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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 113 - Tintas protetivas e anticorrosivas
 
Supertinta contra come-ferro
 

Fazendo analogia a uma história em quadrinhos, os dois personagens criados para ilustrar uma batalha do bem (proteção) contra o mal (corrosão), lançam mão de seus “poderes” para medir forças. Quem ganha é o usuário.

 
Fábio Sabbag
 

Até chegar ao acabamento final, todo e qualquer processo de pintura necessita de estudo e avaliação do ambiente no qual a tinta aplicada irá conviver. Do aço, passando pela agressividade do ambiente, até o perfil do local da unidade é fundamental conhecer todas as intempéries existentes. No extenso território brasileiro, é possível conviver com regiões que não são próximas ao mar, mas próximas de florestas e rios que emitem gases corrosivos.

Independente da região escolhida, a única certeza que fica é que a corrosão atacará. Diferentemente do que acontece em países mais bem desenvolvidos, no Brasil ainda há uma perda acentuada de equipamentos (por falta de manutenção), erro na especificação técnica ou o uso incorreto de revestimento anticorrosivo.

Segundo alguns especialistas da área (fabricantes e aplicadores de tintas anticorrosivas), a corrosão corresponde a uma perda aproximada de 4,5% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esta porcentagem representa uma quantia representativa, que poderia ser repassada ao combate e não à recuperação. Anunciado pelo governo Lula, no inicio do ano, o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) trouxe força ao setor: até 2010 serão investidos R$ 110 bilhões na construção civil e na infra-estrutura.

Até que o PAC comece a andar efetivamente – já que surgiram vários obstáculos recentemente – o setor de tintas protetivas e anticorrosivas sente otimismo. “O reflexo deste crescimento nos proporciona o mesmo sentimento, fato este identificado pelo grande volume de obras adquirido pelo segmento da construção. Mas como a tinta é um dos materiais utilizados na fase de acabamento, ou seja, a maioria das vezes é um dos últimos itens a serem adquiridos, acreditamos que a partir do final do terceiro trimestre do ano sentiremos este crescimento. Os dados do Banco Central informam que o volume de crédito em 2007 começou promissor, frente aos financiamentos de imóveis com recursos de caderneta poupança que somente em janeiro somaram R$ 1,278 bilhão, 42% a mais do que no mesmo mês de 2006. A grande expectativa também está baseada na questão da desoneração tributária, que trará o PAC que contempla estímulos à construção, entre os quais a redução da alíquota do PIS/Cofins recolhido durante a construção de prédios e galpões. Outra expectativa está na queda dos juros e no aumento de renda, que trarão benefícios a todos os segmentos de mercado que utilizam tintas”, opina Ozeias Schenatz, do departamento de vendas técnicas da WEG.

Caio Panegossi, diretor comercial da Brasilux, também sente otimismo e anuncia novidades: “Estamos nos preparando, a todo vapor, para inaugurar nossa terceira unidade fabril. Confiamos no crescimento do mercado e, principalmente, no desenvolvimento sustentável que gera empregos e melhora a qualidade de vida das pessoas”.

Combate voraz
Numa estória em quadrinhos, o super-herói combate (e é cobrado para fazer isso) exaustivamente o vilão. No caso de corrosão, o nosso super-herói, na verdade, não tem nada de nosso. É nossa: a heroína Supertinta. Exaustivamente ela gasta suas resinas, pigmentos e agentes inibidores para combater o vilão: o Come-Ferro.

Inevitavelmente, ao se deparar com a Supertinta, o Come-Ferro perde força e demora alguns anos para se desenvolver novamente. “Existe uma tendência natural de os metais – principalmente o ferro constituinte do aço – retornarem ao seu estado primitivo de minério, ou seja, combinar com os elementos presentes no ambiente, formando óxido de ferro. A proteção contra a corrosão por meio de pintura tem por objetivo criar uma barreira impermeável protetora desta superfície e, com isto, assegurar uma vida útil mais longa destes materiais”, explica Oilson Luiz Bof Piccoli, gerente de mercado da PPG-Renner.

Nossa querida Supertinta, além de deixar o ambiente mais belo, possui poderes anticorrosivos inimagináveis. “A maioria da empresas tem em mente que a aplicação de tinta é meramente voltada à questão estética. Porém, atualmente, este mito vem sendo quebrado, pois muitas delas estão sentindo que, ao investir no combate à corrosão de suas máquinas, estruturas metálicas e demais equipamentos estão reduzindo o custo com depreciação. A tinta, quando aplicada de forma correta, inibe o ataque de agentes corrosivos, proporcionando a integridade física das instalações industriais, garantindo a segurança e evitando paradas não programadas. Resumindo, aumenta significativamente a vida útil das instalações industriais”, comenta Schenatz.

Novamente a Supertinta mostra seus poderes surpreendentes, com dois raios de ação. ”O filme, película de tinta, contribui sempre, desde que aplicado corretamente no combate à corrosão. Existem duas formas de aplicação indicadas: por propriedades físico-químicas do revestimento (sistema epóxi) e ou por barreira (em geral sistema alquídico)”, exemplifica Panegossi. Depois de comprovar impiedosamente todos seus poderes, a Supertinta derrota novamente o Come-Ferro. Mesmo assim, atenção! Ele pode (e com certeza atacará) novamente em algum lugar do futuro. Suas estruturas, sem a participação da Supertinta, não serão páreos para o Come-Ferro.   

Inevitável, porém controlável
Mesmo sabendo que é um fenômeno irreversível, a Supertinta desenvolve mutações em seu DNA. Com o avanço da tecnologia, seus poderes de combate à corrosão são tão modernos que hoje é perfeitamente possível subtrair as armas do Come-Ferro. “O processo de corrosão pode ser controlado e amenizado por meio da utilização de métodos ou técnicas de proteção. A tecnologia de tintas hoje disponível atende praticamente a todas as necessidades e durabilidade projetadas. Normalmente o desempenho de um sistema de proteção de uma determinada superfície está associado ao sistema de preparação, tecnologia de produto e técnica de aplicação. O sucesso da durabilidade de um sistema de pintura está diretamente ligado aos fatores limpeza, produto adequado às necessidades de uso e aplicação”, frisa Piccoli.

Beleza, sem controle, não é nada. “Infelizmente, a corrosão é um fenômeno inevitável dentro das indústrias, sem período definido para surgir, contudo, é passível de controle. O fator de grande influência que proporciona o surgimento da corrosão é o ambiente de exposição, que ao ser mais agressivo, proporciona um rápido surgimento da corrosão, e ao ser menos agressivo, reduz o aparecimento da corrosão. A maioria dos fabricantes de tintas está investindo em novas tecnologias e a Weg Tintas oferece as mais variadas soluções para proteção anticorrosiva, desde sistemas de pintura convencionais até de alta performance, que devem ser aplicados por empresas especializadas para atingir o retorno desejado”, diz Schenatz.

Mesmo sendo perfeitamente indicado, na visão do diretor comercial da Brasilux, o sistema anticorrosivo só será bem-sucedido seu houver jateamento, se for catalisado e diluído corretamente, se aplicado acima de 3º C da temperatura de ponto de orvalho e também nas espessuras e demãos especificadas.

Líderes absolutos
Mais utilizados atualmente, os sistemas epóxi (para o fundo) e poliuretano (para o acabamento) conquistaram o mercado devido a uma série de vantagens. “Tradicionalmente são as tecnologias de melhor performance na proteção e na estética de um substrato. As tecnologias que estão em evidência, hoje no setor, são os produtos base d’água, baixo VOC, isentos de isocianatos e isentos de metais pesados. Isto demonstra o compromisso das empresas fabricantes de tintas com a questão do meio ambiente”, mostra Piccoli. Tanto o epóxi quanto o polireutano são sistemas complementares; quando um apresenta deficiência em algum aspecto o outro cobre e vive-versa. “O epóxi é mais resistente contra a corrosão (oxidação) e ação química (ácidos ou alcalinos), mas não tem tanta resistência à luz, o que faz com que o acabamento poliretano complemente o sistema com elevada performance, principalmente contra o intemperismo. A Brasilux dispõe de uma série de produtos para as mais exigentes situações, tendo como tecnologia em destaque os poliuretanos acrílicos alifáticos”, diz Panegossi. Schenatz argumenta que estes sistemas substituem os antigos sistemas alquídicos/alquídicos. “O sistema epóxi poliuretano possui excelente performance, proporcionando além da proteção anticorrosiva pelo fundo epóxi uma ótima retenção de cor e brilho pelo acabamento poliuretano. Atualmente, o setor de tintas vem desenvolvendo novas tecnologias, como tintas surface tolerant, tintas tar free, tintas à base de resinas polisiloxano. Outra tecnologia muito recente é a utilização de nanocompostos na formulação de tintas anticorrosivas”, apresenta.

Tempo de garantia
Tendo preparado a superfície do substrato corretamente, dá para calcular o tempo sem corrosão dentro da indústria. “Só a preparação da superfície é responsável por 50% do desempenho do sistema anticorrosivo aplicado, seguido da seleção das tintas, tendo preferência àquelas que possuem inibidores de corrosão incorporados a sua formulação, da preparação das mesmas e por fim a correta aplicação tendo preferência por profissionais especializados. É importante frisar que durante o projeto inicial, as empresas devem analisar outros fatores importantes na prevenção da corrosão como, por exemplo, evitar o contato com metais dissimilares evitar frestas e cantos vivos, prever fácil acesso para manutenção, realizar soldas bem acabadas e prever drenagens de águas pluviais”, observa Schenatz.

De acordo com Panegossi, há garantias desde que o sistema de pintura tenha laudo de aprovação de um profissional qualificado e certificado por órgão competente. “Os segmentos mais agressivos são as indústrias químicas e as localizadas na orla marítima e alto-mar. Estão em desenvolvimento produtos de alta performance – as bases de epóxi – que no caso das plataformas marítimas podem ser aplicados em várias camadas de alta espessura. Estas camadas criam barreiras de proteção para prolongar a resistência, uma a uma, à ação do desgaste agressivo, aumentando os intervalos de manutenção”, acrescenta.

Prever é um exercício passível de erros e acertos. Mas de acordo com Piccoli, as atmosferas mais agressivas são as marítimas e as industriais, principalmente as do setor químico. “Com certeza temos como prever a durabilidade de um sistema de pintura para os mais diversos meios corrosivos e condições de exposição dos materiais” conclui.
 
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