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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 119 - Balanço
 
Indústria de tintas comemora crescimento
 

O mercado de tintas decorativas, industriais e automotivas tem motivos para comemorar os resultados obtidos em 2007 e apostar em um crescimento significativo também para 2008.

 

Favorecido pelo bom desempenho dos principais indicadores econômicos, pela produção recorde da indústria automobilística e pelo aquecimento do mercado imobiliário, o setor de tintas e revestimentos tem motivos para comemorar. De acordo com as projeções do Sitivesp (Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo) as vendas desses insumos deverão fechar com crescimento em torno de 6% em 2007, em comparação ao ano anterior.

Com esse crescimento, que ficou acima das previsões iniciais – de 4,2% –, o faturamento do setor deverá chegar ao patamar dos US$ 2,75 bilhões, elevando o consumo de 330 milhões de galões de tintas (registrados em 2006) para 350 milhões, ou quase 1,3 bilhão de litros de tintas. Mais do que números positivos (e não observados há muitos anos), o desempenho é animador porque aponta para uma tendência de crescimento sustentado para os próximos anos.

Entretanto, cabe ressaltar que as expectativas favoráveis dependem de uma série de fatores conjunturais para se concretizarem. Entre eles, decisões político-econômicas, como as reformas estruturais das áreas fiscal, tributária, política e da previdência; equilíbrio da taxa de câmbio e redução das taxas de juros. Outro fator que preocupa o segmento de tintas são os consecutivos aumentos de matérias-primas, muitas delas derivadas do petróleo, além da escassez já identificada em alguns itens.

Retomada do crescimento
“De qualquer forma, um crescimento em torno de 6% é muito significativo, pois na última década vínhamos registrando um desempenho aquém do desejado e do potencial que temos. Podemos dizer que em 2007 o setor começou a retomar o caminho do crescimento, puxado, principalmente, pela construção civil e indústria automobilística”, destaca Roberto Ferraiuolo, presidente do Sitivesp.

Segundo ele, certamente o ano de 2008 deverá ser um ano bastante promissor, pois a área da construção civil – que responde por aproximadamente 65% das vendas de tintas e vernizes – já terá maturado os investimentos feitos em 2007 e muitos imóveis lançados estarão na fase de prontos para serem pintados, considerando um prazo médio de construção de oito a 18 meses.

Exportações e nível de emprego favoráveis
De acordo com o Sitivesp, os dados da balança comercial também foram positivos em 2007, mesmo com a desvalorização do dólar. A evolução nas vendas de tintas e revestimentos para o mercado externo deverá ficar em torno de 14% quando comparada ao ano de 2006. Até setembro, as exportações atingiram um faturamento de US$ 102,4 milhões.

Em volumes, o setor deverá totalizar vendas de 56 mil toneladas, contra 50.069 toneladas registradas no mesmo período de 2006, porém, com preço médio subindo de US$ 2,39/kg para US$ 2,43/kg.

O nível de emprego do setor no ano passado também se manteve em alta, registrando variações positivas em praticamente todos os meses, sendo que o acumulado até novembro ficou 3,41% superior ao mesmo período do ano anterior, segundo pesquisa feita pelo Sitivesp. Em 2007, o número de empregos diretos gerados a mais no setor deverá ser perto de 600.

Destaques para as tintas automotivas e imobiliárias
O desempenho geral do setor de tintas e vernizes, composto por produtos das linhas imobiliária, artística, de repintura automotiva, madeiras, tintas de impressão, serigráficas, manutenção, automotiva original e demais tintas industriais foi expressivo. Mas alguns segmentos se destacaram mais.

Foi o caso das tintas imobiliárias, setor que deverá crescer em torno de 6%. Expansão do crédito imobiliário, desoneração tributária de alguns itens da linha decorativa, anúncio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e a disposição do governo federal de utilizar o segmento da construção civil como mola propulsora para o crescimento econômico criaram condições para um bom desempenho em 2007 e ainda melhor para 2008.

O mercado imobiliário brasileiro espera crescer de 15% a 20% em 2008 em relação a lançamentos e volume de vendas, segundo estimativa do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP). A expectativa é que sejam financiados 230 mil imóveis, com R$ 21 bilhões do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

No caso da indústria automobilística – responsável pelo consumo de tintas automotivas originais – o cenário de 2007 também foi animador. Sucessivos recordes na produção e vendas de automóveis (totalizando a produção de 2,97 milhões de veículos, volume anual recorde em meio século de instalação das montadoras no País) repercutiram diretamente no resultado alcançado pela indústria de tintas e sua rede de distribuição: um crescimento da ordem de 13,9%.

As vendas nacionais de tintas para impressão deverão fechar o ano de 2007 em US$ 436,4 milhões, ou seja, 13,14% a mais sobre os US$ 385,7 milhões de 2006. A importação em toneladas, neste segmento, projeta para o ano de 2007 um total de 15,1 mil toneladas – 2,58% a menos que em 2006. Já a exportação de tintas de impressão deverá fechar um volume de vendas de US$ 25,6 milhões, ou seja, 9,87% superior aos US$ 23,3 milhões registrados em 2006.

Indústria de tintas cresce 8% em 2007
O ano de 2007 foi o melhor da década para a indústria de tintas, cujas vendas cresceram 8% em relação ao ano anterior. O faturamento alcançou R$ 4,737 bilhões, representando 6% de crescimento. "Todos os segmentos da indústria de tintas superaram as expectativas em 2007. Nossa previsão de crescimento das vendas para o ano, feita no final de 2006, era de 4,5% em volume", diz Dilson Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati).

"Diversos fatores contribuíram para esses bons resultados, a começar pelos juros reais abaixo de 10%, a maior oferta de crédito, o alongamento dos prazos de pagamento e o aumento da renda, além de algumas medidas de incentivo a determinados setores da economia. Com o forte crescimento da construção civil, as vendas recordes da indústria automobilística e o ótimo desempenho da indústria como um todo, as vendas de tintas também aumentam, pois elas estão presentes em praticamente tudo que é manufaturado", explica Ferreira.

Barreira superada
O bom desempenho do setor em 2007 elevou, pela primeira vez, o volume de tintas vendidas ao patamar acima de um bilhão de litros num só ano. "O conjunto de condições favoráveis que permitiu esse crescimento está mantido, o que nos leva a prever bons resultados também em 2008, quando esperamos vender 7% a mais", relata o presidente-executivo da Abrafati.

 
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