A
exemplo da economia brasileira, o setor de embalagens
metálicas não teve um crescimento significativo
em 2006, sendo que o período mais crítico
foram os primeiros meses do ano. Ao mesmo tempo, o mercado
brasileiro de embalagens metálicas está
passando por um processo de adaptação, buscando
inovações que agregam valor ao produto e
que atendam às novas exigências dos clientes
e consumidores.
A
embalagem metálica continua sendo ainda um produto
de excelente aceitação no segmento de tintas,
além de ser, em alguns casos, a única alternativa
para o produto, apesar das seguidas investidas de outras
embalagens alternativas. Outras vantagens, como resistência
ao empilhamento, proteção ao produto, qualidade
de litografia como destaque no ponto-de-venda, ótima
aderência de vernizes e tintas, fazem da lata uma
embalagem diferenciada para os fabricantes de tintas.
O
fator ecológico, relacionado a embalagens que não
agridem a natureza, está sendo agora muito valorizado
e a crescente conscientização das indústrias
e do consumidor final sobre a necessidade de se respeitar
o meio ambiente reforça a embalagem de aço
como uma das embalagens mais fáceis e econômicas
de serem recicladas no mundo. Outra vantagem da lata é
a litografia dos rótulos, pois a impressão
sobre o aço reproduz a imagem perfeitamente e transmite
com exatidão o conceito de cada marca.
Na
opinião de Marcos Machado, diretor industrial da
Módulo Embalagens, “a embalagem metálica
é mais segura que o balde plástico, possui
uma melhor imagem junto ao público e tem um grande
apelo ecológico”. Ele lembra que 2006 foi
marcado por conflitos na cadeia produtiva, o que provocou
desgastes junto ao mercado. “Contudo, podemos dizer
que houve um desfecho positivo e, ainda, uma reação
do setor químico no segundo semestre”. A
Módulo planeja se firmar como importante fornecedora
do setor de químicos com um mix completo, conforme
o diretor industrial, incluindo em seu portfólio
a lata de quarto de galão já no início
de 2007.
As
quantidades de embalagens produzidas em 2006, segundo
Edilson Luiz Witkowski, gerente comercial da Metalgráfica
Trivisan, ficaram em média 10% abaixo do exercício
de 2002, retomando o mesmo nível de 2003 somente
no mês de outubro. “Esperávamos para
o segundo semestre de 2006 uma recuperação
das vendas no setor, em função dos recursos
liberados pelo governo federal para o setor da construção
civil e que foram utilizadas parcialmente em função
das altas taxas de juros. Os incentivos financeiros e
tributários criados para estimular a construção
civil não surtiram efeito esperado, mas a expectativa
é de uma demanda crescente a partir de agora”.
Para
o gerente de marketing da Brasilata, Carlos Viterbo Júnior,
em 2006 o setor sofreu uma queda significativa, especialmente
no mercado alimentício, que representa 80% do volume
total. Segundo ele, essa situação foi provocada,
principalmente, pelo avanço da garrafa PET no segmento
da lata de 900ml para óleo de soja. “O acirramento
da disputa entre os concorrentes atingiu outros segmentos,
como o de tintas, que no primeiro semestre de 2006 foi
bastante difícil, mas que retomou os níveis
normais no segundo semestre”.
Inovações
Especificamente para o mercado de tintas e produtos químicos,
o foco da Brasilata esteve concentrado nas homologações
da linha de embalagens. As latas 1/16, um quarto, galão,
meio litro retangular, litro retangular e 5 litros retangular
já estão homologadas e prontas a atender
à legislação exigida para os produtos
considerados perigosos. Também já está
homologada a linha de baldes de 18 e 20 litros com tampa
fixa e com tampa removível. “Aliás,
a Brasilata foi a primeira empresa a homologar o balde
de tampa removível no Brasil. Outro destaque em
2006 foi a grande aceitação do balde Plus
no mercado de tintas, que já ultrapassou o volume
de vendas do tradicional balde com tampa de garras”,
lembra Viterbo.
Para
a Cerviflan, também, as inovações
realizadas foram definitivamente reconhecidas como forma
de melhorias e tendências. “Com uma roupagem
mais moderna em nossas embalagens e formas diferenciadas,
nossa empresa tenta fazer com que seu papel vá
muito além da expectativa do consumidor final,
além de oferecer a já tradicional qualidade,
agregando assim mais valor e praticidade na lata de tinta”,
afirma o diretor industrial Jean Daniel Lozargo, justificando
que a segmentação cada vez maior do mercado
e as mudanças nos hábitos de consumo são
outros importantes fatores que levaram a Cerviflan a investir
na revolução de algumas embalagens. “Hoje,
com produtos cada vez mais parecidos, diferenciar-se é
vital. Uma embalagem inovadora e prática ajuda
na conquista dos disputadíssimos clientes. O mercado,
em nossa opinião mudou, respondendo a uma demanda
de latas com maior praticidade, soluções
de alto desempenho e segurança”.
Para
este ano, a Cerviflan reserva um novo desenvolvimento
que poderá se estender para todas as suas embalagens
e que, na opinião de Lozargo, deverá ser
de grande potencial para todos os clientes da empresa.
A
Greif, que teve uma boa recuperação de vendas
a partir do segundo trimestre de 2006 e, no terceiro trimestre,
registrou um aumento significativo da demanda de embalagens
metálicas, investiu na produção de
baldes metálicos em folhas-de-flandres e litografia
(atualmente a Greif atua com baldes em aço carbono
laminados a frio). “A idéia é ampliarmos
nosso portfólio de produtos, disponibilizando para
o mercado várias soluções em baldes
metálicos”, justifica o gerente de vendas
e marketing Flávio Carneiro.
Em
termos de tecnologia, a Metalgráfica Renner, que
faz parte do Grupo Renner Herrmann S/A, tem como destaque
a produção de uma embalagem de aço
inovadora, fabricada exclusivamente para a Renner Sayerlack
para o lançamento de seu novo verniz Rekol. De
acordo com Hosé Victor Basso, gerente-geral da
empresa, a lata premium desenvolvida pela Metalgráfica
Renner traz relevo na tampa, que garante a genuinidade
do produto, de qualidade reconhecida. A litografia em
processo de cura UV também é um diferencial
da embalagem, que demonstra a exploração
total dos recursos do aço, proporcionando uma boa
exposição de marca. “Desenvolvemos
recentemente, também, a lata cônica duas
peças, com fechamento a vácuo, nas versões
de um quilo e dois quilos e meio, utilizada no segmento
de produtos químicos, principalmente no de tintas
de impressão. O processo e a tecnologia da lata
são baseados na expansão da folha-de-flandres,
que possibilita um produto de apenas duas peças
(corpo e tampa)”.
Essa
lata reduz a necessidade de área para a estocagem
em 80%, em razão de sua forma cônica que
permite o encaixe de uma lata dentro da outra. O fechamento
a vácuo evita a oxidação do produto
e sua abertura facilita a retirada desse produto, evitando
desperdício.
Investimentos
A Metalgráfica Renner investiu, recentemente, na
transferência para uma nova fabrica, no município
de Gravatai (RS), modernizando seu parque fabril. Instalada
em um terreno de 110 mil metros quadrados e com 15 mil
de área construída, a empresa está
preparada para o atendimento de todo o segmento químico,
além de atuar também no segmento de alimentos.
Houve
também investimentos em novos equipamentos nas
áreas de litografia e montagem de latas e, com
o desenvolvimento de novos produtos, a empresa investiu
aproximadamente R$ 5 milhões em tecnologia, treinamento
e montagem da linha de fabricação da lata
cônica duas peças com fechamento a vácuo.
Quem
também está na fase final de ciclo de investimentos
da ordem de R$ 15 milhões é a Brasilata,
destinados à expansão da unidade fabril
de São Paulo, com nova área construída
de 7.200 metros, em área total de 18 mil metros.
Nessa nova estrutura, há maior eficiência
logística e um amplo centro de pesquisa, permitindo
o crescimento harmonioso da empresa no futuro. Lá
foi montada também uma central de componentes para
exportação dos produtos patenteados, pronta
para atender ao mercado internacional.
O
projeto da Aro S/A, de acordo com o diretor comercial,
Luiz Carlos Covelo, é de continuar os investimentos
em latas para tintas e vernizes, no aumento do parque
litográfico, na adoção de embalagens
soldadas e no aumento de capacidade na produção
de latas especiais, além de apostar em Inovação
tecnológica. A gerente de marketing da Aro, Adriana
Abdalla, ressalta que a empresa continua acreditando no
Brasil e no negócio de embalagens metálicas.
“O mercado consumidor saberá valorizar nossos
esforços, como vem fazendo, até porque nunca
foi um bom negócio estar em mãos de grandes
companhias resultantes de fusões e aquisições.
Aqui, nossos clientes sabem que falam com quem decide
e não existem surpresas em meio a caminhos já
tomados”, diz ela.
Pensando
em modernização, a Greif vem tomando uma
série de medidas para melhorar sua produção
e seu atendimento. Uma delas foi a instalação
de equipamento para detecção de vazamentos
de tambores de 200 a 230 litros (Helium Test) durante
o processo produtivo e em 100% do lote de embalagens.
Visando o aumento de produtividade e flexibilidade no
atendimento do mercado foram feitas várias modificações
em termos de leiaute e novas formas de trabalho, com constantes
treinamentos com operadores, supervisores e área
comercial.
Além
disso, foram feitos investimentos para incrementar o intercâmbio
entre as várias fábricas da Greif (atualmente
são cinco no Brasil). “Hoje podemos, em questões
de minutos, decidir se a fabricação de determinados
tipos de tambores será feita em nossa unidade de
São Paulo ou Rio de Janeiro, dando maior flexibilidade
de entrega aos clientes”, argumenta Flávio
Carneiro.
A
Greif obteve ainda homologação de embalagens
para o transporte de produtos perigosos nos meios terrestre,
marítimo e aéreo. Atualmente, a empresa
possui mais de cem embalagens homologadas nos vários
meios e está investindo no desenvolvimento de novas
embalagens que venham a atender nichos de mercado, como
é o caso dos tambores de tampa removível
para o transporte de produtos líquidos perigosos,
em que a Greif desenvolveu e aprovou duas opções
para o mercado: uma com uma combinação de
chapa mais robusta (padrão internacional) e outra
com uma combinação de chapa mais fina, buscando
atender o mercado local. Essas duas embalagens atendem
a todos os testes requeridos pela Norma UM, conforme Flávio
Carneiro, e representam uma necessidade do segmento de
tintas e vernizes, uma vez que há uma ampla utilização
de tambores metálicos com tampa removível
nesse segmento. Além disso, a Greif está
apta a fornecer baldes de 20 litros de tampa removível
para o envase de líquidos que atendem os requisitos
da Norma UM.
Vale
também destacar que, em 26 de janeiro, entrou em
vigor a Portaria 10 do Inmetro, que rege o processo de
homologação terrestre de embalagens para
o transporte de produtos perigosos para todos os fabricantes,
montadores e importadores de embalagens, os quais deverão
atender aos requisitos da Resolução 420/04
da ANTT- Agência Nacional de Transporte Terrestre
- Ministério dos Transportes e os contidos na portaria.
A Greif, por sua vez, atuou de forma proativa, comunicando
e instruindo seus clientes a se prepararem para atender
a essas novas regulamentações: “Nossos
executivos de vendas estão preparados para darem
a devida consultoria a todos os clientes que, por ventura,
ainda tenham dúvida e necessitem de apoio quanto
ao enquadramento de suas embalagens industriais às
novas exigências para o transporte de produtos perigosos
nos modos terrestre, marítimo e aéreo”,
avisa Flávio Carneiro.
Ampliação
de portfólio
No final do ano de 2006, a Raft Embalagens investiu na
tecnologia e produção de baldes metálicos
de 15 litros até 25 litros, com tampas fixas e/ou
removíveis, com e sem revestimento interno. Com
esse investimento, a empresa passa a ter um portfólio
de produtos que abrange todos os tipos de embalagens metálicas,
produzindo embalagens desde 15 litros até 230 litros
e suas variáveis, todas com homologação
para transportes de produtos perigosos, via terrestre
e marítima.
“Nossos
planos são sempre de estarmos à frente das
mudanças tecnológicas que possam ocorrer
no nosso setor, sempre voltados aos desejos e interesses
dos nossos clientes, que são o nosso maior patrimônio.
Somos uma empresa voltada para a satisfação
das necessidades deles, no mais amplo sentido, sempre
buscando a maneira de atendê-los com produtos de
qualidade, nos prazos necessários, e com toda a
assistência possível. São, na realidade,
nossos parceiros de empreitada”, ressalta José
Carlos Thompson, consultor executivo da Raft, que completa:
“Temos conseguido vários prêmios, principalmente
o de Melhor Fornecedor de Tambores Metálicos, o
que significa que realmente estamos no caminho certo,
com a colaboração sempre muito importante
e participativa de nossos parceiros. Queremos agora buscar
também o prêmio na categoria Baldes, promovido
pela revista Paint & Pintura.”
Seguindo
suas diretrizes estratégicas, o Grupo Metalbasa
(Metalúrgica da Bahia e GMM Embalagens Industriais)
fará no próximo triênio investimentos
em aumento de capacidade instalada, na certificação
ISO 14000 e 18000, em equipamentos e criação
de infra-estrutura para fabricação de tambores
extralimpos, além da modernização
de sua frota própria de veículos. Já
em 2007, a capacidade instalada da GMM Embalagens Industriais
S/A, sua mais nova fábrica de tambores de aço,
será aumentada em 30%. “Com a nova linha
de tambores extralimpos, o Grupo Metalbasa pretende oferecer
aos segmentos de tintas automotivas, alimentício
e farmacêutico uma embalagem com padrão de
limpeza interna superior e logística diferenciada”,
garante Milton Costa Santana, diretor comercial.
Modernização
A Tamborline está modernizando sua linha de tambores
de tampa removível, no sistema de jateamento automático
com granalha. A empresa ampliou também a área
de estocagem e de recuperação de bombonas
e contêineres de mil litros em 2 mil metros quadrados
de área construída, bem como aumentou sua
frota em 20%. Mas a principal preocupação
da empresa, conforme o diretor comercial, Fabio Henrique
Kusumoto, é a preparação para a obrigatoriedade
das embalagens serem homologadas. “Apenas quatro
empresas têm essas homologações. Com
certeza, aumentaremos nossa participação
no mercado de recuperados em, pelo menos, 25%, isso porque
investimos nessas homologações e nos preparamos
para poder atender clientes que, certamente, nos procurarão
para estar dentro da lei”.
Outra
empresa a realizar investimento parecido foi a TamFust,
com a implementação de um complexo industrial
com processo de reciclagem de tambor usado, por meio de
incineração, para descontaminação
e jateamento com granalha de aço para limpeza e
higienização da chapa de aço para
posterior reciclagem. “Estamos preparados para prestação
de serviço de descontaminação de
tambores usados de qualquer produto químico, atendendo,
assim, a legislação em vigor. Somos a única
alternativa de descarte de tambor com processo homologado
pela Cetesb e certificado com ISO 9001 e ISO 14001”,
destaca o diretor Joel Calhau, informando também
que, depois de iniciar a fabricação de tambores
metálicos de 200 litros, a TamFust obteve um crescimento
de 9,8%. Para o diretor, a embalagem metálica tem
a reciclagem via incineração de forma plena
sem causar poluição, e o requisito ambiental
deve direcionar o rumo das embalagens no Brasil.
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