O
mercado de tintas, assim como vem acontecendo com a maior
parte dos setores, busca a redução de
custos para garantir seus negócios, tornando-os mais
rentáveis. Por conta dessa nova necessidade, as dispersões
pigmentárias surgiram como uma opção
interessante para o mercado de tintas.
Mas
há muito
tempo a utilização das dispersões pigmentárias
na formulação de tintas é um tema que
vem sendo discutido entre fornecedores e fabricantes, devido à dificuldade
de convencer os fabricantes a deixarem de produzir em suas
fábricas, passando a adquirir
os concentrados prontos. Um dos obstáculos para essa
mudança é,
justamente, o investimento realizado pelo fabricante em equipamentos
(dispersores e moinhos), sem contar a insegurança
dos fabricantes em ter que passar informações
sigilosas aos fornecedores (como o lançamento
de produtos), o que acaba dificultando ainda a substituição.
Nos últimos
anos, esse conceito vem mudando gradativamente, por vários
motivos: elevado custo com a administração
de diferentes matérias-primas,
tipos de embalagem, o próprio descarte dessas embalagens
e de outros materiais, poluição do ambiente
e, até mesmo, gastos com pessoal, energia,
entre outros. Esses agravantes levam os fabricantes de tintas
a se tornarem um pouco mais flexíveis ao debaterem
com os fornecedores a viabilidade do uso das dispersões
pigmentárias direcionadas à formulação
da tinta.
Além do mais, essas dispersões oferecem
grandes vantagens ao fabricante de tintas e entre as principais
estão: a facilidade no processo de fabricação,
dispensando o processo da moagem de pigmentos e todos os
procedimentos relacionados; eliminação do manuseio
de pigmentos em pó, o que gera uma
preocupante poluição ambiental e, inclusive,
a redução
do tempo de produção das tintas.
Vantagens
de utilização
Ao utilizar dispersões pigmentárias, as indústrias
de tintas eliminam a maior parte do processo, que é a
moagem dos pigmentos. “O processo de fabricar tintas
usando pigmentos em pó é muito longo e custoso.
Alguns pigmentos, como, por exemplo, os mais duros, levam
dias no moinho para atingir o ponto ideal, tornando-os uma
dispersão estável e que utiliza o potencial
máximo do pó do pigmento. Com o uso das dispersões
prontas, confiáveis e controladas, o fabricante de
tintas otimiza seu tempo, focando sua produção
apenas em seu produto principal, a tinta”, afirma Marcelo
Amaral Leite de Macedo, diretor comercial da Sintequímica,
que ainda aconselha os fabricantes a se preocuparem mais
com pesquisas e desenvolvimentos, aumento de produtividade
e produtos. “Dessa maneira, certamente, diminuirão
os custos da empresa”, assegura.
Para
Harry Heise, diretor da Forscher, representante da Heubach
GmbH, o uso de preparações
pigmentárias
traz como vantagem principal a constância da qualidade
e a facilidade de formulação das tintas, que
são os principais objetivos dos fabricantes. “Obviamente
esse tipo de produto é muito importante, principalmente
para as indústrias que não dispõem de
infra-estrutura de moagem para atender à demanda crescente
de seus produtos, e ainda elimina investimentos elevados
em caso de ampliação de capacidade. Outra vantagem
marcante desses produtos é a eliminação
do manuseio de pigmentos em pó, fator constante de
problemas ambientais e de higiene no trabalho. Existe uma
diferença significativa entre as instalações
que manuseiam pigmentos em pó e as que trabalham
com preparações”, explica Heise, que
oferece ao mercado preparações pigmentárias
base água, solvente, EVA e em pó.
Adriano
Pádua
Pinheiro, gerente de marketing e vendas da unidade de químicos
e performance da BASF, garante que os clientes que decidem
pela aquisição
de pigmentos em forma de preparações pigmentárias
estão, no mínimo, reduzindo a complexidade
de suas produções. “Direcionando a responsabilidade
de produção desses concentrados para seus fornecedores,
as indústrias de tintas podem reposicionar recursos,
como equipamentos de dispersão e moagem, pessoal de
controle de qualidade e de processos, para atividades voltadas
ao core business, ou seja, a fabricação de
tintas. Ao optar pela aquisição de preparações,
as empresas conseguem reduzir os estoques de matérias-primas
para a produção dos concentrados coloridos.”
Outro
fator relevante é o contínuo aprimoramento
que a BASF, como fabricante de pigmentos e preparações,
tem implantado por meio de pesquisas e intercâmbios
em sua matriz. “Isso nos permite alcançar constantes
inovações tecnológicas e otimização
das características dos componentes utilizados em
preparações”, completa Pinheiro.
Todas
as indústrias buscam um modelo produtivo ágil
e econômico, e isso remete aos processos de montagens,
composições de partes ou até peças. “Num
modelo mais evoluído, em vez de compormos peças
passamos a compor sistemas. Esse é o modelo empregado
nas indústrias de tintas que remetem aos fabricantes
europeus, americanos e asiáticos e que faz com que
as indústrias brasileiras, na grande maioria, estejam
30 ou mais anos atrasadas. Nossos fabricantes insistem em
produzir não só os concentrados, mas também
as resinas, aditivos, espessantes e até mesmo sua
própria embalagem”, enfatiza Mohamed Moualen,
diretor técnico da Chemipol.
Ele
ainda afirma que quando os concentrados de pigmentos são
adquiridos mediante a necessidade do fabricante, elimina-se
o desperdício
ou gasto antecipado de capital. Ao contrário do que
acontece com a autoprodução,
normalmente produzida sem escala econômica, os estoques
de semi-acabados são levados para muitos meses de
consumo. “Se não fosse para evoluir nessa direção,
a GM, por exemplo, deveria ter continuado sua autoprodução
de velas, baterias e estofados, e o McDonald’s, com
sua própria plantação de batatas”,
ironiza Moualen.
Na
opinião de Jonas José Chalita,
gerente nacional de pigmentos e especialidades da Dynatech,
uma das vantagens do uso das dispersões é que,
geralmente, o fornecedor da dispersão também é fornecedor/produtor
dos pigmentos utilizados nessas mesmas dispersões.
Isso faz com que o custo desse importante componente seja
menor do que se o fabricante comprasse esse mesmo pigmento
para fazer a dispersão. “Outro fator que diminui
o custo de fabricação é a produção
em grande quantidade, ou seja, produtos que mais serão
utilizados em misturas, por exemplo, concentrados brancos
feitos com o dióxido de titânio, um pouco mais
fáceis de produzir, pois, muitas vezes, não
precisam de moagem, já que com uma simples dispersão
se produz a pasta. Dessa forma, ganham produtividade, eliminando
o trabalho de limpeza de equipamentos, utilização
de solventes, mudança de cor e, inclusive, se essa
cor for de consumo pequeno, pode comprometer todo o custo
do produto final”, explica.
“Enfim,
existem várias
vantagens na utilização das
dispersões pigmentárias, só que para
que isso se viabilize é preciso
ter, em primeiro lugar, uma confiança mútua
entre fornecedor e o fabricante de tinta e, se necessário,
fazer contratos de sigilo, além de uma ótima
interação técnico-comercial
entre ambos, caso contrário, um projeto que poderia
ser muito bom para as duas partes pode acabar não
dando certo”, alerta Chalita.
Para
Alejandro Gesswein, gerente de marketing da unidade FCC – Funcional
Chemicals da Lanxess, as vantagens das preparações
pigmentárias
na indústria
de tintas podem ser divididas em duas categorias. “A
primeira são os fatores ecológicos: utilizando
as preparações pigmentárias à base
de pigmento orgânico temos as regulamentações
ecológicas, visando os questionamentos dos metais
pesados e/ou compostos orgânicos voláteis (VOC);
baixas emissões (poeira) no ambiente de trabalho;
maior limpeza durante as operações de pesagem,
adição; maior segurança dos trabalhadores
durante o transporte e o manuseio. A segunda são
os fatores econômicos: redução de custos
por menor tempo de operação (moagem); redução
de custos na operação de adição/dosagem,
manuseio; redução de custos por menor tempo
de uso dos equipamentos (moinho, misturadores, dosadores);
otimização do processo de compra com a redução
da quantia de itens na fábrica e simplificação
do processo fabril”, lista.
Grace
Mary Klein, diretora da Spectracolor – empresa
que atua particularmente nas regiões Norte e Nordeste,
fornecendo dispersões pigmentárias base água –,
explica a diferença de se produzir dispersões
pigmentárias base água e base solvente. “A
grande maioria dos fabricantes de tintas produz suas dispersões
pigmentárias base solvente, por ser um processo relativamente
simples de produção e, nesse caso, o custo é favorável.
Já as dispersões base água envolvem
sofisticadas tecnologias de formulação e produção,
principalmente no que se refere ao processo de moagem dos
pigmentos. Por esse motivo, os fabricantes de tintas compram
os concentrados de pigmentos base água como uma alternativa
mais limpa, de fácil manuseio e viável economicamente.”
Ainda
na opinião de Grace, a questão de foco
também é muito importante. “Os fabricantes
de tintas devem ter seus esforços voltados ao desenvolvimento
e aperfeiçoamento de seus produtos, e os fornecedores
de dispersões têm constantemente apresentado
ao mercado melhores produtos, com altas concentrações
de pigmentos, alto poder de tingimento, estáveis e
com boas características físico-químicas,
que também são exigências do mercado
atual.”
Maria
Aparecida Campos, gerente de contas - BL Coatings da Ciba,
comenta sobre outro ponto importante na utilização
de preparações. “Não há necessidade
de tanto estoque de matérias-primas nem uso de equipamentos
mais sofisticados (moinhos), e ainda possibilitam uma maior
reprodutibilidade de cores. Com isso, pode ser obtida melhor
produtividade, redução de custos de produção
e de matérias-primas, assim como a diminuição
da geração de poeira, melhorando as condições
de manuseio de produtos na empresa”, destaca, lembrando
que é muito importante observar a qualidade de recebimento
das preparações pigmentárias, estabelecendo
conjuntamente com o fornecedor especificações,
evitando possíveis desvios que prejudicam o processo
e a efetividade dessas linhas.
Gerson
de Almeida, coordenador de aplicação
da divisão de Pigments & Additives para a América
Latina da Clariant, afirma que o uso de preparações
de pigmentos para a fabricação de tintas aquosas
ou base solvente é o ponto-chave para a redução
de custos de processo. “Isso porque representa uma
série de vantagens, como aumento da produtividade,
redução de custos de processamento, redução
de custos de inventários (tanto de produto acabado
como de intermediários), aumento de flexibilidade
de produção e redução de custos
com tratamento de resíduos. Porém, as limitações
impostas pelas preparações (como limitações
da concentração de uso das preparações,
não universalidade das preparações – compatibilidade
e desempenho – em função das diversas
composições das tintas, e limitações
referentes ao tempo de vida útil das mesmas), dependendo
do processo em que as dispersões serão utilizadas,
são compensadas pelos benefícios proporcionados
pelas preparações e, quando se pode dispor
de apoio técnico competente, grande parte dessas limitações
são contornadas.”
Ele
ainda explica que o desenvolvimento das preparações
de pigmentos exige um sólido conhecimento técnico
dos materiais componentes (pigmentos, aditivos), tecnologia
de processo e, especialmente, do mercado ao qual se destinará essa
preparação. “Por essa razão, considerando
a proteção ao direito industrial e a ética
profissional, muitas vezes essas preparações
são desenvolvidas pelo fabricante de pigmentos sem
que sua composição seja divulgada ao fabricante
de tintas. Dessa forma, é fundamental a troca de informações
para se atingir o resultado esperado com a aplicação”,
destaca. Atualmente, os esforços no desenvolvimento
de preparações de pigmentos se referem à maior
abrangência de aplicação (situações
de compatibilidade) e menor interferência com o ambiente. “Se
alguém puder imaginar o fabricante de tintas do futuro,
sem dúvida, o verá como efetivamente um montador
de tintas, ou seja, somente homogeneizando misturas de componentes
por agitação e obtendo, como matéria-prima
de cor, somente preparações de pigmentos”,
analisa Almeida.
Desvantagens
Após analisar as inúmeras vantagens de utilização
das dispersões pigmentárias na fabricação
de tintas, ainda é possível haver algum tipo
de desvantagem, que faz com que muitas fábricas de
tintas resistam à substituição?
Moualen,
da Chemipol, afirma que não existe nenhuma
desvantagem, porém cita dois fatos importantes. “Uma
pergunta muito comum do produtor de tintas que se convence
em utilizar as dispersões prontas é: o que
faço com meu moinho? Uma resposta educada seria: utilize-o
para guardar papel. Um setor muito mais arrojado, que abandonou
essa prática há pelo menos 20 anos, é o
de tintas gráficas, que se caracteriza na agilidade
de atendimento de seus pedidos. Os fabricantes de tintas,
mesmo os de porte médio, sempre tiveram as desvantagens
de não aceitar pedidos pequenos que incluíssem
um concentrado em falta no estoque ou que representasse um
pigmento incomum, e isso alimentou os novos produtores de
tintas que se valiam de uma flexibilidade maior. Já vi
inúmeros fabricantes de tintas, de porte pequeno,
adquirirem poucas quantidades de concentrados de máquinas
mix machine para atenderem seus pedidos.”
O
diretor técnico da Chemipol ainda alerta sobre outro
defeito primário dos fabricantes quando não
possuem o concentrado e desejam agilizar o processo. “Eles
comem etapas e praticam o que chamamos de método da ‘tinta
direta’. Todos sabem o caos que retratamos, ou seja,
moem-se todos os produtos ao mesmo tempo (resina com carga,
titânio, dispersante, pigmentos). Resultado: a tinta
fica pronta rapidamente. Porém, todo dia ela muda
de cor”, explica Moualen, concluindo que “se
a empresa precisa economizar, que não o faça
pelo lugar errado”.
Heise,
da Forscher, cita um paradigma que, em sua opinião,
precisa ser banido. “Do ponto de vista das fábricas,
que moem pigmentos e produzem seus próprios concentrados,
a desvantagem das dispersões prontas é o seu
suposto alto custo. Trata-se de um paradigma da indústria
de tintas que precisa ser quebrado. É fato que as
indústrias focadas em dispersões pigmentárias
almejam lucros em suas operações, portanto,
uma simples análise leva a maioria das pessoas a concluir
que não existe a possibilidade de uma dispersão
adquirida de terceiros ser mais barata do que a produzida
pela própria empresa. Entretanto, em função
da especialização (que permite melhor rendimento
dos pigmentos, maior estabilidade dos concentrados, entre
outros aspectos técnicos) e dos maiores volumes de
compra de insumos (pigmentos, dispersantes, antiespumantes,
bactericidas), essas empresas conseguem ser bastante competitivas.”
Para
Macedo, da Sintequímica, muitas empresas continuam
com os mesmos hábitos do passado, quando as dispersões
pigmentárias prontas eram produtos pouco confiáveis
e caros. “Isso vem de uma época em que era muito
mais benéfico, em níveis econômicos,
fazer um trabalho verticalizado, ou seja, tudo que fosse
possível fabricar dentro da empresa era mais interessante
economicamente, e isso valia para tudo. Hoje, serviços
internos são terceirizados e produtos que não
são core business são fabricados por fornecedoras
parceiras que enviam esses produtos certificados, garantidos,
e com um custo bastante interessante. Assim acontece com
as dispersões; a maioria das empresas já migrou
para usá-las em vez de fabricá-las.”
Alexandre
Castro Monteiro, gerente técnico comercial
da Colornet, acredita que muitas fábricas possuem
dificuldade de calcular a redução dos custos
de produção e mão-de-obra e, em alguns
casos, esses custos não fazem parte da composição
do custo total. “Esse problema de avaliar os números
de redução de custos faz com que as empresas
optem pela busca de produtos alternativos com preços
mais baixos. Porém, quando existe a possibilidade
de comparação dessas reduções,
verifica-se que uma redução no processo é muito
superior a uma redução simples de matéria-prima.”
Para
Julio Luiz Delboni, diretor industrial da Transcor, não
existem desvantagens no sistema. “Há uma
demanda grande pela procura desses concentrados. Lembramos
que muitos clientes, por possuírem seus próprios
moinhos, continuam fabricando seus concentrados, muitas vezes,
com características próprias e aplicações
específicas, onde os produtos de mercado não
atendem suas necessidades”, explica.
Pinheiro,
da BASF, também concorda que não
existem desvantagens na utilização da dispersão,
porém acredita que um fator que ainda restringe é uma
maior demanda relacionada a uma particularidade da região
sul-americana. “Uma parcela dos clientes opta pela
verticalização de preparações
base solvente, inclusive produzindo algumas das resinas consumidas
com formulações próprias definidas,
equipamentos depreciados e mão-de-obra qualificada.
Já para o sistema base água, a situação é diferente,
uma vez que o uso de preparações pigmentárias é uma
realidade há alguns anos.”
Estratégias
do fornecedor
Como será o trabalho de convencimento dos fornecedores
dessa substituição junto aos fabricantes? A
grande maioria das empresas utiliza métodos como cursos
e apresentações técnicas que convençam
o fabricante a adquirir a dispersão pigmentária.
A Lanxess, por exemplo, realiza palestras técnicas,
workshops, visitas periódicas na área técnica
e algumas metodologias específicas para familiarizar
o fabricante de tinta com essa alternativa. “A dispersão
pigmentária oferece uma tecnologia que deve ser claramente
apresentada ao fabricante e não só a sua área
técnica. Muitas vezes, nós fornecedores, somos
questionados primeiro pelo preço unitário do
produto, e não temos chances de abordar os conceitos
técnicos e/ou suas vantagens. Nesse caso, se faz necessário
sensibilizar a área de compras com fatos concretos
via apresentações, visando demonstrar o potencial
custo-benefício que outorga o uso de uma dispersão
no processo como um todo”, conta Gesswein.
Na
visão
de Moualen, da Chemipol, o trabalho de convencimento se dá a
cada visita, a cada encontro, em palestras, cursos ou treinamentos,
alertando a todos que o principal centro de convencimento
são os custos. “Para
isso, insistimos que a planilha de custo da autoprodução
deve ser completa e nada omitir. Outro pilar para o convencimento é que
só se adquire a quantidade necessária de dispersão,
sem estocar em demasia, mas, caso aconteça, há uma
validade de no mínimo 12 meses. Também procuramos
alertar com a teoria da micronização (moagem
correta) e aproveitamento correto do pigmento, do aglomerado
e das partículas separadas. Normalmente, o processo
de autoprodução de tintas possui uma perda
entre 50% (em dispersor) e 20% (em moinho) da capacidade
tintorial do pigmento utilizado, ou seja, dinheiro no ralo”,
lamenta.
Outra
argumentação colocada é de
que a Chemipol está sempre preocupada com o foco do
negócio
do cliente, produzindo as melhores dispersões pigmentárias. “Investimos
permanentemente em novos, modernos e eficazes moinhos, em
pesquisas de formulações, utilização
de dispersantes, umectantes e anti-sedimentantes. Estamos
sempre fazendo uma autocrítica sobre nossos produtos”,
conta Moualen.
Monteiro,
da Colornet, explica que inicialmente promove o produto
junto ao corpo técnico e produtivo
das empresas. “O
convencimento desses profissionais é essencial, pois
quando existe a comprovação na prática
do custo-benefício oferecido por essa linha de produto
fica muito mais fácil a negociação
comercial. Como é um conceito novo de pigmento, todos
os departamentos devem quantificar as reduções
envolvidas para que os compradores e fornecedores possam
discutir os preços a serem praticados.”
A
Ciba participa junto aos seus clientes buscando as melhores
soluções
e desenvolvimentos para adaptação
e otimização dos processos de produção
com o uso das dispersões pigmentárias. “Esse
trabalho identifica a dispersão pigmentária
mais viável para a fabricação de produtos
específicos, levando em conta critérios técnicos
e procedimentos de utilização dessas tecnologias.
Propriedades como estabilidade das bases e compatibilidade
do sistema com as dispersões são fundamentais
para evitar, por exemplo, floculação de pigmentos,
perda de propriedades colorimétricas e outros fatores
que interferem no bom desempenho dos produtos”, analisa
Maria Aparecida.
Grace,
da Spectracolor, revela que a empresa dispõe
de equipamentos modernos para garantir a qualidade de seus
produtos, inclusive, análise com espectrofotômetro
para controle da cor durante todo o processo. “A última
aquisição da Spectracolor foi uma câmara
de teste de envelhecimento Q-Sun (teste de xenônio
ou de solidez à luz). Na linha de produção
utilizamos moinhos de última geração,
o que garante alta performance das pastas. Além disso,
temos equipamentos em escala piloto disponíveis no
laboratório para testes e desenvolvimentos. A nossa
maior preocupação é a qualidade tanto
dos produtos quanto do atendimento e suporte técnico
que disponibilizamos aos nossos clientes.”
Para
Chalita, da Dynatech, o convencimento pode ser conseguido
de várias
formas: intercâmbio entre as áreas
técnicas e apresentações técnicas,
mostrando as reais vantagens da utilização
desses produtos. “Porém, se não soubermos
as reais necessidades do mercado e não demonstrarmos
a relação custo-benefício e seus ganhos,
ficará difícil mudar a idéia do cliente. É muito
importante estar, sempre que possível, junto ao cliente
para descobrir e entender suas reais necessidades”,
conclui.
No
caso da BASF, o trabalho de persuasão também é feito
por meio de constantes visitas técnicas e comerciais
aos clientes, demonstração dos produtos e novas
tecnologias, visitas à matriz, enfatizando o conceito
de que o produtor de tintas pode ter um ganho muito maior
em sua operação a partir do direcionamento
dos seus esforços e recursos para aquilo que tem como
principal objetivo, ou seja, a fabricação de
tintas. A BASF promove treinamentos personalizados em todos
os seus principais clientes.
Intercâmbio
fornecedor/fabricante
Para um formulador de tinta desenvolver seu trabalho com
uma dispersão pigmentária pronta é preciso
que haja um intercâmbio entre os departamentos de
desenvolvimento do fornecedor e fabricante. “Sem
dúvida, o trabalho técnico para desenvolver
a aplicação de uma preparação
requer uma sintonia entre as duas partes. O fabricante
deverá ajustar sua formulação de tinta
para o uso da preparação. Nessa adaptação
da fórmula o fornecedor da dispersão tem
um papel importante para evitar alterações
na especificação da tinta (qualidade do produto
final)”, comenta Gesswein, da Lanxess.
Para
Heise, da Forscher, uma das principais vantagens em trabalhar
com preparações prontas é a
facilidade e a velocidade em finalizar o desenvolvimento
das tintas. “Toda complexa etapa de ajuste da base
de moagem, para atingir o melhor desempenho e estabilidade
do pigmento, é completamente eliminada. A Forscher
e a Heubach oferecem suas experiências para acelerar
o processo de desenvolvimento de formulações,
oferecendo todo o suporte necessário para que seus
clientes alcancem os objetivos no menor tempo possível,
com custo e qualidade desejados.”
Chalita,
da Dynatech, acredita que para ser viável
o uso da dispersão o formulador precisa ter o maior
número possível de informações
do produto, pois uma informação errada pode
comprometer o uso correto do produto. “O mesmo vale
para o fornecedor, que precisa saber as reais necessidades,
tanto técnicas como comerciais, de seu cliente, levando
em consideração a confiança mútua
e a ética profissional.”
Na
opinião de
Macedo, da Sintequímica, realizar
um trabalho usando dispersões é extremamente
simplificado. “Em vez de desenvolver uma dispersão
a partir dos pigmentos em pó, fazer a moagem durante
dias (em alguns casos) e ir e vir do laboratório
para aprovação da cor, com a dispersão
pronta, o formulador apenas aprova os lotes, que chegam dos
fornecedores, e utiliza diretamente nas tintas, sem perda
de tempo e de produto, evitando sujeira e preocupação.
Os laboratórios dos fabricantes estão abertos
aos clientes para efetuarem testes, ou seja, seus produtos
são avaliados e equiparados, e a melhor solução
em dispersão é ofertada.”
Para
a BASF, o portfólio oferecido nos sistemas base água
já está consolidado com um completo leque de
cores e, adicionalmente, a companhia tem focado no desenvolvimento
de produtos baseados em pigmentos novos, que tragam algum
tipo de inovação tecnológica (preparações
com base em pigmentos de alta performance). “Isso nos
permite um freqüente contato com as áreas de
desenvolvimento dos fabricantes. Já no caso dos sistemas
base solvente, onde o processo de mudança para consumo
de preparações pigmentárias ainda está em
maturação, a necessidade de contato entre as áreas
técnicas e de desenvolvimento, BASF e cliente, é muito
mais latente”, explica Pinheiro.
Para
Moualen, da Chemipol, a verdade é que a especialidade
do formulador é a tinta, e a da Chemipol, o pigmento
e seus concentrados. “É o formulador quem produz
ou dirige as produções de suas dispersões,
que para simplificar o tempo, os custos e o ato da produção
releva para segundo plano o que nós, da Chemipol,
colocamos em primeiro: concentrados com o máximo de
teor de pigmentos em vez de pequenas concentrações;
fineza para liberação sempre entre 7,5 e 8
H em vez de 4, 4,5 ou 6, como é comum para ser mais
rápido; máxima estabilidade, no tempo, das
pastas obtidas com a aditivação correta de
dispersantes, umectantes e anti-sedimentantes, em vez de
uma pasta que só atenderá uma tinta do dia”,
destaca Moualen, acrescentando que uma outra facilidade para
o formulador é a eliminação da administração
de uma fábrica.
Novidades
A utilização das dispersões pigmentárias
vem aumentando muito nos últimos anos. Até mesmo
as empresas mais conservadoras já estão migrando
para a aquisição das dispersões prontas.
A previsão do mercado é que esse crescimento
continue avançando, especialmente devido ao empenho
dos fornecedores no desenvolvimento de grandes novidades
em dispersões pigmentárias para tintas, com
lançamento de cores, produtos mais amigáveis
ao ambiente, alta performance e qualidade, o que estimula
ainda mais o interesse dos fabricantes.
A
Colornet em parceira com a SunChemical/GIII, está lançando
no Brasil um novo conceito de pigmento: auto-dispersáveis. “O
Predisol, ao contrário da dispersão líquida, é um
pigmento em pó umectado em resinas CAB ou nitrocelulose,
dispensando longas e custosas passagens nos moinhos. É como
se fosse um corante, ou seja, adicionamos o Predisol no sistema
e ele já se dispersa com um simples misturador. É indicado
para casos onde o lote de produção ou o alto
custo não compensa a moagem tradicional e também
para pigmentos ‘duros’, difíceis de dispersar,
ou para pigmentos que causam muito pó em suspensão
na produção, como, por exemplo, o negro-de-fumo”,
revela Monteiro.
Ele
ainda afirma que essa nova dispersão
proporciona otimização da produção,
reduz estoque e aumenta a competitividade do fabricante de
tinta. “Na
linha Predisol é possível encontrar pigmentos
de alta performance autodispersáveis, como PB 60,
PR 179, PR 122, PR 177; e pigmentos de difícil moagem:
amarelos óxidos e vermelhos óxidos transparentes.
Para os formuladores trabalharem com os produtos Predisol
precisam somente de algumas informações básicas
para conseguir uma umectação e dispersão
adequadas. A velocidade da dispersão é essencial
para obtenção das vantagens dessa linha”,
conta Monteiro.
A
Transcor trabalha com várias linhas
de concentrados: Transperse (concentrados base aquosa para
tingimento de tintas emulsionadas); Transflex (concentrados
base aquosa indicados para tintas flexográficas);
Transtint (concentrados alquídicos indicados para
linha imobiliária);
e Transnyl (concentrados base aquosa, prontos para serem
embalados). “No 10º Congresso Internacional de
Tintas, Abrafati 2007, apresentaremos um novo desenvolvimento:
os concentrados universais. Estamos trabalhando com a representação
de uma empresa chinesa (Sunway Group) que desenvolveu em
conjunto com uma universidade na China dispersões
pigmentárias de nanopigmentos em solventes, que podem
ser utilizadas na formulação de tintas para
rotogravura, em substituição aos corantes complexos
metálicos (de cromo), apresentando o mesmo efeito
metalizado sem a toxidez do metal”, garante Delboni.
Para
o mercado de tintas, a Ciba oferece as dispersões
pigmentárias Unisperse e Microlith. “Os produtos
da linha Unisperse consistem em dispersões de pigmentos
orgânicos e inorgânicos dispersos em sistemas
aquosos que possuem larga aplicação em tintas
decorativas, industriais e de impressão. Já a
linha Microlith é formada por pigmentos orgânicos
finamente moídos e encapsulados com resinas (acrílicas,
vinílicas, celulósicas, etc.), apresentando
compatibilidade com alguns sistemas utilizados na fabricação
de tintas industriais, impressão, curáveis
por radiação UV, madeira. O produto pode ser
facilmente incorporado ao sistema por homogeneização
e não possui VOC em sua composição.
Além disso, oferece alta transparência e excelentes
propriedades colorimétricas”, destaca Maria
Aparecida.
A
Heubach é uma empresa altamente inovadora,
o que permite à Forscher oferecer ao mercado um grande
número
de novidades em dispersões pigmentárias líquidas
e em pó. As dispersões líquidas são:
Colorversum (sistema tintométrico universal completo
e ecologicamente correto, livre de solventes e de Apeo, indicado
para tintas decorativas, tintas à base de silicatos
e tingimento de madeiras); linha Aquis (constituída
por pastas pigmentárias altamente concentradas, focada
em in-plant base água); linha Heucotone (conta com
corantes formulados para uso em pontos-de-venda in-can, formulados
para sistemas base água e solvente); linha Heucosperse
(dispersões com alta concentração de
pigmentos orgânicos em sistema acrílico-estirenado).
Para
atender as novas demandas de impressão com anilox
de alto número de linhas e baixo volume, a Forscher
também oferece a linha Microsperse Plus (dispersões
pigmentárias de última geração
utilizadas para a produção de tintas com elevado
poder tintorial e baixa viscosidade). Já as dispersões
Monolite e Monastral estão divididas em EHD (pasta
altamente concentrada contendo surfactantes não iônicos
ou aniônicos, indicada para tintas emulsionadas e fabricação
de papéis) e EV (pasta de média concentração
de pigmentos, indicada para tingimentos de papéis,
fibras de viscose, agroquímicos, sabões, detergentes
e produtos de látex).
A
Forscher disponibiliza ainda um grande número de
preparações pigmentárias em pó,
formuladas para oferecer alta performance às aplicações
a que se destinam. “A linha Tico foi desenvolvida para
oferecer alternativa econômica para substituição
de pigmentos de chumbo e cádmio, combinando pigmentos
orgânicos de alta performance com titanatos, oferecendo
produtos de máxima solidez, com cobertura, brilho
e força de tingimento”, enfatiza Heise.
A
Lanxess também apresenta ao mercado uma deserção à base
de pigmentos orgânicos e inorgânicos, com a tecnologia
de microgrânulos autodispersáveis. “São
dispersões prontas, sólidas, com um alto teor
de pigmento, simplificando ainda mais sua utilização
na indústria de tintas. Free flow, low dust e VOC
zero são algumas das especificações
da linha Levanyl e Levanox Gran”, revela Gesswein.
Chalita,
da Dynatech, conta que a empresa está sempre
apresentando novidades. “Exemplo disso são as
dispersões pigmentárias dispersas em sistemas
que podem ser compatíveis com sistemas aquosos e sistemas
solventes, compatíveis com diferentes veículos,
utilizando pigmentos e outras matérias-primas que
sejam ecologicamente corretas. A Dynatech acredita que o
número de fabricantes, bem como os tipos de concentrados,
está aumentando e, por isso, cada vez mais investimos
em equipamentos, produtos e pessoal para atender a esse segmento”,
finaliza.
Na
opinião de Macedo, da Sintequímica,
as grandes novidades são os pigmentos dispersos Apeo-Free
e as dispersões inorgânicas livres de chumbo
(produtos mais amigáveis). “Novas cores são
constantemente adicionadas nos catálogos dos fornecedores.
Este ano lançamos três novos pigmentos que os
clientes já estão testando e aprovando”,
comemora.
A
Chemipol sempre focou seus negócios e produtos
ligados à tecnologia
da cor, ou seja, aplicação de tingimentos. “O
grande passo dado pela Chemipol foi desenvolver, nos últimos
cinco anos, o concentrado universal para sistemas solventes
chamado de linha “US”, capaz de tingir toda linha
de tintas (desde automotiva, industrial, imobiliária,
flexografia, serigrafia, tintas gráficas e até cura
UV), ou seja, uma única pasta para ligantes, como
epóxi, PU, vinílico, alquídico, maléico,
melamina, epóxi acrilada, fenólica, poliéster,
acrílico, nitro, borracha clorada, alquídicas
hidroxiladas; portanto qualquer solvente”, destaca
Moualen.
Outros
lançamentos da Chemipol são
as dispersões
pigmentárias com pigmentos orgânicos e inorgânicos:
linha NC (base de nitrocelulose), linha PA (base de poliamida),
e linha VN (base vinílica), dirigidas para o setor
de tintas gráficas (flexografia e rotogravura – solvente).
Para o segmento de tintas industriais seguem os lançamentos
de concentrados à base de resina acrílica estirenada
solvente - linha AEX (para tintas spray, esmaltes acrílicos,
lacas nitro e tintas demarcação), e o concentrado à base
de resina poliéster insaturada – linha PY (utilizada
para tingimento de gel-coating, massa plástica, fiberglass,
mármores e cubas sintéticas, bijuterias). “Finalizando
como novos lançamentos, os concentrados de corantes à base
de complexos metálicos – acisol e acisol U,
indicados para sistema solvente e sistema universal álcool, água,
aromáticos na produção de tingidores
na indústria moveleira e de vernizes coloridos”,
informa Moualen, complementando que a Chemipol disponibiliza
dispersões universais e semi-universais (com um custo
maior) e as dispersões específicas (de menor
custo).
As
novidades da BASF para o segmento de dispersões
são: XFast (atinge todo o range de color index utilizado
nos segmentos imobiliário e madeira, base água); Luconyl
NG (preparações pigmentárias base água
sem VOC ou Apeo, ou seja, amigável ao ambiente); Luconyl
P (preparação pigmentária para sistemas
de tintas em pó); Sicoflush LB; preparação
pigmentária base solvente para sistemas de tintas
industriais e imobiliárias. “A BASF oferece
ao mercado um número expressivo de opções
em termos de cores e produtos, que podem ter configuração
global (produtos produzidos com padronização
idêntica para todas as regiões) ou regional
(produtos produzidos no Brasil que atendem à demanda
específica da América do Sul)”, anuncia
Pinheiro, complementando que, além das dispersões
citadas acima, a companhia também produz no Brasil
pigmentos em pó (linha Heliogen), preparações
pigmentárias base água (linha Luconyl), e preparações
pigmentárias base solvente (linha Sicoflush).
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