Em
sua passagem por São Paulo, onde esteve para
participar da Feicon (Feira Internacional da Construção),
Ronaldo Souza, diretor comercial da Tintas Iquine, atendeu à reportagem
de Paint & Pintura para falar sobre os planos da empresa,
que desde de maio, começou a operar no mercado do
Sudeste, nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e, posteriormente,
São Paulo. A Iquine, empresa com 33 anos e sede em
Recife (PE), aproveitou a Feicon para fazer um anúncio
oficial aos varejistas e apresentar sua linha de produtos,
inclusive seu sistema tintométrico Icores, totalmente
desenvolvido no Brasil.
Para
atender a esse mercado, a empresa deverá iniciar
a construção de uma fábrica no município
de Serra, região metropolitana de Vitória,
Espírito
Santo. A unidade, voltada 100% para a produção
de tintas imobiliárias, terá capacidade de
produção
de 3 milhões de litros/mês e deverá estar
concluída até o final deste ano, com um investimento
de R$ 5 milhões. A Iquine vai investir também
R$ 3 milhões na unidade de Recife, além de
outros R$ 6,5 milhões em pontos-de-venda e em ações
de marketing. Segundo Souza, diretor comercial, o tripé de
atuação da empresa estará focado em
logística,
pronto atendimento e preços competitivos.
A
Tintas Iquine tem participação de 35% no mercado
de tintas imobiliárias do Norte/Nordeste, produzindo
45 milhões de litros de tinta/ano e operando com 10
mil pontos-de-venda. Além das tintas imobiliárias,
a empresa produz tintas para madeira, tintas industriais,
adesivos, produtos auxiliares e automotivos. Conta também
com uma fábrica de embalagens instalada em um galpão
com área de 2 mil metros com três linhas de
produção
e 40 máquinas para embalar seus produtos.
Paint & Pintura - Como está a atuação
da Iquine no Norte/Nordeste?
Ronaldo Souza - Somos uma empresa genuinamente nordestina.
A Iquine completou, em 2007, 33 anos e, hoje, ocupa a segunda
posição no Norte/Nordeste, bem próxima
da líder na região, que é a Tintas Coral.
Já não existiam mais tantos espaços
de crescimento para nossa empresa. A estratégia adotada
foi partir para uma participação no maior mercado
do Brasil, que é a Região Sudeste. Inicialmente,
não pretendemos atuar em São Paulo, tendo como
foco, num primeiro momento, Espírito Santo, Minas
Gerais e Rio de Janeiro.
Paint & Pintura
- A Iquine atua em todos os segmentos de tintas?
Souza - A nossa empresa começou com a linha de adesivos
com a cola de contato para a fabricação de
móveis. Depois, agregou ao seu portfólio a
linha de vernizes e seladores e, mais recentemente, há oito
anos, lançamos a linha completa de tintas imobiliárias
e seus complementos. Atualmente, essa linha de tintas imobiliárias
representa em torno de 60% a 70% das vendas.
Paint & Pintura - Quais foram os últimos investimentos
da Iquine em produção, desenvolvimento de produtos
e marketing?
Souza - Nós temos, atualmente, uma unidade fabril
com alta capacidade de produção. Portanto,
os grandes investimentos estão voltados para ações
de marketing para tornar nossa marca conhecida. Nós
concorremos com duas grandes empresas (Tintas Coral e BASF/Suvinil)
e temos que fortalecer bastante a nossa marca nacionalmente,
pois precisamos ser mais conhecidos em outras regiões.
Paint & Pintura - Quais foram os mais recentes lançamentos
da empresa?
Souza - O nosso principal lançamento nos últimos
anos foi o sistema tintométrico Icores, desenvolvido
com uma proposta inovadora em relação ao que
existe no mercado. Em todas as pesquisas que fizemos, identificamos
que esse segmento representa, no máximo, 5% do volume
de vendas das empresas e nós procuramos lançar
produtos mais acessíveis ao consumidor e, com isso,
tentar aumentar o público para esse segmento, no intuito
de elevar esse percentual para a casa dos 15%.
Paint & Pintura - O desenvolvimento do sistema tintométrico
da Iquine foi totalmente nacional. Como se desenrolou esse
processo?
Souza - Uma coisa muito importante no mercado é o
relacionamento com as empresas que revendem os seus produtos.
Nós procuramos mostrar que somos uma empresa mais
próxima do mercado, que procura oferecer aquilo que
o mercado está procurando. Geralmente, nos sistemas
tintométricos, as cores hoje são identificadas
por números e nós procuramos lançar
uma cartela não apenas com números, mas com
nomes de produtos, de comidas, locais, praias, enfim, com
tudo relacionado ao nosso País, que envolve a nossa
cultura, tornando o nome da cor escolhida mais fácil
de memorizar.
Paint & Pintura
- Vocês têm uma fábrica
de embalagens própria. Como foi o processo de decisão
para esse investimento?
Souza - Estamos instalados
numa região distante do
principal centro produtor de embalagens do Brasil, que é praticamente
abastecida por duas empresas. A questão logística
impede que embalagens prontas saiam de São Paulo para
o Nordeste. Estrategicamente, estávamos numa posição
um tanto vulnerável e concluímos, há dois
anos, que seria muito interessante partir não para
uma fábrica de embalagens completa, pois não
fazemos a parte de impressão, mas compramos as chapas
litografadas e fazemos a complementação do
processo.
Paint & Pintura - Em termos de competitividade a situação
melhorou?
Souza - Além da garantia de fornecimento, porque sempre
tínhamos problemas, geralmente no segundo semestre
onde a demanda é maior, conseguimos também
uma redução nos custos bastante interessante.
Paint & Pintura
- Além da fábrica que
vocês vão construir no Espírito Santo,
quais as estratégias para disputar o mercado da Região
Sudeste?
Souza - Nossa unidade produtiva é bastante
moderna e emprega o que há de mais novo na fabricação
de tintas. No Espírito Santo estão localizadas
as minas de carbonato de cálcio, que é uma
matéria importante para os produtos de baixo valor
agregado (massa corrida, textura e seladores) e são
justamente os produtos que mais sofrem com a questão
logística, onde um frete tem um percentual muito alto.
Então, temos que produzir localmente esses produtos
e, os demais, podemos atender com nossa fábrica do
Recife. A aproximação com a rede varejista é muito
importante e a grande maioria não quer fazer altos
estoques de produtos. Portanto, essa nova fábrica
vai dar um pronto atendimento, senão fica muito difícil
crescer no mercado.
Paint & Pintura - A escolha da Feicon para esse anúncio
também foi estratégica?
Souza - Sem dúvida. Há vários anos pretendíamos
participar da Feicon e achamos que esse era o momento apropriado,
porque a partir deste ano já começamos a produzir
no Espírito Santo e, apesar de a feira estar localizada
em São Paulo, que ainda não é o nosso
alvo, é um evento visitado por gente de todo o País.
Uma coisa muito importante na nossa empresa sempre é a
seriedade com que ela trata o mercado de uma forma geral
(clientes e fornecedores). Isso é um diferencial e
faz com que ela cresça acima das taxas do mercado.
Estamos aqui para realmente participar do mercado com bastante
vontade de crescer.
Paint & Pinturas - Vocês
pretendem repetir as mesmas campanhas de marketing feitas
no Nordeste?
Souza - Como eu falei anteriormente, o maior investimento
da nossa empresa está voltado para a área
de marketing. Portanto, manteremos as ações
que estão sendo realizadas e faremos novas campanhas
que tragam credibilidade a nossa marca. |