Mais
eficácia, maior pureza e resistência,
melhoria do nivelamento e nanotecnologia. Estas são
apenas algumas das mudanças tecnológicas que
o mercado observa no segmento de espessantes celulósicos,
cujas perspectivas de crescimento no Brasil são muito
positivas. Tal otimismo deve-se, principalmente, ao fato
de que os fabricantes estão aprimorando os métodos
de produção e obtenção de suas
matérias-primas, visando, com isso, diminuir os preços
frente aos espessantes acrílicos associativos.
Encontrado
principalmente nas tintas base d’água, os espessantes
celulósicos são éteres derivados de
celulose natural, como o CMC (Carboximetilcelulose) e HEC
(Hidroxietilcelulose), que possuem elevada propriedade reológica.
Segundo
informações colhidas com alguns fabricantes,
o CMC de sódio é um
dos espessantes orgânicos mais conhecidos e utilizados
na formulação
de tintas base água. Trata-se de um polímero
aniônico, produzido
pelo tratamento de celulose com ácido monocloroacético
em presença
de excesso de hidróxido de sódio. São
os grupos carboxilatos que lhe conferem solubilidade em água.
De
acordo com a Dow Química, devido à concorrência
acirrada, alguns formuladores substituíram o HEC – polímero
não
iônico, doador de viscosidade e formador de filme – por
espessantes acrílicos e, em alguns casos, pelo CMC.
Segundo a empresa, isso reduziu a qualidade das tintas, mas,
após reclamações, os formuladores
reconsideraram a situação e hoje tentam evitar
essas trocas. “Por
outro lado, embora os espessantes associativos sejam amplamente
utilizados em tintas, os formuladores têm percebido
que, no caso de algumas aplicações,
fica realmente difícil substituir por HEC e manter
o mesmo perfil reológico
e as mesmas propriedades das tintas. Em países em
desenvolvimento, como no caso do Brasil, há um equilíbrio
entre o consumo de espessantes associativos e HEC”,
verifica Hugo Tomas de Notta, líder de desenvolvimento
da Dow Química.
Noemi
Sakamoto, gerente de mercado do Grupo Formitex, esclarece
essa questão
afirmando que os espessantes celulósicos podem ser
utilizados nas tintas imobiliárias base água,
desde as de primeira linha, no caso dos HEC, como nas linhas
econômicas. “No caso das linhas econômicas,
o CMC se torna uma ótima alternativa, não só pelo
aspecto custo, como também pelas características
reológicas das
tintas”.
Opções à parte,
as vantagens dos espessantes celulósicos
são inquestionáveis. O mercado chega a considerar
esse produto como multifuncional, a partir do momento que
atua como espessante, ligante, estabilizante, agente de suspensão,
retentor de água e controlador de reologia
da tinta (tixotropia, por exemplo). Fisiologicamente inerte,
os espessantes auxiliam a formação de filmes
resistentes a óleos, graxas e solventes
orgânicos, além de serem de fácil incorporação
e dispersão em água fria ou quente.
Em
suma, os espessantes celulósicos visam atingir propriedades
como aditivo. Entre essas propriedades, pode-se citar sua
função como espessante,
controlador e estabilizador da viscosidade durante o processo
de fabricação
e aplicação; anti-sedimentação;
antiescorrimento e redutor de respingos no momento da aplicação;
promotor de manutenção
da viscosidade de armazenamento; aumento da pseudoplasticidade;
facilitador da passagem da tinta do rolo para a parede e
promotor de nivelamento.
Indispensável
para fabricação
de uma tinta de qualidade, os espessantes celulósicos
são especialmente fabricados para tintas
líquidas à base de solvente e água.
Sua utilização é freqüente
em tintas imobiliárias, tintas e texturas em pó,
massa corrida, grafiato, quartzo, entre outras. “Na
realidade, em uma tinta costuma-se misturar vários
tipos de espessantes para chegar à reologia desejada”,
esclarece Klaus Raske, gerente de mercado Divisão
Construção
da Makeni Chemicals.
Dentro
do segmento de tintas base água,
esse aditivo só não é utilizado
em esmaltes semibrilho e alto brilho, devido ao mecanismo
de floculação,
que reduz o brilho. Mas, segundo informações
de Notta, no caso de formulações de base de
alta qualidade para tingimento, é realmente
necessário incluir o HEC, principalmente quando são
utilizadas algumas dispersões de cor, com altos níveis
de surfactantes. “Os
espessantes oferecem excelente estabilidade de viscosidade
e pseudoplasticidade, aceitação à cor,
além de boa viscosidade de cisalhamento,
tanto no caso de baixa como no de alta viscosidade”,
completa.
Apenas
em alguns casos pode-se até dispensar
a utilização
dos espessantes celulósicos, mas, como José Carlos
Bartholi, diretor comercial da Minérios Ouro Branco,
ressalta, isto dependerá da
resina utilizada e de sua porcentagem no sistema.
As
inovações
Existem muitos avanços dentro desse mercado. Por
isso, Paint & Pintura convidou os principais fabricantes
e representantes desses produtos para falarem sobre o que
consideram mais importante no quesito de inovações
tecnológicas.
Na
opinião de Cristiani Santos,
vendedora técnica
da Dipa Química, o grau de substituição
tem sido um fator importante para a comercialização
do espessante celulósico, bem como sua pureza. Principalmente
nas indústrias que o utilizam em produtos considerados
nobres, como cosméticos e alimentos.
Tempo
maior de hidração e a inclusão
de componentes hidrofóbicos mais eficazes na molécula
da HMMEC, segundo Notta, foram as inovações
técnicas mais importantes oferecidas aos formuladores.
Entre
os novos produtos desenvolvidos pela Shin Etsu, no Japão
e Alemanha, Raske, da Makeni, considera como um dos mais
importantes avanços os bioestáveis,
com maior resistência a microorganismos, e os de ativação
(espessamento) retardados, pela facilidade e rapidez na incorporação
durante o processo da fabricação da tinta.
Já Roberto
Gagliardi, engenheiro responsável
pelo desenvolvimento dos espessantes da J.Reminas, cita a
nanotecnologia como principal avanço nesse mercado. “Estamos
na era da nanotecnologia. Isso abrange todos os segmentos
do mercado. O pioneiro foi o setor de plásticos e,
logo em seguida, o de tintas à base de solvente e
base água”, relembra.
Segundo
o engenheiro, foram 14 meses de pesquisas para atingir
um produto com qualidade nano. O processo foi concluído
há cerca de cinco meses, com o desenvolvimento do
nanoespessante, um aditivo que, de acordo com a empresa,
superou a expectativa do mercado de tinta e se encontra em
grande fase de expansão.
O dois lados da moeda
Apesar da introdução de outros produtos para
controle de viscosidade estrutural das tintas, o carboximetilcelulose
continua sendo amplamente utilizado na formulação
das tintas base aquosa. “A melhoria do nivelamento
e das propriedades reológicas, aliada ao custo e facilidade
de processamento, continuam sendo fatores determinantes para
o uso dos polímeros naturais por parte dos formuladores
e fabricantes de tintas imobiliárias”, observa
Ismael Corazza, gerente de negócios Tintas e Vernizes
da Bandeirante Química.
Em
uma rápida análise
desse mercado, Corazza comenta que o crescimento acumulado
do setor de tintas, na última
década, foi de apenas 28% e o segmento da construção
civil variou apenas 30% no mesmo período. Isso faz
com que ano após ano, o mercado aposte na retomada
do aquecimento do mercado, porém a realidade tem se
mostrado bem diferente. “Desta forma, apenas medidas
governamentais efetivas para o incentivo da construção
poderão propiciar a melhoria de desempenho do setor.
Caso contrário, os percentuais de evolução
do mercado devem continuar com o mesmo comportamento de variação
vegetativa apresentados atualmente”.
Apesar
desses fatores, o gerente garante que a Bandeirante Química
continua atenta aos movimentos do setor, seja ele de evolução
técnica ou mercadológica.
Esse movimento aliado à missão da empresa de
estimular a inovação, o crescimento conjunto,
o compartilhamento do conhecimento, a proteção
do ambiente, a ética e as relações de
confiança no mundo químico, possibilita a oferta
de melhores soluções por meio do fornecimento
de matérias-primas que mais se ajustem ás expectativas
e exigências de aplicação.
Outro
fator que limita esse mercado é o problema da
taxa de câmbio, que, de acordo com Noemi, provoca aumento
de custos fixos e dos preços das principais matérias-primas,
com limitação de produção de
materiais que fazem parte da cadeia produtiva.
Mesmo
sem uma retomada no crescimento do setor de tintas, algumas
empresas ainda vêem o mercado de espessantes
como uma área interessante a ser trabalhada, devido
as suas variadas aplicações. Este é o
caso da J.Reminas, que apresenta crescimento semestral de
5% a 7%, percentuais que, quando comparados a outros lançamentos
da empresa, são muito significativos. “Nossa
expectativa é de, em 2008, atingirmos aumento nas
vendas para o segmento de tintas de 35%. Isso falando apenas
de mercado interno”, estima Gagliardi.
Para
Bartholi, apesar de o mercado celulósico enfrentar
uma difícil concorrência contra os espessantes
acrílicos associativos – cada vez mais avançados
esses produtos garantem um desempenho tão bom quanto
os celulósicos –, ainda não apresentam
preço competitivo para substituir os celulósicos
por completo. “Estamos apostando na importação
do carboximetilcelulose de alta viscosidade para linhas de
tintas massa corrida. Este é o caso do CMC GD 10.000,
produto de baixo custo e excelente performance, que atribui
melhor estabilidade, dispersão, reologia e baixa queda
de viscosidade ao receber aditivos e complementos”,
anuncia.
Notta
retoma a questão da substituição,
argumentando que, embora algumas pessoas tentem estimular
os clientes a utilizarem espessantes associativos ou somente
HEC, os formuladores sabem que o melhor perfil reológico é,
na maioria das vezes, obtido com a combinação
de celulósicos e modificadores reológicos.
Ou seja, o HEC pode ser combinado ao HMHEC, a acrílicos
associativos e a poliuretanos (PUs). “Na Dow Brasil,
produzimos ambas as famílias de espessantes, ou seja,
tanto os associativos quanto os celulósicos. Nesse
ponto, contamos com uma equipe qualificada formada por profissionais
especializados em reologia e com equipamentos necessários
para conseguirmos a melhor solução reológica
para qualquer formulação de tinta”, garante.
Raske
ratifica a existência de muitos sistemas de espessamento,
como os vários tipos de acrílicos, poliuretânicos,
entre outros, e aposta que todos continuarão a coexistir
no mercado. “Nestas outras possibilidades, continuamos
sendo parceiros da BASF. Como distribuidora exclusiva da Shin
Etsu, um dos maiores produtores mundiais de éteres celulósicos,
a Makeni Chemicals está muito otimista neste e em outros
segmentos, introduzindo constantemente novos produtos”,
aponta o gerente, comunicando que a empresa espera atingir
crescimento de 30% para este ano. |