Abordar
o mercado de pigmentos orgânicos – cuja transformação
nas últimas duas décadas foi bastante intensa – seria
um dos objetivos desta presente “conversa” com
os leitores. No decorrer da confecção deste
editorial, entretanto, fomos surpreendidos pela notícia
da venda do Grupo Ipiranga para a Petrobras, Grupo Ultra
e a Braskem, numa das maiores operações empresariais
que se tem notícia no mercado brasileiro, avaliada
em cerca de US$ 4 bilhões.
Embora
o negócio esteja sujeito à análise
das autoridades brasileiras de defesa da concorrência,
sem dúvida alguma, já se pode afirmar que
o setor petroquímico nacional ruma para se inserir,
definitivamente, no cenário internacional. “Essa
nova etapa de consolidação do setor petroquímico
traz um potencial importante de crescimento para a Braskem,
com um novo patamar de competitividade e rentabilidade
para os nossos negócios”, afirmou José Carlos
Grubisich, presidente da Braskem, completando que, com
essa iniciativa, a companhia dá um passo decisivo
no caminho de se tornar uma das dez principais empresas
petroquímicas internacionais em valor de mercado.
No
setor petroquímico, a Braskem passará a deter
60% dos ativos do Grupo Ipiranga na petroquímica
e reforçará sua posição de
controle na Copesul. Já a Petrobras ficará com
40% das atividades do Grupo Ipiranga no setor.
Na área
de refino, a Refinaria Ipiranga, no Rio Grande do Sul,
será controlada, em partes iguais, pela Petrobras,
pelo Grupo Ultra e pela Braskem, que se comprometem a dar
continuidade às atividades.
A
divisão de ativos e demais conseqüências
dessa operação milionária poderão
ser acompanhadas em matéria publicada nesta e em
outras edições, já que o projeto prevê cinco
etapas de integração das companhias, que
se estenderão ao longo do ano.
Por
enquanto, cabe-nos ficar atentos ao desenrolar deste supernegócio,
que certamente terá efeitos no mercado petroquímico
e, em particular, no de tintas. Vale relembrar que, ao
longo de sua trajetória, o Grupo Ipiranga se consolidou
como um dos maiores e mais tradicionais do País,
com atuações nos setores de refino de petróleo,
petroquímico e na distribuição de
combustíveis, e com receita líquida de R$
30 bilhões no ano passado. Um patrimônio desse
tamanho – sem falar do compromisso histórico
e social da Ipiranga com o Rio Grande do Sul e com o Brasil – terá de
ser preservado pela Petrobras, Grupo Ultra e Braskem. Um
compromisso já assumido pelas três companhias,
conforme reforçaram seus executivos em coletiva à imprensa. |