O
comportamento do mercado brasileiro apresentou resultados
satisfatórios em relação ao segmento
de sistemas tintométricos, um dos grandes responsáveis
pelo crescimento do setor de tintas nos últimos
anos. Em plena expansão, as vendas de tintas com
a utilização dos sistemas apresentaram,
em 2006, um aumento considerável em volume.
O
mercado de sistemas tintométricos está passando
por importantes mudanças, entre as principais estão:
surgimento de novas tecnologias, modificação
dos canais de distribuição, novas formas
de comercialização e entrada de novas empresas
no segmento. Estes são fatores que estão
contribuindo diretamente para a popularização
do uso dos sistemas por todos os níveis sociais.
Inicialmente,
o sistema tintométrico atingia apenas as classes
A e B, principalmente em função dos canais
de distribuição então utilizados,
caso das grandes lojas especializadas. Com a abertura
do mercado para outros pontos-de-venda, facilidade de
aquisição dos equipamentos por meio de linhas
de créditos e, principalmente, graças à
diversificação dos produtos, o uso de tintas
formuladas pelo sistema tintométrico em todas as
classes sociais existentes no País se expandiu.
Com
um leque de cores muito amplo, a utilização
do sistema tende a crescer muito mais nos próximos
anos. Isso se deve também às mudanças
nos hábitos culturais dos brasileiros, que atualmente
preferem ambientes mais coloridos. Além, é
claro, dos benefícios e incentivos que as cores
das tintas proporcionam ao ser humano, como alegria e
vida.
Aceitação
no Brasil
O consumidor final está aderindo cada vez mais
à tecnologia proporcionada pelos sistemas tintométricos.
A aceitação vem melhorando a cada ano e
aquele estilo conservador de manter o branco, que combina
com tudo, está definitivamente acabando.
Para
Reubens Da Cunha, gerente-geral da CPS Color, o consumidor
final busca a compra da cor, portanto, sua melhor opção
é a oferta de cores do sistema tintométrico.
“A porcentagem de participação do
sistema tintométrico nas vendas varia conforme
a empresa de tintas. O importante é que a venda
por meio desse sistema cresce ano após ano e cada
vez mais empresas aderem ao sistema depois que analisam
e comprovam suas vantagens.”
A
aceitação é totalmente satisfatória,
tanto que o consumidor busca pontos-de-venda que ofereçam
o sistema com o objetivo de encontrar seu produto e cor.
“O percentual de tinta comercializada com essa tecnologia
não é uniforme em todo o País, pois
reflete uma situação regional muito ligada
à cultura, porém continua crescente e podemos
definir uma média geral perto dos 15%. A Região
Sul continua sendo o destaque em consumo, chegando em
algumas localidades a representar 80% das vendas. A paisagem
urbana, com residências coloridas e alegres, embeleza
e auxilia no desenvolvimento do turismo, gerando um bem-estar
às pessoas com sentimentos de otimismo e alegria”,
afirma Marco Antonio Vitória, gerente técnico
da Fluid Management, acrescentando que a cor ainda tem
um forte fator econômico: “A pessoa que utiliza
tinta colorida, com certeza, pinta com mais freqüência,
o que aumenta a distribuição da riqueza
em toda a cadeia, desde a fábrica, passando pela
revenda e chegando até o pintor, um profissional
cada vez mais sofisticado e especializado para trabalhar
com esses produtos.”
Marco
Antonio Viola, gerente comercial da Fillon Technologies,
analisa que no segmento automotivo não existe rejeição
na compra da tinta feita pelo sistema de mistura. “Isso
por tratar de um produto destinado ao uso profissional,
onde o pintor da oficina ou concessionária decide
qual tipo de tinta ou marca de fabricante irá utilizar
para efetuar o reparo do veículo, garantindo total
satisfação. Vale lembrar que possuir um
sistema de mistura sempre foi indispensável para
o bom desempenho e crescimento dos negócios, considerando
também a economia feita em estoque e a praticidade
na preparação da tinta. Essas vantagens
fazem com que 85% das vendas sejam feitas por meio dessa
tecnologia.”
Antônio
Francisco, diretor técnico-comercial da T&M,
afirma que a aceitação dos produtos da empresa,
que compõe os sistemas colorimétricos, tem
evoluído surpreendentemente a cada ano, porém
revela que ainda existem certas reservas em relação
à tecnologia. “Nos sistemas colorimétricos
o percentual de tintas comercializado com essa tecnologia
está ao redor de 70% do mercado imobiliário
e, provavelmente, 100% do mercado automotivo. Acreditamos
que a razão do sucesso de vendas dos nossos equipamentos
(colorímetros e espectrofotômetros, da representada
Konica Minolta, e os softwares, da representada CyberChrome)
se deve, principalmente, à excelente aceitação
desses produtos em relação ao custo/benefício
e suporte local.”
Diferenciação
de preço
Infelizmente ainda existe uma certa diferença de
preço entre os produtos pré-coloridos e
os obtidos a partir do sistema tintométrico. Claro
que, atualmente, é em menor escala, já que
importantes fatores contribuíram para essa redução.
“Dentre eles estão os custos na cadeia de
distribuição, que aponta para novos e importantes
canais; a significativa redução dos custos
com aquisição de equipamento, quando feita
de forma direta entre o consumidor final e o fabricante
dos mesmos; e a manutenção das máquinas,
anteriormente mantidas pelas indústrias, atualmente
é repassada ao usuário, com o diferencial
de que ele pode alterar esses custos com os cuidados adequados
de seus equipamentos”, declara o gerente técnico
da Fluid.
Nesse
contexto, a Fluid vem trabalhando para proporcionar informações
direcionadas à melhoria do uso e ao perfeito desempenho
das máquinas. “Oferecemos palestras a usuários,
com a finalidade de reeducar o uso e a conservação
das máquinas, aumentando sensivelmente sua vida
útil e reduzindo gastos desnecessários com
assistência técnica. Uma máquina de
tinta usada adequadamente, efetuando-se as manutenções
preventivas, pode ter uma vida útil extremamente
prolongada. Estamos também contribuindo com a venda
direta aos varejistas, reduzindo a carga tributária
do antigo modelo no qual as máquinas eram compradas
pela indústria e revendidas ao varejo, gerando
a chamada bitributação. Essa redução
pode chegar até 30% do valor dos equipamentos.
Com certeza, outras ações em prol da redução
dos custos irão surgir e estaremos prontos para
contribuir com elas e com os nossos clientes”, completa
o gerente técnico.
Claudio
Berger, diretor comercial da Full Controls, afirma que
o custo do sistema tintométrico ainda é
um pouco elevado, principalmente no interior do Brasil.
“Os preços ainda são elevados, tanto
que 90% das vendas são dirigidas ao público
A e B. Porém, ouve uma redução bastante
significativa nos preços se compararmos com os
últimos cincos anos. A popularização
dos equipamentos deve colaborar com mais mudanças.”
Sergio
Luiz Alvarez, diretor comercial da Alvarez Representações,
garante que devido a vários fatores as pessoas
vivem momentos de lazer dentro de suas próprias
residências. “Isso faz com que sejam criados
espaços e cores diferenciados, porém ainda
existem rejeições em relação
aos custos. Mas com a popularização do sistema
acontecerão mudanças não só
no conceito de custo, mas também na melhora da
qualidade final da tinta, o que é muito interessante
para o consumidor final.”
Viola,
da Fillon Technologies, revela que na linha automotiva
as tintas preparadas pelo sistema de mistura não
possuem diferença de preço substancial em
relação às cores prontas e aos preços
praticados atualmente pelos fabricantes. “Os preços
dos produtos pré-coloridos e do sistema tintométrico
estão praticamente em uma mesma faixa devido a
periódicas reformulações nas bases
de dados. No caso da repintura, diferentemente do que
acontecia no passado, quando somente as lojas e oficinas
de classes A e B podiam ter um sistema de mistura, hoje
todos podem ter acesso a esses equipamentos, considerando
a litragem vendida e o ‘pay-back’, retorno
esperado pelo fabricante.”
Para
Cunha, da CPS Color, a participação do sistema
tintométrico ainda está em níveis
considerados baixos comparados aos mercados desenvolvidos,
como Estados Unidos e Europa. “Com a popularização
do sistema e a eliminação de algumas cores
de fábrica, chamadas 'ready mix' (pré-coloridos),
haverá maior consumo por meio do sistema tintométrico,
tornando-o mais competitivo. Contudo, a maior parte das
vendas ainda se canaliza aos setores A e B, mas já
existem empresas que oferecem todos os seus produtos por
meio do sistema tintométrico. Seja o produto A,
B ou C, o consumidor final busca a cor e por meio do sistema
tintométrico a oferta de cor é muito mais
ampla”, conclui.
Tendências
Obviamente que aumentar a utilização dos
sistemas tintométricos no Brasil é o maior
desejo dos fabricantes, uma vez que acarretará
no alto crescimento desse mercado. Essa é uma tendência
forte que já vem se acentuando, principalmente
devido à popularização do sistema
e às diferentes características das tintas
formuladas por esse misturador.
Outras
tendências estão acontecendo à medida
que aumenta a necessidade e a exigência do mercado
em geral. “A tendência é a compra de
equipamentos compactos e de tecnologia confiável.
Tanto para os pontos-de-venda como para os fabricantes
de tintas, o serviço e o custo ao longo da vida
útil dos equipamentos são diferenciais muito
importantes. A CPS Color desenvolve seus equipamentos
com base nesses pontos e oferece planos de manutenção
adequados às necessidades específicas de
cada cliente. Quanto à cartela de cores, as personalizações
e as coleções das estações
ou coleções especiais (por exemplo, regionais)
são hoje materiais de marketing muito utilizados
no mercado. Os softwares decorativos, que geram vendas
de melhor valor agregado, também estão alcançando
bastante sucesso”, salienta Cunha.
Na
visão do gerente técnico da Fluid, a principal
tendência percebida nos últimos dois anos
é a nova relação dos pontos-de-venda
com os fabricantes de tinta, pois é irreversível
a busca direta dos equipamentos com os fornecedores homologados.
“A vantagem desse novo formato não se limita
à facilidade e disponibilidade imediata para a
compra de equipamentos, mas atinge diretamente uma importante
redução dos custos (oriundos da bitributação)
gerada na intermediação, que antes era feita
pelas fábricas de tintas, não agregando
valor ao sistema. Atualmente, a aproximação
dos varejistas com os fornecedores criou uma saudável
relação de confiança, na qual a qualidade
de todo o sistema se torna visível pela escolha
da indicação que o fabricante de tinta faz
a respeito dos equipamentos homologados e das empresas
parceiras.”
A
Fluid vem se destacando no mercado por causa da sua preocupação
em criar uma estrutura que permite viabilizar a comercialização
direta ao consumidor final, com pronta entrega de máquinas,
linhas de financiamento por meio de convênios com
entidades financeiras e equipe de assistência técnica
distribuída em toda a América Latina e qualificada
para oferecer o melhor atendimento, reduzindo os custos
de manutenção. “Oferecemos inúmeras
vantagens aos clientes, tais como estoque local de máquinas
e peças, treinamentos para operadores, técnicos
e equipe de vendas, help-desk, garantia estendida dos
equipamentos e uma experiente equipe de consultores, que
orienta na escolha do equipamento que melhor atende às
necessidades dos varejistas, buscando sempre o melhor
custo/benefício para cada negócio”,
destaca o gerente técnico.
Viola
conta que a Fillon Technologies tem aprimorado seus equipamentos
a cada ano e sempre oferece ao mercado novas máquinas
destinadas ao ramo de tintas, como secadoras de infravermelho,
mesas e balanças de precisão e agitadores.
Recentemente a empresa trouxe para o Brasil o Fill Spray,
sistema envasador de aerossóis. “A Fillon
continua trabalhando fortemente para oferecer produtos
e serviços de qualidade, assim como satisfação
no atendimento às necessidades de seus clientes,
mantendo a confiança depositada no nome da empresa.”
Para
Alvarez, da Alvarez Representações, a popularização
dos equipamentos é a principal tendência
atualmente. “O consumidor final tem que se conscientizar
de que existe a facilidade de criar sua própria
cor. Além disso, estamos trazendo para a América
do Sul uma nova estratégia para os produtos da
marca Hero, multinacional canadense, que contribuirá
para o crescimento, rentabilidade e diferenciação
desse setor. Com esses equipamentos toda a cadeia produtiva
terá ganhos significativos, desde o fabricante
de tinta até o usuário final”, garante.
Ano-novo
Em constante crescimento, o mercado de sistemas tintométricos
tem apresentado nos últimos anos resultados positivos,
com aumento considerável no volume de vendas de
tintas formuladas a partir desse sistema. Para o ano-novo,
a expectativa é de otimismo entre os fabricantes.
“A
expectativa é alta, pois temos vários fatores
que contribuem: economia em crescimento, uma farta opção
de linhas de crédito, crescentes investimentos
governamentais no fomento à construção
civil e o desenvolvimento de novos canais de distribuição,
como ferragens e materiais de construção,
que estão sendo realizados de forma acelerada.
A facilidade criada por estarmos perto do consumidor final
e o atendimento rápido com qualidade na informação
e orientação ampliarão nossos horizontes,
promovendo um crescimento igual aos primeiros anos da
chegada dessa tecnologia no mercado. Se em 2006 estamos
comemorando um resultado satisfatório, em 2007,
com certeza, teremos mais alegrias e motivos para comemorar”,
prevê o gerente técnico da Fluid.
Para
Cunha, da CPS Color, as vendas de tintas por meio dos
sistemas tintométricos devem continuar em ritmo
de crescimento superior ao da indústria.
Berger,
da Full Controls, está bastante otimista. “Apesar
do pequeno crescimento da construção civil
em 2006, a expectativa de crescimento em 2007 é
maior, pois prevemos aumento no volume das vendas de tintas
e aquisições de novos equipamentos tintométricos.
Como novidade, lançamos na Feitintas, em parceira
com a Colorgin, o Tintofill, equipamento que realiza envase
de spray em pontos-de- venda. Para início do ano,
disponibilizaremos um novo misturador giroscópico,
o Tintomixer modelo LC2000, equipamento de baixo custo
destinado a pequenos pontos-de-venda de tintas. Esse equipamento
deve suprir a carência do mercado, que utilizava
equipamentos rudimentares com deficiência na homogeneização,
sem considerar os problemas com manutenção.”
No
caso da linha automotiva, o gerente comercial da Fillon
Technologies declara que se trata de um mercado com tendência
de incremento nos próximos anos. “Esse crescimento
acontecerá não só pela entrada de
novos fabricantes nacionais de tintas como também
pela chegada de fabricantes europeus, que possivelmente
estarão migrando para o Brasil devido à
proibição na Europa do uso de tintas base
solvente, levando-os a trabalhar somente com produtos
base água.”
O
diretor comercial da Alvarez afirma que o segmento de
tintas vem amargando, pelo menos nos últimos três
anos, resultados insatisfatórios. “Temos
estratégias agressivas e diferenciadas em nossa
empresa, o que nos proporciona números irreais
ao que de fato acontece. Porém, estou torcendo
pelo crescimento em torno de 5% em 2007.”
|