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Metalgráfica Trivisan reverte resultados e parte para o crescimento sem dívidas
Em apenas três meses na reta final de 2011, a centenária Metalgráfica Trivisan conseguiu não só estancar as perdas que acumulava ao longo de três anos. E passou a ter resultados financeiros positivos, principalmente com a mudança em sua gestão.
A empresa, com sede no Paraná, operava com prejuízos e financiava suas operações mediante novos endividamentos junto a bancos. O crescente endividamento cortou o gás para novas expansões por consumir seus recursos com a rolagem onerosa do passivo. As dificuldades para equilibrar suas contas há mais de três anos motivaram os sócios da Trivisan a profissionalizar a companhia com a troca dos gestores e a conseqüente contratação da Corporate Consulting, uma das mais importantes consultorias de "turnaround" no Brasil, que passou a responder pela nova governança.
Luis Alberto Paiva, presidente da Corporate Consulting, ressalta que a perda de controle financeiro tem sido muito freqüente nas empresas mesmo com a economia em crescimento. "Os gestores não organizam os pontos de risco, a companhia perde cada vez mais competitividade, as margens desaparecem e passam a ser financiadas por meio de dívidas, o que é fatal".
O efeito que ocorre nas empresas é devastador, observa Paiva. Primeiro porque inverte a equação da formação de capital e, segundo, porque compromete o negócio com mais um componente de despesa, chamado custo de remuneração de capital de terceiros. Na maioria dos casos os resultados devastam os negócios, porque não conseguem acompanhar os novos entrantes (concorrentes) muito mais oxigenados nesta equação e perdem carteira de clientes.
A boa notícia é que a reversão deste quadro ficou mais simples. Hoje, os consultores de "turnaround" carregam metodologia adequada, amplo conhecimento de gestão de custos, técnicas de negociação, persuasão, são influentes juntos aos fundos de investimentos (investiment banks), fomentam a produção e alguns até dirigem fundos próprios a fim de facilitar a virada organizacional.
No caso da Trivisan, todo o passivo foi renegociado e alongado junto a oito instituições financeiras em um prazo recorde de 15 dias. A fábrica foi readequada em 60 dias, todo o quadro de diretoria e gerência foi ajustado, fornecedores trocados, as perdas foram estancadas. Um novo padrão de controle gerencial para monitoramento de resultados foi implantado pelos novos gestores e o endividamento reduzido em 25%. Como não eram controlados pelo método do gerenciamento de caixa (cash management), os custos financeiros representavam o dobro do que é praticado hoje. "As medidas adotadas permitiram que as mudanças ocorressem rapidamente, como reverter os prejuízos financeiros, do contrário perderíamos cada vez mais resultado e caixa", explica Paiva.
A Trivisan parte agora para a segunda fase de seu plano de recuperação, com a venda de bens não essenciais ao negócio. A desmobilização vai permitir um menor custo de capital sem afetar a produção. Ao contrário, uma nova unidade industrial passa a integrar o parque fabril na modalidade "built to suit" em área geograficamente mais apropriada e, com isso, há um incremento de R$ 49 milhões no capital de giro da empresa, além de reduções de custo operacional.







