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Brasil, 21 de Novembro de 2008 Busca por notícias:
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Madeira e móveis voltam à pauta no Mercosul
 

Brasília e Caxias do Sul (RS), 15 de Maio de 2007 - Governos e empresários dos países do Mercosul iniciaram na semana passada a integração das indústrias do setor de madeira e móveis. Proposta pelo Brasil, a integração das cadeias produtivas visa a incentivar parcerias entre as indústrias do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, reduzir custos e realizar um esforço conjunto por mais espaço no mercado internacional. É o primeiro processo de integração de cadeias produtivas no Mercosul. A integração é antigo desejo dos países do Mercosul, mas nunca saiu do papel. O assunto voltou a tomar fôlego em 2006, quando o Brasil exerceu a presidência temporária do bloco.

Em reunião realizada no fim da semana passada no Paraguai, representantes dos quatro países do Mercosul decidiram que em julho empresas e governos apresentarão projetos para tirar a integração do papel. O financiamento será feito por empresas, governos e pelo Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (Focem), criado em 2006 e que terá US$ 75 milhões neste ano e US$ 100 milhões por ano a partir de 2009.

A Venezuela passará a fazer parte da iniciativa quando adotar a Tarifa Externa Comum (TEC) e, assim, aderir de fato ao bloco. "O Mercosul está começando a ter uma visão de integração produtiva. O presidente Lula cobra isso de nós", disse o secretário interino de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Nilton Sacenco.

O principal alvo do Mercosul é o mercado norte-americano, que compra 30,6% dos produtos exportados pelo Brasil e é o maior consumidor de móveis do mundo. Segundo Sacenco, o bloco sul-americano responde hoje por menos de 2% do mercado mundial de móveis, que movimenta cerca de US$ 70 bilhões por ano. O Brasil exportou em 2006 US$ 1 bilhão em móveis, enquanto a Argentina registrou vendas internacionais de US$ 170 milhões. Com um faturamento de US$ 9 bilhões no ano passado, a China é o país que mais exporta móveis no mundo. A Itália ocupa a segunda colocação, com US$ 8 bilhões.

Inicialmente, o governo brasileiro pretende apoiar os pólos produtivos de Bento Gonçalves (RS) e Ubá (MG). Serão beneficiadas pelo Uruguai cinco empresas, pelo Paraguai 15 e pela Argentina dois pólos industriais. A integração produtiva terá seis frentes de atuação. Serão criados observatórios comerciais ligados à universidades para a construção de uma inteligência comercial. Os países farão em conjunto ações internacionais de marketing, com rodadas de negócios e propaganda de produtos.

Os governos buscarão afinar as legislações e normas que regem o setor. Será definida uma estratégia de gestão da cadeia de fornecedores a fim de garantir a qualidade. E uma rede de cooperação voltada à formação de mão-de-obra será constituída.

Diagnóstico
Renato Hansen, diretor executivo da Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), e representante das empresas nos encontros do Mercosul, informou que, na prática, o Brasil começará a repassar todo o seu conhecimento em exportações aos demais integrantes do bloco. "O que nós aprendemos nestes últimos dez anos será dividido com os países vizinhos", disse Hansen, acrescentando que uma das primeiras ações será as indústrias da Argentina, do Uruguai e Paraguai voltarem-se para dentro, trabalharem questões cruciais como capacitação das fábricas. Hoje o Brasil, sozinho, é o 12 maior exportador de móveis do mundo. O restante do Mercosul não aparece na lista.

Segundo Hansen, que participou de diversas reuniões, o acordo prevê que os parceiros recebam consultores para fazer diagnóstico detalhado da situação. "Deverá ser proposto um roteiro parecido com o que o Brasil fez, incluindo treinamentos, desenvolvimento de produtos, e, por fim, a prospecção de mercados", informou. "Quando o Brasil focou o mercado externo, a partir de 1998, o Rio Grande do Sul tinha 30 empresas exportadoras. Hoje tem mais de 300. O Brasil vendia lá fora US$ 400 milhões e hoje conseguimos alcançar a barreira do US$ bilhão. É um longo aprendizado", faz questão de ressaltar o diretor executivo.

Desde 2003 foram realizados seminários no Brasil direcionados a discussão da integração da cadeia madeira/móveis no âmbito do Mercosul, e, em todos os eventos ficou nítido a defasagem tanto em tecnologia aplicada à produção quanto em design. "Este acordo trará mais vantagens para eles do que para nós", disse outro representante brasileiro, que pediu para não ter seu nome revelado. "Na verdade, eles queriam, inicialmente, fazer as exportações pelo Brasil porque estamos muito mais avançados", destaca a fonte.

"Este acordo pretende mostrar os caminhos e atalhos para que possam chegar de forma mais produtiva ao mercado externo", argumentou Hansen. De acordo com ele, a escolha pelo pólo moveleiro de Bento Gonçalves deve-se a proximidade com o bloco e ao case de sucesso. No caso do pólo de Ubá (MG), é pelo destaque que obteve nos últimos cinco anos, firmando-se como pólo exportador sem ter praticamente nenhuma base anterior, exceção da Itatiaia, maior empresa do setor de Ubá. Hansen destaca o apoio da Agência de Promoção de Exportações (Apex Brasil) e da Abimóvel na consolidação das exportações.

 
 
Data da Publicação: 15/05/2007
 
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