Ouvimos
representantes do mercado, incluindo fornecedores de matérias-primas,
insumos e serviços, para realizar um exercício
de futurologia em relação às perspectivas
de fechamento do ano. Para Roberto Ferraiuolo, presidente
do Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes
do Estado de São Paulo, “infelizmente, nos
últimos três anos, tivemos crescimento extremamente
pequeno em nossa economia. Comparativamente aos países
emergentes, nosso desempenho não é dos melhores.
No grupo de Brasil, Rússia, Índia e China
(BRIC), nós temos números decepcionantes.
A Rússia cresce a uma taxa de 8%; a Índia,
10%; e a China, 14%, nos últimos 12 anos. Nesta
última, a participação de investimentos
sobre o PIB (Produto Interno Bruto) alcança 35%
e nosso índice sequer foi publicado pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística)”.
De
acordo com o presidente do Sitivesp, em 2003 tivemos um
ano extremamente difícil; em 2004, o ano da arrancada,
chegamos a 5%; em 2005, fechamos em 2,2%. Neste ano, ainda
chegaremos a resultados melhores que do ano passado, mas
devemos fechar com crescimento da ordem de 3%, depois
de passarmos o ano com previsões caindo a cada
mês. “E o setor de tintas cresce, fundamentalmente,
nos anos de menor crescimento do PIB, muito próximo
do Produto Interno Bruto. Já quando o crescimento
do País é mais significativo, o resultado
do segmento costuma ser superior ao do PIB.”
Grande
parte dos entrevistados acredita em crescimento em relação
ao ano de 2005, mas aponta que esse incremento deve ser
pequeno, correspondendo ao PIB. Por outro lado, os representantes
do segmento de distribuição de produtos
químicos reportam crescimento nas vendas, mas achatamento
das margens. Outras tendências que continuam movimentando
esse mercado são as transações envolvendo
compra, venda e/ou associação de empresas,
bem como a profissionalização das organizações.
Matérias-primas
Para a Elekeiroz, de acordo com Roberto Rossit, gerente
de vendas, o primeiro semestre foi muito difícil.
“Desde o início da gestão do Itaú,
nunca havia sido registrado um semestre com prejuízos,
como tivemos. Para o segundo semestre, acreditamos que
haverá uma reversão do quadro, mas ainda
não será um ano atrativo: 2006 está
sendo difícil, muito trabalhoso e com poucos resultados.
Nossa previsão para o último trimestre é
de que haverá uma ligeira melhora nos negócios,
mas com margens muito apertadas, muita pressão
das matérias-primas de primeira e segunda gerações.”
Para
Reinaldo Medrano, diretor comercial da Makeni Chemicals,
o final deste ano será um pouco mais complicado
que os anteriores. “O Brasil vem dando sinais de
que a economia não está crescendo e nada
está sendo feito para mudar esse cenário.
Nós estamos sentindo reflexo disso e ainda temos
aumento das matérias-primas no exterior, em virtude
do aumento do petróleo.” De acordo com o
executivo, já existe um movimento de queda das
cotações do barril, mas que deverá
se refletir nos preços apenas a partir do início
do próximo ano. “Acredito que, por ser final
de ano, teremos ritmo lento, mas não tão
lento quanto deverá ficar o início de 2007”,
prevê. Medrano ressalva, entretanto, que 2006 não
será um ano perdido para as vendas, que estão
um pouco melhores que as do ano passado, mas registrará
perda de margens maiores, por causa da oscilação
de preços no mercado externo. Apesar do ano sofrido,
a Makeni está se expandindo e prevê crescimento
de 20%.
Eduardo
Barrella, ex-diretor de negócios da Best Química,
pondera que 2006 foi extremamente atípico, com
a Copa e as eleições, que fizeram com que
o mercado tivesse um comportamento totalmente diferente.
“Além de uma superoferta de produtos e da
conseqüente degeneração de margem,
muitos fabricantes de tintas diminuíram sensivelmente
a atividade industrial. Começamos o ano com uma
expectativa; fizemos uma correção no primeiro
trimestre, outra no segundo e estamos corrigindo agora
no terceiro.”
O
grande problema, para os distribuidores de produtos químicos,
diz Barrella, é o fato de estar no meio da cadeia,
entre o produtor e o consumidor final. “O produtor
tem um certo domínio, porque detém a matéria-prima,
e o consumidor também tem seu poder, porque conta
com superoferta. Dessa forma, o distribuidor arca com
o ônus do estoque, da queda de margem, com o risco
do capital de giro e ainda investe na profissionalização,
no fornecimento de serviços, nas certificações
de qualidade e ambientais, entre outros”, considera.
Para
Mário Richa de Sá Barreto, gerente de Químicos
para Tintas, Adesivos e Vernizes da Petrobras Distribuidora,
desde o segundo semestre de 2005 o cenário econômico
vem se mantendo, sem grandes mudanças. “Por
isso, se compararmos o período janeiro/agosto de
2005 a janeiro/agosto deste ano, há crescimento
para nós, porque o primeiro semestre do ano passado
foi ruim. Tivemos alguns aportes interessantes em termos
de volume. Quanto à margem de lucro unitária,
houve queda, mas com o aumento de volumes, houve uma compensação.”
Richa
acrescenta que a companhia está investindo na prospecção
de clientes na área de gestão de estoques
e serviços ambientais. “A BR atuaria junto
aos prestadores de serviços das empresas às
indústrias, de maneira a gerir o trabalho, evitando
o contato das indústrias com os vários parceiros.”
João
Miguel Thomé Chamma, gerente nacional de negócios
da Ipiranga Química, avalia que o setor de tintas
neste ano está sendo positivo quando comparado
a 2005: “Claro que ainda está aquém
do que gostaríamos, mas está melhor do que
o ano passado. Para o segmento de tintas, 2006 está
sendo positivo por causa do bom impacto da legislação
fiscal, que trouxe incentivos para o setor da construção
civil”, pondera, frisando que isso mostra o quanto
impacta o nível mais adequado de imposto para a
indústria brasileira, benefício esse que
chega ao consumidor final. Além disso, o executivo
lembra que o trabalho de desenvolvimento da qualidade
dos produtos, baseado no Programa de Qualidade das Tintas
da Abrafati, tem sido outro bom fator de crescimento para
o fornecedor de matérias-primas e de incentivo
à compra por parte do consumidor final.
Chamma
ainda ressalta que, apesar de o segundo trimestre ser
tradicionalmente o mais fraco para o mercado de tintas,
isso normalmente não ocorre em toda a economia.
“Mas este ano registramos fraco desempenho generalizado
em abril, talvez pelo baixo número de dias úteis
do mês. Junho, por sua vez, também sofreu
influência negativa da Copa e dos feriados. Já
o terceiro trimestre (julho/agosto/setembro) está
apresentando um bom desempenho”, relata. “Até
o momento, dá para dizer que o setor de tintas
vai ter um crescimento próximo a 5%”, aposta,
mas sem deixar de citar algumas outras variáveis,
como a abundância de matéria-prima, que deve
baixar a rentabilidade dos negócios.
Eduardo
Albuquerque, diretor da Aromat, por sua vez, conta que
para a empresa o ano trouxe algumas transações
comerciais interessantes, com resultados positivos para
a empresa. “Mesmo assim, 2006 está sendo
difícil. Todo dia é necessário trabalhar
muito para conseguir chegar aos objetivos traçados
no início do ano”, reflete.
Roberto
Giannini, diretor da Carbono, adianta que a empresa vai
conseguir cumprir as metas de crescimento em volume e
faturamento, mas as margens ficaram comprometidas em 2006.
“Apesar da volatilidade dos preços do petróleo
no mercado externo, o setor de distribuição
não se afeta tão rapidamente por essa oscilação,
mas sim pelo movimento da oferta e demanda. Um exemplo
são os solventes aromáticos, que passam
por uma crise mundial, já que as grandes expansões
petroquímicas foram feitas com base em gás,
que não gera esse tipo de solvente. Dessa forma,
o preço sobe. E isso não é bom nem
para a indústria nem para os distribuidores, que
têm de absorver parte do aumento de preços,
sacrificando as margens”, avalia, apostando que
o setor deve começar a se recuperar em 2008 ou
2009, seguindo a Teoria de Ondas Elliot.
Tadeu
Souza, diretor comercial da Brazmo e coordenador da Divisão
Química do Grupo Formitex, que inclui também
a Denver Cotia, a Denver Resinas e a Denver Pharma, reitera
que o mesmo comportamento do mercado como um todo está
sendo refletido na distribuição, ou seja,
as margens estão muito apertadas, principalmente
pela falta de algumas matérias-primas no mercado
e a alta expressiva de preços. “O distribuidor
tem condições de absorver um pouco desse
aumento de custos, mas também não pode fazer
muito, porque essa perda de margens já vem ocorrendo
há algum tempo”, lembra. O executivo ainda
destaca que, hoje, o distribuidor tem de prestar serviços,
como um agregado do negócio, tem de ter capilaridade
para servir o cliente e ainda sobreviver com margens pequenas.
Luiz
Martinho, gerente-geral da Deltech Corporation Brasil,
por sua vez, está comemorando os resultados conseguidos
em 2006. “Este ano está sendo muito bom para
a gente, mas porque estamos iniciando o trabalho no País.
Por isso, não enfrentamos crise e estamos conseguindo
bons números.” Ele avalia que o importante
para a Deltech agora é alcançar a independência
da matriz, ou seja, a unidade brasileira conseguir sobreviver
com seus próprios recursos, sem a necessidade de
verba da matriz.
Antonio
Alonso Ribeiro, diretor da Itatex, também considera
que o ano foi preocupante, “com poucos investimentos
no País e o desenvolvimento econômico travado,
em especial na indústria de base e no segmento
ligado à construção civil”.
Ele ressalta ainda que o segundo semestre deve ser melhor
que o primeiro: “Tradicionalmente, esse período
é melhor para o setor de tintas, mas percebemos
que o mercado está com o pé no freio, sem
querer arriscar por causa das eleições.
O Brasil cresce porque tem de crescer, não porque
o governo tenha políticas nesse sentido.”
Alonso
relata que a Itatex atende outros setores, como o de plásticos,
borrachas, autopartes e indústria mecânica,
que também não estão apresentando
melhor desempenho. “No caso da continuidade do governo
atual, não acredito que vá haver crescimento
significativo para o Brasil, porque falta mentalidade
desenvolvimentista. Vamos continuar crescendo ao sabor
do vento e sofrendo as influências dos acontecimentos
no mercado internacional.”
Embalagens
e equipamentos
José
Villela de Andrade Neto, diretor da Companhia Metalgráfica
Paulista (CPM), avalia que o setor de tintas não
apresentou o crescimento esperado no ano, mas não
decepcionou a empresa. “A partir de setembro e outubro,
esperamos que haja um crescimento de 15%. Estamos animados
porque aumentamos bem a nossa base de clientes e estamos
fornecendo embalagens para mais de 90% das fábricas
de tintas do País. Outro bom indício é
a redução das taxas de juro, que devem trazer
crescimento à economia”, festeja, acrescentando
que a CMP atua principalmente em São Paulo, Minas
Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás e
Mato Grosso.
Jefferson
Lozargo, diretor comercial da Cerviflan, acentuou que,
“para a empresa, 2006 está sendo um ano muito
bom. Tirando o período de Copa do Mundo, o desempenho
tem sido bastante positivo”, ressalta, apostando
em crescimento sobre o resultado apresentado em 2005.
A
Moinhos Pirâmide, por sua vez, está tendo
um ano bom, com crescimento em relação ao
ano passado. Para Júnior Machado, diretor técnico
da empresa, esse resultado da empresa se deve à
forma como atende os clientes: “Fazemos projetos
enxutos e sob medida para os clientes.” Por outro
lado, Machado acentua que o fator preço também
é um importante diferencial da empresa. “A
Moinhos Pirâmide oferece equipamentos industriais
por preços até três vezes mais baratos
do que os praticados pelos concorrentes do mercado, sem
comprometer a qualidade”, avisa.
José
Maria Granço, diretor da divisão química
da Brasilata, reportou que até o mês de junho
o comportamento do mercado estava ruim, mas a partir de
julho registrou crescimento. “Julho, agosto e setembro
foram bons e acredito que o quarto trimestre vá
continuar aquecido”, diz, acreditando que o fechamento
do ano apontará crescimento em relação
a 2005.
Já
Maurício Baroni, gerente administrativo da Metal
Gráfica Mogi, reflete que o segmento de embalagem
é um termômetro do mercado, já que,
quando se avizinha uma crise, ele é o primeiro
a sentir os efeitos. “Mas quando o mercado se reaquece,
somos os primeiros a sentir os efeitos benéficos.
Este ano foi atípico, principalmente pela Copa,
um fator que parou o mercado. A eleição
parece também ter trazido um efeito negativo, represando
as vendas. Atualmente, já estamos notando um pequeno
crescimento, embalado pelo final de ano, mas ainda considero
que o crescimento será menor quer o registrado
no ano passado”, prevê.
Edson
Barbosa, da ETL, ressalta que o ano foi interessante do
ponto de vista da venda de equipamentos para o setor automotivo.
Por outro lado, o segmento de tintas gráficas não
foi muito comprador como nos anos anteriores. “Como
trabalhamos com equipamentos para todas as fases de produção,
da preparação da formulação
ao envase, passando pelos sistemas de dosagem automáticos,
sempre fazemos negócios. Por outro lado, como a
empresa é relativamente nova, com apenas oito anos,
acredito que este tenha sido o melhor ano, por ser um
reflexo da preocupação de trazer tecnologia
para o Brasil, com destaque para os equipamentos para
moagem e dispersão.”
Para
a Fluid Management, o ano está muito positivo.
“A mudança do foco de consumo, do modelo
de compra da máquina, e a nossa adequação
a esse modelo têm fomentado muito os negócios”,
analisa Marco Antonio Vitória, gerente técnico
da empresa. Por outro lado, o profissional reitera que
a empresa sempre tem novidades, porque continua desenvolvendo
e oferecendo ao mercado produtos que atendem às
necessidades do consumidor, como a Accutint 2000, que
não necessita calibração e com baixa
custo de manutenção.
Paulino
Nalim Neto, da Colorpel Artes Gráficas, conta que
o ano começou para a empresa no segundo semestre,
quando começaram a ser colocados novos pedidos
de grandes empresas, e com a ampliação dos
equipamentos da empresa: “Hoje contamos com área
de 5 mil metros e estamos lançando produtos como
Power Chip, Power Card Chips, Power Strip e Power Color
Cards. Essa é uma linha mais nobre, com mais fidelidade
para catálogo de cores.”
Em
relação às perspectivas para o fechamento
do ano, o executivo diz que não tem ainda certeza
dos resultados e que se mantém à espera
do resultado das eleições para saber como
vai ser o comportamento do mercado. “Há empresas
que estão esperando a definição de
qual será o governo que vai assumir para fazer
seus investimentos. Estamos em compasso de espera”,
diz, mas apostando que a empresa vai fechar o ano com
crescimento de pelo menos 4% a 5%.
Para
a Altmann, na média, o ano está sendo proveitoso
e vai apresentar crescimento em relação
a 2005, mas tem características diversas das registradas
no ano passado: “O mercado está diferente
do ano passado porque estamos batendo recordes de vendas
em alguns segmentos e em outros a performance está
abaixo do esperado”, revela Wagner Vitalis, gerente
de vendas da empresa, especificando que a divisão
de análise de partículas e microscopia eletrônica
vendeu como nunca, mas os segmentos de colorimetria, moagem
e máquinas de ensaio deixaram a desejar.
Para
o gerente da Altmann, o comportamento da economia no próximo
ano será definido pelos resultados das eleições.
“Apenas com uma posição definida da
política econômica a ser seguida, incluindo
cotação do dólar, teremos idéia
do quanto as empresas investirão em exportação,
por exemplo. Em qualquer dos dois cenários possíveis,
o Brasil deve crescer, mas esse incremento poderá
ser mais forte se houver a troca do governo”, analisa.
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