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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 116 - Panorama - Mercado Argentino de Tintas
 
Um panorama da indústria argentina
 

Depois da profunda crise que a Argentina viveu no final de 2001, a indústria local de tintas volta a mostrar suas cores. A seguir, uma análise da evolução dos últimos anos.

 
por Cristina Kroll, correspondente na Argentina
 

O negócio de tintas na Argentina recuperou a cor durante os últimos anos. Se fizermos uma divisão por segmentos, as tintas decorativas surgem como as líderes em participação, seguidas pela tinta industrial, e em terceiro lugar, pela tinta automotiva. Embora não haja cifras oficiais, considera-se que a tinta decorativa concentre 65% do mercado; a tinta automotiva, 10%; e a tinta industrial, 25%, segundo estimativas do mercado.

Os analistas consultados prevêem que, no âmbito decorativo, a indústria local está utilizando 80% da capacidade instalada durante setembro a dezembro, quando ocorre o pico sazonal de consumo. Parece que agora os argentinos estão incrementando o consumo anual de tinta no país. Embora a Cámara de la Industria de la Pintura não disponha de dados fidedignos, as fontes do setor estimam que este ano o consumo chegará a 4,2 litros habitante/ano, o que significa um aumento em relação aos 3,5 litros registrados em 2006. Os especialistas atribuem esse incremento ao maior poder aquisitivo alcançado pela população argentina nos últimos quatro anos, com um crescimento econômico superior a 6%. Os porta-vozes esclarecem que a expansão não está diretamente vinculada ao boom da construção que o país atravessa, pois boa parte do setor privilegia produtos de menor qualidade para baixar custos e, inclusive, algumas vendas são feitas sem qualquer registro. Os analistas sugerem que por causa da recuperação econômica, os consumidores priorizaram outros gastos, como eletrodomésticos, e optaram por comprar tintas só para reformas.

Neste cenário, os players reconhecem que o consumo per cápita ainda está distante de outros mercados mais avançados, como Japão ou Alemanha e inclusive Brasil. No entanto, a diferença do consumo por habitante na Argentina em relação aos grandes mercados, como o europeu, reflete o grande potencial de crescimento que o país apresenta nesse negócio.

O setor em cifras
O setor cresceu 27% na última década. As cifras do Instituto Nacional de Estadísticas y Censos (INDEC) mostram que em 1996 foram produzidas 182 mil toneladas de tinta, enquanto no ano passado a cifra foi 249 mil toneladas. O setor é tão sensível ao sobe-e-desce da economia quanto os demais insumos da construção. Por este motivo, a desvalorização da moeda local no fim de 2001 se refletiu claramente nos indicadores daquele ano e, de maneira mais taxativa, em 2002, quando ao baixo consumo doméstico se somaram a recessão e a queda da produção nacional. Em 2001, a produção de tintas atingiu 177.938 toneladas, enquanto que em 2002 o índice caiu para 145.351 toneladas.

A partir de então, os anos seguintes vislumbraram alta no mercado. Em 2003, a produção total foi de 215.203 toneladas de tintas; e em 2004, de 235.164 toneladas, segundo o INDEC. Nos últimos dois anos, a situação econômica ganhou estabilidade e o crescimento se manteve, porém em porcentagens menores que nos anos pós-crise. Em 2005, a produção foi de 241.831 toneladas, quase 7 mil toneladas a menos que em 2006.

Segmentos
Atualmente, existem no país por volta de 400 fábricas produtoras de tintas, concentradas principalmente na cidade de Buenos Aires e em sua região metropolitana, uma vez que no interior a produção é muito baixa. Só Rosário e Córdoba são produtores destacados, com cerca de 10% da tinta industrial.

Nesse cenário, aparecem os diferentes segmentos da indústria, encabeçados pelo setor decorativo. As líderes são a Alba, de capital britânico, a americana Sherwin-Williams e a local Sinteplast, cada uma com cerca de 30% do mercado, seguidas pela argentina Tersuave, com cerca de 10%, conforme os analistas consultados. O segmento de tinta para a indústria automotiva está dividido entre a consumida diretamente pelas montadoras e a utilizada para repintura. Lideram o mercado da primeira a alemã BASF e a americana PPG; entre as marcas usadas para repintura, o segmento é encabeçado pela holandesa Akzo Nobel, seguida pela argentina Sinteplast e pela Colorín, empresa nacional que passou ao controle da francesa Lafarge Peintures em julho de 2006. A líder do segmento industrial é a Sinteplast, com cerca de 30% do negócio, seguida por fábricas pequenas dedicadas à produção de tintas.

Movimento do tabuleiro
O mercado apresenta fusões e aquisições entre companhias que podem colaborar na evolução que se espera dessa indústria nos próximos anos. Já se dá por certa a aquisição da britânica ICI (Imperial Chemical Industries), proprietária da empresa líder Alba, por parte da Akzo Nobel. Apesar da compra não ter sido aprovada definitivamente, os analistas asseguram que, quando se concretizar, repercutirá no mercado local. Além disso, essa aquisição tem um dado curioso: a compradora é menor que a empresa adquirida – na Argentina e em toda a América Latina –, o que fará a Akzo escalar várias posições neste setor.

A Alba havia sido comprada da Bunge & Born em 1996 pela ICI por 390 milhões de dólares. A transação incluiu as empresas Tintas Coral do Brasil e Inca do Uruguai e foi o primeiro investimento da ICI Paints na América Latina. Anos atrás, a Akzo havia comprado a Miluz, outra companhia local. Para outros atores do negócio, a sorte não foi favorável: a companhia Cintoplom, que concentrava 8% de participação no setor, entrou em falência e retirou-se da negociação.

Um nicho com potencial
A indústria automotiva argentina decolou com ânimo nos últimos anos, o que beneficiou alguns atores do setor comprometidos com esse segmento. Espera-se que nos próximos anos essa tendência se acentue. Segundo dados do INDEC, o setor voltou a impulsionar em junho o crescimento da indústria, ao registrar uma alta interanual de 29,7%. A multinacional italiana Fiat anunciou em maio passado que investirá 60 milhões de dólares na Argentina para fabricar anualmente 50 mil unidades do modelo Siena a partir de 2008 em sua fábrica de Córdoba, no centro do país. A Ford investirá 157 milhões de dólares nos próximos dois anos na Argentina para fabricar em Buenos Aires dois novos veículos, que serão comercializados na América Latina.

O posicionamento do varejo
Os pontos-de-venda no país são uma peça fundamental na engrenagem desse negócio. De fato, os analistas estimam que 80% da comercialização de tintas na Argentina se concentre no varejo, que se divide em lojas e depósitos de material de construção, com 50%, e em redes, em segundo lugar, com os 30% restantes. Os outros 20%, que completam o bolo, estão divididos por lojas de grande porte, como Easy, do grupo Censosud, líder desse nicho.

No total, existem atualmente 2.300 pontos-de-venda, conforme informações do setor. Entre eles estão lojas de tintas, de ferragens, homecenters, supermercados, hipermercados e depósitos de material de construção. Ao mesmo tempo, as fontes consultadas asseguraram que as grandes redes de varejo de tintas possuem, no total, mais de 600 lojas, reunidas em um número reduzido de empresários. Entre os líderes estão as Pinturerías Rex, uma empresa familiar com 43 lojas na Capital Federal, Grande Buenos Aires, Rosário, Santa Fé, Bariloche e Neuquén. Seu faturamento está em torno de 35 milhões de dólares anuais e sua participação de mercado é de aproximadamente 7%.

Deste universo, por volta de 600 lojas pertencentes a 40 empresários passaram a fazer parte nos últimos meses da Cámara Argentina de Pinturerías (CAPIN), que começa a dar seus primeiros passos nesse campo depois de sua criação, em meados de 2006.

 
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