As
vendas em dólares do comércio distribuidor
de produtos químicos e petroquímicos
tiveram, em setembro, decréscimo de 0,7% em
relação ao mês anterior. Em reais
a redução foi de 3,7%. As empresas
do setor atribuem a queda nas vendas ao “efeito
calendário”, ou seja, ao pequeno número
de dias úteis de setembro - quatro a
menos que agosto.
No
mês em análise
os preços médios registraram acréscimo
de 0,7%, enquanto que nas vendas a prazo o custo
financeiro adicionado permaneceu na faixa dos 2%,
apurando-se média de 2,2%. Os estoques se
mantiveram em níveis adequados à demanda,
equivalendo a 35 dias de vendas. Para outubro as
empresas esperam crescimento próximo de 4%
nas vendas em dólares. Os dados são
do “Relatório Tendências”,
elaborado mensalmente pela Associação
Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos
e Petroquímicos (Associquim) e pelo Sindicato
do Comércio Atacadista de Produtos Químicos
e Petroquímicos no Estado de São Paulo
(Sincoquim).
Para
a maioria das empresas participantes do relatório,
o resultado de setembro foi mais fraco que o esperado.
Do total das organizações
pesquisadas, 55% declararam ter obtido desempenho
inferior ao previsto. A expectativa média
das empresas, declarada no relatório anterior,
apontava crescimento de 1,5%, variação
considerada modesta para o mês em análise.
Além do “efeito calendário”,
algumas empresas destacaram a excessiva oferta de
produtos no mercado, o que provocou concorrência
elevada diante de uma demanda considerada equilibrada.
De
qualquer forma, o comportamento das vendas do setor
continua a apresentar oscilações,
muito embora no acumulado do ano a variação
tenha se mantido positiva. A seguir são apresentados
os índices de vendas dos meses decorridos
até setembro de 2007 e também de 2006,
que permitem a comparação visual dos
dois períodos. Os índices foram obtidos
a partir de uma base fixa.
ÍNDICES
DAS VENDAS MENSAIS EM DÓLARES 2006 e 2007

Da
série apresentada conclui-se que apenas
janeiro e março registraram índices
inferiores aos de 2006, com a maior diferença
visual observada até os meses de abril, julho
e setembro.
A
observação das vendas
em dólares acumulados até os meses
do ano de 2007, comparativamente a iguais períodos
de 2006, permite verificar a vantagem que o ano em
curso apresenta sobre os meses do ano passado.

Gradativamente
após um primeiro trimestre muito fraco as
vendas acumuladas foram apresentando resultados crescentes
até alcançarem 8,3% em setembro, vantagem
que pode ser considerada confortável e que
permite prever um encerramento do ano em patamar
superior ao atingido em 2006, acompanhando os demais
indicadores de desempenho da economia brasileira.
Também
como forma de comparação
dos meses de setembro dos últimos anos, são
apresentados no gráfico seguinte os índices
de vendas do mês, desde 2003, considerado um
período ruim para a economia, mas seguido
por 2004, o último em que o PIB nacional registrou
acréscimo significativo e que possivelmente
será ultrapassado pela variação
de 2007.

Apesar
do decréscimo mensal observado
em setembro deste ano, o índice do mês
mostra-se superior aos demais. Percebe-se que a partir
de 2003, ano desfavorável para a economia
e para a indústria, as vendas dos meses de
setembro foram crescentes, sendo o índice
alcançado em 2007 o maior do período
analisado.
Condições
operacionais
Em
razão do elevado preço do barril de
petróleo nas cotações internacionais,
foi acrescentada questão referente à eventual
influência do fato nos preços de itens
comercializados internamente. A maioria das empresas
participantes (80%) responderam não ter havido
influência significativa até o momento,
enquanto que os 20% restantes afirmaram ter ocorrido
alterações nos preços de solventes,
resinas e algumas linhas de petroquímicos.
Diante
da constatação de que a TJLP
(Taxa de Juros de Longo Prazo) permanece em patamar
bastante favorável a investimentos de longo
prazo, perguntou-se aos participantes sobre a disposição
de realizarem novos investimentos utilizando-se de
financiamentos do BNDES. Apurou-se que 75% das organizações
não pretendem investir através deste
instrumento de crédito, optando por utilizar
recursos próprios. Os demais 25% manifestaram
interesse, em razão das taxas de juros e da
carência para início do pagamento serem
vantajosas e inferiores às demais linhas de
crédito do mercado.
Apesar
do volume de crédito
continuar em expansão, tendo alcançado
cerca de 35% do PIB, favorecendo empresas e consumidores,
não foi ainda notada nas empresas do setor
elevação nos níveis de inadimplência.
Em relação à tomada de recursos
para operações, 40% das empresas declararam
valer-se destas linhas, mesmo que eventualmente,
enquanto as demais afirmaram não utilizar
recursos de terceiros.
Quanto
a concorrentes que eventualmente operam no mercado,
foi elaborada questão
específica para avaliar a real influência
dessas empresas neste mercado. Das respostas recebidas
60% se manifestaram positivamente em relação à existência
de tais empresas, muito embora a maioria dos que
assim se posicionaram (65%) tenha classificado a
intervenção como ocasional.
O
mercado interno continuará sendo atrativo
para as indústrias que perderam poder no mercado
internacional, diante da desvalorização
do dólar
frente ao real, que provoca remuneração
abaixo da necessária. Dados existentes da
Secex mostram que as exportações nacionais
de manufaturados, itens que agregam maior valor,
dirigidas aos Estados Unidos, até então
o maior parceiro comercial, sofreram redução
de 6%, enquanto as vendas à União Européia
destes itens cresceram 26% no acumulado até setembro.
O fato mostra que a indústria nacional encontra
alternativas para vencer o problema cambial, encontrando
e alternando novos destinos para seus produtos.
O
comércio interno mantém crescimento
muito próximo a 10%, fruto das condições
excepcionais de crédito, de inflação
reduzida, de salários médios em elevação,
itens fartamente anunciados pelos institutos de pesquisa
que acompanham o desempenho da economia brasileira.
Por outro lado, há o problema de substituição
dos itens de produção nacional por
outros importados de menor custo para o consumidor
final, questão que está sendo resolvida
pelas empresas produtoras que buscam formas de baixar
custos, importando partes, peças e até mesmo
produtos acabados elaborados externamente.
De
qualquer forma, a indústria nacional deverá registrar
crescimento na casa dos 5%, com o comércio
comemorando crescimento superior a 10% no ano, inflação
inferior a 4%, saldo na balança comercial
próximo a US$40 bilhões e aumento do
rendimento médio real da ordem de 5%.
Todos
estes fatores mantêm a expectativa positiva
para o comércio distribuidor de produtos e
insumos químicos, à medida que as indústrias
dele se valem para aquisição de grande
parte de matérias-primas.
Relatório
elaborado pelo Depto de Economia da Associquim/Sincoquim |