Com
base nos estudos divulgados pelo Sindicato da Indústria
de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp), é possível
afirmar que os segmentos de tintas e revestimentos no Brasil
ainda não alcançaram a máxima performance.
Conforme o sindicato, em 2006 foram consumidos 330,248 milhões
de galões de tinta – acréscimo de 3,28%
sobre a demanda do ano anterior, de 319,757 milhões
de galões.
Composto
por produtos das linhas imobiliárias,
repintura automotiva, madeiras, tintas de impressão,
serigráficas, manutenção, automotiva
original e demais tintas industriais, o setor faturou, no
ano passado, US$ 2,34 bilhões. Em 2005 o valor havia
chegado a US$ 2,04 bilhões. O representativo
aumento de 14,7% no faturamento deve-se não apenas à evolução
do setor, mas também à desvalorização
do dólar
frente ao real.
Mesmo
assim, o acelerador ainda não
faz os pistões dos setores
trabalharem brutalmente. O consumo brasileiro (per capita)
de tintas, de seis litros por habitante – muito abaixo
de países desenvolvidos e em
desenvolvimento –, e o enorme déficit habitacional
do País,
estimado em 7,9 milhões de unidades, revelam espaços
para crescimento.
Vale
ressaltar que o mercado da construção
civil é o cliente “vip” da
indústria de tintas. Aproximadamente 60% do faturamento
total, ou 64% das vendas de tintas no País, são
responsabilidade da construção
civil. O quadro pode mudar quando for iniciado, verdadeiramente,
o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).
Vernizes
A
Montana Química, no segmento de esmaltes e vernizes,
fabrica e comercializa produtos dirigidos aos setores imobiliário
e moveleiro. No primeiro, a fabricante tem foco na proteção
e acabamento de madeiras e a principal linha de produtos é a
de stains, preservativos com a marca Osmocolor. “Destaca-se
nosso mais recente lançamento, em 2007, do Osmocolor
ST Castanho UV Deck. Esta versão foi desenvolvida
especialmente para suportar as situações mais
agressivas de intemperismo, ao qual normalmente estão
submetidos os decks de madeira. Ainda no setor imobiliário,
lançamos este ano o verniz Solare Premium nas versões
acetinado e brilhante, nas cores imbuia mel e mogno ântico,
além da transparente. O produto pode ser aplicado
em ambientes internos e externos, com a novidade de ser fabricado
com emprego de resinas modificadas de garrafas PET recicladas”,
explica Rogildo Gallo, diretor comercial da Montana Química.
Conforme
Caio Panegossi, diretor comercial da Brasilux, a tendência
para os vernizes aponta para produtos base água. “O
stain também se destaca no mercado. Além do
efeito estético no acabamento, promovido pelos vernizes
comuns, diferencia-se por oferecer um efeito altamente eficaz
conta fungos e bactérias, o que representa um ganho
de durabilidade, prolongando a vida não só do
próprio revestimento, mas também da madeira”,
acrescenta Panegossi.
A
Suvinil, no momento, não adianta
nenhuma novidade, mas avisa os consumidores que elas virão
com a inovação
característica da marca. Já a Polipox se concentra
nos vernizes de alta performance e direciona ações
para aplicações em concreto, divididas em sistemas
indoor e outdoor. “Para outdoor a linha PoliPaint PU-EX à base
de PU alifático bicomponente vem sendo usada
para substratos que estarão em contato com água,
como pedras mineiras para beira de piscina e cascatas, evitando
assim a formação de fungos e facilitando a
limpeza. Os vernizes para concreto aparente são usados
nas fachadas de prédios onde o produto, além
de impermeabilizar, protege contra ação do
intemperismo, evitando sua degradação.
Para
aplicações indoor, os vernizes da linha PoliPaint
EP, de base epóxi, são aplicados em túneis,
pois protegem a estrutura da ação dos gases
dos automóveis e facilitam a limpeza. A aplicação
em tanques e caixas d'água e tubos de concreto
enterrados melhora a resistência química e o
fluxo de líquidos. Por não ter porosidade,
evita que fungos e bactéria se alojem. No caso dos
epóxis, a decisão da companhia foi mais por
ter as linhas ‘solvente-free’ do que os
sistemas base água, devida à exigência
de resistência química. Nossos produtos têm
funções mais estruturais e protetivas que decorativas,
e por este motivo necessitamos sempre ter produtos de alta
performance para atender às exigências do mercado”,
exemplifica Gláucio Conde, do departamento técnico
comercial.
Esmaltes
Independentemente do revestimento, sua função
primordial é proteger a superfície escolhida.
Logo após vem a preocupação com a estética
e decoração. O caso dos esmaltes também
não é diferente. “Recentemente, a Suvinil
lançou o Esmalte Seca Rápido, uma tinta à base
d´água com opções de acabamento
brilhante e acetinado, destinada à pintura ou repintura
de superfícies de metais, madeiras e PVC, inclusive
alumínio e galvanizado, dispensando a aplicação
de fundo nestes dois últimos materiais. A secagem
ao toque acontece em 30 minutos e a final em cinco horas.
No
esmalte convencional esse tempo é de duas horas
para o toque e de 12 horas para a secagem final. Além
disso, outra grande diferença entre o Suvinil Esmalte
Seca Rápido e os esmaltes convencionais é o
baixo odor, característica importante em produtos
base água. De acordo com os resultados da pesquisa
Ibope/Anamaco, o produto ganhou o Prêmio Anamaco 2007
no segmento de inovações tecnológicas”,
conta Wilson Carlos de Souza, gerente de laboratório
de pesquisa e desenvolvimento e serviços ao mercado
de tintas imobiliárias da BASF.
A
Montana oferece ao setor moveleiro uma ampla linha de produtos
de base poliuretânica
ou epóxi. A base epóxi é usada
nos processos de cura UV. “O esmalte, assim como demais
acabamentos, tem como finalidade embelezar e principalmente
oferecer proteção ao substrato, seja ele madeira
ou qualquer outro. Mesmo se tratando de produtos já consagrados
neste segmento do mercado, tanto o Goffrato - Esmalte PU
Texturizado quanto os esmaltes planos formulados por meio
do sistema tintométrico Montana Color System são
destaques por contemplarem características que atendam
a determinados quesitos básicos, como alta resistência à abrasão
e a riscos, alta dureza, fidelidade de cores, resistência
ao amarelecimento, além de serem isentos de metais
pesados e conjugados com catalisadores que contêm baixos
teores de TDI livre, atendendo plenamente à rigorosa
legislação internacional específica”,
observa Rogildo Galo, diretor comercial da Montana. Outro
destaque da fabricante foi o lançamento recente da
linha de vernizes acrílicos nas versões alto
brilho e fosco, estes com brilhos zero, cinco, 10 e 20 gloss.
Apresentam alta resistência ao amarelecimento, além
de proteger o substrato da ação deteriorante
da luz. “O produto é especialmente indicado
para acabamento em lâminas nobres, em tonalidades claras
ou tingidas, e exóticas, como branca, cinza e azul.
Também estamos lançando a linha de poliuretânicos
base água contemplando seladores, vernizes e esmaltes
para acabamento”, adianta o executivo.
Panegossi,
da Brasilux, atenta novamente para a questão
ambiental. “Apesar de estarem há um bom tempo
no mercado, os esmaltes base água somente agora caíram
no gosto dos profissionais. Antes, apenas consumidores preocupados
com a questão ambiental valorizavam este tipo de produto.
Agora a preferência atinge todos os segmentos usuários
do mercado. O esmalte dificulta o ataque por oxidação
das superfícies ferrosas e o aprodecimento das madeiras. É conhecido
pela proteção por barreira, o que significa que
a própria camada aplicada protege o substrato. Além
de proteger, funciona para decorar, embelezar e dar vida aos
ambientes”, revela. |