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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 113 - Pigmentos inorgânicos
 
Vários ângulos de um mesmo setor
 

Para saber como anda o mercado de pigmentos inorgânicos, a revista Paint & Pintura buscou a opinião de 18 especialistas que operam neste segmento para questões que estão sendo amplamente discutidas e que geram pontos de vista diferentes e até conflitantes. Os executivos foram indagados sobre avanços, comparações de performance e custos, importações e perspectivas de mercado. Participaram da enquête:

 
Marcos Mila
 

Confira as opiniões:

Paint & Pintura - Quais os principais avanços alcançados no segmento de pigmentos inorgânicos?

Staffan Martendal (Aldoro) - No que diz respeito aos pigmentos metálicos, podemos destacar a otimização de performance dos pigmentos com distribuição de partículas mais uniforme, incrementando efeitos metálicos e facilitando suas aplicações finais. Outro avanço significativo refere-se a produtos específicos para aplicações críticas para pigmentos metálicos, amenizando ou contornando estas dificuldades que restringiam o uso dos mesmos.

Mateus de Oliveira Leme (Asta Química) - Em busca de substituir os pigmentos à base de metais pesados, alguns produtores apresentam opções isentas destes metais. O impasse, no entanto, está em absorver os custos destes novos materiais. Uma opção que vem gradativamente aumentando o consumo são os inorgânicos de alto desempenho, como, por exemplo, os amarelos vanadato de bismuto, que são pigmentos com boa cobertura e tons limpos.

José Marcos Qualiotto (BASF) - A BASF é um dos maiores produtores mundiais de pigmentos inorgânicos. Nossos principais avanços nesta área são as novas versões de vanadatos de bismuto (marca Sicopal) com evoluções significativas em resistências a álcalis e resistências à temperatura. Adicionalmente, com a aquisição da Engelhard, estamos complementando o nosso portfólio de pigmentos à base de titanatos (marca Sicotan). Uma inovação muito importante e que já apresenta resultados expressivos no mercado de pigmentos são os pigmentos de co-finish (marca Paliotan), que aliam as propriedades dos pigmentos de alta perfomance inorgânicos e orgânicos num só produto, tornando as alternativas lead free mais atrativas.

Mohamed Nabil Mouallem (Chemipol) - Em termos de novos produtos, há pouco que se destacar, como titanatos e vanadatos. No tocante à preocupação ambiental, houve um progresso em se obter produtos e processos menos tóxicos e mais limpos. No que se refere ao uso em tintas imobiliárias, a Chemipol tem orientado seus clientes que certas deficiências à luz de pigmentos orgânicos devem ser compensadas com o uso de inorgânicos, visto que nosso clima tropical demonstra uma escolha inadequada de pigmentos padronizados no Brasil.

Jonas Chalita (Dynatech) - Com as já conhecidas restrições a pigmentos à base de metais pesados, geralmente inorgânicos, além da substituição gradativa e crescente destes por pigmentos orgânicos, outras alternativas também estão sendo utilizadas para atender a estas necessidades e, com pigmentos inorgânicos, como os titanatos e vanadatos, dependendo das cores/tonalidades, com utilização até de óxido de ferro amarelo e vermelho.

Antonio Carlos Slongo (Ipiranga Química) - A Dominion Color Corporation - DCC, é um dos maiores produtores mundiais de pigmentos com certificação ISO 14001 e ISO 9001. Sua tecnologia apresenta na linha Stir-In facilidade de dispersão direta do pigmento utilizando um dispersor Cowles em vez de um moinho para atingir a fineza final; na série 5000, pigmentos inorgânicos com baixa solubilidade de chumbo e alta resistência a SO2; na linha Krolor pigmentos encapsulados em sílica, cujas características são estabilidade térmica de 300°C, resistência a ácidos, baixa solubilidade de chumbo e fácil dispersão. Além disso, permite baixa emanação de pó, que emite menos material particulado para atmosfera durante o manuseio do pigmento, reduzindo contaminação ao meio ambiente e exposição do operador. Esta tecnologia está disponível em todos os pigmentos inorgânicos da DCC.

Eusébio Varela (Multicel Pigmentos) - Novos grades desenvolvidos conforme a necessidade específica de cada cliente. A linha Multitherm de pigmentos complexos inorgânicos da Multicel apresenta grades com cores mais limpas e maior poder tintorial.

Elcio Oliveira (Surcolor) - A baixa concentração de metais livres como no caso dos pigmentos derivados de cádmio e a presença de pigmentos inorgânicos atóxicos derivados de bismuto dentre outros.

Hamilton Oliveira (Aromat) - O mercado de inorgânicos demonstrou certa estagnação em termos de avanços tecnológicos. Nos últimos anos, os esforços foram concentrados principalmente no desenvolvimento de pigmentos orgânicos, devido a questões ambientais relacionadas à utilização de pigmentos inorgânicos à base de metais pesados.

Eduardo Tedesco (Aurum Química) - A gama de pigmentos inorgânicos é bastante ampla e com muitas aplicações, daí a dificuldade em enquadrá-los em uma única categoria. A questão central sobre esse tema é sempre o aspecto ecológico do uso de pigmentos inorgânicos à base metais pesados (cádmio e chumbo, principalmente) e é este o aspecto recorrente quando tratamos dos pigmentos inorgânicos e, sobre isso, os principais avanços referem-se aos cuidados no controle desses metais livres na composição dos pigmentos. As empresas produtoras já atendem a todas as normas internacionais que regulam o teor de metais livres, tornando sua aplicação segura. Quanto às outras classes de pigmentos inorgânicos, os avanços referem-se à melhor dispersão dos produtos, assim como a co-precipitação dos mesmos juntamente com pigmentos orgânicos para conferir-lhes características ainda melhores quanto ao poder de tingimento e outras características físico-químicas.

Gilmar Pinheiro (Bunge) - Um dos principais avanços tecnológicos em pigmentos inorgânicos ocorridos nos últimos anos foi o desenvolvimento do pigmento branco fosfato de sódio/alumínio amorfo com nanopartículas ocas (nome comercial Biphor), desenvolvido pela equipe do professor Fernando Galembeck, do Instituto de Química da Unicamp, em conjunto com a Bunge Fertilizantes.

Marcos Raicher (Colornet) - A principal tendência dos pigmentos inorgânicos é a migração para pigmentos atóxicos e dentro dos limites aceitos internacionalmente de metais pesados. Somos distribuidores exclusivos para o mercado brasileiro dos pigmentos azul e violeta ultramar da Holliday Inglaterra, largamente utilizados na área de plásticos e tinta em pó. Por serem produzidos a partir de elementos naturais, são 100% atóxicos, inclusive com aprovação FDA. A Colornet também trabalha com uma linha de pigmentos inorgânicos complexos de alta resistência química, intemperismo e temperatura, da Shepherd EUA. São titanatos amarelos e castanhos, azul e verde de cobalto, violeta de manganês e preto para tintas de alta temperatura. Além de todas estas propriedades, são considerados atóxicos, podendo inclusive estar em contato com alimentos e alguns têm grau cosmético. Com nossa nova parceria com a Sun Chemical Performance Pigments, a Colornet tem agora uma linha completa de pigmentos de cádmio assim como pigmentos inorgânicos na forma pré-dispersa ou líquida. Por exemplo, óxido de ferro transparente, um pigmento duro, de difícil dispersão, pode ser agora oferecido na forma de Predisol, um pó pré-disperso em resina CAB, nitro ou universal, o que elimina o processo penoso de moagem.

Harry Heise (Forscher) - Os principais avanços estão ligados ao desenvolvimento de novos pigmentos inorgânicos de baixa toxidez - como os vanadatos de bismuto ou de pigmentos inorgânicos combinados com pigmentos orgânicos atóxicos – como os titanatos mais orgânicos de alta performance, destinados principalmente para a substituição dos produtos contendo metais pesados, como chumbo e cádmio.

Marcelo Garcia (Lanxess) - O principal avanço no segmento de pigmentos inorgânicos à base de óxido de ferro da Lanxess é a linha Bayferrox LOM – pigmentos micronizados com baixa absorção de óleo, que favorece a baixa viscosidade em sistemas altamente pigmentados. O produto tem um leque de tonalidades que vai desde o amarelo-avermelhado até o amarelo claro, este último sendo muito solicitado no segmento de tintas.

José Carlos Bartholi (Minérios Ouro Branco) - Nos últimos tempos, os pigmentos inorgânicos estão sendo setorizados às aplicações especiais, onde características como a solidez à luz, resistência a altas temperaturas e poder de cobertura são indispensáveis. Sua principal causa para essa setorização é a presença de metais pesados na maioria desses pigmentos. Os maiores avanços estão sendo realizados no desenvolvimento de pigmentos inorgânicos que não agridam o ambiente e nem a saúde do ser humano, como é o caso dos pigmentos perolados Ouropearl, que apresentam alta resistência à temperatura, solidez à luz e não apresentam metais pesados em sua composição. Existem ainda grandes avanços quanto ao revestimento desses pigmentos com aditivos capazes de melhorar a dispersão, a solidez à luz e o brilho, como ocorre nos pigmentos asiáticos, que estão disputando lado a lado seu espaço no mercado.

Antonio Carlos Saretti (Transcor) - Os pigmentos inorgânicos são classes químicas de colorantes que há mais tempo vêm sendo utilizados pelas indústrias de tintas, por conseguinte foram os que mais pesquisas e avanços sofreram ao longo dos anos. A Transcor, continuando este processo, disponibiliza diversos pigmentos inorgânicos também na forma de dispersões.

Ariane Ventura (Ciba) - Os principais avanços são os de produzir pigmentos ecologicamente corretos e que apresentem propriedades de solidez e resistência diferenciais, aspectos visuais mais atrativos e custo/benefício. A Ciba Especialidades Químicas, líder no desenvolvimento de cores oferece, por meio do segmento Coating Effects, efeitos, proteção e cores de alto valor para os produtos de seus clientes graças a uma gama completa de pigmentos de alta tecnologia, e busca continuamente desenvolver novos produtos, que vão ao encontro das atuais necessidades dos seus clientes. Respondendo as recentes inovações tecnológicas no campo de pigmentos inorgânicos, a Ciba é capaz de oferecer parceria na transição dos tipos de produtos à base de metais críticos para pigmentos inorgânicos adequadamente ecológicos que apresentam qualidade consistente e inovação constante. As exigências em relação às restrições de uso de produtos contendo metais pesados têm levado muitos produtores de tintas a buscar alternativas de pigmentos isentos deste tipo de substância, assim como boa relação custo/benefício. Como alternativa para os amarelos de cromo, por exemplo, oferecemos pigmentos inorgânicos à base de vanadato de bismuto (pigmento amarelo 184), Ciba amarelo Irgacolor 3GLM, amarelo Irgacolor 14247, amarelo Irgazin 2094, amarelo Irgacolor 3RLM e amarelo Irgacolor 5RLM, amarelos altamente brilhantes quando comparado aos pigmentos inorgânicos tradicionais que apresentam também características técnicas importantes como alta saturação, durabilidade, opacidade, resistência térmica, ao sangramento, às intempéries além de solidez à luz.

Paint & Pintura - Quais os diferenciais de performance entre pigmentos orgânicos e inorgânicos?

Martendal (Aldoro) - Quando aplicados em conjunto com pigmentos metálicos, os pigmentos orgânicos apresentam boa performance devido a sua alta transparência, possibilitando a exploração dos efeitos metálicos em várias cores e tonalidades. Já os pigmentos inorgânicos, não são recomendáveis em aplicação conjunta com pigmentos metálicos, pois devido a sua alta opacidade interferem negativamente nos efeitos metálicos finais das tintas.

Leme (Asta Química) - De uma forma geral, os pigmentos inorgânicos apresentam mais opacidade do que os pigmentos orgânicos. Desta forma, são bastante utilizados quando se necessita de cobertura na tinta, porém seu poder tintorial é bem inferior. Os orgânicos convencionais não apresentam boa solidez (lacas de cálcio, azóicos). No entanto, a Asta Química tem focado seus desenvolvimentos em pigmentos de alta performance, como os pigmentos PR:254, PR:264, PY:180, PY:151, PO:36, entre outros, que são ótimas opções quando se necessita alta solidez na tinta final.

Qualiotto (BASF) - Os pigmentos inorgânicos se destacam pela sua opacidade (poder de cobertura), fácil dispersibilidade e elevadas resistências, muito embora já existam opções de alta performance em pigmentos orgânicos em alguns destes quesitos.

Mouallem (Chemipol) - Dois deles são praticamente insubstituíveis: dióxido de titânio e negro de fumo. Como afirma nosso coordenador técnico: ‘Não existem pigmentos bons ou ruins, o que os difere é uso adequado ou não’. Assim, os pigmentos inorgânicos mais representativos, além dos citados, são cromatos e molibdatos de chumbo, óxidos de ferro opacos (amarelo, vermelho, marrom, preto) e transparentes (amarelo e vermelho), óxido de cromo, ferrocianeto férrico (azul da Prússia), azul de ultramar, anticorrosivos (cromato e fosfato de zinco, zarcão), pérolas, metálicos, titanatos, vanadatos, cádmio etc. guardam características intrínsecas que os tornam únicos. Podem até se confrontar com os orgânicos. Há diferenciais que levam às escolhas, como opacidade/transparência; cobertura/tingimento; resistência ácida/álcali; absorcão/estabilidade, dentre outros, como brilho, dureza, abrasividade, resistência ao intemperismo, toxicidade etc.

Chalita (Dynatech) - Em termos de performance é um pouco relativo diferenciá-los, pois depende muito do tipo de aplicação, ou seja, resistências em geral, cobertura, transparência, facilidade de dispersão e o que, na minha opinião, é o mais problemático, é quando temos problemas de metameria, pois embora como regra geral, os orgânicos têm poder tintorial maior, dependendo da cor/tonalidade, fica difícil ajustar as mesmas, quando substituímos um pelo outro. Muito embora, com a qualidade e experiência técnica dos coloristas, aliado à ajuda da tecnologia, através da colorimetria computadorizada, fica um pouco menos trabalhoso fazer esta substituição.

Slongo (Ipiranga Química) - Os pigmentos inorgânicos da DCC apresentam de uma forma geral excelente resistência química e a intempéries, além de alta opacidade com excelente cobertura. Também apresentam resistência a altas temperaturas com estabilidade térmica em aplicações de cura em estufa ou durante o processamento em plásticos. Já os pigmentos orgânicos, apresentam variações quanto às resistências (solidez à luz, química, temperatura), alta transparência, baixa toxicidade e precisam ser escolhidos de acordo com as exigências técnicas da aplicação final da tinta conforme o segmento de mercado a que se destina.

Varela (Multicel) - Cada classe de pigmentos apresenta vantagens que garantem certos nichos de mercado. As propriedades entre inorgânicos e orgânicos em certos aspectos são opostas, mas os avanços tecnológicos aproximam ambos em certas características. Entretanto, os inorgânicos apresentam propriedades intrínsecas que os orgânicos não alcançam, como opacidade, não sangramento, não migração e também apresentam maior resistência à temperatura, aos produtos químicos e às intempéries.

Oliveira (Surcolor) - Sem citar o assunto toxidez, os pigmentos orgânicos sempre tiveram maior poder tintorial a concentrações bem abaixo dos inorgânicos.

Oliveira (Aromat) - Em geral, os pigmentos inorgânicos apresentam boas propriedades de resistência a intemperismo e solidez à luz. Alguns pigmentos orgânicos de média e alta performance, indicados como substitutos para os inorgânicos em aplicações que demandam tais características, são boas alternativas quanto às questões técnicas, porém o custo ainda limita a migração definitiva.

Tedesco (Aurum Química) - Os pigmentos inorgânicos conferem ao produto final maior cobertura e proteções específicas como resistência térmica, resistência à corrosão e em alguns casos, melhor resistência ao intemperismo, sem contar a vantagem de custos. Daí a dificuldade na substituição de muitos dos pigmentos inorgânicos por outra classe de produtos.

Pinheiro (Bunge) - O Biphor caracteriza-se por apresentar um excelente poder de cobertura, além de destacada alvura, na maioria dos casos mais elevada que os principais óxidos de titânio presentes no mercado. No caso dos pigmentos brancos, ainda não existe um similar orgânico que atenda de forma economicamente viável os requisitos técnicos mínimos necessários.

Raicher (Colornet) - Pigmentos inorgânicos são produzidos a partir de matérias-primas minerais e de metais como chumbo, cromo, cobalto, etc., o que lhes confere uma alta resistência à temperatura, química e ao intemperismo, em relação à maioria dos orgânicos. Pigmentos orgânicos são derivados da síntese orgânica de matéria-primas derivadas da área carbopetroquímica. Os pigmentos inorgânicos têm uma melhor dispersão, mas têm muito menor poder tintorial que os pigmentos orgânicos. Os inorgânicos são mais opacos e tem maior poder de cobertura que os orgânicos, que por sua vez são mais transparentes e mais brilhantes e reproduzem cores mais vivas.

Heise (Forscher) - Os principais diferenciais de performance estão relacionados com poder de tingimento (muito maior nos pigmentos orgânicos), resistência à temperatura (muito maior nos pigmentos inorgânicos), brilho (maior nos pigmentos inorgânicos), viscosidade dos concentrados (maior com o uso de pigmentos orgânicos, devido à alta área superficial e absorção de óleo) e custo (maior para os pigmentos orgânicos, principalmente os denominados de alta performance e naquelas aplicações onde ambos podem ser utilizados).

Garcia (Lanxess) - O pigmento inorgânico à base de óxido de ferro é extensamente utilizado em tintas aquosas ou base solvente por seu alto poder de cobertura. É quimicamente estável, ecologicamente adequado, possuindo a máxima resistência a intempéries, o que faz com que ele possa ser usado em todos os tipos de tintas, sendo limitado apenas por suas tonalidades quando comparados aos pigmentos orgânicos onde sua gama de cores é muito ampla.

Bartholi (Mineiros Ouro Branco) - As principais diferenças entre os pigmentos orgânicos e os inorgânicos estão no poder de tingimento, cobertura, solidez à luz e preço. Os pigmentos inorgânicos são mais baratos, porém não possuem bom tingimento, logo apresentam baixo rendimento em relação aos orgânicos, mas possuem a vantagem de alto poder de cobertura ou fechamento.

Saretti (Transcor) - A principal característica dos pigmentos inorgânicos é o alto poder de cobertura, que associado ao maior poder tintorial dos pigmentos orgânicos, proporciona grande versatilidade aos formuladores de tintas.

Ariane (Ciba) - Pigmentos orgânicos são compostos derivados da química do carbono, e que apresentam na sua estrutura química grupamentos chamados cromóforos, que são responsáveis por conferir cor ao pigmento. Quanto maior e mais complexa a estrutura química destes cromóforos melhores são as propriedades dos pigmentos orgânicos. Os pigmentos classificados inorgânicos são sais metálicos ou precipitados de soluções. As principais diferenças entre eles são que os pigmentos inorgânicos têm maior poder de cobertura, opacidade, tamanho de superfície, menor área superficial, volume aparente e poder de tingimento, diferentemente dos pigmentos orgânicos, que apresentam menor poder de cobertura, tamanho de superfície, maior volume aparente, transparência, brilho e área superficial. Estas diferenças são importantes para verificar o desempenho, mas é necessária uma avaliação para uma adequada formulação. Importante ressaltar que, com os tratamentos de superfícies, as propriedades de pigmentos orgânicos e inorgânicos podem ser otimizadas. Portanto, diferenciais de desempenho devem ser analisados conjuntamente com a necessidade da aplicação em questão.

Paint & Pintura - Com relação a custos, os pigmentos inorgânicos apresentam vantagens em relação aos orgânicos?

Martendal (Aldoro) - Classificando-se os pigmentos metálicos como inorgânicos, não podemos dizer que exista uma competição entre eles no aspecto custo, pois um complementa o outro na produção dos efeitos metálicos de cores variadas. Assim, não podemos definir vantagens e desvantagens.

Leme (Asta Química) - Nem sempre, se tratando de inorgânicos convencionais como óxido de ferro, cromato de chumbo, realmente os preços são bem mais acessíveis que os orgânicos de solidez semelhante (high perfornance), no entanto, se excluir os pigmentos à base de metais pesados (cádmio, chumbo, bário etc) e considerarmos algumas opções de inorgânicos (ex.: vanadato de bismuto) que substitui estes materiais teremos um custo bem mais elevado, chegando até a equiparar com os preços dos pigmentos orgânicos de alta solidez.

Qualiotto (BASF) – Normalmente, os pigmentos inorgânicos apresentam custos competitivos em relação aos pigmentos orgânicos, embora existam exceções. De forma geral, dependendo da aplicação final e do tipo de tinta, pode-se determinar quais parâmetros deverão ser considerados e, a partir daí, defini-se os pigmentos a serem recomendados.

Mouallem (Chemipol) - Apenas quando se comparam o efeito da cor produzida, certos pigmentos inorgânicos, como amarelos de cromo e laranjas molibdatos, azul da Prússia, perdem mercado na medida que triplicaram seus preços, enquanto os orgânicos reduzem seus preços pela super oferta mundial. Quando se trata de performance como os anti-corrosivos, estes não possuem orgânicos concorrentes. Particularmente, os óxidos de ferro ainda continuarão sendo muito baratos para uma aplicação universal e, ainda, dos poucos que resistem às alcalinidades extremas, como em aplicações de produtos cimentícios, e uma solidez às intempéries excepcional. Porém, estas conclusões podem ser totalmente alteradas quando os materiais tingidos deixam de ser tintas, passando para plásticos, borrachas, tintas de impressão, produtos de higiene e limpeza, material de escrita e artísticos etc.

Chalita (Dynatech) - No passado, o grande problema era a diferença de custo. Porém, com os aumentos absurdos dos metais, atualmente podemos dizer que os custos de ambos, estão muito próximos, levando em conta o custo benefício. Se falarmos em óxido de ferro amarelo e vermelho, a diferença de custo é grande. Já em termos de produtos à base de cromo, cádmio, molibdênio, entre outros, os preços estão muito próximos, pelos motivos acima citados.

Slongo (Ipiranga Química) - Os pigmentos inorgânicos apresentam características diferentes dos pigmentos orgânicos, sendo aplicados em tintas onde determinadas características não são conseguidas quando se utiliza pigmento orgânico. O espectro de cores dos pigmentos inorgânicos é limitado, enquanto dos pigmentos orgânicos é mais amplos, mas com grandes variações na resistência à intempéries e química, solidez à luz, sangramento, poder tintorial, cobertura, transparência etc . No entanto, os pigmentos inorgânicos apresentam maior poder de cobertura e alta opacidade com alta resistência química e a intermpéries. Nestas condições, os pigmentos inorgânicos apresentam preços mais competitivos. Mesmo com a alta mundial do preço da matéria-prima base (molibdato e o chumbo) para a produção do pigmento inorgânico, ainda assim, o preço do pigmento inorgânico é menor quando comparado aos orgânicos. Em determinadas aplicações, ainda não é possível substituir os pigmentos inorgânicos pelos orgânicos em função das diferenças técnicas. No entanto, quando existe uma exigência para que não seja utilizado um pigmento à base de chumbo ou molibdato na formulação, além das dificuldades técnicas em se encontrar um substituto, o alto custo do pigmento orgânico, neste caso, normalmente inviabiliza o projeto. De uma forma geral, ao se escolher um determinado tipo de pigmento para uma determinada aplicação, temos que levar em conta os benefícios e o desempenho do revestimento e o custo será uma conseqüência para atender a estas exigências.

Varela (Multicel) - A questão de custo é dependente do momento. As flutuações dos preços dos metais fazem com que, às vezes, os inorgânicos percam um pouco a competitividade, mas em geral continuam muito competitivos. Além disso, o balanço custo e propriedades pende favoravelmente para os inorgânicos.

Oliveira (Surcolor) - Hoje em dia, devemos refazer as contas quando se compara pigmentos orgânicos com inorgânicos, pois os metais usados nos pigmentos inorgânicos subiram de preço no mercado mundial, aliado ao alto custo de manuseio de material considerado tóxico. Com a redução de preços de produtos importados, principalmente da China e da Índia, aliado à valorização do Real frente ao dólar, vemos que estamos num limite muito próximo do preço técnico entre orgânicos e inorgânicos

Oliveira (Aromat) - Apesar dos constantes desenvolvimentos realizados na linha de pigmentos orgânicos, os pigmentos inorgânicos ainda apresentam como principal diferencial o custo-benefício, através da excelente performance associada ao baixo custo, se comparado aos orgânicos.

Tedesco (Aurum Química) - Por apresentarem maior poder de cobertura que os pigmentos orgânicos, os pigmentos inorgânicos em muitas aplicações têm custos normalmente mais baixos. Mas temos que ressaltar que, devido ao aumento dos metais envolvidos na fabricação dos mesmos e pela oferta de pigmentos orgânicos de origem asiática (normalmente com preços um pouco mais baixos), essa vantagem de custos já não é a mesma de alguns anos atrás. Não estou falando de óxidos de ferro, azul ultramar ou mesmo dióxido de titânio. No caso do azul ultramar, por exemplo, a Aurum Química disponibiliza para o mercado um produto de excelente qualidade e preço muito competitivo. Temos também em nossa linha, além dos cromatos e molibdatos, azul da Prússia com uma textura bastante macia e de fácil dispersão – ao contrário dos produtos disponíveis até pouco tempo atrás –, assim como óxidos de ferro vermelhos, amarelo e preto, todos eles micronizados e com alta pureza de tonalidade, antes somente encontrada em produtos de origem européia. Acredito ser importante destacar que o menor custo não é o único motivo para a utilização dos pigmentos inorgânicos, mas o fato de que existem aplicações nas quais eles são fundamentais e continuarão assim por muitos anos ainda.

Pinheiro (Bunge) - O Biphor apresenta importantes vantagens de custo  aos formuladores, não somente na função pigmento/opacificante, mas também agindo na substituição de modificadores reológicos. De uma forma geral, os pigmentos inorgânicos, agindo dentro do mesmo espectro colorimétrico, possuem custos mais atrativos que os orgânicos e, via de regra, com performance técnica (resistência a intemperismo, bleaching etc.) mais robusta.

Raicher (Colornet) - Pigmentos inorgânicos têm geralmente um custo muito menor que os orgânicos, mas em compensação não têm o mesmo rendimento em termos de poder tintorial. A avaliação de custo depende da aplicação final do pigmento e quais propriedades se deseja da cor final. É interessante notar que o fato de pigmentos orgânicos terem alto poder tintorial pode ser um problema operacional, já que um pequeno erro na adição do pigmento orgânico na produção da tinta pode mudar completamenta a cor ou sua tonalidade. O azul e o violeta ultramar, por exemplo, são largamente utilizados  também na matização de branco (branco fica mais branco), cinza ou preto. Como o volume adicionado de azul ultramar precisa ser maior que um orgânico, fica mais fácil controlar o processo de adição e mistura.

Heise (Forscher) - É fato que os pigmentos inorgânicos são mais baratos que os orgânicos. Entretanto, não podemos falar que isso seja uma vantagem permanente, pois dependerá da aplicação desejada. Quando a aplicação final permite o uso de pigmentos inorgânicos, eles serão imbatíveis em custo. Quando a aplicação obriga o uso de orgânicos - por serem transparentes, por exemplo - de nada adianta um pigmento inorgânico ser barato, porque ele simplesmente não poderá ser empregado.

Lothar Schwarz (Lanxess) - Sim, os pigmentos inorgânicos à base de óxido de ferro têm preços infinitamente inferiores aos pigmentos inorgânicos, porém o que precisa ser observado é a relação custo/benefício para a aplicação/processo desejado.

Bartholi (Minérios Ouro Branco) - Os pigmentos inorgânicos são mais baratos que os orgânicos, sendo os principais motivos dessa diferença a complexidade na fabricação dos orgânicos e a alta oferta de pigmentos inorgânicos no mercado.

Saretti (Transcor) - De modo geral, há grande vantagem de custos quando se utilizam pigmentos inorgânicos, apesar das recentes altas nos metais utilizados em sua manufatura. Já os pigmentos orgânicos têm seus custos diretamente atrelados às cotações do petróleo.

Ariane (Ciba) - O preço por quilo nunca deve ser o único fator a ser levado em consideração, mas também as avaliações citadas na questão anterior, assim como um estudo com senso muito crítico de custo/benefício. As vantagens são relativas, principalmente quando levado em conta o aspecto ambiental, onde os pigmentos inorgânicos à base de vanadato de bismuto são uma excelente opção para desempenho, cobertura, opacidade, brilho e poder de tingimento, pois dos pigmentos inorgânicos, é a linha que apresenta estas vantagens combinadas, além de possibilitar a exploração de novos espaços de cores, com tonalidades que variam do esverdeado ao avermelhado, até então inatingíveis, principalmente, na combinação com pigmentos orgânicos, trazendo novas e atrativas possibilidades de coloração em novos desenvolvimentos, para os especialistas em formulações.

Paint & Pintura - Como o aumento das importações do mercado asiático tem impactado o setor no mercado nacional?

Martendal (Aldoro) - No nosso caso, falamos em pigmentos metálicos, produtos que estamos fabricando e não podemos dizer que produtos deste tipo da Ásia têm impactado nosso setor nacional. Podemos, sim, dizer que as importações de pigmentos metálicos aumentaram em geral e em grande parte causado pela variação cambial.

Leme (Asta Química) - O mercado de pigmentos tem sofrido consideravelmente com a demanda do mercado asiático, entretanto, para diminuir este impacto e garantir constância de qualidade de seus produtos, a Asta Química, além de trabalhar apenas com os fornecedores tradicionais de pigmentos (Ciba, Clariant, Basf, Lanxess), faz inspeções rigorosas através de seu Laboratório de Controle de Qualidade, garantindo assim reprodutibilidade nas características especificadas de seus produtos.

Qualiotto (BASF) - As importações dos produtos asiáticos prejudicam fortemente aqueles que produzem localmente, já que os custos de produção em função da apreciação da moeda local levam a uma desvantagem competitiva relevante. Além disso, a BASF, como produtor local de pigmentos e preparações pigmentarias obedece rigorosamente à legislação ambiental e atuação responsável, seguindo parâmetros mundiais de segurança e meio ambiente.

Mouallem (Chemipol) - Na verdade, as origens dos inorgânicos importados pelo Brasil não são apenas asiáticas. Vejamos as origens nos principais casos: titânio: Polônia, Rússia, Ucrânia e China; óxidos de ferro: China, Argentina, Colômbia e México; azul da Prússia: China; Azul ultramar: Colômbia, Espanha e China; óxido de cromo: México e China; cromato e molibdatos de chumbo: México, Colômbia, Argentina, Alemanha e China; e titanatos, vanadatos: Alemanha, Polônia e Suíça. Note-se que parte destes pigmentos já foi produzida no Brasil por fábricas que fecharam, tais como Syntecrom e BASF, e que, portanto, as importações são a única via, ou de outro modo, ajudam o mercado a regular os preços nos monopólios.

Chalita (Dynatech) - No passado, atrapalhou e muito, pois atraídos pelos baixos custos, muitos trocaram produtos nacionais e até importados da Europa e Estados Unidos, porém se esqueceram da qualidade e, quem acabou pagando por isso mais uma vez, foram as empresas nacionais e até nós como consumidores. Porém, atualmente, esta situação mudou e muito, pois além de os custos terem aumentado, a qualidade melhorou e muito, pois algumas empresas que somente importavam e revendiam ou repassavam estes produtos, mudaram a forma de atuar, procurando se informar e conhecer melhor os produtores asiáticos, deixando de serem apenas “agentes”, para se tornarem empresas importadoras, tendo “parceiros de qualidade”, que mantêm uma qualidade constante e confiável, a ponto de colocarem suas marcas nestes produtos e utilizarem também estes produtos como matérias-primas para fabricar outros produtos para vários segmentos. Uma prova disto é que grandes multinacionais têm fábricas e parcerias com muitas empresas asiáticas. A Dynatech é um exemplo do que citei acima, pois temos comercializado produtos provenientes do mercado asiático, entre outros, conhecendo bem seus fornecedores, controlando a qualidade destes produtos e utilizando também como matéria-prima para fabricação de outros produtos.

Slongo (Ipiranga Química) - O impacto é negativo, pois os produtores chineses ainda não têm a qualidade necessária para atender as exigências do mercado nacional, que é equiparado à qualidade das tintas produzidas na Europa e América do Norte. Além disso, não estão sujeitos à produzir pigmentos sobre uma severa legislação ambiental e trabalhista. São pigmentos de grão duro exigindo mais passadas nos moinhos, comprometendo a qualidade final da tinta e ocasionando um maior desgaste para os elementos de moagem nos moinhos, elevando os custos de manutenção e custos de produção.

Varela (Multicel) - No nosso caso, muito pouco. Como a Multicel oferece produtos tailor made (sob medida) e um forte serviço técnico, a concorrência externa se limita a uns poucos produtos considerados commodities.

Oliveira (Surcolor) - Importações de pigmentos do mercado asiático serviram para equalizar preços num mundo globalizado. Prova disto é que vemos produtores locais que estão exportando materiais para a Ásia, o que significa que o Brasil, mesmo com o Dólar desvalorizado, ainda é competitivo.

Oliveira (Aromat) - O mercado mundial sofreu uma invasão de produtos asiáticos nos últimos anos, com a conseqüente queda do nível de preços. A oferta de novos fornecedores aumenta cada vez mais e, atualmente, os fabricantes de tintas podem optar entre diversas alternativas. Inicialmente, os produtos asiáticos eram classificados como baratos, porém de baixa qualidade, mas ao longo dos últimos anos, os fabricantes asiáticos se estruturaram e aperfeiçoaram seus processos de modo a melhorar a qualidade de seus produtos.

Tedesco (Aurum Química) - As importações de produtos asiáticos têm um impacto positivo, devido à possibilidade de dar mais opções aos usuários finais, livrando-os de alguns monopólios até então existentes no Brasil, mas por outro lado, causando também um impacto negativo pela existência de alguns fabricantes que não possuem padrões de qualidade compatíveis com nossas necessidades e exigências de nossos clientes, mas que oferecem seus produtos à qualquer preço, dando força a uma falsa imagem que, apesar de tudo, ainda  persiste em alguns segmentos, de que os produtos asiáticos são baratos e de baixa qualidade. Atualmente, temos na Ásia fabricantes de pigmentos inorgânicos de excelente qualidade e ainda um pouco mais competitivos, mas já não se fala mais em uma diferença muito grande de preços. O foco de empresas como a Aurum Química - que importa e comercializa produtos asiáticos - de modo geral é o de oferecer produtos e serviços de ótima qualidade a preços compatíveis com a performance que eles oferecem. Talvez o maior impacto que esses produtos causaram sobre o mercado brasileiro foi o de derrubar mitos de que não havia tecnologia do outro lado do mundo e, hoje, sabemos que ela existe, é boa e um pouco mais barata (ainda!).

Pinheiro (Bunge) - No nosso caso específico, somos os únicos produtores (ainda em escala piloto) do pigmento branco fostato de sódio/alumínio (Biphor), portanto não temos concorrentes asiáticos ou de outras áreas.

Raicher (Colornet) - A combinação do aumento de importações do mercado asiático com o Dólar baixo tem feito muitos empresários brasileiros reverem seus negócios e a viabilidade de continuar produzindo. Se continuar esta tendência de importar ao invés de fabricar, a demanda nacional por pigmentos orgânicos ou inorgânicos pode cair ou pelo menos parar de crescer. A forte aceleração das economias asiáticas tem elevado a níveis inimagináveis os preços dos metais e o custo da energia, elementos básicos na fabricação dos inorgânicos. Este aumento está causando um impacto severo no preço do pigmento inorgânico nos últimos dois anos.

Heisi (Forscher) - Qualquer importação sempre impacta o mercado nacional, qualquer que seja o setor da economia e, no caso dos pigmentos inorgânicos não poderia ser diferente, provocando redução de preços e inviabilizando algumas produções locais. A qualidade dos pigmentos inorgânicos asiáticos, entretanto, ainda não atingiu um nível que permita seu uso de forma generalizada, ficando restrito seu uso a algumas aplicações de menor exigência. O que percebemos é que as empresas asiáticas focaram o desenvolvimento dos pigmentos orgânicos de maior valor agregado e estão fazendo a lição de casa com muita aplicação.

Schwarz (Lanxess) - Como líderes de mercado com a marca Bayferrox, temos constatado a presença de pigmentos provenientes do mercado asiático, porém em uma escala ainda reduzida. De todas as maneiras, a Lanxess analisa sempre com muito cuidado qualquer concorrente e convivemos com esta realidade do mercado globalizado, entretanto, percebemos que o segmento de tintas exige pigmentos à base de óxido de ferro de alta performance e somente a linha Bayferrox atende a estes requisitos.

Bartholi (Minérios Ouro Branco) - Os produtos asiáticos estão mexendo com todo o mercado, onde os fabricantes nacionais estão sendo forçados a buscar novas tecnologias com baixo custo para continuarem competitivos no mercado, onde os produtos asiáticos estão entrando com força total, tanto nos produtos de alta como de baixa performance. Podemos dizer que o mercado nacional está baseado no asiático, onde as altas e baixas dos preços dos produtos importados regem os preços praticados pelos produtores nacionais.

Saretti (Transcor) – Inegavelmente, os asiáticos são muito agressivos nas exportações e, com a nossa moeda muito valorizada em relação ao dólar norte-americano, tivemos que agregar serviços aos nossos produtos para sermos competitivos junto aos nossos clientes.

Ariane (Ciba) - O mercado asiático realmente tem impactado consideravelmente o setor, provocando uma reação a esta forte concorrência, no sentido de revisão de portfólio de produtos, nichos de atuação e, também, valorização de serviços técnicos, através de oferecimento de pacote de soluções e não somente venda de produtos. A União Européia e os Estados Unidos têm aprimorado e detalhado consideravelmente legislações e regulamentações, as quais estão sendo seguidas por vários outros países. Voltada às novas tecnologias, investimento constante nas áreas de pesquisa e desenvolvimento e através do seu programa de atuação responsável, a Ciba Especialidades Químicas é comprometida com a excelência na integração do gerenciamento do EHS nos seus processos de negócios e nos planos estratégicos, mantendo um alto nível de conscientização, treinamento e profissionalismo, para o benefício de todas as partes, principalmente para os nossos clientes.

Paint & Pintura - Quais as perspectivas para 2007 no segmento de pigmentos inorgânicos?

Martendal (Aldoro) - Continuamos a falar em pigmentos metálicos e vimos um bom crescimento para este tipo de produto. Por exemplo, na linha automotiva, nunca se vendeu tanto como agora.

Leme (Asta Química) - As perspectivas são cada vez maiores para o aumento de pigmentos de alto desempenho e é exatamente neste mercado que a Asta tem aumentado sua participação no mercado de tintas. Seguindo o mercado europeu, a tendência é o uso cada vez maior de pigmentos que não agridam o ambiente. Com isso, a acreditamos na redução do consumo dos pigmentos à base de metais pesados.

Qualiotto (BASF) - Existe uma tendência de crescimento dos pigmentos inorgânicos lead free no segmento de tintas e vernizes, principalmente na aplicação de produtos voltados para o mercado exportador.

Mouallem (Chemipol) – No aspecto econômico, busca-se no segmento de tintas a competitividade extrema, reduzindo custos com certos pigmentos inorgânicos. Em tecnologia, mesmo tendo um baixo custo agregado, estes produtos passam também a serem adquiridos na forma de pastas ou concentrados pigmentários, na especialidade em que se dedica a Chemipol ofertando-os em sistemas tintoriais compatíveis com água, solvente ou universal. Quanto à demanda, cremos que os inorgânicos cresçam mais que os orgânicos.

Chalita (Dynatech) - A curto prazo, como para 2007, ainda não devemos ter grandes alterações em termos de consumo, mantendo-se mais ou menos a média do ano passado, levando-se em consideração as oscilações do mercado. Porém, a tendência é de queda de uso destes produtos é uma realidade e, a médio prazo, estes volumes devem cair sensivelmente.

Slongo (Ipiranga Química) - As perspectivas de crescimento são boas, pois o mercado está reagindo positivamente com apelos de qualidade em diferentes segmentos. Participamos de todos os segmentos de mercado e dispomos de um laboratório de aplicações técnicas localizado em nosso Centro de Distribuição em Guarulhos (SP), para dar suporte técnico aos nossos clientes, além é claro, do apoio da nossa representada DCC em atender as necessidades no mercado brasileiro de tintas e masterbatches.

Varela (Multicel) - Cremos que cada classe de pigmentos tem sua fatia de mercado em função de suas propriedades. O crescimento do consumo dos inorgânicos será maior que o da economia como um todo. No caso particular da Multicel, a grande ênfase que estamos dando à linha Multitherm, de pigmentos complexos inorgânicos, tem nos trazido bons resultados, com crescimentos expressivos nos últimos três anos.

Oliveira (Surcolor) - A tendência é de queda no consumo, aliado a um aumento de preços, devido a uma conjuntura mundial. A forte influência de grandes empresas multinacionais, onde seu consumo é proibido pela matriz, faz com que se reduza, naturalmente, o consumo deste tipo de material. Caso a legislação brasileira faça pressão quanto à utilização dos mesmos em tintas, substratos alimentícios, construção civil, dentre outras aplicações, como acontece nos Estados Unidos e na Europa, este consumo terá tendência a ser reduzido sensivelmente.

Oliveira (Aromat) - Apesar da estabilidade econômica e variação cambial favorável à importação, ainda não observamos o crescimento esperado. Observou-se um aquecimento da atividade industrial em certos segmentos, como o automotivo, que bateu recordes de produção e vendas neste início de ano, porém a indústria como um todo ainda está abaixo das projeções iniciais para o ano de 2007. Acreditamos que o segundo semestre, tradicionalmente melhor que o primeiro, venha a favorecer um aumento mais expressivo na indústria de tintas.

Tedesco (Aurum Química) - O segmento de pigmentos, de modo geral, teve um início de ano ligeiramente reprimido, mas já estamos notando uma recuperação dos níveis de negócios e acreditamos que fecharemos o ano com um crescimento em relação ao ano passado. Mas não me arrisco a falar em números por enquanto.

Pinheiro (Bunge) - A busca de uma melhor performance dos revestimentos, aliada à necessidade de otimização dos custos em um mercado altamente competitivo, constitui-se num cenário bastante favorável para pigmentos inorgânicos, principalmente aqueles que agregam tecnologias de ponta, como a nanotecnologia por exemplo. Nestes casos, o interesse e a tendência são claramente favoráveis aos pigmentos de constituição inorgânica.

Raicher (Colornet) - As perspectivas para 2007 apontam para a continuidade do processo de substituição para pigmentos atóxicos (principalmente pela pressão ambiental e pelas nova lei Reach na Europa), o que está provocando, por exemplo, uma demanda mundial crescente de azul ultramar. Os preços mundiais de inorgânicos devem continuar em alta, acompanhando o preço da bolsa de metais e a desvalorização mundial do dólar. Mas não a ponto de serem integralmente substituídos por pigmentos orgânicos. A diferença de custo na formulação ainda é muito alta, não esquecendo que os preços dos orgânicos têm aumentado significativamente também.

Heisi (Forscher) - A perspectiva para 2007 é a contínua e gradual substituição dos pigmentos contendo metais pesados por alternativas tecnologicamente mais adequadas, como por exemplo a linha TICO de pigmentos mistos, que possuem características técnicas (brilho, cobertura e poder de tingimento), semelhante aos pigmentos inorgânicos da família dos cromatos, molibdatos e cádmios, e a melhor relação de custo/benefício do mercado.

Schwarz (Lanxess) - As perspectivas são de muito crescimento tanto no mercado interno quanto externo. Independentemente da evolução do mercado interno, continuamos investindo constantemente em nossa fábrica em Porto Feliz, porque temos uma visão global deste negócio e atuamos fortemente nas Américas, Europa e Ásia.

Bartholi (Minérios Ouro Branco) - A Minérios Ouro Branco está crescendo muito nesse segmento, principalmente no fornecimento do pigmento dióxido de titânio, no qual temos uma perspectiva de um crescimento considerável para o segundo semestre de 2007, considerando também os pigmentos perolados.

Saretti (Transcor) - Nossas previsões são de crescimento nas vendas internas por conta do bom desempenho da construção civil e também para consolidação de nossa participação no mercado externo, pois a Transcor é um dos maiores produtores de pigmentos inorgânicos da América do Sul.

Ariane (Ciba) - A tendência cada vez maior de utilização de produtos ecológicos e que seguem as exigências de legislações internacionais, assim como busca por tecnologia, já têm arrojados adeptos no Brasil. Estes ‘pioneiros’ estão influenciando outros que tendem a seguir o mesmo caminho. Com a implementação do REACH (Registration, Evaluation and Authorization of Chemicals) projeto do qual a Ciba vem participando e trabalhando desde 1998, por meio da Associação Industrial Européia (European Industry Association – CEFIC) e em cooperação com autoridades européias, são esperadas excelentes oportunidade de negócios, onde inovações e otimizações de produtos deverão ser adequadas a estas novas exigências e, conseqüentemente, o fortalecimento de parcerias de longo prazo, assim como estreitamento de relações com clientes que também estiverem envolvidos neste processo.
 
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