Até chegar
ao acabamento final, todo e qualquer processo de pintura
necessita de estudo e avaliação
do ambiente no qual a tinta aplicada irá conviver.
Do aço, passando pela agressividade do ambiente, até o
perfil do local da unidade é fundamental conhecer
todas as intempéries existentes. No extenso território
brasileiro, é possível conviver com regiões
que não são próximas ao mar, mas próximas
de florestas e rios que emitem gases corrosivos.
Independente
da região escolhida, a única certeza que fica é que
a corrosão atacará. Diferentemente do que acontece
em países
mais bem desenvolvidos, no Brasil ainda há uma perda
acentuada de equipamentos (por falta de manutenção),
erro na especificação
técnica ou o uso incorreto de revestimento anticorrosivo.
Segundo
alguns especialistas da área (fabricantes
e aplicadores de tintas anticorrosivas), a corrosão
corresponde a uma perda aproximada de 4,5% a 5% do Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esta porcentagem representa
uma quantia representativa, que poderia ser repassada ao
combate e não à recuperação.
Anunciado pelo governo Lula, no inicio do ano, o Programa
de Aceleração
de Crescimento (PAC) trouxe força ao setor: até 2010
serão
investidos R$ 110 bilhões na construção
civil e na infra-estrutura.
Até que
o PAC comece a andar efetivamente – já que
surgiram vários obstáculos recentemente – o
setor de tintas protetivas e anticorrosivas sente otimismo. “O
reflexo deste crescimento nos proporciona o mesmo sentimento,
fato este identificado pelo grande volume de obras adquirido
pelo segmento da construção. Mas como a tinta é um
dos materiais utilizados na fase de acabamento, ou seja,
a maioria das vezes é um dos últimos
itens a serem adquiridos, acreditamos que a partir do final
do terceiro trimestre do ano sentiremos este crescimento.
Os dados do Banco Central informam que o volume de crédito
em 2007 começou promissor, frente aos financiamentos
de imóveis com recursos de caderneta poupança
que somente em janeiro somaram R$ 1,278 bilhão, 42%
a mais do que no mesmo mês de 2006.
A grande expectativa também está baseada na
questão da
desoneração tributária, que trará o
PAC que contempla estímulos à construção,
entre os quais a redução
da alíquota do PIS/Cofins recolhido durante a construção
de prédios e galpões. Outra expectativa está na
queda dos juros e no aumento de renda, que trarão
benefícios a todos os segmentos
de mercado que utilizam tintas”, opina Ozeias Schenatz,
do departamento de vendas técnicas da WEG.
Caio
Panegossi, diretor comercial da Brasilux, também sente otimismo
e anuncia novidades: “Estamos nos preparando, a todo
vapor, para inaugurar nossa terceira unidade fabril. Confiamos
no crescimento do mercado e, principalmente, no desenvolvimento
sustentável que gera empregos e melhora a qualidade
de vida das pessoas”.
Combate voraz
Numa
estória em quadrinhos, o super-herói combate
(e é cobrado para fazer isso) exaustivamente o vilão.
No caso de corrosão, o nosso super-herói, na
verdade, não tem nada de nosso. É nossa: a
heroína Supertinta. Exaustivamente ela gasta suas
resinas, pigmentos e agentes inibidores para combater o vilão:
o Come-Ferro.
Inevitavelmente,
ao se deparar com a Supertinta, o Come-Ferro perde força
e demora alguns anos para se desenvolver novamente. “Existe
uma tendência
natural de os metais – principalmente o ferro constituinte
do aço – retornarem
ao seu estado primitivo de minério, ou seja, combinar
com os elementos presentes no ambiente, formando óxido
de ferro. A proteção contra a corrosão
por meio de pintura tem por objetivo criar uma barreira impermeável
protetora desta superfície e, com isto, assegurar
uma vida útil mais longa destes materiais”,
explica Oilson Luiz Bof Piccoli, gerente de mercado da PPG-Renner.
Nossa
querida Supertinta, além de deixar o ambiente
mais belo, possui poderes anticorrosivos inimagináveis. “A
maioria da empresas tem em mente que a aplicação
de tinta é meramente voltada à questão
estética. Porém, atualmente, este mito vem
sendo quebrado, pois muitas delas estão sentindo que,
ao investir no combate à corrosão de suas máquinas,
estruturas metálicas e demais equipamentos estão
reduzindo o custo com depreciação. A tinta,
quando aplicada de forma correta, inibe o ataque de agentes
corrosivos, proporcionando a integridade física das
instalações industriais, garantindo a segurança
e evitando paradas não programadas. Resumindo, aumenta
significativamente a vida útil das instalações
industriais”, comenta Schenatz.
Novamente
a Supertinta mostra seus poderes surpreendentes, com dois
raios de ação. ”O
filme, película
de tinta, contribui sempre, desde que aplicado corretamente
no combate à corrosão. Existem duas formas
de aplicação indicadas: por propriedades físico-químicas
do revestimento (sistema epóxi) e ou por barreira
(em geral sistema alquídico)”, exemplifica Panegossi.
Depois de comprovar impiedosamente todos seus poderes, a
Supertinta derrota novamente o Come-Ferro. Mesmo assim, atenção!
Ele pode (e com certeza atacará) novamente em algum
lugar do futuro. Suas estruturas, sem a participação
da Supertinta, não serão páreos para
o Come-Ferro.
Inevitável, porém controlável
Mesmo
sabendo que é um fenômeno irreversível,
a Supertinta desenvolve mutações em seu DNA.
Com o avanço da tecnologia, seus poderes de combate à corrosão
são tão modernos que hoje é perfeitamente
possível subtrair as armas do Come-Ferro. “O
processo de corrosão pode ser controlado e amenizado
por meio da utilização de métodos ou
técnicas de proteção. A tecnologia de
tintas hoje disponível atende praticamente a todas
as necessidades e durabilidade projetadas. Normalmente o
desempenho de um sistema de proteção de uma
determinada superfície está associado ao sistema
de preparação, tecnologia de produto e técnica
de aplicação. O sucesso da durabilidade de
um sistema de pintura está diretamente ligado aos
fatores limpeza, produto adequado às necessidades
de uso e aplicação”, frisa Piccoli.
Beleza,
sem controle, não é nada. “Infelizmente,
a corrosão é um fenômeno inevitável
dentro das indústrias, sem período definido
para surgir, contudo, é passível de controle.
O fator de grande influência que proporciona o surgimento
da corrosão é o ambiente de exposição,
que ao ser mais agressivo, proporciona um rápido surgimento
da corrosão, e ao ser menos agressivo, reduz o aparecimento
da corrosão. A maioria dos fabricantes de tintas está investindo
em novas tecnologias e a Weg Tintas oferece as mais variadas
soluções para proteção anticorrosiva,
desde sistemas de pintura convencionais até de alta
performance, que devem ser aplicados por empresas especializadas
para atingir o retorno desejado”, diz Schenatz.
Mesmo
sendo perfeitamente indicado, na visão do diretor
comercial da Brasilux, o sistema anticorrosivo só será bem-sucedido
seu houver jateamento, se for catalisado e diluído
corretamente, se aplicado acima de 3º C da temperatura
de ponto de orvalho e também nas espessuras e demãos
especificadas.
Líderes
absolutos
Mais utilizados atualmente, os sistemas
epóxi (para
o fundo) e poliuretano (para o acabamento) conquistaram o
mercado devido a uma série de vantagens. “Tradicionalmente
são as tecnologias de melhor performance na proteção
e na estética de um substrato. As tecnologias que
estão em evidência, hoje no setor, são
os produtos base d’água, baixo VOC, isentos
de isocianatos e isentos de metais pesados. Isto demonstra
o compromisso das empresas fabricantes de tintas com a questão
do meio ambiente”, mostra Piccoli. Tanto o epóxi
quanto o polireutano são sistemas complementares;
quando um apresenta deficiência em algum aspecto o
outro cobre e vive-versa. “O epóxi é mais
resistente contra a corrosão (oxidação)
e ação química (ácidos ou alcalinos),
mas não tem tanta resistência à luz,
o que faz com que o acabamento poliretano complemente o sistema
com elevada performance, principalmente contra o intemperismo.
A Brasilux dispõe de uma série de produtos
para as mais exigentes situações, tendo como
tecnologia em destaque os poliuretanos acrílicos alifáticos”,
diz Panegossi. Schenatz argumenta que estes sistemas substituem
os antigos sistemas alquídicos/alquídicos. “O
sistema epóxi poliuretano possui excelente performance,
proporcionando além da proteção anticorrosiva
pelo fundo epóxi uma ótima retenção
de cor e brilho pelo acabamento poliuretano. Atualmente,
o setor de tintas vem desenvolvendo novas tecnologias, como
tintas surface tolerant, tintas tar free, tintas à base
de resinas polisiloxano. Outra tecnologia muito recente é a
utilização de nanocompostos na formulação
de tintas anticorrosivas”, apresenta.
Tempo de garantia
Tendo preparado a superfície do substrato corretamente,
dá para calcular o tempo sem corrosão dentro
da indústria. “Só a preparação
da superfície é responsável por 50%
do desempenho do sistema anticorrosivo aplicado, seguido
da seleção das tintas, tendo preferência àquelas
que possuem inibidores de corrosão incorporados a
sua formulação, da preparação
das mesmas e por fim a correta aplicação tendo
preferência por profissionais especializados. É importante
frisar que durante o projeto inicial, as empresas devem analisar
outros fatores importantes na prevenção da
corrosão como, por exemplo, evitar o contato com metais
dissimilares evitar frestas e cantos vivos, prever fácil
acesso para manutenção, realizar soldas bem
acabadas e prever drenagens de águas pluviais”,
observa Schenatz.
De
acordo com Panegossi, há garantias
desde que o sistema de pintura tenha laudo de aprovação
de um profissional qualificado e certificado por órgão
competente. “Os segmentos mais agressivos são
as indústrias químicas e as localizadas na
orla marítima e alto-mar. Estão em desenvolvimento
produtos de alta performance – as bases de epóxi – que
no caso das plataformas marítimas podem ser aplicados
em várias camadas de alta espessura. Estas camadas
criam barreiras de proteção para prolongar
a resistência, uma a uma, à ação
do desgaste agressivo, aumentando os intervalos de manutenção”,
acrescenta.
Prever é um exercício passível de erros
e acertos. Mas de acordo com Piccoli, as atmosferas mais agressivas
são as marítimas e as industriais, principalmente
as do setor químico. “Com certeza temos como prever
a durabilidade de um sistema de pintura para os mais diversos
meios corrosivos e condições de exposição
dos materiais” conclui. |