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Brasil, 21 de Novembro de 2008 Busca por notícias:
 
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Atacado químico sofre "efeito calendário”
 

As vendas em dólares do comércio distribuidor de produtos químicos e petroquímicos tiveram, em setembro, decréscimo de 0,7% em relação ao mês anterior. Em reais a redução foi de 3,7%. As empresas do setor atribuem a queda nas vendas ao “efeito calendário”, ou seja, ao pequeno número de dias úteis de setembro - quatro a menos que agosto.

No mês em análise os preços médios registraram acréscimo de 0,7%, enquanto que nas vendas a prazo o custo financeiro adicionado permaneceu na faixa dos 2%, apurando-se média de 2,2%. Os estoques se mantiveram em níveis adequados à demanda, equivalendo a 35 dias de vendas. Para outubro as empresas esperam crescimento próximo de 4% nas vendas em dólares. Os dados são do “Relatório Tendências”, elaborado mensalmente pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim) e pelo Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos no Estado de São Paulo (Sincoquim).

Para a maioria das empresas participantes do relatório, o resultado de setembro foi mais fraco que o esperado. Do total das organizações pesquisadas, 55% declararam ter obtido desempenho inferior ao previsto. A expectativa média das empresas, declarada no relatório anterior, apontava crescimento de 1,5%, variação considerada modesta para o mês em análise. Além do “efeito calendário”, algumas empresas destacaram a excessiva oferta de produtos no mercado, o que provocou concorrência elevada diante de uma demanda considerada equilibrada.

De qualquer forma, o comportamento das vendas do setor continua a apresentar oscilações, muito embora no acumulado do ano a variação tenha se mantido positiva. A seguir são apresentados os índices de vendas dos meses decorridos até setembro de 2007 e também de 2006, que permitem a comparação visual dos dois períodos. Os índices foram obtidos a partir de uma base fixa.

ÍNDICES DAS VENDAS MENSAIS EM DÓLARES 2006 e 2007

Da série apresentada conclui-se que apenas janeiro e março registraram índices inferiores aos de 2006, com a maior diferença visual observada até os meses de abril, julho e setembro.

A observação das vendas em dólares acumulados até os meses do ano de 2007, comparativamente a iguais períodos de 2006, permite verificar a vantagem que o ano em curso apresenta sobre os meses do ano passado.

Gradativamente após um primeiro trimestre muito fraco as vendas acumuladas foram apresentando resultados crescentes até alcançarem 8,3% em setembro, vantagem que pode ser considerada confortável e que permite prever um encerramento do ano em patamar superior ao atingido em 2006, acompanhando os demais indicadores de desempenho da economia brasileira.

Também como forma de comparação dos meses de setembro dos últimos anos, são apresentados no gráfico seguinte os índices de vendas do mês, desde 2003, considerado um período ruim para a economia, mas seguido por 2004, o último em que o PIB nacional registrou acréscimo significativo e que possivelmente será ultrapassado pela variação de 2007.

Apesar do decréscimo mensal observado em setembro deste ano, o índice do mês mostra-se superior aos demais. Percebe-se que a partir de 2003, ano desfavorável para a economia e para a indústria, as vendas dos meses de setembro foram crescentes, sendo o índice alcançado em 2007 o maior do período analisado.

Condições operacionais
Em razão do elevado preço do barril de petróleo nas cotações internacionais, foi acrescentada questão referente à eventual influência do fato nos preços de itens comercializados internamente. A maioria das empresas participantes (80%) responderam não ter havido influência significativa até o momento, enquanto que os 20% restantes afirmaram ter ocorrido alterações nos preços de solventes, resinas e algumas linhas de petroquímicos.

Diante da constatação de que a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) permanece em patamar bastante favorável a investimentos de longo prazo, perguntou-se aos participantes sobre a disposição de realizarem novos investimentos utilizando-se de financiamentos do BNDES. Apurou-se que 75% das organizações não pretendem investir através deste instrumento de crédito, optando por utilizar recursos próprios. Os demais 25% manifestaram interesse, em razão das taxas de juros e da carência para início do pagamento serem vantajosas e inferiores às demais linhas de crédito do mercado.

Apesar do volume de crédito continuar em expansão, tendo alcançado cerca de 35% do PIB, favorecendo empresas e consumidores, não foi ainda notada nas empresas do setor elevação nos níveis de inadimplência. Em relação à tomada de recursos para operações, 40% das empresas declararam valer-se destas linhas, mesmo que eventualmente, enquanto as demais afirmaram não utilizar recursos de terceiros.

Quanto a concorrentes que eventualmente operam no mercado, foi elaborada questão específica para avaliar a real influência dessas empresas neste mercado. Das respostas recebidas 60% se manifestaram positivamente em relação à existência de tais empresas, muito embora a maioria dos que assim se posicionaram (65%) tenha classificado a intervenção como ocasional.

O mercado interno continuará sendo atrativo para as indústrias que perderam poder no mercado internacional, diante da desvalorização do dólar frente ao real, que provoca remuneração abaixo da necessária. Dados existentes da Secex mostram que as exportações nacionais de manufaturados, itens que agregam maior valor, dirigidas aos Estados Unidos, até então o maior parceiro comercial, sofreram redução de 6%, enquanto as vendas à União Européia destes itens cresceram 26% no acumulado até setembro. O fato mostra que a indústria nacional encontra alternativas para vencer o problema cambial, encontrando e alternando novos destinos para seus produtos.

O comércio interno mantém crescimento muito próximo a 10%, fruto das condições excepcionais de crédito, de inflação reduzida, de salários médios em elevação, itens fartamente anunciados pelos institutos de pesquisa que acompanham o desempenho da economia brasileira. Por outro lado, há o problema de substituição dos itens de produção nacional por outros importados de menor custo para o consumidor final, questão que está sendo resolvida pelas empresas produtoras que buscam formas de baixar custos, importando partes, peças e até mesmo produtos acabados elaborados externamente.

De qualquer forma, a indústria nacional deverá registrar crescimento na casa dos 5%, com o comércio comemorando crescimento superior a 10% no ano, inflação inferior a 4%, saldo na balança comercial próximo a US$40 bilhões e aumento do rendimento médio real da ordem de 5%.

Todos estes fatores mantêm a expectativa positiva para o comércio distribuidor de produtos e insumos químicos, à medida que as indústrias dele se valem para aquisição de grande parte de matérias-primas.

Relatório elaborado pelo Depto de Economia da Associquim/Sincoquim

 
 
Data da Publicação: 30/10/2007
 
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