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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 107 - Reportagem - Balanço
 
Com o pé no freio
 
Mercado aposta em fechamento do ano pouca coisa superior a 2005.
 
Cynthia Luz
 

Ouvimos representantes do mercado, incluindo fornecedores de matérias-primas, insumos e serviços, para realizar um exercício de futurologia em relação às perspectivas de fechamento do ano. Para Roberto Ferraiuolo, presidente do Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo, “infelizmente, nos últimos três anos, tivemos crescimento extremamente pequeno em nossa economia. Comparativamente aos países emergentes, nosso desempenho não é dos melhores. No grupo de Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), nós temos números decepcionantes. A Rússia cresce a uma taxa de 8%; a Índia, 10%; e a China, 14%, nos últimos 12 anos. Nesta última, a participação de investimentos sobre o PIB (Produto Interno Bruto) alcança 35% e nosso índice sequer foi publicado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)”.

De acordo com o presidente do Sitivesp, em 2003 tivemos um ano extremamente difícil; em 2004, o ano da arrancada, chegamos a 5%; em 2005, fechamos em 2,2%. Neste ano, ainda chegaremos a resultados melhores que do ano passado, mas devemos fechar com crescimento da ordem de 3%, depois de passarmos o ano com previsões caindo a cada mês. “E o setor de tintas cresce, fundamentalmente, nos anos de menor crescimento do PIB, muito próximo do Produto Interno Bruto. Já quando o crescimento do País é mais significativo, o resultado do segmento costuma ser superior ao do PIB.”

Grande parte dos entrevistados acredita em crescimento em relação ao ano de 2005, mas aponta que esse incremento deve ser pequeno, correspondendo ao PIB. Por outro lado, os representantes do segmento de distribuição de produtos químicos reportam crescimento nas vendas, mas achatamento das margens. Outras tendências que continuam movimentando esse mercado são as transações envolvendo compra, venda e/ou associação de empresas, bem como a profissionalização das organizações.

Matérias-primas
Para a Elekeiroz, de acordo com Roberto Rossit, gerente de vendas, o primeiro semestre foi muito difícil. “Desde o início da gestão do Itaú, nunca havia sido registrado um semestre com prejuízos, como tivemos. Para o segundo semestre, acreditamos que haverá uma reversão do quadro, mas ainda não será um ano atrativo: 2006 está sendo difícil, muito trabalhoso e com poucos resultados. Nossa previsão para o último trimestre é de que haverá uma ligeira melhora nos negócios, mas com margens muito apertadas, muita pressão das matérias-primas de primeira e segunda gerações.”

Para Reinaldo Medrano, diretor comercial da Makeni Chemicals, o final deste ano será um pouco mais complicado que os anteriores. “O Brasil vem dando sinais de que a economia não está crescendo e nada está sendo feito para mudar esse cenário. Nós estamos sentindo reflexo disso e ainda temos aumento das matérias-primas no exterior, em virtude do aumento do petróleo.” De acordo com o executivo, já existe um movimento de queda das cotações do barril, mas que deverá se refletir nos preços apenas a partir do início do próximo ano. “Acredito que, por ser final de ano, teremos ritmo lento, mas não tão lento quanto deverá ficar o início de 2007”, prevê. Medrano ressalva, entretanto, que 2006 não será um ano perdido para as vendas, que estão um pouco melhores que as do ano passado, mas registrará perda de margens maiores, por causa da oscilação de preços no mercado externo. Apesar do ano sofrido, a Makeni está se expandindo e prevê crescimento de 20%.

Eduardo Barrella, ex-diretor de negócios da Best Química, pondera que 2006 foi extremamente atípico, com a Copa e as eleições, que fizeram com que o mercado tivesse um comportamento totalmente diferente. “Além de uma superoferta de produtos e da conseqüente degeneração de margem, muitos fabricantes de tintas diminuíram sensivelmente a atividade industrial. Começamos o ano com uma expectativa; fizemos uma correção no primeiro trimestre, outra no segundo e estamos corrigindo agora no terceiro.”

O grande problema, para os distribuidores de produtos químicos, diz Barrella, é o fato de estar no meio da cadeia, entre o produtor e o consumidor final. “O produtor tem um certo domínio, porque detém a matéria-prima, e o consumidor também tem seu poder, porque conta com superoferta. Dessa forma, o distribuidor arca com o ônus do estoque, da queda de margem, com o risco do capital de giro e ainda investe na profissionalização, no fornecimento de serviços, nas certificações de qualidade e ambientais, entre outros”, considera.

Para Mário Richa de Sá Barreto, gerente de Químicos para Tintas, Adesivos e Vernizes da Petrobras Distribuidora, desde o segundo semestre de 2005 o cenário econômico vem se mantendo, sem grandes mudanças. “Por isso, se compararmos o período janeiro/agosto de 2005 a janeiro/agosto deste ano, há crescimento para nós, porque o primeiro semestre do ano passado foi ruim. Tivemos alguns aportes interessantes em termos de volume. Quanto à margem de lucro unitária, houve queda, mas com o aumento de volumes, houve uma compensação.”

Richa acrescenta que a companhia está investindo na prospecção de clientes na área de gestão de estoques e serviços ambientais. “A BR atuaria junto aos prestadores de serviços das empresas às indústrias, de maneira a gerir o trabalho, evitando o contato das indústrias com os vários parceiros.”

João Miguel Thomé Chamma, gerente nacional de negócios da Ipiranga Química, avalia que o setor de tintas neste ano está sendo positivo quando comparado a 2005: “Claro que ainda está aquém do que gostaríamos, mas está melhor do que o ano passado. Para o segmento de tintas, 2006 está sendo positivo por causa do bom impacto da legislação fiscal, que trouxe incentivos para o setor da construção civil”, pondera, frisando que isso mostra o quanto impacta o nível mais adequado de imposto para a indústria brasileira, benefício esse que chega ao consumidor final. Além disso, o executivo lembra que o trabalho de desenvolvimento da qualidade dos produtos, baseado no Programa de Qualidade das Tintas da Abrafati, tem sido outro bom fator de crescimento para o fornecedor de matérias-primas e de incentivo à compra por parte do consumidor final.

Chamma ainda ressalta que, apesar de o segundo trimestre ser tradicionalmente o mais fraco para o mercado de tintas, isso normalmente não ocorre em toda a economia. “Mas este ano registramos fraco desempenho generalizado em abril, talvez pelo baixo número de dias úteis do mês. Junho, por sua vez, também sofreu influência negativa da Copa e dos feriados. Já o terceiro trimestre (julho/agosto/setembro) está apresentando um bom desempenho”, relata. “Até o momento, dá para dizer que o setor de tintas vai ter um crescimento próximo a 5%”, aposta, mas sem deixar de citar algumas outras variáveis, como a abundância de matéria-prima, que deve baixar a rentabilidade dos negócios.

Eduardo Albuquerque, diretor da Aromat, por sua vez, conta que para a empresa o ano trouxe algumas transações comerciais interessantes, com resultados positivos para a empresa. “Mesmo assim, 2006 está sendo difícil. Todo dia é necessário trabalhar muito para conseguir chegar aos objetivos traçados no início do ano”, reflete.

Roberto Giannini, diretor da Carbono, adianta que a empresa vai conseguir cumprir as metas de crescimento em volume e faturamento, mas as margens ficaram comprometidas em 2006. “Apesar da volatilidade dos preços do petróleo no mercado externo, o setor de distribuição não se afeta tão rapidamente por essa oscilação, mas sim pelo movimento da oferta e demanda. Um exemplo são os solventes aromáticos, que passam por uma crise mundial, já que as grandes expansões petroquímicas foram feitas com base em gás, que não gera esse tipo de solvente. Dessa forma, o preço sobe. E isso não é bom nem para a indústria nem para os distribuidores, que têm de absorver parte do aumento de preços, sacrificando as margens”, avalia, apostando que o setor deve começar a se recuperar em 2008 ou 2009, seguindo a Teoria de Ondas Elliot.

Tadeu Souza, diretor comercial da Brazmo e coordenador da Divisão Química do Grupo Formitex, que inclui também a Denver Cotia, a Denver Resinas e a Denver Pharma, reitera que o mesmo comportamento do mercado como um todo está sendo refletido na distribuição, ou seja, as margens estão muito apertadas, principalmente pela falta de algumas matérias-primas no mercado e a alta expressiva de preços. “O distribuidor tem condições de absorver um pouco desse aumento de custos, mas também não pode fazer muito, porque essa perda de margens já vem ocorrendo há algum tempo”, lembra. O executivo ainda destaca que, hoje, o distribuidor tem de prestar serviços, como um agregado do negócio, tem de ter capilaridade para servir o cliente e ainda sobreviver com margens pequenas.

Luiz Martinho, gerente-geral da Deltech Corporation Brasil, por sua vez, está comemorando os resultados conseguidos em 2006. “Este ano está sendo muito bom para a gente, mas porque estamos iniciando o trabalho no País. Por isso, não enfrentamos crise e estamos conseguindo bons números.” Ele avalia que o importante para a Deltech agora é alcançar a independência da matriz, ou seja, a unidade brasileira conseguir sobreviver com seus próprios recursos, sem a necessidade de verba da matriz.

Antonio Alonso Ribeiro, diretor da Itatex, também considera que o ano foi preocupante, “com poucos investimentos no País e o desenvolvimento econômico travado, em especial na indústria de base e no segmento ligado à construção civil”. Ele ressalta ainda que o segundo semestre deve ser melhor que o primeiro: “Tradicionalmente, esse período é melhor para o setor de tintas, mas percebemos que o mercado está com o pé no freio, sem querer arriscar por causa das eleições. O Brasil cresce porque tem de crescer, não porque o governo tenha políticas nesse sentido.”

Alonso relata que a Itatex atende outros setores, como o de plásticos, borrachas, autopartes e indústria mecânica, que também não estão apresentando melhor desempenho. “No caso da continuidade do governo atual, não acredito que vá haver crescimento significativo para o Brasil, porque falta mentalidade desenvolvimentista. Vamos continuar crescendo ao sabor do vento e sofrendo as influências dos acontecimentos no mercado internacional.”

Embalagens e equipamentos
José Villela de Andrade Neto, diretor da Companhia Metalgráfica Paulista (CPM), avalia que o setor de tintas não apresentou o crescimento esperado no ano, mas não decepcionou a empresa. “A partir de setembro e outubro, esperamos que haja um crescimento de 15%. Estamos animados porque aumentamos bem a nossa base de clientes e estamos fornecendo embalagens para mais de 90% das fábricas de tintas do País. Outro bom indício é a redução das taxas de juro, que devem trazer crescimento à economia”, festeja, acrescentando que a CMP atua principalmente em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso.

Jefferson Lozargo, diretor comercial da Cerviflan, acentuou que, “para a empresa, 2006 está sendo um ano muito bom. Tirando o período de Copa do Mundo, o desempenho tem sido bastante positivo”, ressalta, apostando em crescimento sobre o resultado apresentado em 2005.

A Moinhos Pirâmide, por sua vez, está tendo um ano bom, com crescimento em relação ao ano passado. Para Júnior Machado, diretor técnico da empresa, esse resultado da empresa se deve à forma como atende os clientes: “Fazemos projetos enxutos e sob medida para os clientes.” Por outro lado, Machado acentua que o fator preço também é um importante diferencial da empresa. “A Moinhos Pirâmide oferece equipamentos industriais por preços até três vezes mais baratos do que os praticados pelos concorrentes do mercado, sem comprometer a qualidade”, avisa.

José Maria Granço, diretor da divisão química da Brasilata, reportou que até o mês de junho o comportamento do mercado estava ruim, mas a partir de julho registrou crescimento. “Julho, agosto e setembro foram bons e acredito que o quarto trimestre vá continuar aquecido”, diz, acreditando que o fechamento do ano apontará crescimento em relação a 2005.

Já Maurício Baroni, gerente administrativo da Metal Gráfica Mogi, reflete que o segmento de embalagem é um termômetro do mercado, já que, quando se avizinha uma crise, ele é o primeiro a sentir os efeitos. “Mas quando o mercado se reaquece, somos os primeiros a sentir os efeitos benéficos. Este ano foi atípico, principalmente pela Copa, um fator que parou o mercado. A eleição parece também ter trazido um efeito negativo, represando as vendas. Atualmente, já estamos notando um pequeno crescimento, embalado pelo final de ano, mas ainda considero que o crescimento será menor quer o registrado no ano passado”, prevê.

Edson Barbosa, da ETL, ressalta que o ano foi interessante do ponto de vista da venda de equipamentos para o setor automotivo. Por outro lado, o segmento de tintas gráficas não foi muito comprador como nos anos anteriores. “Como trabalhamos com equipamentos para todas as fases de produção, da preparação da formulação ao envase, passando pelos sistemas de dosagem automáticos, sempre fazemos negócios. Por outro lado, como a empresa é relativamente nova, com apenas oito anos, acredito que este tenha sido o melhor ano, por ser um reflexo da preocupação de trazer tecnologia para o Brasil, com destaque para os equipamentos para moagem e dispersão.”

Para a Fluid Management, o ano está muito positivo. “A mudança do foco de consumo, do modelo de compra da máquina, e a nossa adequação a esse modelo têm fomentado muito os negócios”, analisa Marco Antonio Vitória, gerente técnico da empresa. Por outro lado, o profissional reitera que a empresa sempre tem novidades, porque continua desenvolvendo e oferecendo ao mercado produtos que atendem às necessidades do consumidor, como a Accutint 2000, que não necessita calibração e com baixa custo de manutenção.

Paulino Nalim Neto, da Colorpel Artes Gráficas, conta que o ano começou para a empresa no segundo semestre, quando começaram a ser colocados novos pedidos de grandes empresas, e com a ampliação dos equipamentos da empresa: “Hoje contamos com área de 5 mil metros e estamos lançando produtos como Power Chip, Power Card Chips, Power Strip e Power Color Cards. Essa é uma linha mais nobre, com mais fidelidade para catálogo de cores.”

Em relação às perspectivas para o fechamento do ano, o executivo diz que não tem ainda certeza dos resultados e que se mantém à espera do resultado das eleições para saber como vai ser o comportamento do mercado. “Há empresas que estão esperando a definição de qual será o governo que vai assumir para fazer seus investimentos. Estamos em compasso de espera”, diz, mas apostando que a empresa vai fechar o ano com crescimento de pelo menos 4% a 5%.

Para a Altmann, na média, o ano está sendo proveitoso e vai apresentar crescimento em relação a 2005, mas tem características diversas das registradas no ano passado: “O mercado está diferente do ano passado porque estamos batendo recordes de vendas em alguns segmentos e em outros a performance está abaixo do esperado”, revela Wagner Vitalis, gerente de vendas da empresa, especificando que a divisão de análise de partículas e microscopia eletrônica vendeu como nunca, mas os segmentos de colorimetria, moagem e máquinas de ensaio deixaram a desejar.

Para o gerente da Altmann, o comportamento da economia no próximo ano será definido pelos resultados das eleições. “Apenas com uma posição definida da política econômica a ser seguida, incluindo cotação do dólar, teremos idéia do quanto as empresas investirão em exportação, por exemplo. Em qualquer dos dois cenários possíveis, o Brasil deve crescer, mas esse incremento poderá ser mais forte se houver a troca do governo”, analisa.

 
 
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