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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 106 - Biocidas
 
Na luta pela preservação
 
Dessa forma, os fornecedores de biocidas realizam seu trabalho de oferecer soluções cada vez mais eficientes, eficazes e com custo-benefício atraente ao mercado, investindo em pesquisa, desenvolvimento e até mesmo em conscientização dos formuladores quanto à importância do uso do aditivo.
 
Cynthia Luz
 

Mesmo representando pouco no custo final do produto, os biocidas ainda têm muito mercado a desbravar, já que as formulações de tintas voltadas aos consumidores de baixa renda, em especial no segmento decorativo, ainda utilizam pouco desse aditivo. Com a conscientiza-ção do consumidor final de que as tintas econômicas precisam apresentar resultados no auxílio à preservação do imóvel, além de promover o embelezamento, o quadro de consumo dos biocidas deve mudar. Para isso, a Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas) já vem trabalhando o Programa de Qualidade das Tintas junto aos fabricantes, no sentido de aperfeiçoar os produtos disponíveis no mercado, e também no âmbito do consumidor, lmostrando os critérios para que a formulação seja realmente considerada uma tinta.

Além desse obstáculo, 2006 trouxe um desaquecimento da economia como um todo, que afetou negativamente o segmento de tintas. Com isso, os fabricantes e distribuidores desse tipo de aditivo tiveram de se esforçar para conseguir resultados satisfatórios.

“O mercado de biocidas foi afetado em virtude da retração econômica verificada durante o ano, especialmente a partir do segundo trimestre. As maiores dificuldades foram apresentar biocidas mais eficientes e ao mesmo tempo com custo muito menor e lidar com os sucessivos aumentos de preços das matérias-primas. Para contrabalançar o fraco desempenho do mercado de tintas imobiliárias, a Miracema-Nuodex está focando novos segmentos, como papel, cosméticos etc., e também trabalhando com novas moléculas na busca de melhores sinergias com os demais componentes dos biocidas e bus-cando formulações que se adaptem continuamente às mudanças nas composições das tintas”, opina André Rohr, diretor industrial da Miracema-Nuodex.

Ainda de acordo com Rohr, “se olharmos só os volumes, teremos a impressão que o mercado de biocidas para tintas está voando em céu de brigadeiro. Mas a realidade é diferente. As margens estão caindo ano a ano e as obrigações dos fornecedores de biocidas vão muito além de vender um produto que atenda às necessidades dos fabricantes de tintas. Hoje em dia, entender de tinta e saber como é a fábrica do cliente não é mais um diferencial mas, sim, uma necessidade. Monitorar pontos importantes do processo (monitoramento micro-biológico); conhecer as particularidades dos slurries, que estão sendo cada vez mais usados pelas indústrias de tintas e necessitam de biocidas específicos; conhecer as matérias-primas que entram na fabricação das tintas ou slurries e fazer biocidas que se adaptem às novas realidades de custos são as principais mudanças que o mercado vivenciou nestes últimos anos”.

Para Carlos Alberto Gonçalves, diretor de negócios da Troy Brasil, o mercado brasileiro de biocidas vem sofrendo nos últimos anos uma sis-temática desvalorização, face ao imenso uiverso de ofertantes, que buscam alcançar posicionamento de mercado via preço. “Os preços dos biocidas encontram-se no patamar de commodities, com um sério agavante: o serviço de monitora-mento é prerrogativa essencial para realização de negócios junto aos grandes consumidores. Diante desse cenário, a Troy vem buscando posicionamento em nichos, abandonando os grandes volumes como alvo estratégico para obter crescimento.”

Já na opinião de Leone Nascimento Bueno Filho, coordenador técnico da Polyorganic Tecnologia, o mercado de biocidas sofreu grande abalo em 2006, não só devido à queda nas vendas do mercado de tintas, mas também com a ampliação da quantidade de pequenos produtores que priorizam o mercado de segunda linha, utilizando pouco ou nenhum biocida, prejudicando a qualidade do produto, mas ampliando a possibilidade de o consumidor de baixa renda adquiri-lo. “Porém muitos consumidores sem informação acabam trocando o produto de primeira linha pelo de segunda só pelo preço, não avaliando a performance/cobertura da tinta. Buscando atingir estes produtores, lançamos no mercado um produto bifuncional (bactericida in can e fungicida para filme seco), Preventol D2-plus, com um custo bem inferior aos atuais produtos de linha, para que mesmo uma tinta de segunda linha tenha alguma proteção microbiológica.”

Nos últimos anos tivemos crescimento bombástico de fornecedores de biocidas em todo o setor químico, o que levou à queda nos preços e à concorrência desleal baseada na queda da qualidade das matérias-primas fornecidas. “Isso leva a um aumento de produtos com contaminação microbiológica que chega até o consumidor final, pois a matéria-prima com baixa qualidade pode até conseguir passar no teste microbio-lógico, porque alguns testes ASTM utilizados são elaborados com microrganismos específicos e não com os microrganismos reais encontrados no ambiente, sendo estes muito mais agressivos e ativos”, denuncia Bueno Filho.

De seu lado, Marcelo Junho, gerente de marketing para América Latina Preservação de Produto e Biocidas da Rohm and Haas, lembra que a utilização dos biocidas em tintas, assim como outros aditivos de performance, está ligada não somente ao fator de produção de tintas do mercado como um todo, mas também está ligada a outros dois fatores, “como a evolução do mix dos produtores de tintas e as mudanças de fórmulas ou inovações que foram realizadas pelos produtores em suas linhas de produto. A evolução do mix de tintas influencia diretamente o uso de biocidas, pois as necessidades de sua utilização mudam significativamente entre as categorias, dependendo dos benefícios e da performance desejados pelos formuladores. Já mudanças de formulações ou inovações, tanto em produto quanto em tecnologia de preservação, influenciam também na utilização dos biocidas, pois mudanças de produtos ou mudanças tecno-lógicas em geral estão ligadas a mudanças de dosagens”.

Para ele, durante 2006 a Rohm and Haas foi beneficiada pela presença em alguns segmentos onde foi possível apresentar inovações e pela presença em produtos que tiveram um crescimento de mercado. “O impacto em nosso negócio até outubro deste ano é positivo a acreditamos que, apesar de uma dificuldade no setor em geral, fomos bem sucedidos em manter nosso plano de negócios para 2006.”

Para a Alcolina, o mercado de biocidas este ano foi marcado pelo incremento das vendas: “Acreditamos que o aumento se deve ao aparecimento constante de empresas preocupadas com problemas que enfrentaram em decorrência de terem se deixado levar por soluções de baixo custo, o que causou a redução no padrão de preservação de suas tintas no mercado, aliado à confiança adquirida junto aos nossos clientes também em relação ao fornecimento desses aditivos”, contam Sandra Natali Monteiro, gerente nacional de vendas, e Leila Cavalcante de Alcântara, química consultora técnica da Alcolina - Centro Oeste.

Sebastian Gilli Canto, gerente de negócios Biocidas da Arch Chemicals, conta que 2006 foi positivo para a empresa: “Os nossos negócios de biocidas não estão somente ligados ao setor de tintas. Atendemos outros 16 segmentos e no total estamos tendo um crescimento expressivo comparando com o ano anterior. Além desse bom desempenho dos outros segmentos, estamos expandindo nossas vendas para outros países da América do Sul e Ásia e conquistando novos clientes no Brasil.”

Érica Takeda, gerente comercial de Biocidas e Angus América Latina da Dow, acrescenta que, “sendo um componente utilizado na formulação de tinta, os biocidas são sujeitos às mesmas regras de mercado que afetam a indústria de tintas. A pressão de custos existe e requer que o fabricante de biocidas saiba como otimizar o uso de seu produto. Isso inclui ter portfolio amplo de produtos, que nos permita atuar em três necessidades do cliente de tintas: a preservação na lata (in-can), a preservação do filme seco (dry-film) e higienização e limpeza da unidade industrial. A Dow Biocides conta com opções para essas três finalidades  e estão sendo lançados agora no Brasil os produtos Canguard (preservação na lata), Filmguard (preservação do filme) e Dowicil (higiene industrial). Há uma tendência nesse mercado que é a da utilização de combinações de biocidas, criando sinergia. A utilização do Taunovatesm High-Throughput microbiological testing permite que esses estudos sejam feitos, otimizando a formulação do cliente”, reforça.

“Embora o mercado de tintas tenha passado por dificuldades, para a ISP 2006 tem sido um ano de forte crescimento. Isso pode ser explicado pela maior preocupação dos fabricantes de tintas, no desempenho dos biocidas nas formulações, o que os levou em muitos casos a sair da tendência de commodities dos ativos, traduzindo isso em maiores vendas de nossos ativos de alta performance”, avalia Roberto Caforio, gerente de vendas Perfor-mance Chemicals e Biocidas.

De seu lado, as executivas da Ciba ponderam que “a demanda por biocidas segue em ritmo de crescimento constante, devido à preocupação das indústrias em garantir a proteção adequada ao seu produto contra a proliferação de microrga-nismos. No caso das indústrias de tintas que trabalham com emulsões ou dispersões aquosas, os inconvenientes da contaminação por micror-ganismos são muito comuns. Neste sistema, as alterações físicas e químicas são evidentes, no aspecto físico, a maior alteração é a desestabilização das emulsões, com a separação visual das fases e freqüentemente, pode ser observada variação de cor. Com relação ao aspecto químico, a liberação de enzimas pelos microrganismos provoca o fracionamento de cadeias poliméricas, gerando moléculas curtas, de mais fácil digestão ou assimilação pelas colônias. O resultado final é a liberação de gases, como o CO2, além de odores sulfurosos. Lotes contaminados precisam ser descartados ou reprocessados, elevando os custos ou criando problemas para os usuários finais”, diz Cíntia Saito, gerente de contas.

“Apesar desses aspectos causados por contaminação microbiológica, o mercado de tintas, em especial as imobiliárias, cresceu na direção das linhas mais populares, onde a demanda está orientada a preços, não levando muito em conta a qualidade e outras vantagens de desempenho de produtos que adicionem valor e cuja percepção de vantagens não seja observada no curto prazo. Conseqüentemente, não absorve os biocidas por mais complexos e eficientes que sejam sua aplicação e o custo/benefício trazido e que, ao final, representa pouco acréscimo no valor final das tintas”, complementa Silvia Gouveia, chefe do Serviço Técnico a Clientes Latin America Coating Effect – BL Coating, da Ciba.

Annemarie Mertens, gerente de Biocidas para América Latina, e Debora Fumie Takahashi, vendedora técnica da Clariant, arrematam: “O mercado de tintas foi muito afetado, tanto em volume como em valores. Além da diminuição do volume de vendas de biocidas no mercado de tintas, em função da grande concorrência, os produtores de tintas buscam biocidas cada vez mais baratos, deixando a qualidade e a toxicidade para segundo plano. A Clariant trabalhou outros negócios com o objetivo de superar essas dificuldades, buscando novas aplicações com produtos mais especializados e, portanto, de maior valor agregado.”

Inovações
Acreditando no crescimento do mercado, apesar de todas as dificuldades, e se preparando constantemente para oferecer novas opções ao mercado, os fornecedores de biocidas continuam investindo na ampliação do portfolio de produtos, tanto com base em pesquisa e desenvolvimento nas próprias empresas ou na internalização de tecnologias já utilizadas em outros mercados. “Nestes últimos anos vimos o surgimento de biocidas menos tóxicos e desenhados para obter a máxima sinergia entre seus componentes, possibilitando, dessa forma, a indicação de dosagens precisas (menores) para cada tipo de tinta”, reforça Rohr.  
Bueno Filho acredita que os avanços de nosso mercado vêm por intermédio da criação de novos blends de biocidas, que conferem ao produto final maior proteção microbiológica.

“Os avanços tecnológicos estão e estarão mais focados em duas áreas e cada vez mais os avanços virão do conhecimento e expertise em formulações de biocidas e a presença em mercados mundiais será um diferencial competitivo”, ressalta Junho. Segundo ele, a Rohm and Haas tem inovado principalmente em novas formulações que possuem testes e aprovações em condições das mais variadas ao redor do mundo. “Nossos testes locais têm validado os resultados que obtivemos mundialmente e em alguns casos as condições locais são até menos agressivas. Também as inovações estão em linha com as tendências mundiais e o mais importante é que têm encontrado sua aplicabilidade em nossas condições locais, entregando os benefícios exigidos pelos formuladores de tintas nas condições desejadas para seu produto. Essa presença mundial também está trazendo a segurança da aprovação dos produtos em diversas associações e instituições reguladoras reconhecidas internacionalmente. Estamos trazendo ao mercado a segurança de testes, suporte técnico, regulamentação e experiência em diversas regiões do mundo orientadas especificamente para os benefícios requisitados localmente.”

Para exemplificar algumas inovações que a Rohm and Haas trouxe ao mercado, Junho cita produtos com função 3 em 1 (bactericida, fungicida e algicida) com espectro amplo e testado em condições locais; produtos com maior potencial de estabilização nas tintas, produtos com efeito específico como algicidas puros ou produtos de preservação no envase (bactericidas) com necessidades de ação rápida e/ou de performance de mais longo prazo. “A Rohm and Haas é pioneira mundial na síntese da molécula da marca Kathon, hoje estendida a toda a linha Rocima; há mais de dez anos também foi a pioneira na síntese da molécula de MIT, hoje mais aplicada na preservação de tintas dentro da lata. Adicionados a essas tecnologias, a empresa possui outras moléculas no portfolio e um grande diferencial vem do conhecimento das interações das formulações.”

A própria Rohm and Haas, por intermédio da aquisição de uma empresa suíça, a Acima, absorveu clientes, otimizou o atendimento, melhorou a oferta de produtos e serviços e ampliou seletivamente a gama de novas tecnologias para o mercado. “Por razões de produtividade e adequação de performance, verificamos um equilíbrio e uma concentração de tecnologias oferecidas para o que podemos chamar de mass market muito orientado pelas necessidades dos produtores de tintas. Já as mudanças tecnológicas estão mais concentradas em benefícios específicos e tendências mundiais desde que atendam o apelo e benefícios para o mercado local. Em resumo, o número de fornecedores e seus respectivos portfolios de biocidas para mass market mantiveram-se focados e com poucas mudanças tecnológicas, enquanto outras mudanças tecnológicas estão orientadas por situações bem específicas em linha com tendências mundiais. A competitividade se mantém alta neste setor e o segmento de tintas segue com um crescimento modesto, em linha com o PIB do País.”

Canto, por sua vez, pondera que com a redução das margens de lucro dos fabricantes de tintas houve uma busca por biocidas mais baratos. “Recentemente, observamos a procura por produtos diferenciados no intuito de oferecer aos clientes finais soluções específicas para problemas diferentes, reposicionando os preços das tintas e conseqüentemente recuperando parte da margem de lucro. Também a pressão dos agentes regulatórios para substituição de produtos já banidos na Europa e Estados Unidos colabora para o interesse por biocidas com soluções ambientalmente aprovadas. Com isto, volta o interesse por produtos inovadores e com maior valor agregado. No caso da Arch, destacamos o Zinc Omadine ZOE, que é uma das principais inovações surgidas nos últimos anos. São piritionatos utilizados como agentes antimicrobianos bactericidas, fungicidas e algicidas em uma só molécula.”

A Arch tem na sua linha ainda os produtos Proxel, Omadine, Omacide, Densil, Vantocil e Triadine, soluções em bactericidas, fungicidas, algicidas e antimicrobianos.

Para Érica, nos últimos anos, houve aumento da demanda de tintas, tanto decorativas quanto industriais, em países emergentes. Como todos os produtos à base de água são suscetíveis ao ataque microbiológico, isso fortaleceu o mercado de biocidas, oferecendo oportunidades de crescimento para seus fabricantes. No entanto, requisitos de registros severos e custosos e o preço crescente das matérias-primas representam desafios para os fabricantes de biocidas. “A Dow Biocides tem oferecido apoio a clientes por meio de seu conhecimento em registros e oferecendo soluções. Um exemplo disso é o desenvolvimento da Dow Biocides do Taunovatesm High-Throughput microbiological testing capabilities (equipamento para avaliação microbiológica), que permite ajudar os clientes, oferecendo o melhor biocida ou combinação de biocidas, observando sempre o desempenho e custo. O Taunovate fornece informação rápida e precisa sobre o desempenho do biocida. Para combinações de biocidas, pode determinar as concentrações mais efetivas e dosagens dos ativos envolvidos.”

A tecnologia Taunovate é oferecida atualmente em três laboratórios da Dow: Buffalo Grove, Estados Unidos; Shanghai, China; e Horgen, Suíça. Em 2007, serão abertos cinco novos centros regionais de aplicação, sendo um deles em São Paulo, para atender aos clientes da América Latina. O centro de aplicação no Brasil contará com os equipamentos apropriados para as análises microbiológicas, além do Taunovate.

Caforio diz que tem constatado nos últimos anos maior valorização das empresas fornecedoras de biocidas em termos de experiência, variedade da oferta de ativos, flexibilidade nas soluções para os clientes, profissionalismo e estrutura, além de pensar só no custo. “A tendência deverá continuar dirigindo-se para ativos mais eficientes e de melhor perfil tóxico-ecológico. Isso deverá traduzir-se no curto prazo em maior venda de ativos hoje considerados como especialidades.”

“Nos últimos anos o segmento de mercado de biocidas tem sido marcado por aumento de competiti-vidade, tanto local quanto internacionalmente. Para nós da Ciba, o foco é sempre trabalhar com especialidades em qualquer área. No tocante a biocidas, nós trabalhamos com moléculas exclusivas para algicidas e também um agente antimicrobiano bactericida para superfície”, conta Cíntia, lembrando que a empresa, por meio da utilização da nanotecnologia, desenvolveu um agente antimicrobiano bactericida à base de íons de sal de prata, chamado Irgaguard H6000. Este produto é especifico para assepsia de superfícies, atuando na inibição do crescimento de bactérias gram positivas e negativas e também alguns tipos de fungos responsáveis pelas principais contaminações e infecções nos seres humanos.

“A tecnologia do íon de sal de prata foi desenvolvida para aplicações muito particulares, como tintas imobiliárias para linha hospitalar, tinta em pó para linha branca de eletrodomésticos, coil coating e tintas industriais para piso de laboratórios e indústrias farmacêuticas, alimentícia e consultórios médicos, ou seja, onde há a necessidade de diminuir a contaminação e infecção por bactérias”, especifica Silvia.

Pelo mecanismo de ação do Irgaguard H6000, primeiramente, os íons de sal de prata são liberados para superfície, entram em contato com o microorganismo, interagem com ele transferindo os íons para dentro da célula, o que o impede de respirar e conseqüentemente o leva à morte. “As vantagens desse tipo de agente antimicrobiano vão além de sua eficiência em inibir e exterminar microorganismos presentes em superfícies, pois ainda apresenta excelente estabilidade térmica (superior ao Triclosan), é de fácil solubilidade, já que pode ser facilmente homogeneizada na tinta e apresenta baixíssima toxidade, sem riscos para o contato humano”, destacam as representantes da Ciba.

A Ciba tem também o algicida Irgaguard D1071, especificamente desenvolvido para uso em tintas imobiliárias. Outra versão de algicida é o Irgarol 1051, desenvolvido para tintas marítimas para evitar as terríveis incrustações nas embarcações, que podem vir a causar uma série de danos, como o aumento do consumo de combustível, perda de velocidade e navegabilidade, danos físicos ao filme e corrosão. O Irgarol 1051 é um algicida de metais pesados como chumbo, seguindo as condições de órgãos internacionais de segurança e meio ambiente.

Por fim, as representantes da Clariant avaliam que o mercado de tintas no Brasil vem crescendo muito pouco em volume. “Este fato, associado à pressão por produtos com preços cada vez menores, gerou queda no mercado de biocidas. Atualmente, algumas empresas multinacionais que seguem as normas regulamentadas pela matriz vêm buscando ativos menos tóxicos ao homem e ao ambiente, evitando ativos como o Carbendazin e Diuron”, aponta Annemarie. “Recentemente, lançamos uma inovação tecnológica, o JMAC LP10, produto à base de sal de prata, que confere efeito bactericida ao filme seco da tinta. Esse produto possibilita trabalhar mercados diferenciados, como hospitais, indústria alimentícia e cosmética, onde a preocupação com a contaminação microbiológica do ambiente é de suma importância”, continua Débora.

Também Gonçalves lembra que as empresas estão banindo a Carbendazina e o Diuron. “Essas ações, infelizmente, ficam restritas a pequeno número de empresas, porque a grande maioria só objetiva preços baixos, ficando importantes aspectos toxicológicos à margem da discussão. Detentora de enorme know-how na produção de fungicidas à base de IPBC, a Troy possui vários produtos da família Polyphase, isentos de Carbendazina, para solucionar modernas demandas do segmento de tintas”, destaca.

Perspectivas
Para 2007, cada empresa tem uma perspectiva, mas a maioria acredita em crescimento. “O grande desafio brasileiro desta área é a falta de normas e decretos que proíbem ou restringem a utilização de produtos altamente tóxicos, que foram banidos em todo o território mundial, como é o caso do formol, que tem sua toxidez descrita em qualquer livro de química e mesmo assim continua sendo permitido até para o contato humano, como no caso das escovas progressivas utilizadas nos cabeleireiros. Neste próximo ano, a tendência é que ocorra uma mudança no mercado de tintas, devido a introdução de novas moléculas microbicidas com melhor performance que as atualmente utilizadas, pois assim nossos clientes poderão fornecer ao consumidor final um produto com a mais alta qualidade, que permanecerá com as mesmas características, independentemente da contaminação do ambiente em que ele foi aplicado”, pondera Bueno Filho.

“Prevemos um ano de 2007 com boas perspectivas principalmente pelos resultados obtidos no ano de 2006. Não se espera um crescimento do segmento de tintas acima de 4% para 2007, mas nossas novas tecnologias aliadas ao nosso portfolio de produtos atual deverão proporcionar maior valor para o mercado e para os clientes que estiverem buscando uma combinação saudável entre inovação, competitividade, serviços e informação sobre tendências mundiais que possam ser trazidos à nossa região”, antevê Junho.

Para Canto, o desenvolvimento de novas moléculas é muito caro e não é possível enxergar no mundo movimentos neste sentido. “As regulamentações cada vez mais restringem o uso de algumas moléculas, a exemplo do BPD, na Europa, e EPA, nos Estados Unidos. Com isso, alguns produtos deixarão de ser ofertados mundialmente e poucas empresas estarão aptas a oferecer soluções corretas aos fabricantes de tintas. Também esperamos que em algum momento futuro no Brasil ocorram estas restrições.”

Mesmo assim, o executivo projeta “para o ano de 2007 um crescimento expressivo nas vendas de biocidas e em particular no segmento de tintas, com os lançamentos de alguns novos produtos e aumento das exportações da Arch”.

Também para Érica, os fabricantes de biocidas enfrentam cada vez mais requisitos de regulamentação ao redor do mundo. “Recentemente, a European Biocidal Products Directive (BPD) tornou os registros na Europa caros e demorados; qualquer alteração na formulação de um cliente precisa levar isso em consideração. No Brasil, na área de tintas, ainda não há necessidade de registros, mas vários clientes já estão cientes dessa tendência, tendo de cumprir com alguns regulamentos nos casos em que o produto final é exportado.”

Ela acrescenta que a Dow espera um ano de crescimento em biocidas para 2007 na América Latina e globalmente. Em um ambiente de grande competitividade, como o de tintas, os fabricantes entendem que preservar a qualidade de seu produto é fundamental, e o uso de biocidas é mandatório. Os formuladores de tintas buscam continuamente melhorar seus padrões nessa área, melhorando a qualidade geral de suas tintas. No Brasil, a Abrafati tem uma iniciativa interessante, visando a melhorar o padrão das tintas brasileiras.

Na ISP, o otimismo é a nota: “As perspectivas são as melhores possíveis para o ano de 2007 por dois motivos principais. O primeiro é que passada a eleição de 2006 e com a definição do panorama político do País, a tendência é de retomada do crescimento econômico e calmaria no mercado; isso traria para nossa área uma recuperação em relação ao ano de 2006. O outro motivo é que a experiência e a estatística confirmam que é muito difícil termos dois anos seguidos de estagnação e a tendência é que 2007 seja melhor que 2006. Esperamos que isso ocorra também com o mercado de tintas no Brasil, para isso temos que estar confiantes em crescimento econômico maior que o de 2006 e um aumento no poder aquisitivo da população como um todo, que, na realidade, são nossos clientes finais. Acredito que o único obstáculo seria uma retração do mercado como conseqüência de uma lentidão do crescimento econômico do Brasil. No entanto, não acreditamos nisso e estamos certos de que os obstáculos que virão pela frente serão aqueles mesmos que enfrentamos em qualquer outro mercado e vamos certamente superá-los, preservando assim nossa curva ascendente de crescimento, afinal preservar é a nossa especialidade”, reforça Caforio.

Rohr, por sua vez, acha que o mercado não vai ter grandes novidades: “Não há sinais para ser otimista com o ano de 2007. Os volumes podem até aumentar um pouco, mas as margens continuarão baixas e os custos de se desenvolver novos biocidas estão cada vez maiores. Se o próximo ano repetir 2005 poderemos ficar satisfeitos.”

Para Sandra e Leila, o mercado nos últimos anos no setor de biocidas foi marcado pela preocupação com a redução dos preços de venda das tintas, tornando uma prioridade a redução no preço de custo das formulações, gerando uma diminuição de preços e margens e levando a qualidade dos produtos finais a limites mínimos. “As crises que enfrentamos no mercado acabam gerando uma diminuição da qualidade em relação aos preços. No segmento de biocidas acreditamos que ainda teremos grandes obstáculos a serem vencidos desde as dificuldades de mercado, até a conscientização de novos clientes da necessidade de mudança de tecnologia e controle, aliados a altos gastos com registros e estudos toxicológi-cos de produtos novos a serem implantados”, dizem.

Gonçalves arremata:“A ausência de maior conscientização do segmento de tintas como um todo representa a maior dificuldade para lançar o tema biocidas no nível profissional dese-jável. Passado o momento especula-tivo no cenário político, acredito que 2007 deverá apresentar um desempenho superior ao ano em curso. A Troy espera obter crescimento importante neste campo, porém sem deixar de focar os aspectos de rentabilidade”.

 
 
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