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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 124 - Editorial
 
Mortos na praia?
 

No fechamento desta edição, uma notícia nefasta nublou o céu de brigadeiro que vinha sendo anunciado pelo mercado de tintas: a continuidade dos bons resultados. A razão de tal guinada está perigosamente associada aos desdobramentos do PAC – Plano de Aceleração do Crescimento – na construção civil, que, como todos sabemos, têm sido, até aqui, a locomotiva que puxa o setor de tintas e correlatos para desempenhos recordes.

Se é verdade que alegria de pobre dura pouco, não poderia vir mais a calhar a divulgação, pela imprensa, da suspeita de que a verba destinada à compra de material de construção de casas populares tenha sido apropriada de forma fraudulenta por gestores públicos e empresários do setor de construção.

Denominada “João-de-Barro” pela Polícia Federal, a operação cumpriu 38 mandados de prisão e 231 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Distrito Federal. Mais repugnante ainda: conforme a PF, o desvio era feito nas chamadas "Transferências Voluntárias", recursos financeiros transferidos pela União aos Estados e municípios e Distrito Federal por meio de convênios firmados ou por empréstimos contraídos na CEF (Caixa Econômica Federal) ou no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Para refletir sobre o assunto é bom ter na memória que os projetos apresentados dentro do PAC e que estão sob suspeita de irregularidades já receberam o montante próximo de R$ 700 milhões. A PF está agilizando suas diligências para tentar coibir o repasse de mais outros R$ 2 bilhões para projetos sob suspeição. Inacreditável!

Depois dessa tempestade de água gelada, ficam suspensos os prognósticos animadores e otimistas para o setor de tintas, principalmente as decorativas, cuja performance é irmã siamesa da construção civil. Principalmente, mas não só. Afinal, se a corrupção toma conta de uma área tão nevrálgica para o crescimento da economia, por que não haveria de atrapalhar outras?

Realmente é lamentável que iniciativas em prol do desenvolvimento do País e de sua população sejam desvirtuadas tão despudoradamente. Mais: é inaceitável que tanto rememos para morrer na praia, vítimas de uma escória que se propaga no submundo fértil da corrupção.

 
Miriam Mazzi
 
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