O
mercado mundial de dióxido de titânio (TiO2)
movimenta 4,7 milhões de toneladas/ano, sendo dividido
entre América do Norte, com 1,2 milhões, Europa,
com 1,69 milhões, Ásia, com 1,5 milhões,
e América Latina, com 320 mil.
O
mercado brasileiro se diferencia de alguns outros mercados
na utilização
desse produto. Por exemplo, no segmento de papel e celulose
essa utilização
está em 6% em virtude de serem usadas mais as cargas
minerais. Já os
EUA apresentam 21% neste segmento.
Apesar
da pequena margem da capacidade de produção/demanda,
alguns consumidores de Ti02 ainda não consideram
a situação
confortável,
pois caso haja um pequeno incremento no consumo mundial, poderá haver
falta do produto.
Diferentemente
de outros países,
o Brasil é extremamente comprador,
com consumo muito maior do que a capacidade de produção
instalada. “Acredito
que os números estejam próximos de 60 milhões/toneladas
de capacidade instalada contra 110 a 120 mil/toneladas de
consumo/ano. A Brenntag, com sua estrutura de vendas e com
três depósitos, localizados em
Guarulhos (SP), Esteio (RS) e Joinville (SC), participa desse
mercado como distribuidora da Crystal em todo território
nacional. Inclusive nossos resultados vêm
apresentando crescimento de volume de vendas quando comparamos
os primeiros seis meses de 2006 contra o mesmo período
de 2007, indicando um incremento
de 15%”, observa o gerente de marketing da Brenntag,
Gabriel Américo.
Anilton
Flávio Ribeiro, gerente
mercado de tintas da Arinos, avalia que o mercado mundial
de dióxido de titânio é equilibrado quanto à produção
x consumo (com reservas estimadas para 40 anos, considerado
demanda atual), porém
ressalta que os preços estão em queda desde
outubro 2006. “No
Brasil, o mercado é de 120 mil toneladas/ano, com
ofertas dos fabricantes tradicionais e de fabricantes chineses,
ucranianos e outros asiáticos.
Com os novos fornecedores asiáticos, a oferta aumentou
e, por conseqüência,
os preços reduziram”.
A
Arinos atende todo o mercado brasileiro com o grade CR
828 da Tronox,/EUA, cujo produto é fabricado pelo
processo cloro que, de acordo com Ribeiro, confere grande
pureza ao produto, alvura acentuada, como o branco subtom
azulado, grande poder de cobertura e de fácil dispersão.
Fornecimento
O mercado mundial para TiO2 deve crescer este ano entre 2%
e 3% em relação ao período anterior.
Este crescimento, no entanto, não deverá ocorrer
de forma uniforme. A expectativa é que, ao final
do ano, a Ásia, a Europa e a América Latina
tenham crescimento acima da média, enquanto a América
do Norte deve apresentar uma variação mais
modesta, ainda que positiva.
Na
visão de Ciro Marino,
diretor comercial América
Latina da Millennium Inorganic Chemicals (MIC), para o Brasil
espera-se um crescimento médio, porém com o
comportamento de vendas variando significativamente entre
as diversas empresas do setor. Esta variabilidade está ligada
ao segmento de atuação no qual o produtor de
tintas se insere e na forma como este enfrenta os desafios
particulares do setor e da economia. Adicionalmente, empresas
que apostaram em inovação, qualidade e em investimentos
em promoção, devem crescer acima do PIB projetado,
enquanto as demais deverão apresentar um desempenho
bem mais tímido.
Em
junho deste ano, a National Titanium Dioxide Company Ltd.
("Cristal") e a Millennium
Inorganic Chemicals se juntaram para formar a segunda maior
produtora mundial de dióxido de titânio e um
produtor líder
de especialidades de titânio. Cristal e MIC operam
nove fábricas em seis países e empregam mais
de 3,7 mil pessoas no mundo. Atualmente, a MIC é uma
subsidiária integral da Cristal.
A
Millennium Inorganic Chemicals tem trabalhado na consolidação
de sua base de clientes, com uma visão de longo prazo.
Neste ano, a previsão de crescimento é de mais
do que a média da indústria, impulsionado pelo
crescimento diferenciado desta base e, também, por
espaços que já foram e ainda serão cedidos
pelos concorrentes do Leste Europeu e China.
“No
caso particular da China, tivemos recentemente revelado
que a competitividade dos produtos desta origem estava
alicerçada
em subsídio à exportação
patrocinado pelo governo daquele país, subsídio
este eliminado agora em julho de 2007 – subsídio
de 13% que significava um benefício
ao produtor chinês de cerca de U$260/tonelada –,
considerando que a competitividade é agora baseada
em custos mais realistas, prevemos para breve um redesenho
no modelo de abastecimento de TiO2 ao mercado brasileiro”,
destaca Marino.
O
mercado para TiO2, de forma geral e no longo prazo, acompanha
a evolução do PIB, salvo períodos
nos quais ocorrem movimentos de ajustes de estoques promovidos
pelos mercados consumidores do produto, quando a demanda
por TiO2 pode ser reduzida ou ampliada em relação
ao indicador. O PIB mundial tem sido sempre positivo e dificilmente
cai abaixo dos 3%.
Do
outro lado, a capacidade instalada atual de produção
do pigmento somada a dos anúncios de expansão
futura, indica que a oferta deverá crescer entre 2,3%
a 2,8% ao ano pelos próximos cinco anos. “Considerando-se
os ganhos tecnológicos e o desenvolvimento de produtos
alternativos, podemos afirmar que, a partir destas informações,
o equilíbrio entre demanda e suprimento no futuro
próximo deverá ser mantido aproximadamente
na mesma base da de hoje”, prevê Marino.
Consumo
O
setor de tintas é um grande consumidor desse produto,
principalmente no segmento de tintas decorativas base água
e base solvente. Jonas José Chalita, gerente nacional
de Vendas - Divisão Pigmentos e Especialidades - da
Dynatech, lembra que, com a abertura do mercado, muitas empresas
começaram a procurar outras fontes com qualidade semelhante,
a preços menores e foi a partir deste momento que
começaram a surgir produtos vindos da Rússia,
Ucrânia, Alemanha, Holanda e, como não poderia
deixar de ser, da China.” Com toda esta ‘invasão’,
explica o gerente da Dynatech, provocada tanto por revendedores
como usuários (fabricantes de tintas e concentrados),
aos poucos foi se verificando que nem todos os produtos tinham
as mesmas propriedades técnicas e, principalmente,
fornecimento regular, tanto tecnicamente como em termos de
logística, culminando em uma restrição
natural a determinados fornecedores. “Com a Dynatech
não foi diferente, porém, antes de efetivamente
entrarmos nesse mercado, procuramos nos certificar que nosso ‘possível
parceiro’ teria condições técnicas,
logísticas e comerciais de nos atender, uma vez que
não somos representantes, pois recebemos o produto,
analisamos, colocamos nossa marca no mesmo e fornecemos ao
mercado, garantindo a qualidade técnica e a de fornecimento,
mantendo estoque local. Praticamente iniciamos nossa participação
nesse mercado de tintas e em outros também no início
de 2006, fornecendo o dióxido de titânio tipo
Rutílo com nossa marca Dynatitan TR”.
Mesmo
com os altos e baixos do mercado, Chalita destaca que o
TiO2 é um
produto que mantém uma certa regularidade
de consumo, acompanhando o próprio crescimento dos
vários mercados. “O que aumentou foi o número
de concorrentes e, infelizmente, muitos deles ‘fornecedores
temporários’, que aproveitam uma oportunidade
de negócio imediata e, na maioria das vezes, acabam
baixando os preços”.
Adequação
Há alguns anos, os produtores de dióxido de
titânio tiveram que adequar os seus negócios,
alguns até optando pelo fechamento de fábricas.
Na opinião de Chalita, isso foi um erro estratégico. “Com
a invasão destes produtos vindos de outras fontes,
os preços caíram ainda mais, não houve
a esperada falta de produto. Em alguns produtos, onde se
usava um dióxido de titânio bem alvo, para se
fazer as chamadas ‘cores pastéis’ foram
utilizados produtos ‘mais amarelados’ ou outros
que, mesmo não sendo ‘brancos’, por serem
utilizados em cores tingidas, puderam ser usados, respeitando
sempre as especificações e necessidades técnicas.
Sabemos que até os produtos chamados ‘top de
linha’ tiveram seus preços nivelados por baixo”.
No
entanto, Marino, da Millennium Inorganic Chemicals, coloca
que ocorreram fechamentos sim, porém, otimizações,
racionalização do portfólio de produtos
e expansões incrementais reverteram a expectativa
de redução da capacidade instalada. “Observamos
no passado recente o mesmo prognóstico referente ao
futuro próximo de demanda e suprimento em razoável
equilíbrio”.
José Roberto
Azevedo, gerente de mercado da Brazmo, concorda que o fechamento
de algumas fábricas não
afetou o fornecimento em razão de muitas outras terem
redirecionado seus mercados e, também, melhorado sua
produção. Contudo, a China aumenta, e muito,
suas exportações. “Temos algumas dificuldades
devido aos preços praticados nos produtos chineses
com fabricantes diferenciados. Como exemplo, temos fabricantes
que utilizam 70% dos produtos chineses e 30% dos produtos
de primeira linha”.
Atualmente,
Europa, Ásia
e América Latina demonstram
um forte crescimento do mercado de TiO2. Nos EUA, a demanda
está mais fraca, porém sendo compensada pelos
outros mercados, segundo o gerente de negócios de
Dióxido de Titânio no Brasil da DuPont, Marco
Aurélio Babosa, pois mesmo com a produção
global em níveis elevados, o inventário global
está decaindo mês após mês. No
Brasil, entende ele, o mercado neste ano apresenta crescimento
de 10%, com expansão em todos os segmentos, mas principalmente
em tinta arquitetônica.
“O
mercado mundial de TiO2 passa por um momento de baixa rentabilidade
em todo o mundo, devido ao aumento dos principais insumos
- ilminita, cloro, energia e gás. Os baixos preços,
pressionados pela crescente oferta de produto chinês
no mercado, também contribuíram
para a redução das margens. Como resultado,
vários dos
ativos operantes foram vendidos recentemente. Espera-se que
estas mudanças
no controle das empresas adicionadas a alteração
dos subsídios
dos exportadores chineses, que começou agora no mês
de julho, possam criar um ambiente mais salutar para a manutenção
das operações
e viabilizar novos investimentos nesta indústria”,
ressalta Barbosa.
De
acordo com Antonio Carlos Slongo, gestor de marketing da
unidade de negócios Tintas e
Adesivos da Ipiranga Química, distribuidora da DuPont
Titanium Technologies, as perspectivas de crescimento são
boas. “O
mercado está reagindo positivamente com apelos de
qualidade em diferentes segmentos. Participamos de todos
os segmentos de mercado e dispomos de um laboratório
de aplicações técnicas localizado em
nosso Centro de Distribuição em Guarulhos (SP),
para dar suporte técnico aos nossos clientes com o
apoio da nossa representada DuPont Titanium Technologies,
a maior fabricante mundial de dióxido de titânio,
servindo clientes globalmente nas indústrias de revestimentos,
papéis e plásticos”.
Quem
também
concorda que o mercado deve crescer é o
diretor comercial da Minérios Ouro Branco, José Carlos
Bartholi. “A demanda tem aumentado em 2007 e o mercado
deve crescer. A tendência deverá ser sentida
principalmente pelo incremento dos negócios no setor
imobiliário, setor que puxa muito o consumo de TiO2.
Sem contar com o próprio crescimento da economia brasileira,
que deverá ser maior neste ano em comparação
com 2006. Vide o mercado de vendas de bens duráveis
com forte demanda”.
Desenvolvimentos
A
Kronos Titan, representada pela Degussa – é a
quarta maior produtora de dióxido de Titânio
e uma das primeiras em termos de tecnologia. A empresa possui
plantas produtivas na Europa, Canadá e Estados Unidos.
Dentre seus produtos, podemos encontrar commodities e especialidades
para nichos de mercados. Durante a European Coating Show,
que aconteceu em maio, foram lançados três produtos
para diferentes segmentos de tintas. “A Degussa é líder
mundial em especialidades químicas e, para complementar
a nossa linha no atendimento ao mercado brasileiro, contamos
com a representação de algumas empresas, dentre
elas a Kronos Titan”, afirma a coordenadora de negócios,
Camila Pecerini.
Nesta última década, o TiO2
tem sido parcialmente substituído por extenders, polímeros
especiais e até por cargas de superior qualidade.
No entanto, com base na tecnologia atual, existem limites
mínimos
na quantidade de TiO2 que não podem ser ultrapassados
sem que ocorra perda de qualidade do produto final.
“Aliás, nestes últimos anos o TiO2 sofreu
a concorrência do próprio TiO2, produtos com características
de performance inferior, mas que com preços bastante
atraentes foram utilizados como extenders - muitos destes produtos
não apresentam o devido e caro tratamento de superfície
que assegura a necessária e esperada resistência à intempéries”,
assegura Marino, da Millennium Inorganic Chemicals. |