicos.
Mas, em qualquer das apresentações, são
a substância mais importante na formulação
dessas tintas, respondendo por grande peso, muitas vezes
literalmente, no produto final.
Entretanto,
alguns problemas assombram esse mercado. Entre eles está
a normatização antiga em relação
aos produtos a serem empregados em aplicações
específicas, como os fornecidos à Petrobrás,
um dos maiores consumidores dessa tinta no Brasil. Outro
entrave é o referente ao uso de metais pesados,
abolidos por causa das propriedades cancerígenas.
Cada
vez mais são necessários produtos que, além
de atenderem regras e legislações ambientais,
impossibilitem a infiltração de reagentes
destrutivos, fenômenos climáticos e principalmente
a corrosão. Ao cumprir exatamente três importantes
obrigações – decoração,
segurança e proteção –, a tinta
consegue transmitir um grau de confiabilidade extremo
ao usuário. Do mesmo modo que protege objetos e
materiais da ação do tempo e da corrosão,
a tinta conserva durante longos anos patrimônios
culturais e históricos, entre outros.
É
por isso que tecnologia e desenvolvimento ficam constantemente
em pauta nesse segmento. Mesmo quando a pintura é
visível – como na fachada de um prédio
–, não é comum ouvir que determinada
construção é bela devido ao revestimento
aplicado; o consumidor se habituou a elogiar o novo e
na maioria das vezes se esquece do confiável, ou
seja, aquele revestimento que durará anos e anos
até ser restaurado. A situação se
torna ainda mais complicada quando a pintura é
interna, como a das latas de bebidas. É quase impossível
o consumidor atentar para o fato de que, internamente,
junto ao liquido que ingere, há um revestimento
que possibilita sua armazenagem e tempo de validade.
“Conseguimos
dividir os pigmentos anticorrosivos em metálicos
e não-metálicos. No caso dos metálicos,
são chamados de pigmentos que atuam contra corrosão
por sacrifício, ou seja, no lugar daquele metal
que a tinta está protegendo, quem vai para a reação
com o oxigênio é o metal do pigmento. No
lugar do ferro, por exemplo, o pigmento reage e permite
a preservação do substrato por mais tempo.
Os não-metálicos, geralmente, são
sais metálicos ou até óxidos metálicos
que impedem que o oxigênio consiga reagir com o
metal, porque serão preferencialmente mais reativos
que o substrato. Por serem apenas esses dois grupos de
produtos que desempenham a função anticorrosiva,
são poucos os fabricantes em nível mundial.
No caso dos materiais não-metálicos, nos
referimos principalmente aos fosfatos, que têm a
característica de proteger a oxidação”,
ensina Gerson de Almeida, coordenador regional de aplicação
em tintas e vernizes da Clariant.
Para
Harry Heise, diretor da Foscher, de uma maneira geral,
as tintas industrias – incluindo também tintas
em pó – e automotivas são as que utilizam
o maior volume de anticorrosivos. “Os pigmentos
anticorrosivos são utilizados amplamente pelo mercado.
Não se trata de uso pontual, mas ainda há
espaço para aumento de demanda. Entendemos que
o mercado passará por uma fase de reformulação,
buscando produtos de maior performance, o que significa,
para nós, que temos os produtos mais revolucionários
nesse segmento”, acrescenta o diretor.
Hamilton
Oliveira, responsável técnico da Aromat
Produtos Químicos, acredita que não existe
uma grande tendência de crescimento para essa linha
de produtos. “Os maiores consumidores do produto
são os fabricantes de tintas automotivas e manutenção
industrial”, postula.
Há
quem defenda outra visão. “Sempre haverá
uma tendência de crescimento, pois as estruturas,
equipamentos e tanques, como tudo que necessite de preservação
anticorrosiva, se acumulam e necessitam regularmente de
manutenção. Com o estímulo transferido
pelo governo federal no que concerne a reativar a produção
dos estaleiros, para a produção de navios
e embarcações, bem como plataformas marítimas
para exploração de petróleo, será
grande a contribuição para o aumento deste
mercado”, avalia Mohamed Nabil Mouallen, diretor
técnico da Chemipol.
O
pigmento anticorrosivo é de fundamental importância,
mas, como já dizia o ditado, uma andorinha só
não faz verão. “Convém ressaltar
que o grau de proteção contra a corrosão
de um recobrimento não depende apenas da escolha
correta do pigmento, mas também do sistema de resina
selecionado”, observa Roque Guimarães Antunes,
diretor da Transcor. A tecnologia, quando se trata de
produtos muito mais responsáveis do que uma coloração,
não é simples. “Não estamos
tratando de produtos coloridos e sim reativos. Atualmente,
temos a seguinte situação seguindo as normas
mundiais de sua utilização. A nossa representada
SNCZ, especialista na matéria, investe alto nesses
produtos, principalmente na linha de ecológicos
para a substituição dos cromatos de zinco
e tetra-oxi-cromato de zinco”, diz Carlos Russo,
diretor técnico da Adexim-Comexim.
Sinergia
entre matéria-prima e pigmento
Na tinta, um outro ponto fundamental é a sinergia
que precisa ocorrer no processo. Assim como água
e óleo não se misturam, há matérias-primas
e pigmentos que competem entre si. Os preços e
suas intermináveis oscilações também
interferem. “O principal problema em relação
às matérias-primas está relacionado
com a alta de preços dos metais utilizados na fabricação
desses produtos. Devido ao aumento de preço do
zinco (metal) que vem acontecendo no mercado mundial,
esses produtos sofreram aumentos expressivos nos últimos
meses”, conta Oliveira.
Formulações
com metais pesados, por necessidade de preservação
ambiental, foram, praticamente, banidas do mercado. “Por
outro lado, o zinco metálico é um material
altamente inflamável, que reage violentamente com
o oxigênio, causando fogo. Por causa disso, recomendamos
o uso do pigmento de zinco metálico da Eckart Werke
em forma de pasta, que reduz esse risco. Para se ter idéia,
a redução de quatro vezes o volume de estoque
traria muita economia no valor do seguro. Outra vantagem
é a redução da densidade da tinta.
Uma tradicional tem densidade em torno de 1g/m3, ou seja,
próxima à da água, com pequenas variações.
Uma tinta rica em zinco tem densidade muito próxima
à do próprio zinco, isto é, 7g/m3.
Significa que um galão de 3,6 litros pode pesar
mais de 25 quilos. Quando se reduz a concentração
do zinco, se reduz o peso, facilitando o transporte e
aplicação e aumentando a rentabilidade do
formulador da tinta”, explica Almeida.
Mohamed
acredita que não há problemas com as matérias-primas
para esses pigmentos. “Observamos que, apenas nos
últimos anos, houve incremento de custo dos metais,
pois é conhecida a forte demanda do setor de aços.
Talvez outra qualificação de problemas seja
referente à toxicidade dos produtos e processos”,
avalia o diretor da Chemipol.
Voltando
ao preço, Heise pondera: “Todo produto fabricado
à base de metais está sendo afetado pela
alta demanda desses materiais na Ásia, especialmente
da China, tendo como conseqüência a elevação
dos preços das matérias-primas. Neste quesito,
a Heubach também se destaca, oferecendo uma alternativa
econômica para os fosfatos de zinco à base
de cálcio e alumínio, que no caso, o Heucophos
CAPP, possui performance excelente.” Vale lembrar
que, com fábricas na Europa, América do
Norte e Ásia, a Heubach é um dos líderes
mundiais na fabricação de preparações
pigmentárias, pigmentos orgânicos, inorgânicos
e anticorrosivos e acaba de anunciar parceria com a Forscher,
que passa a ser seu novo agente e distribuidor para o
mercado brasileiro.
Já
Luciana Silveira Mantovani, da assistência técnica
da Braschemical, observa que a única restrição
é que, dependendo do tamanho da partícula,
o pigmento se torna abrasivo. A restrição
para essa linha de anticorrosivos, segundo Russo, está
basicamente na parte ecológica. “O uso de
cromatos tem suas restrições, ecológicas
principalmente, embora sejam eficientes. Outra matéria-prima
em questão é o zinco metálico utilizado
na fabricação de vários fosfatos.
Este produto recebe aumento brutal de preços mundialmente”,
afirma o diretor técnico da Adexim-Comexim.
Antunes
partilha da mesma tendência. “Em relação
às matérias-primas, nos últimos anos
os preços dos metais mundialmente têm sofrido
aumentos seguidos e significativos, ocasionando uma elevação
enorme nos custos marginais dos pigmentos anticorrosivos
e, conseqüentemente, no preço final do produto”,
explica.
Poucas
empresas? Por quê?
É simples explicar o porquê de haverem poucas
empresas que oferecem pigmentos anticorrosivos no Brasil:
corrosão não é um fenômeno
tão simples como o próprio significado da
palavra. Ele age vorazmente se não for detectado;
é um obstáculo freqüente em diversos
setores da indústria. Literalmente é uma
‘doença’ que deixa marcas e desenvolve
ferramentas para vencer novos antídotos. “O
fator principal para que poucas empresas ofereçam
tais produtos no Brasil é, no nosso entendimento,
que esse tipo de produto requer competência técnica
muito específica para poder orientar os clientes
de forma adequada, permitindo selecionar o melhor produto
em performance e custo. Como estamos lidando com pigmentos
que exigem grandes volumes de produção para
que sejam economicamente viáveis, implicando grandes
unidades produtivas e de elevado investimento, e associado
ao fato de o mercado mundial ter atualmente grande capacidade
produtiva, nenhuma empresa arriscará grandes somas
de dinheiro para produzir tais produtos em um mercado
com demanda relativamente baixa. Não há
economia de escala”, argumenta o diretor da Forscher.
Além
de demandar produtos bastante específicos, o mercado
não requisita grandes volumes. “Esses fatores,
associados ao fato de poucas empresas no mundo produzirem
esse tipo de revestimento, levam a crer que estes sejam
os principais motivos de poucas empresas oferecerem esta
gama de pigmentos”, aposta Oliveira.
Proporcionalidade
é evidente no segmento. “Na verdade, não
se trata de haver poucas empresas que forneçam
pigmentos anticorrosivos; eu diria que o número
de empresas é proporcional ao potencial de consumo.
Há, na verdade, entre as empresas que comumente
comercializam pigmentos, poucas que se dedicam a oferecer
os anticorrosivos”, informa Mohamed.
Ação
diferenciada, mercado reduzido. “Os pigmentos anticorrosivos
têm poucos fabricantes porque são produtos
que exercem função bastante diferenciada
na tinta, evitando que o oxigênio consiga reagir
com o metal sobre o qual foi aplicada a tinta. Do ponto
de vista técnico e químico são materiais
bastante particulares; são poucos elementos que
conseguem dar essa função à tinta”,
salienta Almeida.
Opções
e propriedades
A Braschemical oferece a linha de óxido de ferro
micáceo – Miox, da representada Kartner,
da Áustria –, com vários graus de
micronização para tinta e proteção
anticorrosiva. “O pigmento possui excelentes propriedades
anticorrosivas por barreira, sua estrutura lamelar forma
barreira por sobreposição, bloqueando a
passagem de qualquer tipo de intempérie e protegendo
por longo período o substrato, mesmo exposto a
atmosferas marinha e industriais de elevada agressividade.
Muito utilizado em pinturas de pontes, plataformas, portos,
indústria em geral, ele se tornou uma opção
mais econômica, além de aumentar o tempo
de manutenção. Estamos difundindo no mercado
a aplicação do óxido de ferro micáceo
para efeito de acabamentos, com partículas maiores.
O pigmento apresenta cor grafite metalizado e pode ser
utilizado em tintas decorativas. A composição
com pigmentos orgânicos resulta em efeitos interessantes.
Outra propriedade é a ótima resistência
térmica, o que permite a utilização
em tintas de alta temperatura”, divulga Luciana.
Já
a Clariant representa a Eckart Werke – fabricante
mundial de pigmentos metálicos que oferece o pigmento
alumínio e o pigmento metálico de zinco.
Os pigmentos alumínio da Eckart não são
pigmentos de sacrifício. Seu mecanismo de ação
anticorrosiva se dá pelo processo de barreira,
ou seja, como é composto por lâminas muito
finas do metal, acomodando-se na tinta ficam paralelos
à superfície vedando esse filme de tinta,
não deixando o oxigênio chegar ao substrato.
Outro produto da Eckart, fabricado para ser usado como
anticorrosivo, é um pigmento metálico de
zinco que atua por sacrifício. O formato desse
pigmento é diferente, ele é oferecido como
floco. Os demais fabricantes mundiais contam com zinco
metálico na forma de esferas muito pequenas, da
ordem de 50 mícrons ou 30 mícrons, que permitem
a troca desse material com o ferro na reação
com o oxigênio. Os flocos, por sua vez, além
de ter essa característica de proteger por sacrifício,
formam uma barreira protetora. Isso significa que uma
tinta que contenha o zinco metálico na forma tradicional
de esferas deve ter no mínimo cerca de 80% do pigmento
como peso na formulação. Já os flocos
da Eckart permitem que, com 20% de participação
do pigmento na tinta, aconteça o efeito anticorrosivo
superior ao conferido pelos 80% da formulação
tradicional. Há uma racionalização
dos teores necessários para conseguir o efeito
anticorrosivo muito grande. Considerando-se a relação
custo-benefício, os flocos trazem um plus devido
a sua dupla função”, explica Almeida.
Na
Transcor, os pigmentos anticorrosivos são classificados
em três tipos: ativos; barreira e sacrifício.
“Fornecemos ao mercado o cromato de zinco (PY 36);
tetroxicromato (PY 36); fosfato de zinco (PW 32); fosfato
de zinco micronizado (PW 32) e distribuímos os
óxidos de ferro amarelo, vermelho, marrom e preto.
O amarelo Transcor Z95 é indicado para tintas anticorrosivas
ativas; o Amarelo Transcor Z92 para wash e shop primers;
os fosfatos de zinco ZFO e ZFOM são alternativas
para substituição de cromatos de zinco;
e os óxidos de ferro Y 554, RX 56, MX 17 e 84 e
BX 50 são usados na proteção por
barreira”, cita Antunes.
A
Aromat dispõe dos produtos AZ-16 (cromato de zinco),
CBZ-18 (tetróxi-cromato de zinco) e Nalzim 2 (fosfato
de zinco). “São indicados para aplicação
em tintas automotivas e manutenção industrial,
com o objetivo de prover resistência à corrosão
em substratos metálicos. A linha Nalzim também
é oferecida como alternativa para os cromatos de
zinco em formulações com pigmentos atóxicos”,
menciona Oliveira.
Por
meio da parceria com a Heubach, a Forscher oferece ampla
linha de produtos. “Oferecemos aos nossos clientes
anticorrosivos tradicionais, como os fosfatos de zinco
micronizados, os de segunda geração, como
os ortofosfatos modificados, os de terceira geração,
como os pigmentos de alta performance de polifosfatos.
Há também os anticorrosivos de nova geração,
de amplo espectro de ação, que são
compostos orgânicos modificados com ortofosfatos
de alumínio, zinco e molibdênio e um inibidor
orgânico para tintas protetivas, Heucorin. O grande
diferencial que oferecemos aos nossos clientes é
a experiência adquirida ao longo de muitos anos
de trabalho. Hoje, possuímos vasto banco de dados
de formulações para todos os tipos de aplicações
e que podem ser usados como ponto de partida para as formulações
específicas de cada empresa, gerando economia”,
avisa Heise.
Representando
aproximadamente de 20% a 25% de faturamento, a linha de
pigmentos anticorrosivos da Adexim-Comexim vai desde os
cromatos comuns até as especialidades. “Caminhamos
por toda a linha de fosfatos e polifosfatos ecológicos.
A SNCZ está no topo da linha de fabricantes de
anticorrosivos e suas especialidades”, conclui Russo.
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