Com
aquecimento de demanda registrado neste ano, especialmente
no segundo semestre, as resinas epóxi estão
passando por aumento de preços ou mesmo escassez.
Isso porque o fechamento de uma fábrica de epicloridrina,
matéria-prima básica, causou desabastecimento
nos fornecedores. Além disso, esse é um
mercado que, na contramão da economia, vem crescendo
acima do PIB.
“As
aplicações de resinas epóxi no mercado
de tintas e vernizes ultravioleta têm aumentado
seguindo a ampliação do uso da tecnologia
de cura por radiação, que cresce ao ritmo
de 10% ao ano. Especialmente nos mercados de vernizes
gráficos e vernizes para móveis de madeira
verificou-se significativo crescimento”, reporta
Alberto Matera, gerente de vendas da Cytec, acrescentando:
“No segmento de tintas e vernizes ultravioleta o
crescimento de mercado deve ser de 10%, especialmente
para os vernizes de sobreimpressão e para madeira.”
Como
distribuidora da Hexion Specialty Chemicals, a Brenntag
tem à sua disposição amplo portfólio
de produtos para esse mercado. No entanto, mudou o foco
de atuação no mercado, passando da comercialização
de produtos mais commoditizados para as especialidades
químicas, como agentes de cura e resinas epóxi
base água. “Por isso, não temos
como fazer uma análise a esse respeito, já
que mudamos o foco de atuação para o mercado.
No entanto, as tintas de alto sólidos e base água
têm tido participação crescente no
mercado de tintas de manutenção industrial,
anticorrosiva e marítima, fazendo com que o crescimento
seja maior do que o projetado para o mercado em geral”,
analisa Gutenberg Souza Oliveira, gerente de marketing
da Brenntag Química Brasil.
José
Jordano, químico de aplicações da
Carbono Química, lembra que, “considerando-se
os indicadores do Sitivesp (Sindicato da Indústria
de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo), o
quadro geral de consumo de tintas e vernizes para os setores
automotivos, eletrodomésticos, gráficas,
construção naval e outros (incluindo nestes
as indústrias de tintas para madeiras, serigráficas,
manutenção industrial, etc.), de 2001 a
2005, demonstra que na maioria desses setores tivemos
crescimento no consumo de tintas. Nestes casos, o uso
de sistemas epoxídicos torna-se indispensável
para composição destas formulações
e conseqüentemente o uso de resinas epóxi
também“.
Jordano
ainda pondera: “A demanda por esse tipo de resina,
ao contrário do que se imagina, é crescente,
porém mais pela necessidade imediatista de uso
em outros componentes, como os eletrônicos, por
exemplo, cujos consumidores principais são os asiáticos.
A indústria de tintas também responde por
uma parcela globalmente expressiva, apresentando vantagens
bastante apreciadas. Apesar do crescimento menor que o
esperado, o mercado de tintas deverá solicitar
volumes maiores de resina – contudo é de
se esperar que, devido à maior demanda e menor
oferta de produto, aumentos de preços se seguirão
às solicitações.”
João
Jensen, gerente de marketing Epoxy Products para América
Latina da Dow, explica que o mercado global de resinas
epóxi sofreu grandes variações com
relação ao balanço de oferta e procura
e variação dos preços entre 2000
e 2006. “No início desse período,
houve forte retração da demanda, principalmente
devido ao mau desempenho do mercado de eletrônicos
na região do Pacífico e à fraca demanda
para o segmento de tintas, o que fez os preços
descerem a níveis extremamente baixos (2001). A
partir de 2003, a demanda voltou a crescer, apresentando
taxas de crescimento acima do esperado e o mercado mudou
para uma situação de alta demanda e oferta
controlada, causando um aumento dos preços e gerando
falta de produto em algumas regiões e mercados
(2004/2005). Este foi um ano também caracterizado
pela restrição de oferta e uma demanda aquecida,
crescendo globalmente entre 7% e 8%, o que deixou o mercado
curto e com tendência de alta nos preços.
Em paralelo com a situação de oferta e procura,
os custos das principais matérias-primas apresentaram
forte tendência de alta nesse mesmo período,
o que impactou negativamente as margens da indústria.”
Já
para Sandra Papic, gerente de vendas Tintas da Bandeirante
Química, distribuidora da Dow, “o mercado
de resinas epóxi se manteve estável no primeiro
semestre, mas houve um grande aumento da demanda a partir
de setembro. Hoje, a situação é de
falta de produto nos principais fornecedores. A perspectiva
é de que em 2007 a situação continue
a mesma, com escassez de oferta. Somente em 2008 essa
situação deve se normalizar”, diz.
Ela ainda aponta que “a oferta de resinas epóxi
foi menor que a demanda notadamente no segundo semestre,
devido ao fechamento de uma fábrica que produzia
epicloridrina, que provocou redução na produção
mundial. Normalmente, existe um aquecimento no segundo
semestre, fato confirmado este ano”.
Sandra
relata que houve problemas de abastecimento, não
no mercado local, mas devido à alta demanda a empresa
teve que prestigiar os clientes fiéis, disponibilizando
o produto para que mantenham o mesmo padrão de
atendimento. “Infelizmente tivemos falta de algumas
resinas importadas e não tivemos condições
de substituí-las.”
Carlos
Fernando de Abreu, diretor comercial da Bandeirante Química
avalia que a fidelização e a regularidade
do fornecimento são a tônica. “Não
é hora de especular. Estamos privilegiando os nossos
clientes regulares. Por outro lado, não cabe a
especulação em preços, fato que tem
sido registrado pela falta do produto. Trabalhamos com
a Dow Química, uma empresa ética, responsável,
e continuamos atendendo os nossos clientes fiéis
com preços de acordo com os valores corretos. Agora
é a hora de responder àquele voto de fidelidade
do cliente, que sempre nos escolheu como fornecedor”,
reitera Abreu.
Na
opinião de Luiz Antonio Pereira Martinho, gerente-geral
da Priam/Deltech, “o mercado está estável
em relação a crescimento. O que tem acontecido
de novo nos últimos anos é a invasão
chinesa também neste setor, provocando uma mudança
nos competidores”.
Fabricante
mundial no segmento de epóxi, a Jana – Jubail
Chemical Industries chega ao Brasil neste final de ano:
“O mercado mundial se desenvolveu muito bem nos
últimos anos. Somente nos últimos 12 meses
o mercado cresceu 7%. A Jana tem capacidade instalada
de 45 mil toneladas na cidade de Jubail, Arábia
Saudita. No Brasil, estamos iniciando promoção
e venda dos produtos por intermédio da Lumasa,
comandada por Mario de Carvalho, que tem trabalhado com
resinas epóxi por mais de 15 anos, no Brasil, Estados
Unidos e Europa”, conta Alexandre Denzler, CEO da
Jana.
Aplicações
As resinas epóxi apresentam uma diversidade de
aplicações, desde adesivos, produtos para
laminação, materiais compostos, confecção
de pisos industriais, impermeabilizantes etc. “Em
tintas, normalmente são utilizadas em: primers
e sistemas nos quais se necessita de alta resistência
à corrosão; insumo básico para preparação
de oligômeros acrilados em aplicações
de cura ultravioleta; formulações de tintas
base pó especiais para a chamada linha branca,
eletrodomésticos e outros materiais tubulares ou
não, de geometria complexa, onde sistemas convencionais
base solvente, aquosos ou UV apresentariam dificuldades
de aplicação, custos maiores, ou outros
inconvenientes”, ensina Jordano.
Sandra
especifica que, em tintas, as principais aplicações
dessas resinas são em tinta de manutenção
industrial – 29%, divididos em primers e acabamentos,
vernizes para piso, tinta marítima, tinta para
revestimento de tanques; tintas em pó – 36%;
tinta automotiva – 16%; e tintas para revestimento
de embalagens – 19%.
Investimentos
A Cytec planeja a ampliação da linha de
epóxis acrilados para UV, que hoje conta com 30
itens, atendendo várias necessidades dos mercados
gráfico e industrial, e vai investir na ampliação
da produção de resinas epóxis acriladas
na fábrica brasileira.
A
Brenntag continuará investindo em seu laboratório
de aplicação técnica (TLA) para o
setor de tintas e vernizes, equipando-o com novos equipamentos
a fim de capacitá-lo para atender os mais diversos
segmentos deste mercado. Localizado em Guarulhos, SP,
junto de sua maior unidade de armazenagem, este laboratório
já conta com os equipamentos necessários
para a realização dos testes mais comuns
realizados no mercado de tintas e revestimentos. Esse
laboratório é a execução de
um dos pontos da estratégia da empresa e vai ao
encontro de algo já há muito detectado pela
Brenntag: de que a distribuição de químicos
será não somente uma prestação
de serviços logísticos, mas também
ofgerecerá soluções completas aos
mercados.
A
Carbono está sempre em contato com os fornecedores
internacionais na busca de insumos mais competitivos e
ambientalmente corretos. Investe em pesquisa, equipamentos,
treinamento e pessoal com capacitação técnica
comprovada.
“A
verticalização na produção
de matérias- primas é primordial para assegurar,
não só a qualidade, mas também garantir
o fornecimento de resinas. Devido à crescente dificuldade
no fornecimento de epicloridrina detectada pela Jana há
alguns anos, já temos em construção
uma unidade para a produção deste insumo,
que deverá ter seu start-up em meados do próximo
ano”, adianta Denzler, acrescentando que a Jana
tem previsão de investimentos de aproximadamente
US$ 600 milhões no período entre 2004 e
2010.
A
Dow ressalta o investimento de US$ 200 milhões
na China, contemplando a construção de uma
fábrica de epicloridrina (processo GTE), uma fábrica
de resina epóxi líquida e aumento de capacidade
da atual planta de resinas convertidas (sólidas,
sólidas em solução).
Lançamentos
Trabalhando
com a Hexion Specialty Chemicals, a Brenntag oferece ampla
linha de produtos para o sistema epóxi. “Diluentes
reativos são a nossa grande aposta, já que
são componentes fundamentais nos sistemas de alto
sólidos, que devem aumentar muito a participação
no mercado de epóxi em geral. Além disto,
os sistemas base água têm tido crescimento
acima da média. Também oferecemos agentes
de cura em pó, para os sistemas de tintas epóxi
em pó”, conta Oliveira.
Neste
ano, a Hexion Specialty Chemicals lançou dois novos
produtos: Epikure 3230 e Epikure 3233, que são
poliéter aminas, utilizados para os mercados de
tintas e vernizes, construção civil, adesivos
e compósitos.
Jordano
lembra que o mercado tem buscado algumas possibilidades
de obtenção de resinas epóxi de forma
a fazer uso de produtos menos agressivos ao ambiente e
com custos mais baixos. “Como sabemos, a resina
epóxi é basicamente o resultado de reações
entre a epicloridrina e o bisfenol. Já ouvimos
falar de empresas que trabalham na busca de outras rotas
de obtenção de epicloridrina (um produto
que apresenta toxicidade) por meio de derivados do biodiesel.”
A Carbono Química tem apresentado sempre alternativas
menos agressivas ao ambiente, desde as resinas epóxis
líquidas isentas de solventes, possibilitando o
uso de sistemas alto sólidos e até 100%
sólidos. Outras alternativas são as resinas
epóxi emulsionadas, as quais permitem uma grande
redução de VOCs, pois fazem uso de água
como solvente, além de evitar o uso de solventes
orgânicos na limpeza de seus equipamentos.
Para
o executivo da Jana, as resinas epóxi são
em geral produtos maduros, não há muitas
mudanças à vista, salvo produtos específicos
para nichos, como, por exemplo, as resinas em pó
modificadas com diferentes aditivos para facilitar o uso
final.
Para
Sandra, “as resinas epóxi base água
são o principal desenvolvimento do setor, que ganha
uma resina atóxica, que não polui e não
apresenta riscos de incêndio”. Já Abreu
complementa: “Lançaremos em 2007 os endurecedores
de epóxi, completando a linha de produtos oferecidos.
Jensen,
por sua vez, destaca: “Uma das grandes inovações
tecnológicas da Dow para o segmento foi o recente
anúncio do desenvolvimento de uma tecnologia alternativa
para a produção de epicloridrina, a principal
matéria-prima da resina epóxi. A tecnologia
GTE (glycerine to EPI) enseja na obtenção
de EPI através da glicerina, ao invés da
rota tradicional do cloro e propeno. Essa nova tecnologia
propicia a obtenção da EPI a partir de uma
fonte renovável, que é a glicerina e com
custos competitivos com o processo tradicional.”
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