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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 111 - Inibidores de corrosão
 
Muito além da proteção
 

O mercado de tintas anticorrosivas, historicamente, tem baseado seu conceito sobre resinas de baixa permeabilidade aditivadas com os tradicionais pigmentos anticorrosivos, porém existe uma forte movimentação mundial de se oferecer ao mercado tintas e primers que, além da proteção, também possuam a característica da conversão da ferrugem. Essa tendência se estende também ao mercado imobiliário.

 
Marcos Mila
 

Os inibidores de corrosão são aditivos utilizados com o objetivo de reduzir a oxidação eletroquímica dos metais. Esses aditivos podem ser utilizados em vários segmentos, tais como tintas para eletrodomésticos, automotivas O&M e repintura, coil coatings, embalagens, eletrostáticas, eletroforese, manutenção e indústria geral, tanto para sistemas base solvente convencionais como também base água, alto sólidos e pó.

Antigamente, era bastante comum a utilização de óleos ou azeites naturais, como o óleo de linhaça, que funcionavam como uma excelente barreira física contra ar e umidade. Utilizava-se também a hemoglobina animal como complexante e convertedor de ferrugem. O ácido tânico de origem vegetal é um dos mais antigos convertedores de ferrugem, porém possui seu uso limitado por ser muito impuro e de coloração bastante escura, não sendo viável sua utilização em tintas de acabamento.

Existem três classes de inibidores. Uma delas é composta de aditivos e resinas que atuam como barreira mecânica das substâncias ativas que produzem a corrosão ou ferrugem. Geralmente, são resinas de baixa permeabilidade ao ar e à umidade ou aditivos que, quando incorporados às resinas, formam estruturas tridimensionais de baixa permeabilidade e de alta resistência mecânica. Outra classe é de aditivos inibidores que interferem e interrompem o processo eletroquímico da formação da ferrugem. A terceira classe é de aditivos inibidores que evitam a formação e que também convertem a ferrugem já existente. Nesse campo, os derivados de taninos modificados quimicamente e purificados têm um uso quase que ilimitado tanto para os acabamentos como para primers. Pela sua flexibilidade e pureza, esses aditivos estão tendo seu uso ampliado em praticamente todos os segmentos de tintas.

Demanda
Existem muitos segmentos industriais que exigem pinturas com proteção anticorrosiva. Tanques, estruturas metálicas, máquinas e equipamentos expostos a intempéries ou atmosferas agressivas exigem uma proteção maior contra a ferrugem e a corrosão. Os aditivos inibidores de corrosão são fundamentais para se ampliar a vida útil das tintas de proteção e, principalmente, dos próprios equipamentos, estruturas e implementos.

As tintas utilizadas no segmento de manutenção corretiva ou preventiva, além de oferecerem proteção contra corrosão, oferecem também a característica de converter eventuais pontos onde a ferrugem já se instalou. Para locais onde a remoção da ferrugem é muito difícil, as tintas de manutenção necessariamente devem possuir aditivos que convertam a ferrugem. Esses aditivos podem ser incorporados tanto nas tintas de acabamento (top coating) como também nas tintas de preparação de superfícies (primer).

Já as tintas utilizadas no ambiente marítimo, geralmente, contêm alto sólidos e devem ser produzidas com aditivos e resinas com característica de baixa permeabilidade ao ar e à umidade, excelente resistência à névoa salina e a intempéries.

No setor imobiliário existe cada vez mais a necessidade de maior proteção contra corrosão ou ferrugem. Vários produtores já fabricam tintas de acabamento e primers com características de proteção e conversão de ferrugem.

Tecnologia
O cromato de zinco tem sido um dos mais eficientes aditivos no combate a ferrugem e corrosão, porém as novas leis ambientais e de saúde limitaram o uso desse produto.

As inovações ocorridas nos últimos anos nesse segmento, de acordo com a gerente de negócios da Metachem, Selena Ignácio de Mendonça, “têm seu foco principal no desenvolvimento de produtos isentos de metais controlados (produtos considerados atóxicos) que podem oferecer performance igual ou até superior aos pigmentos baseados em metais pesados.”

“O que mais se discute no momento é o uso de inibidores de corrosão ecológicos, evitando-se os cromatos sempre que possível, com aplicação de produtos mais amigos da natureza. Além disso, a derivação de sistema solvente para sistema base água é uma tendência irreversível, muito embora com valor agregado mais alto”, concorda o diretor da Adexim-Comexim, Carlos Russo.

Andreas Frederico Strobel, diretor comercial da Disamtex Indústria e Comércio de Produtos Químicos, acrescenta que as nanotecnologias terão, num futuro próximo, uma grande participação nos conceitos de proteção anticorrosiva. “Podemos também destacar as tecnologias baseadas em moléculas híbridas organo-inorgânicas, onde se une as vantagens da parte inorgânica de uma excelente proteção com a ótima ancoragem da parte orgânica.”

Produtos
A Disamtex, empresa brasileira atualmente presente em 26 países por intermédio de representantes e distribuidores, lançou um produto chamado Disacoat RF (Rust Free). Esse aditivo, segundo Strobel, confere às tintas de acabamento e também aos primers (industrial, marítimo ou imobiliário) além da característica de proteção, também a de conversão da ferrugem. “O setor imobiliário tem procurado cada vez mais tintas e esmaltes sintéticos com maior proteção contra corrosão e, adicionalmente, a característica de converter a ferrugem. Tintas industriais ou marítimas de alto desempenho à névoa salina necessitam de grandes quantidades de pigmentos anticorrosivos, que tendem a sedimentar-se nas embalagens. Com o Disacoat RF, que é liquido, consegue-se um excelente desempenho sem os tradicionais problemas.”

Strobel observa que com o aumento dos custos de manutenção de estruturas cada vez mais complexas existe a necessidade de maiores investimentos em sua proteção. “O setor imobiliário também tende a requerer cada vez mais proteção. O desafio é oferecer a esse mercado produtos cada vez mais eficientes sem aumentos significativos dos preços de venda.”

Já a Adexim-Comexim há mais de 20 anos representa e distribui os inibidores de corrosão da francesa SNCZ, que, de acordo com Russo, é hoje a mais importante indústria especializada no setor.

A Metachem oferece a seus clientes duas linhas de produtos. A primeira é composta por uma linha de aditivos inibidores de corrosão da King  e a segunda consiste em uma linha de pigmentos e aditivos orgânicos inibidores de corrosão da Halox.

Os aditivos da King, chamados Nacorr, são formulados à base de sais metálicos e amínicos do ácido dinonilnaftalenossulfônico, sendo disponível em vários tipos de metais, o que fornece ao formulador flexibilidade na seleção do produto mais adequado para uma determinada aplicação, conforme explica Selena.

Os pigmentos inibidores de corrosão da Halox consistem em borosilicatos, fosfosilicatos e fosfatos. “Podemos destacar, entre os fosfosilicatos, o pigmento SZP-391, que é um fosfosilicato de estrôncio e zinco. Dentre os borosilicatos, o CW-291, um borosilicato de cálcio e, dentre os fosfatos, o produto mais eficiente é o CZ-170, que se caracteriza por ser um complexo modificado de fosfato de zinco.”

As duas linhas de produtos, a dos pigmentos inibidores de corrosão da Halox e dos aditivos da King, trabalham de forma conjunta, destaca Selena. “Foi observado que uma linha complementa a outra no combate à corrosão, principalmente em sistemas mais críticos. O uso em conjunto dos dois tipos de inibidores tem se tornado tão comum que as duas empresas têm sugerido a seus clientes fórmulas combinando o uso de vários dos seus produtos.”

Agente híbrido
A Halox, recentemente, lançou um material híbrido, o Halox 750, que integra as sinergias de inibidores orgânicos e inorgânicos dentro de um mesmo produto, reduzindo assim a dependência de produtos que contenham grandes quantidades de zinco. O Halox 750, conforme a gerente de negócios da Metachem, oferece várias vantagens quando comparado aos produtos existentes no mercado, tais como resistência a “blister”, melhor adesão úmida, bem como melhor dispersão dos pigmentos e estabilidade. “Os inibidores de corrosão híbridos fornecem o melhor em termos de sinergia anticorrosiva, pois maximizam a eficiência contra a corrosão a um custo menor, pelo aumento no poder de ‘briga’ contra os mecanismos de corrosão, e em adição à estabilização por si só dos pigmentos inorgânicos.”

Um dos maiores obstáculos enfrentados no Brasil, de acordo com Selena, é a falta de regulamentação governamental sobre o uso de produtos que contenham metais pesados na composição das tintas. Mas para enfrentar esse obstáculo, explica, a Metachem, juntamente com os seus parceiros King e Halox, busca oferecer soluções que visem obter resultados superiores de performance quando comparados à primeira classe de produtos. “O ideal para o consumidor é encontrar um aditivo ou pigmento que trabalhe de forma eficiente em um número maior de aplicações dentro de sua linha a um custo competitivo”, finaliza.

 
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