O
Abrafati 2007 - 10º Congresso Internacional de Tintas – ocorre
de 24 a 26 de outubro no Transamérica Expo, em São
Paulo, em meio a um cenário positivo do setor. De
acordo com o presidente-executivo da Associação
Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), entidade
organizadora do evento, o comportamento se deve ao bom
momento de alguns setores da economia. “O evento é realizado
no momento em que o setor de tintas não só está tendo
resultados melhores em meio a tendências favoráveis,
mas com uma perspectiva muito positiva para os próximos
anos em função do crescimento da economia
brasileira e de alguns segmentos, como construção
civil e indústria automobilística, com desempenho
muito bom.”
O
presidente-executivo da Abrafati observa que o evento deste
ano supera bastante o Abrafati 2005 e será um encontro mais globalizado, com maior participação
de palestrantes e visitantes estrangeiros. Além
disso, conta com a participação de organizações
como a norte-americana FSCT - Federation Society Coatings
Tecnology e a Argentina Sater - Sociedad Argentina Tecnólogos
Recubrimientos, responsáveis por dois cursos e dois
seminários.
“O Abrafati 2007 acontece no momento
em que o ano está se consolidando e tem perspectiva
de crescimento muito positiva, em torno de 6,5%. E não é uma
projeção otimista, mas realista. Temos uma
feira com uma combinação de alto valor agregado,
tecnologia e um público bastante satisfeito com
o desempenho do setor”, analisa Ferreira.
Paint & Pintura
- Esta edição do evento
acontece no Transamérica Expo. Por que a mudança?
Dílson
Ferreira - Temos que falar do Abrafati 2007 como uma mudança
de patamar em geral, pois demos um salto muito grande em
relação à edição
anterior de uma maneira ampla. A mudança de local é apenas
uma das variáveis. Este será um evento substancialmente
melhor, mais técnico e mais global do que foi o Abrafati
2005. Também será maior, o que exigia um novo
endereço, que apresentasse melhores condições.
O espaço do Transamérica Expo é maior
e reúne as condições necessárias
para a realização do congresso e da exposição.
Além disso, é o espaço mais moderno
de São Paulo e conta com ótima infra-estrutura,
como cabeamento lógico, eletricidade, pé direito
alto, estacionamento e fácil acesso, entre outros.
Paint & Pintura
- Quais as outras mudanças realizadas?
Dílson
Ferreira - Neste ano, o evento será mais
globalizado, com participação maior de palestrantes,
fornecedores e visitantes estrangeiros. Estamos ampliando
a dimensão do congresso, cerne do evento, com as tecnologias
trazidas nas palestras. Tivemos ampliação em
quantidade e qualidade de trabalhos apresentados, o que exigiu
um número maior de auditórios para a acomodação
de mais palestras. Estamos colocando mais um auditório
e, conseqüentemente, mais 12 palestras para atender
essa demanda. Ao todo, recebemos 120 palestras para escolher
60. Dessa forma, pudemos incluir outras 12 que achamos poder
ficar de fora do evento.
Paint & Pintura
- Qual a avaliação
que o senhor faz do atual momento do setor de tintas?
Dílson
Ferreira - O evento será num momento em que o setor
de tintas não só está tendo resultados
melhores e com uma tendência muito boa, mas com uma
perspectiva muito positiva para os próximos anos.
Tanto em função do crescimento da economia
brasileira e de alguns dos segmentos, como construção
civil e indústria automobilística, como em
função da decisão do governo de buscar
o crescimento do País ancorado em algumas áreas
de atividade econômica que nos favorece, incluindo
construção civil e infra-estrutura. A construção
civil é um meio de atender os aspectos sociais e propiciar
habitação popular, diminuir o déficit
habitacional e gerar emprego. Também traz no seu bojo
o saneamento básico, essencial para a saúde
pública. Envolve o comprometimento de um conjunto
de ministérios que têm relação
com essas atividades e, também, dos governos estaduais
e municipais. É uma mudança estratégica
para perdurar e isso vai refletir na construção
civil e nas tintas. Além disso, há os investimentos
em infra-estrutura, como em energia, que o Brasil precisa
para suportar o crescimento econômico e permitir competitividade
internacional de suas exportações. Investimento
em energia significa investimento em petróleo. As
prospecções de petróleo são principalmente
em plataformas marítimas, cuja tinta de alto valor
agregado permite a durabilidade do metal exposto às
condições marítimas, inclusive também
nos navios para transporte de petróleo. Depois disso,
o aumento da exploração e da distribuição
do gás, que também requerem investimentos significativos
em construção civil e uso de tintas de proteção.
O investimento em infra-estrutura nos aspectos de estradas
e de portos para escoar a produção industrial
e agrícola também representa boas oportunidades
para o setor de tintas. E o Abrafati 2007 acontece nesse
momento, no segundo semestre, quando o ano que estará se
consolidando tem uma perspectiva de crescimento muito positiva,
em torno de 6,5%. E não é uma projeção
otimista, mas realista. Acho que vamos ter uma feira com
uma combinação de alto valor agregado, tecnologia
e público bastante satisfeito com o desempenho do
setor.
Paint & Pintura
- Quais os principais temas e novidades para o congresso?
Dílson
Ferreira – Houve
crescimento de palestras em algumas áreas que, mesmo
não sendo assuntos inéditos, estão ganhando
dimensão maior no desenvolvimento tecnológico.
Existe toda uma preocupação com o meio ambiente,
de maneira geral, que caminha para a formulação
de tintas com menos VOC (Componentes Orgânicos Voláteis)
e crescimento muito grande de considerações
e oportunidades na área de nanotecnologia. Esses temas,
que estão alinhados com a postura do Abrafati, são
bem atuais e vão estar presentes de forma marcante.
Paint & Pintura
- Os trabalhos do Prêmio Abrafati-Petrobras
também serão apresentados?
Dílson Ferreira
- Sim. Isso mostra nosso comprometimento em buscar contribuir
para o setor, principalmente na área universitária,
embora os trabalhos não sejam apenas de universitários,
mas também de fabricantes de tintas. O Prêmio
Abrafati-Petrobras tem cunho de atratividade para pesquisadores
dos institutos independentes e das universidades. Sabemos
que no Brasil as universidades têm participação
muito pequena nas pesquisas para o desenvolvimento tecnológico.
O crescimento disso deve vir de uma ação governamental
de maior financiamento, aporte de recursos e uso para as
universidades, para o desenvolvimento de projetos de interesse
do próprio governo e, também, de uma participação
do setor empresarial, principalmente dos setores usuários
de tecnologia.
Paint & Pintura
- Ainda é pequeno
o investimento empresarial nas universidades?
Dílson
Ferreira - Todo o investimento para o desenvolvimento tecnológico
nas universidades ainda é muito pequeno, bem como
sua contribuição no total dos projetos desenvolvidos
também é muito pequena. Agora, é sempre
proporcional à disponibilidade de recursos existentes,
incluindo pessoas, equipamentos e laboratórios, nas
próprias universidades. O que estamos fazendo é incentivar
maior participação e o relacionamento entre
empresas de tintas, seus fornecedores e universidades, apoiando
com o nosso prêmio o interesse de universitários,
pesquisadores e laboratórios independentes no setor
de tintas. É por isso que, além da premiação
e da divulgação dos projetos premiados, estamos
trazendo todos eles para serem reapresentados durante o congresso,
para ampliar sua exposição. Queremos que os
trabalhos feitos teoricamente encontrem uma aplicação
prática.
Paint & Pintura
- Como está a
Seção Pôster nesta edição
do evento?
Dílson Ferreira - A Seção
Pôster é realizada pela terceira vez e é uma
oportunidade para o pesquisador apresentar seu trabalho durante
um período mais longo no evento. Enquanto uma palestra é apresentada
uma só vez, o trabalho exposto durante os três
dias dá ao responsável a oportunidade de estar
durante as horas de funcionamento do painel junto ao seu
pôster, com o público diretamente interessado,
dialogando e respondendo perguntas específicas. A
Seção Pôster é uma seção
complementar, com características próprias,
e permite atender necessidades tanto do apresentador como
do público que se interessa por aquele trabalho. É um
aperfeiçoamento que está tendo grande procura.
Foram mais de 30 pôsters aprovados para fazerem parte
do evento.
Paint & Pintura
- O Abrafati 2007 conta com novos patrocinadores e expositores?
Dílson
Ferreira - O número de expositores corresponde ao
número
dos fornecedores importantes da indústria de tintas.
Não há expectativa de aumento desse número.
Há alguma troca, alguns saem, outros entram, devido
aos desenvolvimentos comerciais.
Paint & Pintura
- Novos fornecedores asiáticos devem participar?
Dílson
Ferreira - Nós tivemos fornecedores chineses no evento
passado e vamos ter alguns agora, mas sem aumento significativo
em número, sejam chineses ou outros. Os tradicionais,
que estão conosco ao longo desses anos todos, representam
número mais ou menos constante. As mudanças
são por conta de fusões de empresas e seus
desdobramentos. Há algumas empresas novas, outras
que deixam de atuar em determinadas áreas, mas não
se espera que, ao longo dos anos, haja aumento contínuo
no número de expositores. O que se espera é que
cada um tenha representatividade maior, negócios crescentes,
evolução em qualidade comercial e técnica,
e isto tem acontecido e vai se repetir. O mesmo em relação
ao número de congressistas, mais ou menos constante.
Pode subir um pouco devido à internacionalização,
mas o número de técnicos, funcionários
e gerentes ligados à indústria de tintas é relativamente
estável. O importante não é aumentar
o número, mas ter as pessoas certas de cada uma das
empresas presentes. Medimos o sucesso do Abrafati mais pela
qualidade do que pela quantidade.
Paint & Pintura
- A exposição tem conotação
institucional e de negócios?
Dílson Ferreira
- Ela é essencialmente
de negócios. Visa o desenvolvimento comercial entre
fornecedores e fabricantes de tintas. Não no sentido
de que sejam fechados negócios no próprio local,
mas sendo uma feira de altíssimo nível entre
fornecedores e fabricantes de tintas. O relacionamento, que
se estreita durante o evento e se mantém ao longo
dos anos, é que traz os futuros negócios. Paint & Pintura
- O número de indústrias de tintas na América
Latina e, em particular, no Brasil, vem crescendo muito?
Dílson Ferreira - Não temos estatísticas
em torno disso, porque a informalidade é muito grande
no Brasil. Há muitas indústrias de tintas que
não querem aparecer. Não querem chamar a atenção,
não querem fiscalização.
Paint & Pintura
- As pequenas indústrias de tintas também têm
investido em tecnologia?
Dílson Ferreira - Sem dúvida.
Nós temos no Brasil empresas médias e pequenas
que estão operando em nichos de mercado. Desenvolveram
suas próprias tecnologias e têm nível
de prestação de serviços e de oferta
de produtos muito bom. É uma realidade e uma contribuição
para o desenvolvimento setorial. No outro extremo, verificamos
um grupo de empresas pequenas que fabricam produtos de baixa
qualidade, trabalham na informalidade e são muito ‘dinâmicas’,
pois num dia abrem e no outro fecham. |