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16/12/2011

Queda na produção e vendas sinaliza desaceleração da atividade econômica


De acordo com o Relatório de Acompanhamento Conjuntural da Abiquim (RAC) os principais índices de volume do segmento de produtos químicos de uso industrial mostram sinais de desaquecimento na demanda interna em outubro de 2011, na comparação com setembro: a produção caiu 0,16% e as vendas internas tiveram decréscimo de 7,91%. O consumo aparente nacional (CAN), que havia apresentado redução de 1,56% em setembro, sobre agosto, caiu pelo segundo mês consecutivo, com retração de 5,38% em outubro, sobre o mês anterior. Destaca-se a queda no volume importado em outubro, de 15,94%, sobre setembro.

A desaceleração recente, estimulada pelo ambiente de incertezas gerais na economia, sobretudo com a piora da crise internacional, traz ainda mais preocupação ao segmento de produtos químicos de uso industrial. Os resultados médios alcançados em 2011, sobre os do ano anterior, mostram que a indústria local vem perdendo competitividade de forma acelerada com relação à capacidade de atendimento da demanda interna. De janeiro a outubro de 2011, sobre igual período do ano passado, o índice de produção médio apresentou declínio de 3,99%, enquanto o de vendas internas teve queda de 3,49%. O índice de utilização da capacidade instalada foi de apenas 81% na média dos primeiros dez meses deste ano, três pontos abaixo da média de igual período do ano passado. Na análise dos últimos 12 meses, encerrados em outubro, sobre igual período imediatamente anterior, o índice de produção foi negativo em 3,52% e o de vendas internas teve recuo de 2,95%. No que se refere aos preços, após a queda verificada com a crise de 2008, a trajetória foi de recuperação neste ano, com o índice acumulando alta de 15,27% de janeiro a outubro, sobre os primeiros dez meses do ano passado.

Por outro lado, o CAN dos produtos amostrados no RAC, lembrando que todos possuem produção local, cresceu 9,45% de janeiro a outubro de 2011, em relação a igual período de 2010.

Porém, como a produção caiu nesse período, todo o incremento na demanda interna foi atendido por acréscimos na parcela de importação, cujo volume subiu expressivos 27,65%, na mesma comparação.

O crescimento das compras no exterior deve-se, especialmente, à perda de competitividade da indústria química nacional, no entanto, as importações também estão sendo estimuladas pelos incentivos estaduais para importação e pela apreciação do real frente ao dólar. Com o agravamento da crise internacional e o cenário de elevação dos excedentes mundiais de produtos químicos, deve haver uma pressão ainda maior por aumento da parcela de importações. Como a indústria química geralmente opera em regime de processo contínuo, não é possível reduzir a produção na mesma velocidade com que ocorrem as quedas de consumo (havendo um desbalanceamento momentâneo entre oferta e demanda). Por essa razão, com o aumento dos excedentes, deve haver um fluxo maior para o mercado brasileiro. Não se pode deixar de mencionar que esses excedentes podem desestruturar a relação de preços e custos na cadeia. Vale lembrar que, nos últimos 12 meses, findos em outubro de 2011, o déficit de produtos químicos superou a casa dos US$ 25 bilhões, maior valor registrado em toda a série histórica.

Nesse cenário, a indústria química carece de um olhar atento e de ações urgentes, além de medidas de longo prazo, que possam estimular o preenchimento das atuais capacidades ociosas e atrair novos investimentos. Como mencionado em edições anteriores, a indústria química tem a capacidade e o poder de agregar valor, transformando matérias-primas (ou commodities) em produtos de elevado conteúdo. Nesse processo, há um forte efeito multiplicador sobre a economia. Não é coincidência que não exista nenhuma economia desenvolvida sem uma química de base também forte.