O
monômero é um item essencial para a fabricação
de uma tinta ou verniz. A utilização adequada
de todo monômero é fundamental para que se obtenha
produtos com qualidade e propriedades, sendo que sua ausência
em determinados tipos de tintas e vernizes ou até mesmo
a utilização incorreta pode acarretar problemas
de aplicação e performance do filme formado.
Para
explicar melhor, o monômero é um composto químico
- uma pequena molécula ou pequena unidade química
-, que quando submetido a uma reação química,
ou seja, uma reação
de polimerização, se transforma em polímero,
também
denominado de resina.
Luiz
Antonio Pereira Martinho, gerente geral da Deltech, explica
que, em tese, uma resina (veículo
básico e formador de filme de uma tinta) é um
polímero formado pela repetição
de pequenas unidades
químicas (monômeros) ligadas entre si por
ligações
químicas (ligações covalentes). “Portanto,
sem monômero
não há polímero. Sem polímero,
não existe
a possibilidade de termos a formação de filme
de tinta. Sem a possibilidade de formação de
filme, não existe tinta”.
Há vários
tipos de monômeros, como monofuncionais – de
baixa viscosidade, possuem maior poder de redução
de viscosidade e baixa reatividade (cura lenta). Em geral,
o filme formado não possui
muita resistência química e a risco, mas é flexível.
Já os difuncionais – baixa viscosidade e reatividade
maior que o monofuncional –, em sua grande maioria
formam filme com boa flexibilidade, melhor resistência
química e a risco e que o monofuncional. Também
há os trifuncionais, com viscosidade e reatividade
mais altas que o monofuncional e o difuncional, boa resistência
química e a risco, e filme mais
rígido devido ao reticulado formado. Por último,
os multifuncionais com alta reatividade, e viscosidade mais
alta que o monofuncional, difuncional e trifuncional; possuem
ainda alta resistência química
e a risco.
Importância
O mercado já sabe a importância que um monômero
tem em uma formulação de tinta, mas ainda não
explora toda sua potencialidade. Os polímeros acrílicos,
por exemplo, conferem propriedades de ligante entre os componentes
sólidos das tintas como cargas e pigmentos, permitindo
resistência à água, abrasão, intempéries
e resistência química. “Os monômeros
acrílicos são substâncias químicas
geralmente derivadas do propileno, podendo reagir com eles
mesmos ou com outros monômeros, como o estireno, assim
formando o polímero acrílico. O polímero
acrílico é utilizado na fabricação
de tintas acrílicas destinadas ao segmento da construção
civil, automotiva, industrial e madeira”, relata Thais
Helena Alves, analista de marketing da unidade de polímeros
funcionais da BASF.
A
BASF disponibiliza para o mercado os monômeros acrílicos
standard, que são: ácido acrílico glacial,
acrilato de butila, acrilato de 2 etilhexila, acrilato de
metila e acrilato de etila. “Também temos um
grande portfólio de monômeros especiais que
conferem propriedades de resistência química,
como ácido metacrílico glacial, acrilato de
isobutila, acrilato de butila terciário, metacrilato
de butila terciário, acrilato de 2 hidroxi etila,
acrilato de hidroxipropila, monoacrilato de butanodiol, acrilato
de etil diglicol, acrilato lauril, acrilato de dimetil etil
amina, acrilato de dihidrodicilclopentadienil, que são
destinados ao segmento de ligantes acrílicos para
os setores de tinta têxtil, couros, auto-adesivos,
construção civil, tratamento de água,
detergentes, fibras e plásticos”, conta Thais.
Alexandre
Pedro Lacava, químico industrial – SGQ
da Aratrop, ressalta que no mercado de tintas os monômeros
acrílicos são utilizados na produção
de resinas, emulsões acrílicas e espessantes
associativos. “Os tipos mais comuns são monômeros
acrílicos e monômeros funcionais utilizados
para polimerização de resinas, emulsões
e espessantes, tintas em pó, modificador de fluidez,
adesivos e selador, aplicação odontológica,
elastômeros, floculantes, modificadores de superfície”.
Para
ele a principal característica de um monômero,
por exemplo, na produção de tinta látex, é o
fornecimento da parte acrílica, onde a tinta depois
de aplicada oferece a resistência à água. “A
Aratrop disponibiliza monômeros acrílicos, monômero
de acrilamida e n-metilol acrilamida”, informa Lacava,
acrescentando que a empresa atinge o mercado de tintas e
vernizes e tratamento de águas.
Maria de Fátima Serantoni, do departamento de desenvolvimento
da Grupar, alerta que a não utilização
do monômero na tinta acarreta uma formação
de reticulado diferente, devido à alta viscosidade
dos oligômeros (resinas). “A sua ausência
dificulta o manuseio e formulação dos revestimentos
(tintas e vernizes) UV”. E ainda define o que são
os monômeros. “São moléculas de
relativo baixo peso molecular capazes de combinarem
entre si ou entre moléculas semelhantes por meio de
pontos reativos para formar um polímero. Têm
viscosidades relativamente baixas e são usados a princípio
para diluir os oligômeros (baixar a viscosidade da
tinta ou verniz), ou seja, reduzir a viscosidade do sistema”.
A Grupar oferece diversos monômeros especiais para
o mercado.
Victor
Luis Maluf Amarilla, diretor de marketing da Kalium Chemical,
ressalta que existem muitos monômeros
utilizados na indústria de tintas, conforme o produto
desejado e a aplicação. “Os estirenos, ácidos
graxos e monômeros reativos acrilados são exemplos
de monômeros utilizados na preparação
de matérias-primas ou ainda para produção
direta de tintas e vernizes. A utilização adequada
de todo monômero é fundamental para que se
obtenha produtos com propriedades e qualidade, adequados às
aplicações que têm por finalidade. A
não utilização pode descaracterizar
totalmente o polímero formado no filme de tinta ou
verniz, tornando-o inadequado ao que se propõe”.
A
Kalium possui monômeros reativos para cura UV, como
TMPTA, TPGDA, NPGDA e HDODA, bem como as resinas epóxi
acriladas com ou sem os diluentes reativos mais comuns. “O
fornecimento local, venda indent, e a terceirização
logística ofertados, além dos negócios
de baixo custo, fazem da Kalium Chemical uma importante opção
no fornecimento de insumo para este setor”, afirma
Amarilla.
Eduardo
Diaz, gerente de desenvolvimento de mercado da Quiminutri,
afirma que embora o impacto na qualidade das tintas dependa
de diversos fatores, como, por exemplo, a concentração
de cargas e pigmentos, bem como aditivos, via de regra, os
monômeros e seus polímeros derivados são
responsáveis por importantes propriedades dos filmes
como elasticidade/dureza, adesão ao substrato, resistência
a intempéries e durabilidade. “Em tintas UV,
que é o nosso mercado principal, os monômeros
têm também a função de diluente
para cortar a viscosidade e facilitar a aplicação.
Em outros casos especiais, ainda dentro da tecnologia UV,
conferem propriedades especiais nas tintas e nos filmes”,
informa.
A
Quiminutri oferece todos os tipos de monômeros
que o mercado utiliza, desde as commodities, como o tri-propileno-glicol-di-acrilato
(TPGDA), trimetilol-propano-tri-acrilato (TMPTA), hexano-diol-di-acrilato
(HDODA), isobornil acrilato (IBOA), 2-fenoxi-etil-acrilato
(2PEA); e também moléculas mais complexas como,
por exemplo, o penta-eritrol-tri-acrilato (PE3A), o di-penta-eitritol-hexacrilato
(DPHA) e o glicidil-tripropoxilado-tri-acrilato (G3POTA). “Além
dessas, temos as commodities - ácido acrílico
e os acrilatos de butila, acrilado de etila, 2-etil-hexila
(empregadas em tintas decorativas e industriais), ácido
metacrílico e os metacrilatos”, destaca Diaz.
A
Brisco, distribuidora da Innova, comercializa uma ampla variedade
de monômeros que a indústria de resinas
para tintas utiliza, com ênfase no monômero de
estireno - produto muito versátil, e com um custo/benefício
que proporciona excelentes características, resultando
em um produto final de alta qualidade. “O estireno,
por ser um gerador de polímero hidrorrepelente, oferece
alta resistência à lavabilidade nas tintas látex,
além da quebra da aderência a sujeiras, não
deixando aderidas no produto final, e a facilidade de copolimerização
com ésteres acrílicos, diminuindo a tendência
de monômeros residuais”, explica Guillermo Castillo,
diretor comercial da Brisco.
Castillo
ainda alerta o mercado para alguns cuidados essenciais
com o monômero de estireno. “Mesmo
sendo um produto versátil, apresenta alguns cuidados
no envase, transporte e armazenamento. Pela sua facilidade
de polimerização,
(polimeriza à temperatura ambiente) os cuidados no
momento da aquisição devem ser dobrados. Os
itens fundamentais são: fonte de origem segura, data
de validade, pureza e embalagem. Com isso, evita-se inconvenientes
na hora do processamento”.
Martinho,
da Deltech, revela que a empresa possui vários
tipos de monômeros, como vinil tolueno, estireno, parametil
estireno, divinil benzeno e butil estireno terciário. “Vendemos
nossos monômeros para aplicação em poliésteres
insaturados, resinas acrílicas, resinas alquídicas
modificadas, óleos uretanizados e epóxi
acrilados. Atuamos nos mercados de tintas, plásticos
de engenharia, adesivos e tratamento e purificação
de água”.
Tecnologia
No decorrer de tantos avanços tecnológicos
nas tintas, os monômeros tiveram que acompanhar essas
inovações e tornam-se cada vez mais eficientes
dentro de uma formulação. De acordo com amadurecimento
do mercado, os monômeros mais simples são substituídos
por outros de maior desempenho, mais complexos e de propriedades
mais variadas. “Monômeros para tintas acrílicas
base água têm sido um foco de esforço especial relacionado
com inovações tecnológicas”,
destaca Martinho, da Deltech.
“Estas
moléculas mais complexas apresentam desafios do
ponto de vista de síntese e envolvem mais etapas
de reação e/ou
mais de uma fase. A questão de redução
do odor também é bastante
enfatizada, onde se trabalha reduzindo a quantidade das matérias-primas
residuais utilizadas na síntese dos monômeros,
como é o
caso do ácido acrílico. E por fim a questão
do custo, onde buscamos matérias-primas alternativas”,
esclarece Diaz, da Quiminutri, acrescentando que as novas
aplicações vão
surgindo ou se viabilizando conforme o desenvolvimento de
novas máquinas
para a aplicação ou mesmo devido a redução
do custo na aplicação.
Maurício
Locatelli, diretor comercial da Quiminutri, revela que
a diversificação de
aplicações
associada a maior oferta de monômeros e oligômeros
especiais tem permitido que os formuladores de tintas e vernizes
utilizem sua criatividade desenvolvendo coatings cada vez
melhores. “Com propriedades específicas e em
geral superiores às tintas convencionais. Isto é muito
interessante para o consumidor final”.
Na
opinião
de Maluf, da Kalium, a modificação
dos produtos com a inserção de radicais orgânicos
específicos torna a tecnologia dos monômeros
reativos extremamente adaptável às necessidades
específicas, como resistência mecânica,
plasticidade dos filmes formados e outras diversas. “Isto
praticamente insere o conceito de produto ‘taylor made’ para
os monômeros reativos.”
Thais,
da BASF, informa que os monômeros acrílicos
são commodities e as inovações ocorrem
nos processos. “Todas as inovações no
segmento de tintas como low VOC, tinta aquosa e alto brilho,
estão baseadas nos ligantes acrílicos”.
Já para
Cristiane Pedrique, analista comercial da Grupar, a última
tecnologia empregada são
os monômeros desenvolvidos com a nanotecnologia. “Novos
monômeros são desenvolvidos para atender as
necessidades do mercado: moagem de pigmentos, monômeros
solúveis em água (para vernizes base água
curados por UV)”.
Lacava,
da Aratrop, anuncia que a empresa se preocupa em atender
o mercado com o desenvolvimento de equipamentos específicos
e busca de matérias-primas mais nobres. “A Aratrop
tem como objetivo aumentar a qualidade e o rendimento dos
processos, atingindo metas que excedam as exigências
do mercado interno e externo”.
Crescimento no Brasil
O mercado brasileiro consegue misturar diversos tipos de
tecnologias, como a americana, européia, asiática
e também forma sua própria tecnologia. Isso
faz com que o fabricante se torne muito mais versátil
e ágil na assimilação de novas tecnologias. “O
maior impedimento é o preço dos produtos
formulados com essas tecnologias, além do formato
das peças, tamanho e equipamentos para cura. As
exigências ambientais tornarão a utilização
desses produtos mais comum, aumentando a escala de produção
de matérias-primas e equipamentos, com conseqüente
diminuição de custos”, afirma Maluf,
da Kalium, acrescentando que a tecnologia de cura UV tem
aumentado, assim como também seus insumos cresceram
de forma acentuada e constante. “Há dois anos,
houve algumas interrupções devido ao aumento
exagerado de algumas matérias-primas, mas com a
normalização do seu abastecimento o
crescimento do consumo destes insumos tem se elevado muito”.
Locatelli,
da Quiminutri, acredita que o mercado de monômeros
acompanha o mercado de UV e cresce na ordem de 12% ao ano. “Isto
ocorre porque essa tecnologia cresce sobre outras, tais como
sistemas base solventes ou mesmo base água. Já para
a tecnologia base água, os monômeros mais comuns – derivados
de ácido acrílico (acrilatos de butila, acrilado
de etila e 2-etil-hexila) –, empregados em tintas
decorativas e industriais, além do ácido metacrílico
e dos metacrilatos, possuem um crescimento menor, geralmente
dois pontos percentuais maior do que o PIB brasileiro”.
Lacava,
da Aratrop, prevê que com o crescimento do
consumo de polímeros ocorra também uma expansão
no mercado de monômeros. “Este crescimento está atrelado
a uma restrição no volume de importação
deste produto com taxações coerentes”,
explica.
Martinho,
da Deltech, afirma que o mercado de monômeros
no Brasil é muito grande e forte. “Estireno é um
dos monômeros mais importantes deste mercado, mas também
existem os monômeros acrílicos (metacrilato
de metila, ácidos acrílicos e metacrílico,
acrilatos de etila e de butila, acrilamida). O mercado de
monômeros no Brasil e na América Latina tem
crescido de forma consistente nos últimos anos. No
caso da Deltech Corporation, estamos tendo um crescimento
mundial considerável”.
Maria
de Fátima,
da Grupar, ressalta que todos os segmentos que utilizam a
cura por UV utilizam monômeros,
como madeira, gráfica, industrial, entre outros. “Além
da questão ambiental, os monômeros também
colaboram na formulação UV com características
(resistência química, risco) desejáveis
em diversas aplicações”. Ainda afirma
que o consumo de monômeros não é isolado. “A
proporção de uso e crescimento está intrínseca
ao dos revestimentos curados por UV, onde existe um crescimento
significativo”.
Para
Thais, da BASF, o mercado de monômeros
standard na América do Sul apresentou aumento de 10%,
comparado com 2005. “Já no Brasil o aumento
foi de 13%”,
revela, completando que o mercado brasileiro sabe da importância
que os monômeros possuem nas tintas. “O mercado
reconhece melhor desempenho e durabilidade dos acrílicos
comparados com as tintas vinílicas, principalmente,
nas tintas acrílicas arquitetônicas”.
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