Segmento de Pintura Industrial Segmento de Pintura Decorativa ou Automotiva
Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 117 - Tintas Navais e Offshore
 
Mudança favorável na maré
 

A indústria naval brasileira prepara sua revitalização e, conseqüentemente, eleva a quantidade de tinta aplicada. Atentos aos balanços da maré, o segmento tinteiro busca novas alternativas ao desenvolver tintas e revestimentos cada vez menos agressivos.

 
Fábio Sabbag
 

Quase totalmente desativada desde o final da década de 1970, a indústria naval brasileira retomou fôlego somente no início dos anos 1990. Mas hoje, de acordo com a Petrobras Transporte (Transpetro), serão necessários 13,7 milhões de litros de tintas para pintar os 42 navios a serem construídos para seu Programa de Modernização da Frota. Só na primeira fase, quando serão construídos 26 navios, serão utilizados 9,3 milhões de litros.

A retomada da produção foi impulsionada na época pelas encomendas da Petrobras para o aumento da produção de petróleo em alto-mar. Dez anos depois, em 2001, a Petrobras lançou o Programa de Modernização da Frota de Apoio Marítimo, definindo no edital de concorrência internacional a exigência de navios de bandeira brasileira. O fato estimulou a construção local desses navios e criou o primeiro impacto na reativação dos estaleiros.

Os estaleiros para a construção de 26 novos petroleiros foram selecionados pela Transpetro por meio de licitação pública em 2006 – uma decisão que muda a escala da indústria naval brasileira. Diante de uma nova realidade, o setor deparou-se com um desafio duplo: atender as encomendas de plataformas e navios de apoio; e assegurar um processo sustentável de encomendas para construção de navios além de 2010, que viabilize os investimentos em novos estaleiros e ampliação dos já existentes.

Revitalização
A revitalização do setor naval brasileiro é pauta novamente. E é justamente ela que pressiona o Fundo da Marinha Mercante (FMM), que ainda corre o risco de não dispor de recursos para financiar novos projetos de embarcações para 2009. Inimaginável na cabeça dos executivos do setor, o problema será avaliado pelo conselho do fundo. O foco é a fixação de novos critérios para definição de prioridades para concessão de crédito.

Durante o seminário “Desafios da logística, o renascimento da indústria naval”, promovido pela Casa Brasil e pelos jornais Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil, Pedro da Costa Carvalho, secretário de Fomento para Ações de Transportes, do Ministério dos Transportes, explicou que as mudanças serão discutidas na próxima reunião do Conselho do Fundo de Marinha Mercante, ainda sem data marcada. “Desde 2003, o total de recursos destinados a novos projetos aumenta no País. Entre 2003 e maio deste ano foram investidos R$ 4,6 bilhões do fundo”, contabilizou o secretário.

Hoje, o total de recursos em estoque no fundo soma R$ 2,1 bilhões, mas o total de projetos candidatos a financiamento, apresentados na reunião, totalizou R$ 2,4 bilhões. Se fosse destinado R$ 1,1 bilhão ao ano para compor o fundo, o descompasso entre oferta de recursos e demanda de projetos poderia começar a afetar a solvência do fundo em um prazo de um ano e meio. “Se todos os projetos tivessem sido aprovados, poderíamos ter problemas para financiar novos empreendimentos em 2009”, avalia Carvalho.

A recuperação da indústria naval nos últimos anos, segundo Carvalho, se reflete nas encomendas do exterior. O Eisa (Estaleiro Ilha S.A), por exemplo, já não dispõe de espaço em seu canteiro. Além dos cinco navios da Log-in, empresa de logística da Companhia Vale do Rio Doce, o estaleiro já acertou encomenda de dez navios graneleiros para exportar para os Estados Unidos. O reflexo da retomada baterá nas janelas da indústria tinteira.

“O reflexo é imediato e significativo, como já ocorreu em meados dos anos 90, quando a nossa indústria perdeu espaço para a asiática em função da desvalorização do dólar. Na época, nossa moeda chegou a valer mais que o próprio dólar inviabilizando a produção local”, diz Caio Panegossi, diretor proprietário da Brasilux.

Desafios e oportunidades
A indústria naval é de ciclo de produção longo: um navio leva de 16 a 24 meses para ficar pronto. Depende do projeto de compra do aço e seus equipamentos mais importantes são produzidos sob encomenda. No caso brasileiro, o fato positivo é o ingresso do grande capital brasileiro no setor da construção naval, representado por companhias como Camargo Correa, Queiroz Galvão, MPE, WTorres, Grupo Fischer e Wilson Sons, bem como de investidores internacionais do naipe de Keppel, Jurong, Aker e Chouest.

Essa é a nova realidade. Neste momento novos estaleiros estão sendo implantados em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco. O desafio principal é a compreensão que a indústria naval, em todo o mundo, é um projeto do governo e da sociedade. Todos os setores do governo devem ter a mesma orientação sobre o projeto de poder naval brasileiro, definido em legislação. Sem indústria naval e navios próprio, um país com 8 mil quilômetros de costa, projeto de inserção internacional e mais de 80% das exportações por via marítima se coloca em uma situação de fragilidade.

Emprego à vista
Bons ventos trazem uma maré favorável ao trabalhador da indústria naval. A retomada da indústria naval brasileira deve gerar 40 mil empregos diretos até o final do ano, dos quais 25 mil no estado do Rio de Janeiro. Naturalmente, o consumo de tinta tende a aumentar. “O volume deve aumentar na mesma proporção dos postos de trabalho, pois podemos considerar uma relação direta do consumo de tinta com a mão-de-obra aplicada”, avalia Panegossi.

Só o Rio de Janeiro receberá nos próximos anos investimentos entre R$ 110 milhões e R$ 120 milhões. O nível de automação e tecnologia das indústrias levará à criação de 160 mil empregos indiretos. Como comparação, entre 1970 e 1985, período considerado o auge da construção civil, foram gerados 45 mil empregos diretos. Dentro de cinco anos, a expectativa é criar mais de 50 mil postos de trabalho.

Um dos entraves ainda é a capacitação tecnológica. Enquanto a Alemanha, por exemplo, destina 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) a pesquisas e desenvolvimentos, o Brasil aplica 1,2%. A Coréia do Sul destina 3%, e o Japão, 3,2%. Há alguns outros obstáculos, como defasagem tecnológica e de gestão, desarticulação de fornecedores locais e de navi-peças, e alto custo de financiamento de longo prazo.

Reparos navais
Conforme estudo que foi apresentado durante o XX Congresso Pan-Americano de Engenharia Naval, Transporte Marítimo e Engenharia Portuária (Copinaval), em São Paulo, a indústria de reparos navais é uma fonte de receita pouco explorada por muitos estaleiros brasileiros.

Atualmente, no Brasil, a oferta de estaleiros voltados à manutenção de embarcações, principalmente de grande porte, é restrita e os poucos que operam nesse segmento estão atuando praticamente com sua capacidade máxima. “Há uma tendência de redução da capacidade de reparos, abrindo espaço para a atuação de novas empresas”, diz Marcos Mendes de Oliveira Pinto, coordenador do estudo e professor do Departamento de Engenharia Naval da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Ainda segundo o estudo, nos próximos dez anos será necessária a realização de uma média de 137 reparos/ano em navios brasileiros. Para se chegar a essa estimativa, foram consideradas as seguintes hipóteses: todos os navios que operam no Brasil fazem os reparos localmente; os reparos são realizados a cada dois anos e meio; e os navios se aposentam com 30 anos de operação. Não foram considerados os navios estrangeiros que aportam no País.

Outro parâmetro apontado leva em conta a receita gerada em função dos reparos. Considerando a média de consertos necessária – 137 ao ano –, e o valor de referência do custo dos serviços da ordem de US$ 350 mil por reparo, conclui-se que os ganhos potenciais associados a essa atividade no Brasil vão variar entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões por ano na próxima década. “Se essa oportunidade não for aproveitada, o País certamente perderá divisas potenciais e nossos estaleiros desperdiçarão a chance de operar em uma atividade lucrativa, que representa a porta de entrada para o desenvolvimento da indústria da construção naval”, afirma o coordenador do estudo, ressaltando que a indústria de reparos navais representa uma fonte importante de receitas para os estaleiros não só no Brasil, mas em todo o mundo. “Em 2006 esse segmento representou 13% do total arrecadado pela indústria naval mundial.”

Destaques

International Paint
Com mais de 80 anos de atuação nos segmentos de tintas para proteção industrial (protective coatings), tintas marítimas (marine coatings) e tintas para iates (yacht coatings), a International Paint, instalada em São Gonçalo (RJ), chegou ao Brasil em 1926 carregando consigo uma marca considerada sinônimo de qualidade em tintas marítimas, industriais e para iates em todo o mundo.

A International Paint destaca-se mundialmente no mercado de tintas marítimas antiincrustantes, tintas anticorrosivas para indústrias pesadas e tintas de alto desempenho para os mercados aeroespacial e de iates. Integra a divisão de tintas do grupo holandês Akzo Nobel, que atua ainda nas áreas de saúde e química fina.

Nova regra da IMO para pintura de tanque de lastro
A Jotun Brasil está preparada para aplicar as novas regras da International Maritime Organization (IMO) para pintura de tanque de lastro. De acordo com Michael Bak, presidente da Jotun Brasil, o desafio de antecipar a regra IMO para pintura de tanque de lastro, que só entrará em vigor em 2008, exige treinamento e um cuidadoso desenvolvimento de procedimentos. “O pioneirismo custa tempo e esforço, mas apresenta o benefício de estabelecer um padrão no mercado. Navios com a nova pintura de tanque de lastro têm seu valor de mercado ampliado”, diz.

A nova regra IMO tem como foco a correta preparação das paredes do tanque de lastro para eliminar impurezas e resíduos (no caso de novas construções) e de salinidade (no caso de navios já em operação). A proteção requerida tem relação direta com a espessura que a camada de tinta cobre a parede do tanque de lastro e da condição de avaliação da situação do tanque ao longo dos anos. Para isso a Jotun tem produtos que permitem aplicação em camadas, de forma que a aplicação da camada seguinte, na espessura apropriada, possa ser percebida com a análise visual.

WEG
A WEG investe permanentemente em desenvolvimento tecnológico para atender o exigente mercado da construção naval, oferecendo produtos inovadores e de alta performance. Um exemplo claro são os produtos desenvolvidos para atender o mercado naval e offshore.

Pintura e manutenção de embarcações merecem tanta atenção quanto a ancoragem eletrônica ou manobrabilidade. O casco de um navio, permanentemente molhado, exige produtos inovadores e de alta performance que garantam sua vida útil. O revestimento epóxi Lackpoxi 76 Wet Surface, único homologado para aplicações tanto acima quanto abaixo da linha d´água, conta com características essenciais ao segmento. Além de resistir à água, óleos e sais, pode ser aplicado diretamente sobre superfícies úmidas. Ambientes agressivos contam ainda com produtos normalizados, como o Lackpoxi N2630, para proteção anticorrosiva. Já o intemperismo natural não tem vez com o Lackthane N2677.

Se a necessidade é resistência química, a aplicação vai de WEG Fenoxi. Para cascos de navios, a opção é o antiincrustante WEG Ecoloflex SPC de autopolimento hidrolítico à base de copolímero acrilato de cobre, desenvolvido com tecnologia patenteada pela Nippon Paint. É livre de estanho e, assim, ecologicamente correto.

 
Sumário
 
  Copyright @ 2007, Paint & Pintura. Todos os direitos reservados.