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Brasil, 5 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 107 - Reportagem - Antiespumantes
 
Aditivos polivalentes
 
Entre todos os aditivos disponíveis na indústria de tintas, os antiespumantes são um dos mais amplamente usados.
 
Marcos Mila
 

São também os que apresentam a maior variação de tecnologias, podendo ser desde álcoois de alto peso molecular e óleos minerais, até polímeros orgânicos e polissiloxanos de alta performance.

Quanto maior a quantidade de sólidos (cargas e pigmentos) existente numa tinta, maior é a quantidade de agentes surfactantes presentes para estabilizar estes sólidos. Surfactantes são reconhecidos por gerarem espuma durante o processo produtivo e durante a aplicação da tinta.

“Podemos afirmar que o maior uso de antiespumantes está nas tintas decorativas, que via de regra utilizam óleos minerais como agentes antiespumantes. Em segundo lugar, estão as tintas de impressão, com uma diferença básica em relação às tintas decorativas: performance”, observa o chefe de produto da Degussa, Renato Stoicov. Nas tintas de impressão, explica ele, algumas características são imprescindíveis, como alto brilho, fast foam break colapse (tempo em que a espuma é destruída durante a aplicação) e compatibilidade com diferentes tipos de resina. Neste tipo de tinta é onde se usa mais polissiloxanos e polímeros orgânicos de alta performance. “Claro que existe mercado para antiespumantes de alta performance em tintas decorativas, mas estes são usados somente em tintas onde também se necessita alta performance, como em esmaltes decorativos solúveis em água”.
Como a formação de espuma é um fenômeno muito mais comum em tintas solúveis em água, comenta Stoicov, não há um uso muito grande de antiespumantes em tintas industriais e tintas automotivas que, no Brasil, são, na maioria das vezes, base solvente. “Por meio dos produtos Tego, atuamos fortemente com polissiloxanos e polímeros orgânicos de altíssima performance utilizados na indústria de tintas e tintas de impressão”.

Formação de bolhas
Durante o processo produtivo das tintas existem várias etapas que favorecem a incorporação de ar dentro da tinta, sendo eles moagem, dispersão, incorporação de sólidos etc. Esse “ar” que é incorporado durante o processo produtivo tende a migrar para a superfície da tinta, gerando espuma. Os surfactantes que são adicionados na tinta também favorecem a incorporação de ar, visto que diminuem a tensão superficial das tintas. Da mesma forma, durante a aplicação da tinta também acontece a formação de espuma, pois a submetemos a enormes taxas de cisalhamento (aplicação por rolo, bombeamento em sistemas de aplicação por leito etc.), que geram espuma.

“Não há como se falar em tintas sem se falar em formação de espumas”, afirma Aurélio Rocha, gerente para a América Latina da BYK-Chemie. “A tinta, por si só, como não é um líquido puro, tem a tendência de formação e estabilização de espumas, portanto a necessidade de uso de um aditivo antiespumante é inerente em quase todas as formulações de tintas. A situação fica ainda mais crítica quando a tinta em questão é uma tinta base água ou emulsionada. Isso porque, para esse tipo de tinta, a necessidade de redução da tensão superficial – e a conseqüente saponificação do sistema – é automática. Portanto, principalmente em tintas emulsionadas, látex por exemplo, o antiespumante é um ingrediente fundamental na formulação.”

Em muitas fórmulas cujos agentes tensoativos são adicionados em grande quantidade, lembra Rocha, eles se tornam as principais causas da formação de espumas. Além disso, em muitos processos de fabricação a incorporação física da espuma é feita devido ao tipo de equipamento usado na dispersão de pigmentos e cargas.

Segundo Gisele Canastro, técnica em aplicações da Ciba Especialidades Químicas, bolhas de ar na película podem ser liberadas, sem maiores conseqüências, se a viscosidade do filme for suficientemente baixa e a película permanecer fluida durante tempo suficiente. Entretanto, a evaporação rápida de solventes, cura rápida ou viscosidade inicial muito elevada impedem a liberação do ar e fazem com que as bolhas permaneçam no interior do revestimento. Além do uso de solventes menos voláteis, que deixem o filme aberto durante um tempo maior de modo a permitir a liberação das bolhas, agentes antiespumantes e quebradores de bolhas (antifoams e defoamers), tais como os silicones, podem desestabilizá-las pela quebra da tensão superficial e promover a sua coalescência e liberação.

Tecnologia
O segmento Coating Effects da Ciba Especialidades Químicas atua no mercado de antiespumantes, por intermédio da linha Ciba EFKA, de acordo com a gerente técnica Latam, Sílvia Gouveia, atendendo às necessidades crescentes dos clientes e das indústrias para melhoria do desempenho de sistemas base água, solvente e cura UV, nas áreas de tintas de impressão e tintas e vernizes em geral. “Para melhor solução, a Ciba comercializa sua linha de antiespumantes de químicas baseadas em siliconados (EFKA-2721, EFKA-2022, EFKA-2023, EFKA-2025, EFKA-2028, EFKA-2035, EFKA-2038, EFKA-2040, EFKA-2527, EFKA-2550 e EFKA-2722) e não siliconados (EFKA-2020, EFKA-2021, EFKA-2018, EFKA-2720 e EFKA-2526).”
Especificamente, os produtos EFKA-2018 e EFKA-2038 podem ser incorporados por agitação à mão e alta e média velocidade por agitação mecânica. Já os EFKA-2021, EFKA-2023, EFKA-2025, EFKA-2028, EFKA-2035, EFKA-2040 e EFKA-2720 podem ser incorporados por agitação mecânica em alta e média velocidade. Para incorporação somente por agitação mecânica, são recomendados os EFKA-2020, EFKA-2022, EFKA-2527, EFKA-2550, EFKA-2722 e EFKA-2723.

Paulo Moda, Especialista da linha EFKA, destaca os produtos EFKA-2721 - específico para cura UV e sistema EB, mercados em plena ascensão, com a vantagem de não emissão de VOC - e EFKA-2550, utilizado para sistemas base água com a função de eliminar macro e microbolhas durante o processo, promovendo estabilidade no sistema e maior eficiência de permanência. “A linha Ciba EFKA apresenta benefícios diferenciados para os diversos sistemas, otimizando a produtividade e o rendimento dos processos e aplicações, atendendo perfeitamente a crescente demanda do mercado de tintas por melhor desempenho”.

A Ciba oferece assistência técnica com as orientações sobre a melhor combinação da linha Ciba EFKA de aditivos antiespumantes, dispersantes, agentes nivelantes, deslizantes, umectantes e antifloculantes, considerando as mais adequadas dosagens, manuseio, incorporação e particularidades que possam ocorrer, um diferencial de consultoria voltada a apresentar soluções inovadoras para que o cliente obtenha os melhores resultados em suas aplicações e excelentes resultados de produção.

Normalmente, a Adexim-Comexim atende à demanda de antiespumantes com aditivos multifuncionais, que são uma solução para inúmeros possíveis problemas nas tintas, de acordo com o diretor Carlos Russo. “O segmento que mais utiliza esses aditivos é o de tintas imobiliárias base água. Entretanto, como nossos aditivos multifuncionais podem ser utilizados para sistemas água ou solvente, cobrimos toda a demanda em sistemas pigmentados ou não, inclusive em vernizes de acabamento automotivo (clear coat)”.

Para Russo, o desafio é mostrar as vantagens de um multifuncional que, aparentemente é mais dispendioso muito embora se reduza os inventários, facilitando o controle na formulação. “O aumento de custo é altamente compensada pelos resultados, em função do custo/benefício. Por isso, acreditamos que com o aumento de tintas industriais base aquosa de valor agregado mais alto, os aditivos multifuncionais deverão ter um significativo aumento de demanda”.

Uma das maiores dificuldades na seleção de um antiespumante, conforme Cristina Deangelo, do Departamento de Vendas Técnicas da Dow Corning, é garantir boa eficiência, com alto efeito residual, sem geração de defeitos superficiais. A Dow Corning está trabalhando no lançamento de alguns produtos à base de silicone, específicos para aplicações em tintas de impressão, direcionados para formulações utilizadas em substratos de difícil aplicação, como, por exemplo, filmes plásticos.

Esses produtos já estão disponíveis para o mercado brasileiro e estarão sendo apresentados nos treinamentos, feiras e workshops que a empresa vai realizar durante o ano de 2007. Além desses, a Dow Corning estará apostando na ampliação da linha de antiespumantes para sistema UV, buscando novas tecnologias de modo a garantir o bom desempenho dos aditivos, sem afetar propriedades finais do verniz.

Inicialmente, lembra Cristina, o uso de antiespumantes à base de silicone foi direcionado para aplicações industriais, já que não se dispunha de produtos modificados e apropriados para aplicações no segmento de tintas. “Com o desenvolvimento e entendimento das propriedades únicas dos antiespumantes à base de silicone, os mesmos passaram a ser utilizados em diversos tipos de formulações, atendendo uma ampla gama de necessidades específicas, de acordo com as exigências do mercado. É nesse cenário que a Dow Corning se encontra, e estamos trabalhando sempre em função das necessidades de nossos clientes e, cada vez mais, direcionando esforços em busca de novas tecnologias, de modo a garantir a boa performance dos nossos produtos sem afetar de forma negativa as propriedades finais da tinta.”

As inovações da Dow Corning estão focadas em antiespumantes multifuncionais, isentos de sílica que, segundo Cristina, apresentam excelente compatibilidade com resinas orgânicas, o que garante a eficiência dos mesmos nos diversos tipos de sistemas: solvente, UV, alto sólidos, água etc., sem originar defeitos superficiais. “Além disso, os antiespumantes Dow Corning apresentam eficiência comprovada em dosagens muito baixas, o que os torna uma excelente opção para resolução de problemas relacionados à espuma sem impactar significativamente o custo da formulação.”

A Dow Corning conta também com um corpo técnico e laboratórios de desenvolvimento e aplicação que poderão auxiliar o cliente a definir qual produto melhor se aplica a seu sistema. Além disso, conta com uma fábrica na cidade de Hortolândia (SP) aonde é formulada parte de sua linha de produtos destinada ao mercado de tintas, “o que nos torna competitivos e nos possibilita atender às necessidades de nossos clientes com um menor tempo de resposta”, garante Cristina.

O responsável técnico da Aromat, Hamilton Oliveira, ressalta que desenvolvimentos são constantemente realizados com o objetivo de oferecer produtos mais eficientes e minimizando os efeitos colaterais, como crateras, comuns nesse tipo de aditivo. “Como representante da Elementis Specialties, a Aromat oferece uma extensa gama de aditivos antiespumantes da linha Dapro DF. Entre as várias composições disponíveis, podemos citar os aditivos à base de óleo/ceras, ésteres e polióis modificados, sendo estes últimos de altíssima performance.”

Para Rocha, da BYK-Chemie, as novas tecnologias para a formulação dos novos agentes antiespumantes se baseiam no fato de que não se deve mais usar produtos etoxilados ou mesmo à base de óleos minerais. Isso obriga o mercado a mudar radicalmente a química desses aditivos, tornando-os mais ecológicos e com a mesma ou até maior eficiência. “Neste campo, a BYK-Chemie continua introduzindo no mercado aproximadamente quatro ou cinco novos produtos por ano, a fim de suprir a necessidade em todas as áreas de formulação”.

Rocha lamenta a concorrência de produtos sem nenhuma especificação e qualidade assegurada. “Tais produtos, por uma oferta comercial atrativa, acabam seduzindo as empresas no seu uso e, por fim, quem assumirá o ônus final será o consumidor, que verá e sentirá o problema real quando da aplicação da tinta.”

Carlos Alberto Gonçalves, diretor de negócios da Troy Brasil, concorda que a busca de antiespumantes com mínimo efeito colateral nas formulações é importante e garante que a Troy dispõe de produtos que possuem mínimo impacto sobre o brilho, especialmente nas qualidades de tintas de alto brilho.

“Existe um mercado bastante especializado, no qual a valorização dos antiespumantes foge da característica de commodities e o aditivo é utilizado no sentido de propiciar um perfil de desempenho superior da tinta. A Troy procura se fixar nessa parcela de mercado, na qual seus antiespumantes têm melhores chances competitivas”, argumenta o diretor de negócios.

Variedade
A Lubrizol tem uma linha de produtos bastante ampla. Conforme o gerente de área América Latina, Rafael Bueno Carvalho, partindo desde os conceitos mais convencionais de princípios ativos, tais como produtos formulados à base de óleo mineral, ésteres graxos, polióis até compostos siliconados, denominados silicones especiais, que são modificados a partir dos silicones tradicionais, criando assim moléculas de caráter antiespumante que causam menor impacto nas propriedades da tinta. A presença de espuma oclusa em uma tinta, segundo ele, traz sérias conseqüências de aplicação e desempenho da mesma, além de causar sérios danos à película de tinta formada no substrato em que a mesma é aplicada, comprometendo a sua qualidade final.

A Lubrizol possui três laboratórios especializados de síntese e aplicações, localizados em sua matriz, nos Estados Unidos, destinados a prestar serviços aos seus clientes. “Por intermédio de um pessoal técnico amplamente especializado, a Lubrizol trabalha em parceria com seus clientes de forma a atender as suas principais necessidades”, declara Carvalho.

O ano de 2006, de acordo com Marcelo Nogueira, gerente de contas América Latina da Lubrizol, apesar de apresentar um crescimento abaixo das expectativas para muitos segmentos da indústria, deverá ser um ano muito bom para os negócios Lubrizol, pois as vendas foram expandidas aos mercados latino-americano e europeu. “Em 2007, com novos produtos sendo desenvolvidos e trazidos de nossa matriz americana, esperamos ter um crescimento em torno de 10% em volume em relação ao ano de 2006.”

Outra indústria a se empenhar em novos desenvolvimentos é a Alcolina, que por meio de seu departamento de pesquisa tem se aprimorado em antiespumantes que obedeçam cada vez mais às exigências ambientais, pois além do segmento de tintas, atua também em saneamento básico, efluentes industriais, indústria alimentícia, usina de açúcar e álcool, entre outros. “No segmento de tintas, em particular, desenvolvemos antiespumantes base água, poliglicóis, base óleos convencionais e emulsionáveis”, afirma a gerente de vendas, Sandra Luiza De Natali Monteiro.

O gerente comercial Epóxi e Aditivos Especiais América do Sul, Fernando Matta, explica duas gerações de antiespumantes bem definidas: “A primeira geração de antiespumantes tradicionais, que elimina espuma por incompatibilidade com efeito residual, causando vários defeitos colaterais de superfície, e a segunda e última geração de antiespumantes moleculares, baseados na tecnologia de surfactantes Gemini, que controla espuma com umectação dinâmica, sem deixar efeito residual e, conseqüentemente, minimiza os defeitos de superfície”.

Matta aponta como uma das principais causas da formação de espuma na tinta a escolha incorreta do surfactante, que promove a umectação com formação de espumas causando defeitos de superfície indesejáveis.

A Air Products trabalha com os antiespumantes moleculares, baseados na tecnologia de surfactantes Gemini EnviroGem AD01 - Macroespuma e Surfynol MD-20 – Microespuma.

Para fornecer ao mercado sua linha Surfynol, que são agentes antiespumantes acetilênicos utilizados em sistemas base água, a Air Products conta com a Midland Química do Brasil. A gerente de desenvolvimentos da Midland, Rosana Hermínio, destaca que, neste ano, a empresa teve um aumento significativo nas vendas de aditivos para sistemas base água, entre eles os agentes antiespumantes. “Como a questão do meio ambiente está tornando-se cada vez mais importante no Brasil, acreditamos que, em 2007, nossa participação no mercado de agentes antiespumantes será ainda maior”.

 
 
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