Os principais segmentos consumidores de solventes são as indústrias de tintas e vernizes, colas e adesivos, defensivos agrícolas, agroindústria e síntese química. Todos esses setores estão fortemente aquecidos, projetando crescimento da demanda por solventes para algo em torno de 6% a 7% no ano de 2008.
Esse cenário se explica pela forte expansão do setor da construção civil nos últimos anos, que puxa o crescimento das tintas imobiliárias, em um primeiro momento, mas que termina por aquecer outros setores, como linhas branca e cinza, bem como a indústria de móveis, plásticos, vidros etc.
Nesse panorama, pode-se dizer que, de uma forma geral, todos os segmentos consumidores de solventes estão concretizando as perspectiva de crescimento para 2008, o que leva a um cenário otimista em relação à demanda do produto.
Produção
Segundo dados do Sindsolv (Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Solventes de Petróleo), mais de 90% da produção de solventes no Brasil concentra-se nas centrais petroquímicas – Copene, Copesul e Petroquímica União – e na Petrobras – que responde por 480 mil metros cúbicos/ano, o que representa mais de 50% da produção nacional A empresa detém 98% do mercado brasileiro de derivados de petróleo.
Quanto à distribuição de solventes no mercado nacional, de acordo com dados fornecidos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) sobre a comercialização do produto ao longo da última década, a Região Sudeste destaca-se como a principal consumidora (cerca de 70%), seguida pelas Regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.
Hidrocarbônicos: vantagens
Para Gilberto Sabóia, membro da Comissão Técnica do Sindsolv, sem dúvida, a principal vantagem dos solventes hidrocarbônicos sobre os demais é a de aliar baixo custo a um eficiente desempenho técnico. “Mas nos últimos anos, o já elevado preço dos solventes tem aumentado tanto no mercado interno que já está viabilizando o uso de tecnologias base água ou isentas de solventes, como hot melt, tinta pó e tinta por secagem UV.”
Conforme Sabóia, o mercado brasileiro de solventes hidrocarbônicos está bastante restrito à oferta de algumas faixas de cortes (destilação) pelas fontes produtoras, que possuem projetos estratégicos energéticos para produção de combustíveis ou polímeros. “Nosso mercado demanda também cortes mais refinados, por exemplo, de heptano, benzina para adesivos hospitalares e também de pentano, para expansão de poliestireno. Como a disponibilidade, se há, é pequena, as indústrias têm importado essas frações. Para as fontes produtoras de larga escala, esses volumes não são representativos, ou seja, são pequenos (500m3 a 600m3 mensais) para conferir viabilidade de produção dentro de um desses gigantes”, explica.
Tecnologia e tendências
Um dos pontos fortes que vêm sendo discutidos há mais de uma década no setor de solventes é a questão ecológica. “Um destaque é o trabalho das fontes produtoras para reduzir ao máximo o teor de benzenos e aromáticos nos solventes alifáticos, iniciado em 2004 e que agora apresenta resultados muito bons. Por sua vez, na distribuição, vale destacar a busca por alternativas ao tolueno, com custo e benefício técnico adequados”, ressalta Sabóia.
Existem alguns produtos alternativos recentes, adianta Sabóia, alguns inclusive são hidrocarbônicos e devem ser divulgados no próximo LATINCOAT (promovido pela Ávila-Agnelo Editora de 23 a 25 de setembro, no Expo Center Norte, em São Paulo), mas que custam mais que o tolueno e, por isso, estão sendo utilizados apenas em aplicações específicas, como adesivos para exportação ou utilizados em calçados de exportação. “No entanto, já existem desenvolvimentos para utilização direta em tintas nesse processo de substituição por blendas, que incluem solventes biodegradáveis ou de origem renovável”.
Ainda não temos alternativas técnicas, econômicas ou disponibilidade para que o mercado deixe de utilizar os solventes hidrocarbônicos, sejam esses aromáticos ou alifáticos. “O mercado deverá continuar por pelo menos mais 10 anos no mesmo ritmo de utilização desses solventes, crescendo próximo ao resultado do PIB”, prevê Sabóia.
Regulação
Na opinião de Sabóia, existe boa atuação dos órgãos reguladores em muitos pontos, como na regulação e na concessão aos distribuidores de solventes, mas isso também pode melhorar. “Penso que o agente regulador poderia agir de forma mais abrangente para coibir importações desnecessárias ao mercado interno, por qualidade ou disponibilidade. A Resolução 024 da ANP fala da formação de uma câmara técnica para discutir esses pontos (mercado, necessidade de importação), mas essa câmara ainda não está em pleno funcionamento. O órgão regulador poderia agir mais na caracterização, fiscalização e concessão de atribuições de grandes consumidores finais com acesso direto à fonte produtora e principalmente na regulação da atividade das revendas, que muitas vezes não prestam o serviço do distribuidor e com isso têm gastos menores, e acabam ofertando preços mais atrativos aos clientes e, conseqüentemente, vendendo no lugar do distribuidor”, avalia Sabóia.
Parceria
Além de o órgão regulador atuar mais nos pontos citados por Sabóia, ele também defende que as fontes produtoras poderiam enxergar seus distribuidores como verdadeiros braços de marketing, extensão de suas unidades, e privilegiar mais essa relação. “Vemos uma pequena tendência em poucas fontes produtoras que enfatizam vender seus solventes diretamente ao cliente consumidor final e que, muitas vezes, acaba adquirindo mais do que precisa e acaba revendendo o excedente no mercado de distribuição, uma vantagem aparente para si, mas que acaba desfavorecendo o seu próprio mercado.”
Por sua vez, Roberto Giannini, também membro da Comissão Técnica do Sindsolv, defende que não existe distribuição sem parceria sólida entre o distribuidor e o fornecedor. Também essa parceria só poderá ocorrer quando o distribuidor agregar valor para o produtor. “Quando existe um claro alinhamento estratégico entre o produtor e o distribuidor é possível compreender e participar do enorme leque de oportunidades que o mercado oferece”.
Entre as diversas possibilidades de compartilhamento de visões, Giannini destaca quatro fundamentais que devem ser bem alinhadas pelos agentes: organizacional, cultural; geográfica e tecnológica. “O alinhamento estratégico entre os canais é fundamental para a sobrevivência de ambos.”
Na visão de Giannini, o distribuidor é um elemento-chave para a melhoria do desempenho e da rentabilidade das empresas químicas e deve estar focado no desenvolvimento de mercado para criação de valor, sendo um elemento que reduz custo, atende e provoca aumento da demanda para o produtor, difunde tecnologias e tem como função agir como um pulmão, amortizando choques de custo e de demanda, ajudando a estabilizar o mercado.
“O segmento de distribuição de solventes é bastante organizado no Brasil e apresenta um nível de capacitação que pode ser considerado bom. Contudo, parece razoável supor que o setor passará por um processo de consolidação, onde somente os mais fortes, ágeis e que apresentarem um diagnóstico mais preciso das tendências do mercado poderão sobreviver”, adianta Giannini.
Produção de solventes
O fluxograma abaixo representa, sinteticamente, os processos de obtenção de solventes a partir do petróleo. A maior parte dos solventes hidrocarbônicos utilizados no Brasil é derivada do refino do petróleo (processo físico) ou do processamento da nafta (processo químico).
Os solventes são matérias-primas para as indústrias de:
- Adesivos
- Artefatos de borracha
- Cosméticos
- Defensivos agrícolas
- Detergentes
- Explosivos
- Embalagens
- Especialidades químicas
- Fibras sintéticas
- Pigmentos e corantes
- Plásticos e resinas
- Higiene e limpeza
- Química de base
- Tintas e vernizes
A importância do distribuidor
O distribuidor é o elo indispensável entre os produtores e as indústrias consumidoras. São empresas que contam com grandes parques de armazenamento e sofisticados sistemas de logística e distribuição. Sua relevância assenta-se, sobretudo, no fato de que é um agente habilitado a atender, indistintamente, a pequenos, médios e grandes consumidores nas mais diferentes regiões do País. Também é importante salientar que o distribuidor exerce o papel de agente facilitador da fiscalização do mercado pela ANP (Agência Nacional de Petróleo), pois consolida os dados de comercialização e distribuição.
Guia de produtos
Arinos
A Arinos atende o mercado com as linhas de solventes hidrocarbônicos produzidos pelas empresas Braskem, Copesul e Petrobras. Os produtos distribuídos são: aguarrás, xileno, tolueno, solvente ab9, solvente para borracha e a linha Arisolve (mistura de solventes). Podem ser aplicados nos mercados de tintas, vernizes, resinas, adesivos, formulação de blendas e em outras aplicações industrias. Os produtos são encontrados nas embalagens de tambor, granel e container. A Arinos dispõe ainda de tanques dedicados e inertizados e uma frota de caminhões compartimentados para estes produtos.
Bandeirante Brazmo
Comercializa solventes aromáticos (Petrobras, Copesul e Braskem), tolueno (Copesul, Braskem), xileno e AB – 9; alifáticos (Petrobras, Braskem), aguarrás (Petrobras), hexano, solvente para borracha e alifático 110/140 (importado); alifático 80/110 (Extrativa Vegetal); solvente médio (Petrobras); Ban Solv Ciclo(Bandeirante); Ciclohexano (Braskem), alifáticos hidrogenados (importado) Bio Solv 40H, Bio Solv 60H, Bio Solv 80H e Bio Solv 100H.
Best Química
Os solventes hidrocarbônicos são obtidos pelo refino de petróleo ou processos petroquímicos. A Best Química busca permanentemente sempre estar aliada às alternativas de solventes ecológicos com baixo teor de aromáticos, baixo odor e incolores, caracterizando assim sua linha dos Best Solv Eco e Best Solv Clean, que passam por um processo de hidrogenação.
ExxonMobil
A ExxonMobil oferece os solventes alifáticos Arol 1260, Varsol e Exxsol, cuja maior aplicação está no setor de tintas e vernizes, permitindo a formulação de produtos finais com baixo odor, baixo teor de aromáticos, enxofre e reduzido impacto ambiental; os aromáticos pesados Solvesso 100, Solvesso 150 e Solvesso 200, produtos de alto poder de solvência, amplamente utilizados em diluição de resinas e formulações de tintas e vernizes. Dispõe também do ExxonMobil IPA (álcool isopropílico), muito utilizado em formulações para flexografia; e os plastificantes Jayflex.
Gafor
A Gafor Distribuidora é distribuidor exclusivo da linha de fluidos da ExxonMobil Química para o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que conta com os solventes hidrocarbônicos da linha Exxsol D, que são hidrocarbonetos alifáticos desodorizados, com diferentes faixas de destilação e com níveis muito baixos de aromáticos, disponíveis em 7 diferentes tipos:Exxsol D 30, Exxsol D 40, Exxsol D 60, Exxsol D 80, Exxsol D 100, Exxsol D 110, Exxsol D 130. Oferece também o Varsol, a linha Solvesso (aromáticos pesados: Solvesso 100 (C9-10), Solvesso 150 (C10 -11) e Solvesso 200), o Isopar L (elevada pureza), além dos xilenos, tolueno, os oxigenados, acetato de etila e álcool isopropílico (IPA) e óleos de processo naftênicos e parafínicos de diferentes viscosidades.
Ipiranga Química
A Ipiranga Química fornece ao mercado toda a linha de solventes hidrocarbônicos: alifáticos, aromáticos, solventes chamados ecológicos. solventes alifáticos obtidos nas refinarias nacionais e internacionais: aguarrás, hexano, solvente para borracha, rafinados, diluente de tintas. Solventes alifáticos especiais, com faixas de destilação específicas, com a marca Ipiranga Química - ISSOL - produzidos para a Ipiranga Química: Issol 30/70, Issol 30/40, Issol 90/100, Heptano, Issol 110/140 e Issol 150/210. Solventes aromáticos, obtidos nas centrais petroquímicas: tolueno, xileno, C9, C10 e C11. Solventes ecológicos, produzidos pela Ipiranga Química, com a marca Isassol Eeco, com faixas de destilação específicas, desde 150/210 a 240/280: Isassol ECO 500, Isassol ECO 2000, Isassol ECO 4000, Isassol ECO 5000 e Isassol ECO 7000.
Petrobras
A Petrobras Soluções Químicas tem em sua linha os solventes alifáticos: Aguarrás Mineral, Hexano BR e SBP (solvente para borracha). Aromáticos: AB-9, Solbrax Agro, tolueno e xileno. Solventes especiais: Solbrax 60/106, Solbrax 85/110, Solbrax CHX 80,Solbrax DAT, Solbrax ECO 115/150 e Solbrax C6. Fluidos Especiais: linha Solbrax ECO 145/210, 175/235, 195/240, 225/255, 255/285 e 270/310.
Makeni
A Makeni comercializa a linha de solventes composta por hexano (aplicação na extração de óleos e gorduras vegetais ou animais, formulação de tintas e vernizes e produtos de limpeza), tolueno (tintas e vernizes), xileno (largamente utilizado pelas indústrias de tintas e vernizes), AB-9 e aguarrás.
Unipar Comercial
A Unipar dispõe dos solventes aromáticos: tolueno, xileno, AB-9, Unisol R2000, Unisol R4000, Unisol R7000 e Cumeno. Solventes alifáticos: Aguarrá Mineral Desodorizada, Aguarrá Mineral, hexano, Unisol F1000, Unisol SBP, UnisolF110/140 (VMP) e Unisol F140/290 (querosene). Isoparafinas 5/13, 13/15, 13/21, 17/21, 22/25 e Unisol FS1110. Hidrogenados especiais: Ciclohexano e Unisol N3000.
Carbono Química
Na linha de solventes da Carbono Química estão os produtos Carbosolv 10, Carbosolv 1627, Carbosolv C 681/C 682, Carbosolv A, Carbosolv AB 9, Carbosolv AR, Carbosolv AZ 7095, Carbosolv DT e Carbosolv SB. Dispõe também de tolueno, xileno, hexano, monoetilenoglicol (meg), dietilenoglicol (deg), álcool etílico anidro, n-heptano, metilciclohexano (mch), hydroseal e hydrosol. |