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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 116 - Indústria e Negócios
 
Aquisição da Enia amplia portfólio da Dynatech
 

Parque fabril na cidade paulista de Itupeva permite a oferta de corante e outros auxiliares para a indústria de couros.

 
Lucélia Monfardini
 

Em atividade desde 1989, a Dynatech, que atua no setor de especialidades químicas, com destaque para o segmento de pigmentos e corantes, adquiriu em maio as instalações da Enia Indústrias Químicas, uma das primeiras empresas de corantes da América Latina.

Situada em Itupeva (SP), a Enia atuava desde 1924 nas áreas têxtil, de couro e papel. Primeira empresa fabricante de corantes do Hemisfério Sul, era pertencente ao Grupo Odebrecht por meio da Norquisa, que em 1988 assumiu seu controle majoritário. Inicialmente fabricava corantes para o setor têxtil, depois ampliou seu negócio passando a fornecer corantes para o segmento de couros e, mais adiante, incorporou outros produtos para a área de papel, como branqueadores ópticos.

Com a aquisição da Enia, a Dynatech adquiriu instalações, parque fabril, equipamentos e toda a tecnologia da empresa. A marca, entretanto, ficou fora da negociação. “O nome Enia não nos pertence. Compramos apenas sua estrutura, onde vamos manter os principais funcionários e os produtos que eram fabricados. A Enia era uma das poucas empresas no Brasil que produzia todos os corantes, e nossa idéia é manter esse projeto”, revela o diretor superintendente Luis Merino Gómez.

Expansão
A iniciativa de agregar uma fábrica que possui know-how de corantes vai colaborar para a mudança do perfil da Dynatech, que produzia apenas alguns tipos de corantes na forma líquida para a indústria do papel. A fabricante possuía apenas duas divisões: uma com foco em pigmentos e especialidades, como pigmentos e corantes para tintas, vernizes, plásticos e impressão; e outra voltada a papel e celulose, responsável por corantes, branqueadores ópticos e auxiliares químicos. “Agora, com a aquisição, temos uma terceira divisão para a indústria de couros, que inclui corantes e outros auxiliares”, informa Gomez. “Na unidade de Itupeva, onde temos vários equipamentos, vamos fabricar todos os sistemas de papel e celulose, como colas sintéticas e branqueadores ópticos. Já para o setor de pigmentos e especialidades também estamos estudando a possibilidade de sintetizar os pigmentos.”

Estrutura
A mais recente aquisição da Dynatech conta com 72 mil m² de área e um laboratório com 2.500 m², onde é realizado não só o controle de qualidade, mas também pesquisas e desenvolvimentos. A unidade também conta com vários outros prédios. O primeiro possui seis andares e é utilizado para fazer toda a síntese orgânica, como fabricação de branqueadores ópticos, auxiliares químicos para tintas. Um segundo prédio concentra a realização das sínteses de corantes e pigmentos; outro, a secagem dos corantes e pigmentos; mais um, os acabamentos. “Todos esses prédios são conectados. Ainda temos estoque, estação de tratamento de efluentes, campo de futebol e uma área para ampliação, pois dos 72 mil m², apenas 26 mil m² são de área construída, ou seja, sobram cerca de 50 mil m²”, ressalta Gomez.

A Dynatech manteve 34 funcionários da Enia. Apesar da unidade de Diadema (SP) continuar independente, muitos funcionários serão transferidos para Itupeva. “No total, vamos ter 60 funcionários para trabalhar nas áreas industrial, administrativa, laboratórios e estoques. O setor de vendas continuará no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo”, descreve o diretor superintendente. “Nossa estrutura ficou com duas fábricas, uma em Diadema e outra em Itupeva, um escritório na Vila Olímpia e mais duas filiais para a área de couro, uma em Novo Hamburgo (RS), com estoque e laboratório, e outra em Franca (SP), resultantes da aquisição da Enia”, anuncia Gomez.

Para os clientes da Enia nada mudou com a aquisição. A Dynatech continuará fornecendo produtos para todos eles, que foram informados da novidade por meio de cartas confirmando a continuidade dos negócios e do atendimento, tanto que, de início, a marca dos produtos Eniavel será mantida. “Já na área de papel, vamos continuar com os produtos que tínhamos e ainda agregamos os branqueadores ópticos, que são amplamente utilizados em indústrias de papel e celulose”, explica o dirigente.

Quanto à produção da nova unidade, os corantes em pó somam 50 toneladas/mês (capacidade 100 toneladas/mês); na forma líquida, as vendas dos corantes é de 400 toneladas/mês (capacidade de 800 toneladas/mês). Já as vendas dos auxiliares e colas sintéticas para papel são de 200 toneladas/mês, com capacidade de mais mil toneladas/mês. “A junção da Dynatech com a Enia resultou em uma produção de aproximadamente 2 mil toneladas/mês de produtos. Nossa meta agora é ampliar a capacidade onde for necessário, como em secagem, filtragem e tancagem para armazenamento dos produtos”, revela Gomez.

Expectativa
A Dynatech acredita no crescimento do mercado brasileiro e continuará investindo na produção de produtos dos segmentos de atuação – pigmentos e especialidades, papel e celulose, couros e têxtil. “Nossa expectativa é acompanhar o crescimento dos mercados de tintas, plástico e papel. Cada um deles possui um tipo de crescimento e de necessidade. Prevíamos para este ano expansão de 32% somente da Dynatech, porém com a aquisição vamos passar de 50% de crescimento”, comemora Gomez, acrescentando que também possui novidades para o setor de tintas. “No Abrafati 2007 vamos ressaltar nossa atuação no segmento de bentonitas e dióxido de titânio. Nosso estoque de dióxido de titânio chega a 600 toneladas, e de bentonitas, de 400 a 500 toneladas.”

 
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