Com
o preço do petróleo nas alturas e
os custos crescentes de energia, era natural supor que
2007 fosse um ano bastante ruim para a indústria
química. Mas não foi o que aconteceu: as
economias cresceram o suficiente para permitir que esses
custos fossem absorvidos - ou passados adiante - sem
grandes transtornos, permitindo as empresas manter mais
um ano de crescimento.
Para
2008, diante do risco de os Estados Unidos entrarem
em recessão, a indústria
química não parece tão preocupada. "A
perspectiva para o ano é que países como
Brasil, Rússia, Índia e China têm
potencial para compensar uma eventual desaceleração
da economia americana", disse o presidente mundial
da Lanxess, Axel Heitmann. "Estou otimista com
o setor químico em 2008 e particularmente otimista
com o desempenho da Lanxess", afirmou Heitmann.
A
empresa foi criada em 2005 com a união dos ativos
químicos e um terço de polímeros
da Bayer, quando o petróleo custava apenas US$
30. Havia gente que avaliava, à época,
que a empresa-mãe havia decidido se livrar daqueles
ativos pouco dinâmicos. Depois do fechamento
de fábricas e a venda de negócios menos
lucrativos, a Lanxess se ajustou e voltou mostrar força.
A
despeito dos grandes desafios na administração
de custos, a companhia cumpriu, dias antes do Natal
de 2007, uma etapa importante do planejamento estratégico:
a compra do controle da brasileira Petroflex, a maior
fabricante de borracha sintética da América
Latina, por R$ 526,7 milhões.
A
Lanxess, que faturou quase Euros 7 bilhões
em 2006, vem aumentando sua presença nos países
emergentes, reduzindo a proporção das
vendas em economias, como as dos EUA (menos de 25%)
ou a européia
(33%, excluindo a Alemanha). A Ásia dobrou sua
participação
nas vendas de 4,5% para 9% em três anos. "A
compra da Petroflex aumentará ainda mais a participação
da Lanxess nos mercados emergentes", afirmou.
Apenas no Brasil, a empresa irá quadruplicar
suas vendas, para mais de R$ 1,7 bilhão.
A
Lanxess é a
líder mundial na fabricação de
borracha sintética e a aquisição
lhe deu maior distância das rivais, como a chinesa
Sinopec e a americana Goodyear. "A Petroflex está muito
bem posicionada, tem produtos, fábricas e clientes",
afirmou o executivo. Ele explicou que a compra, que
abre espaço para a Lanxess produzir borracha
localmente, se encaixa na estratégia global. "Não
queremos crescer apenas por si só, mas crescer
com lucratividade. "Fabricantes de pneus, grandes
clientes da borracha da Lanxess, realocaram dos Estados
Unidos para o Brasil suas fábricas, investindo
cerca de US$ 1 bilhão nos últimos anos. "Essa
mudança ocorreu por duas razões principais,
o potencial de crescimento desta região e os
custos de produção", afirmou o executivo.
O
mercado brasileiro de borracha sintética,
diz Heitmann, cresce a uma taxa de 7%, acima dos 4%
da média
mundial. Em paralelo à integração
da Petroflex à plataforma global, processo a
ser realizado ao longo do ano, a Lanxess continuará avaliando
oportunidades para que esse segmento da indústria,
ainda fragmentado, se consolide mesmo diante da ameaça
de grandes fabricantes oriundos da Ásia. "Nosso
foco é o segmento de produtos premium",
explica. Por conta disso, a Lanxess irá introduzir
no Brasil por meio de suas operações
recém-adquiridas
uma nova geração de produtos que permite
menos consumo e mais segurança aos pneus. "Queremos
ficar um passo adiante dos outros produtores de borracha",
completou Hetmann. (Fonte: Valor Economico) |