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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 114 - Dióxido de titânio
 
Queda de subsídios deve melhorar competitividade
 

Mercado mundial para dióxido de titânio (TiO2) deve crescer neste ano entre 2% e 3% em relação ao período anterior. A capacidade mundial instalada é da ordem de 5% maior do que o consumo atual.

 
Lucélia Monfardini
 

O mercado mundial de dióxido de titânio (TiO2) movimenta 4,7 milhões de toneladas/ano, sendo dividido entre América do Norte, com 1,2 milhões, Europa, com 1,69 milhões, Ásia, com 1,5 milhões, e América Latina, com 320 mil.

O mercado brasileiro se diferencia de alguns outros mercados na utilização desse produto. Por exemplo, no segmento de papel e celulose essa utilização está em 6% em virtude de serem usadas mais as cargas minerais. Já os EUA apresentam 21% neste segmento.

Apesar da pequena margem da capacidade de produção/demanda, alguns consumidores de Ti02 ainda não consideram a situação confortável, pois caso haja um pequeno incremento no consumo mundial,  poderá  haver falta do produto.

Diferentemente de outros países, o Brasil é extremamente comprador, com consumo muito maior do que a capacidade de produção instalada. “Acredito que os números estejam próximos de 60 milhões/toneladas de capacidade instalada contra 110 a 120 mil/toneladas de consumo/ano. A Brenntag, com sua estrutura de vendas e com três depósitos, localizados em Guarulhos (SP), Esteio (RS) e Joinville (SC), participa desse mercado como distribuidora da Crystal em todo território nacional. Inclusive nossos resultados vêm apresentando crescimento de volume de vendas quando comparamos os primeiros seis meses de 2006 contra o mesmo período de 2007, indicando um  incremento de 15%”, observa o gerente de marketing da Brenntag, Gabriel Américo.

Anilton Flávio Ribeiro, gerente mercado de tintas da Arinos, avalia que o mercado mundial de dióxido de titânio é equilibrado quanto à produção x consumo (com reservas estimadas para 40 anos, considerado demanda atual), porém ressalta que os preços estão em queda desde outubro 2006. “No Brasil, o mercado é de 120 mil toneladas/ano, com ofertas dos fabricantes tradicionais e de fabricantes chineses, ucranianos e outros asiáticos. Com os novos fornecedores asiáticos, a oferta aumentou e, por conseqüência, os preços reduziram”.

A Arinos atende todo o mercado brasileiro com o grade CR 828 da Tronox,/EUA, cujo produto é fabricado pelo processo cloro que, de acordo com Ribeiro, confere grande pureza ao produto, alvura acentuada, como o branco subtom azulado, grande poder de cobertura e de fácil dispersão.

Fornecimento
O mercado mundial para TiO2 deve crescer este ano entre 2% e 3% em relação ao período anterior. Este crescimento, no entanto, não deverá ocorrer de forma uniforme. A expectativa é que, ao final do ano, a Ásia, a Europa e a América Latina tenham crescimento acima da média, enquanto a América do Norte deve apresentar uma variação mais modesta, ainda que positiva.

Na visão de Ciro Marino, diretor comercial América Latina da Millennium Inorganic Chemicals (MIC), para o Brasil espera-se um crescimento médio, porém com o comportamento de vendas variando significativamente entre as diversas empresas do setor. Esta variabilidade está ligada ao segmento de atuação no qual o produtor de tintas se insere e na forma como este enfrenta os desafios particulares do setor e da economia. Adicionalmente, empresas que apostaram em inovação, qualidade e em investimentos em promoção, devem crescer acima do PIB projetado, enquanto as demais deverão apresentar um desempenho bem mais tímido.

Em junho deste ano, a National Titanium Dioxide Company Ltd. ("Cristal") e a Millennium Inorganic Chemicals se juntaram para formar a segunda maior produtora mundial de dióxido de titânio e um produtor líder de especialidades de titânio. Cristal e MIC operam nove fábricas em seis países e empregam mais de 3,7 mil pessoas no mundo.  Atualmente, a MIC é uma subsidiária integral da Cristal.

A Millennium Inorganic Chemicals tem trabalhado na consolidação de sua base de clientes, com uma visão de longo prazo. Neste ano, a previsão de crescimento é de mais do que a média da indústria, impulsionado pelo crescimento diferenciado desta base e, também, por espaços que já foram e ainda serão cedidos pelos concorrentes do Leste Europeu e China.

“No caso particular da China, tivemos recentemente revelado que a competitividade dos produtos desta origem estava alicerçada em subsídio à exportação patrocinado pelo governo daquele país, subsídio este eliminado agora em julho de 2007 – subsídio de 13% que significava um benefício ao produtor chinês de cerca de U$260/tonelada –, considerando que a competitividade é agora baseada em custos mais realistas, prevemos para breve um redesenho no modelo de abastecimento de TiO2 ao mercado brasileiro”, destaca Marino.

O mercado para TiO2, de forma geral e no longo prazo, acompanha a evolução do PIB, salvo períodos nos quais ocorrem movimentos de ajustes de estoques promovidos pelos mercados consumidores do produto, quando a demanda por TiO2 pode ser reduzida ou ampliada em relação ao indicador. O PIB mundial tem sido sempre positivo e dificilmente cai abaixo dos 3%.

Do outro lado, a capacidade instalada atual de produção do pigmento somada a dos anúncios de expansão futura, indica que a oferta deverá crescer entre 2,3% a 2,8% ao ano pelos próximos cinco anos. “Considerando-se os ganhos tecnológicos e o desenvolvimento de produtos alternativos, podemos afirmar que, a partir destas informações, o equilíbrio entre demanda e suprimento no futuro próximo deverá ser mantido aproximadamente na mesma base da de hoje”, prevê Marino.

Consumo
O setor de tintas é um grande consumidor desse produto, principalmente no segmento de tintas decorativas base água e base solvente. Jonas José Chalita, gerente nacional de Vendas - Divisão Pigmentos e Especialidades - da Dynatech, lembra que, com a abertura do mercado, muitas empresas começaram a procurar outras fontes com qualidade semelhante, a preços menores e foi a partir deste momento que começaram a surgir produtos vindos da Rússia, Ucrânia, Alemanha, Holanda e, como não poderia deixar de ser, da China.” Com toda esta ‘invasão’, explica o gerente da Dynatech, provocada tanto por revendedores como usuários (fabricantes de tintas e concentrados), aos poucos foi se verificando que nem todos os produtos tinham as mesmas propriedades técnicas e, principalmente, fornecimento regular, tanto tecnicamente como em termos de logística, culminando em uma restrição natural a determinados fornecedores. “Com a Dynatech não foi diferente, porém, antes de efetivamente entrarmos nesse mercado, procuramos nos certificar que nosso ‘possível parceiro’ teria condições técnicas, logísticas e comerciais de nos atender, uma vez que não somos representantes, pois recebemos o produto, analisamos, colocamos nossa marca no mesmo e fornecemos ao mercado, garantindo a qualidade técnica e a de fornecimento, mantendo estoque local. Praticamente iniciamos nossa participação nesse mercado de tintas e em outros também no início de 2006, fornecendo o dióxido de titânio tipo Rutílo com nossa marca Dynatitan TR”.

Mesmo com os altos e baixos do mercado, Chalita destaca que o TiO2 é um produto que mantém uma certa regularidade de consumo, acompanhando o próprio crescimento dos vários mercados. “O que aumentou foi o número de concorrentes e, infelizmente, muitos deles ‘fornecedores temporários’, que aproveitam uma oportunidade de negócio imediata e, na maioria das vezes, acabam baixando os preços”.

Adequação
Há alguns anos, os produtores de dióxido de titânio tiveram que adequar os seus negócios, alguns até optando pelo fechamento de fábricas. Na opinião de Chalita, isso foi um erro estratégico. “Com a invasão destes produtos vindos de outras fontes, os preços caíram ainda mais, não houve a esperada falta de produto. Em alguns produtos, onde se usava um dióxido de titânio bem alvo, para se fazer as chamadas ‘cores pastéis’ foram utilizados produtos ‘mais amarelados’ ou outros que, mesmo não sendo ‘brancos’, por serem utilizados em cores tingidas, puderam ser usados, respeitando sempre as especificações e necessidades técnicas. Sabemos que até os produtos chamados ‘top de linha’ tiveram seus preços nivelados por baixo”.

No entanto, Marino, da Millennium Inorganic Chemicals, coloca que ocorreram fechamentos sim, porém, otimizações, racionalização do portfólio de produtos e expansões incrementais reverteram a expectativa de redução da capacidade instalada. “Observamos no passado recente o mesmo prognóstico referente ao futuro próximo de demanda e suprimento em razoável equilíbrio”.

José Roberto Azevedo, gerente de mercado da Brazmo, concorda que o fechamento de algumas fábricas não afetou o fornecimento em razão de muitas outras terem redirecionado seus mercados e, também, melhorado sua produção. Contudo, a China aumenta, e muito, suas exportações. “Temos algumas dificuldades devido aos preços praticados nos produtos chineses com fabricantes diferenciados. Como exemplo, temos fabricantes que utilizam 70% dos produtos chineses e 30% dos produtos de primeira linha”.

Atualmente, Europa, Ásia e América Latina demonstram um forte crescimento do mercado de TiO2. Nos EUA, a demanda está mais fraca, porém sendo compensada pelos outros mercados, segundo o gerente de negócios de Dióxido de Titânio no Brasil da DuPont, Marco Aurélio Babosa, pois mesmo com a  produção global em níveis elevados, o inventário global está decaindo mês após mês. No Brasil, entende ele, o mercado neste ano apresenta crescimento de 10%, com expansão em todos os segmentos, mas principalmente em tinta arquitetônica.

“O mercado mundial de TiO2 passa por um momento de baixa rentabilidade em todo o mundo, devido ao aumento dos principais insumos - ilminita, cloro, energia e gás. Os baixos preços, pressionados pela crescente oferta de produto chinês no mercado, também contribuíram para a redução das margens. Como resultado, vários dos ativos operantes foram vendidos recentemente. Espera-se que estas mudanças no controle das empresas adicionadas a alteração dos subsídios dos exportadores chineses, que começou agora no mês de julho, possam criar um ambiente mais salutar para a manutenção das operações e viabilizar novos investimentos nesta indústria”, ressalta Barbosa.

De acordo com Antonio Carlos Slongo, gestor de marketing da unidade de  negócios Tintas e Adesivos da Ipiranga Química, distribuidora da DuPont Titanium Technologies, as perspectivas de crescimento são boas. “O mercado está reagindo positivamente com apelos de qualidade em diferentes segmentos. Participamos de todos os segmentos de mercado e dispomos de um laboratório de aplicações técnicas localizado em nosso Centro de Distribuição em Guarulhos (SP), para dar suporte técnico aos nossos clientes com o apoio da nossa representada DuPont Titanium Technologies, a maior fabricante mundial de dióxido de titânio, servindo clientes globalmente nas indústrias de revestimentos, papéis e plásticos”.

Quem também concorda que o mercado deve crescer é o diretor comercial da Minérios Ouro Branco, José Carlos Bartholi. “A demanda tem aumentado em 2007 e o mercado deve crescer. A tendência deverá ser sentida principalmente pelo incremento dos negócios no setor imobiliário, setor que puxa muito o consumo de TiO2. Sem contar com o próprio crescimento da economia brasileira, que deverá ser maior neste ano em comparação com 2006. Vide o mercado de vendas de bens duráveis com forte demanda”.

Desenvolvimentos
A Kronos Titan, representada pela Degussa – é a quarta maior produtora de dióxido de Titânio e uma das primeiras em termos de tecnologia. A empresa possui plantas produtivas na Europa, Canadá e Estados Unidos. Dentre seus produtos, podemos encontrar commodities e especialidades para nichos de mercados. Durante a European Coating Show, que aconteceu em maio, foram lançados três produtos para diferentes segmentos de tintas. “A Degussa é líder mundial em especialidades químicas e, para complementar a nossa linha no atendimento ao mercado brasileiro, contamos com a representação de algumas empresas, dentre elas a Kronos Titan”, afirma a coordenadora de negócios, Camila Pecerini.

Nesta última década, o TiO2 tem sido parcialmente substituído por extenders, polímeros especiais e até por cargas de superior qualidade. No entanto, com base na tecnologia atual, existem limites mínimos na quantidade de TiO2 que não podem ser ultrapassados sem que ocorra perda de qualidade do produto final.

“Aliás, nestes últimos anos o TiO2 sofreu a concorrência do próprio TiO2, produtos com características de performance inferior, mas que com preços bastante atraentes foram utilizados como extenders - muitos destes produtos não apresentam o devido e caro tratamento de superfície que assegura a necessária e esperada resistência à intempéries”, assegura Marino, da Millennium Inorganic Chemicals.
 
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