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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 114 - Sistemas para autopartes, tratores e implementos agrícolas
 
Momento favorável
 

A indústria automotiva brasileira vive um excelente momento. O cenário, então, fica favorável a todos que acompanham e prestam serviços ao mercado automobilístico.

 
Fábio Sabbag
 

Passando por um momento extremamente favorável, a indústria automotiva brasileira bate recordes em cima de recordes. A Honda – na sua fábrica em Sumaré, interior de São Paulo – reduziu em 20 minutos o horário de almoço dos funcionários e começou a operar nos finais de semana, um fato raro na indústria automobilística.

Após mais de dez anos no ostracismo, segundo alguns estudiosos dessa indústria, a retomada chega num ritmo alucinante. Hoje, além de os juros serem mais baixos, o brasileiro tenta seguir o modelo americano de vida. Lá, a troca de carro se dá num prazo máximo de um ano. O que diferencia o mercado brasileiro dos demais países desenvolvidos é que, ainda, o volume de vendas de veículos está concentrado nos modelos populares, de baixo valor agregado. “Com o crescimento da produção no setor automobilístico nos últimos anos, o consumo de tintas em pó para o segmento de autopeças tem acompanhado esta expansão, porém este aumento está ocorrendo na faixa de veículos populares de baixo valor agregado e alta competitividade, tanto para o mercado interno como para as exportações. A conseqüência é o aumento da pressão das montadoras em seus fornecedores na busca de redução de custos para recompor suas margens”, opina Antonio Roberto Cruz, diretor comercial da Isocoat.

Na opinião de João Penteado, diretor comercial da Artex Tintas, as indústria automobilísticas, instaladas no Brasil, apresentam recordes sucessivos de produção tendo inclusive a Fiat adimitido que está operando com 100% da capacidade. “Sendo assim, só nos resta crer que as solicitações de redução de custos por parte dos fornecedores venham em função da competitividade e mercado consumidor aquecido”, acrescenta Penteado.

Depois de cursar exaustivamente a faculdade do aprendizado – devido a uma série de joint-ventures criadas com as grandes montadoras –, a China deu sinais de força no mercado automobilístico. Hoje, o mercado chinês já é considerado o segundo maior mercado automobilístico do mundo.

Paralelamente, cresce o consumo de tintas. De acordo com Cruz, o reflexo do acelerado crescimento da China no mercado brasileiro de tintas em pó para autopeças já começa a dar sinais no que tange ao abastecimento de algumas matérias-primas, pois o aumento da demanda por estes materiais, pelo mercado asiático, direciona a produção de fornecedores globais à Ásia, desabastecendo algumas regiões como a sul-americana e o Brasil, não sendo auto-suficiente na produção de algumas matérias-primas, fica à deriva. “Deixa-nos dependentes de importações e esta escassez na oferta provoca alta nos preços pressionando os nossos custos”, acrescenta Cruz.

Para penteado, provavelmente, o mercado chinês quebrará os paradigmas até o momento, principalmente em relação aos custos de fabricação, ficando mais uma vez os fabricantes tradicionais agindo em cima dos fornecedores para diminuição de custos.       

Bonança depois da tempestade
Já absorvida pelo segmento, a crise de 1998, que atingiu em cheio o segmento de tintas em pó para autopeças, fez com que o setor se modernizasse. “Após um período de adaptações, a indústria automobilística reagiu buscando novos mercados, aumentando as exportações e adaptando-se à nova realidade do mercado interno. As montadoras investiram na modernização de suas plantas aumentando a produtividade, tanto que a expectativa das montadoras para o ano de 2006 era de encerrar com um volume recorde de 2,65 milhões de unidades produzidas, refletindo positivamente no segmento de tintas em pó para autopeças, aumentando o volume para o segmento em aproximadamente 10% em relação para 2005”, conta Cruz.

Para sair da ditadura de preços imposta pela indústria automotiva nos preços praticados pelos fabricantes de tintas para autopartes. “Infelizmente a indústria de autopartes só entende a necessidade dos fornecedores quando supendemos as entregas por não termos mais condições de fornecimento a preços gravosos”, fala Penteado.

A fabricante Weg é outra das que atuam nesse segmento. Para ele, oferece tintas para autopartes com o Primer Nitro Sintético 0188.0004, um produto monocomponente, com pigmentação anticorrosiva, secagem extra-rápida, brilho fosco e resistência a óleo diesel de 500 horas. O primer nitro sintético atende à norma AGCO – EMA 000 Ver.08.

Novos destinos
Em pleno aquecimento, a indústria automotiva pisa forte no acelerador de crescimento. No atual mercado agitado, novos rumos, em busca de novas tecnologias, começam a decolar. “As tecnologias mais modernas como o e-coat exigem grande investimento inicial em equipamentos modernos e complexos. Uma opção que ganha força para reduzir o impacto desse investimento é delegar a uma empresa especializada todas as questões envolvendo pintura. Temos mais de vinte casos de sucesso onde construímos, instalamos e operamos sistemas de pintura completos de autopartes, onde todo o investimento foi assumido pela nossa empresa, reduzindo os riscos envolvidos”, pondera Amadeu Paiva, gerente de vendas da MetoKote Brasil. A MetoKote é uma empresa de aplicação de pintura protetiva e não fabricante de tintas. Ainda segundo Paiva, a empresa é a maior aplicadora independente de tinta e-coat do mundo, com mais de 53 linhas de pintura pó em mais de 40 fábricas nas Américas e Europa.

Globalização, na opinião de Cruz, trouxe um grande avanço na indústria brasileira. “Um destes avanços foram os programas de qualidade que aportaram no País pela exigência das montadoras, além de a maioria das indústrias de autopartes passar para as mãos de empresas globalizadas, que com novos conceitos ganharam em qualidade de eficiência. Para o segmento de tintas em pó acompanhar esta evolução também foram necessários investimentos em tecnologia, qualidade e treinamento. O reflexo foi o aumento da demanda, principalmente por novos produtos e novas tecnologias”, observa o diretor comercial da Isocoat.

Vantagens e tendências
São inúmeras as vantagens oferecidas pelo revestimento com tintas eletrostáticas a pó para o setor automotivo, entre elas pode-se citar: a alta resistência química e mecânica se comparado com os revestimentos líquidos de duas ou três demãos, dispensa o uso de primers, a ausência total de solventes, menor custo por metro quadrado se comparado com os sistemas líquidos convencionais, menor custo de investimento em equipamentos de aplicação. Além destas vantagens, é a mais usual atualmente na Europa, onde o apelo ecológico que os revestimentos a pó proporcionam é prontamente atendido.

“Para o setor automotivo, é uma tendência utilizar cada vez mais produtos ecologicamente corretos, tanto que para os fabricantes de tintas fornecerem para as indústrias do setor automotivo, ou para o segmento de autopeças, o fabricante de tintas  é obrigado a divulgar os principais produtos químicos constantes nas formulações no IMDS – em português, Sistema de Dados de Material –, e esta tendência é mundial, pois além da divulgação por meio do IMDS, atualmente para se exportar manufaturados para Europa, o fabricante é obrigado a fornecer um documento garantindo que seus produtos atendem a diretiva numero 2002/95”, informa Cruz.

Quanto às limitações de utilização de tintas em pó para o setor automobilístico, ainda existem algumas barreiras tecnológicas que aos poucos vão sendo atingidas como, por exemplo, a pintura das carrocerias que já contam com algumas linhas pilotos tanto na Europa como nos Estados Unidos. O desenvolvimento mais recente onde existia uma enorme barreira pelo perfil das peças foi o desenvolvimento com a Caterpillar já citado que, por meio de novas técnicas, conseguimos um produto adequado as suas peças.

A Isocoat conta atualmente com uma linha de tintas em pó Isoauto específica para o segmento de autopeças; produtos à base de resinas epóxi; híbridas (epóxi/poliéster); poliéster; poliéster superduráveis; e nos mais diversos acabamentos como brilhantes, foscos, semifoscos, microtextura, texturizados, metálicos, vernizes, etc. Além disso, a empresa é homologada pelas principais montadoras do País como Volkswagen, Ford, General Motors, Fiat, Renault, Toyota, Honda. A Isocoat é também a única fabricante de tintas em pó na América Latina a ter seus produtos homologados pela Caterpillar nos Estados Unidos.

Na opinião de Paiva, da MetoKote, o E-coat continua sendo uma tendência crescente. “Quase todos os componentes dentro do capô ou sob a carroceria demandam essa tecnologia. Nos componentes de chassis para caminhões, expostos às intempéries e impactos de pedras, a tecnologia de dupla camada, sendo o e-coat como primer e tinta em pó como acabamento, oferece a máxima proteção e durabilidade, atendendo as normas técnicas e ambientais mais exigentes das montadoras. A preocupação com as questões ambientais sempre deve se sobrepor. Não temos dúvidas quanto a isso. Do ponto de vista técnico, as empresas mais sérias, com abrangência internacional, já estão plenamente adaptadas às exigências, mas a disputa feroz por redução de centavos no preço das peças cria uma tentação muito grande no sentido de voltar a usar tecnologias um pouco mais econômicas, porém menos ‘limpas’ depois da fase de aprovação de amostras”, considera.

As montadoras, principalmente as que exportam para o mercado europeu, estão muito atentas a essa questão, pois os riscos financeiros e de imagem envolvidos são muito grandes. “Mais do que fornecer tintas, a MetoKote oferece uma solução completa para as necessidades de pintura tanto de autopartes como outros mercados, que pode ser por meio de prestação de serviços nas unidades de uso geral, ou até mesmo projetando, construindo, instalando e operando um sistema customizado de pintura dentro da planta do cliente, que pode deixar por nossa conta todas as questões de desenvolvimento, qualidade, manutenção, laboratórios e até mesmo licenças ambientais”, diz Paiva. 

Mundo dos tratores e implementos agrícolas
Para a parte em fundidos, a Weg possui o Wegthane S91, primer acabamento poliuretano acrílico alifático. O S91 é um produto bicomponente, com relação de mistura (5A x 1B), componente B: 0610.0028, cores Ral /  Munsell ou conforme padrão do cliente, brilho fosco ao brilhante, sólidos volume 45+-5%, espessura seca 50-60 micrometros e salt spray de 240 horas chapa fosfatizada (fosfato de zinco). As aplicações destinam-se à pintura de máquinas e equipamentos, com boa resistência química e ao intemperismo contínuo e substitui o gavetão 0504.          

Na visão de Penteado, o ano passado foi extremamente fraco e, agora, a recuperação começa a ser sentida. “A principal particularidade é a tentativa de um aumento de qualidade para esse segmento, afinal são produtos com valores muito altos e cada vez mais os clientes das máquinas e equipamentos novos produtos para atender essa nova exigência dos consumidores”, fala.
 
Sumário
 
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