Os equipamentos influenciam 100% no resultado e na qualidade do produto final, pois por meio deles o químico formulador obtém os mesmos resultados da planta piloto na planta fabril, gerando benefícios diretos de qualidade e uniformidade de moagem, poder de cobertura, homogeneização, maior tempo de validade do produto, diminuição dos efluentes, além de customizar o controle de matérias-primas envolvidas no processo. Por esses e outros motivos, os fabricantes de tintas têm se mostrado dispostos a investir cada vez mais em equipamentos. Mesmo porque, pagar ou não por eles não é mais questão de opção, mas de sobrevivência num mercado extremamente competitivo.
Tendências
A preocupação com o ambiente também tomou conta desse mercado de equipamentos. “Acreditamos que a necessidade de enquadrar-se às normas ambientais fará com que instalações de produção devam ser certificadas de modo a ter um menor nível possível de emissões voláteis. Portanto, processos enclausurados e integrados deverão ser cada vez mais requeridos”, aponta Giuliano Albiero, gerente de vendas da Netzsch Moagem.
Para Alessandro Machado, diretor-geral da Moinho Pirâmide, a tendência tecnológica para este ano são os equipamentos de alta escala produtiva para produtos de densidade e viscosidade altas, e também maquinários para o avanço da nanotecnologia. “Cada vez mais o mercado tende a buscar soluções para atender a forte demanda do mercado. Mas essas soluções têm de estar adequadas às questões ambientais, que hoje já fazem parte da rotina de todas as empresas que buscam o nível de qualidade e excelência exigidos pelos padrões nacionais e internacionais. A diminuição de efluentes, a maximização do aproveitamento de matéria-prima e a busca por aplicações dos resíduos com intuito de viabilizar o investimento com o ambiente será vital para as empresas que almejam ser competitivas.”
Carlos Russo, diretor da Adexim-Comexim, destaca como tendência tecnológica a utilização das máquinas Kady. “Esse equipamento possui grande eficiência na desaglomeração das partículas dos pigmentos, ou seja, um ponto muito forte para agilizar a produção tanto de pequenos como de grandes lotes.”
Concorrência
A concorrência entre os equipamentos nacionais e importados continua rondando o mercado. “A concorrência está acirrada, mas cada vez mais o mercado tem se mostrado disposto a investir em tecnologia nacional, que hoje já não deixa nada a dever em relação aos equipamentos importados e ainda com o benefício de uma assistência muito mais eficiente, tanto no pré quanto no pós-venda”, declara Machado, da Moinho Pirâmide.
Wagner Vitalis, gerente técnico da Altmann, revela que em alguns modelos existe a concorrência entre os equipamentos nacionais e importados. “Porém, os equipamentos importados vêm ganhando muita competitividade, devido ao dólar baixo e à sua qualidade, muito superior.”
Na opinião de Albiero, da Netzsch, os seus concorrentes são tanto nacionais como importados, sendo os últimos, mais na área de moagem. “No entanto, a Netzsch, uma multinacional renomada que tem fabricação, engenharia de aplicações e laboratório nacional, tem uma vantagem significativa em relação aos concorrentes, pois consegue dar respostas mais rápidas às necessidades dos cientes.”
Produtos
O mercado vem exigindo equipamentos e processos de produção que permitam mais qualidade com menores custos. Para tanto, as empresas buscam trazer para os fabricantes de tintas equipamentos que se enquadrem nesse perfil.
A Moinho Pirâmide, por exemplo, destaca seus moinhos verticais de alta performance e dispersores – o Moinho MP e Dispersor Turbo DH. “Temos diversos itens como diferencial, mas os pontos-chave na hora da aquisição de nossos equipamentos, de acordo com pesquisa realizada entre nossos clientes, são: alta produtividade; baixo custo de investimento e instalação; projeto 100% nacional; assistência técnica ágil e qualificada; garantia de um ano; peças de reposição com prazo de entrega líder de mercado. Sem contar nosso processo-chave na mão, ou seja, o cliente adquire o equipamento instalado e pronto para uso dentro de sua fábrica”, divulga Machado, complementando que a empresa possui todas as linhas de crédito ofertadas atualmente pelo mercado.
A Netzsch possui os moinhos de esferas. Seu carro-chefe é o moinho Zeta, que permite trabalhar com esferas desde 0,1mm, assegurando um processo bastante eficiente no que diz respeito ao consumo energético específico. “Além disso, o sistema de pré-dispersão, como o misturador-dispersor intensivo PMD-VC, permite uma separação das funções de mistura e dispersão, obtendo uma excelente qualidade e uma economia em até 50% da energia de um sistema convencional. Também possui o sistema de dispersão em linha, que favorece a dispersão de grandes lotes e a obtenção do grau máximo de dispersão, chegando ao tamanho da partícula primária”, destaca Albiero.
Albiero acrescenta ainda que o moinho Zeta apresenta como grande vantagem seu excelente sistema de separação, que permite trabalhar com esferas pequenas e alto fluxo. “Isso resulta em maior produtividade, possibilidades de ganho de brilho, transparência, força de cor e economia de pigmento, além de obter uma curva granulométrica mais estreita e um produto final mais homogêneo e estável.” O gerente de vendas comenta também sobre os tipos de financiamento que a Netzsch oferece ao mercado. “Todos os equipamentos são cadastrados no BNDES, portanto podem ser financiados via Finame ou cartão BNDES.”
Atualmente, a Altmann representa a linha da Retsch, empresa alemã que fabrica moinhos, quarteadores e peneiradores para laboratórios. “Temos vários modelos que se aplicam à indústria de tintas. Todos os equipamentos da Retsch são programáveis com software em português”, detalha Vitalis, acrescentando que, infelizmente, a Altmann não possui opções de financiamento para seus equipamentos. “Porém, alguns clientes têm se utilizado de leasing de seus próprios bancos.”
Russo comenta que os equipamentos oferecidos pela empresa para desaglomeração dos pós em geral são baseados na técnica de "rotor-estator", produzido pela Kady Mill, dos EUA, e que tem o seu sistema patenteado. “A grande vantagem do sistema da Kady é a imensa facilidade de desaglomeração dos pigmentos e cargas em tempo muito menor que qualquer moinho convencional, seja vertical ou horizontal. O menor dispersor contínuo da Kady tem a capacidade de produzir até 4 milhões de litros de slurry por mês em dois turnos. O sistema de desaglomeração contínua é o equipamento de maior sucesso, embora a Kady produza outros tipos estacionários com capacidade de até 2000 galões por lote.” O diretor da Adexim-Comexim também esclarece que esses equipamentos importados normalmente não possuem financiamento. “Entretanto, a Kady tem oferecido facilidades para os clientes.”
Expectativas
Em geral, o mercado de equipamentos apresenta boas perspectivas para este ano. “As expectativas são as mais positivas dos últimos dez anos, pois o aquecimento fantástico da construção civil e as facilidades de empréstimo e financiamento oferecidas hoje no mercado brasileiro fazem com que as empresas invistam com segurança, tendo certeza do retorno do investimento em prazos imbatíveis. Desse modo, será imprescindível à indústria como um todo investir em equipamentos e na modernização de suas indústrias”, prevê Machado, da Moinho Pirâmide.
Vitalis também é bastante otimista: “Acredito num crescimento significativo neste 2008. A economia brasileira vem atravessando um grande momento e com isso esperamos ter um ano muito produtivo em todos os segmentos. Continuaremos crescendo junto com a economia e não teremos grandes surpresas nesse mercado. Poderemos, sim, ter algumas evoluções nos equipamentos já existentes.”
O gerente de vendas da Netzsch acredita que este ano será muito bom, e melhor que 2007, principalmente pelo aquecimento de todos os mercados que tangem a cadeia do setor, como embalagem, automotivo e construção civil. “O mercado tem sido bastante receptivo a nossa linha, tanto que temos um aumento de aproximadamente 20% do faturamento por ano nos últimos períodos. A Netzsch Moagem está bastante motivada em participar ativamente desse momento favorável da indústria brasileira, em especial do setor de tintas. Para tanto vem investindo fortemente em estruturação de sua fábrica, time de vendas e laboratório.” |