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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 122 - Ótica do Conselho
 
Revolução verde
 

Para produção dos chamados "green coatings" é preciso alguns requisitos básicos, que vão além da seleção da matéria-prima.

 
Por Wagner Sander*
 

O que podemos esperar em pleno século 21 são situações que contrastam uma consistente perspectiva de crescimento econômico dos países emergentes (como Brasil, China e Índia) associada a uma preocupação mundial com o nosso meio ambiente.

O aquecimento global, o degelo nos pólos acontecendo de forma consistente e mudanças climáticas visíveis em todo nosso planeta estão fazendo com que organizações (não governamentais e mesmo instituições governamentais) ao redor do mundo se movimentem para conscientizar os dirigentes mundiais e a população em geral de que temos de criar uma sistemática para que o crescimento econômico, que é necessário, possa acontecer de forma sustentável e de forma a impactar o quanto menos o nosso meio ambiente.

Particularmente no segmento químico, no qual os fabricantes de tintas estão inclusos, vemos movimentos fortes acontecendo principalmente nos países do Primeiro Mundo.

Produtos estão constantemente sendo desenvolvidos com matéria-prima renovável, produtos de baixo VOC (Compostos Orgânicos Voláteis), zero VOC base água, baixo teor ou nenhum HAPs (emissão de poluentes perigosos na atmosfera), livres de metais pesados (metal free), alquil fenol etoxilado (APE free), produtos sem solvente (solvent free) e produtos conhecidos como “green coatings”.

Temos acompanhado no Brasil, graças principalmente às grandes corporações multinacionais (como indústrias automobilísticas, indústrias alimentícias, indústrias de bebidas e indústrias farmacêuticas), bem como algumas ações isoladas da Petrobras (elaboração de normas e de estudos de desempenho de novas tecnologias) e de empresas de certificação (organizações como U.S. Environmental Protection Agency, South Coast Air Quality Management District, U.S. Green Building Council, Leadership in Energy and Environmental Design e Green Seal, European Solvent Emission Directive), normas como a ISO 14.000 (Sistema de Gestão Ambiental), ISO 18.000 (Sistema de Segurança e Saúde Ocupacional), para que os produtos ecologicamente corretos sejam introduzidos em nosso mercado.

Com os recentes avanços tecnológicos já é possível obter produtos de qualidade, com preço competitivo e com grande diferencial aos produtos chamados convencionais.

Para produção dos chamados “green coatings” é preciso alguns requisitos básicos, que vão além da seleção da matéria-prima, como por exemplo equipamentos dedicados, controle de processo específico para evitar possíveis contaminações, sistemática para baixa geração de resíduos, tratamento dos resíduos gerados no processo, reaproveitamento dos resíduos no processo, coleta seletiva dos resíduos gerados no cliente final.

A mídia tem sido também uma ferramenta valiosa para a divulgação e esclarecimento da população em geral de que é necessário tomarmos medidas urgentes, que muitas vezes são simples e de baixo custo, para que uma situação adversa seja alterada.

Existe hoje no Brasil o IDA – Índice de Desempenho Ambiental, que mostra o nível de preocupação que as cidades estão demonstrando com as questões ambientais, o “Ranking das Cidades” no tocante a três situações:

A – Recursos Hídricos e Poluição Atmosférica
B – Destinação dos resíduos sólidos urbanos
C – Preservação de Áreas Verdes

De forma semelhante, empresas no Brasil estão investindo em medidas que estão colaborando com a diminuição de resíduos, na correta disposição destes e em buscar por certificações que atestam todo esse esforço e preocupação.

Essas ações e certificações por sua vez estão propiciando a identificação, por parte da sociedade e dos clientes, de quais empresas são “amigas do meio ambiente”.

Tinta considerada “Verde”, reduz ou elimina:

- Emissão de CO2
- Emissão de VOC nas linhas de arquitetura (tintas imobiliárias)
- Desperdício não desejado de resíduos no solo
- Descarte/Remoção de materiais perigosos
- Custo associado com o uso de energia na construção
- Custo de materiais e aplicação da tinta
- Tempo de parada durante a construção

Nós devemos, portanto: encorajar, participar, promover discussões e fornecer subsídios para gerar um fórum de debates onde o objetivo a ser alcançado seja o de envolver os diversos setores da sociedade, na busca por melhores condições de saúde, melhores condições de vida e a efetiva diminuição da agressão ao meio ambiente. Temos que ter a consciência da nossa responsabilidade com as gerações futuras.

*Wagner Sander é diretor industrial, sócio e proprietário da Eco Specialist Indústria e Comércio de Tintas Ltda desde junho 2006 e conselheiro da revista Paint & Pintura.

 
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