Passados
pouco mais de quatro meses após o anúncio
do aumento da capacidade de produção de sua
unidade em Porto Feliz (SP) para 35 mil toneladas, a Lanxess
Brasil tem novo motivo para se orgulhar. Em março
deste ano, o Grupo Lanxess reuniu a imprensa para comunicar
que a operação brasileira conseguiu superar
a do Canadá, ocupando o segundo lugar no ranking de
vendas da companhia nas Américas.
Desde
que a Lanxess aportou em solo brasileiro, a empresa vem
apresentando crescimento gradativo. Tal avanço foi
proporcionado pela postura da unidade de pigmentos inorgânicos – Lanxess
IPG – em investir constantemente
em aumento de capacidade, conseguindo com isso a liderança
no mercado nacional, além de abastecer demandas da
América
Latina, Estados Unidos e Europa.
Esse
processo de exportação
teve início quando a empresa
adquiriu as duas unidades de produção da fabricante
Globo Tintas, há cerca de dez anos. “Na época
eram três fábricas
com capacidade de 9 mil toneladas. Tínhamos a fábrica
de Porto Feliz, que é a nossa única no País,
onde fazemos a produção
de óxido de ferro sintético, e a Globo Tintas
tinha mais duas unidades, uma em Mauá e outra em Guarulhos,
todas em São Paulo. Em tempo
recorde fechamos essas duas e transferimos toda a produção
para Porto Feliz, em apenas um ano”, relembra Lothar
Schwarz, gerente regional de vendas e marketing para América
Latina.
Foi
nessa mesma época que a companhia recebeu,
de sua sede na Alemanha, a incumbência de atender a
toda a América Latina. Mas como a empresa
tinha investido em produção além do
que havia planejado, passou também a buscar o mercado
norte-americano, onde está centralizada
a maior demanda mundial por óxido de ferro. Esse foi
mais uma passo para que a empresa passasse a trilhar novos
caminhos, em um processo de conquista de novos territórios,
atingindo assim países como Espanha, Inglaterra
e a até mesmo a Alemanha, com a linha LOM, formada
por tipos especiais de óxido de ferro. “O Brasil é o
nosso principal mercado, onde queremos ter uma participação
cada vez maior. Mas se a demanda nacional não cresce,
estamos preparados para exportar. Com as 35 mil toneladas
que temos agora, se menos da metade é absorvida internamente,
o que fazer com o excedente de 18 mil toneladas? Temos que
exportar”, argumenta Schwarz,
acrescentando que os pigmentos fornecidos pela unidade brasileira
são
fabricados apenas no Brasil.
Segundo
ele, atualmente a Lanxess IPG é líder mundial em fabricação
de pigmentos, o que a torna o único fornecedor em
todo o mundo que não
depende de terceiros.
Obstáculos
Mesmo fazendo parte de um grupo internacional, a Lanxess
IPG também enfrentou alguns obstáculos para
conquistar a confiança do mercado externo. “A
Globo Tintas já tinha iniciado um processo de exportação
não muito grande. Mas era um mercado muito concorrido
e não existia uma marca líder, a Bayferrox.
Logicamente que quando entramos com esse nome algumas portas
foram abertas, mas, mesmo assim, tínhamos que driblar
a desconfiança de ser um produto made in Brasil,
ante os produtos fabricados na Europa e Estados Unidos”,
comenta.
Com
o passar dos anos, essas dificuldades foram suplantadas,
a partir do momento em que a empresa conseguiu convencer
as concorrentes estrangeiras a provarem a qualidade, logística,
atendimento e assistência técnica impecáveis. “Com
todo o respeito, não há um único fornecedor,
eu diria em nível mundial, com o serviço que
oferecemos para nossos clientes”, garante, acrescentando
que, em Porto Feliz, a empresa conta com dois modernos laboratórios,
um voltado para o setor de construção e outro
para o segmento de tintas.
Em
sua linha de pigmentos, atualmente o carro-chefe sãos
os amarelos, onde se destaca o 912 LOM, um produto fabricado
no Brasil, com tecnologia adquirida em Porto Feliz e só encontrado
aqui.
Gradativamente,
esses processos possibilitaram que a Lanxess IPG atingisse
crescimento de mais de 70% dentro do segmento de tintas
no Brasil e a conquista de mais de 50% de participação
no mercado da América Latina. O próximo objetivo é aumentar
a participação também dentro dos Estados
Unidos, tanto que boa parte do incremento de produção,
obtido nestes dois últimos anos, será direcionada
ao mercado americano. “A demanda dos Estados Unidos
chega a ser de 10 a 15 vezes maior que a do Brasil. Esse é um
fato e é para lá que estamos direcionando
mais esses novos aumentos e novas capacidades. Mas ressaltamos
que nossa prioridade será sempre o Brasil, por isso,
caso haja aumento de demanda interna, ela será abastecida”,
afirma.
Mesmo
que isso não ocorra, a posição
da Lanxess no Brasil está garantida. A empresa, que
começou em 1996 no segmento de construção
civil com uma participação ínfima de
5%, hoje detém 50% do setor e ainda almeja crescimento.
De acordo com Schwarz, atualmente esse ramo é o maior
usuário de pigmentos, posição que antigamente
era ocupada pelas indústrias de tintas, onde a empresa
garante 35% de vendas. “Em nível mundial, entre
50% e 55% do óxido de ferro são voltados para
a construção civil; cerca de 35% para tintas;
e os outros 15% a 20% direcionados para o setor de plásticos
e outras aplicações”, finaliza. |