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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 114 - Espessantes celulósicos
 
Tecnologia mantém equilíbrio
 

Mesmo com a oferta de muitos sistemas de espessamento, o que favorece a concorrência acirrada, os fabricantes de espessantes celulósicos acreditam na manutenção de uma coexistência sadia e apresentam, para isso, várias inovações tecnológicas.

 
Lucélia Monfardini e Maristela Rizzo
 

Mais eficácia, maior pureza e resistência, melhoria do nivelamento e nanotecnologia. Estas são apenas algumas das mudanças tecnológicas que o mercado observa no segmento de espessantes celulósicos, cujas perspectivas de crescimento no Brasil são muito positivas. Tal otimismo deve-se, principalmente, ao fato de que os fabricantes estão aprimorando os métodos de produção e obtenção de suas matérias-primas, visando, com isso, diminuir os preços frente aos espessantes acrílicos associativos.

Encontrado principalmente nas tintas base d’água, os espessantes celulósicos são éteres derivados de celulose natural, como o CMC (Carboximetilcelulose) e HEC (Hidroxietilcelulose), que possuem elevada propriedade reológica.

Segundo informações colhidas com alguns fabricantes, o CMC de sódio é um dos espessantes orgânicos mais conhecidos e utilizados na formulação de tintas base água. Trata-se de um polímero aniônico, produzido pelo tratamento de celulose com ácido monocloroacético em presença de excesso de hidróxido de sódio. São os grupos carboxilatos que lhe conferem solubilidade em água.

De acordo com a Dow Química, devido à concorrência acirrada, alguns formuladores substituíram o HEC – polímero não iônico, doador de viscosidade e formador de filme – por espessantes acrílicos e, em alguns casos, pelo CMC. Segundo a empresa, isso reduziu a qualidade das tintas, mas, após reclamações, os formuladores reconsideraram a situação e hoje tentam evitar essas trocas. “Por outro lado, embora os espessantes associativos sejam amplamente utilizados em tintas, os formuladores têm percebido que, no caso de algumas aplicações, fica realmente difícil substituir por HEC e manter o mesmo perfil reológico e as mesmas propriedades das tintas. Em países em desenvolvimento, como no caso do Brasil, há um equilíbrio entre o consumo de espessantes associativos e HEC”, verifica Hugo Tomas de Notta, líder de desenvolvimento da Dow Química.

Noemi Sakamoto, gerente de mercado do Grupo Formitex, esclarece essa questão afirmando que os espessantes celulósicos podem ser utilizados nas tintas imobiliárias base água, desde as de primeira linha, no caso dos HEC, como nas linhas econômicas. “No caso das linhas econômicas, o CMC se torna uma ótima alternativa, não só pelo aspecto custo, como também pelas características reológicas das tintas”.

Opções à parte, as vantagens dos espessantes celulósicos são inquestionáveis. O mercado chega a considerar esse produto como multifuncional, a partir do momento que atua como espessante, ligante, estabilizante, agente de suspensão, retentor de água e controlador de reologia da tinta (tixotropia, por exemplo). Fisiologicamente inerte, os espessantes auxiliam a formação de filmes resistentes a óleos, graxas e solventes orgânicos, além de serem de fácil incorporação e dispersão em água fria ou quente.

Em suma, os espessantes celulósicos visam atingir propriedades como aditivo. Entre essas propriedades, pode-se citar sua função como espessante, controlador e estabilizador da viscosidade durante o processo de fabricação e aplicação; anti-sedimentação; antiescorrimento e redutor de respingos no momento da aplicação; promotor de manutenção da viscosidade de armazenamento; aumento da pseudoplasticidade; facilitador da passagem da tinta do rolo para a parede e promotor de nivelamento.

Indispensável para fabricação de uma tinta de qualidade, os espessantes celulósicos são especialmente fabricados para tintas líquidas à base de solvente e água. Sua utilização é freqüente em tintas imobiliárias, tintas e texturas em pó, massa corrida, grafiato, quartzo, entre outras. “Na realidade, em uma tinta costuma-se misturar vários tipos de espessantes para chegar à reologia desejada”, esclarece Klaus Raske, gerente de mercado Divisão Construção da Makeni Chemicals.

Dentro do segmento de tintas base água, esse aditivo só não é utilizado em esmaltes semibrilho e alto brilho, devido ao mecanismo de floculação, que reduz o brilho. Mas, segundo informações de Notta, no caso de formulações de base de alta qualidade para tingimento, é realmente necessário incluir o HEC, principalmente quando são utilizadas algumas dispersões de cor, com altos níveis de surfactantes. “Os espessantes oferecem excelente estabilidade de viscosidade e pseudoplasticidade, aceitação à cor, além de boa viscosidade de cisalhamento, tanto no caso de baixa como no de alta viscosidade”, completa.

Apenas em alguns casos pode-se até dispensar a utilização dos espessantes celulósicos, mas, como José Carlos Bartholi, diretor comercial da Minérios Ouro Branco, ressalta, isto dependerá da resina utilizada e de sua porcentagem no sistema.

As inovações
Existem muitos avanços dentro desse mercado. Por isso, Paint & Pintura convidou os principais fabricantes e representantes desses produtos para falarem sobre o que consideram mais importante no quesito de inovações tecnológicas.

Na opinião de Cristiani Santos, vendedora técnica da Dipa Química, o grau de substituição tem sido um fator importante para a comercialização do espessante celulósico, bem como sua pureza. Principalmente nas indústrias que o utilizam em produtos considerados nobres, como cosméticos e alimentos.

Tempo maior de hidração e a inclusão de componentes hidrofóbicos mais eficazes na molécula da HMMEC, segundo Notta, foram as inovações técnicas mais importantes oferecidas aos formuladores.

Entre os novos produtos desenvolvidos pela Shin Etsu, no Japão e Alemanha, Raske, da Makeni, considera como um dos mais importantes avanços os bioestáveis, com maior resistência a microorganismos, e os de ativação (espessamento) retardados, pela facilidade e rapidez na incorporação durante o processo da fabricação da tinta.

Já Roberto Gagliardi, engenheiro responsável pelo desenvolvimento dos espessantes da J.Reminas, cita a nanotecnologia como principal avanço nesse mercado. “Estamos na era da nanotecnologia. Isso abrange todos os segmentos do mercado. O pioneiro foi o setor de plásticos e, logo em seguida, o de tintas à base de solvente e base água”, relembra.

Segundo o engenheiro, foram 14 meses de pesquisas para atingir um produto com qualidade nano. O processo foi concluído há cerca de cinco meses, com o desenvolvimento do nanoespessante, um aditivo que, de acordo com a empresa, superou a expectativa do mercado de tinta e se encontra em grande fase de expansão.

O dois lados da moeda
Apesar da introdução de outros produtos para controle de viscosidade estrutural das tintas, o carboximetilcelulose continua sendo amplamente utilizado na formulação das tintas base aquosa. “A melhoria do nivelamento e das propriedades reológicas, aliada ao custo e facilidade de processamento, continuam sendo fatores determinantes para o uso dos polímeros naturais por parte dos formuladores e fabricantes de tintas imobiliárias”, observa Ismael Corazza, gerente de negócios Tintas e Vernizes da Bandeirante Química.

Em uma rápida análise desse mercado, Corazza comenta que o crescimento acumulado do setor de tintas, na última década, foi de apenas 28% e o segmento da construção civil variou apenas 30% no mesmo período. Isso faz com que ano após ano, o mercado aposte na retomada do aquecimento do mercado, porém a realidade tem se mostrado bem diferente. “Desta forma, apenas medidas governamentais efetivas para o incentivo da construção poderão propiciar a melhoria de desempenho do setor. Caso contrário, os percentuais de evolução do mercado devem continuar com o mesmo comportamento de variação vegetativa apresentados atualmente”.

Apesar desses fatores, o gerente garante que a Bandeirante Química continua atenta aos movimentos do setor, seja ele de evolução técnica ou mercadológica. Esse movimento aliado à missão da empresa de estimular a inovação, o crescimento conjunto, o compartilhamento do conhecimento, a proteção do ambiente, a ética e as relações de confiança no mundo químico, possibilita a oferta de melhores soluções por meio do fornecimento de matérias-primas que mais se ajustem ás expectativas e exigências de aplicação.

Outro fator que limita esse mercado é o problema da taxa de câmbio, que, de acordo com Noemi, provoca aumento de custos fixos e dos preços das principais matérias-primas, com limitação de produção de materiais que fazem parte da cadeia produtiva.

Mesmo sem uma retomada no crescimento do setor de tintas, algumas empresas ainda vêem o mercado de espessantes como uma área interessante a ser trabalhada, devido as suas variadas aplicações. Este é o caso da J.Reminas, que apresenta crescimento semestral de 5% a 7%, percentuais que, quando comparados a outros lançamentos da empresa, são muito significativos. “Nossa expectativa é de, em 2008, atingirmos aumento nas vendas para o segmento de tintas de 35%. Isso falando apenas de mercado interno”, estima Gagliardi.

Para Bartholi, apesar de o mercado celulósico enfrentar uma difícil concorrência contra os espessantes acrílicos associativos – cada vez mais avançados esses produtos garantem um desempenho tão bom quanto os celulósicos –, ainda não apresentam preço competitivo para substituir os celulósicos por completo. “Estamos apostando na importação do carboximetilcelulose de alta viscosidade para linhas de tintas massa corrida. Este é o caso do CMC GD 10.000, produto de baixo custo e excelente performance, que atribui melhor estabilidade, dispersão, reologia e baixa queda de viscosidade ao receber aditivos e complementos”, anuncia.

Notta retoma a questão da substituição, argumentando que, embora algumas pessoas tentem estimular os clientes a utilizarem espessantes associativos ou somente HEC, os formuladores sabem que o melhor perfil reológico é, na maioria das vezes, obtido com a combinação de celulósicos e modificadores reológicos. Ou seja, o HEC pode ser combinado ao HMHEC, a acrílicos associativos e a poliuretanos (PUs). “Na Dow Brasil, produzimos ambas as famílias de espessantes, ou seja, tanto os associativos quanto os celulósicos. Nesse ponto, contamos com uma equipe qualificada formada por profissionais especializados em reologia e com equipamentos necessários para conseguirmos a melhor solução reológica para qualquer formulação de tinta”, garante.

Raske ratifica a existência de muitos sistemas de espessamento, como os vários tipos de acrílicos, poliuretânicos, entre outros, e aposta que todos continuarão a coexistir no mercado. “Nestas outras possibilidades, continuamos sendo parceiros da BASF. Como distribuidora exclusiva da Shin Etsu, um dos maiores produtores mundiais de éteres celulósicos, a Makeni Chemicals está muito otimista neste e em outros segmentos, introduzindo constantemente novos produtos”, aponta o gerente, comunicando que a empresa espera atingir crescimento de 30% para este ano.
 
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