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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 108 - Sistemas Tintométricos
 
Cor é vida!
 
Um Brasil mais colorido. É isso o que os brasileiros buscam com as tintas manuseadas pelos sistemas tintométricos. Um recurso que vem crescendo a cada dia e se expandindo para todas as classes sociais.
 
Lucélia Monfardini
 

O comportamento do mercado brasileiro apresentou resultados satisfatórios em relação ao segmento de sistemas tintométricos, um dos grandes responsáveis pelo crescimento do setor de tintas nos últimos anos. Em plena expansão, as vendas de tintas com a utilização dos sistemas apresentaram, em 2006, um aumento considerável em volume.

O mercado de sistemas tintométricos está passando por importantes mudanças, entre as principais estão: surgimento de novas tecnologias, modificação dos canais de distribuição, novas formas de comercialização e entrada de novas empresas no segmento. Estes são fatores que estão contribuindo diretamente para a popularização do uso dos sistemas por todos os níveis sociais.

Inicialmente, o sistema tintométrico atingia apenas as classes A e B, principalmente em função dos canais de distribuição então utilizados, caso das grandes lojas especializadas. Com a abertura do mercado para outros pontos-de-venda, facilidade de aquisição dos equipamentos por meio de linhas de créditos e, principalmente, graças à diversificação dos produtos, o uso de tintas formuladas pelo sistema tintométrico em todas as classes sociais existentes no País se expandiu.

Com um leque de cores muito amplo, a utilização do sistema tende a crescer muito mais nos próximos anos. Isso se deve também às mudanças nos hábitos culturais dos brasileiros, que atualmente preferem ambientes mais coloridos. Além, é claro, dos benefícios e incentivos que as cores das tintas proporcionam ao ser humano, como alegria e vida.

Aceitação no Brasil
O consumidor final está aderindo cada vez mais à tecnologia proporcionada pelos sistemas tintométricos. A aceitação vem melhorando a cada ano e aquele estilo conservador de manter o branco, que combina com tudo, está definitivamente acabando.

Para Reubens Da Cunha, gerente-geral da CPS Color, o consumidor final busca a compra da cor, portanto, sua melhor opção é a oferta de cores do sistema tintométrico. “A porcentagem de participação do sistema tintométrico nas vendas varia conforme a empresa de tintas. O importante é que a venda por meio desse sistema cresce ano após ano e cada vez mais empresas aderem ao sistema depois que analisam e comprovam suas vantagens.”

A aceitação é totalmente satisfatória, tanto que o consumidor busca pontos-de-venda que ofereçam o sistema com o objetivo de encontrar seu produto e cor. “O percentual de tinta comercializada com essa tecnologia não é uniforme em todo o País, pois reflete uma situação regional muito ligada à cultura, porém continua crescente e podemos definir uma média geral perto dos 15%. A Região Sul continua sendo o destaque em consumo, chegando em algumas localidades a representar 80% das vendas. A paisagem urbana, com residências coloridas e alegres, embeleza e auxilia no desenvolvimento do turismo, gerando um bem-estar às pessoas com sentimentos de otimismo e alegria”, afirma Marco Antonio Vitória, gerente técnico da Fluid Management, acrescentando que a cor ainda tem um forte fator econômico: “A pessoa que utiliza tinta colorida, com certeza, pinta com mais freqüência, o que aumenta a distribuição da riqueza em toda a cadeia, desde a fábrica, passando pela revenda e chegando até o pintor, um profissional cada vez mais sofisticado e especializado para trabalhar com esses produtos.”

Marco Antonio Viola, gerente comercial da Fillon Technologies, analisa que no segmento automotivo não existe rejeição na compra da tinta feita pelo sistema de mistura. “Isso por tratar de um produto destinado ao uso profissional, onde o pintor da oficina ou concessionária decide qual tipo de tinta ou marca de fabricante irá utilizar para efetuar o reparo do veículo, garantindo total satisfação. Vale lembrar que possuir um sistema de mistura sempre foi indispensável para o bom desempenho e crescimento dos negócios, considerando também a economia feita em estoque e a praticidade na preparação da tinta. Essas vantagens fazem com que 85% das vendas sejam feitas por meio dessa tecnologia.”

Antônio Francisco, diretor técnico-comercial da T&M, afirma que a aceitação dos produtos da empresa, que compõe os sistemas colorimétricos, tem evoluído surpreendentemente a cada ano, porém revela que ainda existem certas reservas em relação à tecnologia. “Nos sistemas colorimétricos o percentual de tintas comercializado com essa tecnologia está ao redor de 70% do mercado imobiliário e, provavelmente, 100% do mercado automotivo. Acreditamos que a razão do sucesso de vendas dos nossos equipamentos (colorímetros e espectrofotômetros, da representada Konica Minolta, e os softwares, da representada CyberChrome) se deve, principalmente, à excelente aceitação desses produtos em relação ao custo/benefício e suporte local.”

Diferenciação de preço
Infelizmente ainda existe uma certa diferença de preço entre os produtos pré-coloridos e os obtidos a partir do sistema tintométrico. Claro que, atualmente, é em menor escala, já que importantes fatores contribuíram para essa redução. “Dentre eles estão os custos na cadeia de distribuição, que aponta para novos e importantes canais; a significativa redução dos custos com aquisição de equipamento, quando feita de forma direta entre o consumidor final e o fabricante dos mesmos; e a manutenção das máquinas, anteriormente mantidas pelas indústrias, atualmente é repassada ao usuário, com o diferencial de que ele pode alterar esses custos com os cuidados adequados de seus equipamentos”, declara o gerente técnico da Fluid.

Nesse contexto, a Fluid vem trabalhando para proporcionar informações direcionadas à melhoria do uso e ao perfeito desempenho das máquinas. “Oferecemos palestras a usuários, com a finalidade de reeducar o uso e a conservação das máquinas, aumentando sensivelmente sua vida útil e reduzindo gastos desnecessários com assistência técnica. Uma máquina de tinta usada adequadamente, efetuando-se as manutenções preventivas, pode ter uma vida útil extremamente prolongada. Estamos também contribuindo com a venda direta aos varejistas, reduzindo a carga tributária do antigo modelo no qual as máquinas eram compradas pela indústria e revendidas ao varejo, gerando a chamada bitributação. Essa redução pode chegar até 30% do valor dos equipamentos. Com certeza, outras ações em prol da redução dos custos irão surgir e estaremos prontos para contribuir com elas e com os nossos clientes”, completa o gerente técnico.

Claudio Berger, diretor comercial da Full Controls, afirma que o custo do sistema tintométrico ainda é um pouco elevado, principalmente no interior do Brasil. “Os preços ainda são elevados, tanto que 90% das vendas são dirigidas ao público A e B. Porém, ouve uma redução bastante significativa nos preços se compararmos com os últimos cincos anos. A popularização dos equipamentos deve colaborar com mais mudanças.”

Sergio Luiz Alvarez, diretor comercial da Alvarez Representações, garante que devido a vários fatores as pessoas vivem momentos de lazer dentro de suas próprias residências. “Isso faz com que sejam criados espaços e cores diferenciados, porém ainda existem rejeições em relação aos custos. Mas com a popularização do sistema acontecerão mudanças não só no conceito de custo, mas também na melhora da qualidade final da tinta, o que é muito interessante para o consumidor final.”

Viola, da Fillon Technologies, revela que na linha automotiva as tintas preparadas pelo sistema de mistura não possuem diferença de preço substancial em relação às cores prontas e aos preços praticados atualmente pelos fabricantes. “Os preços dos produtos pré-coloridos e do sistema tintométrico estão praticamente em uma mesma faixa devido a periódicas reformulações nas bases de dados. No caso da repintura, diferentemente do que acontecia no passado, quando somente as lojas e oficinas de classes A e B podiam ter um sistema de mistura, hoje todos podem ter acesso a esses equipamentos, considerando a litragem vendida e o ‘pay-back’, retorno esperado pelo fabricante.”

Para Cunha, da CPS Color, a participação do sistema tintométrico ainda está em níveis considerados baixos comparados aos mercados desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa. “Com a popularização do sistema e a eliminação de algumas cores de fábrica, chamadas 'ready mix' (pré-coloridos), haverá maior consumo por meio do sistema tintométrico, tornando-o mais competitivo. Contudo, a maior parte das vendas ainda se canaliza aos setores A e B, mas já existem empresas que oferecem todos os seus produtos por meio do sistema tintométrico. Seja o produto A, B ou C, o consumidor final busca a cor e por meio do sistema tintométrico a oferta de cor é muito mais ampla”, conclui.

Tendências
Obviamente que aumentar a utilização dos sistemas tintométricos no Brasil é o maior desejo dos fabricantes, uma vez que acarretará no alto crescimento desse mercado. Essa é uma tendência forte que já vem se acentuando, principalmente devido à popularização do sistema e às diferentes características das tintas formuladas por esse misturador.

Outras tendências estão acontecendo à medida que aumenta a necessidade e a exigência do mercado em geral. “A tendência é a compra de equipamentos compactos e de tecnologia confiável. Tanto para os pontos-de-venda como para os fabricantes de tintas, o serviço e o custo ao longo da vida útil dos equipamentos são diferenciais muito importantes. A CPS Color desenvolve seus equipamentos com base nesses pontos e oferece planos de manutenção adequados às necessidades específicas de cada cliente. Quanto à cartela de cores, as personalizações e as coleções das estações ou coleções especiais (por exemplo, regionais) são hoje materiais de marketing muito utilizados no mercado. Os softwares decorativos, que geram vendas de melhor valor agregado, também estão alcançando bastante sucesso”, salienta Cunha.

Na visão do gerente técnico da Fluid, a principal tendência percebida nos últimos dois anos é a nova relação dos pontos-de-venda com os fabricantes de tinta, pois é irreversível a busca direta dos equipamentos com os fornecedores homologados. “A vantagem desse novo formato não se limita à facilidade e disponibilidade imediata para a compra de equipamentos, mas atinge diretamente uma importante redução dos custos (oriundos da bitributação) gerada na intermediação, que antes era feita pelas fábricas de tintas, não agregando valor ao sistema. Atualmente, a aproximação dos varejistas com os fornecedores criou uma saudável relação de confiança, na qual a qualidade de todo o sistema se torna visível pela escolha da indicação que o fabricante de tinta faz a respeito dos equipamentos homologados e das empresas parceiras.”

A Fluid vem se destacando no mercado por causa da sua preocupação em criar uma estrutura que permite viabilizar a comercialização direta ao consumidor final, com pronta entrega de máquinas, linhas de financiamento por meio de convênios com entidades financeiras e equipe de assistência técnica distribuída em toda a América Latina e qualificada para oferecer o melhor atendimento, reduzindo os custos de manutenção. “Oferecemos inúmeras vantagens aos clientes, tais como estoque local de máquinas e peças, treinamentos para operadores, técnicos e equipe de vendas, help-desk, garantia estendida dos equipamentos e uma experiente equipe de consultores, que orienta na escolha do equipamento que melhor atende às necessidades dos varejistas, buscando sempre o melhor custo/benefício para cada negócio”, destaca o gerente técnico.

Viola conta que a Fillon Technologies tem aprimorado seus equipamentos a cada ano e sempre oferece ao mercado novas máquinas destinadas ao ramo de tintas, como secadoras de infravermelho, mesas e balanças de precisão e agitadores. Recentemente a empresa trouxe para o Brasil o Fill Spray, sistema envasador de aerossóis. “A Fillon continua trabalhando fortemente para oferecer produtos e serviços de qualidade, assim como satisfação no atendimento às necessidades de seus clientes, mantendo a confiança depositada no nome da empresa.”

Para Alvarez, da Alvarez Representações, a popularização dos equipamentos é a principal tendência atualmente. “O consumidor final tem que se conscientizar de que existe a facilidade de criar sua própria cor. Além disso, estamos trazendo para a América do Sul uma nova estratégia para os produtos da marca Hero, multinacional canadense, que contribuirá para o crescimento, rentabilidade e diferenciação desse setor. Com esses equipamentos toda a cadeia produtiva terá ganhos significativos, desde o fabricante de tinta até o usuário final”, garante.

Ano-novo
Em constante crescimento, o mercado de sistemas tintométricos tem apresentado nos últimos anos resultados positivos, com aumento considerável no volume de vendas de tintas formuladas a partir desse sistema. Para o ano-novo, a expectativa é de otimismo entre os fabricantes.

“A expectativa é alta, pois temos vários fatores que contribuem: economia em crescimento, uma farta opção de linhas de crédito, crescentes investimentos governamentais no fomento à construção civil e o desenvolvimento de novos canais de distribuição, como ferragens e materiais de construção, que estão sendo realizados de forma acelerada. A facilidade criada por estarmos perto do consumidor final e o atendimento rápido com qualidade na informação e orientação ampliarão nossos horizontes, promovendo um crescimento igual aos primeiros anos da chegada dessa tecnologia no mercado. Se em 2006 estamos comemorando um resultado satisfatório, em 2007, com certeza, teremos mais alegrias e motivos para comemorar”, prevê o gerente técnico da Fluid.

Para Cunha, da CPS Color, as vendas de tintas por meio dos sistemas tintométricos devem continuar em ritmo de crescimento superior ao da indústria.

Berger, da Full Controls, está bastante otimista. “Apesar do pequeno crescimento da construção civil em 2006, a expectativa de crescimento em 2007 é maior, pois prevemos aumento no volume das vendas de tintas e aquisições de novos equipamentos tintométricos. Como novidade, lançamos na Feitintas, em parceira com a Colorgin, o Tintofill, equipamento que realiza envase de spray em pontos-de- venda. Para início do ano, disponibilizaremos um novo misturador giroscópico, o Tintomixer modelo LC2000, equipamento de baixo custo destinado a pequenos pontos-de-venda de tintas. Esse equipamento deve suprir a carência do mercado, que utilizava equipamentos rudimentares com deficiência na homogeneização, sem considerar os problemas com manutenção.”

No caso da linha automotiva, o gerente comercial da Fillon Technologies declara que se trata de um mercado com tendência de incremento nos próximos anos. “Esse crescimento acontecerá não só pela entrada de novos fabricantes nacionais de tintas como também pela chegada de fabricantes europeus, que possivelmente estarão migrando para o Brasil devido à proibição na Europa do uso de tintas base solvente, levando-os a trabalhar somente com produtos base água.”

O diretor comercial da Alvarez afirma que o segmento de tintas vem amargando, pelo menos nos últimos três anos, resultados insatisfatórios. “Temos estratégias agressivas e diferenciadas em nossa empresa, o que nos proporciona números irreais ao que de fato acontece. Porém, estou torcendo pelo crescimento em torno de 5% em 2007.”

 
 
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