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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 110 - Editorial
 
Patrimônio nacional a ser preservado
 

Abordar o mercado de pigmentos orgânicos – cuja transformação nas últimas duas décadas foi bastante intensa – seria um dos objetivos desta presente “conversa” com os leitores. No decorrer da confecção deste editorial, entretanto, fomos surpreendidos pela notícia da venda do Grupo Ipiranga para a Petrobras, Grupo Ultra e a Braskem, numa das maiores operações empresariais que se tem notícia no mercado brasileiro, avaliada em cerca de US$ 4 bilhões.

Embora o negócio esteja sujeito à análise das autoridades brasileiras de defesa da concorrência, sem dúvida alguma, já se pode afirmar que o setor petroquímico nacional ruma para se inserir, definitivamente, no cenário internacional. “Essa nova etapa de consolidação do setor petroquímico traz um potencial importante de crescimento para a Braskem, com um novo patamar de competitividade e rentabilidade para os nossos negócios”, afirmou José Carlos Grubisich, presidente da Braskem, completando que, com essa iniciativa, a companhia dá um passo decisivo no caminho de se tornar uma das dez principais empresas petroquímicas internacionais em valor de mercado.

No setor petroquímico, a Braskem passará a deter 60% dos ativos do Grupo Ipiranga na petroquímica e reforçará sua posição de controle na Copesul. Já a Petrobras ficará com 40% das atividades do Grupo Ipiranga no setor.

Na área de refino, a Refinaria Ipiranga, no Rio Grande do Sul, será controlada, em partes iguais, pela Petrobras, pelo Grupo Ultra e pela Braskem, que se comprometem a dar continuidade às atividades.

A divisão de ativos e demais conseqüências dessa operação milionária poderão ser acompanhadas em matéria publicada nesta e em outras edições, já que o projeto prevê cinco etapas de integração das companhias, que se estenderão ao longo do ano.

Por enquanto, cabe-nos ficar atentos ao desenrolar deste supernegócio, que certamente terá efeitos no mercado petroquímico e, em particular, no de tintas. Vale relembrar que, ao longo de sua trajetória, o Grupo Ipiranga se consolidou como um dos maiores e mais tradicionais do País, com atuações nos setores de refino de petróleo, petroquímico e na distribuição de combustíveis, e com receita líquida de R$ 30 bilhões no ano passado. Um patrimônio desse tamanho – sem falar do compromisso histórico e social da Ipiranga com o Rio Grande do Sul e com o Brasil –  terá de ser preservado pela Petrobras, Grupo Ultra e Braskem. Um compromisso já assumido pelas três companhias, conforme reforçaram seus executivos em coletiva à imprensa.

 
Miriam Mazzi
 
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