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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 106 - Resinas Epóxi
 
Demanda pressiona preços
 
A falta de matéria-prima foi um problema sofrido pelos fornecedores de resinas epóxi em 2006, que deve perdurar ainda por algum tempo, já que a oferta só deve se normalizar em 2008.
 
Cynthia Luz
 

Com aquecimento de demanda registrado neste ano, especialmente no segundo semestre, as resinas epóxi estão passando por aumento de preços ou mesmo escassez. Isso porque o fechamento de uma fábrica de epicloridrina, matéria-prima básica, causou desabastecimento nos fornecedores. Além disso, esse é um mercado que, na contramão da economia, vem crescendo acima do PIB.

“As aplicações de resinas epóxi no mercado de tintas e vernizes ultravioleta têm aumentado seguindo a ampliação do uso da tecnologia de cura por radiação, que cresce ao ritmo de 10% ao ano. Especialmente nos mercados de vernizes gráficos e vernizes para móveis de madeira verificou-se significativo crescimento”, reporta Alberto Matera, gerente de vendas da Cytec, acrescentando: “No segmento de tintas e vernizes ultravioleta o crescimento de mercado deve ser de 10%, especialmente para os vernizes de sobreimpressão e para madeira.”

Como distribuidora da Hexion Specialty Chemicals, a Brenntag tem à sua disposição amplo portfólio de produtos para esse mercado. No entanto, mudou o foco de atuação no mercado, passando da comercialização de produtos mais commoditizados para as especialidades químicas, como agentes de cura e resinas epóxi base água. “Por isso,  não temos como fazer uma análise a esse respeito, já que mudamos o foco de atuação para o mercado. No entanto, as tintas de alto sólidos e base água têm tido participação crescente no mercado de tintas de manutenção industrial, anticorrosiva e marítima, fazendo com que o crescimento seja maior do que o projetado para o mercado em geral”, analisa Gutenberg Souza Oliveira, gerente de marketing da Brenntag Química Brasil.

José Jordano, químico de aplicações da Carbono Química, lembra que, “considerando-se os indicadores do Sitivesp (Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo), o quadro geral de consumo de tintas e vernizes para os setores automotivos, eletrodomésticos, gráficas, construção naval e outros (incluindo nestes as indústrias de tintas para madeiras, serigráficas, manutenção industrial, etc.), de 2001 a 2005, demonstra que na maioria desses setores tivemos crescimento no consumo de tintas. Nestes casos, o uso de sistemas epoxídicos torna-se indispensável para composição destas formulações e conseqüentemente o uso de resinas epóxi também“.

Jordano ainda pondera: “A demanda por esse tipo de resina, ao contrário do que se imagina, é crescente, porém mais pela necessidade imediatista de uso em outros componentes, como os eletrônicos, por exemplo, cujos consumidores principais são os asiáticos. A indústria de tintas também responde por uma parcela globalmente expressiva, apresentando vantagens bastante apreciadas. Apesar do crescimento menor que o esperado, o mercado de tintas deverá solicitar volumes maiores de resina – contudo é de se esperar que, devido à maior demanda e menor oferta de produto, aumentos de preços se seguirão às solicitações.”

João Jensen, gerente de marketing Epoxy Products para América Latina da Dow, explica que o mercado global de resinas epóxi sofreu grandes variações com relação ao balanço de oferta e procura e variação dos preços entre 2000 e 2006. “No início desse período, houve forte retração da demanda, principalmente devido ao mau desempenho do mercado de eletrônicos na região do Pacífico e à fraca demanda para o segmento de tintas, o que fez os preços descerem a níveis extremamente baixos (2001). A partir de 2003, a demanda voltou a crescer, apresentando taxas de crescimento acima do esperado e o mercado mudou para uma situação de alta demanda e oferta controlada, causando um aumento dos preços e gerando falta de produto em algumas regiões e mercados (2004/2005). Este foi um ano também caracterizado pela restrição de oferta e uma demanda aquecida, crescendo globalmente entre 7% e 8%, o que deixou o mercado curto e com tendência de alta nos preços. Em paralelo com a situação de oferta e procura, os custos das principais matérias-primas apresentaram forte tendência de alta nesse mesmo período, o que impactou negativamente as margens da indústria.”

Já para Sandra Papic, gerente de vendas Tintas da Bandeirante Química, distribuidora da Dow, “o mercado de resinas epóxi se manteve estável no primeiro semestre, mas houve um grande aumento da demanda a partir de setembro. Hoje, a situação é de falta de produto nos principais fornecedores. A perspectiva é de que em 2007 a situação continue a mesma, com escassez de oferta. Somente em 2008 essa situação deve se normalizar”, diz. Ela ainda aponta que “a oferta de resinas epóxi foi menor que a demanda notadamente no segundo semestre, devido ao fechamento de uma fábrica que produzia epicloridrina, que provocou redução na produção mundial. Normalmente, existe um aquecimento no segundo semestre, fato confirmado este ano”.

Sandra relata que houve problemas de abastecimento, não no mercado local, mas devido à alta demanda a empresa teve que prestigiar os clientes fiéis, disponibilizando o produto para que mantenham o mesmo padrão de atendimento. “Infelizmente tivemos falta de algumas resinas importadas e não tivemos condições de substituí-las.”

Carlos Fernando de Abreu, diretor comercial da Bandeirante Química avalia que a fidelização e a regularidade do fornecimento são a tônica. “Não é hora de especular. Estamos privilegiando os nossos clientes regulares. Por outro lado, não cabe a especulação em preços, fato que tem sido registrado pela falta do produto. Trabalhamos com a Dow Química, uma empresa ética, responsável, e continuamos atendendo os nossos clientes fiéis com preços de acordo com os valores corretos. Agora é a hora de responder àquele voto de fidelidade do cliente, que sempre nos escolheu como fornecedor”, reitera Abreu.

Na opinião de Luiz Antonio Pereira Martinho, gerente-geral da Priam/Deltech, “o mercado está estável em relação a crescimento. O que tem acontecido de novo nos últimos anos é a invasão chinesa também neste setor, provocando uma mudança nos competidores”.

Fabricante mundial no segmento de epóxi, a Jana – Jubail Chemical Industries chega ao Brasil neste final de ano: “O mercado mundial se desenvolveu muito bem nos últimos anos. Somente nos últimos 12 meses o mercado cresceu 7%. A Jana tem capacidade instalada de 45 mil toneladas na cidade de Jubail, Arábia Saudita. No Brasil, estamos iniciando promoção e venda dos produtos por intermédio da Lumasa, comandada por Mario de Carvalho, que tem trabalhado com resinas epóxi por mais de 15 anos, no Brasil, Estados Unidos e Europa”, conta Alexandre Denzler, CEO da Jana.

Aplicações
As resinas epóxi apresentam uma diversidade de aplicações, desde adesivos, produtos para laminação, materiais compostos, confecção de pisos industriais, impermeabilizantes etc. “Em tintas, normalmente são utilizadas em: primers e sistemas nos quais se necessita de alta resistência à corrosão; insumo básico para preparação de oligômeros acrilados em aplicações de cura ultravioleta; formulações de tintas base pó especiais para a chamada linha branca, eletrodomésticos e outros materiais tubulares ou não, de geometria complexa, onde sistemas convencionais base solvente, aquosos ou UV apresentariam dificuldades de aplicação, custos maiores, ou outros inconvenientes”, ensina Jordano.

Sandra especifica que, em tintas, as principais aplicações dessas resinas são em tinta de manutenção industrial – 29%, divididos em primers e acabamentos, vernizes para piso, tinta marítima, tinta para revestimento de tanques; tintas em pó – 36%; tinta automotiva – 16%; e tintas para revestimento de embalagens – 19%.

Investimentos
A Cytec planeja a ampliação da linha de epóxis acrilados para UV, que hoje conta com 30 itens, atendendo várias necessidades dos mercados gráfico e industrial, e vai investir na ampliação da produção de resinas epóxis acriladas na fábrica brasileira.

A Brenntag continuará investindo em seu laboratório de aplicação técnica (TLA) para o setor de tintas e vernizes, equipando-o com novos equipamentos a fim de capacitá-lo para atender os mais diversos segmentos deste mercado. Localizado em Guarulhos, SP, junto de sua maior unidade de armazenagem, este laboratório já conta com os equipamentos necessários para a realização dos testes mais comuns realizados no mercado de tintas e revestimentos. Esse laboratório é a execução de um dos pontos da estratégia da empresa e vai ao encontro de algo já há muito detectado pela Brenntag: de que a distribuição de químicos será não somente uma prestação de serviços logísticos, mas também ofgerecerá soluções completas aos mercados.

A Carbono está sempre em contato com os fornecedores internacionais na busca de insumos mais competitivos e ambientalmente corretos. Investe em pesquisa, equipamentos, treinamento e pessoal com capacitação técnica comprovada.

“A verticalização na produção de matérias- primas é primordial para assegurar, não só a qualidade, mas também garantir o fornecimento de resinas. Devido à crescente dificuldade no fornecimento de epicloridrina detectada pela Jana há alguns anos, já temos em construção uma unidade para a produção deste insumo, que deverá ter seu start-up em meados do próximo ano”, adianta Denzler, acrescentando que a Jana tem previsão de investimentos de aproximadamente US$ 600 milhões no período entre 2004 e 2010.

A Dow ressalta o investimento de US$ 200 milhões na China, contemplando a construção de uma fábrica de epicloridrina (processo GTE), uma fábrica de resina epóxi líquida e aumento de capacidade da atual planta de resinas convertidas (sólidas, sólidas em solução).

Lançamentos

Trabalhando com a Hexion Specialty Chemicals, a Brenntag oferece ampla linha de produtos para o sistema epóxi. “Diluentes reativos são a nossa grande aposta, já que são componentes fundamentais nos sistemas de alto sólidos, que devem aumentar muito a participação no mercado de epóxi em geral. Além disto, os sistemas base água têm tido crescimento acima da média. Também oferecemos agentes de cura em pó, para os sistemas de tintas epóxi em pó”, conta Oliveira.

Neste ano, a Hexion Specialty Chemicals lançou dois novos produtos: Epikure 3230 e Epikure 3233, que são poliéter aminas, utilizados para os mercados de tintas e vernizes, construção civil, adesivos e compósitos.

Jordano lembra que o mercado tem buscado algumas possibilidades de obtenção de resinas epóxi de forma a fazer uso de produtos menos agressivos ao ambiente e com custos mais baixos. “Como sabemos, a resina epóxi é basicamente o resultado de reações entre a epicloridrina e o bisfenol. Já ouvimos falar de empresas que trabalham na busca de outras rotas de obtenção de epicloridrina (um produto que apresenta toxicidade) por meio de derivados do biodiesel.” A Carbono Química tem apresentado sempre alternativas menos agressivas ao ambiente, desde as resinas epóxis líquidas isentas de solventes, possibilitando o uso de sistemas alto sólidos e até 100% sólidos. Outras alternativas são as resinas epóxi emulsionadas, as quais permitem uma grande redução de VOCs, pois fazem uso de água como solvente, além de evitar o uso de solventes orgânicos na limpeza de seus equipamentos.

Para o executivo da Jana, as resinas epóxi são em geral produtos maduros, não há muitas mudanças à vista, salvo produtos específicos para nichos, como, por exemplo, as resinas em pó modificadas com diferentes aditivos para facilitar o uso final.

Para Sandra, “as resinas epóxi base água são o principal desenvolvimento do setor, que ganha uma resina atóxica, que não polui e não apresenta riscos de incêndio”. Já Abreu complementa: “Lançaremos em 2007 os endurecedores de epóxi, completando a linha de produtos oferecidos.

Jensen, por sua vez, destaca: “Uma das grandes inovações tecnológicas da Dow para o segmento foi o recente anúncio do desenvolvimento de uma tecnologia alternativa para a produção de epicloridrina, a principal matéria-prima da resina epóxi. A tecnologia GTE (glycerine to EPI) enseja na obtenção de EPI através da glicerina, ao invés da rota tradicional do cloro e propeno. Essa nova tecnologia propicia a obtenção da EPI a partir de uma fonte renovável, que é a glicerina e com custos competitivos com o processo tradicional.”

 
 
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