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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 112 - Dispersões Pigmentárias
 
Substituição inteligente
 

A versatilidade das dispersões pigmentárias para a formulação de tintas e sua forma de apresentação ecologicamente correta facilitam o processo de fabricação, gerando produtos de maior qualidade a custos competitivos.

 
Lucélia Monfardini
 

O mercado de tintas, assim como vem acontecendo com a maior parte dos setores, busca a redução de custos para garantir seus negócios, tornando-os mais rentáveis. Por conta dessa nova necessidade, as dispersões pigmentárias surgiram como uma opção interessante para o mercado de tintas.

Mas há muito tempo a utilização das dispersões pigmentárias na formulação de tintas é um tema que vem sendo discutido entre fornecedores e fabricantes, devido à dificuldade de convencer os fabricantes a deixarem de produzir em suas fábricas, passando a adquirir os concentrados prontos. Um dos obstáculos para essa mudança é, justamente, o investimento realizado pelo fabricante em equipamentos (dispersores e moinhos), sem contar a insegurança dos fabricantes em ter que passar informações sigilosas aos fornecedores (como o lançamento de produtos), o que acaba dificultando ainda a substituição.

Nos últimos anos, esse conceito vem mudando gradativamente, por vários motivos: elevado custo com a administração de diferentes matérias-primas, tipos de embalagem, o próprio descarte dessas embalagens e de outros materiais, poluição do ambiente e, até mesmo, gastos com pessoal, energia, entre outros. Esses agravantes levam os fabricantes de tintas a se tornarem um pouco mais flexíveis ao debaterem com os fornecedores a viabilidade do uso das dispersões pigmentárias direcionadas à formulação da tinta.

Além do mais, essas dispersões oferecem grandes vantagens ao fabricante de tintas e entre as principais estão: a facilidade no processo de fabricação, dispensando o processo da moagem de pigmentos e todos os procedimentos relacionados; eliminação do manuseio de pigmentos em pó, o que gera uma preocupante poluição ambiental e, inclusive, a redução do tempo de produção das tintas.

Vantagens de utilização
Ao utilizar dispersões pigmentárias, as indústrias de tintas eliminam a maior parte do processo, que é a moagem dos pigmentos. “O processo de fabricar tintas usando pigmentos em pó é muito longo e custoso. Alguns pigmentos, como, por exemplo, os mais duros, levam dias no moinho para atingir o ponto ideal, tornando-os uma dispersão estável e que utiliza o potencial máximo do pó do pigmento. Com o uso das dispersões prontas, confiáveis e controladas, o fabricante de tintas otimiza seu tempo, focando sua produção apenas em seu produto principal, a tinta”, afirma Marcelo Amaral Leite de Macedo, diretor comercial da Sintequímica, que ainda aconselha os fabricantes a se preocuparem mais com pesquisas e desenvolvimentos, aumento de produtividade e produtos. “Dessa maneira, certamente, diminuirão os custos da empresa”, assegura.

Para Harry Heise, diretor da Forscher, representante da Heubach GmbH, o uso de preparações pigmentárias traz como vantagem principal a constância da qualidade e a facilidade de formulação das tintas, que são os principais objetivos dos fabricantes. “Obviamente esse tipo de produto é muito importante, principalmente para as indústrias que não dispõem de infra-estrutura de moagem para atender à demanda crescente de seus produtos, e ainda elimina investimentos elevados em caso de ampliação de capacidade. Outra vantagem marcante desses produtos é a eliminação do manuseio de pigmentos em pó, fator constante de problemas ambientais e de higiene no trabalho. Existe uma diferença significativa entre as instalações que manuseiam pigmentos em pó e as que trabalham com preparações”, explica Heise, que oferece ao mercado preparações pigmentárias base água, solvente, EVA e em pó.

Adriano Pádua Pinheiro, gerente de marketing e vendas da unidade de químicos e performance da BASF, garante que os clientes que decidem pela aquisição de pigmentos em forma de preparações pigmentárias estão, no mínimo, reduzindo a complexidade de suas produções. “Direcionando a responsabilidade de produção desses concentrados para seus fornecedores, as indústrias de tintas podem reposicionar recursos, como equipamentos de dispersão e moagem, pessoal de controle de qualidade e de processos, para atividades voltadas ao core business, ou seja, a fabricação de tintas. Ao optar pela aquisição de preparações, as empresas conseguem reduzir os estoques de matérias-primas para a produção dos concentrados coloridos.”

Outro fator relevante é o contínuo aprimoramento que a BASF, como fabricante de pigmentos e preparações, tem implantado por meio de pesquisas e intercâmbios em sua matriz. “Isso nos permite alcançar constantes inovações tecnológicas e otimização das características dos componentes utilizados em preparações”, completa Pinheiro.

Todas as indústrias buscam um modelo produtivo ágil e econômico, e isso remete aos processos de montagens, composições de partes ou até peças. “Num modelo mais evoluído, em vez de compormos peças passamos a compor sistemas. Esse é o modelo empregado nas indústrias de tintas que remetem aos fabricantes europeus, americanos e asiáticos e que faz com que as indústrias brasileiras, na grande maioria, estejam 30 ou mais anos atrasadas. Nossos fabricantes insistem em produzir não só os concentrados, mas também as resinas, aditivos, espessantes e até mesmo sua própria embalagem”, enfatiza Mohamed Moualen, diretor técnico da Chemipol.

Ele ainda afirma que quando os concentrados de pigmentos são adquiridos mediante a necessidade do fabricante, elimina-se o desperdício ou gasto antecipado de capital. Ao contrário do que acontece com a autoprodução, normalmente produzida sem escala econômica, os estoques de semi-acabados são levados para muitos meses de consumo. “Se não fosse para evoluir nessa direção, a GM, por exemplo, deveria ter continuado sua autoprodução de velas, baterias e estofados, e o McDonald’s, com sua própria plantação de batatas”, ironiza Moualen.

Na opinião de Jonas José Chalita, gerente nacional de pigmentos e especialidades da Dynatech, uma das vantagens do uso das dispersões é que, geralmente, o fornecedor da dispersão também é fornecedor/produtor dos pigmentos utilizados nessas mesmas dispersões. Isso faz com que o custo desse importante componente seja menor do que se o fabricante comprasse esse mesmo pigmento para fazer a dispersão. “Outro fator que diminui o custo de fabricação é a produção em grande quantidade, ou seja, produtos que mais serão utilizados em misturas, por exemplo, concentrados brancos feitos com o dióxido de titânio, um pouco mais fáceis de produzir, pois, muitas vezes, não precisam de moagem, já que com uma simples dispersão se produz a pasta. Dessa forma, ganham produtividade, eliminando o trabalho de limpeza de equipamentos, utilização de solventes, mudança de cor e, inclusive, se essa cor for de consumo pequeno, pode comprometer todo o custo do produto final”, explica.

“Enfim, existem várias vantagens na utilização das dispersões pigmentárias, só que para que isso se viabilize é preciso ter, em primeiro lugar, uma confiança mútua entre fornecedor e o fabricante de tinta e, se necessário, fazer contratos de sigilo, além de uma ótima interação técnico-comercial entre ambos, caso contrário, um projeto que poderia ser muito bom para as duas partes pode acabar não dando certo”, alerta Chalita.

Para Alejandro Gesswein, gerente de marketing da unidade FCC – Funcional Chemicals da Lanxess, as vantagens das preparações pigmentárias na indústria de tintas podem ser divididas em duas categorias. “A primeira são os fatores ecológicos: utilizando as preparações pigmentárias à base de pigmento orgânico temos as regulamentações ecológicas, visando os questionamentos dos metais pesados e/ou compostos orgânicos voláteis (VOC); baixas emissões (poeira) no ambiente de trabalho; maior limpeza durante as operações de pesagem, adição; maior segurança dos trabalhadores durante o transporte e o manuseio. A segunda são os fatores econômicos: redução de custos por menor tempo de operação (moagem); redução de custos na operação de adição/dosagem, manuseio; redução de custos por menor tempo de uso dos equipamentos (moinho, misturadores, dosadores); otimização do processo de compra com a redução da quantia de itens na fábrica e simplificação do processo fabril”, lista.

Grace Mary Klein, diretora da Spectracolor – empresa que atua particularmente nas regiões Norte e Nordeste, fornecendo dispersões pigmentárias base água –, explica a diferença de se produzir dispersões pigmentárias base água e base solvente. “A grande maioria dos fabricantes de tintas produz suas dispersões pigmentárias base solvente, por ser um processo relativamente simples de produção e, nesse caso, o custo é favorável. Já as dispersões base água envolvem sofisticadas tecnologias de formulação e produção, principalmente no que se refere ao processo de moagem dos pigmentos. Por esse motivo, os fabricantes de tintas compram os concentrados de pigmentos base água como uma alternativa mais limpa, de fácil manuseio e viável economicamente.”

Ainda na opinião de Grace, a questão de foco também é muito importante. “Os fabricantes de tintas devem ter seus esforços voltados ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de seus produtos, e os fornecedores de dispersões têm constantemente apresentado ao mercado melhores produtos, com altas concentrações de pigmentos, alto poder de tingimento, estáveis e com boas características físico-químicas, que também são exigências do mercado atual.”

Maria Aparecida Campos, gerente de contas - BL Coatings da Ciba, comenta sobre outro ponto importante na utilização de preparações. “Não há necessidade de tanto estoque de matérias-primas nem uso de equipamentos mais sofisticados (moinhos), e ainda possibilitam uma maior reprodutibilidade de cores. Com isso, pode ser obtida melhor produtividade, redução de custos de produção e de matérias-primas, assim como a diminuição da geração de poeira, melhorando as condições de manuseio de produtos na empresa”, destaca, lembrando que é muito importante observar a qualidade de recebimento das preparações pigmentárias, estabelecendo conjuntamente com o fornecedor especificações, evitando possíveis desvios que prejudicam o processo e a efetividade dessas linhas.

Gerson de Almeida, coordenador de aplicação da divisão de Pigments & Additives para a América Latina da Clariant, afirma que o uso de preparações de pigmentos para a fabricação de tintas aquosas ou base solvente é o ponto-chave para a redução de custos de processo. “Isso porque representa uma série de vantagens, como aumento da produtividade, redução de custos de processamento, redução de custos de inventários (tanto de produto acabado como de intermediários), aumento de flexibilidade de produção e redução de custos com tratamento de resíduos. Porém, as limitações impostas pelas preparações (como limitações da concentração de uso das preparações, não universalidade das preparações – compatibilidade e desempenho – em função das diversas composições das tintas, e limitações referentes ao tempo de vida útil das mesmas), dependendo do processo em que as dispersões serão utilizadas, são compensadas pelos benefícios proporcionados pelas preparações e, quando se pode dispor de apoio técnico competente, grande parte dessas limitações são contornadas.”

Ele ainda explica que o desenvolvimento das preparações de pigmentos exige um sólido conhecimento técnico dos materiais componentes (pigmentos, aditivos), tecnologia de processo e, especialmente, do mercado ao qual se destinará essa preparação. “Por essa razão, considerando a proteção ao direito industrial e a ética profissional, muitas vezes essas preparações são desenvolvidas pelo fabricante de pigmentos sem que sua composição seja divulgada ao fabricante de tintas. Dessa forma, é fundamental a troca de informações para se atingir o resultado esperado com a aplicação”, destaca. Atualmente, os esforços no desenvolvimento de preparações de pigmentos se referem à maior abrangência de aplicação (situações de compatibilidade) e menor interferência com o ambiente. “Se alguém puder imaginar o fabricante de tintas do futuro, sem dúvida, o verá como efetivamente um montador de tintas, ou seja, somente homogeneizando misturas de componentes por agitação e obtendo, como matéria-prima de cor, somente preparações de pigmentos”, analisa Almeida.

Desvantagens
Após analisar as inúmeras vantagens de utilização das dispersões pigmentárias na fabricação de tintas, ainda é possível haver algum tipo de desvantagem, que faz com que muitas fábricas de tintas resistam à substituição?

Moualen, da Chemipol, afirma que não existe nenhuma desvantagem, porém cita dois fatos importantes. “Uma pergunta muito comum do produtor de tintas que se convence em utilizar as dispersões prontas é: o que faço com meu moinho? Uma resposta educada seria: utilize-o para guardar papel. Um setor muito mais arrojado, que abandonou essa prática há pelo menos 20 anos, é o de tintas gráficas, que se caracteriza na agilidade de atendimento de seus pedidos. Os fabricantes de tintas, mesmo os de porte médio, sempre tiveram as desvantagens de não aceitar pedidos pequenos que incluíssem um concentrado em falta no estoque ou que representasse um pigmento incomum, e isso alimentou os novos produtores de tintas que se valiam de uma flexibilidade maior. Já vi inúmeros fabricantes de tintas, de porte pequeno, adquirirem poucas quantidades de concentrados de máquinas mix machine para atenderem seus pedidos.”

O diretor técnico da Chemipol ainda alerta sobre outro defeito primário dos fabricantes quando não possuem o concentrado e desejam agilizar o processo. “Eles comem etapas e praticam o que chamamos de método da ‘tinta direta’. Todos sabem o caos que retratamos, ou seja, moem-se todos os produtos ao mesmo tempo (resina com carga, titânio, dispersante, pigmentos). Resultado: a tinta fica pronta rapidamente. Porém, todo dia ela muda de cor”, explica Moualen, concluindo que “se a empresa precisa economizar, que não o faça pelo lugar errado”.

Heise, da Forscher, cita um paradigma que, em sua opinião, precisa ser banido. “Do ponto de vista das fábricas, que moem pigmentos e produzem seus próprios concentrados, a desvantagem das dispersões prontas é o seu suposto alto custo. Trata-se de um paradigma da indústria de tintas que precisa ser quebrado. É fato que as indústrias focadas em dispersões pigmentárias almejam lucros em suas operações, portanto, uma simples análise leva a maioria das pessoas a concluir que não existe a possibilidade de uma dispersão adquirida de terceiros ser mais barata do que a produzida pela própria empresa. Entretanto, em função da especialização (que permite melhor rendimento dos pigmentos, maior estabilidade dos concentrados, entre outros aspectos técnicos) e dos maiores volumes de compra de insumos (pigmentos, dispersantes, antiespumantes, bactericidas), essas empresas conseguem ser bastante competitivas.”

Para Macedo, da Sintequímica, muitas empresas continuam com os mesmos hábitos do passado, quando as dispersões pigmentárias prontas eram produtos pouco confiáveis e caros. “Isso vem de uma época em que era muito mais benéfico, em níveis econômicos, fazer um trabalho verticalizado, ou seja, tudo que fosse possível fabricar dentro da empresa era mais interessante economicamente, e isso valia para tudo. Hoje, serviços internos são terceirizados e produtos que não são core business são fabricados por fornecedoras parceiras que enviam esses produtos certificados, garantidos, e com um custo bastante interessante. Assim acontece com as dispersões; a maioria das empresas já migrou para usá-las em vez de fabricá-las.”

Alexandre Castro Monteiro, gerente técnico comercial da Colornet, acredita que muitas fábricas possuem dificuldade de calcular a redução dos custos de produção e mão-de-obra e, em alguns casos, esses custos não fazem parte da composição do custo total. “Esse problema de avaliar os números de redução de custos faz com que as empresas optem pela busca de produtos alternativos com preços mais baixos. Porém, quando existe a possibilidade de comparação dessas reduções, verifica-se que uma redução no processo é muito superior a uma redução simples de matéria-prima.”

Para Julio Luiz Delboni, diretor industrial da Transcor, não existem desvantagens no sistema. “Há uma demanda grande pela procura desses concentrados. Lembramos que muitos clientes, por possuírem seus próprios moinhos, continuam fabricando seus concentrados, muitas vezes, com características próprias e aplicações específicas, onde os produtos de mercado não atendem suas necessidades”, explica.

Pinheiro, da BASF, também concorda que não existem desvantagens na utilização da dispersão, porém acredita que um fator que ainda restringe é uma maior demanda relacionada a uma particularidade da região sul-americana. “Uma parcela dos clientes opta pela verticalização de preparações base solvente, inclusive produzindo algumas das resinas consumidas com formulações próprias definidas, equipamentos depreciados e mão-de-obra qualificada. Já para o sistema base água, a situação é diferente, uma vez que o uso de preparações pigmentárias é uma realidade há alguns anos.”

Estratégias do fornecedor
Como será o trabalho de convencimento dos fornecedores dessa substituição junto aos fabricantes? A grande maioria das empresas utiliza métodos como cursos e apresentações técnicas que convençam o fabricante a adquirir a dispersão pigmentária. A Lanxess, por exemplo, realiza palestras técnicas, workshops, visitas periódicas na área técnica e algumas metodologias específicas para familiarizar o fabricante de tinta com essa alternativa. “A dispersão pigmentária oferece uma tecnologia que deve ser claramente apresentada ao fabricante e não só a sua área técnica. Muitas vezes, nós fornecedores, somos questionados primeiro pelo preço unitário do produto, e não temos chances de abordar os conceitos técnicos e/ou suas vantagens. Nesse caso, se faz necessário sensibilizar a área de compras com fatos concretos via apresentações, visando demonstrar o potencial custo-benefício que outorga o uso de uma dispersão no processo como um todo”, conta Gesswein.

Na visão de Moualen, da Chemipol, o trabalho de convencimento se dá a cada visita, a cada encontro, em palestras, cursos ou treinamentos, alertando a todos que o principal centro de convencimento são os custos. “Para isso, insistimos que a planilha de custo da autoprodução deve ser completa e nada omitir. Outro pilar para o convencimento é que só se adquire a quantidade necessária de dispersão, sem estocar em demasia, mas, caso aconteça, há uma validade de no mínimo 12 meses. Também procuramos alertar com a teoria da micronização (moagem correta) e aproveitamento correto do pigmento, do aglomerado e das partículas separadas. Normalmente, o processo de autoprodução de tintas possui uma perda entre 50% (em dispersor) e 20% (em moinho) da capacidade tintorial do pigmento utilizado, ou seja, dinheiro no ralo”, lamenta.

Outra argumentação colocada é de que a Chemipol está sempre preocupada com o foco do negócio do cliente, produzindo as melhores dispersões pigmentárias. “Investimos permanentemente em novos, modernos e eficazes moinhos, em pesquisas de formulações, utilização de dispersantes, umectantes e anti-sedimentantes. Estamos sempre fazendo uma autocrítica sobre nossos produtos”, conta Moualen.

Monteiro, da Colornet, explica que inicialmente promove o produto junto ao corpo técnico e produtivo das empresas. “O convencimento desses profissionais é essencial, pois quando existe a comprovação na prática do custo-benefício oferecido por essa linha de produto fica muito mais fácil a negociação comercial. Como é um conceito novo de pigmento, todos os departamentos devem quantificar as reduções envolvidas para que os compradores e fornecedores possam discutir os preços a serem praticados.”

A Ciba participa junto aos seus clientes buscando as melhores soluções e desenvolvimentos para adaptação e otimização dos processos de produção com o uso das dispersões pigmentárias. “Esse trabalho identifica a dispersão pigmentária mais viável para a fabricação de produtos específicos, levando em conta critérios técnicos e procedimentos de utilização dessas tecnologias. Propriedades como estabilidade das bases e compatibilidade do sistema com as dispersões são fundamentais para evitar, por exemplo, floculação de pigmentos, perda de propriedades colorimétricas e outros fatores que interferem no bom desempenho dos produtos”, analisa Maria Aparecida.

Grace, da Spectracolor, revela que a empresa dispõe de equipamentos modernos para garantir a qualidade de seus produtos, inclusive, análise com espectrofotômetro para controle da cor durante todo o processo. “A última aquisição da Spectracolor foi uma câmara de teste de envelhecimento Q-Sun (teste de xenônio ou de solidez à luz). Na linha de produção utilizamos moinhos de última geração, o que garante alta performance das pastas. Além disso, temos equipamentos em escala piloto disponíveis no laboratório para testes e desenvolvimentos. A nossa maior preocupação é a qualidade tanto dos produtos quanto do atendimento e suporte técnico que disponibilizamos aos nossos clientes.”

Para Chalita, da Dynatech, o convencimento pode ser conseguido de várias formas: intercâmbio entre as áreas técnicas e apresentações técnicas, mostrando as reais vantagens da utilização desses produtos. “Porém, se não soubermos as reais necessidades do mercado e não demonstrarmos a relação custo-benefício e seus ganhos, ficará difícil mudar a idéia do cliente. É muito importante estar, sempre que possível, junto ao cliente para descobrir e entender suas reais necessidades”, conclui.

No caso da BASF, o trabalho de persuasão também é feito por meio de constantes visitas técnicas e comerciais aos clientes, demonstração dos produtos e novas tecnologias, visitas à matriz, enfatizando o conceito de que o produtor de tintas pode ter um ganho muito maior em sua operação a partir do direcionamento dos seus esforços e recursos para aquilo que tem como principal objetivo, ou seja, a fabricação de tintas. A BASF promove treinamentos personalizados em todos os seus principais clientes.

Intercâmbio fornecedor/fabricante
Para um formulador de tinta desenvolver seu trabalho com uma dispersão pigmentária pronta é preciso que haja um intercâmbio entre os departamentos de desenvolvimento do fornecedor e fabricante. “Sem dúvida, o trabalho técnico para desenvolver a aplicação de uma preparação requer uma sintonia entre as duas partes. O fabricante deverá ajustar sua formulação de tinta para o uso da preparação. Nessa adaptação da fórmula o fornecedor da dispersão tem um papel importante para evitar alterações na especificação da tinta (qualidade do produto final)”, comenta Gesswein, da Lanxess.

Para Heise, da Forscher, uma das principais vantagens em trabalhar com preparações prontas é a facilidade e a velocidade em finalizar o desenvolvimento das tintas. “Toda complexa etapa de ajuste da base de moagem, para atingir o melhor desempenho e estabilidade do pigmento, é completamente eliminada. A Forscher e a Heubach oferecem suas experiências para acelerar o processo de desenvolvimento de formulações, oferecendo todo o suporte necessário para que seus clientes alcancem os objetivos no menor tempo possível, com custo e qualidade desejados.”

Chalita, da Dynatech, acredita que para ser viável o uso da dispersão o formulador precisa ter o maior número possível de informações do produto, pois uma informação errada pode comprometer o uso correto do produto. “O mesmo vale para o fornecedor, que precisa saber as reais necessidades, tanto técnicas como comerciais, de seu cliente, levando em consideração a confiança mútua e a ética profissional.”

Na opinião de Macedo, da Sintequímica, realizar um trabalho usando dispersões é extremamente simplificado. “Em vez de desenvolver uma dispersão a partir dos pigmentos em pó, fazer a moagem durante dias (em alguns casos) e ir e vir do laboratório para aprovação da cor, com a dispersão pronta, o formulador apenas aprova os lotes, que chegam dos fornecedores, e utiliza diretamente nas tintas, sem perda de tempo e de produto, evitando sujeira e preocupação. Os laboratórios dos fabricantes estão abertos aos clientes para efetuarem testes, ou seja, seus produtos são avaliados e equiparados, e a melhor solução em dispersão é ofertada.”

Para a BASF, o portfólio oferecido nos sistemas base água já está consolidado com um completo leque de cores e, adicionalmente, a companhia tem focado no desenvolvimento de produtos baseados em pigmentos novos, que tragam algum tipo de inovação tecnológica (preparações com base em pigmentos de alta performance). “Isso nos permite um freqüente contato com as áreas de desenvolvimento dos fabricantes. Já no caso dos sistemas base solvente, onde o processo de mudança para consumo de preparações pigmentárias ainda está em maturação, a necessidade de contato entre as áreas técnicas e de desenvolvimento, BASF e cliente, é muito mais latente”, explica Pinheiro.

Para Moualen, da Chemipol, a verdade é que a especialidade do formulador é a tinta, e a da Chemipol, o pigmento e seus concentrados. “É o formulador quem produz ou dirige as produções de suas dispersões, que para simplificar o tempo, os custos e o ato da produção releva para segundo plano o que nós, da Chemipol, colocamos em primeiro: concentrados com o máximo de teor de pigmentos em vez de pequenas concentrações; fineza para liberação sempre entre 7,5 e 8 H em vez de 4, 4,5 ou 6, como é comum para ser mais rápido; máxima estabilidade, no tempo, das pastas obtidas com a aditivação correta de dispersantes, umectantes e anti-sedimentantes, em vez de uma pasta que só atenderá uma tinta do dia”, destaca Moualen, acrescentando que uma outra facilidade para o formulador é a eliminação da administração de uma fábrica.

Novidades
A utilização das dispersões pigmentárias vem aumentando muito nos últimos anos. Até mesmo as empresas mais conservadoras já estão migrando para a aquisição das dispersões prontas. A previsão do mercado é que esse crescimento continue avançando, especialmente devido ao empenho dos fornecedores no desenvolvimento de grandes novidades em dispersões pigmentárias para tintas, com lançamento de cores, produtos mais amigáveis ao ambiente, alta performance e qualidade, o que estimula ainda mais o interesse dos fabricantes.

A Colornet em parceira com a SunChemical/GIII, está lançando no Brasil um novo conceito de pigmento: auto-dispersáveis. “O Predisol, ao contrário da dispersão líquida, é um pigmento em pó umectado em resinas CAB ou nitrocelulose, dispensando longas e custosas passagens nos moinhos. É como se fosse um corante, ou seja, adicionamos o Predisol no sistema e ele já se dispersa com um simples misturador. É indicado para casos onde o lote de produção ou o alto custo não compensa a moagem tradicional e também para pigmentos ‘duros’, difíceis de dispersar, ou para pigmentos que causam muito pó em suspensão na produção, como, por exemplo, o negro-de-fumo”, revela Monteiro.

Ele ainda afirma que essa nova dispersão proporciona otimização da produção, reduz estoque e aumenta a competitividade do fabricante de tinta. “Na linha Predisol é possível encontrar pigmentos de alta performance autodispersáveis, como PB 60, PR 179, PR 122, PR 177; e pigmentos de difícil moagem: amarelos óxidos e vermelhos óxidos transparentes. Para os formuladores trabalharem com os produtos Predisol precisam somente de algumas informações básicas para conseguir uma umectação e dispersão adequadas. A velocidade da dispersão é essencial para obtenção das vantagens dessa linha”, conta Monteiro.

A Transcor trabalha com várias linhas de concentrados: Transperse (concentrados base aquosa para tingimento de tintas emulsionadas); Transflex (concentrados base aquosa indicados para tintas flexográficas); Transtint (concentrados alquídicos indicados para linha imobiliária); e Transnyl (concentrados base aquosa, prontos para serem embalados). “No 10º Congresso Internacional de Tintas, Abrafati 2007, apresentaremos um novo desenvolvimento: os concentrados universais. Estamos trabalhando com a representação de uma empresa chinesa (Sunway Group) que desenvolveu em conjunto com uma universidade na China dispersões pigmentárias de nanopigmentos em solventes, que podem ser utilizadas na formulação de tintas para rotogravura, em substituição aos corantes complexos metálicos (de cromo), apresentando o mesmo efeito metalizado sem a toxidez do metal”, garante Delboni.

Para o mercado de tintas, a Ciba oferece as dispersões pigmentárias Unisperse e Microlith. “Os produtos da linha Unisperse consistem em dispersões de pigmentos orgânicos e inorgânicos dispersos em sistemas aquosos que possuem larga aplicação em tintas decorativas, industriais e de impressão. Já a linha Microlith é formada por pigmentos orgânicos finamente moídos e encapsulados com resinas (acrílicas, vinílicas, celulósicas, etc.), apresentando compatibilidade com alguns sistemas utilizados na fabricação de tintas industriais, impressão, curáveis por radiação UV, madeira. O produto pode ser facilmente incorporado ao sistema por homogeneização e não possui VOC em sua composição. Além disso, oferece alta transparência e excelentes propriedades colorimétricas”, destaca Maria Aparecida.

A Heubach é uma empresa altamente inovadora, o que permite à Forscher oferecer ao mercado um grande número de novidades em dispersões pigmentárias líquidas e em pó. As dispersões líquidas são: Colorversum (sistema tintométrico universal completo e ecologicamente correto, livre de solventes e de Apeo, indicado para tintas decorativas, tintas à base de silicatos e tingimento de madeiras); linha Aquis (constituída por pastas pigmentárias altamente concentradas, focada em in-plant base água); linha Heucotone (conta com corantes formulados para uso em pontos-de-venda in-can, formulados para sistemas base água e solvente); linha Heucosperse (dispersões com alta concentração de pigmentos orgânicos em sistema acrílico-estirenado).

Para atender as novas demandas de impressão com anilox de alto número de linhas e baixo volume, a Forscher também oferece a linha Microsperse Plus (dispersões pigmentárias de última geração utilizadas para a produção de tintas com elevado poder tintorial e baixa viscosidade). Já as dispersões Monolite e Monastral estão divididas em EHD (pasta altamente concentrada contendo surfactantes não iônicos ou aniônicos, indicada para tintas emulsionadas e fabricação de papéis) e EV (pasta de média concentração de pigmentos, indicada para tingimentos de papéis, fibras de viscose, agroquímicos, sabões, detergentes e produtos de látex).

A Forscher disponibiliza ainda um grande número de preparações pigmentárias em pó, formuladas para oferecer alta performance às aplicações a que se destinam. “A linha Tico foi desenvolvida para oferecer alternativa econômica para substituição de pigmentos de chumbo e cádmio, combinando pigmentos orgânicos de alta performance com titanatos, oferecendo produtos de máxima solidez, com cobertura, brilho e força de tingimento”, enfatiza Heise.

A Lanxess também apresenta ao mercado uma deserção à base de pigmentos orgânicos e inorgânicos, com a tecnologia de microgrânulos autodispersáveis. “São dispersões prontas, sólidas, com um alto teor de pigmento, simplificando ainda mais sua utilização na indústria de tintas. Free flow, low dust e VOC zero são algumas das especificações da linha Levanyl e Levanox Gran”, revela Gesswein.

Chalita, da Dynatech, conta que a empresa está sempre apresentando novidades. “Exemplo disso são as dispersões pigmentárias dispersas em sistemas que podem ser compatíveis com sistemas aquosos e sistemas solventes, compatíveis com diferentes veículos, utilizando pigmentos e outras matérias-primas que sejam ecologicamente corretas. A Dynatech acredita que o número de fabricantes, bem como os tipos de concentrados, está aumentando e, por isso, cada vez mais investimos em equipamentos, produtos e pessoal para atender a esse segmento”, finaliza.

Na opinião de Macedo, da Sintequímica, as grandes novidades são os pigmentos dispersos Apeo-Free e as dispersões inorgânicas livres de chumbo (produtos mais amigáveis). “Novas cores são constantemente adicionadas nos catálogos dos fornecedores. Este ano lançamos três novos pigmentos que os clientes já estão testando e aprovando”, comemora.

A Chemipol sempre focou seus negócios e produtos ligados à tecnologia da cor, ou seja, aplicação de tingimentos. “O grande passo dado pela Chemipol foi desenvolver, nos últimos cinco anos, o concentrado universal para sistemas solventes chamado de linha “US”, capaz de tingir toda linha de tintas (desde automotiva, industrial, imobiliária, flexografia, serigrafia, tintas gráficas e até cura UV), ou seja, uma única pasta para ligantes, como epóxi, PU, vinílico, alquídico, maléico, melamina, epóxi acrilada, fenólica, poliéster, acrílico, nitro, borracha clorada, alquídicas hidroxiladas; portanto qualquer solvente”, destaca Moualen.

Outros lançamentos da Chemipol são as dispersões pigmentárias com pigmentos orgânicos e inorgânicos: linha NC (base de nitrocelulose), linha PA (base de poliamida), e linha VN (base vinílica), dirigidas para o setor de tintas gráficas (flexografia e rotogravura – solvente). Para o segmento de tintas industriais seguem os lançamentos de concentrados à base de resina acrílica estirenada solvente - linha AEX (para tintas spray, esmaltes acrílicos, lacas nitro e tintas demarcação), e o concentrado à base de resina poliéster insaturada – linha PY (utilizada para tingimento de gel-coating, massa plástica, fiberglass, mármores e cubas sintéticas, bijuterias). “Finalizando como novos lançamentos, os concentrados de corantes à base de complexos metálicos – acisol e acisol U, indicados para sistema solvente e sistema universal álcool, água, aromáticos na produção de tingidores na indústria moveleira e de vernizes coloridos”, informa Moualen, complementando que a Chemipol disponibiliza dispersões universais e semi-universais (com um custo maior) e as dispersões específicas (de menor custo).

As novidades da BASF para o segmento de dispersões são: XFast (atinge todo o range de color index utilizado nos segmentos imobiliário e madeira, base água);  Luconyl NG (preparações pigmentárias base água sem VOC ou Apeo, ou seja, amigável ao ambiente); Luconyl P (preparação pigmentária para sistemas de tintas em pó); Sicoflush LB; preparação pigmentária base solvente para sistemas de tintas industriais e imobiliárias. “A BASF oferece ao mercado um número expressivo de opções em termos de cores e produtos, que podem ter configuração global (produtos produzidos com padronização idêntica para todas as regiões) ou regional (produtos produzidos no Brasil que atendem à demanda específica da América do Sul)”, anuncia Pinheiro, complementando que, além das dispersões citadas acima, a companhia também produz no Brasil pigmentos em pó (linha Heliogen), preparações pigmentárias base água (linha Luconyl), e preparações pigmentárias base solvente (linha Sicoflush).

 
Sumário
 
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