Escancaradas
as portas da importação no mercado
brasileiro, as indústrias consumidoras
de tintas tiveram que se adaptar para concorrer
com os importados. Do mesmo modo, fabricantes
de tintas e revestimentos para madeira precisam
acompanhar as tendências do mercado, por
isso, atualização e investimentos
são constantes. “A abertura das importações
facilitou para as indústrias produtoras
de tintas o acesso a insumos de novos mercados
e atualização tecnológica
de seus produtos, acompanhando as principais tendências
mundiais”, fala Valdir Araújo Filho,
gerente de negócios da Akzo Nobel.
A
Região Sul, considerada soberana no consumo
de tintas para madeira, dá as cartas no
mercado moveleiro. Como toda soberania, no entanto,
desperta cobiça. Por isso, hoje, há
outras regiões que começam a se
fortalecer no cenário madeireiro. “O
perfil da Região Sul tem se mantido, mas
atualmente outros pólos começaram
a se desenvolver, como por exemplo o Nordeste,
com destaque para Bahia, Pernambuco e Ceará”,
observa o gerente de negócios.
Até
pouco tempo, o Brasil era considerado, segundo
dados da Associação Brasileira das
Indústrias do Mobiliário (Abimovel),
o 10º maior produtor de móveis do
mundo. No quesito exportação a posição
cai para 24º. Levando em consideração
o dado da produção, o filão
de mercado explorado pela indústria tinteira
é extremamente saboroso. “Segundo
a Abimovel, as exportações até
outubro de 2006 mostraram uma queda de 9% se comparadas
com o mesmo período de 2005. A desvalorização
do dólar tem sido apontada como a principal
causa desse recuo. Para 2007, muitas empresas
voltarão a exportar, pois se adaptaram
aos níveis atuais do câmbio”,
prevê Araújo Filho, acrescentando
que o atual patamar do dólar dificulta
ações de exportação,
principalmente no mercado de revestimento para
madeira, onde existe uma concorrência local,
isto é, produtores de tintas tradicionais
nos países em que seria viável a
exportação.
Necessidades
antônimas
Dependendo da região, as exigências
e especificações de uma tinta ou
revestimento podem variar consideravelmente. No
Sul, por exemplo, o clima diferencia-se totalmente
daquele que é constante no Norte. O desenvolvimento
de novos produtos, adequados à necessidade
local, é mais complicado quando o objetivo
é alcançar a exportação.
“Existem diferenças quanto à
qualidade e resistência. Normalmente para
o mercado externo as exigências são
maiores e podem variar de acordo com o segmento.
Por exemplo, algum mercado tem exigência
de solidez de cor, resistência à
intempérie; outros são mais exigentes
quanto à resistência superficial”,
conta Fábio Fortes, gerente de vendas da
Akzo Nobel.
Mesmo
sabendo das diferentes necessidades, a demanda
interna, muitas vezes, obriga a abertura de novas
fronteiras. “O mercado interno mostra variações
constantes relacionadas com o crescimento econômico
refletindo no poder de compra dos consumidores.
Muitas empresas buscaram como alternativa o mercado
externo para fugir dessa oscilação.
No entanto, nos últimos anos, com a desvalorização
do dólar, estão tendo que se adequar
a essa nova realidade de câmbio para se
manterem competitivas”, argumenta Fortes.
Tecnologia
Junto
à necessidade vem a capacidade de aprimoramento
tecnológico. Mesmo que a tecnologia base
solvente continue dando as cartas no mercado brasileiro,
o lado responsável começa a ganhar
corpo. “Nos últimos anos o crescimento
maior tem sido das tecnologias ecologicamente
corretas, como por exemplo, ultravioleta e base
água. Os produtos ecologicamente corretos
vão assumindo posição de
destaque tanto no mercado interno como no externo.
É muito mais fácil mudar a cultura
dos clientes quando existe uma vantagem em custo,
pois muitas vezes a tecnologia ultravioleta proporciona
essa redução. Outro ponto importante,
para que as tecnologias corretas sejam rapidamente
adotadas, é quando a exigência parte
do cliente internacional”, observa Filho.
Atenta
ao crescente volume de produtos verdes, a Akzo
Nobel lança uma linha de poliuretanos base
água para revestimentos de móveis,
portas e janelas para exteriores, com alta resistência
a intempéries. “Outro produto importante
é o verniz ultravioleta anti-risco, com
aplicações no mercado moveleiro
e de pisos pré-pintados”, diz Fortes.
O
futuro à tinta pertence no mercado moveleiro.
Após passar por alguns percalços,
durante o ano passado, a expectativa é
de um ano promissor. “O mercado de madeira
deverá mostrar recuperação
nos próximos anos, tanto o mercado interno
quanto o externo. No mercado interno, devido às
ações do governo visando aumentar
o poder de compra da população e
incremento na construção civil,
a demanda de móveis aumentará. No
mercado externo, com a adequação
das empresas ao nível atual do câmbio,
a exportação voltará a crescer”,
adianta o gerente de negócios.
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