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Brasil, 6 de Janeiro de 2009 Busca por notícias:
 
Edição 124 - Resinas alquídicas
 
Presença em tintas continua marcante
 

Resinas alquídicas movimentam grandes volumes dentro do mercado de tintas, atingindo vários segmentos.

 
Marcos Mila
 

O mercado de resinas alquídicas está estável em relação ao volume. Apesar de serem utilizadas em diversos segmentos, os lançamentos mais recentes vêm substituindo as resinas alquídicas por outros tipos, como acrílicas, uretânicas etc.

As resinas alquídicas surgiram da necessidade de se melhorar as propriedades físico-químicas dos óleos utilizados em tintas. Os óleos apresentam o inconveniente de terem secagem muito lenta, baixa resistência às intempéries, amarelecimento e termoplasticidade pronunciada, entre outros. Com o advento das resinas alquídicas, muitas dessas propriedades foram melhoradas em virtude da ampla possibilidade de combinação de matérias-primas.

Os principais segmentos que utilizam resinas alquídicas puras e modificadas são os revestimentos industriais, com destaque para os substratos metálicos e os revestimentos para madeira no segmento imobiliário. O segmento da indústria em geral continua sendo o campo favorito de aplicação das resinas alquídicas e alquídicas modificadas, principalmente para as tintas de secagem ao ar, os esmaltes sintéticos propriamente ditos.  Os segmentos de tintas imobiliárias e o de tintas para móveis de madeira são também campos importantes de utilização de resinas alquídicas.

Trata-se de uma commodity, e suas principais matérias-primas são óleo de soja, glicerina, anidrido ftálico e solventes, como aguarrás, toluol e xilol, que dispararam seus preços durante esse primeiro semestre, devido aos aumentos no preço do barril de petróleo. Para o gerente de negócios da Akzo Nobel Divisão Iguatu, Cláudio Capalbo, esses aumentos vêm trazendo conseqüências ruins tanto para as indústrias de resinas alquídicas como para os fabricantes de tintas, tornando difícil o repasse de preços, trazendo com isso perdas das margens de contribuição de todos. “Em virtude disso, acredito que teremos algumas dificuldades no segundo semestre.”

Para Mário Fernando, diretor comercial da Galstaff Multiresine do Brasil, a resina alquídica, apesar de tudo, é muito importante para o mercado de tintas brasileiro. “É, certamente, um mercado muito competitivo, por se tratar de produtos fabricados aqui, com preços baixos e nenhuma novidade em termos de tecnologia. São produtos que vêm sendo produzidos ao longo dos anos sem mudança significativa na sua formulação, exceto alguns casos mais específicos, que requerem um desempenho um pouco acima da média.”

Particularmente no caso da Galstaff Multiresine, a empresa dispõe de uma infinidade de resinas alquídicas curtas, médias e longas, convencionais e outras bem especiais, modificadas com ácidos graxos e bem diferenciadas em termos de aplicação, explica Mário Fernando. Ele observa que essas resinas não possuem a mesma demanda que as outras, por se tratar de produtos mais aprimorados e com tecnologia mais apurada em termos de desenvolvimento. “A Galstaff Multiresine, por se tratar de uma empresa Italiana que exporta regularmente para 35 países, segue as tendências de qualidade do mercado internacional, que particularmente não foca exclusivamente o preço, como o mercado brasileiro, que na maior parte das vezes deixa de conhecer produtos melhores porque não enxerga outras alternativas e, por sua vez, acaba não levando essas melhorias para seus respectivos clientes, que desconhecem produtos especiais que fazem verdadeiros milagres em termos de aspecto final e resistências. Além disso, algumas empresas utilizam o PET para substituir alguns álcoois, em decorrência também do preço da matéria-prima.”

Aplicação
Geralmente, as resinas alquídicas têm uma ampla área de aplicação, mas as mais comuns são os esmaltes sintéticos e primers, porém com menos resistência. “Creio que a maior vantagem é preço, e às vezes a secagem, dependendo do tipo e teor de óleo, álcool ou ácido empregado. Esse mercado é muito complexo, porque o valor agregado é baixo e a tecnologia não requer nada excepcional. A guerra de preços é bem alta e alguns fabricantes de resinas comercializam geralmente para empresas médias e pequenas, sendo que as grandes ou terceirizam ou fabricam seu próprio produto.”

Embora o momento seja oportuno para esse tipo de resina, devido ao crescimento do mercado imobiliário, alerta Mário Fernando, simultaneamente pode ser muito preocupante porque alguns óleos estão sendo direcionados para outros mercados com maior demanda e acabam impulsionando o preço das resinas, que sempre foi muito baixo. “Nesse caso, surgem oportunidades para que o poliéster saturado avance em alguns mercados mais especiais, atualmente com forte presença de resinas alquídicas. O poliéster saturado é uma resina alquídica sem óleo, porém com melhor desempenho, maior valor agregado e maior resistência. Nesse caso, somos um dos grandes players no mundo para esse tipo de produto e temos vários poliésteres excelentes para todos os mercados. Isso pode representar uma melhor qualidade das tintas para todos os consumidores.”

Tecnologia
Nos sistemas base solvente pode-se afirmar que essa tecnologia já está bem maturada, sendo que os principais avanços estão no processo de fabricação, necessidades específicas de clientes e matérias-primas alternativas. No entanto, devido à crescente demanda por produtos que propiciem menor risco ao meio ambiente e ao ser humano, houve maior empenho na substituição dos solventes orgânicos por água. Assim, a busca por novas alternativas tecnológicas que aliem as vantagens técnicas de uma resina alquídica com a preocupação ambiental e diminuição da dependência à cadeia petroquímica levou a Reichhold a desenvolver as resinas alquídicas emulsionadas em água (látex alquídico), chamadas Beckosol Aqua e Beckosol Eco. Segundo o gerente de desenvolvimento da Reichhold, Ayrton Macedo Eyrerabide, além de não conterem solventes orgânicos, essas resinas permitem a formulação de tintas e vernizes diluídos somente em água, para os segmentos imobiliário e industrial, mantendo as características já conhecidas de aplicação, tais como alastramento, aderência e brilho típicos desse polímero.

Desenvolvimento
A necessidade de adequação de matérias-primas às formulações levou muitas empresas a focar em um trabalho muito próximo dos clientes. “Nossa missão é buscar sempre o atendimento das necessidades dos nossos clientes, com soluções economicamente viáveis. Além da produção de resinas, oferecemos suporte técnico nas formulações e fabricação de tintas, estabelecendo sólida parceria com nossos clientes”, afirma o gerente da Reichhold.

A Daltomare também tem se empenhado para melhorar a performance dos produtos dos seus clientes. “Oferecemos ao mercado o suporte técnico e matérias-primas necessárias para a formulação de resinas alquídicas de alta performance, como bases e aditivos especiais que conferem melhor flexibilidade e ao mesmo tempo resistência à resina, bem como menor amarelamento e menor tempo de secagem. A atuação da empresa acontece tanto junto aos produtores de resinas quanto às empresas de tintas com produção própria dessas resinas”, lembra o coordenador de marketing da Divisão Industrial, Luís Machado.

Outra empresa preocupada com o atendimento é a Deltech do Brasil. “Essa tem sido a nossa principal abordagem de introdução das resinas alquídicas e alquídicas modificadas nas indústrias de tintas. Através de apresentações e debates técnicos sobre formulação de resinas alquídicas e alquídicas modificadas, acreditamos estar ajudando e atualizando os químicos formuladores de tintas e resinas no que se refere à melhor escolha para o item custo/benefício dessas resinas. Acreditamos também que essa é uma forma diferenciada de abordar o mercado, tipicamente forte em commodities. Ao invés de oferecer somente preço, oferecemos também apoio técnico”, argumenta Luiz Martinho, gerente-geral da Deltech do Brasil.

 
Sumário
 
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