Os
inibidores de corrosão são aditivos utilizados
com o objetivo de reduzir a oxidação eletroquímica
dos metais. Esses aditivos podem ser utilizados em vários
segmentos, tais como tintas para eletrodomésticos,
automotivas O&M e repintura, coil coatings, embalagens,
eletrostáticas, eletroforese, manutenção
e indústria geral, tanto para sistemas base solvente
convencionais como também base água, alto sólidos
e pó.
Antigamente,
era bastante comum a utilização
de óleos ou
azeites naturais, como o óleo de linhaça, que
funcionavam como uma excelente barreira física contra
ar e umidade. Utilizava-se também
a hemoglobina animal como complexante e convertedor de ferrugem.
O ácido
tânico de origem vegetal é um dos mais antigos
convertedores de ferrugem, porém possui seu uso limitado
por ser muito impuro e de coloração
bastante escura, não sendo viável sua utilização
em tintas de acabamento.
Existem
três classes de inibidores.
Uma delas é composta de aditivos
e resinas que atuam como barreira mecânica das substâncias
ativas que produzem a corrosão ou ferrugem. Geralmente,
são resinas de
baixa permeabilidade ao ar e à umidade ou aditivos
que, quando incorporados às
resinas, formam estruturas tridimensionais de baixa permeabilidade
e de alta resistência mecânica. Outra classe é de
aditivos inibidores que interferem e interrompem o processo
eletroquímico da formação
da ferrugem. A terceira classe é de aditivos inibidores
que evitam a formação e que também convertem
a ferrugem já existente.
Nesse campo, os derivados de taninos modificados quimicamente
e purificados têm
um uso quase que ilimitado tanto para os acabamentos como
para primers. Pela sua flexibilidade e pureza, esses aditivos
estão tendo seu uso ampliado
em praticamente todos os segmentos de tintas.
Demanda
Existem muitos segmentos industriais que exigem pinturas
com proteção anticorrosiva. Tanques, estruturas
metálicas, máquinas e equipamentos expostos
a intempéries ou atmosferas agressivas exigem uma
proteção maior contra a ferrugem e a corrosão.
Os aditivos inibidores de corrosão são fundamentais
para se ampliar a vida útil das tintas de proteção
e, principalmente, dos próprios equipamentos, estruturas
e implementos.
As
tintas utilizadas no segmento de manutenção
corretiva ou preventiva, além de oferecerem proteção
contra corrosão, oferecem também a característica
de converter eventuais pontos onde a ferrugem já se
instalou. Para locais onde a remoção da ferrugem é muito
difícil, as tintas de manutenção necessariamente
devem possuir aditivos que convertam a ferrugem. Esses aditivos
podem ser incorporados tanto nas tintas de acabamento (top
coating) como também nas tintas de preparação
de superfícies (primer).
Já as
tintas utilizadas no ambiente marítimo,
geralmente, contêm alto sólidos e devem ser
produzidas com aditivos e resinas com característica
de baixa permeabilidade ao ar e à umidade, excelente
resistência à névoa salina e a intempéries.
No
setor imobiliário existe cada vez mais a necessidade
de maior proteção contra corrosão ou
ferrugem. Vários produtores já fabricam tintas
de acabamento e primers com características de proteção
e conversão de ferrugem.
Tecnologia
O cromato de zinco tem sido um dos mais eficientes aditivos
no combate a ferrugem e corrosão, porém as
novas leis ambientais e de saúde limitaram o uso
desse produto.
As
inovações ocorridas nos últimos
anos nesse segmento, de acordo com a gerente de negócios
da Metachem, Selena Ignácio de Mendonça, “têm
seu foco principal no desenvolvimento de produtos isentos
de metais controlados (produtos considerados atóxicos)
que podem oferecer performance igual ou até superior
aos pigmentos baseados em metais pesados.”
“O
que mais se discute no momento é o uso de inibidores
de corrosão
ecológicos, evitando-se os cromatos sempre que possível,
com aplicação de produtos mais amigos da natureza.
Além disso,
a derivação de sistema solvente para sistema
base água é uma
tendência irreversível, muito embora com valor
agregado mais alto”,
concorda o diretor da Adexim-Comexim, Carlos Russo.
Andreas
Frederico Strobel, diretor comercial da Disamtex Indústria
e Comércio de Produtos Químicos,
acrescenta que as nanotecnologias terão, num futuro
próximo, uma grande participação nos
conceitos de proteção anticorrosiva. “Podemos
também destacar as tecnologias baseadas em moléculas
híbridas organo-inorgânicas, onde se une as
vantagens da parte inorgânica de uma excelente proteção
com a ótima ancoragem da parte orgânica.”
Produtos
A Disamtex, empresa brasileira atualmente presente em 26
países por intermédio de representantes e
distribuidores, lançou um produto chamado Disacoat
RF (Rust Free). Esse aditivo, segundo Strobel, confere às
tintas de acabamento e também aos primers (industrial,
marítimo ou imobiliário) além da característica
de proteção, também a de conversão
da ferrugem. “O setor imobiliário tem procurado
cada vez mais tintas e esmaltes sintéticos com maior
proteção contra corrosão e, adicionalmente,
a característica de converter a ferrugem. Tintas
industriais ou marítimas de alto desempenho à névoa
salina necessitam de grandes quantidades de pigmentos anticorrosivos,
que tendem a sedimentar-se nas embalagens. Com o Disacoat
RF, que é liquido, consegue-se um excelente desempenho
sem os tradicionais problemas.”
Strobel
observa que com o aumento dos custos de manutenção
de estruturas cada vez mais complexas existe a necessidade
de maiores investimentos em sua proteção. “O
setor imobiliário também tende a requerer cada
vez mais proteção. O desafio é oferecer
a esse mercado produtos cada vez mais eficientes sem aumentos
significativos dos preços de venda.”
Já a
Adexim-Comexim há mais de 20 anos representa
e distribui os inibidores de corrosão da francesa
SNCZ, que, de acordo com Russo, é hoje a mais importante
indústria especializada no setor.
A
Metachem oferece a seus clientes duas linhas de produtos.
A primeira é composta
por uma linha de aditivos inibidores de corrosão da
King e a segunda consiste em
uma linha de pigmentos e aditivos orgânicos inibidores
de corrosão da Halox.
Os
aditivos da King, chamados Nacorr, são formulados à base
de sais metálicos e amínicos do ácido
dinonilnaftalenossulfônico, sendo disponível
em vários tipos de metais, o que fornece ao formulador
flexibilidade na seleção do produto mais adequado
para uma determinada aplicação, conforme explica
Selena.
Os
pigmentos inibidores de corrosão da Halox
consistem em borosilicatos, fosfosilicatos e fosfatos. “Podemos
destacar, entre os fosfosilicatos, o pigmento SZP-391, que é um
fosfosilicato de estrôncio e zinco. Dentre os borosilicatos,
o CW-291, um borosilicato de cálcio e, dentre os fosfatos,
o produto mais eficiente é o CZ-170, que se caracteriza
por ser um complexo modificado de fosfato de zinco.”
As
duas linhas de produtos, a dos pigmentos inibidores de corrosão
da Halox e dos aditivos da King, trabalham de forma conjunta,
destaca Selena. “Foi observado que
uma linha complementa a outra no combate à corrosão,
principalmente em sistemas mais críticos. O uso em
conjunto dos dois tipos de inibidores tem se tornado tão
comum que as duas empresas têm sugerido a seus clientes
fórmulas combinando o uso de vários dos seus
produtos.”
Agente
híbrido
A Halox, recentemente, lançou um material híbrido,
o Halox 750, que integra as sinergias de inibidores orgânicos
e inorgânicos dentro de um mesmo produto, reduzindo
assim a dependência de produtos que contenham grandes
quantidades de zinco. O Halox 750, conforme a gerente de
negócios da Metachem, oferece várias vantagens
quando comparado aos produtos existentes no mercado, tais
como resistência a “blister”, melhor adesão úmida,
bem como melhor dispersão dos pigmentos e estabilidade. “Os
inibidores de corrosão híbridos fornecem o
melhor em termos de sinergia anticorrosiva, pois maximizam
a eficiência contra a corrosão a um custo menor,
pelo aumento no poder de ‘briga’ contra os mecanismos
de corrosão, e em adição à estabilização
por si só dos pigmentos inorgânicos.”
Um
dos maiores obstáculos enfrentados no Brasil, de
acordo com Selena, é a falta de regulamentação
governamental sobre o uso de produtos que contenham metais
pesados na composição das tintas. Mas para
enfrentar esse obstáculo, explica, a Metachem, juntamente
com os seus parceiros King e Halox, busca oferecer soluções
que visem obter resultados superiores de performance quando
comparados à primeira classe de produtos. “O
ideal para o consumidor é encontrar um aditivo ou
pigmento que trabalhe de forma eficiente em um número
maior de aplicações dentro de sua linha a um
custo competitivo”, finaliza. |