Há
pouco mais de três anos, André Cabral Martins,
profissional oriundo da área técnica de
tintas, com atuação de dez anos em empresas
tradicionais do setor (Akzo Nobel e a PPG), decidiu investir
em seu próprio negócio. Com o auxílio
do grupo alemão Schlenk, um dos líderes
mundiais na produção de pigmentos metálicos,
abriu a True Color, em agosto de 2003, visando o fornecimento
da matéria-prima daquela empresa para o setor,
com perfil acentuadamente técnico. Suas primeiras
vendas foram efetivadas já no início de
2004 e de lá para cá a empresa vem crescendo
a cada dia.
“Em
julho de 2003 fui para a Alemanha e fiquei cerca de um
mês na Schlenk, terceira maior produtora de pigmentos
metálicos em nível mundial, com 127 anos
de existência”, conta Martins, gerente-geral
da True Color, acrescentando que durante esse período
passou uma semana apenas nos laboratórios da empresa,
realizando testes de maneira a conhecer mais a fundo os
produtos. “Eu queria saber que pigmentos teriam
mercado no Brasil”, lembra.
Comercializando
essa linha durante seis meses, Martins percebeu a necessidade
de complementar o portfólio com a introdução
de pigmentos orgânicos. “Recebemos indicação
de um dos nossos clientes de uma empresa chinesa –
a Trust Chem – que poderia fornecer esses pigmentos.
E, a exemplo do que ocorreu com a Schlenk, fui até
a China conhecer a empresa, com atenção
especial aos laboratórios”, lembra.
Martins
acentua que o mercado ainda vê com algumas reservas
as indústrias chinesas por causa do tratamento
de commodity dado aos produtos: “Muitas vezes, quando
fazemos importação, adquirimos o produto
de uma trade, e não diretamente da indústria.
Isso pode nos levar a receber produtos de fábricas
diferentes, com base apenas em preço, o que pode
levar a variações na qualidade dos produtos.”
A
Trust Chem, de acordo com o relato do gerente-geral, tem
um laboratório central encarregado de fazer todo
o controle dos produtos destinados à exportação.
“Como eu vim da era técnica e estou familiarizado
com as metodologias de teste de pigmentos, fizemos um
acordo de como serão feitos os testes dos pigmentos
que serão importados. Dessa forma, os testes são
realizados na China conforme a aplicação
final do produto aqui. Se vou vender pigmento para o mercado
de tintas para impressão offset, por exemplo, o
controle de qualidade vai ser feito numa tinta offset
e serão testados seu poder tintorial, cor do pigmento
e outras características”, especifica. Dessa
forma, é praticamente eliminada do produto a possibilidade
de problemas técnicos ou de chegar fora de especificação.
Crescimento
Por ter atuado em empresas de tintas por uma década,
Martins conhece a linguagem dos laboratórios e
as necessidades dos produtores de tinta. “Por isso,
os vendedores que atuam conosco também têm
esse perfil técnico, com ênfase para desenvolvimento
de produtos, fruto de investimentos em formação
e treinamento. E nossa preocupação é
que esse diferencial não chegue a impactar os preços
da nossa linha”, reforça.
A
True Color fornece pigmentos principalmente para os mercados
automotivo, gráfico e de plásticos e esses
segmentos estão aquecidos, principalmente pela
tendência de uso do prata em automóveis,
equipamentos eletrônicos e embalagens. “A
moda na indústria automobilística influencia
positivamente os demais mercados. Atualmente, é
difícil ver um equipamento eletrônico que
não seja prateado ou tenha algum detalhe nesse
tom, como é o caso dos aparelhos de DVD, CD, microgravadores,
televisores e até mesmo celulares. Isso faz com
que o mercado de tintas para esses tipos de plástico
fique aquecido. O mesmo acontece no segmento de embalagens,
em que os tons metálicos emprestam a idéia
de nobreza dos metais às impressões, dando
uma idéia de produto premium. Um caso típico
em que foi investido em embalagens foi o do sabão
em pó Ariel, que conseguiu reposicionamento no
mercado com a embalagem metalizada, conquistando em torno
de 10% de market share”, conta Martins.
Com
oito colaboradores e 12 representantes, a True Color hoje
conta com armazém na Avenida das Nações
Unidas, na capital paulista, e escritório na Chácara
Santo Antonio, bairro próximo ao depósito.
Com o crescimento das vendas, a empresa se tornou a coordenadora
do mercado sul-americano da marca Schlenk, com base nos
resultados registrados no ano passado. “Recebemos
a proposta da Schlenk de coordenar toda a região
da América do Sul, tanto comercial quanto tecnicamente.
Desde março, somos responsáveis por essa
coordenação e estamos exportando, a partir
do Brasil, especialmente para os mercados da Argentina,
Chile, Colômbia, Peru e Venezuela”, comemora.
Por
outro lado, o executivo adianta a idéia de, já
em 2007, contar com um centro de aplicações
técnicas para a América do Sul, com laboratório
que atenderá toda essa região. Além
disso, a empresa fechou parceria com a Química
Roveri para a comercialização dos pigmentos
em todo o País, de maneira a atender todo o território
nacional. “Atendemos diretamente o mercado de São
Paulo e alguns clientes estratégicos no Brasil.
Para os demais estados, nosso representante é a
Química Roveri, que conta com todo o nosso apoio”,
finaliza.
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