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Brasil, 5 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 122 - Embalagens Plásticas
 
Continua a ascensão
 

A grande maioria das empresas já possui produtos envasados em baldes plásticos, e a tendência é que esse mercado continue crescendo nos próximos anos, devido às inúmeras vantagens que o plástico proporciona à sociedade, principalmente, por ser 100% reciclável.

 
Lucélia Monfardini
 

Com características importantíssimas, como versatilidade, maleabilidade, durabilidade e excelente custo/benefício, além de serem 100% recicláveis, os plásticos tornam-se insubstituíveis na nossa vida cotidiana, pois estão presentes em diversos setores, inclusive no de tintas e revestimentos.

O crescimento do plástico nos últimos anos se deve principalmente às inúmeras vantagens que oferece à população, como, por exemplo, as diferentes formas de design, fácil capacidade de impressão, grande quantidade de cores, versatilidade, custo competitivo, entre outros.

Além de contribuírem significativamente para o desenvolvimento social, econômico e científico, os plásticos também protegem o ambiente, ou seja, impedem contaminações dos solos, lençóis freáticos, evitam erosões, etc.

Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos, esclarece que não existe um material “mais ambientalmente correto” que outro. “Cada material tem um ciclo de vida (da extração ao pós-consumo) que causa diferentes tipos de impacto nas três frentes (terra, água e ar). Para cada aplicação, para cada região do mundo, para cada uso, um material terá vantagem sobre outro. Os plásticos certamente apresentam vantagens e desvantagens em determinadas aplicações, mas é a análise de cada aplicação e o pós-uso (descarte) responsável que fazem com que ele seja ambientalmente adequado. O uso tem que ser ambientalmente responsável e não o material em si”. A Plastivida é a entidade que representa institucionalmente a cadeia produtiva do setor para divulgar a importância dos plásticos na vida moderna e promover sua utilização ambientalmente correta, ao mesmo tempo em que prioriza iniciativas de responsabilidade social.

Reciclagem
Todos os plásticos são 100% recicláveis, incluindo as embalagens de plástico utilizadas no setor de tintas. “Quando reciclamos um determinado produto, o material gerado para fazer um novo tem na análise de seu ciclo de vida 0% de impacto ambiental. Isso porque ele já teve esse impacto uma vez e não passará a tê-lo novamente. Com isso, não haverá acúmulo de plásticos nos lixões, o ambiente ganha, assim como a economia”, explica o presidente da Plastivida.

Segundo o IBGE, a indústria da reciclagem no Brasil deu um salto importante nos últimos anos. A União Européia e países da Europa Ocidental, com base em dados de 2004, possuem taxa média de reciclagem de 17,8%, sendo que a liderança fica com a Alemanha, que apresenta índice de 32,1%. Comparativamente, o Brasil apresentou um índice de reciclagem de 17,2% em 2004, calculado com base nos mesmos parâmetros metodológicos e, já em 2005, a porcentagem passou para 19,8%. A taxa de crescimento é de 13% ao ano.

Outro dado relevante foi o aumento da reciclagem de plástico pós-consumo no Brasil. Passou das 359.133 toneladas recicladas em 2003, para 455.731 toneladas em 2005, aumento de 96.598 toneladas, ou seja, um incremento de 48.299 toneladas/ano. Para Esmeraldo, ainda há muito que ser feito. “A indústria da reciclagem brasileira tem hoje uma ociosidade de 40%, o que significa que falta material para ser reciclado – portanto, falta coleta seletiva. As ações de educação e incentivo à população vêm sendo feitas, mas há ainda um longo caminho a ser percorrido.”

Homologação para embalagens plásticas
Todos os envolvidos no mercado de tintas devem ser conscientizados da importância de distribuir, transportar e manusear o seu produto adequadamente para evitar acidentes. Os fabricantes de tinta já estão acostumados a receber produtos perigosos (solventes); agora, terão que tratar o seu produto final da mesma forma. A embalagem é um item de segurança regulamentado pela homologação, mas os sistemas de transporte, as rodovias e as pessoas envolvidas devem ser avaliados pela empresa com cuidado redobrado quando se trata de produto perigoso. Em caso de acidentes, a embalagem ficará exposta, ou seja, essa embalagem leva a marca de uma empresa, portanto essa empresa deve zelar pela sua marca.

As embalagens plásticas para o mercado de tintas devem ser homologadas quando a tinta apresentar ponto de fulgor abaixo de 60,5°C (vaso fechado) ou 65,6°C (vaso aberto). Não é necessária a homologação para embalagem plástica que contém tinta à base d’água.

Mestre em ciências pela USP e graduada em química pela Oswaldo Cruz, Mara Lúcia Siqueira Dantas, pesquisadora do laboratório de embalagem e acondicionamento do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, explica como surgiu a necessidade de se homologar as embalagens plásticas. “O Brasil é signatário das Recomendações de Transporte para Produtos Perigosos da ONU – Organização das Nações Unidas. Em 2004, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) regulamentou por meio da Resolução 420 o transporte rodoviário e ferroviário, com base na 12ª edição dessas recomendações. A exportação de produtos perigosos via marítima e aérea já exigia embalagens homologadas antes da portaria da ANTT, em versões anteriores dessas Recomendações. A necessidade de ter embalagens plásticas, metálicas, celulósicas ou de qualquer material homologada foi a melhor forma encontrada pela ANTT para controlar o transporte terrestre de produtos perigosos, assim como já praticavam a Marinha e a Aeronáutica”.

A homologação determina que as embalagens atendam requisitos de resistência mecânica e de compatibilidade do produto com a embalagem. A Portaria 71 (29.02.08) do Inmetro estabelece: - Para os fabricantes de embalagem (estoques remanescentes) – produtos envasados até 25.07.07, em embalagens não certificadas, terão, como prazo máximo para transporte, a data de sua validade. Já para os envasadores – os produtos envasados até 25.08.08, em embalagem não certificadas, terão, como prazo máximo para transporte, a data de validade do produto perigoso.

Tipos de homologação
A homologação de uma embalagem de transporte, que poderá ser uma bombona plástica ou um conjunto de frascos plásticos acondicionados numa caixa de papelão, deve começar pela definição do grupo de embalagem a que ela pertence (I, II ou III; mesmo entre os produtos perigosos há graduação entre os mais ou menos perigosos). “Os produtos que se enquadrem num determinado grupo, densidade semelhante e mesma classe de risco podem ser acondicionados numa mesma embalagem homologada, desde que atendam todos os requisitos da regulamentação da Portaria e/ou IMDG – Code e/ou IATA. Neste caso, uma homologação poderá contemplar uma família de produtos que poderão ser acondicionados no mesmo tipo de embalagem. Alguns produtos podem ter suas particularidades que podem fugir a essa generalização, mas a legislação orienta sobre os procedimentos adicionais”, esclarece Mara.

A pesquisadora do laboratório do IPT orienta as empresas sobre o que devem fazer para se adequarem às normas. “A recomendação inicial é fazer um levantamento dos produtos que se enquadram na classificação de perigosos, pois muitas vezes o nome do produto pode pertencer à classificação, mas dependendo da concentração em que ele se apresenta pode não ser considerado perigoso. Por exemplo, o hipoclorito (água sanitária) pode ser classificado como produto perigoso. A legislação classifica o hipoclorito como substância corrosiva e para verificar se na concentração apresentada da água sanitária é um produto perigoso, deve ser feito um ensaio de corrosão conforme especificado na legislação”, explica Mara, acrescentando que as punições para as empresas que não se adequarem às normas vão desde a aplicação de multas até a apreensão da carga. “O usuário deve prover o fornecedor da sua embalagem de toda informação necessária sobre o produto.”

Mara informa ainda que não observa prejuízo econômico aos consumidores de tintas, no caso de embalagens plásticas não homologadas, mas certamente existe a exposição a riscos de segurança para a população em geral. “A homologação é um processo de controle das embalagens destinadas ao transporte terrestre, aéreo e marítimo de cargas perigosas. Para o consumidor da embalagem (fabricante da tinta), se não houver a homologação, não embarca e está sujeito a multas.”

Serviços de homologação
O IPT não possui organismo certificador de embalagens para produtos perigosos. Os organismos certificadores para transporte terrestre podem ser consultados no site do Inmetro (www.inmetro.gov.br). Para transporte marítimo o órgão homologador é o DPC- Departamento de Portos e Costas, e as regras de homologação podem ser consultadas no site www.dpc.mar.mil.br. Já para transporte aéreo o órgão homologador é o DAC – Departamento de Aviação Civil. A homologação da embalagem realizada por um órgão não é reconhecida pelo outro, caso a embalagem seja transportada por mais de uma modalidade (caminhão e navio), ela deverá ser homologada pelos órgãos competentes de cada modalidade.

A Portaria 326 (11.12.06) do Inmetro estabeleceu o prazo máximo de 29/02/2008 para reconhecer os certificados das embalagens para transporte marítimo e/ou aéreo emitidos até 1º de março de 2006 para transporte terrestre. Dessa forma, já expirou a validade desses certificados para o transporte terrestre.

Mara, do IPT, divulga que o instituto possui diversos laboratórios que podem colaborar com o atendimento à legislação, desde a classificação do produto, insumos utilizados nas embalagens, ensaios de desempenho de embalagem, até o projeto da embalagem de transporte adequada a produto perigoso. “Os custos do conjunto de ensaios são elaborados conforme cada caso. O fabricante/usuário pode enviar a sua consulta para o e-mail: embalab@ipt.br. A legislação apresenta um conjunto mínimo de ensaios, mas o usuário e o fabricante devem se preocupar com todos os esforços que a embalagem irá sofrer durante a distribuição. Por exemplo, os esforços de vibração sofridos pela embalagem no caminhão não estão contemplados na legislação. O fundo do tambor de aço ou de plástico sofre efeito de fadiga durante essa vibração. Os percursos são longos no nosso País ou até mesmo para exportação para os países vizinhos. Devemos evitar uma ruptura indesejável do fundo de um tambor de produto perigoso. A simulação em laboratório pode ser feita por meio do ensaio da NBR – 9461 numa mesa vibratória”.

Produtos
No que diz respeito ao uso final, mais uma vez as embalagens plásticas se mostram mais seguras, pois são mais leves, possuem alça que facilita o transporte e manuseio pelo usuário, facilidade de abertura e fechamento das tampas. Além disso, em relação às embalagens cujo destino é a exportação, já existe um consenso entre os fabricantes de tintas de que a embalagem mais adequada é a plástica, pois a mesma não sofre corrosão em transportes marítimos e também é mais resistente contra deformações.

A Fibrasa utiliza somente o polipropileno na fabricação de suas embalagens plásticas, que é considerado a melhor resina para esse tipo de aplicação, uma vez que é totalmente inerte no contato com tintas e outros produtos à base de água. “O processo de fabricação utilizado nos nossos baldes é o de injeção (processo mais recomendado para esse tipo de aplicação), pois confere uma maior resistência e uniformidade à embalagem, além de permitir produção de embalagens maiores. Para esse mercado temos baldes de 3,6 litros; 17 litros e 18 litros, todos com tampa autolacrável e alça e com possibilidade de impressão até seis cores em offset seco ou decoração em in mold label, que confere qualidade fotográfica”, anuncia Paulo Bernardes, gerente regional de vendas da Fibrasa, acrescentando que todas as embalagens produzidas pela empresa seguem à norma ABNT NBR 14952 nos quesitos de resistência físca e a vazamento, empilhamento, fechamento, transporte, etc.

Observando padrões internacionais de qualidade e segurança, a Emplas busca sempre estar atenta ao mercado, e não seria diferente com o setor de tintas, pois possui diversos segmentos, como automotivo, imobiliário, industrial. Nesse sentido, procura atender às necessidades dos clientes. “Possuímos uma linha diversificada de embalagens para o setor de tintas, ou seja, disponibilizamos desde frascos com capacidade de 160ml a 3 litros, como também bombonas de 3,6 litros a 20 litros”, detalha José Luiz Pinto, diretor comercial da Emplas.

 
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