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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 115 - Resinas alquídicas
 
Evolução consciente
 

Seguindo a tendência do mercado de tintas, as resinas alquídicas têm apresentado importantes avanços em suas propriedades, além de caminharem para produtos menos agressivos ao ambiente.

 
Lucélia Monfardini
 

Há cerca de dois anos, o mercado brasileiro sofreu com o aumento do preço dos monômeros, o que acabou facilitando o crescimento do consumo das resinas alquídicas. Atualmente, Mario Fernando de Souza, gerente comercial da Galstaff Multiresine do Brasil, esclarece que infelizmente os aumentos de preços de matérias-primas têm sido constantes no mercado internacional, o que reflete diretamente nos preços dos produtos da empresa, por serem fabricados na Itália e importados para atender o mercado local. “Não há como fugir dessa situação incômoda que é o aumento do preço, que acaba afetando também os produtores locais, pois a maior parte das matérias-primas (poliol e poliácidos) é importada, exceto algumas fabricadas no Brasil, mas em geral esses produtos são exportados para outros mercados mais emergentes, aumentando a concorrência local. Já o consumo das resinas alquídicas aumentou significativamente, não somente pelo aumento de preço dos monômeros, mas também pela demanda do mercado, que requer bastante esse tipo de produto para diversas aplicações.”

Além disso, Souza também afirma que, nesse momento, as resinas estão bastante pulverizadas em termos de oferta, “porém com a vantagem de essarem concentradas nas mãos de empresas especializadas em resinas, em vez de empresas que não são tão especialistas e que ainda utilizam esse mercado para diluir seus custos fixos, comprometendo o desenvolvimento do mercado. Entretanto, tratando-se de empresas de resinas, não consigo visualizar novos grandes fabricantes. Já o acirramento do mercado é uma questão de oferta e procura, onde cada empresa trabalha com o preço que é capaz de fazer para se manter no mercado e gerar o lucro necessário para o seu desenvolvimento, pois o mercado está sempre ávido por produtos de alta qualidade e com preço competitivo, caso contrário, permanecem pouco tempo no mercado”.

Na opinião de João Fernando Ganzerli, químico responsável da Bandeirante Rio Preto, o aumento dos custos das matérias-primas petroquímicas não intervém em uma inserção das resinas alquídicas no mercado das acrílicas, pois elas não competem nesse setor. “Na verdade, houve um deslocamento das resinas alquídicas curtas, uma vez que se utilizam matérias-primas petroquímicas e seus custos têm aumentado em relação às longas. Já os insumos necessários na produção de alquídicas longas tiveram redução de custo em função do aumento da produção do óleo de soja e do realinhamento dos preços de solventes alifáticos em relação aos aromáticos. Sabe-se que o emprego de aguarrás como solvente de resinas longas proporciona um tempo de secagem muito grande, o que impede a aplicação dessas resinas no ramo industrial. Hoje, já é possível encontrar resinas dissolvidas em VMP nafta que têm por finalidade reduzir o seu tempo de secagem, proporcionando uma redução de até 20% no custo total de uma tinta quando comparada a uma resina curta, com a vantagem de obter um acabamento mais brilhante e com melhor preenchimento.”

Ganzerli também observa que grandes consumidores passaram a produzir esse insumo internamente, disponibilizando seu excedente para o mercado. “Dessa forma o tamanho do mercado encolhe para os fornecedores tradicionais, pois perdem grandes clientes e a concorrência aumenta”.

Luiz Martinho, gerente-geral da Priam Deltech Brasil, não acredita que o mercado de resinas alquídicas obteve crescimento em função do aumento do preço dos monômeros. “O mercado de resinas alquídicas continua sendo um mercado de commodities e, por conseqüência, altamente acirrado. Hoje, o setor sofre diretamente com os altos e baixos da economia.”

Martinho afirma que, infelizmente, o que tem acontecido no mercado de resinas, principalmente alquídicas, é o aparecimento de alguns fornecedores sem um foco específico de mercado. “Alguns oferecem resinas alquídicas somente para maximizar os custos de produção desses fornecedores, outros até vendem sem nota, ou ainda querem ganhar o mercado a qualquer custo. As conseqüências dessas abordagens são as quedas acentuadas do preço e da margem de lucro.”

Já para Ayrton Macedo, gerente de desenvolvimento de mercado da Reichhold, o mercado de resinas alquídicas continua nos mesmos níveis dos anos anteriores. “O que aconteceu foi uma sensível queda nos preços praticados, reduzindo a margem dos fabricantes.”

Marcos Jacó Batista, químico formulador da Weg, anuncia que atualmente o mercado está mais calmo e o preço dos monômeros acrílicos tem apresentado pouca variação. “A oferta e os preços no mercado brasileiro estão equilibrados e não existe grande diferenciação de preço entre fornecedores.”

Evoluções em qualidade
Nos últimos anos o mercado apresentou várias evoluções nas propriedades das resinas alquídicas, como melhor secagem, menor nível de amarelecimento e maior resistência química. “Não considero que as resinas alquídicas sejam matérias-primas de qualidade inferior, pois esse grupo de resinas atende muito bem às exigências de qualidade do mercado em diversos segmentos, inclusive, em sistemas base água”, informa Eder Justina, químico formulador da Weg.

Quanto à tecnologia, Ganzerli, da Bandeirante Rio Preto, informa que o ramo das resinas já sofreu muito progresso quanto ao teor de sólidos, cor, secagem e transparência. “Atualmente as resinas alquídicas possuem aliados, como outras resinas, que permitem alterações na reticulação de suas cadeias, tornando-as mais versáteis. Em relação ao processo de produção, uma resina alquídica pode ser comparável a uma resina acrílica. A versatilidade dessas resinas é muito grande, sendo possível até torná-las emulsionadas e, certamente, a próxima atualização dessas resinas alquídicas será a produção de resinas 100% solúveis em água”.

Para Martinho, da Priam Deltech Brasil, as resinas alquídicas possuem uma tecnologia bastante difundida para fabricantes de resinas e tintas. “Essas resinas possuem também um perfil bem definido e característico quando comparadas a outras tecnologias. Entretanto, essas duas premissas não podem ser atribuídas às matérias-primas de qualidade inferior”.

O gerente de desenvolvimento de mercado da Reichhold afirma que as resinas alquídicas apresentam características excelentes. “Essas características são conhecidas há longa data, e quando utilizadas adequadamente para a finalidade a que se destinam, são matérias-primas de ótima qualidade”, reforça Macedo.

Segundo Souza, da Galstaff Multiresine do Brasil, a empresa dispõe de resinas alquídicas com ácidos graxos especiais que conferem excelentes propriedades à tinta. “Nesse caso, considero essas resinas bem superiores às convencionais do mercado brasileiro. Entretanto, essa qualidade é muito influenciada pelos aspectos técnicos, tais como polióis usados, conteúdo de hidroxila e peso molecular.”

Resinas amigáveis
Outro fator importantíssimo é a tendência do mercado para a utilização de produtos ambientalmente corretos, com o uso de tintas base água, os quais apresentam baixas concentrações de solventes orgânicos (menor VOC), juntamente com pigmentos e aditivos de baixa toxicidade. “Com isso, o desenvolvimento de resinas para sistemas aquosos tem sido o grande desafio dos pesquisadores, com o objetivo de obter produtos com  propriedades iguais ou superiores às das resinas base solvente”, destaca Batista, da Weg.

Ganzerli, da Bandeirante Rio Preto, anuncia que a mais nova tendência é a produção de uma resina alquídica modificada, totalmente hidrossolúvel. “Essa nova resina deve colaborar para a redução do nível de toxicidade nas indústrias consumidoras, além de provocar sensível redução de emissão de solventes.”

A Deltech está trabalhando fortemente nos Estados Unidos, Europa e Brasil para o desenvolvimento de produtos ambientalmente corretos. “Isto inclui dispersões alquídicas uretanizadas, alquídicas e poliésteres de altíssimo teor de sólidos e baixa viscosidade”, revela o gerente-geral.

Macedo, da Reichhold, aponta a importância das resinas mais amigáveis. “Resinas menos agressivas ao ambiente contêm maior teor de sólidos, além de serem isentas de metais pesados e solúveis em água. Também deve ser destacada a evolução dos processos de fabricação com eliminação da geração de resíduo”.

A Galstaff Multiresine, por se tratar de uma empresa européia, tem por princípio seguir a tendência de reduzir o teor de VOC e aumentar o teor de sólidos dos revestimentos. “Infelizmente, no Brasil ainda são utilizados solventes carregados. Desenvolvemos uma linha nova de resinas denominada Suersolid, que auxilia os formuladores a desenvolverem produtos com baixo VOC, além de reduzir a espessura da camada dos revestimentos, aplicando menos produto e minimizando o número de camadas. Esse é um desenvolvimento que certamente será uma tendência mundial (orientada pelas normas européias), por meio da qual os fabricantes de tintas terão que adaptar suas formulações a essa realidade”, anuncia Souza, acrescentando que está conseguindo bons resultados com esses produtos de baixa viscosidade, alto sólidos e excelente velocidade de cura. “Inclusive, vamos apresentar uma palestra na feira da Abrafati sobre esses produtos e sugestões de formulações.”

Resinas alquídicas modificadas
As resinas alquídicas modificadas têm como principal objetivo melhorar as propriedades das alquídicas puras, alterando assim sua estrutura química. “Diversas modificações poderão ser desenvolvidas, cada uma com sua característica e propriedades específicas. As principais modificações são reações com breu, resinas fenólicas, monômeros acrílicos e vinílicos, compostos de isocianatos e outros. Com essas resinas, as tintas apresentam melhor secagem, maior resistência química, dureza e menor nível de amarelecimento”, garante Daniela Sartori, chefe de suprimentos da Weg.

A Galstaff Multiresine do Brasil possui uma grande diversidade de resinas alquídicas modificadas. “Certamente, esse é um mercado que nos atrai bastante, pois atuamos fortemente com especialidades de acordo com as necessidades dos nossos clientes. Os benefícios são os mais diversos possíveis, tais como excelentes propriedades mecânicas e resistência química, além de boa resistência ao amarelecimento. Porém é muito importante utilizar adequadamente a relação OH/NCO e isocianatos com baixo teor de monômero livre para maior estabilidade do produto”, ressalta Souza, acrescentando que os benefícios são  produtos melhores, mais duráveis, com excelente desempenho em termos de brilho e resistência, satisfazendo, dessa forma, o consumidor final.

A Deltech tem uma gama muito ampla de resinas alquídicas modificadas. “A principal delas é a modificação que fazemos com vinil tolueno, proporcionando resinas alquídicas com melhores propriedades de secagem ao ar, dureza e resistências química e física”, divulga Martinho.

Ganzerli, da Bandeirante Rio Preto, destaca que as resinas modificadas possuem propriedades muito interessantes, pois apresentam secagem acelerada, maior dureza do filme e maior aderência, além de receberem água como parte do seu sistema de solvente, ou seja, torna-se um produto ecologicamente correto. “Nesse caso temos que ressaltar que muitos produtores iniciaram esse processo, pois ajuda a reduzir os custos do produto, porém hoje é possível produzir um produto que atenda às necessidades utilizando até 30% de água, mesmo em aplicações industriais. Esse fato vem se intensificando no mercado. Com a tecnologia de emulsificação de resinas alquídicas vários fabricantes de tintas conseguem introduzir até 30% de água em um sistema alquídico. A Bandeirante Rio Preto já aperfeiçoou essa tecnologia e, hoje, adicionamos até 60% de água na resina, formando um sistema estável. Acredito que essa é a porta para a introdução de alquídicas modificadas hidrossolúveis, que deverão ter, primeiramente, utilidade na indústria, pelo apelo ambiental e para evitar efeitos nocivos aos trabalhadores; e depois no meio domésticos”.
 
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