Passando
por um momento extremamente favorável,
a indústria automotiva brasileira bate recordes em
cima de recordes. A Honda – na sua fábrica em
Sumaré, interior de São Paulo – reduziu
em 20 minutos o horário de almoço dos funcionários
e começou a operar nos finais de semana, um fato raro
na indústria automobilística.
Após
mais de dez anos no ostracismo, segundo alguns estudiosos
dessa indústria,
a retomada chega num ritmo alucinante. Hoje, além
de os juros serem mais baixos, o brasileiro tenta seguir
o modelo americano de vida. Lá, a troca
de carro se dá num prazo máximo de um ano.
O que diferencia o mercado brasileiro dos demais países
desenvolvidos é que, ainda, o volume
de vendas de veículos está concentrado nos
modelos populares, de baixo valor agregado. “Com o
crescimento da produção no setor
automobilístico nos últimos anos, o consumo
de tintas em pó para
o segmento de autopeças tem acompanhado esta expansão,
porém
este aumento está ocorrendo na faixa de veículos
populares de baixo valor agregado e alta competitividade,
tanto para o mercado interno como para as exportações.
A conseqüência é o aumento da
pressão das montadoras em seus fornecedores na busca
de redução
de custos para recompor suas margens”, opina Antonio
Roberto Cruz, diretor comercial da Isocoat.
Na
opinião
de João Penteado, diretor comercial da Artex Tintas,
as indústria automobilísticas, instaladas no
Brasil, apresentam recordes sucessivos de produção
tendo inclusive a Fiat adimitido que está operando
com 100% da capacidade. “Sendo assim, só nos
resta crer que as solicitações de redução
de custos por parte dos fornecedores venham em função
da competitividade e mercado consumidor aquecido”,
acrescenta Penteado.
Depois
de cursar exaustivamente a faculdade do aprendizado – devido
a uma série de joint-ventures criadas com as grandes
montadoras –, a China
deu sinais de força no mercado automobilístico.
Hoje, o mercado chinês já é considerado
o segundo maior mercado automobilístico
do mundo.
Paralelamente,
cresce o consumo de tintas. De acordo com Cruz, o reflexo
do acelerado crescimento da China no mercado brasileiro
de tintas em pó para autopeças
já começa a dar sinais no que tange ao abastecimento
de algumas matérias-primas, pois o aumento da demanda
por estes materiais, pelo mercado asiático, direciona
a produção de fornecedores globais à Ásia,
desabastecendo algumas regiões como a sul-americana
e o Brasil, não
sendo auto-suficiente na produção de algumas
matérias-primas,
fica à deriva. “Deixa-nos dependentes de importações
e esta escassez na oferta provoca alta nos preços
pressionando os nossos custos”, acrescenta Cruz.
Para
penteado, provavelmente, o mercado chinês quebrará os
paradigmas até o momento, principalmente em relação
aos custos de fabricação,
ficando mais uma vez os fabricantes tradicionais agindo em
cima dos fornecedores para diminuição de custos.
Bonança
depois da tempestade
Já absorvida pelo segmento, a crise de 1998, que atingiu
em cheio o segmento de tintas em pó para autopeças,
fez com que o setor se modernizasse. “Após um
período de adaptações, a indústria
automobilística reagiu buscando novos mercados, aumentando
as exportações e adaptando-se à nova
realidade do mercado interno. As montadoras investiram na
modernização de suas plantas aumentando a produtividade,
tanto que a expectativa das montadoras para o ano de 2006
era de encerrar com um volume recorde de 2,65 milhões
de unidades produzidas, refletindo positivamente no segmento
de tintas em pó para autopeças, aumentando
o volume para o segmento em aproximadamente 10% em relação
para 2005”, conta Cruz.
Para
sair da ditadura de preços
imposta pela indústria
automotiva nos preços praticados pelos fabricantes
de tintas para autopartes. “Infelizmente a indústria
de autopartes só entende a necessidade dos fornecedores
quando supendemos as entregas por não termos mais
condições de fornecimento a preços gravosos”,
fala Penteado.
A
fabricante Weg é outra das que atuam
nesse segmento. Para ele, oferece tintas para autopartes
com o Primer Nitro Sintético 0188.0004, um produto
monocomponente, com pigmentação anticorrosiva,
secagem extra-rápida,
brilho fosco e resistência a óleo diesel de
500 horas. O primer nitro sintético atende à norma
AGCO – EMA 000 Ver.08.
Novos destinos
Em
pleno aquecimento, a indústria automotiva pisa
forte no acelerador de crescimento. No atual mercado agitado,
novos rumos, em busca de novas tecnologias, começam
a decolar. “As tecnologias mais modernas como o e-coat
exigem grande investimento inicial em equipamentos modernos
e complexos. Uma opção que ganha força
para reduzir o impacto desse investimento é delegar
a uma empresa especializada todas as questões envolvendo
pintura. Temos mais de vinte casos de sucesso onde construímos,
instalamos e operamos sistemas de pintura completos de autopartes,
onde todo o investimento foi assumido pela nossa empresa,
reduzindo os riscos envolvidos”, pondera Amadeu Paiva,
gerente de vendas da MetoKote Brasil. A MetoKote é uma
empresa de aplicação de pintura protetiva e
não fabricante de tintas. Ainda segundo Paiva, a empresa é a
maior aplicadora independente de tinta e-coat do mundo, com
mais de 53 linhas de pintura pó em mais de 40 fábricas
nas Américas e Europa.
Globalização,
na opinião de Cruz, trouxe
um grande avanço na indústria brasileira. “Um
destes avanços foram os programas de qualidade que
aportaram no País pela exigência das montadoras,
além de a maioria das indústrias de autopartes
passar para as mãos de empresas globalizadas, que
com novos conceitos ganharam em qualidade de eficiência.
Para o segmento de tintas em pó acompanhar esta evolução
também foram necessários investimentos em tecnologia,
qualidade e treinamento. O reflexo foi o aumento da demanda,
principalmente por novos produtos e novas tecnologias”,
observa o diretor comercial da Isocoat.
Vantagens
e tendências
São inúmeras as vantagens oferecidas pelo revestimento
com tintas eletrostáticas a pó para o setor
automotivo, entre elas pode-se citar: a alta resistência
química e mecânica se comparado com os revestimentos
líquidos de duas ou três demãos, dispensa
o uso de primers, a ausência total de solventes, menor
custo por metro quadrado se comparado com os sistemas líquidos
convencionais, menor custo de investimento em equipamentos
de aplicação. Além destas vantagens, é a
mais usual atualmente na Europa, onde o apelo ecológico
que os revestimentos a pó proporcionam é prontamente
atendido.
“Para
o setor automotivo, é uma tendência utilizar
cada vez mais produtos ecologicamente corretos, tanto que
para os fabricantes de tintas fornecerem para as indústrias
do setor automotivo, ou para o segmento de autopeças,
o fabricante de tintas é obrigado
a divulgar os principais produtos químicos constantes
nas formulações
no IMDS – em português, Sistema de Dados de Material –,
e esta tendência é mundial, pois além
da divulgação
por meio do IMDS, atualmente para se exportar manufaturados
para Europa, o fabricante é obrigado a fornecer um
documento garantindo que seus produtos atendem a diretiva
numero 2002/95”, informa Cruz.
Quanto às
limitações
de utilização
de tintas em pó para o setor automobilístico,
ainda existem algumas barreiras tecnológicas que aos
poucos vão sendo atingidas como, por exemplo, a pintura
das carrocerias que já contam com algumas linhas pilotos
tanto na Europa como nos Estados Unidos. O desenvolvimento
mais recente onde existia uma enorme barreira pelo perfil
das peças foi o desenvolvimento com a Caterpillar
já citado que, por meio de novas técnicas,
conseguimos um produto adequado as suas peças.
A
Isocoat conta atualmente com uma linha de tintas em pó Isoauto
específica para o segmento de autopeças; produtos à base
de resinas epóxi; híbridas (epóxi/poliéster);
poliéster; poliéster superduráveis;
e nos mais diversos acabamentos como brilhantes, foscos,
semifoscos, microtextura, texturizados, metálicos,
vernizes, etc. Além disso, a empresa é homologada
pelas principais montadoras do País como Volkswagen,
Ford, General Motors, Fiat, Renault, Toyota, Honda. A Isocoat é também
a única fabricante de tintas em pó na América
Latina a ter seus produtos homologados pela Caterpillar nos
Estados Unidos.
Na
opinião de Paiva, da MetoKote, o
E-coat continua sendo uma tendência crescente. “Quase
todos os componentes dentro do capô ou sob a carroceria
demandam essa tecnologia. Nos componentes de chassis para
caminhões,
expostos às intempéries e impactos de pedras,
a tecnologia de dupla camada, sendo o e-coat como primer
e tinta em pó como acabamento, oferece a máxima
proteção e durabilidade, atendendo as normas
técnicas e ambientais mais exigentes das montadoras.
A preocupação com as questões ambientais
sempre deve se sobrepor. Não temos dúvidas
quanto a isso. Do ponto de vista técnico, as empresas
mais sérias, com abrangência internacional,
já estão plenamente adaptadas às exigências,
mas a disputa feroz por redução de centavos
no preço das peças cria uma tentação
muito grande no sentido de voltar a usar tecnologias um pouco
mais econômicas, porém menos ‘limpas’ depois
da fase de aprovação de amostras”, considera.
As
montadoras, principalmente as que exportam para o mercado
europeu, estão muito atentas a essa questão,
pois os riscos financeiros e de imagem envolvidos são
muito grandes. “Mais do que fornecer tintas, a MetoKote
oferece uma solução completa para as necessidades
de pintura tanto de autopartes como outros mercados, que
pode ser por meio de prestação de serviços
nas unidades de uso geral, ou até mesmo projetando,
construindo, instalando e operando um sistema customizado
de pintura dentro da planta do cliente, que pode deixar por
nossa conta todas as questões de desenvolvimento,
qualidade, manutenção, laboratórios
e até mesmo licenças ambientais”, diz
Paiva.
Mundo
dos tratores e implementos agrícolas
Para a parte em fundidos, a Weg possui o Wegthane S91, primer
acabamento poliuretano acrílico alifático.
O S91 é um produto bicomponente, com relação
de mistura (5A x 1B), componente B: 0610.0028, cores Ral
/ Munsell ou conforme padrão do cliente, brilho
fosco ao brilhante, sólidos volume 45+-5%, espessura
seca 50-60 micrometros e salt spray de 240 horas chapa
fosfatizada (fosfato de zinco). As aplicações
destinam-se à pintura de máquinas e equipamentos,
com boa resistência química e ao intemperismo
contínuo e substitui o gavetão 0504.
Na
visão de Penteado, o ano passado foi extremamente
fraco e, agora, a recuperação começa a
ser sentida. “A principal particularidade é a
tentativa de um aumento de qualidade para esse segmento, afinal
são produtos com valores muito altos e cada vez mais
os clientes das máquinas e equipamentos novos produtos
para atender essa nova exigência dos consumidores”,
fala. |