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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 112 - Entrevista - Ronaldo Souza
 
Vontade de crescer no Sudeste
 
Por Marcos Mila
 

Em sua passagem por São Paulo, onde esteve para participar da Feicon (Feira Internacional da Construção), Ronaldo Souza, diretor comercial da Tintas Iquine, atendeu à reportagem de Paint & Pintura para falar sobre os planos da empresa, que desde de maio, começou a operar no mercado do Sudeste, nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e, posteriormente, São Paulo. A Iquine, empresa com 33 anos e sede em Recife (PE), aproveitou a Feicon para fazer um anúncio oficial aos varejistas e apresentar sua linha de produtos, inclusive seu sistema tintométrico Icores, totalmente desenvolvido no Brasil.

Para atender a esse mercado, a empresa deverá iniciar a construção de uma fábrica no município de Serra, região metropolitana de Vitória, Espírito Santo. A unidade, voltada 100% para a produção de tintas imobiliárias, terá capacidade de produção de 3 milhões de litros/mês e deverá estar concluída até o final deste ano, com um investimento de R$ 5 milhões. A Iquine vai investir também R$ 3 milhões na unidade de Recife, além de outros R$ 6,5 milhões em pontos-de-venda e em ações de marketing. Segundo Souza, diretor comercial, o tripé de atuação da empresa estará focado em logística, pronto atendimento e preços competitivos.

A Tintas Iquine tem participação de 35% no mercado de tintas imobiliárias do Norte/Nordeste, produzindo 45 milhões de litros de tinta/ano e operando com 10 mil pontos-de-venda. Além das tintas imobiliárias, a empresa produz tintas para madeira, tintas industriais, adesivos, produtos auxiliares e automotivos. Conta também com uma fábrica de embalagens instalada em um galpão com área de 2 mil metros com três linhas de produção e 40 máquinas para embalar seus produtos.

Paint & Pintura - Como está a atuação da Iquine no Norte/Nordeste?
Ronaldo Souza -
Somos uma empresa genuinamente nordestina. A Iquine completou, em 2007, 33 anos e, hoje, ocupa a segunda posição no Norte/Nordeste, bem próxima da líder na região, que é a Tintas Coral. Já não existiam mais tantos espaços de crescimento para nossa empresa. A estratégia adotada foi partir para uma participação no maior mercado do Brasil, que é a Região Sudeste. Inicialmente, não pretendemos atuar em São Paulo, tendo como foco, num primeiro momento, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Paint & Pintura - A Iquine atua em todos os segmentos de tintas?
Souza -
A nossa empresa começou com a linha de adesivos com a cola de contato para a fabricação de móveis. Depois, agregou ao seu portfólio a linha de vernizes e seladores e, mais recentemente, há oito anos, lançamos a linha completa de tintas imobiliárias e seus complementos. Atualmente, essa linha de tintas imobiliárias representa em torno de 60% a 70% das vendas.

Paint & Pintura - Quais foram os últimos investimentos da Iquine em produção, desenvolvimento de produtos e marketing?
Souza -
Nós temos, atualmente, uma unidade fabril com alta capacidade de produção. Portanto, os grandes investimentos estão voltados para ações de marketing para tornar nossa marca conhecida. Nós concorremos com duas grandes empresas (Tintas Coral e BASF/Suvinil) e temos que fortalecer bastante a nossa marca nacionalmente, pois precisamos ser mais conhecidos em outras regiões.

Paint & Pintura - Quais foram os mais recentes lançamentos da empresa?
Souza -
O nosso principal lançamento nos últimos anos foi o sistema tintométrico Icores, desenvolvido com uma proposta inovadora em relação ao que existe no mercado. Em todas as pesquisas que fizemos, identificamos que esse segmento representa, no máximo, 5% do volume de vendas das empresas e nós procuramos lançar produtos mais acessíveis ao consumidor e, com isso, tentar aumentar o público para esse segmento, no intuito de elevar esse percentual para a casa dos 15%.

Paint & Pintura - O desenvolvimento do sistema tintométrico da Iquine foi totalmente nacional. Como se desenrolou esse processo?
Souza -
Uma coisa muito importante no mercado é o relacionamento com as empresas que revendem os seus produtos. Nós procuramos mostrar que somos uma empresa mais próxima do mercado, que procura oferecer aquilo que o mercado está procurando. Geralmente, nos sistemas tintométricos, as cores hoje são identificadas por números e nós procuramos lançar uma cartela não apenas com números, mas com nomes de produtos, de comidas, locais, praias, enfim, com tudo relacionado ao nosso País, que envolve a nossa cultura, tornando o nome da cor escolhida mais fácil de memorizar.

Paint & Pintura - Vocês têm uma fábrica de embalagens própria. Como foi o processo de decisão para esse investimento?
Souza -
Estamos instalados numa região distante do principal centro produtor de embalagens do Brasil, que é praticamente abastecida por duas empresas. A questão logística impede que embalagens prontas saiam de São Paulo para o Nordeste. Estrategicamente, estávamos numa posição um tanto vulnerável e concluímos, há dois anos, que seria muito interessante partir não para uma fábrica de embalagens completa, pois não fazemos a parte de impressão, mas compramos as chapas litografadas e fazemos a complementação do processo.

Paint & Pintura - Em termos de competitividade a situação melhorou?
Souza -
Além da garantia de fornecimento, porque sempre tínhamos problemas, geralmente no segundo semestre onde a demanda é maior, conseguimos também uma redução nos custos bastante interessante.

Paint & Pintura - Além da fábrica que vocês vão construir no Espírito Santo, quais as estratégias para disputar o mercado da Região Sudeste?
Souza -
Nossa unidade produtiva é bastante moderna e emprega o que há de mais novo na fabricação de tintas. No Espírito Santo estão localizadas as minas de carbonato de cálcio, que é uma matéria importante para os produtos de baixo valor agregado (massa corrida, textura e seladores) e são justamente os produtos que mais sofrem com a questão logística, onde um frete tem um percentual muito alto. Então, temos que produzir localmente esses produtos e, os demais, podemos atender com nossa fábrica do Recife. A aproximação com a rede varejista é muito importante e a grande maioria não quer fazer altos estoques de produtos. Portanto, essa nova fábrica vai dar um pronto atendimento, senão fica muito difícil crescer no mercado.

Paint & Pintura - A escolha da Feicon para esse anúncio também foi estratégica?
Souza -
Sem dúvida. Há vários anos pretendíamos participar da Feicon e achamos que esse era o momento apropriado, porque a partir deste ano já começamos a produzir no Espírito Santo e, apesar de a feira estar localizada em São Paulo, que ainda não é o nosso alvo, é um evento visitado por gente de todo o País. Uma coisa muito importante na nossa empresa sempre é a seriedade com que ela trata o mercado de uma forma geral (clientes e fornecedores). Isso é um diferencial e faz com que ela cresça acima das taxas do mercado. Estamos aqui para realmente participar do mercado com bastante vontade de crescer.

Paint & Pinturas - Vocês pretendem repetir as mesmas campanhas de marketing feitas no Nordeste?
Souza -
Como eu falei anteriormente, o maior investimento da nossa empresa está voltado para a área de marketing. Portanto, manteremos as ações que estão sendo realizadas e faremos novas campanhas que tragam credibilidade a nossa marca.

 
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