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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 121 - Agentes Dispersantes
 
Eficácia da dispersão comprovada
 

Responsáveis por evitar graves problemas, como floculação, mudança de cor, perda de brilho, flotação e nivelamento, os agentes dispersantes são aditivos de extrema importância na formulação de tintas.

 
Lucélia Monfardini
 

Atualmente o mercado de agentes dispersantes vem acompanhando o crescimento do setor de tintas, pois são componentes indispensáveis em qualquer formulação. Com função de facilitar os processos de dispersão de tintas e pigmentos e melhorar processos de produção e performance dos produtos finais, os agentes dispersantes permitem ainda atingir maiores concentrações de pigmentos nas pastas e também evitam grumos.

Na produção de tintas, os agentes dispersantes, na maioria dos casos, evitam problemas decorrentes de floculação, mudança de cor, perda de brilho, flotação ou flutuação, entre outros.

Para entender melhor o funcionamento de um agente dispersante na fabricação de uma tinta, solicitamos aos fornecedores dessa matéria-prima que enviassem cases em que consta a detecção de um determinado problema apresentado pelo cliente, sua solução, bem como o resultado obtido com o produto utilizado.

Confira, a seguir, algumas situações específicas nas quais a incorporação dos agentes dispersantes foi primordial para atingir a performance desejada da tinta.

Alcolina
A engenheira química da empresa, Kelly Vieira da Silva, informa que nos anos anteriores, com a falta de matérias-primas à base de ácido acrílico, a Alcolina, por ser uma empresa que investe em pesquisa e desenvolvimento, lançou uma ampla linha de agentes dispersantes à base de monômero de acrilamida e poliglicóis copoliméricos, atendendo todos os tipos de formulações de tintas existentes no mercado. “Esses agentes dispersantes se destacaram no mercado devido a problemas existentes com relação ao brilho e nivelamento, proporcionando uma otimização na dispersão e estabilização. Além disso, evitam a floculação, alteração de cores e flotação, resultando em uma maior uniformidade superficial do filme, além de manter um ótimo brilho da superfície”, destaca Kelly.

Aromat
Hamilton Oliveira, do departamento técnico da Aromat Produtos Químicos, destaca o case de sucesso dentro do portfólio de agentes dispersantes da empresa, o Nuosperse FX9086, desenvolvido especialmente para sistemas à base de solvente. “Esse produto é indicado para a formulação de concentrados de pigmentos para uso industrial. Apresenta compatibilidade com praticamente todos os veículos. Sua base polimérica contribui efetivamente para a boa dispersão de pigmentos orgânicos e inorgânicos, na estabilidade da dispersão e no bom desenvolvimento de propriedades colorísticas do pigmento. Também é utilizado como único agente dispersante ou em conjunto com o Nuosperse FA196, ou seja, é a solução para preparação de dispersões à base de pigmentos de difícil dispersão, como negro-de-fumo e ftalocianinas.” Entre os produtos indicados para sistemas à base de água, a Aromat também destaca Nuosperse FA620 e Nuosperse FX600 (indicados para a formulação de concentrados). “Os dois produtos atuam na umectação dos pigmentos e na estabilização da dispersão, proporcionando o máximo desenvolvimento de poder tintorial dos pigmentos, evitando acréscimo de viscosidade e sedimentação”, ressalta Oliveira.

BASF
Edson Couto, gerente de polímeros para tintas e construção civil regional da BASF, conta que com o maior grau de diferenciação entre as tintas no mercado brasileiro haverá oportunidade para lançamentos de dispersantes. “A BASF, na Alemanha, tem investido recursos em pesquisa de novos dispersantes que atendam às modernas exigências do mercado global. Há especial foco para formulações para baixo VOC e sistemas apeo-free, que demandam características específicas.” No mercado brasileiro a BASF oferece o produto Polysal BA, que é bastante conhecido dos formuladores de tintas por ser um produto robusto, de alta eficiência e que possibilita atingir boa estabilidade nas tintas. “Nos últimos anos nosso esforço foi principalmente o de redução dos custos internos para nos assegurar uma posição de liderança no mercado nacional de tintas imobiliárias. Nossos negócios com esse produto vêm apresentando crescimento consistente", revela Couto.

Byk Chemie
Aurélio Rocha, gerente-geral para América Latina da Byk Chemie, explica que qualquer tinta pigmentada, ou seja, aquela que possui alguma cor, tem que ser concebida, obrigatoriamente, a partir de uma perfeita e estável dispersão dos pigmentos. “E quem dá essa qualidade à tinta é o tão famoso e necessário aditivo dispersante e umectante. Caso a tinta apresente qualquer problema de cor, como flotação, flutuação ou intensidade, a escolha de um aditivo dispersante e umectante adequado ao sistema eliminará todos esses problemas.” A Byk Chemie possui diversos aditivos dispersantes e umectantes que se adaptam a cada tipo de tinta formulada. “Temos a solução para cada problema específico de dispersão”, afirma Rocha.

Clariant
Danilo Lopes Pereira, vendedor técnico de Coatings & Construction Chemicals da Clariant, conta que apesar de existirem diversos tipos de produtos no mercado, as especificações de cada cliente, bem como suas formulações e processos produtivos, requerem um tipo específico de dispersante. “Um dos produtos que a Clariant comercializa com maior freqüência é o Dispersogen 2774, um dispersante universal utilizado em tintas e em preparações pigmentárias base água e com base de pigmentos orgânicos. Esse material surgiu da necessidade e dificuldade que alguns clientes tinham em dispersões de pigmentos nas preparações.” Após alguns meses de pesquisa, a Clariant desenvolveu o Dispersogen 2774, que é um agente de dispersão polimérico, não iônico e com grupos de ancoragem aromáticos. “É um produto com 100% de ativo, o que o faz ter um ótimo custo/benefício. Permite altas concentrações de pigmentos nas pastas, por reduzir drasticamente a viscosidade do sistema e melhorar o poder de tingimento das preparações”, salienta Pereira.

D’Altomare
Hélio Ferreira, consultor especialista para a área de tintas e revestimentos da D'Altomare, relata um caso específico da D’Altomare. “Um determinado cliente da empresa fabrica tinta epóxi nas cores branca e preta. Para isso, utiliza pigmentos em pó e dois dispersantes diferentes (um para cada cor). Para a produção de tinta epóxi cinza, realiza mistura das tintas preta e branca, porém, quando realizava essa mistura, surgiam problemas causados por pigmentos pretos e brancos não totalmente dispersos. Dessa forma, era necessária a realização de nova moagem para evitar o problema de floculação.”

Para resolver o problema, a D’Altomare sugeriu a utilização do Zephrym PD 2206 na produção das tintas epóxis branca e preta. “Esse dispersante polimérico é não iônico e fornecido na forma líquida, com alto poder de dispersão. Dessa forma, após a mistura das duas tintas para a fabricação da cor cinza, deixou de acontecer floculação; conseqüentemente, não houve mais a necessidade da realização de uma nova moagem. A dispersão dos pigmentos nas cores branca e preta foi perfeita com o Zephrym PD 2206”, revela Ferreira. O consultor da D’Altomare ainda conta que para o cliente, além de obter o resultado desejado em sua tinta, houve redução do número de itens de compra, pois passou a utilizar o Zephrym PD 2206 no lugar de dois outros dispersantes. “Além disso, o fato de evitar nova moagem para obtenção da tinta de cor cinza trouxe redução de custos durante o processo de produção."

Troy
Carlos Alberto Gonçalves, diretor de negócios da Troy Brasil, exemplifica a resolução de um problema do pigmento negro-de-fumo com a dispersão e estabilização em meio solvente (resina alquídica média). “Para resolver esse problema, utilizamos o dispersante Troysperse 98 C, em comparação a um dispersante de alto peso molecular (HMW)”. O resultado obtido com o uso do Troysperse 98 C na dispersão do pigmento carbon black FW 200, da Degussa, apresentou as seguintes propriedades: redução do tempo de moagem e excelente poder tintorial, associado a uma excelente estabilidade da dispersão. “O trabalho apresentou um uso otimizado de 30% do Troysperse 98 C (% / pigmento) em comparação a 70% do dispersante de alto peso molecular (% / pigmento). Mais informações sobre esse case estão disponíveis no site www.paintshow.com.br (Artigo Técnico: Agentes Dispersantes)

Viana Química
Itamar Corrêa Viana, engenheiro químico e gestor de negócios da Viana Química, relata a dificuldade de produzir uma pasta concentrada de dióxido de titânio com 65% de pigmento utilizando somente água como veículo, sendo que o produto final não poderia apresentar tixotropia, pois o material precisava de fluidez para ser aplicado. “Avaliando as necessidades apresentadas pelo cliente foram feitas as seguintes observações: o dióxido de titânio é um pigmento relativamente fácil para dispersar, porém de acordo com o grau de dispersão da concentração de pigmento, da dosagem do dispersante e do veículo utilizado pode ser obtida uma pasta com alta concentração tixotrópica ou fluida; a tixotropia em uma pasta com alta pigmentação diminui a sedimentação dos pigmentos; o processo de dispersão deveria ser alterado para três etapas: 1ª - Veículo e Dispersante VQ 100, 2ª - Adição do pigmento, 3ª – Completagem do veículo (esse processo facilita o maior contato do dispersante VQ 100 com o pigmento e conseqüentemente melhora a dispersão do produto). A dosagem utilizada de dispersante VQ 100 foi de 5% sobre a quantidade de pigmento, pois sempre temos que levar em conta na dosagem do dispersante a área superficial do pigmento, ou seja, quanto maior a área superficial maior deverá ser a dosagem do dispersante para atingir os resultados desejados.” A conclusão obtida nesse processo foi que o dispersante VQ 100 auxiliou na busca dos resultados. “Porém, a dosagem correta do aditivo e o processo de fabricação foram fundamentais nessa tarefa”, finaliza Viana.

Wana Química
A Manchester (dispersantes para linha látex da marca Reoman) e a Disamtex (dispersantes para linha solventes da marca Disastab DS) atuam no mercado de tintas por meio de seu representante Wana Química. “Estamos há dez anos desenvolvendo aditivos de especialidades, no caso da Manchester, por exemplo, tem em sua linha 12 tipos diferentes. Enfatizamos para nossos clientes os dispersantes base água, pois são preparados a partir de uma reação já conhecida de soda mais ácido acrílico (para os poliacrilatos de sódio), ou amônia (para os poliacrilato de amônio). Esses produtos podem ser a solução para uma dispersão ou ainda grandes vilões nas questões ligadas ao acabamento, tais como problemas de manchas, mudanças de cor, recortes e até mesmo colaborar com a baixa repelência à água e lavabilidade”, explica Walmir Lopes, do departamento comercial da Wana Química.

Lopes ainda conta que a diferença dos produtos Manchester está justamente nesses pontos, com um diferencial na reação com adição de produtos modificadores de cadeia, onde esses problemas podem ser monitorados. “Por isso, temos uma grande linha de produtos específicos para cada problema. Recentemente a Manchester lançou um produto específico para dispersões que demandam grande necessidade de performance. Um exemplo disso está na dificuldade encontrada nas dispersões de determinados TiO2, pois o nosso diferencial é aumentar o poder de quebra das micelas, proporcionando um maior poder de cobertura”.

 
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