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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 120 - Emulsões
 
A alma da tinta
 

Com a principal função de ligante às tintas, as emulsões são responsáveis por vários outros benefícios, por isso, estão cada vez mais evoluídas e condizentes com as atuais exigências ambientais.

 
Lucélia Monfardini
 

Como qualquer outro tipo de resina, a função primária das emulsões é atuar como veículo para agregação de todos os demais componentes de uma tinta, isto é, ela deverá promover a boa combinação e aglutinação entre os pigmentos, dióxido de titânio, cargas e outras matérias-primas utilizadas numa formulação. Portanto, essa substância é responsável pela fixação da tinta ao substrato.

Além disso, juntamente com sua função principal, as emulsões também influenciam em outras características, como formação da película ou filme, velocidade na secagem e odor, nível de brilho, fixação de pigmentos e cargas (poder ligante), lavabilidade, aderência ao substrato, resistência física (luz, calor, radiação UV, água).

Com todas essas funções fica claro que as emulsões são a alma da tinta, ou seja, essa matéria-prima, em conjunto com outros componentes, confere as mais importantes propriedades dentro da formulação da tinta. Por isso, o segmento de emulsões tende a crescer continuamente, substituindo até os sistemas base solvente. De acordo com os entrevistados desta reportagem, o mercado de emulsões obteve o mesmo desempenho do setor de tintas. E o mercado segue otimista em 2008.

Avanços
Quando se fala em emulsões, encontram-se produtos com funções e características bastante diversificadas. Alguns produtos são utilizados para melhor rendimento da tinta ou revestimento, ou para diminuir a quantidade de pigmentos e melhorar dispersão. Já outras emulsões podem conferir benefícios diferenciados, como resistência à água, durabilidade, flexibilidade e outros efeitos, dependendo do tipo de monômero base e aditivos utilizados. “Além das inovações que agregam benefícios como os já citados, também temos novos processos envolvidos na obtenção de emulsões que permitem produtos finais com menor VOC e baixo odor, trazendo uma utilização mais segura para os aplicadores e ambiente. Outra melhora perceptível foi na compatibilidade das emulsões”, conta Luis Machado, coordenador de marketing da D’Altomare.

Para Edson Couto, gerente de polímeros para tintas e construção civil regional da BASF, as emulsões ao longo dos anos evoluíram de forma a se constituírem no principal sistema de ligantes, pois o fato de usarem água como solvente as tornam particularmente interessantes por possibilitarem baixas emissões de produtos nocivos à saúde. “A substituição dos sistemas base solvente pelas emulsões se dá de uma forma progressiva e irreversível. Os últimos avanços promovidos nas emulsões se referem à possibilidade de redução de monômeros livres, que geram odores típicos, e também à possibilidade de formular as tintas sem o uso de agentes coalescentes, que por sua vez também são indesejáveis na formulação de tintas mais amigáveis à aplicação. Em outras palavras, uma nova geração de tintas menos irritantes e com menos odor deverá surgir no Brasil”, afirma Couto.

Sempre pensando no produto final, a tinta, Gerson Ferreira, gerente de pesquisa, desenvolvimento e produção da W-Tech, verificou a necessidade da fabricação de emulsões com odores menores quanto aos seus monômeros livres e a adição de aditivos para proporcionar ao filme uma lavabilidade maior. “Ou seja, uma resistência maior à abrasão, desenvolvimento de novos produtos e a procura por novidades e melhorias são processos contínuos no desenvolvimento de novas emulsões.”

Na visão de Ismael Corazza, gerente de mercado da Bandeirante Brazmo, os últimos avanços técnicos foram em direção ao aumento de competitividade dos fabricantes de emulsões, tanto para o consumo cativo quanto para venda a terceiros, por meio da automatização de produção, disponibilidade de matérias-primas e balanceamento das formulações das resinas. “Isso significa que temos muito espaço para evoluir no aspecto tecnológico das emulsões de alto desempenho para a indústria de tintas no Brasil, pois o mercado de especialidades ainda deverá ser explorado com maior intensidade. A Denver Resinas investiu no aprimoramento da linha de emulsões acrílico-estirenadas, aumentando a resistência à lavabilidade das tintas formuladas com as resinas Denvercril RA 193 e RA 199.”

Substituição
Claramente se verifica no mercado de tintas uma busca constante pela otimização de custos, e no que diz respeito às emulsões, a história não é diferente. No Brasil, a grande mudança ocorreu já há alguns anos com a substituição das emulsões PVA pelas emulsões estireno-acrílicas, em função não apenas do menor custo, mas também em decorrência da melhoria de algumas características finais das tintas imobiliárias, tais como lavabilidade e resistência a intempéries. “Entretanto, numa análise comparativa entre os tipos de polímeros utilizados no Brasil e os tipos de emulsões utilizadas nos mercados americano e europeu, poderá ser notado o grande desequilíbrio do mercado local decorrente da participação das emulsões acrílicos-estirenadas de 60% contra 12% nos Estados Unidos e Europa; isso pode significar uma nova mudança num futuro breve”, prevê Corazza, da Bandeirante Brazmo.

Para Machado, da D’Altomare, tanto para o mercado de aditivos quanto para as emulsões, a substituição por emulsões de menor custo depende em geral da importância que os benefícios da matéria-prima irão oferecer ao produto final do cliente. “O custo é sem dúvida muito importante para uma formulação, porém para o caso de matérias-primas que possuem determinadas especificações e benefícios característicos, muitas vezes não é possível a substituição por produtos similares, levando-se em conta somente o fator preço. O aumento mundial do custo de certos monômeros também impede que haja redução significativa para o preço da maioria das emulsões.”

Ferreira, da W-Tech, informa que as emulsões utilizadas em tintas, aditivos, couro, papel e outros, vêm sofrendo constantes aumentos de matéria-prima, devido à alta nos preços mundiais do petróleo. “Mas os desenvolvimentos para produtos alternativos, modificações nas concentrações dos monômeros utilizados e novos aditivos são necessários para um bom rendimento e produto melhor em sua fabricação e aplicação.”

José Marcos Qualiotto, gerente técnico de pigmentos da BASF, esclarece que as emulsões são formuladas e aditivadas de acordo com as características físicas, químicas e de desempenho demandadas pela aplicação do produto final. “Os aditivos devem atender todas as exigências, caso contrário, não devem ser homologados como contratipo.”

Couto, da BASF, conclui que no caso da empresa, os produtos desenvolvidos pela matriz na Alemanha não podem ser manipulados no sentido de uma redução de custos por substituições de matérias-primas, pois são produtos globais.

Já Carlos Ribeiro, do laboratório de desenvolvimento da Solven, explica que sempre existe a possibilidade de substituição. “Principalmente por produtos de origem reciclável, apesar de não serem mais baratos, podem dar uma visão mais responsável para a atividade industrial.”

Para Luiz Carlos Pestana, gerente de produto Latam da Clariant, a migração dos sistemas PVA para sistemas acrílico-estirenados é reflexo da substituição por produtos de menor custo. “Menor teor de ligante, com o mesmo ou maior poder de aglutinação, possibilitando maior resistência à abrasão ou lavabilidade é uma relação direta de custo/benefício.”

Novidades
As empresas fornecedoras de emulsões se preparam para apresentar avanços em seus produtos em 2008. A BASF, por exemplo, produz resinas apropriadas para cada tipo de aplicação, baseadas no exclusivo processo SGO. “Produzimos desde as de baixo VOC até resinas de alta performance, como as auto-reticuláveis e base de uretano, que devem substituir parte dos sistema à base solvente atualmente utilizados. Para este ano, a empresa destaca seu portfólio unificado/consolidado entre os Joncryl e os nossos Luhydran e Acronal”, divulga Qualiotto, acrescentando que a linha Joncryl possui uma série de produtos com VOC reduzido que contribuem para uma atmosfera mais amigável e constituem uma tendência para o futuro.

A BASF também já lançou produtos voltados à substituição de resinas à base solvente e produtos que tornam possível a formulação de tintas de baixo odor. “Essa nova geração recebeu a denominação Acronal ECO. Os primeiros produtos lançados aqui foram o Acronal LR 9014, para aplicações em madeira, e o Acronal DS 6255, para tintas de baixo odor. Nossos clientes vêm recebendo suporte para o desenvolvimento de suas novas tintas e estamos discutindo atividades em conjunto com essas empresas no sentido de maior conscientização do mercado. O consumidor final ainda precisa ser esclarecido sobre os ganhos que ele e sua família terão. Ainda este ano esta linha de produtos crescerá”, divulga Couto.

Pestana, da Clariant, conta que a empresa tem trabalhado na substituição dos APEO por outros tensoativos não agressivos ao ambiente. “Quase todas as emulsões Clariant estão migrando para APEO free.”

A Solven, que trabalha com emulsões na área de madeiras industriais, pretende ainda este ano instalar equipamentos com novas tecnologias para atuação em outras áreas. “Sempre procuramos incorporar produtos de origem natural ou reciclável em nossas emulsões, quando possível.”

A Bandeirante Brazmo está introduzindo novas emulsões acrílicas e acrílico-estirenadas para os mercados de tintas imobiliárias, tintas gráficas, tintas industriais e demarcação. “Em conjunto com a Denver Resinas, estamos apresentando soluções técnicas que proporcionam um novo conceito para o mercado de tintas. Esses novos produtos proporcionarão aos fabricantes a possibilidade de produção de tintas com qualidade superior, baixo odor ou ainda introdução de linhas de esmaltes base água. Também estamos ampliando a linha de especialidades, que combinada com as novas emulsões, pode representar um grande diferencial técnico para os mais diversos tipos de tintas, entre eles, posso mencionar a introdução de um modificador de reologia uretânico para controle de viscosidade em sistemas tintométricos”, detalha Corazza.

Quanto a produtos mais amigáveis, Corazza ainda destaca o desenvolvimento de uma emulsão acrílica, a Denvercril RA 152, para formulação de esmaltes sintéticos de uso industrial. “Essa nova tecnologia propicia a fabricação de um esmalte de alto brilho e secagem rápida, mantendo a mesma qualidade do acabamento dos esmaltes convencionais base solvente. Desta forma, será possível a redução da emissão de solventes para a atmosfera, além de permitir a imediata utilização do ambiente pintado em função da diminuição do odor.”

Machado, da D’Altomare, informa que por meio da Pidilite, que além de produzir resinas e emulsões acrílicas possui tecnologia e produção de monômeros especiais, existe previsão de novas emulsões durante o ano de 2008, para diversas aplicações. “Dentro da linha de emulsões de silicone Dow Corning, o DC HV-490 traz bons benefícios, como efeito anti-estático, anti-pele e facilidade de aplicação por spray. Já para o mercado de pisos e demarcação, por exemplo, tradicionalmente utilizam-se produtos base solvente; e recentemente a D’Altomare passou a oferecer a Pidicryl FT, da Pidilite, uma nova emulsão acrílica para formulações base água e com baixo VOC, desenvolvida exatamente para esse tipo de aplicação. A tendência para lançamentos é de produtos que sigam essas características.”

Para o ano de 2008, a W-Tech tem como projeto desenvolver emulsões para a fabricação de esmaltes base água e emulsões com alta lavabilidade e tamanhos de partículas pré-definidas para uma utilização mais direcionada ao mercado em geral. “No que diz respeito a produtos menos agressivos ao ambiente e à saúde de usuários e fabricantes, existe na nossa empresa uma continuidade no processo de melhorias, objetivando o produto final. Com isso, alcançaremos resultados cada vez mais promissores na fabricação e também na utilização das emulsões acrílicas”, ressalta Ferreira.

 
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