Há cerca
de dois anos, o mercado brasileiro sofreu com o aumento
do preço dos monômeros, o que
acabou facilitando o crescimento do consumo das resinas alquídicas.
Atualmente, Mario Fernando de Souza, gerente comercial da
Galstaff Multiresine do Brasil, esclarece que infelizmente
os aumentos de preços de matérias-primas têm
sido constantes no mercado internacional, o que reflete diretamente
nos preços dos produtos da empresa, por serem fabricados
na Itália e importados para atender o mercado local. “Não
há como fugir dessa situação incômoda
que é o aumento do preço, que acaba afetando
também os produtores locais, pois a maior parte das
matérias-primas (poliol e poliácidos) é importada,
exceto algumas fabricadas no Brasil, mas em geral esses produtos
são exportados para outros mercados mais emergentes,
aumentando a concorrência local. Já o consumo
das resinas alquídicas aumentou significativamente,
não somente pelo aumento de preço dos monômeros,
mas também pela demanda do mercado, que requer bastante
esse tipo de produto para diversas aplicações.”
Além
disso, Souza também afirma que, nesse
momento, as resinas estão bastante pulverizadas em
termos de oferta, “porém com a vantagem de essarem
concentradas nas mãos de empresas especializadas em
resinas, em vez de empresas que não são tão
especialistas e que ainda utilizam esse mercado para diluir
seus custos fixos, comprometendo o desenvolvimento do mercado.
Entretanto, tratando-se de empresas de resinas, não
consigo visualizar novos grandes fabricantes. Já o
acirramento do mercado é uma questão de oferta
e procura, onde cada empresa trabalha com o preço
que é capaz de fazer para se manter no mercado e gerar
o lucro necessário para o seu desenvolvimento, pois
o mercado está sempre ávido por produtos de
alta qualidade e com preço competitivo, caso contrário,
permanecem pouco tempo no mercado”.
Na
opinião
de João Fernando Ganzerli, químico
responsável da Bandeirante Rio Preto, o aumento dos
custos das matérias-primas petroquímicas não
intervém em uma inserção das resinas
alquídicas no mercado das acrílicas, pois elas
não competem nesse setor. “Na verdade, houve
um deslocamento das resinas alquídicas curtas, uma
vez que se utilizam matérias-primas petroquímicas
e seus custos têm aumentado em relação às
longas. Já os insumos necessários na produção
de alquídicas longas tiveram redução
de custo em função do aumento da produção
do óleo de soja e do realinhamento dos preços
de solventes alifáticos em relação aos
aromáticos. Sabe-se que o emprego de aguarrás
como solvente de resinas longas proporciona um tempo de secagem
muito grande, o que impede a aplicação dessas
resinas no ramo industrial. Hoje, já é possível
encontrar resinas dissolvidas em VMP nafta que têm
por finalidade reduzir o seu tempo de secagem, proporcionando
uma redução de até 20% no custo total
de uma tinta quando comparada a uma resina curta, com a vantagem
de obter um acabamento mais brilhante e com melhor preenchimento.”
Ganzerli
também observa que grandes consumidores passaram
a produzir esse insumo internamente, disponibilizando seu
excedente para o mercado. “Dessa forma o tamanho do
mercado encolhe para os fornecedores tradicionais, pois perdem
grandes clientes e a concorrência aumenta”.
Luiz
Martinho, gerente-geral da Priam Deltech Brasil, não
acredita que o mercado de resinas alquídicas obteve
crescimento em função do aumento do preço
dos monômeros. “O mercado de resinas alquídicas
continua sendo um mercado de commodities e, por conseqüência,
altamente acirrado. Hoje, o setor sofre diretamente
com os altos e baixos da economia.”
Martinho
afirma que, infelizmente, o que tem acontecido no mercado
de resinas, principalmente alquídicas, é o
aparecimento de alguns fornecedores sem um foco específico
de mercado. “Alguns oferecem resinas alquídicas somente
para maximizar os custos de produção desses
fornecedores, outros até vendem sem nota, ou ainda
querem ganhar o mercado a qualquer custo. As conseqüências
dessas abordagens são as quedas acentuadas do
preço e da margem de lucro.”
Já para
Ayrton Macedo, gerente de desenvolvimento de mercado da
Reichhold, o mercado de resinas alquídicas
continua nos mesmos níveis dos anos anteriores. “O
que aconteceu foi uma sensível queda nos preços
praticados, reduzindo a margem dos fabricantes.”
Marcos
Jacó Batista, químico formulador da
Weg, anuncia que atualmente o mercado está mais
calmo e o preço dos monômeros acrílicos tem
apresentado pouca variação. “A oferta
e os preços no mercado brasileiro estão equilibrados
e não existe grande diferenciação de
preço entre fornecedores.”
Evoluções
em qualidade
Nos últimos anos o mercado apresentou várias
evoluções nas propriedades das resinas alquídicas,
como melhor secagem, menor nível de amarelecimento
e maior resistência química. “Não
considero que as resinas alquídicas sejam matérias-primas
de qualidade inferior, pois esse grupo de resinas atende
muito bem às exigências de qualidade do mercado
em diversos segmentos, inclusive, em sistemas base água”,
informa Eder Justina, químico formulador da Weg.
Quanto à tecnologia,
Ganzerli, da Bandeirante Rio Preto, informa que o ramo das
resinas já sofreu muito
progresso quanto ao teor de sólidos, cor, secagem
e transparência. “Atualmente as resinas alquídicas
possuem aliados, como outras resinas, que permitem alterações
na reticulação de suas cadeias, tornando-as
mais versáteis. Em relação ao processo
de produção, uma resina alquídica pode
ser comparável a uma resina acrílica. A versatilidade
dessas resinas é muito grande, sendo possível
até torná-las emulsionadas e, certamente, a
próxima atualização dessas resinas alquídicas
será a produção de resinas 100% solúveis
em água”.
Para
Martinho, da Priam Deltech Brasil, as resinas alquídicas
possuem uma tecnologia bastante difundida para fabricantes
de resinas e tintas. “Essas resinas possuem também
um perfil bem definido e característico quando comparadas
a outras tecnologias. Entretanto, essas duas premissas não
podem ser atribuídas às matérias-primas
de qualidade inferior”.
O
gerente de desenvolvimento de mercado da Reichhold afirma
que as resinas alquídicas
apresentam características
excelentes. “Essas características são
conhecidas há longa data, e quando utilizadas adequadamente
para a finalidade a que se destinam, são matérias-primas
de ótima qualidade”, reforça Macedo.
Segundo
Souza, da Galstaff Multiresine do Brasil, a empresa dispõe
de resinas alquídicas com ácidos
graxos especiais que conferem excelentes propriedades à tinta. “Nesse
caso, considero essas resinas bem superiores às convencionais
do mercado brasileiro. Entretanto, essa qualidade é muito
influenciada pelos aspectos técnicos, tais como polióis
usados, conteúdo de hidroxila e peso molecular.”
Resinas
amigáveis
Outro fator importantíssimo é a tendência
do mercado para a utilização de produtos ambientalmente
corretos, com o uso de tintas base água, os quais
apresentam baixas concentrações de solventes
orgânicos (menor VOC), juntamente com pigmentos e aditivos
de baixa toxicidade. “Com isso, o desenvolvimento
de resinas para sistemas aquosos tem sido o grande desafio
dos pesquisadores, com o objetivo de obter produtos com propriedades
iguais ou superiores às das resinas base solvente”,
destaca Batista, da Weg.
Ganzerli,
da Bandeirante Rio Preto, anuncia que a mais nova tendência é a
produção
de uma resina alquídica modificada, totalmente hidrossolúvel. “Essa
nova resina deve colaborar para a redução do
nível de toxicidade nas indústrias consumidoras,
além de provocar sensível redução
de emissão de solventes.”
A
Deltech está trabalhando
fortemente nos Estados Unidos, Europa e Brasil para o desenvolvimento
de produtos ambientalmente corretos. “Isto inclui dispersões
alquídicas uretanizadas, alquídicas e
poliésteres de altíssimo teor de sólidos
e baixa viscosidade”, revela o gerente-geral.
Macedo,
da Reichhold, aponta a importância das resinas
mais amigáveis. “Resinas menos agressivas ao
ambiente contêm maior teor de sólidos, além
de serem isentas de metais pesados e solúveis em água.
Também deve ser destacada a evolução
dos processos de fabricação com eliminação
da geração de resíduo”.
A
Galstaff Multiresine, por se tratar de uma empresa européia,
tem por princípio seguir a tendência de reduzir
o teor de VOC e aumentar o teor de sólidos dos revestimentos. “Infelizmente,
no Brasil ainda são utilizados solventes carregados.
Desenvolvemos uma linha nova de resinas denominada Suersolid,
que auxilia os formuladores a desenvolverem produtos com
baixo VOC, além de reduzir a espessura da camada dos
revestimentos, aplicando menos produto e minimizando o número
de camadas. Esse é um desenvolvimento que certamente
será uma tendência mundial (orientada pelas
normas européias), por meio da qual os fabricantes
de tintas terão que adaptar suas formulações
a essa realidade”, anuncia Souza, acrescentando que
está conseguindo bons resultados com esses produtos
de baixa viscosidade, alto sólidos e excelente velocidade
de cura. “Inclusive, vamos apresentar uma palestra
na feira da Abrafati sobre esses produtos e sugestões
de formulações.”
Resinas
alquídicas modificadas
As resinas alquídicas modificadas têm como
principal objetivo melhorar as propriedades das alquídicas
puras, alterando assim sua estrutura química. “Diversas
modificações poderão ser desenvolvidas,
cada uma com sua característica e propriedades específicas.
As principais modificações são reações
com breu, resinas fenólicas, monômeros acrílicos
e vinílicos, compostos de isocianatos e outros. Com
essas resinas, as tintas apresentam melhor secagem, maior
resistência química, dureza e menor nível
de amarelecimento”, garante Daniela Sartori, chefe
de suprimentos da Weg.
A
Galstaff Multiresine do Brasil possui uma grande diversidade
de resinas alquídicas modificadas. “Certamente,
esse é um mercado que nos atrai bastante, pois atuamos
fortemente com especialidades de acordo com as necessidades
dos nossos clientes. Os benefícios são os mais
diversos possíveis, tais como excelentes propriedades
mecânicas e resistência química, além
de boa resistência ao amarelecimento. Porém é muito
importante utilizar adequadamente a relação
OH/NCO e isocianatos com baixo teor de monômero livre
para maior estabilidade do produto”, ressalta Souza,
acrescentando que os benefícios são produtos
melhores, mais duráveis, com excelente desempenho
em termos de brilho e resistência, satisfazendo, dessa
forma, o consumidor final.
A
Deltech tem uma gama muito ampla de resinas alquídicas
modificadas. “A principal delas é a modificação
que fazemos com vinil tolueno, proporcionando resinas alquídicas
com melhores propriedades de secagem ao ar, dureza e resistências
química e física”, divulga Martinho.
Ganzerli,
da Bandeirante Rio Preto, destaca que as resinas modificadas
possuem propriedades muito interessantes, pois apresentam secagem
acelerada, maior dureza do filme e maior aderência, além de receberem água como
parte do seu sistema de solvente, ou seja, torna-se um produto
ecologicamente correto. “Nesse caso temos que ressaltar
que muitos produtores iniciaram esse processo, pois ajuda a
reduzir os custos do produto, porém hoje é possível
produzir um produto que atenda às necessidades utilizando
até 30% de água, mesmo em aplicações
industriais. Esse fato vem se intensificando no mercado. Com
a tecnologia de emulsificação de resinas alquídicas
vários fabricantes de tintas conseguem introduzir até 30%
de água em um sistema alquídico. A Bandeirante
Rio Preto já aperfeiçoou essa tecnologia e, hoje,
adicionamos até 60% de água na resina, formando
um sistema estável. Acredito que essa é a porta
para a introdução de alquídicas modificadas
hidrossolúveis, que deverão ter, primeiramente,
utilidade na indústria, pelo apelo ambiental e para
evitar efeitos nocivos aos trabalhadores; e depois no meio
domésticos”. |