Em
atividade desde 1989, a Dynatech, que atua no setor de
especialidades químicas, com destaque para o segmento
de pigmentos e corantes, adquiriu em maio as instalações
da Enia Indústrias Químicas, uma das primeiras
empresas de corantes da América Latina.
Situada
em Itupeva (SP), a Enia atuava desde 1924 nas áreas
têxtil, de couro e papel. Primeira empresa fabricante
de corantes do Hemisfério Sul, era pertencente ao
Grupo Odebrecht por meio da Norquisa, que em 1988 assumiu
seu controle majoritário. Inicialmente fabricava
corantes para o setor têxtil, depois ampliou seu
negócio passando a fornecer corantes para o segmento
de couros e, mais adiante, incorporou outros produtos para
a área de papel, como branqueadores ópticos.
Com
a aquisição da Enia, a Dynatech adquiriu
instalações, parque fabril, equipamentos
e toda a tecnologia da empresa. A marca, entretanto, ficou
fora da negociação. “O nome Enia não
nos pertence. Compramos apenas sua estrutura, onde vamos
manter os principais funcionários e os produtos
que eram fabricados. A Enia era uma das poucas empresas
no Brasil que produzia todos os corantes, e nossa idéia é manter
esse projeto”, revela o diretor superintendente Luis
Merino Gómez.
Expansão
A iniciativa de agregar
uma fábrica que possui know-how de corantes vai
colaborar para a mudança do perfil da Dynatech,
que produzia apenas alguns tipos de corantes na forma líquida
para a indústria do papel. A fabricante possuía
apenas duas divisões: uma com foco em pigmentos
e especialidades, como pigmentos e corantes para tintas,
vernizes, plásticos e impressão; e outra
voltada a papel e celulose, responsável por corantes,
branqueadores ópticos e auxiliares químicos. “Agora,
com a aquisição, temos uma terceira divisão
para a indústria de couros, que inclui corantes
e outros auxiliares”, informa Gomez. “Na unidade
de Itupeva, onde temos vários equipamentos, vamos
fabricar todos os sistemas de papel e celulose, como colas
sintéticas e branqueadores ópticos. Já para
o setor de pigmentos e especialidades também estamos
estudando a possibilidade de sintetizar os pigmentos.”
Estrutura
A
mais recente aquisição da Dynatech conta
com 72 mil m² de área e um laboratório
com 2.500 m², onde é realizado não só o
controle de qualidade, mas também pesquisas e desenvolvimentos.
A unidade também conta com vários outros
prédios. O primeiro possui seis andares e é utilizado
para fazer toda a síntese orgânica, como fabricação
de branqueadores ópticos, auxiliares químicos
para tintas. Um segundo prédio concentra a realização
das sínteses de corantes e pigmentos; outro, a secagem
dos corantes e pigmentos; mais um, os acabamentos. “Todos
esses prédios são conectados. Ainda temos
estoque, estação de tratamento de efluentes,
campo de futebol e uma área para ampliação,
pois dos 72 mil m², apenas 26 mil m² são
de área construída, ou seja, sobram cerca
de 50 mil m²”, ressalta Gomez.
A
Dynatech manteve 34 funcionários da Enia. Apesar
da unidade de Diadema (SP) continuar independente, muitos
funcionários
serão transferidos para Itupeva. “No total,
vamos ter 60 funcionários para trabalhar nas áreas
industrial, administrativa, laboratórios e estoques.
O setor de vendas continuará no bairro da Vila Olímpia,
em São Paulo”, descreve o diretor superintendente. “Nossa
estrutura ficou com duas fábricas, uma em Diadema
e outra em Itupeva, um escritório na Vila Olímpia
e mais duas filiais para a área de couro, uma em
Novo Hamburgo (RS), com estoque e laboratório, e
outra em Franca (SP), resultantes da aquisição
da Enia”, anuncia Gomez.
Para
os clientes da Enia nada mudou com a aquisição.
A Dynatech continuará fornecendo
produtos para todos eles, que foram informados da novidade
por meio de cartas confirmando a continuidade dos negócios
e do atendimento, tanto que, de início, a marca
dos produtos Eniavel será mantida. “Já na área
de papel, vamos continuar com os produtos que tínhamos
e ainda agregamos os branqueadores ópticos, que
são amplamente utilizados em indústrias de
papel e celulose”, explica o dirigente.
Quanto à produção
da nova unidade, os corantes em pó somam 50 toneladas/mês
(capacidade 100 toneladas/mês); na forma líquida,
as vendas dos corantes é de 400 toneladas/mês
(capacidade de 800 toneladas/mês). Já as vendas
dos auxiliares e colas sintéticas para papel são
de 200 toneladas/mês, com capacidade de mais mil
toneladas/mês. “A junção da Dynatech
com a Enia resultou em uma produção de aproximadamente
2 mil toneladas/mês de produtos. Nossa meta agora é ampliar
a capacidade onde for necessário, como em secagem,
filtragem e tancagem para armazenamento dos produtos”,
revela Gomez.
Expectativa
A
Dynatech acredita no crescimento do mercado brasileiro
e continuará investindo na
produção de produtos dos segmentos de atuação – pigmentos
e especialidades, papel e celulose, couros e têxtil. “Nossa
expectativa é acompanhar o crescimento dos mercados
de tintas, plástico e papel. Cada um deles possui
um tipo de crescimento e de necessidade. Prevíamos
para este ano expansão de 32% somente da Dynatech,
porém com a aquisição vamos passar
de 50% de crescimento”, comemora Gomez, acrescentando
que também possui novidades para o setor de tintas. “No
Abrafati 2007 vamos ressaltar nossa atuação
no segmento de bentonitas e dióxido de titânio.
Nosso estoque de dióxido de titânio chega
a 600 toneladas, e de bentonitas, de 400 a 500 toneladas.” |