São
também os que apresentam a maior variação
de tecnologias, podendo ser desde álcoois de alto
peso molecular e óleos minerais, até polímeros
orgânicos e polissiloxanos de alta performance.
Quanto
maior a quantidade de sólidos (cargas e pigmentos)
existente numa tinta, maior é a quantidade de agentes
surfactantes presentes para estabilizar estes sólidos.
Surfactantes são reconhecidos por gerarem espuma
durante o processo produtivo e durante a aplicação
da tinta.
“Podemos
afirmar que o maior uso de antiespumantes está
nas tintas decorativas, que via de regra utilizam óleos
minerais como agentes antiespumantes. Em segundo lugar,
estão as tintas de impressão, com uma diferença
básica em relação às tintas
decorativas: performance”, observa o chefe de produto
da Degussa, Renato Stoicov. Nas tintas de impressão,
explica ele, algumas características são
imprescindíveis, como alto brilho, fast foam break
colapse (tempo em que a espuma é destruída
durante a aplicação) e compatibilidade com
diferentes tipos de resina. Neste tipo de tinta é
onde se usa mais polissiloxanos e polímeros orgânicos
de alta performance. “Claro que existe mercado para
antiespumantes de alta performance em tintas decorativas,
mas estes são usados somente em tintas onde também
se necessita alta performance, como em esmaltes decorativos
solúveis em água”.
Como a formação de espuma é um fenômeno
muito mais comum em tintas solúveis em água,
comenta Stoicov, não há um uso muito grande
de antiespumantes em tintas industriais e tintas automotivas
que, no Brasil, são, na maioria das vezes, base
solvente. “Por meio dos produtos Tego, atuamos fortemente
com polissiloxanos e polímeros orgânicos
de altíssima performance utilizados na indústria
de tintas e tintas de impressão”.
Formação
de bolhas
Durante o processo produtivo das tintas existem várias
etapas que favorecem a incorporação de ar
dentro da tinta, sendo eles moagem, dispersão,
incorporação de sólidos etc. Esse
“ar” que é incorporado durante o processo
produtivo tende a migrar para a superfície da tinta,
gerando espuma. Os surfactantes que são adicionados
na tinta também favorecem a incorporação
de ar, visto que diminuem a tensão superficial
das tintas. Da mesma forma, durante a aplicação
da tinta também acontece a formação
de espuma, pois a submetemos a enormes taxas de cisalhamento
(aplicação por rolo, bombeamento em sistemas
de aplicação por leito etc.), que geram
espuma.
“Não
há como se falar em tintas sem se falar em formação
de espumas”, afirma Aurélio Rocha, gerente
para a América Latina da BYK-Chemie. “A tinta,
por si só, como não é um líquido
puro, tem a tendência de formação
e estabilização de espumas, portanto a necessidade
de uso de um aditivo antiespumante é inerente em
quase todas as formulações de tintas. A
situação fica ainda mais crítica
quando a tinta em questão é uma tinta base
água ou emulsionada. Isso porque, para esse tipo
de tinta, a necessidade de redução da tensão
superficial – e a conseqüente saponificação
do sistema – é automática. Portanto,
principalmente em tintas emulsionadas, látex por
exemplo, o antiespumante é um ingrediente fundamental
na formulação.”
Em
muitas fórmulas cujos agentes tensoativos são
adicionados em grande quantidade, lembra Rocha, eles se
tornam as principais causas da formação
de espumas. Além disso, em muitos processos de
fabricação a incorporação
física da espuma é feita devido ao tipo
de equipamento usado na dispersão de pigmentos
e cargas.
Segundo
Gisele Canastro, técnica em aplicações
da Ciba Especialidades Químicas, bolhas de ar na
película podem ser liberadas, sem maiores conseqüências,
se a viscosidade do filme for suficientemente baixa e
a película permanecer fluida durante tempo suficiente.
Entretanto, a evaporação rápida de
solventes, cura rápida ou viscosidade inicial muito
elevada impedem a liberação do ar e fazem
com que as bolhas permaneçam no interior do revestimento.
Além do uso de solventes menos voláteis,
que deixem o filme aberto durante um tempo maior de modo
a permitir a liberação das bolhas, agentes
antiespumantes e quebradores de bolhas (antifoams e defoamers),
tais como os silicones, podem desestabilizá-las
pela quebra da tensão superficial e promover a
sua coalescência e liberação.
Tecnologia
O segmento Coating Effects da Ciba Especialidades Químicas
atua no mercado de antiespumantes, por intermédio
da linha Ciba EFKA, de acordo com a gerente técnica
Latam, Sílvia Gouveia, atendendo às necessidades
crescentes dos clientes e das indústrias para melhoria
do desempenho de sistemas base água, solvente e
cura UV, nas áreas de tintas de impressão
e tintas e vernizes em geral. “Para melhor solução,
a Ciba comercializa sua linha de antiespumantes de químicas
baseadas em siliconados (EFKA-2721, EFKA-2022, EFKA-2023,
EFKA-2025, EFKA-2028, EFKA-2035, EFKA-2038, EFKA-2040,
EFKA-2527, EFKA-2550 e EFKA-2722) e não siliconados
(EFKA-2020, EFKA-2021, EFKA-2018, EFKA-2720 e EFKA-2526).”
Especificamente, os produtos EFKA-2018 e EFKA-2038 podem
ser incorporados por agitação à mão
e alta e média velocidade por agitação
mecânica. Já os EFKA-2021, EFKA-2023, EFKA-2025,
EFKA-2028, EFKA-2035, EFKA-2040 e EFKA-2720 podem ser
incorporados por agitação mecânica
em alta e média velocidade. Para incorporação
somente por agitação mecânica, são
recomendados os EFKA-2020, EFKA-2022, EFKA-2527, EFKA-2550,
EFKA-2722 e EFKA-2723.
Paulo
Moda, Especialista da linha EFKA, destaca os produtos
EFKA-2721 - específico para cura UV e sistema EB,
mercados em plena ascensão, com a vantagem de não
emissão de VOC - e EFKA-2550, utilizado para sistemas
base água com a função de eliminar
macro e microbolhas durante o processo, promovendo estabilidade
no sistema e maior eficiência de permanência.
“A linha Ciba EFKA apresenta benefícios diferenciados
para os diversos sistemas, otimizando a produtividade
e o rendimento dos processos e aplicações,
atendendo perfeitamente a crescente demanda do mercado
de tintas por melhor desempenho”.
A
Ciba oferece assistência técnica com as orientações
sobre a melhor combinação da linha Ciba
EFKA de aditivos antiespumantes, dispersantes, agentes
nivelantes, deslizantes, umectantes e antifloculantes,
considerando as mais adequadas dosagens, manuseio, incorporação
e particularidades que possam ocorrer, um diferencial
de consultoria voltada a apresentar soluções
inovadoras para que o cliente obtenha os melhores resultados
em suas aplicações e excelentes resultados
de produção.
Normalmente,
a Adexim-Comexim atende à demanda de antiespumantes
com aditivos multifuncionais, que são uma solução
para inúmeros possíveis problemas nas tintas,
de acordo com o diretor Carlos Russo. “O segmento
que mais utiliza esses aditivos é o de tintas imobiliárias
base água. Entretanto, como nossos aditivos multifuncionais
podem ser utilizados para sistemas água ou solvente,
cobrimos toda a demanda em sistemas pigmentados ou não,
inclusive em vernizes de acabamento automotivo (clear
coat)”.
Para
Russo, o desafio é mostrar as vantagens de um multifuncional
que, aparentemente é mais dispendioso muito embora
se reduza os inventários, facilitando o controle
na formulação. “O aumento de custo
é altamente compensada pelos resultados, em função
do custo/benefício. Por isso, acreditamos que com
o aumento de tintas industriais base aquosa de valor agregado
mais alto, os aditivos multifuncionais deverão
ter um significativo aumento de demanda”.
Uma
das maiores dificuldades na seleção de um
antiespumante, conforme Cristina Deangelo, do Departamento
de Vendas Técnicas da Dow Corning, é garantir
boa eficiência, com alto efeito residual, sem geração
de defeitos superficiais. A Dow Corning está trabalhando
no lançamento de alguns produtos à base
de silicone, específicos para aplicações
em tintas de impressão, direcionados para formulações
utilizadas em substratos de difícil aplicação,
como, por exemplo, filmes plásticos.
Esses
produtos já estão disponíveis para
o mercado brasileiro e estarão sendo apresentados
nos treinamentos, feiras e workshops que a empresa vai
realizar durante o ano de 2007. Além desses, a
Dow Corning estará apostando na ampliação
da linha de antiespumantes para sistema UV, buscando novas
tecnologias de modo a garantir o bom desempenho dos aditivos,
sem afetar propriedades finais do verniz.
Inicialmente,
lembra Cristina, o uso de antiespumantes à base
de silicone foi direcionado para aplicações
industriais, já que não se dispunha de produtos
modificados e apropriados para aplicações
no segmento de tintas. “Com o desenvolvimento e
entendimento das propriedades únicas dos antiespumantes
à base de silicone, os mesmos passaram a ser utilizados
em diversos tipos de formulações, atendendo
uma ampla gama de necessidades específicas, de
acordo com as exigências do mercado. É nesse
cenário que a Dow Corning se encontra, e estamos
trabalhando sempre em função das necessidades
de nossos clientes e, cada vez mais, direcionando esforços
em busca de novas tecnologias, de modo a garantir
a boa performance dos nossos produtos sem afetar de forma
negativa as propriedades finais da tinta.”
As
inovações da Dow Corning estão focadas
em antiespumantes multifuncionais, isentos de sílica
que, segundo Cristina, apresentam excelente compatibilidade
com resinas orgânicas, o que garante a eficiência
dos mesmos nos diversos tipos de sistemas: solvente, UV,
alto sólidos, água etc., sem originar defeitos
superficiais. “Além disso, os antiespumantes
Dow Corning apresentam eficiência comprovada em
dosagens muito baixas, o que os torna uma excelente opção
para resolução de problemas relacionados
à espuma sem impactar significativamente o custo
da formulação.”
A
Dow Corning conta também com um corpo técnico
e laboratórios de desenvolvimento e aplicação
que poderão auxiliar o cliente a definir qual produto
melhor se aplica a seu sistema. Além disso, conta
com uma fábrica na cidade de Hortolândia
(SP) aonde é formulada parte de sua linha de produtos
destinada ao mercado de tintas, “o que nos torna
competitivos e nos possibilita atender às necessidades
de nossos clientes com um menor tempo de resposta”,
garante Cristina.
O
responsável técnico da Aromat, Hamilton
Oliveira, ressalta que desenvolvimentos são constantemente
realizados com o objetivo de oferecer produtos mais eficientes
e minimizando os efeitos colaterais, como crateras, comuns
nesse tipo de aditivo. “Como representante da Elementis
Specialties, a Aromat oferece uma extensa gama de aditivos
antiespumantes da linha Dapro DF. Entre as várias
composições disponíveis, podemos
citar os aditivos à base de óleo/ceras,
ésteres e polióis modificados, sendo estes
últimos de altíssima performance.”
Para
Rocha, da BYK-Chemie, as novas tecnologias para a formulação
dos novos agentes antiespumantes se baseiam no fato de
que não se deve mais usar produtos etoxilados ou
mesmo à base de óleos minerais. Isso obriga
o mercado a mudar radicalmente a química desses
aditivos, tornando-os mais ecológicos e com a mesma
ou até maior eficiência. “Neste campo,
a BYK-Chemie continua introduzindo no mercado aproximadamente
quatro ou cinco novos produtos por ano, a fim de suprir
a necessidade em todas as áreas de formulação”.
Rocha
lamenta a concorrência de produtos sem nenhuma especificação
e qualidade assegurada. “Tais produtos, por uma
oferta comercial atrativa, acabam seduzindo as empresas
no seu uso e, por fim, quem assumirá o ônus
final será o consumidor, que verá e sentirá
o problema real quando da aplicação da tinta.”
Carlos
Alberto Gonçalves, diretor de negócios da
Troy Brasil, concorda que a busca de antiespumantes com
mínimo efeito colateral nas formulações
é importante e garante que a Troy dispõe
de produtos que possuem mínimo impacto sobre o
brilho, especialmente nas qualidades de tintas de alto
brilho.
“Existe
um mercado bastante especializado, no qual a valorização
dos antiespumantes foge da característica de commodities
e o aditivo é utilizado no sentido de propiciar
um perfil de desempenho superior da tinta. A Troy procura
se fixar nessa parcela de mercado, na qual seus antiespumantes
têm melhores chances competitivas”, argumenta
o diretor de negócios.
Variedade
A Lubrizol tem uma linha de produtos bastante ampla. Conforme
o gerente de área América Latina, Rafael
Bueno Carvalho, partindo desde os conceitos mais convencionais
de princípios ativos, tais como produtos formulados
à base de óleo mineral, ésteres graxos,
polióis até compostos siliconados, denominados
silicones especiais, que são modificados a partir
dos silicones tradicionais, criando assim moléculas
de caráter antiespumante que causam menor impacto
nas propriedades da tinta. A presença de espuma
oclusa em uma tinta, segundo ele, traz sérias conseqüências
de aplicação e desempenho da mesma, além
de causar sérios danos à película
de tinta formada no substrato em que a mesma é
aplicada, comprometendo a sua qualidade final.
A
Lubrizol possui três laboratórios especializados
de síntese e aplicações, localizados
em sua matriz, nos Estados Unidos, destinados a prestar
serviços aos seus clientes. “Por intermédio
de um pessoal técnico amplamente especializado,
a Lubrizol trabalha em parceria com seus clientes de forma
a atender as suas principais necessidades”, declara
Carvalho.
O
ano de 2006, de acordo com Marcelo Nogueira, gerente de
contas América Latina da Lubrizol, apesar de apresentar
um crescimento abaixo das expectativas para muitos segmentos
da indústria, deverá ser um ano muito bom
para os negócios Lubrizol, pois as vendas foram
expandidas aos mercados latino-americano e europeu. “Em
2007, com novos produtos sendo desenvolvidos e trazidos
de nossa matriz americana, esperamos ter um crescimento
em torno de 10% em volume em relação ao
ano de 2006.”
Outra
indústria a se empenhar em novos desenvolvimentos
é a Alcolina, que por meio de seu departamento
de pesquisa tem se aprimorado em antiespumantes que obedeçam
cada vez mais às exigências ambientais, pois
além do segmento de tintas, atua também
em saneamento básico, efluentes industriais, indústria
alimentícia, usina de açúcar e álcool,
entre outros. “No segmento de tintas, em particular,
desenvolvemos antiespumantes base água, poliglicóis,
base óleos convencionais e emulsionáveis”,
afirma a gerente de vendas, Sandra Luiza De Natali Monteiro.
O
gerente comercial Epóxi e Aditivos Especiais América
do Sul, Fernando Matta, explica duas gerações
de antiespumantes bem definidas: “A primeira geração
de antiespumantes tradicionais, que elimina espuma por
incompatibilidade com efeito residual, causando vários
defeitos colaterais de superfície, e a segunda
e última geração de antiespumantes
moleculares, baseados na tecnologia de surfactantes Gemini,
que controla espuma com umectação dinâmica,
sem deixar efeito residual e, conseqüentemente, minimiza
os defeitos de superfície”.
Matta
aponta como uma das principais causas da formação
de espuma na tinta a escolha incorreta do surfactante,
que promove a umectação com formação
de espumas causando defeitos de superfície indesejáveis.
A
Air Products trabalha com os antiespumantes moleculares,
baseados na tecnologia de surfactantes Gemini EnviroGem
AD01 - Macroespuma e Surfynol MD-20 – Microespuma.
Para
fornecer ao mercado sua linha Surfynol, que são
agentes antiespumantes acetilênicos utilizados em
sistemas base água, a Air Products conta com a
Midland Química do Brasil. A gerente de desenvolvimentos
da Midland, Rosana Hermínio, destaca que, neste
ano, a empresa teve um aumento significativo nas vendas
de aditivos para sistemas base água, entre eles
os agentes antiespumantes. “Como a questão
do meio ambiente está tornando-se cada vez mais
importante no Brasil, acreditamos que, em 2007, nossa
participação no mercado de agentes antiespumantes
será ainda maior”. |