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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 108 - Embalagens metálicas
 
Mercado em recuperação
 
Depois de um fraco desempenho no primeiro semestre de 2006, o segmento de embalagens metálicas vem se recuperando e espera crescer mais em 2007, em função dos investimentos realizados.
 
Marcos Mila
 

A exemplo da economia brasileira, o setor de embalagens metálicas não teve um crescimento significativo em 2006, sendo que o período mais crítico foram os primeiros meses do ano. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro de embalagens metálicas está passando por um processo de adaptação, buscando inovações que agregam valor ao produto e que atendam às novas exigências dos clientes e consumidores.

A embalagem metálica continua sendo ainda um produto de excelente aceitação no segmento de tintas, além de ser, em alguns casos, a única alternativa para o produto, apesar das seguidas investidas de outras embalagens alternativas. Outras vantagens, como resistência ao empilhamento, proteção ao produto, qualidade de litografia como destaque no ponto-de-venda, ótima aderência de vernizes e tintas, fazem da lata uma embalagem diferenciada para os fabricantes de tintas.

O fator ecológico, relacionado a embalagens que não agridem a natureza, está sendo agora muito valorizado e a crescente conscientização das indústrias e do consumidor final sobre a necessidade de se respeitar o meio ambiente reforça a embalagem de aço como uma das embalagens mais fáceis e econômicas de serem recicladas no mundo. Outra vantagem da lata é a litografia dos rótulos, pois a impressão sobre o aço reproduz a imagem perfeitamente e transmite com exatidão o conceito de cada marca.

Na opinião de Marcos Machado, diretor industrial da Módulo Embalagens, “a embalagem metálica é mais segura que o balde plástico, possui uma melhor imagem junto ao público e tem um grande apelo ecológico”. Ele lembra que 2006 foi marcado por conflitos na cadeia produtiva, o que provocou desgastes junto ao mercado. “Contudo, podemos dizer que houve um desfecho positivo e, ainda, uma reação do setor químico no segundo semestre”. A Módulo planeja se firmar como importante fornecedora do setor de químicos com um mix completo, conforme o diretor industrial, incluindo em seu portfólio a lata de quarto de galão já no início de 2007.

As quantidades de embalagens produzidas em 2006, segundo Edilson Luiz Witkowski, gerente comercial da Metalgráfica Trivisan, ficaram em média 10% abaixo do exercício de 2002, retomando o mesmo nível de 2003 somente no mês de outubro. “Esperávamos para o segundo semestre de 2006 uma recuperação das vendas no setor, em função dos recursos liberados pelo governo federal para o setor da construção civil e que foram utilizadas parcialmente em função das altas taxas de juros. Os incentivos financeiros e tributários criados para estimular a construção civil não surtiram efeito esperado, mas a expectativa é de uma demanda crescente a partir de agora”.

Para o gerente de marketing da Brasilata, Carlos Viterbo Júnior, em 2006 o setor sofreu uma queda significativa, especialmente no mercado alimentício, que representa 80% do volume total. Segundo ele, essa situação foi provocada, principalmente, pelo avanço da garrafa PET no segmento da lata de 900ml para óleo de soja. “O acirramento da disputa entre os concorrentes atingiu outros segmentos, como o de tintas, que no primeiro semestre de 2006 foi bastante difícil, mas que retomou os níveis normais no segundo semestre”.

Inovações
Especificamente para o mercado de tintas e produtos químicos, o foco da Brasilata esteve concentrado nas homologações da linha de embalagens. As latas 1/16, um quarto, galão, meio litro retangular, litro retangular e 5 litros retangular já estão homologadas e prontas a atender à legislação exigida para os produtos considerados perigosos. Também já está homologada a linha de baldes de 18 e 20 litros com tampa fixa e com tampa removível. “Aliás, a Brasilata foi a primeira empresa a homologar o balde de tampa removível no Brasil. Outro destaque em 2006 foi a grande aceitação do balde Plus no mercado de tintas, que já ultrapassou o volume de vendas do tradicional balde com tampa de garras”, lembra Viterbo.

Para a Cerviflan, também, as inovações realizadas foram definitivamente reconhecidas como forma de melhorias e tendências. “Com uma roupagem mais moderna em nossas embalagens e formas diferenciadas, nossa empresa tenta fazer com que seu papel vá muito além da expectativa do consumidor final, além de oferecer a já tradicional qualidade, agregando assim mais valor e praticidade na lata de tinta”, afirma o diretor industrial Jean Daniel Lozargo, justificando que a segmentação cada vez maior do mercado e as mudanças nos hábitos de consumo são outros importantes fatores que levaram a Cerviflan a investir na revolução de algumas embalagens. “Hoje, com produtos cada vez mais parecidos, diferenciar-se é vital. Uma embalagem inovadora e prática ajuda na conquista dos disputadíssimos clientes. O mercado, em nossa opinião mudou, respondendo a uma demanda de latas com maior praticidade, soluções de alto desempenho e segurança”.

Para este ano, a Cerviflan reserva um novo desenvolvimento que poderá se estender para todas as suas embalagens e que, na opinião de Lozargo, deverá ser de grande potencial para todos os clientes da empresa.

A Greif, que teve uma boa recuperação de vendas a partir do segundo trimestre de 2006 e, no terceiro trimestre, registrou um aumento significativo da demanda de embalagens metálicas, investiu na produção de baldes metálicos em folhas-de-flandres e litografia (atualmente a Greif atua com baldes em aço carbono laminados a frio). “A idéia é ampliarmos nosso portfólio de produtos, disponibilizando para o mercado várias soluções em baldes metálicos”, justifica o gerente de vendas e marketing Flávio Carneiro.

Em termos de tecnologia, a Metalgráfica Renner, que faz parte do Grupo Renner Herrmann S/A, tem como destaque a produção de uma embalagem de aço inovadora, fabricada exclusivamente para a Renner Sayerlack para o lançamento de seu novo verniz Rekol. De acordo com Hosé Victor Basso, gerente-geral da empresa, a lata premium desenvolvida pela Metalgráfica Renner traz relevo na tampa, que garante a genuinidade do produto, de qualidade reconhecida. A litografia em processo de cura UV também é um diferencial da embalagem, que demonstra a exploração total dos recursos do aço, proporcionando uma boa exposição de marca. “Desenvolvemos recentemente, também, a lata cônica duas peças, com fechamento a vácuo, nas versões de um quilo e dois quilos e meio, utilizada no segmento de produtos químicos, principalmente no de tintas de impressão. O processo e a tecnologia da lata são baseados na expansão da folha-de-flandres, que possibilita um produto de apenas duas peças (corpo e tampa)”.

Essa lata reduz a necessidade de área para a estocagem em 80%, em razão de sua forma cônica que permite o encaixe de uma lata dentro da outra. O fechamento a vácuo evita a oxidação do produto e sua abertura facilita a retirada desse produto, evitando desperdício.

Investimentos
A Metalgráfica Renner investiu, recentemente, na transferência para uma nova fabrica, no município de Gravatai (RS), modernizando seu parque fabril. Instalada em um terreno de 110 mil metros quadrados e com 15 mil de área construída, a empresa está preparada para o atendimento de todo o segmento químico, além de atuar também no segmento de alimentos.

Houve também investimentos em novos equipamentos nas áreas de litografia e montagem de latas e, com o desenvolvimento de novos produtos, a empresa investiu aproximadamente R$ 5 milhões em tecnologia, treinamento e montagem da linha de fabricação da lata cônica duas peças com fechamento a vácuo.

Quem também está na fase final de ciclo de investimentos da ordem de R$ 15 milhões é a Brasilata, destinados à expansão da unidade fabril de São Paulo, com nova área construída de 7.200 metros, em área total de 18 mil metros. Nessa nova estrutura, há maior eficiência logística e um amplo centro de pesquisa, permitindo o crescimento harmonioso da empresa no futuro. Lá foi montada também uma central de componentes para exportação dos produtos patenteados, pronta para atender ao mercado internacional.

O projeto da Aro S/A, de acordo com o diretor comercial, Luiz Carlos Covelo, é de continuar os investimentos em latas para tintas e vernizes, no aumento do parque litográfico, na adoção de embalagens soldadas e no aumento de capacidade na produção de latas especiais, além de apostar em Inovação tecnológica. A gerente de marketing da Aro, Adriana Abdalla, ressalta que a empresa continua acreditando no Brasil e no negócio de embalagens metálicas. “O mercado consumidor saberá valorizar nossos esforços, como vem fazendo, até porque nunca foi um bom negócio estar em mãos de grandes companhias resultantes de fusões e aquisições. Aqui, nossos clientes sabem que falam com quem decide e não existem surpresas em meio a caminhos já tomados”, diz ela.

Pensando em modernização, a Greif vem tomando uma série de medidas para melhorar sua produção e seu atendimento. Uma delas foi a instalação de equipamento para detecção de vazamentos de tambores de 200 a 230 litros (Helium Test) durante o processo produtivo e em 100% do lote de embalagens. Visando o aumento de produtividade e flexibilidade no atendimento do mercado foram feitas várias modificações em termos de leiaute e novas formas de trabalho, com constantes treinamentos com operadores, supervisores e área comercial.

Além disso, foram feitos investimentos para incrementar o intercâmbio entre as várias fábricas da Greif (atualmente são cinco no Brasil). “Hoje podemos, em questões de minutos, decidir se a fabricação de determinados tipos de tambores será feita em nossa unidade de São Paulo ou Rio de Janeiro, dando maior flexibilidade de entrega aos clientes”, argumenta Flávio Carneiro.

A Greif obteve ainda homologação de embalagens para o transporte de produtos perigosos nos meios terrestre, marítimo e aéreo. Atualmente, a empresa possui mais de cem embalagens homologadas nos vários meios e está investindo no desenvolvimento de novas embalagens que venham a atender nichos de mercado, como é o caso dos tambores de tampa removível para o transporte de produtos líquidos perigosos, em que a Greif desenvolveu e aprovou duas opções para o mercado: uma com uma combinação de chapa mais robusta (padrão internacional) e outra com uma combinação de chapa mais fina, buscando atender o mercado local. Essas duas embalagens atendem a todos os testes requeridos pela Norma UM, conforme Flávio Carneiro, e representam uma necessidade do segmento de tintas e vernizes, uma vez que há uma ampla utilização de tambores metálicos com tampa removível nesse segmento. Além disso, a Greif está apta a fornecer baldes de 20 litros de tampa removível para o envase de líquidos que atendem os requisitos da Norma UM.

Vale também destacar que, em 26 de janeiro, entrou em vigor a Portaria 10 do Inmetro, que rege o processo de homologação terrestre de embalagens para o transporte de produtos perigosos para todos os fabricantes, montadores e importadores de embalagens, os quais deverão atender aos requisitos da Resolução 420/04 da ANTT- Agência Nacional de Transporte Terrestre - Ministério dos Transportes e os contidos na portaria. A Greif, por sua vez, atuou de forma proativa, comunicando e instruindo seus clientes a se prepararem para atender a essas novas regulamentações: “Nossos executivos de vendas estão preparados para darem a devida consultoria a todos os clientes que, por ventura, ainda tenham dúvida e necessitem de apoio quanto ao enquadramento de suas embalagens industriais às novas exigências para o transporte de produtos perigosos nos modos terrestre, marítimo e aéreo”, avisa Flávio Carneiro.

Ampliação de portfólio
No final do ano de 2006, a Raft Embalagens investiu na tecnologia e produção de baldes metálicos de 15 litros até 25 litros, com tampas fixas e/ou removíveis, com e sem revestimento interno. Com esse investimento, a empresa passa a ter um portfólio de produtos que abrange todos os tipos de embalagens metálicas, produzindo embalagens desde 15 litros até 230 litros e suas variáveis, todas com homologação para transportes de produtos perigosos, via terrestre e marítima.

“Nossos planos são sempre de estarmos à frente das mudanças tecnológicas que possam ocorrer no nosso setor, sempre voltados aos desejos e interesses dos nossos clientes, que são o nosso maior patrimônio. Somos uma empresa voltada para a satisfação das necessidades deles, no mais amplo sentido, sempre buscando a maneira de atendê-los com produtos de qualidade, nos prazos necessários, e com toda a assistência possível. São, na realidade, nossos parceiros de empreitada”, ressalta José Carlos Thompson, consultor executivo da Raft, que completa: “Temos conseguido vários prêmios, principalmente o de Melhor Fornecedor de Tambores Metálicos, o que significa que realmente estamos no caminho certo, com a colaboração sempre muito importante e participativa de nossos parceiros. Queremos agora buscar também o prêmio na categoria Baldes, promovido pela revista Paint & Pintura.”

Seguindo suas diretrizes estratégicas, o Grupo Metalbasa (Metalúrgica da Bahia e GMM Embalagens Industriais) fará no próximo triênio investimentos em aumento de capacidade instalada, na certificação ISO 14000 e 18000, em equipamentos e criação de infra-estrutura para fabricação de tambores extralimpos, além da modernização de sua frota própria de veículos. Já em 2007, a capacidade instalada da GMM Embalagens Industriais S/A, sua mais nova fábrica de tambores de aço, será aumentada em 30%. “Com a nova linha de tambores extralimpos, o Grupo Metalbasa pretende oferecer aos segmentos de tintas automotivas, alimentício e farmacêutico uma embalagem com padrão de limpeza interna superior e logística diferenciada”, garante Milton Costa Santana, diretor comercial.

Modernização
A Tamborline está modernizando sua linha de tambores de tampa removível, no sistema de jateamento automático com granalha. A empresa ampliou também a área de estocagem e de recuperação de bombonas e contêineres de mil litros em 2 mil metros quadrados de área construída, bem como aumentou sua frota em 20%. Mas a principal preocupação da empresa, conforme o diretor comercial, Fabio Henrique Kusumoto, é a preparação para a obrigatoriedade das embalagens serem homologadas. “Apenas quatro empresas têm essas homologações. Com certeza, aumentaremos nossa participação no mercado de recuperados em, pelo menos, 25%, isso porque investimos nessas homologações e nos preparamos para poder atender clientes que, certamente, nos procurarão para estar dentro da lei”.

Outra empresa a realizar investimento parecido foi a TamFust, com a implementação de um complexo industrial com processo de reciclagem de tambor usado, por meio de incineração, para descontaminação e jateamento com granalha de aço para limpeza e higienização da chapa de aço para posterior reciclagem. “Estamos preparados para prestação de serviço de descontaminação de tambores usados de qualquer produto químico, atendendo, assim, a legislação em vigor. Somos a única alternativa de descarte de tambor com processo homologado pela Cetesb e certificado com ISO 9001 e ISO 14001”, destaca o diretor Joel Calhau, informando também que, depois de iniciar a fabricação de tambores metálicos de 200 litros, a TamFust obteve um crescimento de 9,8%. Para o diretor, a embalagem metálica tem a reciclagem via incineração de forma plena sem causar poluição, e o requisito ambiental deve direcionar o rumo das embalagens no Brasil.

 
 
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