Confira
as opiniões:
Paint & Pintura
- Quais os principais avanços
alcançados no segmento de pigmentos inorgânicos?
Staffan
Martendal (Aldoro) - No que diz respeito aos pigmentos
metálicos, podemos destacar a otimização
de performance dos pigmentos com distribuição
de partículas mais uniforme, incrementando efeitos
metálicos e facilitando suas aplicações
finais. Outro avanço significativo refere-se a produtos
específicos para aplicações críticas
para pigmentos metálicos, amenizando ou contornando
estas dificuldades que restringiam o uso dos mesmos.
Mateus
de Oliveira Leme (Asta Química) - Em busca
de substituir os pigmentos à base de metais pesados,
alguns produtores apresentam opções isentas
destes metais. O impasse, no entanto, está em absorver
os custos destes novos materiais. Uma opção
que vem gradativamente aumentando o consumo são os
inorgânicos de alto desempenho, como, por exemplo,
os amarelos vanadato de bismuto, que são pigmentos
com boa cobertura e tons limpos.
José Marcos Qualiotto (BASF) - A BASF é um
dos maiores produtores mundiais de pigmentos inorgânicos.
Nossos principais avanços nesta área são
as novas versões de vanadatos de bismuto (marca Sicopal)
com evoluções significativas em resistências
a álcalis e resistências à temperatura.
Adicionalmente, com a aquisição da Engelhard,
estamos complementando o nosso portfólio de pigmentos à base
de titanatos (marca Sicotan). Uma inovação
muito importante e que já apresenta resultados expressivos
no mercado de pigmentos são os pigmentos de co-finish
(marca Paliotan), que aliam as propriedades dos pigmentos
de alta perfomance inorgânicos e orgânicos num
só produto, tornando as alternativas lead free mais
atrativas.
Mohamed
Nabil Mouallem (Chemipol) - Em termos de novos produtos,
há pouco que se destacar, como titanatos e vanadatos.
No tocante à preocupação ambiental,
houve um progresso em se obter produtos e processos menos
tóxicos e mais limpos. No que se refere ao uso em
tintas imobiliárias, a Chemipol tem orientado seus
clientes que certas deficiências à luz de pigmentos
orgânicos devem ser compensadas com o uso de inorgânicos,
visto que nosso clima tropical demonstra uma escolha inadequada
de pigmentos padronizados no Brasil.
Jonas
Chalita (Dynatech) - Com as já conhecidas restrições
a pigmentos à base de metais pesados, geralmente inorgânicos,
além da substituição gradativa e crescente
destes por pigmentos orgânicos, outras alternativas
também estão sendo utilizadas para atender
a estas necessidades e, com pigmentos inorgânicos,
como os titanatos e vanadatos, dependendo das cores/tonalidades,
com utilização até de óxido de
ferro amarelo e vermelho.
Antonio
Carlos Slongo (Ipiranga Química) - A Dominion Color Corporation
- DCC, é um
dos maiores produtores mundiais de pigmentos com certificação
ISO 14001 e ISO 9001. Sua tecnologia apresenta na linha Stir-In
facilidade de dispersão direta do pigmento utilizando
um dispersor Cowles em vez de um moinho para atingir a fineza
final; na série 5000, pigmentos inorgânicos
com baixa solubilidade de chumbo e alta resistência
a SO2; na linha Krolor pigmentos encapsulados em sílica,
cujas características são estabilidade térmica
de 300°C, resistência a ácidos, baixa solubilidade
de chumbo e fácil dispersão. Além disso,
permite baixa emanação de pó, que emite
menos material particulado para atmosfera durante o manuseio
do pigmento, reduzindo contaminação ao meio
ambiente e exposição do operador. Esta tecnologia
está disponível em todos os pigmentos inorgânicos
da DCC.
Eusébio Varela (Multicel Pigmentos) - Novos grades
desenvolvidos conforme a necessidade específica de
cada cliente. A linha Multitherm de pigmentos complexos inorgânicos
da Multicel apresenta grades com cores mais limpas e maior
poder tintorial.
Elcio
Oliveira (Surcolor) - A baixa concentração
de metais livres como no caso dos pigmentos derivados de
cádmio e a presença de pigmentos inorgânicos
atóxicos derivados de bismuto dentre outros.
Hamilton
Oliveira (Aromat) - O mercado de inorgânicos
demonstrou certa estagnação em termos de avanços
tecnológicos. Nos últimos anos, os esforços
foram concentrados principalmente no desenvolvimento de pigmentos
orgânicos, devido a questões ambientais relacionadas à utilização
de pigmentos inorgânicos à base de metais pesados.
Eduardo
Tedesco (Aurum Química) - A gama de pigmentos
inorgânicos é bastante ampla e com muitas aplicações,
daí a dificuldade em enquadrá-los em uma única
categoria. A questão central sobre esse tema é sempre
o aspecto ecológico do uso de pigmentos inorgânicos à base
metais pesados (cádmio e chumbo, principalmente) e é este
o aspecto recorrente quando tratamos dos pigmentos inorgânicos
e, sobre isso, os principais avanços referem-se aos
cuidados no controle desses metais livres na composição
dos pigmentos. As empresas produtoras já atendem a
todas as normas internacionais que regulam o teor de metais
livres, tornando sua aplicação segura. Quanto às
outras classes de pigmentos inorgânicos, os avanços
referem-se à melhor dispersão dos produtos,
assim como a co-precipitação dos mesmos juntamente
com pigmentos orgânicos para conferir-lhes características
ainda melhores quanto ao poder de tingimento e outras características
físico-químicas.
Gilmar
Pinheiro (Bunge) - Um dos principais avanços
tecnológicos em pigmentos inorgânicos ocorridos
nos últimos anos foi o desenvolvimento do pigmento
branco fosfato de sódio/alumínio amorfo com
nanopartículas ocas (nome comercial Biphor), desenvolvido
pela equipe do professor Fernando Galembeck, do Instituto
de Química da Unicamp, em conjunto com a Bunge Fertilizantes.
Marcos
Raicher (Colornet) - A principal tendência
dos pigmentos inorgânicos é a migração
para pigmentos atóxicos e dentro dos limites aceitos
internacionalmente de metais pesados. Somos distribuidores
exclusivos para o mercado brasileiro dos pigmentos azul e
violeta ultramar da Holliday Inglaterra, largamente utilizados
na área de plásticos e tinta em pó.
Por serem produzidos a partir de elementos naturais, são
100% atóxicos, inclusive com aprovação
FDA. A Colornet também trabalha com uma linha de pigmentos
inorgânicos complexos de alta resistência química,
intemperismo e temperatura, da Shepherd EUA. São titanatos
amarelos e castanhos, azul e verde de cobalto, violeta de
manganês e preto para tintas de alta temperatura. Além
de todas estas propriedades, são considerados atóxicos,
podendo inclusive estar em contato com alimentos e alguns
têm grau cosmético. Com nossa nova parceria
com a Sun Chemical Performance Pigments, a Colornet tem agora
uma linha completa de pigmentos de cádmio assim como
pigmentos inorgânicos na forma pré-dispersa
ou líquida. Por exemplo, óxido de ferro transparente,
um pigmento duro, de difícil dispersão, pode
ser agora oferecido na forma de Predisol, um pó pré-disperso
em resina CAB, nitro ou universal, o que elimina o processo
penoso de moagem.
Harry
Heise (Forscher) - Os principais avanços estão
ligados ao desenvolvimento de novos pigmentos inorgânicos
de baixa toxidez - como os vanadatos de bismuto ou de pigmentos
inorgânicos combinados com pigmentos orgânicos
atóxicos – como os titanatos mais orgânicos
de alta performance, destinados principalmente para a substituição
dos produtos contendo metais pesados, como chumbo e cádmio.
Marcelo
Garcia (Lanxess) - O principal avanço no
segmento de pigmentos inorgânicos à base de óxido
de ferro da Lanxess é a linha Bayferrox LOM – pigmentos
micronizados com baixa absorção de óleo,
que favorece a baixa viscosidade em sistemas altamente pigmentados.
O produto tem um leque de tonalidades que vai desde o amarelo-avermelhado
até o amarelo claro, este último sendo muito
solicitado no segmento de tintas.
José Carlos Bartholi (Minérios Ouro Branco) - Nos últimos tempos, os pigmentos inorgânicos
estão sendo setorizados às aplicações
especiais, onde características como a solidez à luz,
resistência a altas temperaturas e poder de cobertura
são indispensáveis. Sua principal causa para
essa setorização é a presença
de metais pesados na maioria desses pigmentos. Os maiores
avanços estão sendo realizados no desenvolvimento
de pigmentos inorgânicos que não agridam o ambiente
e nem a saúde do ser humano, como é o caso
dos pigmentos perolados Ouropearl, que apresentam alta resistência à temperatura,
solidez à luz e não apresentam metais pesados
em sua composição. Existem ainda grandes avanços
quanto ao revestimento desses pigmentos com aditivos capazes
de melhorar a dispersão, a solidez à luz e
o brilho, como ocorre nos pigmentos asiáticos, que
estão disputando lado a lado seu espaço no
mercado.
Antonio
Carlos Saretti (Transcor) - Os pigmentos inorgânicos
são classes químicas de colorantes que há mais
tempo vêm sendo utilizados pelas indústrias
de tintas, por conseguinte foram os que mais pesquisas e
avanços sofreram ao longo dos anos. A Transcor, continuando
este processo, disponibiliza diversos pigmentos inorgânicos
também na forma de dispersões.
Ariane
Ventura (Ciba) - Os principais avanços são
os de produzir pigmentos ecologicamente corretos e que apresentem
propriedades de solidez e resistência diferenciais,
aspectos visuais mais atrativos e custo/benefício.
A Ciba Especialidades Químicas, líder no desenvolvimento
de cores oferece, por meio do segmento Coating Effects, efeitos,
proteção e cores de alto valor para os produtos
de seus clientes graças a uma gama completa de pigmentos
de alta tecnologia, e busca continuamente desenvolver novos
produtos, que vão ao encontro das atuais necessidades
dos seus clientes. Respondendo as recentes inovações
tecnológicas no campo de pigmentos inorgânicos,
a Ciba é capaz de oferecer parceria na transição
dos tipos de produtos à base de metais críticos
para pigmentos inorgânicos adequadamente ecológicos
que apresentam qualidade consistente e inovação
constante. As exigências em relação às
restrições de uso de produtos contendo metais
pesados têm levado muitos produtores de tintas a buscar
alternativas de pigmentos isentos deste tipo de substância,
assim como boa relação custo/benefício.
Como alternativa para os amarelos de cromo, por exemplo,
oferecemos pigmentos inorgânicos à base de vanadato
de bismuto (pigmento amarelo 184), Ciba amarelo Irgacolor
3GLM, amarelo Irgacolor 14247, amarelo Irgazin 2094, amarelo
Irgacolor 3RLM e amarelo Irgacolor 5RLM, amarelos altamente
brilhantes quando comparado aos pigmentos inorgânicos
tradicionais que apresentam também características
técnicas importantes como alta saturação,
durabilidade, opacidade, resistência térmica,
ao sangramento, às intempéries além
de solidez à luz.
Paint & Pintura - Quais os diferenciais de performance
entre pigmentos orgânicos e inorgânicos?
Martendal
(Aldoro) - Quando aplicados em conjunto com pigmentos metálicos, os pigmentos orgânicos apresentam
boa performance devido a sua alta transparência, possibilitando
a exploração dos efeitos metálicos em
várias cores e tonalidades. Já os pigmentos
inorgânicos, não são recomendáveis
em aplicação conjunta com pigmentos metálicos,
pois devido a sua alta opacidade interferem negativamente
nos efeitos metálicos finais das tintas.
Leme
(Asta Química) - De uma forma geral, os pigmentos
inorgânicos apresentam mais opacidade do que os pigmentos
orgânicos. Desta forma, são bastante utilizados
quando se necessita de cobertura na tinta, porém seu
poder tintorial é bem inferior. Os orgânicos
convencionais não apresentam boa solidez (lacas de
cálcio, azóicos). No entanto, a Asta Química
tem focado seus desenvolvimentos em pigmentos de alta performance,
como os pigmentos PR:254, PR:264, PY:180, PY:151, PO:36,
entre outros, que são ótimas opções
quando se necessita alta solidez na tinta final.
Qualiotto
(BASF) - Os pigmentos inorgânicos se destacam
pela sua opacidade (poder de cobertura), fácil dispersibilidade
e elevadas resistências, muito embora já existam
opções de alta performance em pigmentos orgânicos
em alguns destes quesitos.
Mouallem
(Chemipol) - Dois deles são praticamente
insubstituíveis: dióxido de titânio e
negro de fumo. Como afirma nosso coordenador técnico: ‘Não
existem pigmentos bons ou ruins, o que os difere é uso
adequado ou não’. Assim, os pigmentos inorgânicos
mais representativos, além dos citados, são
cromatos e molibdatos de chumbo, óxidos de ferro opacos
(amarelo, vermelho, marrom, preto) e transparentes (amarelo
e vermelho), óxido de cromo, ferrocianeto férrico
(azul da Prússia), azul de ultramar, anticorrosivos
(cromato e fosfato de zinco, zarcão), pérolas,
metálicos, titanatos, vanadatos, cádmio etc.
guardam características intrínsecas que os
tornam únicos. Podem até se confrontar com
os orgânicos. Há diferenciais que levam às
escolhas, como opacidade/transparência; cobertura/tingimento;
resistência ácida/álcali; absorcão/estabilidade,
dentre outros, como brilho, dureza, abrasividade, resistência
ao intemperismo, toxicidade etc.
Chalita
(Dynatech) - Em termos de performance é um
pouco relativo diferenciá-los, pois depende muito
do tipo de aplicação, ou seja, resistências
em geral, cobertura, transparência, facilidade de dispersão
e o que, na minha opinião, é o mais problemático, é quando
temos problemas de metameria, pois embora como regra geral,
os orgânicos têm poder tintorial maior, dependendo
da cor/tonalidade, fica difícil ajustar as mesmas,
quando substituímos um pelo outro. Muito embora, com
a qualidade e experiência técnica dos coloristas,
aliado à ajuda da tecnologia, através da colorimetria
computadorizada, fica um pouco menos trabalhoso fazer esta
substituição.
Slongo
(Ipiranga Química) - Os pigmentos inorgânicos
da DCC apresentam de uma forma geral excelente resistência
química e a intempéries, além de alta
opacidade com excelente cobertura. Também apresentam
resistência a altas temperaturas com estabilidade térmica
em aplicações de cura em estufa ou durante
o processamento em plásticos. Já os pigmentos
orgânicos, apresentam variações quanto às
resistências (solidez à luz, química,
temperatura), alta transparência, baixa toxicidade
e precisam ser escolhidos de acordo com as exigências
técnicas da aplicação final da tinta
conforme o segmento de mercado a que se destina.
Varela
(Multicel) - Cada classe de pigmentos apresenta vantagens
que garantem certos nichos de mercado. As propriedades
entre inorgânicos e orgânicos em certos aspectos são
opostas, mas os avanços tecnológicos aproximam
ambos em certas características. Entretanto, os inorgânicos
apresentam propriedades intrínsecas que os orgânicos
não alcançam, como opacidade, não sangramento,
não migração e também apresentam
maior resistência à temperatura, aos produtos
químicos e às intempéries.
Oliveira
(Surcolor) - Sem citar o assunto toxidez, os pigmentos
orgânicos sempre tiveram maior poder tintorial a concentrações
bem abaixo dos inorgânicos.
Oliveira
(Aromat) - Em geral, os pigmentos inorgânicos
apresentam boas propriedades de resistência a intemperismo
e solidez à luz. Alguns pigmentos orgânicos
de média e alta performance, indicados como substitutos
para os inorgânicos em aplicações que
demandam tais características, são boas alternativas
quanto às questões técnicas, porém
o custo ainda limita a migração definitiva.
Tedesco
(Aurum Química) - Os pigmentos inorgânicos
conferem ao produto final maior cobertura e proteções
específicas como resistência térmica,
resistência à corrosão e em alguns casos,
melhor resistência ao intemperismo, sem contar a vantagem
de custos. Daí a dificuldade na substituição
de muitos dos pigmentos inorgânicos por outra classe
de produtos.
Pinheiro
(Bunge) - O Biphor caracteriza-se por apresentar um excelente
poder de cobertura, além de destacada
alvura, na maioria dos casos mais elevada que os principais óxidos
de titânio presentes no mercado. No caso dos pigmentos
brancos, ainda não existe um similar orgânico
que atenda de forma economicamente viável os requisitos
técnicos mínimos necessários.
Raicher
(Colornet) - Pigmentos inorgânicos são
produzidos a partir de matérias-primas minerais e
de metais como chumbo, cromo, cobalto, etc., o que lhes confere
uma alta resistência à temperatura, química
e ao intemperismo, em relação à maioria
dos orgânicos. Pigmentos orgânicos são
derivados da síntese orgânica de matéria-primas
derivadas da área carbopetroquímica. Os pigmentos
inorgânicos têm uma melhor dispersão,
mas têm muito menor poder tintorial que os pigmentos
orgânicos. Os inorgânicos são mais opacos
e tem maior poder de cobertura que os orgânicos, que
por sua vez são mais transparentes e mais brilhantes
e reproduzem cores mais vivas.
Heise
(Forscher) - Os principais diferenciais de performance
estão relacionados com poder de tingimento (muito
maior nos pigmentos orgânicos), resistência à temperatura
(muito maior nos pigmentos inorgânicos), brilho (maior
nos pigmentos inorgânicos), viscosidade dos concentrados
(maior com o uso de pigmentos orgânicos, devido à alta área
superficial e absorção de óleo) e custo
(maior para os pigmentos orgânicos, principalmente
os denominados de alta performance e naquelas aplicações
onde ambos podem ser utilizados).
Garcia
(Lanxess) - O pigmento inorgânico à base
de óxido de ferro é extensamente utilizado
em tintas aquosas ou base solvente por seu alto poder de
cobertura. É quimicamente estável, ecologicamente
adequado, possuindo a máxima resistência a intempéries,
o que faz com que ele possa ser usado em todos os tipos de
tintas, sendo limitado apenas por suas tonalidades quando
comparados aos pigmentos orgânicos onde sua gama de
cores é muito ampla.
Bartholi
(Mineiros Ouro Branco) - As principais diferenças
entre os pigmentos orgânicos e os inorgânicos
estão no poder de tingimento, cobertura, solidez à luz
e preço. Os pigmentos inorgânicos são
mais baratos, porém não possuem bom tingimento,
logo apresentam baixo rendimento em relação
aos orgânicos, mas possuem a vantagem de alto poder
de cobertura ou fechamento.
Saretti
(Transcor) - A principal característica dos
pigmentos inorgânicos é o alto poder de cobertura,
que associado ao maior poder tintorial dos pigmentos orgânicos,
proporciona grande versatilidade aos formuladores de tintas.
Ariane
(Ciba) - Pigmentos orgânicos são compostos
derivados da química do carbono, e que apresentam
na sua estrutura química grupamentos chamados cromóforos,
que são responsáveis por conferir cor ao pigmento.
Quanto maior e mais complexa a estrutura química destes
cromóforos melhores são as propriedades dos
pigmentos orgânicos. Os pigmentos classificados inorgânicos
são sais metálicos ou precipitados de soluções.
As principais diferenças entre eles são que
os pigmentos inorgânicos têm maior poder de cobertura,
opacidade, tamanho de superfície, menor área
superficial, volume aparente e poder de tingimento, diferentemente
dos pigmentos orgânicos, que apresentam menor poder
de cobertura, tamanho de superfície, maior volume
aparente, transparência, brilho e área superficial.
Estas diferenças são importantes para verificar
o desempenho, mas é necessária uma avaliação
para uma adequada formulação. Importante ressaltar
que, com os tratamentos de superfícies, as propriedades
de pigmentos orgânicos e inorgânicos podem ser
otimizadas. Portanto, diferenciais de desempenho devem ser
analisados conjuntamente com a necessidade da aplicação
em questão.
Paint & Pintura - Com relação a custos,
os pigmentos inorgânicos apresentam vantagens em relação
aos orgânicos?
Martendal
(Aldoro) - Classificando-se os pigmentos metálicos
como inorgânicos, não podemos dizer que exista
uma competição entre eles no aspecto custo,
pois um complementa o outro na produção dos
efeitos metálicos de cores variadas. Assim, não
podemos definir vantagens e desvantagens.
Leme
(Asta Química) - Nem sempre, se tratando
de inorgânicos convencionais como óxido de
ferro, cromato de chumbo, realmente os preços são
bem mais acessíveis que os orgânicos de solidez
semelhante (high perfornance), no entanto, se excluir os
pigmentos à base de metais pesados (cádmio,
chumbo, bário etc) e considerarmos algumas opções
de inorgânicos (ex.: vanadato de bismuto) que substitui
estes materiais teremos um custo bem mais elevado, chegando
até a equiparar com os preços dos pigmentos
orgânicos de alta solidez.
Qualiotto
(BASF) – Normalmente, os pigmentos inorgânicos
apresentam custos competitivos em relação aos
pigmentos orgânicos, embora existam exceções.
De forma geral, dependendo da aplicação final
e do tipo de tinta, pode-se determinar quais parâmetros
deverão ser considerados e, a partir daí, defini-se
os pigmentos a serem recomendados.
Mouallem
(Chemipol) - Apenas quando se comparam o efeito da cor
produzida, certos pigmentos inorgânicos, como
amarelos de cromo e laranjas molibdatos, azul da Prússia,
perdem mercado na medida que triplicaram seus preços,
enquanto os orgânicos reduzem seus preços pela
super oferta mundial. Quando se trata de performance como
os anti-corrosivos, estes não possuem orgânicos
concorrentes. Particularmente, os óxidos de ferro
ainda continuarão sendo muito baratos para uma aplicação
universal e, ainda, dos poucos que resistem às alcalinidades
extremas, como em aplicações de produtos cimentícios,
e uma solidez às intempéries excepcional. Porém,
estas conclusões podem ser totalmente alteradas quando
os materiais tingidos deixam de ser tintas, passando para
plásticos, borrachas, tintas de impressão,
produtos de higiene e limpeza, material de escrita e artísticos
etc.
Chalita
(Dynatech) - No passado, o grande problema era a diferença de custo. Porém, com os aumentos
absurdos dos metais, atualmente podemos dizer que os custos
de ambos, estão muito próximos, levando em
conta o custo benefício. Se falarmos em óxido
de ferro amarelo e vermelho, a diferença de custo é grande.
Já em termos de produtos à base de cromo, cádmio,
molibdênio, entre outros, os preços estão
muito próximos, pelos motivos acima citados.
Slongo
(Ipiranga Química) - Os pigmentos inorgânicos
apresentam características diferentes dos pigmentos
orgânicos, sendo aplicados em tintas onde determinadas
características não são conseguidas
quando se utiliza pigmento orgânico. O espectro de
cores dos pigmentos inorgânicos é limitado,
enquanto dos pigmentos orgânicos é mais amplos,
mas com grandes variações na resistência à intempéries
e química, solidez à luz, sangramento, poder
tintorial, cobertura, transparência etc . No entanto,
os pigmentos inorgânicos apresentam maior poder de
cobertura e alta opacidade com alta resistência química
e a intermpéries. Nestas condições,
os pigmentos inorgânicos apresentam preços mais
competitivos. Mesmo com a alta mundial do preço da
matéria-prima base (molibdato e o chumbo) para a produção
do pigmento inorgânico, ainda assim, o preço
do pigmento inorgânico é menor quando comparado
aos orgânicos. Em determinadas aplicações,
ainda não é possível substituir os pigmentos
inorgânicos pelos orgânicos em função
das diferenças técnicas. No entanto, quando
existe uma exigência para que não seja utilizado
um pigmento à base de chumbo ou molibdato na formulação,
além das dificuldades técnicas em se encontrar
um substituto, o alto custo do pigmento orgânico, neste
caso, normalmente inviabiliza o projeto. De uma forma geral,
ao se escolher um determinado tipo de pigmento para uma determinada
aplicação, temos que levar em conta os benefícios
e o desempenho do revestimento e o custo será uma
conseqüência para atender a estas exigências.
Varela
(Multicel) - A questão de custo é dependente
do momento. As flutuações dos preços
dos metais fazem com que, às vezes, os inorgânicos
percam um pouco a competitividade, mas em geral continuam
muito competitivos. Além disso, o balanço custo
e propriedades pende favoravelmente para os inorgânicos.
Oliveira
(Surcolor) - Hoje em dia, devemos refazer as contas quando
se compara pigmentos orgânicos com inorgânicos,
pois os metais usados nos pigmentos inorgânicos subiram
de preço no mercado mundial, aliado ao alto custo
de manuseio de material considerado tóxico. Com a
redução de preços de produtos importados,
principalmente da China e da Índia, aliado à valorização
do Real frente ao dólar, vemos que estamos num limite
muito próximo do preço técnico entre
orgânicos e inorgânicos
Oliveira
(Aromat) - Apesar dos constantes desenvolvimentos realizados
na linha de pigmentos orgânicos, os pigmentos
inorgânicos ainda apresentam como principal diferencial
o custo-benefício, através da excelente performance
associada ao baixo custo, se comparado aos orgânicos.
Tedesco
(Aurum Química) - Por apresentarem maior
poder de cobertura que os pigmentos orgânicos, os pigmentos
inorgânicos em muitas aplicações têm
custos normalmente mais baixos. Mas temos que ressaltar que,
devido ao aumento dos metais envolvidos na fabricação
dos mesmos e pela oferta de pigmentos orgânicos de
origem asiática (normalmente com preços um
pouco mais baixos), essa vantagem de custos já não é a
mesma de alguns anos atrás. Não estou falando
de óxidos de ferro, azul ultramar ou mesmo dióxido
de titânio. No caso do azul ultramar, por exemplo,
a Aurum Química disponibiliza para o mercado um produto
de excelente qualidade e preço muito competitivo.
Temos também em nossa linha, além dos cromatos
e molibdatos, azul da Prússia com uma textura bastante
macia e de fácil dispersão – ao contrário
dos produtos disponíveis até pouco tempo atrás –,
assim como óxidos de ferro vermelhos, amarelo e preto,
todos eles micronizados e com alta pureza de tonalidade,
antes somente encontrada em produtos de origem européia.
Acredito ser importante destacar que o menor custo não é o único
motivo para a utilização dos pigmentos inorgânicos,
mas o fato de que existem aplicações nas quais
eles são fundamentais e continuarão assim por
muitos anos ainda.
Pinheiro
(Bunge) - O Biphor apresenta importantes vantagens de custo aos formuladores, não somente na função
pigmento/opacificante, mas também agindo na substituição
de modificadores reológicos. De uma forma geral, os
pigmentos inorgânicos, agindo dentro do mesmo espectro
colorimétrico, possuem custos mais atrativos que os
orgânicos e, via de regra, com performance técnica
(resistência a intemperismo, bleaching etc.) mais robusta.
Raicher
(Colornet) - Pigmentos inorgânicos têm
geralmente um custo muito menor que os orgânicos, mas
em compensação não têm o mesmo
rendimento em termos de poder tintorial. A avaliação
de custo depende da aplicação final do pigmento
e quais propriedades se deseja da cor final. É interessante
notar que o fato de pigmentos orgânicos terem alto
poder tintorial pode ser um problema operacional, já que
um pequeno erro na adição do pigmento orgânico
na produção da tinta pode mudar completamenta
a cor ou sua tonalidade. O azul e o violeta ultramar, por
exemplo, são largamente utilizados também
na matização de branco (branco fica mais branco),
cinza ou preto. Como o volume adicionado de azul ultramar
precisa ser maior que um orgânico, fica mais fácil
controlar o processo de adição e mistura.
Heise
(Forscher) - É fato que os pigmentos inorgânicos
são mais baratos que os orgânicos. Entretanto,
não podemos falar que isso seja uma vantagem permanente,
pois dependerá da aplicação desejada.
Quando a aplicação final permite o uso de pigmentos
inorgânicos, eles serão imbatíveis em
custo. Quando a aplicação obriga o uso de orgânicos
- por serem transparentes, por exemplo - de nada adianta
um pigmento inorgânico ser barato, porque ele simplesmente
não poderá ser empregado.
Lothar
Schwarz (Lanxess) - Sim, os pigmentos inorgânicos à base
de óxido de ferro têm preços infinitamente
inferiores aos pigmentos inorgânicos, porém
o que precisa ser observado é a relação
custo/benefício para a aplicação/processo
desejado.
Bartholi
(Minérios Ouro Branco) - Os pigmentos inorgânicos
são mais baratos que os orgânicos, sendo os
principais motivos dessa diferença a complexidade
na fabricação dos orgânicos e a alta
oferta de pigmentos inorgânicos no mercado.
Saretti
(Transcor) - De modo geral, há grande vantagem
de custos quando se utilizam pigmentos inorgânicos,
apesar das recentes altas nos metais utilizados em sua manufatura.
Já os pigmentos orgânicos têm seus custos
diretamente atrelados às cotações do
petróleo.
Ariane
(Ciba) - O preço por quilo nunca deve ser
o único fator a ser levado em consideração,
mas também as avaliações citadas na
questão anterior, assim como um estudo com senso muito
crítico de custo/benefício. As vantagens são
relativas, principalmente quando levado em conta o aspecto
ambiental, onde os pigmentos inorgânicos à base
de vanadato de bismuto são uma excelente opção
para desempenho, cobertura, opacidade, brilho e poder de
tingimento, pois dos pigmentos inorgânicos, é a
linha que apresenta estas vantagens combinadas, além
de possibilitar a exploração de novos espaços
de cores, com tonalidades que variam do esverdeado ao avermelhado,
até então inatingíveis, principalmente,
na combinação com pigmentos orgânicos,
trazendo novas e atrativas possibilidades de coloração
em novos desenvolvimentos, para os especialistas em formulações.
Paint & Pintura - Como o aumento das importações
do mercado asiático tem impactado o setor no mercado
nacional?
Martendal
(Aldoro) - No nosso caso, falamos em pigmentos metálicos, produtos que estamos fabricando e não
podemos dizer que produtos deste tipo da Ásia têm
impactado nosso setor nacional. Podemos, sim, dizer que as
importações de pigmentos metálicos aumentaram
em geral e em grande parte causado pela variação
cambial.
Leme
(Asta Química) - O mercado de pigmentos tem
sofrido consideravelmente com a demanda do mercado asiático,
entretanto, para diminuir este impacto e garantir constância
de qualidade de seus produtos, a Asta Química, além
de trabalhar apenas com os fornecedores tradicionais de pigmentos
(Ciba, Clariant, Basf, Lanxess), faz inspeções
rigorosas através de seu Laboratório de Controle
de Qualidade, garantindo assim reprodutibilidade nas características
especificadas de seus produtos.
Qualiotto
(BASF) - As importações dos produtos
asiáticos prejudicam fortemente aqueles que produzem
localmente, já que os custos de produção
em função da apreciação da moeda
local levam a uma desvantagem competitiva relevante. Além
disso, a BASF, como produtor local de pigmentos e preparações
pigmentarias obedece rigorosamente à legislação
ambiental e atuação responsável, seguindo
parâmetros mundiais de segurança e meio ambiente.
Mouallem
(Chemipol) - Na verdade, as origens dos inorgânicos
importados pelo Brasil não são apenas asiáticas.
Vejamos as origens nos principais casos: titânio: Polônia,
Rússia, Ucrânia e China; óxidos de ferro:
China, Argentina, Colômbia e México; azul da
Prússia: China; Azul ultramar: Colômbia, Espanha
e China; óxido de cromo: México e China; cromato
e molibdatos de chumbo: México, Colômbia, Argentina,
Alemanha e China; e titanatos, vanadatos: Alemanha, Polônia
e Suíça. Note-se que parte destes pigmentos
já foi produzida no Brasil por fábricas que
fecharam, tais como Syntecrom e BASF, e que, portanto, as
importações são a única via,
ou de outro modo, ajudam o mercado a regular os preços
nos monopólios.
Chalita
(Dynatech) - No passado, atrapalhou e muito, pois atraídos pelos baixos custos, muitos trocaram produtos
nacionais e até importados da Europa e Estados Unidos,
porém se esqueceram da qualidade e, quem acabou pagando
por isso mais uma vez, foram as empresas nacionais e até nós
como consumidores. Porém, atualmente, esta situação
mudou e muito, pois além de os custos terem aumentado,
a qualidade melhorou e muito, pois algumas empresas que somente
importavam e revendiam ou repassavam estes produtos, mudaram
a forma de atuar, procurando se informar e conhecer melhor
os produtores asiáticos, deixando de serem apenas “agentes”,
para se tornarem empresas importadoras, tendo “parceiros
de qualidade”, que mantêm uma qualidade constante
e confiável, a ponto de colocarem suas marcas nestes
produtos e utilizarem também estes produtos como matérias-primas
para fabricar outros produtos para vários segmentos.
Uma prova disto é que grandes multinacionais têm
fábricas e parcerias com muitas empresas asiáticas.
A Dynatech é um exemplo do que citei acima, pois temos
comercializado produtos provenientes do mercado asiático,
entre outros, conhecendo bem seus fornecedores, controlando
a qualidade destes produtos e utilizando também como
matéria-prima para fabricação de outros
produtos.
Slongo
(Ipiranga Química) - O impacto é negativo,
pois os produtores chineses ainda não têm a
qualidade necessária para atender as exigências
do mercado nacional, que é equiparado à qualidade
das tintas produzidas na Europa e América do Norte.
Além disso, não estão sujeitos à produzir
pigmentos sobre uma severa legislação ambiental
e trabalhista. São pigmentos de grão duro exigindo
mais passadas nos moinhos, comprometendo a qualidade final
da tinta e ocasionando um maior desgaste para os elementos
de moagem nos moinhos, elevando os custos de manutenção
e custos de produção.
Varela
(Multicel) - No nosso caso, muito pouco. Como a Multicel
oferece produtos tailor made (sob medida) e um forte serviço
técnico, a concorrência externa se limita a
uns poucos produtos considerados commodities.
Oliveira
(Surcolor) - Importações de pigmentos
do mercado asiático serviram para equalizar preços
num mundo globalizado. Prova disto é que vemos produtores
locais que estão exportando materiais para a Ásia,
o que significa que o Brasil, mesmo com o Dólar desvalorizado,
ainda é competitivo.
Oliveira
(Aromat) - O mercado mundial sofreu uma invasão
de produtos asiáticos nos últimos anos, com
a conseqüente queda do nível de preços.
A oferta de novos fornecedores aumenta cada vez mais e, atualmente,
os fabricantes de tintas podem optar entre diversas alternativas.
Inicialmente, os produtos asiáticos eram classificados
como baratos, porém de baixa qualidade, mas ao longo
dos últimos anos, os fabricantes asiáticos
se estruturaram e aperfeiçoaram seus processos de
modo a melhorar a qualidade de seus produtos.
Tedesco
(Aurum Química) - As importações
de produtos asiáticos têm um impacto positivo,
devido à possibilidade de dar mais opções
aos usuários finais, livrando-os de alguns monopólios
até então existentes no Brasil, mas por outro
lado, causando também um impacto negativo pela existência
de alguns fabricantes que não possuem padrões
de qualidade compatíveis com nossas necessidades e
exigências de nossos clientes, mas que oferecem seus
produtos à qualquer preço, dando força
a uma falsa imagem que, apesar de tudo, ainda persiste
em alguns segmentos, de que os produtos asiáticos
são baratos e de baixa qualidade. Atualmente, temos
na Ásia fabricantes de pigmentos inorgânicos
de excelente qualidade e ainda um pouco mais competitivos,
mas já não se fala mais em uma diferença
muito grande de preços. O foco de empresas como a
Aurum Química - que importa e comercializa produtos
asiáticos - de modo geral é o de oferecer produtos
e serviços de ótima qualidade a preços
compatíveis com a performance que eles oferecem. Talvez
o maior impacto que esses produtos causaram sobre o mercado
brasileiro foi o de derrubar mitos de que não havia
tecnologia do outro lado do mundo e, hoje, sabemos que ela
existe, é boa e um pouco mais barata (ainda!).
Pinheiro
(Bunge) - No nosso caso específico, somos
os únicos produtores (ainda em escala piloto) do pigmento
branco fostato de sódio/alumínio (Biphor),
portanto não temos concorrentes asiáticos ou
de outras áreas.
Raicher
(Colornet) - A combinação do aumento
de importações do mercado asiático com
o Dólar baixo tem feito muitos empresários
brasileiros reverem seus negócios e a viabilidade
de continuar produzindo. Se continuar esta tendência
de importar ao invés de fabricar, a demanda nacional
por pigmentos orgânicos ou inorgânicos pode cair
ou pelo menos parar de crescer. A forte aceleração
das economias asiáticas tem elevado a níveis
inimagináveis os preços dos metais e o custo
da energia, elementos básicos na fabricação
dos inorgânicos. Este aumento está causando
um impacto severo no preço do pigmento inorgânico
nos últimos dois anos.
Heisi
(Forscher) - Qualquer importação sempre
impacta o mercado nacional, qualquer que seja o setor da
economia e, no caso dos pigmentos inorgânicos não
poderia ser diferente, provocando redução de
preços e inviabilizando algumas produções
locais. A qualidade dos pigmentos inorgânicos asiáticos,
entretanto, ainda não atingiu um nível que
permita seu uso de forma generalizada, ficando restrito seu
uso a algumas aplicações de menor exigência.
O que percebemos é que as empresas asiáticas
focaram o desenvolvimento dos pigmentos orgânicos de
maior valor agregado e estão fazendo a lição
de casa com muita aplicação.
Schwarz
(Lanxess) - Como líderes de mercado com a
marca Bayferrox, temos constatado a presença de pigmentos
provenientes do mercado asiático, porém em
uma escala ainda reduzida. De todas as maneiras, a Lanxess
analisa sempre com muito cuidado qualquer concorrente e convivemos
com esta realidade do mercado globalizado, entretanto, percebemos
que o segmento de tintas exige pigmentos à base de óxido
de ferro de alta performance e somente a linha Bayferrox
atende a estes requisitos.
Bartholi
(Minérios Ouro Branco) - Os produtos asiáticos
estão mexendo com todo o mercado, onde os fabricantes
nacionais estão sendo forçados a buscar novas
tecnologias com baixo custo para continuarem competitivos
no mercado, onde os produtos asiáticos estão
entrando com força total, tanto nos produtos de alta
como de baixa performance. Podemos dizer que o mercado nacional
está baseado no asiático, onde as altas e baixas
dos preços dos produtos importados regem os preços
praticados pelos produtores nacionais.
Saretti
(Transcor) – Inegavelmente, os asiáticos
são muito agressivos nas exportações
e, com a nossa moeda muito valorizada em relação
ao dólar norte-americano, tivemos que agregar serviços
aos nossos produtos para sermos competitivos junto aos nossos
clientes.
Ariane
(Ciba) - O mercado asiático realmente tem
impactado consideravelmente o setor, provocando uma reação
a esta forte concorrência, no sentido de revisão
de portfólio de produtos, nichos de atuação
e, também, valorização de serviços
técnicos, através de oferecimento de pacote
de soluções e não somente venda de produtos.
A União Européia e os Estados Unidos têm
aprimorado e detalhado consideravelmente legislações
e regulamentações, as quais estão sendo
seguidas por vários outros países. Voltada às
novas tecnologias, investimento constante nas áreas
de pesquisa e desenvolvimento e através do seu programa
de atuação responsável, a Ciba Especialidades
Químicas é comprometida com a excelência
na integração do gerenciamento do EHS nos seus
processos de negócios e nos planos estratégicos,
mantendo um alto nível de conscientização,
treinamento e profissionalismo, para o benefício de
todas as partes, principalmente para os nossos clientes.
Paint & Pintura - Quais as perspectivas para 2007 no
segmento de pigmentos inorgânicos?
Martendal
(Aldoro) - Continuamos a falar em pigmentos metálicos
e vimos um bom crescimento para este tipo de produto. Por
exemplo, na linha automotiva, nunca se vendeu tanto como
agora.
Leme
(Asta Química) - As perspectivas são
cada vez maiores para o aumento de pigmentos de alto desempenho
e é exatamente neste mercado que a Asta tem aumentado
sua participação no mercado de tintas. Seguindo
o mercado europeu, a tendência é o uso cada
vez maior de pigmentos que não agridam o ambiente.
Com isso, a acreditamos na redução do consumo
dos pigmentos à base de metais pesados.
Qualiotto
(BASF) - Existe uma tendência de crescimento
dos pigmentos inorgânicos lead free no segmento de
tintas e vernizes, principalmente na aplicação
de produtos voltados para o mercado exportador.
Mouallem
(Chemipol) – No aspecto econômico,
busca-se no segmento de tintas a competitividade extrema,
reduzindo custos com certos pigmentos inorgânicos.
Em tecnologia, mesmo tendo um baixo custo agregado, estes
produtos passam também a serem adquiridos na forma
de pastas ou concentrados pigmentários, na especialidade
em que se dedica a Chemipol ofertando-os em sistemas tintoriais
compatíveis com água, solvente ou universal.
Quanto à demanda, cremos que os inorgânicos
cresçam mais que os orgânicos.
Chalita
(Dynatech) - A curto prazo, como para 2007, ainda não devemos ter grandes alterações em
termos de consumo, mantendo-se mais ou menos a média
do ano passado, levando-se em consideração
as oscilações do mercado. Porém, a tendência é de
queda de uso destes produtos é uma realidade e, a
médio prazo, estes volumes devem cair sensivelmente.
Slongo
(Ipiranga Química) - As perspectivas de crescimento
são boas, pois o mercado está reagindo positivamente
com apelos de qualidade em diferentes segmentos. Participamos
de todos os segmentos de mercado e dispomos de um laboratório
de aplicações técnicas localizado em
nosso Centro de Distribuição em Guarulhos (SP),
para dar suporte técnico aos nossos clientes, além é claro,
do apoio da nossa representada DCC em atender as necessidades
no mercado brasileiro de tintas e masterbatches.
Varela
(Multicel) - Cremos que cada classe de pigmentos tem sua
fatia de mercado em função de suas
propriedades. O crescimento do consumo dos inorgânicos
será maior que o da economia como um todo. No caso
particular da Multicel, a grande ênfase que estamos
dando à linha Multitherm, de pigmentos complexos inorgânicos,
tem nos trazido bons resultados, com crescimentos expressivos
nos últimos três anos.
Oliveira
(Surcolor) - A tendência é de queda
no consumo, aliado a um aumento de preços, devido
a uma conjuntura mundial. A forte influência de grandes
empresas multinacionais, onde seu consumo é proibido
pela matriz, faz com que se reduza, naturalmente, o consumo
deste tipo de material. Caso a legislação brasileira
faça pressão quanto à utilização
dos mesmos em tintas, substratos alimentícios, construção
civil, dentre outras aplicações, como acontece
nos Estados Unidos e na Europa, este consumo terá tendência
a ser reduzido sensivelmente.
Oliveira
(Aromat) - Apesar da estabilidade econômica
e variação cambial favorável à importação,
ainda não observamos o crescimento esperado. Observou-se
um aquecimento da atividade industrial em certos segmentos,
como o automotivo, que bateu recordes de produção
e vendas neste início de ano, porém a indústria
como um todo ainda está abaixo das projeções
iniciais para o ano de 2007. Acreditamos que o segundo semestre,
tradicionalmente melhor que o primeiro, venha a favorecer
um aumento mais expressivo na indústria de tintas.
Tedesco
(Aurum Química) - O segmento de pigmentos,
de modo geral, teve um início de ano ligeiramente
reprimido, mas já estamos notando uma recuperação
dos níveis de negócios e acreditamos que fecharemos
o ano com um crescimento em relação ao ano
passado. Mas não me arrisco a falar em números
por enquanto.
Pinheiro
(Bunge) - A busca de uma melhor performance dos revestimentos,
aliada à necessidade de otimização
dos custos em um mercado altamente competitivo, constitui-se
num cenário bastante favorável para pigmentos
inorgânicos, principalmente aqueles que agregam tecnologias
de ponta, como a nanotecnologia por exemplo. Nestes casos,
o interesse e a tendência são claramente favoráveis
aos pigmentos de constituição inorgânica.
Raicher
(Colornet) - As perspectivas para 2007 apontam para a continuidade
do processo de substituição
para pigmentos atóxicos (principalmente pela pressão
ambiental e pelas nova lei Reach na Europa), o que está provocando,
por exemplo, uma demanda mundial crescente de azul ultramar.
Os preços mundiais de inorgânicos devem continuar
em alta, acompanhando o preço da bolsa de metais e
a desvalorização mundial do dólar. Mas
não a ponto de serem integralmente substituídos
por pigmentos orgânicos. A diferença de custo
na formulação ainda é muito alta, não
esquecendo que os preços dos orgânicos têm
aumentado significativamente também.
Heisi
(Forscher) - A perspectiva para 2007 é a contínua
e gradual substituição dos pigmentos contendo
metais pesados por alternativas tecnologicamente mais adequadas,
como por exemplo a linha TICO de pigmentos mistos, que possuem
características técnicas (brilho, cobertura
e poder de tingimento), semelhante aos pigmentos inorgânicos
da família dos cromatos, molibdatos e cádmios,
e a melhor relação de custo/benefício
do mercado.
Schwarz
(Lanxess) - As perspectivas são de muito
crescimento tanto no mercado interno quanto externo. Independentemente
da evolução do mercado interno, continuamos
investindo constantemente em nossa fábrica em Porto
Feliz, porque temos uma visão global deste negócio
e atuamos fortemente nas Américas, Europa e Ásia.
Bartholi
(Minérios Ouro Branco) - A Minérios
Ouro Branco está crescendo muito nesse segmento,
principalmente no fornecimento do pigmento dióxido
de titânio, no qual temos uma perspectiva de um crescimento
considerável para o segundo semestre de 2007, considerando
também os pigmentos perolados.
Saretti
(Transcor) - Nossas previsões são
de crescimento nas vendas internas por conta do bom desempenho
da construção civil e também para consolidação
de nossa participação no mercado externo, pois
a Transcor é um dos maiores produtores de pigmentos
inorgânicos da América do Sul.
Ariane
(Ciba) - A tendência cada vez maior de utilização
de produtos ecológicos e que seguem as exigências
de legislações internacionais, assim como busca
por tecnologia, já têm arrojados adeptos no Brasil.
Estes ‘pioneiros’ estão influenciando outros
que tendem a seguir o mesmo caminho. Com a implementação
do REACH (Registration, Evaluation and Authorization of Chemicals)
projeto do qual a Ciba vem participando e trabalhando desde
1998, por meio da Associação Industrial Européia
(European Industry Association – CEFIC) e em cooperação
com autoridades européias, são esperadas excelentes
oportunidade de negócios, onde inovações
e otimizações de produtos deverão ser
adequadas a estas novas exigências e, conseqüentemente,
o fortalecimento de parcerias de longo prazo, assim como estreitamento
de relações com clientes que também estiverem
envolvidos neste processo. |