Mesmo
representando pouco no custo final do produto, os biocidas
ainda têm muito mercado a desbravar, já que
as formulações de tintas voltadas aos consumidores
de baixa renda, em especial no segmento decorativo, ainda
utilizam pouco desse aditivo. Com a conscientiza-ção
do consumidor final de que as tintas econômicas
precisam apresentar resultados no auxílio à
preservação do imóvel, além
de promover o embelezamento, o quadro de consumo dos biocidas
deve mudar. Para isso, a Abrafati (Associação
Brasileira dos Fabricantes de Tintas) já vem trabalhando
o Programa de Qualidade das Tintas junto aos fabricantes,
no sentido de aperfeiçoar os produtos disponíveis
no mercado, e também no âmbito do consumidor,
lmostrando os critérios para que a formulação
seja realmente considerada uma tinta.
Além
desse obstáculo, 2006 trouxe um desaquecimento
da economia como um todo, que afetou negativamente o segmento
de tintas. Com isso, os fabricantes e distribuidores desse
tipo de aditivo tiveram de se esforçar para conseguir
resultados satisfatórios.
“O
mercado de biocidas foi afetado em virtude da retração
econômica verificada durante o ano, especialmente
a partir do segundo trimestre. As maiores dificuldades
foram apresentar biocidas mais eficientes e ao mesmo
tempo com custo muito menor e lidar com os sucessivos
aumentos de preços das matérias-primas.
Para contrabalançar o fraco desempenho do mercado
de tintas imobiliárias, a Miracema-Nuodex
está focando novos segmentos, como papel,
cosméticos etc., e também trabalhando com novas
moléculas na busca de melhores sinergias com
os demais componentes dos biocidas e bus-cando formulações
que se adaptem continuamente às mudanças
nas composições das tintas”, opina
André Rohr, diretor industrial da Miracema-Nuodex.
Ainda
de acordo com Rohr, “se olharmos só os volumes,
teremos a impressão que o mercado de biocidas para
tintas está voando em céu de brigadeiro.
Mas a realidade é diferente. As margens estão
caindo ano a ano e as obrigações dos fornecedores
de biocidas vão muito além de vender
um produto que atenda às necessidades dos
fabricantes de tintas. Hoje em dia, entender de tinta
e saber como é a fábrica do cliente não
é mais um diferencial mas, sim, uma necessidade.
Monitorar pontos importantes do processo (monitoramento
micro-biológico); conhecer as particularidades
dos slurries, que estão sendo cada vez mais usados
pelas indústrias de tintas e necessitam de biocidas
específicos; conhecer as matérias-primas
que entram na fabricação das tintas ou slurries
e fazer biocidas que se adaptem às novas
realidades de custos são as principais mudanças
que o mercado vivenciou nestes últimos anos”.
Para
Carlos Alberto Gonçalves, diretor de negócios
da Troy Brasil, o mercado brasileiro de biocidas vem sofrendo
nos últimos anos uma sis-temática desvalorização,
face ao imenso uiverso de ofertantes, que buscam alcançar
posicionamento de mercado via preço. “Os
preços dos biocidas encontram-se no patamar de
commodities, com um sério agavante: o serviço
de monitora-mento é prerrogativa essencial para
realização de negócios junto aos
grandes consumidores. Diante desse cenário, a Troy
vem buscando posicionamento em nichos, abandonando os
grandes volumes como alvo estratégico para obter
crescimento.”
Já
na opinião de Leone Nascimento Bueno Filho, coordenador
técnico da Polyorganic Tecnologia, o mercado de
biocidas sofreu grande abalo em 2006, não só
devido à queda nas vendas do mercado de tintas,
mas também com a ampliação da quantidade
de pequenos produtores que priorizam o mercado de segunda
linha, utilizando pouco ou nenhum biocida, prejudicando
a qualidade do produto, mas ampliando a possibilidade
de o consumidor de baixa renda adquiri-lo. “Porém
muitos consumidores sem informação acabam
trocando o produto de primeira linha pelo de segunda só
pelo preço, não avaliando a performance/cobertura
da tinta. Buscando atingir estes produtores, lançamos
no mercado um produto bifuncional (bactericida in can
e fungicida para filme seco), Preventol D2-plus, com um
custo bem inferior aos atuais produtos de linha, para
que mesmo uma tinta de segunda linha tenha alguma proteção
microbiológica.”
Nos
últimos anos tivemos crescimento bombástico
de fornecedores de biocidas em todo o setor químico,
o que levou à queda nos preços e à
concorrência desleal baseada na queda da qualidade
das matérias-primas fornecidas. “Isso leva
a um aumento de produtos com contaminação
microbiológica que chega até o consumidor
final, pois a matéria-prima com baixa qualidade
pode até conseguir passar no teste microbio-lógico,
porque alguns testes ASTM utilizados são elaborados
com microrganismos específicos e não com
os microrganismos reais encontrados no ambiente, sendo
estes muito mais agressivos e ativos”, denuncia
Bueno Filho.
De
seu lado, Marcelo Junho, gerente de marketing para América
Latina Preservação de Produto e Biocidas
da Rohm and Haas, lembra que a utilização
dos biocidas em tintas, assim como outros aditivos de
performance, está ligada não somente ao
fator de produção de tintas do mercado como
um todo, mas também está ligada a outros
dois fatores, “como a evolução do
mix dos produtores de tintas e as mudanças de fórmulas
ou inovações que foram realizadas pelos
produtores em suas linhas de produto. A evolução
do mix de tintas influencia diretamente o uso de biocidas,
pois as necessidades de sua utilização mudam
significativamente entre as categorias, dependendo dos
benefícios e da performance desejados pelos formuladores.
Já mudanças de formulações
ou inovações, tanto em produto quanto em
tecnologia de preservação, influenciam também
na utilização dos biocidas, pois mudanças
de produtos ou mudanças tecno-lógicas em
geral estão ligadas a mudanças de dosagens”.
Para
ele, durante 2006 a Rohm and Haas foi beneficiada pela
presença em alguns segmentos onde foi possível
apresentar inovações e pela presença
em produtos que tiveram um crescimento de mercado. “O
impacto em nosso negócio até outubro deste
ano é positivo a acreditamos que, apesar de uma
dificuldade no setor em geral, fomos bem sucedidos em
manter nosso plano de negócios para 2006.”
Para
a Alcolina, o mercado de biocidas este ano foi marcado
pelo incremento das vendas: “Acreditamos que o aumento
se deve ao aparecimento constante de empresas preocupadas
com problemas que enfrentaram em decorrência de
terem se deixado levar por soluções de baixo
custo, o que causou a redução no padrão
de preservação de suas tintas no mercado,
aliado à confiança adquirida junto aos nossos
clientes também em relação ao fornecimento
desses aditivos”, contam Sandra Natali Monteiro,
gerente nacional de vendas, e Leila Cavalcante de Alcântara,
química consultora técnica da Alcolina -
Centro Oeste.
Sebastian
Gilli Canto, gerente de negócios Biocidas da Arch
Chemicals, conta que 2006 foi positivo para a empresa:
“Os nossos negócios de biocidas não
estão somente ligados ao setor de tintas. Atendemos
outros 16 segmentos e no total estamos tendo um crescimento
expressivo comparando com o ano anterior. Além
desse bom desempenho dos outros segmentos, estamos expandindo
nossas vendas para outros países da América
do Sul e Ásia e conquistando novos clientes no
Brasil.”
Érica
Takeda, gerente comercial de Biocidas e Angus América
Latina da Dow, acrescenta que, “sendo um componente utilizado
na formulação de tinta, os biocidas são
sujeitos às mesmas regras de mercado que afetam
a indústria de tintas. A pressão de
custos existe e requer que o fabricante de biocidas saiba
como otimizar o uso de seu produto. Isso inclui ter
portfolio amplo de produtos, que nos permita atuar
em três necessidades do cliente de tintas: a preservação
na lata (in-can), a preservação do filme
seco (dry-film) e higienização e limpeza
da unidade industrial. A Dow Biocides conta com opções
para essas três finalidades e estão
sendo lançados agora no Brasil os produtos
Canguard (preservação na lata), Filmguard
(preservação do filme) e Dowicil (higiene
industrial). Há uma tendência nesse mercado que
é a da utilização de combinações
de biocidas, criando sinergia. A utilização
do Taunovatesm High-Throughput microbiological testing
permite que esses estudos sejam feitos, otimizando a formulação
do cliente”, reforça.
“Embora
o mercado de tintas tenha passado por dificuldades, para
a ISP 2006 tem sido um ano de forte crescimento. Isso
pode ser explicado pela maior preocupação
dos fabricantes de tintas, no desempenho dos biocidas
nas formulações, o que os levou em muitos
casos a sair da tendência de commodities dos ativos,
traduzindo isso em maiores vendas de nossos ativos de
alta performance”, avalia Roberto Caforio, gerente
de vendas Perfor-mance Chemicals e Biocidas.
De
seu lado, as executivas da Ciba ponderam que “a
demanda por biocidas segue em ritmo de crescimento constante,
devido à preocupação das indústrias
em garantir a proteção adequada ao seu produto
contra a proliferação de microrga-nismos.
No caso das indústrias de tintas que trabalham
com emulsões ou dispersões aquosas, os inconvenientes
da contaminação por micror-ganismos são
muito comuns. Neste sistema, as alterações
físicas e químicas são evidentes,
no aspecto físico, a maior alteração
é a desestabilização das emulsões,
com a separação visual das fases e freqüentemente,
pode ser observada variação de cor. Com
relação ao aspecto químico, a liberação
de enzimas pelos microrganismos provoca o fracionamento
de cadeias poliméricas, gerando moléculas
curtas, de mais fácil digestão ou assimilação
pelas colônias. O resultado final é a liberação
de gases, como o CO2, além de odores sulfurosos.
Lotes contaminados precisam ser descartados ou reprocessados,
elevando os custos ou criando problemas para os usuários
finais”, diz Cíntia Saito, gerente de contas.
“Apesar
desses aspectos causados por contaminação
microbiológica, o mercado de tintas, em especial
as imobiliárias, cresceu na direção
das linhas mais populares, onde a demanda está
orientada a preços, não levando muito em
conta a qualidade e outras vantagens de desempenho de
produtos que adicionem valor e cuja percepção
de vantagens não seja observada no curto prazo.
Conseqüentemente, não absorve os biocidas
por mais complexos e eficientes que sejam sua aplicação
e o custo/benefício trazido e que, ao final, representa
pouco acréscimo no valor final das tintas”,
complementa Silvia Gouveia, chefe do Serviço Técnico
a Clientes Latin America Coating Effect – BL Coating,
da Ciba.
Annemarie
Mertens, gerente de Biocidas para América Latina,
e Debora Fumie Takahashi, vendedora técnica da
Clariant, arrematam: “O mercado de tintas foi muito
afetado, tanto em volume como em valores. Além
da diminuição do volume de vendas de biocidas
no mercado de tintas, em função da grande
concorrência, os produtores de tintas buscam biocidas
cada vez mais baratos, deixando a qualidade e a toxicidade
para segundo plano. A Clariant trabalhou outros negócios
com o objetivo de superar essas dificuldades, buscando
novas aplicações com produtos mais especializados
e, portanto, de maior valor agregado.”
Inovações
Acreditando no crescimento do mercado, apesar de todas
as dificuldades, e se preparando constantemente para oferecer
novas opções ao mercado, os fornecedores
de biocidas continuam investindo na ampliação
do portfolio de produtos, tanto com base em pesquisa e
desenvolvimento nas próprias empresas ou na internalização
de tecnologias já utilizadas em outros mercados.
“Nestes últimos anos vimos o surgimento de
biocidas menos tóxicos e desenhados para obter
a máxima sinergia entre seus componentes, possibilitando,
dessa forma, a indicação de dosagens precisas
(menores) para cada tipo de tinta”, reforça
Rohr.
Bueno Filho acredita que os avanços de nosso mercado
vêm por intermédio da criação
de novos blends de biocidas, que conferem ao produto final
maior proteção microbiológica.
“Os
avanços tecnológicos estão e estarão
mais focados em duas áreas e cada vez mais os avanços
virão do conhecimento e expertise em formulações
de biocidas e a presença em mercados mundiais será
um diferencial competitivo”, ressalta Junho. Segundo
ele, a Rohm and Haas tem inovado principalmente em novas
formulações que possuem testes e aprovações
em condições das mais variadas ao redor
do mundo. “Nossos testes locais têm validado
os resultados que obtivemos mundialmente e em alguns casos
as condições locais são até
menos agressivas. Também as inovações
estão em linha com as tendências mundiais
e o mais importante é que têm encontrado
sua aplicabilidade em nossas condições locais,
entregando os benefícios exigidos pelos formuladores
de tintas nas condições desejadas para seu
produto. Essa presença mundial também está
trazendo a segurança da aprovação
dos produtos em diversas associações e instituições
reguladoras reconhecidas internacionalmente. Estamos trazendo
ao mercado a segurança de testes, suporte técnico,
regulamentação e experiência em diversas
regiões do mundo orientadas especificamente para
os benefícios requisitados localmente.”
Para
exemplificar algumas inovações que a Rohm
and Haas trouxe ao mercado, Junho cita produtos com função
3 em 1 (bactericida, fungicida e algicida) com espectro
amplo e testado em condições locais; produtos
com maior potencial de estabilização nas
tintas, produtos com efeito específico como algicidas
puros ou produtos de preservação no envase
(bactericidas) com necessidades de ação
rápida e/ou de performance de mais longo prazo.
“A Rohm and Haas é pioneira mundial na síntese
da molécula da marca Kathon, hoje estendida a toda
a linha Rocima; há mais de dez anos também
foi a pioneira na síntese da molécula de
MIT, hoje mais aplicada na preservação de
tintas dentro da lata. Adicionados a essas tecnologias,
a empresa possui outras moléculas no portfolio
e um grande diferencial vem do conhecimento das interações
das formulações.”
A
própria Rohm and Haas, por intermédio da
aquisição de uma empresa suíça,
a Acima, absorveu clientes, otimizou o atendimento, melhorou
a oferta de produtos e serviços e ampliou seletivamente
a gama de novas tecnologias para o mercado. “Por
razões de produtividade e adequação
de performance, verificamos um equilíbrio e uma
concentração de tecnologias oferecidas para
o que podemos chamar de mass market muito orientado pelas
necessidades dos produtores de tintas. Já as mudanças
tecnológicas estão mais concentradas em
benefícios específicos e tendências
mundiais desde que atendam o apelo e benefícios
para o mercado local. Em resumo, o número de fornecedores
e seus respectivos portfolios de biocidas para mass market
mantiveram-se focados e com poucas mudanças tecnológicas,
enquanto outras mudanças tecnológicas estão
orientadas por situações bem específicas
em linha com tendências mundiais. A competitividade
se mantém alta neste setor e o segmento de tintas
segue com um crescimento modesto, em linha com o PIB do
País.”
Canto,
por sua vez, pondera que com a redução das
margens de lucro dos fabricantes de tintas houve uma busca
por biocidas mais baratos. “Recentemente, observamos
a procura por produtos diferenciados no intuito de oferecer
aos clientes finais soluções específicas
para problemas diferentes, reposicionando os preços
das tintas e conseqüentemente recuperando parte da
margem de lucro. Também a pressão dos agentes
regulatórios para substituição de
produtos já banidos na Europa e Estados Unidos
colabora para o interesse por biocidas com soluções
ambientalmente aprovadas. Com isto, volta o interesse
por produtos inovadores e com maior valor agregado. No
caso da Arch, destacamos o Zinc Omadine ZOE, que é
uma das principais inovações surgidas nos
últimos anos. São piritionatos utilizados
como agentes antimicrobianos bactericidas, fungicidas
e algicidas em uma só molécula.”
A
Arch tem na sua linha ainda os produtos Proxel, Omadine,
Omacide, Densil, Vantocil e Triadine, soluções
em bactericidas, fungicidas, algicidas e antimicrobianos.
Para
Érica, nos últimos anos, houve aumento da
demanda de tintas, tanto decorativas quanto industriais,
em países emergentes. Como todos os produtos à
base de água são suscetíveis ao ataque
microbiológico, isso fortaleceu o mercado de biocidas,
oferecendo oportunidades de crescimento para seus fabricantes.
No entanto, requisitos de registros severos e custosos
e o preço crescente das matérias-primas
representam desafios para os fabricantes de biocidas.
“A Dow Biocides tem oferecido apoio a clientes por
meio de seu conhecimento em registros e oferecendo
soluções. Um exemplo disso é o desenvolvimento
da Dow Biocides do Taunovatesm High-Throughput microbiological
testing capabilities (equipamento para avaliação
microbiológica), que permite ajudar os clientes, oferecendo
o melhor biocida ou combinação de biocidas,
observando sempre o desempenho e custo. O Taunovate fornece
informação rápida e precisa sobre
o desempenho do biocida. Para combinações
de biocidas, pode determinar as concentrações
mais efetivas e dosagens dos ativos envolvidos.”
A
tecnologia Taunovate é oferecida atualmente em
três laboratórios da Dow: Buffalo Grove, Estados
Unidos; Shanghai, China; e Horgen, Suíça.
Em 2007, serão abertos cinco novos centros regionais
de aplicação, sendo um deles em São
Paulo, para atender aos clientes da América Latina.
O centro de aplicação no Brasil contará
com os equipamentos apropriados para as análises
microbiológicas, além do Taunovate.
Caforio
diz que tem constatado nos últimos anos maior
valorização das empresas fornecedoras de
biocidas em termos de experiência, variedade da
oferta de ativos, flexibilidade nas soluções
para os clientes, profissionalismo e estrutura, além
de pensar só no custo. “A tendência
deverá continuar dirigindo-se para ativos mais
eficientes e de melhor perfil tóxico-ecológico. Isso
deverá traduzir-se no curto prazo em maior venda de
ativos hoje considerados como especialidades.”
“Nos
últimos anos o segmento de mercado de biocidas
tem sido marcado por aumento de competiti-vidade, tanto
local quanto internacionalmente. Para nós da Ciba,
o foco é sempre trabalhar com especialidades em
qualquer área. No tocante a biocidas, nós
trabalhamos com moléculas exclusivas para algicidas
e também um agente antimicrobiano bactericida para
superfície”, conta Cíntia, lembrando
que a empresa, por meio da utilização da
nanotecnologia, desenvolveu um agente antimicrobiano bactericida
à base de íons de sal de prata, chamado
Irgaguard H6000. Este produto é especifico para
assepsia de superfícies, atuando na inibição
do crescimento de bactérias gram positivas e negativas
e também alguns tipos de fungos responsáveis
pelas principais contaminações e infecções
nos seres humanos.
“A
tecnologia do íon de sal de prata foi desenvolvida
para aplicações muito particulares, como
tintas imobiliárias para linha hospitalar, tinta
em pó para linha branca de eletrodomésticos,
coil coating e tintas industriais para piso de laboratórios
e indústrias farmacêuticas, alimentícia
e consultórios médicos, ou seja, onde há
a necessidade de diminuir a contaminação
e infecção por bactérias”,
especifica Silvia.
Pelo
mecanismo de ação do Irgaguard H6000, primeiramente,
os íons de sal de prata são liberados para
superfície, entram em contato com o microorganismo,
interagem com ele transferindo os íons para dentro
da célula, o que o impede de respirar e conseqüentemente
o leva à morte. “As vantagens desse tipo
de agente antimicrobiano vão além de sua
eficiência em inibir e exterminar microorganismos
presentes em superfícies, pois ainda apresenta
excelente estabilidade térmica (superior ao Triclosan),
é de fácil solubilidade, já que pode
ser facilmente homogeneizada na tinta e apresenta baixíssima
toxidade, sem riscos para o contato humano”, destacam
as representantes da Ciba.
A
Ciba tem também o algicida Irgaguard D1071, especificamente
desenvolvido para uso em tintas imobiliárias. Outra
versão de algicida é o Irgarol 1051, desenvolvido
para tintas marítimas para evitar as terríveis
incrustações nas embarcações,
que podem vir a causar uma série de danos, como
o aumento do consumo de combustível, perda de velocidade
e navegabilidade, danos físicos ao filme e corrosão.
O Irgarol 1051 é um algicida de metais pesados
como chumbo, seguindo as condições de órgãos
internacionais de segurança e meio ambiente.
Por
fim, as representantes da Clariant avaliam que o mercado
de tintas no Brasil vem crescendo muito pouco em volume.
“Este fato, associado à pressão por
produtos com preços cada vez menores, gerou queda
no mercado de biocidas. Atualmente, algumas empresas multinacionais
que seguem as normas regulamentadas pela matriz vêm
buscando ativos menos tóxicos ao homem e ao ambiente,
evitando ativos como o Carbendazin e Diuron”, aponta
Annemarie. “Recentemente, lançamos uma inovação
tecnológica, o JMAC LP10, produto à base
de sal de prata, que confere efeito bactericida ao filme
seco da tinta. Esse produto possibilita trabalhar mercados
diferenciados, como hospitais, indústria alimentícia
e cosmética, onde a preocupação com
a contaminação microbiológica do
ambiente é de suma importância”, continua
Débora.
Também
Gonçalves lembra que as empresas estão banindo
a Carbendazina e o Diuron. “Essas ações,
infelizmente, ficam restritas a pequeno número
de empresas, porque a grande maioria só objetiva
preços baixos, ficando importantes aspectos toxicológicos
à margem da discussão. Detentora de enorme
know-how na produção de fungicidas à
base de IPBC, a Troy possui vários produtos da
família Polyphase, isentos de Carbendazina, para
solucionar modernas demandas do segmento de tintas”,
destaca.
Perspectivas
Para 2007, cada empresa tem uma perspectiva, mas a maioria
acredita em crescimento. “O grande desafio brasileiro
desta área é a falta de normas e decretos
que proíbem ou restringem a utilização
de produtos altamente tóxicos, que foram banidos
em todo o território mundial, como é o caso
do formol, que tem sua toxidez descrita em qualquer livro
de química e mesmo assim continua sendo permitido
até para o contato humano, como no caso das escovas
progressivas utilizadas nos cabeleireiros. Neste próximo
ano, a tendência é que ocorra uma mudança
no mercado de tintas, devido a introdução
de novas moléculas microbicidas com melhor performance
que as atualmente utilizadas, pois assim nossos clientes
poderão fornecer ao consumidor final um produto
com a mais alta qualidade, que permanecerá com
as mesmas características, independentemente da contaminação
do ambiente em que ele foi aplicado”, pondera Bueno
Filho.
“Prevemos
um ano de 2007 com boas perspectivas principalmente pelos
resultados obtidos no ano de 2006. Não se espera
um crescimento do segmento de tintas acima de 4% para
2007, mas nossas novas tecnologias aliadas ao nosso portfolio
de produtos atual deverão proporcionar maior valor
para o mercado e para os clientes que estiverem buscando
uma combinação saudável entre inovação,
competitividade, serviços e informação
sobre tendências mundiais que possam ser trazidos
à nossa região”, antevê Junho.
Para
Canto, o desenvolvimento de novas moléculas é
muito caro e não é possível enxergar
no mundo movimentos neste sentido. “As regulamentações
cada vez mais restringem o uso de algumas moléculas,
a exemplo do BPD, na Europa, e EPA, nos Estados Unidos.
Com isso, alguns produtos deixarão de ser ofertados
mundialmente e poucas empresas estarão aptas a
oferecer soluções corretas aos fabricantes
de tintas. Também esperamos que em algum momento
futuro no Brasil ocorram estas restrições.”
Mesmo
assim, o executivo projeta “para o ano de 2007 um
crescimento expressivo nas vendas de biocidas e em particular
no segmento de tintas, com os lançamentos de alguns
novos produtos e aumento das exportações
da Arch”.
Também
para Érica, os fabricantes de biocidas enfrentam
cada vez mais requisitos de regulamentação
ao redor do mundo. “Recentemente, a European Biocidal
Products Directive (BPD) tornou os registros na Europa
caros e demorados; qualquer alteração
na formulação de um cliente precisa levar
isso em consideração. No Brasil, na
área de tintas, ainda não há
necessidade de registros, mas vários clientes já
estão cientes dessa tendência, tendo de cumprir
com alguns regulamentos nos casos em que o produto
final é exportado.”
Ela
acrescenta que a Dow espera um ano de crescimento em biocidas
para 2007 na América Latina e globalmente. Em
um ambiente de grande competitividade, como o de tintas,
os fabricantes entendem que preservar a qualidade de seu
produto é fundamental, e o uso de biocidas é
mandatório. Os formuladores de tintas buscam continuamente
melhorar seus padrões nessa área, melhorando
a qualidade geral de suas tintas. No Brasil, a Abrafati
tem uma iniciativa interessante, visando a melhorar o
padrão das tintas brasileiras.
Na
ISP, o otimismo é a nota: “As perspectivas
são as melhores possíveis para o ano de
2007 por dois motivos principais. O primeiro é
que passada a eleição de 2006 e com a definição
do panorama político do País, a tendência
é de retomada do crescimento econômico e
calmaria no mercado; isso traria para nossa área
uma recuperação em relação
ao ano de 2006. O outro motivo é que a experiência
e a estatística confirmam que é muito difícil
termos dois anos seguidos de estagnação
e a tendência é que 2007 seja melhor que
2006. Esperamos que isso ocorra também com o mercado
de tintas no Brasil, para isso temos que estar confiantes
em crescimento econômico maior que o de 2006 e um
aumento no poder aquisitivo da população
como um todo, que, na realidade, são nossos clientes
finais. Acredito que o único obstáculo seria
uma retração do mercado como conseqüência
de uma lentidão do crescimento econômico
do Brasil. No entanto, não acreditamos nisso e
estamos certos de que os obstáculos que virão
pela frente serão aqueles mesmos que enfrentamos
em qualquer outro mercado e vamos certamente superá-los,
preservando assim nossa curva ascendente de crescimento,
afinal preservar é a nossa especialidade”,
reforça Caforio.
Rohr,
por sua vez, acha que o mercado não vai ter grandes
novidades: “Não há sinais para ser
otimista com o ano de 2007. Os volumes podem até
aumentar um pouco, mas as margens continuarão baixas
e os custos de se desenvolver novos biocidas estão
cada vez maiores. Se o próximo ano repetir 2005
poderemos ficar satisfeitos.”
Para
Sandra e Leila, o mercado nos últimos anos no setor
de biocidas foi marcado pela preocupação
com a redução dos preços de venda
das tintas, tornando uma prioridade a redução
no preço de custo das formulações,
gerando uma diminuição de preços
e margens e levando a qualidade dos produtos finais a
limites mínimos. “As crises que enfrentamos
no mercado acabam gerando uma diminuição
da qualidade em relação aos preços.
No segmento de biocidas acreditamos que ainda teremos
grandes obstáculos a serem vencidos desde as dificuldades
de mercado, até a conscientização
de novos clientes da necessidade de mudança de
tecnologia e controle, aliados a altos gastos com registros
e estudos toxicológi-cos de produtos novos a serem
implantados”, dizem.
Gonçalves
arremata:“A ausência de maior conscientização
do segmento de tintas como um todo representa a maior
dificuldade para lançar o tema biocidas no nível
profissional dese-jável. Passado o momento especula-tivo
no cenário político, acredito que 2007 deverá
apresentar um desempenho superior ao ano em curso. A Troy
espera obter crescimento importante neste campo, porém
sem deixar de focar os aspectos de rentabilidade”.
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