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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 121 - 4º Ebdquim
 
Encontro propõe sonho conjunto entre clientes e distribuidores
 

Quase duas centenas de profissionais ligados à distribuição de produtos químicos discutiram os caminhos do setor. Uma certeza ficou clara: a indústria química tem tudo para decolar.

 
Lucélia Monfardini, enviada especial a Guarajuba, Bahia
 

O 4º Ebdquim - Encontro Brasileiro dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos, realizado entre os dias 5 e 9 de março, no Vila Galé Marés, em Guarajuba (BA), foi aberto com coquetel e jantar de boas-vindas. No dia seguinte, ocorreu a abertura do ciclo de palestras, durante o qual o presidente da Associquim-Sincoquim, Rubens Medrano, discursou brevemente, citando dados da evolução do evento. "No 1º Ebdquim, em 2002, tivemos 64 empresas participantes e, hoje, na 4ª edição, estamos com 107. Em relação aos países participantes, houve uma evolução de quatro para os atuais 15; e os congressistas, que eram 99 na primeira edição, hoje totalizam 192 profissionais. Essa é uma evolução importantíssima para nós e para o mercado", comemorou Medrano, agradecendo a presença de todos. A palestra ministrada por Pedro Wongtschowski, presidente da Ultrapar, teve como tema principal "O Futuro da Indústria Química Brasileira". O profissional enfatizou que rentabilidade e competitividade são os fatores que mais prejudicam o crescimento da indústria química brasileira. "Haverá mudanças de estrutura na indústria”, frisou, listando os fatores que se responsabilizarão por essas mudanças: mercado mais maduro; crescimento da demanda comandado pelo crescimento do PIB; escassez de matéria-prima (fenômeno mundial); empresas buscando acesso de matéria-prima competitiva; redução de margens com menor rentabilidade; maior expansão de capacidade na região do Oriente Médio e Ásia; e movimento de consolidação. “A batalha por reputação será central para o futuro da indústria química brasileira”, finalizou.

Sonho conjunto
A palestra "A Qualidade como fator de excelência, produtividade e desenvolvimento sustentável do segmento químico e petroquímico" contou com a participação de quatro importantes membros. O primeiro foi Bruce Schechinger, vice-presidente da NACD – National Association of Chemical Distributors (EUA), que abordou a missão da NACD, que trabalha para ganhar reconhecimento como a principal autoridade de distribuição química nos Estados Unidos, além de lutar pela excelência no Processo de Distribuição Responsável, defendendo políticas públicas e promovendo a melhoria contínua das empresas associadas. "O Processo de Distribuição Responsável é de extrema importância, pois promove a melhoria contínua do ambiente, saúde, segurança, e perfomance."

O palestrante seguinte, Edison Terra, diretor comercial e suplly chain da Unidade de Insumos Básicos da Braskem, falou sobre a representação da qualidade na distribuição de produtos químicos. "O desafio da distribuição é satisfazer todos os stakeholders de seu negócio. Além disso, é muito importante agregar valor por meio de serviços, como coerência estratégica, agilidade e capilaridade, integração de operações e informação, saúde financeira, transparência e ética", enfatizou, reforçando que "o distribuidor também precisa sonhar junto com o cliente".

Trabalho sincronizado
Com o tema "A Imagem da Indústria Química”, Antonio Carlos Lacerda, diretor de EM da BASF, informou que de acordo com diversas pesquisas realizadas com a sociedade que a indústria química ainda é considerada a mais perigosa. "A indústria química precisa ser vista de outra forma, ou seja, como uma indústria inovadora, transparente e que promove um futuro melhor. Temos que reconstruir a imagem da indústria química e mostrar a importância dela para a sociedade. Por isso, temos de praticar uma distribuição responsável e estar de acordo com as leis e regulamentações. Precisamos trabalhar de forma sincronizada para reverter esse quadro, pois ainda temos muito para crescer, principalmente no Brasil". Na palestra seguinte, Hendrik Abma, diretor-geral da FECC - European Association of Chemical Distributors (Associação Européia da Distribuição de Produto Químicos), ressaltou a importância da entidade para as empresas distribuidoras de produtos químicos e também sobre os cuidados responsáveis que esse setor tem de adotar.

Na penúltima palestra do dia, Paul Galasso, diretor comercial da ExxonMobil (EUA), relatou como a empresa vê o negócio de energia até o ano de 2030. "A energia requer procedimentos estratégicos e emergenciais. As condições de energia irão aumentar e a nossa previsão é que a demanda total de energia cresça cerca de 40% em 2030. Na última palestra, "Fusões e Aquisições", Marc Fermont, diretor da DistriConsult, empresa suíça de consultoria especializada em estratégias de distribuição, relatou um panorama completo do setor de distribuição no Brasil e elogiou a economia brasileira. "A situação econômica e o setor de distribuição no Brasil tiveram uma melhora considerável. Podemos dizer que a situação do setor é a seguinte: devido ao aumento de preços e problemas de sucessão, haverá ainda mais fusões e aquisições na distribuição brasileira; as entidades resultantes das fusões serão empresas brasileiras bem administradas, com forte capacidade financeira e empreendedorismo; menos distribuidoras melhorarão sua posição no mercado de produtos químicos em grandes volumes devido a requisitos de localização e expedição; estão aumentando as exigências comerciais e técnicas impostas à administração de empresas de produtos químicos especiais; as distribuidoras brasileiras são senhoras de seus próprios destinos em seu mercado; as distribuidoras estrangeiras, que recentemente se envolveram em fusões e aquisições, estão fora por um tempo”, finaliza.

Economia x política
No segundo dia, o Ebdquim começou com um panorama político da jornalista, historiadora e cientista política especialista em eleições e partidos políticos Lúcia Hippolito. “Do ponto de vista político, a situação está muito ruim, mas do ponto de vista da vida brasileira houve uma grande melhora, pois os números da economia estão bons, a inflação está sob controle, a estabilidade da moeda é uma conquista da população, a indústria está produzindo, o consumo e a demanda aumentaram; então, a princípio, parece que tudo está correndo bem. Na verdade, a gente corre um perigo muito grande, que é o descolamento total da vida econômica em relação à vida política do País, ou seja, se está indo tudo tão bem, não tem problema se de vez em quando alguém mete a mão no dinheiro público. A corrupção tem atingido níveis estratosféricos no País; nossa vida está boa, estamos trabalhando, criando os filhos, ganhado dinheiro, as indústria estão produzindo. Porém, chega uma hora em que as decisões políticas afetam profundamente as nossas escolhas econômicas, como, por exemplo, as escolhas de investimentos, planejamentos, etc.”, alertou.

Tranqüilidade
Já no primeiro painel de palestras houve a participação de entidades governamentais, como Carlos Orlando da Silva, superintendente-adjunto de Abastecimento, que ministrou a palestra “O papel da ANP: Aspectos da Indústria Brasileira de Petróleo com ênfase na indústria de solventes”. “Vivemos uma situação de tranqüilidade. A indústria petrolífera brasileira obteve grandes números em 2007: Reservas Provadas: de petróleo, 12,6 bilhões de barris (aumento de 70% no período de 1998/2007); de gás natural, 365 bilhões de m³ (aumento de 61,6% no período de 1998/2007). A produção de petróleo está em 1,83 milhão de barris/dia, e a de gás natural, em 49,7 milhões de m³/dia”.

Também houve a participação de José Alberto Maciel Costa, delegado DPF – Departamento de Polícia Federal (Divisão de Controle de Produtos Químicos), que alertou o setor sobre os produtos químicos que de alguma maneira integram a composição de drogas. O palestrante Fábio Martins Faria, diretor do DEPLA, falou sobre “Comércio Exterior Brasileiro e a Indústria Química”. “A evolução do comércio exterior é bastante positiva, com crescimento em torno de 20,5%. As exportações no Brasil têm apresentado um crescimento satisfatório, e a tendência para este ano é de continuidade do crescimento. Quanto aos desafios do mercado mundial, a competitividade exige simplificação e desburocratização, eficiência institucional (regras e respostas ágeis), logística integrada e eficiente, agregação de valor e diversificação de produtos e mercados.”

O segundo painel, “Win-Win-Win – Sob a Ótica da Cadeia Produtiva”, teve a participação de Bernardo Lemos, gerente de comércio interno de solventes da Petrobras, que comentou sobre a importância do gerenciamento da cadeia de suprimentos, estabelecendo fatores de confiança e comprometimento. Além disso, explicou como funciona o Programa Parceria Responsável da Petrobras. “Esse programa incentiva o compartilhamento de práticas de gestão e a disseminação de valores da Petrobras na cadeia de suprimento (fornecedores e clientes), e também aprimora o processo de contratação de serviços da companhia.”

Pensamento enxuto
Já Francisco Verza, diretor para tintas imobiliárias da Suvinil, destacou a estratégia de renovação da marca Suvinil, que permeia os recentes lançamentos e ações da marca. Além disso, também apresentou a nova campanha de divulgação das novas tintas acrílicas sem cheiro.

O diretor comercial CS/CPL da Braskem, Fernando Butze, apresentou palestra sobre a política de distribuição da Braskem. “O modelo de distribuição da Braskem segue premissas básicas, como fortalecimento da relação com parceiros estratégicos, relações estáveis e duradouras, atuação em regiões pré-definidas, plano de crescimento conjunto e clientes comprometidos com o crescimento da Braskem.”

O diretor superintendente da Oxiteno, empresa do Grupo Ultra, João Benjamin Parolin, relatou a distribuição na Oxiteno e a importância do Prodir. “Nossos distribuidores são tradicionais e especializados, com contrato de dois anos e com revisão periódica da carteira de clientes. Atualmente estamos trabalhando com sete distribuidoras: Brenntag, Gap, Maringá, Morais de Castro, Nordesquim, Produquim e Quimimax.” A Oxiteno participa de forma ativa na formatação do programa da Associquim. “Todos os distribuidores da Oxiteno possuem o Prodir.”

O último palestrante, Paulo Vieira, vice-presidente da DuPont Titanium Tecnologies para América Latina, ministrou a palestra “Pensamento Enxuto”, na qual destacou pontos estratégicos de gestão para obter resultados positivos. “Eu estou aqui para falar de uma vitória da cadeia produtiva, com partida de valor e processos semelhantes orientados pelo cliente final e que remunera o valor que é percebido por esse cliente final, que é um sistema diferente de tentar empurrar para o nosso cliente final todos os nossos desperdícios.”

No caminho do crescimento sustentável
Em entrevista à revista Paint & Pintura, o presidente da Associquim-Sincoquim, Rubens Medrano, falou sobre o mercado de distribuição no Brasil. “Esse setor vem numa evolução contínua. Ano a ano estamos melhorando a nossa participação em termos de produtos que podem ser comercializados por meio da distribuição. Além disso, com todas essas medidas tomadas até agora, como o Prodir e fóruns como o Ebdquim, o setor tem evoluído, e eu tenho certeza que estamos no caminho de um crescimento sustentável. Aliás, é essencial que esse crescimento seja com sustentabilidade, pois nosso país tem muito espaço para crescer ainda, porém tem de acontecer com responsabilidade perante o ambiente, segurança, ética, transparência, e muito mais com o consumidor, pois, hoje ele é muito mais exigente.”

Medrano também destacou as mudanças de comportamento do setor de distribuição no Brasil: “Desde que implantamos o Prodir e criamos o Ebdquim está havendo uma mudança na mentalidade desse mercado, pois como tudo hoje acontece tão rápido, as decisões têm que ser tomadas com maior urgência e rapidez. O setor tem assimilado bem e eu fico muito satisfeito, pois as opiniões que tenho ouvido têm sido todas favoráveis. Cada empresa tem que ter o seu discernimento, fazer seu próprio julgamento, sua auto-análise, e verificar o que deve ser adotado ou não, o que está fazendo certo e o que tem que ser melhorado; e aqueles que estão fazendo errado precisam corrigir.”

Quanto ao futuro, Medrano resumiu que a distribuição terá um futuro brilhante. “Ainda não estamos nos níveis dos Estados Unidos e Europa; encontramo-nos em um nível semelhante ao do Canadá e abaixo de Itália e Inglaterra em termos de participação e faturamento. Porém, acredito que até 2010 vamos ter uma surpresa, pois tenho notado a conscientização do setor de distribuição com o Prodir, com um olhar mais atento ao ambiente, e procurando trabalhar em conjunto”, assegura o presidente da Associquim-Sincoquim, acrescentando que em um país de dimensões continentais como o nosso, a capilaridade é muito importante. “As distribuidoras têm de atender desde o pequeno até o grande industrial.”

Ebdquim
Para Medrano, o evento é democrático. “Esse é um evento no qual procuramos unir as forças de todas as produtoras. Isso equivale a potencializar as forças produtivas da cadeia, tanto da indústria produtora como da distribuição, do transportador e das entidades governamentais que têm alguma relação conosco, além, é claro, dos distribuidores e dos palestrantes nacionais e internacionais, todos de alto gabarito. Nós também procuramos trazer palestrantes especializados na distribuição mundial para transmitir um pouco dos conceitos ou do que está acontecendo no mundo todo.”

Ainda na visão do presidente da entidade, todas as palestras foram excepcionais, cumprindo cada uma o seu objetivo. “Todas foram excelentes, cada uma com a sua especialidade. Os dois dias do evento foram maravilhosos, o balanço foi muito positivo, e acredito que o Ebdquim se consolidou nesta quarta edição, e terá um futuro brilhante, pois não pouparemos esforços para sempre trazer o que há de melhor, com diversas experiências de palestrantes para dividirmos com toda a cadeia produtiva.”

No próximo Ebdquim, a Associquim-Sincoquim celebrará seu 50º aniversário. “Cada Ebdquim tem sido uma surpresa; procuramos sempre inovar; e o 5º Ebdquim tem que ter uma presença ainda mais marcante, pois não só será a quinta edição do mais importante evento para o setor de distribuição, mas também comemoraremos o 50º aniversário da entidade. Queremos fazer um evento grandioso, inclusive temos até intenções de lançar um livro desses 50 anos da distribuição.”

 
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